Reflexões de um Reveillon no Rio

O texto e a foto a seguir foram enviados pela amiga Tatiana Piovesana Pereira Romeiro. Esse blog está cada vez mais chique e com mais colaboradores!

“Mais um ano começa e mais um ano terminou. O meu final de ano, como o de todos, foi cheio de tradições e festas familiares. A tradição que mais gosto é a de passar o Natal em Itatiba com a família da minha mãe – os meu adorados Piovesana – e o Ano Novo, no Rio de Janeiro, com a família do meu pai – os nada convencionais e não menos apaixonantes Pereira Romeiro.

Tive um Natal tradicional com troca de presentes, amigo secreto e tudo o que o Natal pede. Mas não é sobre o Natal que eu quero falar, é sobre o Ano Novo.

Cheguei ao Rio com alguns dias de antecedência, para evitar o trânsito caótico dos dias 30 e 31. Foi praticamente impossível encontrar uma vaga na orla do Leme, bairro que fica na ponta de Copacabana, pois era o primeiro dia de sol depois de semanas chovendo – o carioca, como pode-se imaginar, é um povo que não sabe viver debaixo de chuva – e a praia estava cheia. Depois de muitas voltas no quarteirão e de uma procura insistente encontramos uma vaga para o carro.

Faltavam alguns dias para o Reveillon (odeio essa palavra, mas vou usá-la aqui), e ficar em casa definitivamente não era a melhor idéia. Fomos então ver a tradicional árvore de natal da Lagoa Rodrigo de Freitas (aquela em que, há alguns anos, toneladas de peixes morreram), de ônibus lógico (!), pois tirar o carro da vaga era a idéia mais estúpida que um ser humano poderia ter.

No dia seguinte resolvemos dar uma volta pelo global bairro do Leblon, e como era de se esperar, novamente o nosso meio de transporte foi um ônibus. Depois de tomar sorvete com a Bete Lago, encontrar com Antônio Pedro Borges (o capitão Valério de Malhação, sabe?!) e com o Darlan Cunha (o Laranjinha ou Acerola, não me pergunte) caminhando pelo calçadão, voltamos para casa.

Na manhã seguinte resolvemos visitar o Museu Nacional para que meu irmão mais novo visse esqueletos de dinossauros e múmias (que, aliás, me agradam muito menos que as peças da minha aula de Anatomia). O Museu Nacional fica na Quinta da Boa Vista (não da Baroneza, como vem a minha cabeça cada vez que penso no nome do lugar) e era a residência de D. Pedro I. O importante a saber sobre esse lugar é que ele fica do outra lado da cidade, ou seja, na Zona Norte. Dessa vez fomos de metrô, pois era mais rápido que o ônibus. Depois do almoço voltamos para casa; no fim dessa tarde eu tinha um horário marcado com uma manicure. E é nesse ponto que a história fica realmente interessante.

Quando cheguei ao salão, vi uma moça sentada fazendo as unhas. Ela era muito exótica, lindíssima, com os cabelos mais ruivos que já vi, uma pele extremamente branca e olhos de inacreditável azul. No primeiro momento não dei grande importância a tal moça, apenas achei que ela fugia ao estereótipo típico de uma brasileira. Algum tempo se passou até que vi que a manicure não conseguia se comunicar com a tal moça. A essa altura eu já estava sentada ao seu lado fazendo as minhas unhas. Foi então que alguém disse: “ela é gringa” e então percebi que era a única ali que falava inglês. Não pensei duas vezes, virei pra moça e disse: “She wants know what colour you want“. Ela me respondeu e eu repassei a informação à manicure que me pediu para perguntá-la se estava gostando do seu trabalho, eu o fiz e respondi à manicure.

Ela é gringa“. Essa frase ficou na minha cabeça por alguns minutos, até perder o pouco de vergonha que me restava e começar a conversar com a mulher – coisa que mesmo o dono desse blog com um diploma de inglês na mão não faz nem em sonho. No decorrer da conversa ela me disse que era inglesa, que estava adorando o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro, que eu devia conhecer a Inglaterra. Gosto de lembrar das palavras que ela usou “England is wet and cold, but is nice“, ela elogiou o meu tosco inglês de ensino médio treinado com os gringos que encontrei durante viagens, achou chato quando disse que São Paulo não tem praias e que no Rio riem do meu sotaque de paulista. Achei delicioso ouvir o sotaque inglês dela principalmente em palavras como “Perfect“.

Por que essa mulher é tão importante para a história??  Porque ela estava aqui para “the big new’s year beach party“; ela achava o máximo todas as pessoas estarem na praia para comemorar o Ano Novo, e o mais interessante, algo que ela fez questão de dizer e que para nós brasileiros passa despercebidos: TODOS DE BRANCO.

Até conhecer essa moça nunca tinha pensado nisso, nunca tinha percebido que passar o Reveillon (novamente essa palavra terrível) de branco era uma tradição brasileira, que apenas os brasileiros começam o novo ano de branco.

O branco me fez pensar em um milhão de coisas. Discuti com a minha prima sobre isso e chegamos a conclusão que usamos branco por influencia da macumba, macumbeiros usam branco para receber o novo ano. Quando cheguei na praia a maioria das pessoas estavam de branco, existiam muitos com roupas amarelas também, e comecei a refletir o que o ano novo representava. Mesmo debaixo de chuva – sim, depois de dias sem chuva começou a chover as 22:40 do dia 31 de dezembro de 2008 (por sorte, faltando 5 minutos para acabar o ano, São Pedro deu uma trégua) – aquelas pessoas não saiam dali, porque mais do que começar um novo ano, o ano novo pra nós brasileiros significa ter esperança de que a vida vai ser melhor, que o novo ano vai trazer novas coisas, coisas boas. O ano novo mais do que uma grande festa na praia ou em qualquer outro lugar significa que a gente pode sonhar com uma vida melhor, e que a partir daquele dia 1 tudo vai ser diferente.

É no ano novo que fazemos as nossas resoluções de ano novo (dããã juraa ?!) e nessa data que traçamos os nossos sonhos. Eu não sou diferente, acredito que você também não seja.

E qual é a minha primeira resolução? Entrar num curso de inglês!”

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Bom… eu só tenho a agradecer a Tati pelo texto enviado. É interessante lembrar que é o primeiro texto feminino da história desse blog. Espero que seja o primeiro de vários!

Estamos evoluindo.. sem dúvidas estamos evoluindo.

18 comentários sobre “Reflexões de um Reveillon no Rio

  1. Uauu, adorei a história, um dia vou passar a virada ai no Rio. Também nunca tinha parado pra pensar no branco, interessante, interessante.

    Eu adoro o ano novo, só o ano novo porque o reveillon é horrivel mesmo, sempre !

  2. Bem… Tati Piovane…sa.

    Além da turma toda estar de branco, São Pedro ainda deu uma ajudinha com a chuva?

    Não, não é porque as roupas brancas tendem a ficar translúcidas… apenas porque ele resolveu fazer o pessoal ultrapassar o ano novo, com a alma lavada!!

    Bem, o que mais posso dizer?

    Feliz ano novo!! Ho Ho Ho!

  3. Tati, (Piovanesa)

    Relaxe. Apesar de o pessoal daqui parecer MUITO crítico quanto aos erros de portuga, não somos carrascos. Debochamos apenas dos erros gritantes, tipo Reveillon… rsrsrs brincadeira.

    Abraços.

    • Para acabar de vez com a polêmica do Reveillon/Reveion, pedia ajuda a papai… Google. Ele nos diz que a palavra é Reveillon, tal qual está escrito no texto. A Wiki (grande fonte), a FolhaOnline, Zero Hora… todos escrevem Réveillon…

      No fim das contas, pra variar, a Tati tá certa. E na casa do adversário!

  4. Bem,

    Apenas para enriquecer. Réveillon: Etmologia

    “Réveillon, do francês, réveiller: despertar, acordar.”

    Lembrando que o acento ´ em francês, tem a pronuncia fechada. Ele funciona como o nosso acento ^.

    Portanto, estamos acordando para o ano que chega. (Dãããããã!! “Brilhante dedução meu caro Watson”*)

    Abraços,

    * Sir Arthur Conan Doyle.

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