Cinderela Jucylleine da Silva é uma moça comum. Vai ao Supletivo, pega ônibus lotado e sobe o morro desviando das balas perdidas como todo mundo.
Cinderela também foi contemplada pelo ProUni, mas desistiu da vaga porque tinha que decidir se gastava o dinheiro com a inscrição do Big Brother. Enfim, se você olhar olhar na esquina da Augusta, provavelmente encontrará a Cinderela.
Mas apesar do trabalho duro, Cinderela sonhava em ir ao baile funk e se acabar a noite toda lá. A madrasta malvada não deixava. Acreditava que baile funk não era lugar para menina decente.
Uma note, Mc Xicéu iriatocar no barracão do morro da Cinderela. Aquela era a oportunidade ideal para realizar o sonho.
“Eu vô nu baile!“
“Não… a senhorita não vai“
“Mas vai toca o Mc Xicéu“
“Podia tá tocando o Pavaroti que eu num ia deixa“
“Não vai deixa, é?“
“Não… er.. O que você pretende fazer com essa faaaaaaaacaaaaaaaaa“
Após resolver essa pequena richa com a madrasta, Cinderela foi se arrumar.
Tirou do armário, melhor dizendo, do caixote, a micro saia “cosfurada” (por simpáticos ratinhos), o top de couro e as botas que iam até o joelho. Gostava das botas em especial, pois a faziam se sentir mais alta (com um salto agulha de 30 cm, até o Nelson Ned fica alto)
Respirou fundo e dirigiu-se até o barracão. Chegando lá, percebeu que estava no paraíso. Se arrumou com um maloqueiro “mais pra lá do que pra cá”. Nem chegou a perguntar o nome da criatura. Saiu dançando o “Crééééééééu” em velocidade 5, sem se importar com nada, nem com ninguém.
Ao soar as 7 badaladas que anunciavam um novo dia, percebeu que sua maquiagem estava borrada (talvez em função do suor que escorria por todo o seu corpo). Decidiu voltar para casa, porém, antes, retribuiu o favor ao sujeito, ainda de nome desconhecido.
Chegou em casa e a madrasta jazia no mesmo lugar que havia deixado na noite anterior. Pensou em atirá-la pela janela, mas desistiu da ação, pelo simples fato de que não tinha janela alguma. Fez uma cova atras do puxadinho e sepultou a madrasta lá mesmo.
Extenuada pelo trabalho duro, foi trocar de roupa. Foi aí que se deu conta que um dos pés da sua querida bota havia sumido. “Não… pedi a melda da bota, caçapa… Quem foi o filha da truta que fuzilou a porcaria da minha bota?“
Retornou ao barracão, dessa vez no “Mais Perdidos do que Achados”. Revirou as quinquilharias como documentos, carteiras (vazias), algumas pastas, bolsas, sapatos, camisas, bijuterias, 55 muletas e 3 cadeiras de rodas. Voltou na porta do barracão para se certificar que não tinha entrado na “Igreja do Universo”. Era o barracão do funk mesmo.
15 minutos de procura e finalmente achou a bota. Só que mas alguém estava segurando a bota. Com a mão no salto, Cinderala e o rapaz-não-identificado-da-noite-anterior trocaram olhares. Passarinhos cantaram ao fundo, os sinos badalaram e a sirene da Rota foi ouvida subindo o morro.
“Você?” – disseram ao mesmo tempo
“Essa bota é sua?” – disse o rapaz
“Sim, é minha” – Cinderela responde apaixonada
“Então, lá no matinho, ontem a noite… era você?“
“Sim” – responde constrangida
“Então trate de me devolver os 5 reaus que me roubou, sua vadia!“
Cinderela sai correndo em desabalada carreira pelo meio fio. Fora mesmo ela quem roubara os 5 “reaus” do rapaz. O problema é que já havia gastado tudo com a coxinha e a Fanta Uva.
A Rota que estava subindo o morro vê a cena e prende a garota.
Para quem, por um momento, pensou que iria arrumar um namorado, ser presa e ficar numa cela com 20 homens foi lucro.
Cinderela hoje mora num dos prédios da Cohab, com seus 5 filhos: Maicon Jékisson da Silva, Leidi Daiana da Silva, Uóxito Aparecido da Silva, Romário Chevichenco da Silva e o caçula, Hiro Watanabe.
The End…
Fim…
C’est fini…
Essa foi a homenagem do Idéia Fix ao Dia Nacional da Literatura Infantil. Dia 18 de abril foi escolhido pois marca o nascimento de Monteiro Lobato. Aquele mesmo do sítio que o pessoal cheirava o pó e viajava pra Lua para conversava com o são Jorge o Dragão (calma… é só o pirlimpimpim).













grande toogood…historia mto lok…uaeuheuheuheu…
Por: Diogo Hilário em Domingo, 11 Maio 2008
às 21:22