Foi a mídia!

Não é de hoje que a mídia exerce gigantesca influência em nosso modo de pensar, agir e porque não, ser. Exemplos são quase infinitos: podemos partir do clássico “deu no Fantástico que….” até chegarmos na completa mudança de visual para poder ficar parecida com a “mocinha da novela das 8″.
Nessa intrépida missão de informar, divertir e vender, os veículos de informação acabam cometendo equívocos, muitas vezes cruéis e irreparáveis.

Para vocês terem uma idéia, em 1996, Faustão apelou e exibiu a apresentação de Rafael Pereira dos Santos, conhecido com Latininho. Seria mais um domingo comum, se o “cover” não sofresse de síndrome de Seckeel, uma doença rara pior que o nanismo. Na época, o garoto tinha 15 anos, 86 centímetros e 08 quilos (!!).
Se já não bastasse a situação constrangedora por si só, Faustão ainda incitava, proferindo as famosas frases nonsense. Reparem no nível: “menor Latino do mundo; “Se você quer fazer um show em quitinete, pode contratar o fera aqui“;  “Menos que você só o salário mínimo“. Tudo pelo “entretenimento”, claro….
A apresentação, que proporcionou momentos vergonhosos para a família brasileira, resultou em uma indenização de 1 milhão de reais (que o garoto falecido em 2006 nem chegou a receber) e um memorando de advertência de Boni Pai para a direção do Domingão.
Leia matéria da Veja aqui, do Observatório da Impresa aqui, e uma foto do Latininho aqui.

Surpreso? Calma que tem mais…

Quem não se lembra dos tamagotchis? Não é exatamente um exemplo cruel, irreparável, mas é de assustar.
Segundo as reportagens da época, os bichinhos virtuais “viraram febre entre a criançada”. Lembro que as escolas chegaram ao cúmulo de contratar babás de tamagotchi para impedir que os pequenos petizes desviassem a atenção do “interessantíssimo” teorema de Thales para a alimentação ou diversão daquela bolinha que sorri e faz cocô.
Veja trechos da matéria do UOL, na época: Existe um cemitério na Web, para que os donos de Tamagotchis mortos possam prestar homenagens a eles (nota: bem ambígua essa frase, hein…). Normalmente os bichinhos, se bem cuidados, duram de uma semana a 10 dias. Mais absurdo ainda é o berçário de Tamagotchis, para os donos que não têm tempo de vigiar os brinquedos durante o dia.

Estima-se que mais de 40 milhões de unidades foram vendidas no mundo. Coincidência não foi. A intensa apelação da mídia ascendeu os bichinhos virtuais a um patamar que poucos brinquedos alcançaram. A queda ocorreu na mesma intensidade. E para quê? Eis a pergunta.

Na missão de informar a mídia também falhou. Feio. O caso da Escola Base é só uma das peças desse quebra cabeça macabro.
Agora, no recente caso Lindemberg/Eloá, a imprensa teve a brilhante idéia de entrevistar seqüestrador e seqüestrada… durante o seqüestro! Atropelaram o trabalho da polícia para ouvir o que o transtornado – que acabou matando a ex-namorada – tinha para dizer.
Parabéns para a Globo, Record e RedeTV! Vocês conseguiram ultrapassar a fronteira do inesperado, do bom senso e da busca por audiência sedenta por sensacionalismo.

Agora a morbidez chegou à patamaes que eu não imaginava que pudesse chegar. Mais de 30 mil pessoas, vou repetir, trinta mil pessoas, passaram pelo velório e nada menos que 10 mil acompanharam o enterro da adolescente. Parentes? Amigos? Que nada! Grande parcela dos que por lá passaram eram total e completos desconhecidos, gente do povo que se comoveu com o apelo nababesco que a mídia promoveu em busca de míseros pontos num IBOPE em decadência.

Quem dera se a qualidade na televisão não se espelhasse em Latininhos, escolas-base, sensacionalismos baratos…

3 thoughts on “Foi a mídia!

  1. “Alô criançada, o palhaço chegou! Trazendo alegria para você e o …”
    Retificando sua colocação, não foi a mídia!
    FOMOS NÓS!
    Mais de 30 mil no enterro/velório?
    Entrevistas ao vivo? O bizarro na tv?
    Citando Priscila:
    “Enquanto isso em Brasília…”
    Pão e circo para o povo! (onde foi que ouvi/li isto?)
    Podemos sempre culpar os políticos. Mas a indiferença e inércia é nossa! Mesmo do povão. Podem não ter acesso a cultura, mas sabem que “político é tudo ladrão”. Têm percepção disto, mas é mais interessante assistir ao bizarro, que extinguir a bizarrice política.
    Não sei se é uma forma de conforto: “vendo o quanto este cara é peludo, ou o retardamento deste menino e do engolidor de canetas, sou um privilegiado…”
    Mas, se uma árvore cai na floresta e não tinha ninguém lá para ouví-la, ela fez barulho?
    Pense nisto!

    Abraços!

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