Publicado por: Toogood | Domingo, 11 Novembro 2007

Nada

Longe de mim querer imitar o mestre Drummond que usava do tema poesia para escrever poesia (gênio, não?). Uma vez escreveu ele:

“Gastei uma hora pensando em um verso,/que a pena não quer escrever/No entanto, ele está cá dentro/E não quer sair…”

No meu caso, não são versos que não querem sair, mas sim, um texto todo mesmo. Então me veio uma idéia que pareceu genial. Por que não escrever sobre o Nada?

O Nada é algo assim…. Não tem forma. Não tem cor. Não tem cheiro. Não tem sabor. Não é molhado e também não é seco. Não chega chega a ser pesado, mas também não pode ser considerado leve. Então, pombas, como descreverei o Nada?

O Nada é uma tela branca (ou seria transparante?) na qual você pinta o que quiser. Molda a seu bel prazer (sempre quis usar essa expressão aqui). O Nada é inteiramente seu. É pessoal, é personalizado.

Não sei bem o que me leva a escrever esse texto. Muitos que estavam lendo já desistiram. Mas você, fiel leitor, continuou. Nem eu nem você sabemos onde esse texto vai parar.

Parece uma estrada, daquelas que você vê no horizonte as montanhas e o sol se pondo. Estrada que você acelera, acelera (ótimo trava línguas este… repita rapidamente a frase: Acelerei o acelerador para acelerar o acelerômetro. Duvido e faço pouco que você consiga) e o fim nunca chega. Fim este que pode ser numa praia ou num abismo. Numa lanchonete ou numa IURD.

Se eu não tivesse que dormir, poderia ficar dias aqui escrevendo, escrevendo, enrolando, enrolando… É interessante como uma sequência de letras formam palavras que formam uma frase, que for sua vez formam um parágrafo e um texto. Um livro. Uma coleção. Uma biblioteca.

Assim como o corpo humano. Células, tecido, órgão, sistema, corpo. Dupla, Trios, Quartetos, Quintetos, Sextetos músicos. Populações, comunidades, sociedades…

Acho que já escrevi bastante sobre o Nada. De Drummond fui para trava-línguas e então fui parar em Biologia e ainda pude citar um pouco de sociologia. Caramba! Então chego à conclusão que é quase impossível falar sobre o Nada. Você sempre acaba falando sobre alguma coisa.

Será que o nada não existe? Assim como é impossível parar de pensar (sem morrer) é impossível definir o Nada. Se alguém definir o Nada, já estará preenchendo o vazio que envolve o Nada. Complexo, paradoxal, único.

Poatz. O Nada nem nada é! O Nada, no final das contas, é alguma coisa tão pequena que nem o nada consome.

Então alguém pode me explicar, de uma vez por todas, o que é o Nada?


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  1. .


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