Afundando Ribeirão

Eu tenho o dom de afundar cidades. Não afundar no sentido que a qualidade delas cai quando estou lá. É afundar mesmo, ficar embaixo d’água!

Sabe Santa Catarina e aquela tragédia que aconteceu lá no final do ano passado?? Eu estava lá!! Tenho fotos para provar!! Mas não vou falar sobre afundar o estado de Santa Catarina dessa vez. Vou falar sobre o dia que afundei Ribeirão Preto e sobre o dia seguinte a esse fato.

Acabei de notar que não fui devidamente apresentada pelo Frank. Meu nome é Tatiana Piovesana Pereira Romeiro, mas podem me chamar de Tati, tenho 18 anos, quase 19. Conheci o Frank no primeiro ano ensino médio e no início achei que ele tinha um nome ridículo, agora já me acostumei com isso. Tenho a mania de ganhar dele sempre, mesmo quando não estamos competindo. Durmo de dia e fico acordada a noite, sou apaixonada por dança, qualquer que seja ela. Passei no vestibular de primeira, na UNESP e na FUVEST, mesmo estudando em escola publica e não estudando pra fazer as provas. Estou no segundo ano de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, pertencente a USP.

No começo desse ano, pra ser mais exata, dia 27/01/2009 as 8:00 eu tinha uma prova de recuperação de Fisiologia Humana. Como a prova era muito cedo fui pra RP (meu jeito carinhoso de chamar Ribeirão Preto) no dia anterior dia 26/01/2009. Decidi que ia pegar o ônibus das 15:30 saindo de Campinas com destino a RP, para não chegar lá muito tarde.

Minha mãe me levou até a rodoviária em Campinas eu peguei o ônibus como sempre faço até ai nada de anormal. Dormi a viagem toda, como também sempre faço. Acordei em Cravinhos, cidade que fica a 2 segundos de RP. Estava chovendo muito!! O ônibus chegou a RP, parou na Mini-Rodoviária (RP tem duas rodoviárias a Mini e a Central) e seguiu caminho até a Central. No caminho até a Central o ônibus passa em frente ao meu prédio e eu sempre desço ali, assim economizo o dinheiro do táxi. Neste dia ia fazer a mesma coisa.

Entramos na rua da minha casa, uma rua importante da cidade. E cerca de 5 quarteirões antes da minha casa o trânsito estava completamente parado, como o congestionamento era muito grande não dava pra ver o motivo. Como não estava com vontade de pegar chuva e nem de andar resolvi esperar dentro do ônibus. Passaram-se muitos minutos e o ônibus avançou 2 quarteirões já não estava mais tão longe da minha casa, dava pra ir andando, e a esta altura eu já sabia que a cidade estava afundando, eu vi que a rua que teria que atravessar estava cheia, mas muitas pessoas estavam atravessando resolvo me arriscar, desci do ônibus e rumei sentido minha casa, tudo o que eu queria era chegar em casa.

Cheguei na esquina e vi que não seria tão fácil atravessar a rua como eu esperava, mas mesmo assim fui. Não é necessário dizer que cheguei do outro lado da rua com os pés encharcados e com as calças molhadas até os joelhos. Nessa hora eu lembrei de uma amiga da minha turma que sempre esquece o guarda-chuva. Porque eu lembrei dela?? Não porque estava sem guarda-chuva, muito pelo contrario sempre tenho um na bolsa. Eu lembrei dela porque ela mora no meu prédio e sempre que tem uma chuva muito forte ela pede uma carona de guarda-chuva, e é obvio que sempre chegamos muito molhadas em casa. Nessa hora até parecia que eu tinha dado uma carona pra ela.

Continuei caminhando pelo quarteirão, era só atravessar a rua, mais um quarteirão, outra rua e pronto! Meu prédio! Quando cheguei na esquina vi que era impossível atravessar a rua. Até puxei as minhas calças na altura do joelho pra não molhar tanto, já que era a minha ÚNICA calça e meus sapatos já estavam nas minhas mãos, mas não tinha jeito! O quarteirão seguinte também estava cheio. Uns 10cm de água. Pra mim não dava, era muita aventura, eu só queria chegar em casa, e como não era mais possível chegar seca, pelo menos segura e saudável.

Voltei para o ônibus pedi para o motorista abrir a porta para eu entrar. Voltei para dentro do ônibus e logo cheguei em casa, pois o transito estava se movimentando melhor.

A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi por minhas coisas pra secar. Peguei o secador de cabelo da menina que mora comigo e comecei a secar minhas sandálias, a calça depois era mais fácil. Sequei minhas coisas e fui dormir, pois tinha que acordar cedo e ir pra faculdade.

Na manha seguinte acordei cedo, me arrumei (com aquela calça e sandálias que estavam molhadas na noite anterior), coloquei o lixo para fora e fui para o ponto de ônibus. Quanto sai da portaria do prédio vi meu ônibus virando a esquina… ele já tinha passado perdi o ônibus. Resolvi ir para esse ponto mesmo assim, na esperança que não fosse o ônibus que eu queria. Mas era. E o povo que estava sentado no ponto de ônibus não prestou atenção e não soube dizer que era o ônibus que eu queria. Desse jeito perdi o 2º ônibus, um que passaria em um outro ponto ali perto. Fui para esse ponto que passa um ônibus para o hospital da faculdade de 15 em 15 minutos. Parei e fiquei esperando. Contei que estava chovendo??? Pois estava! Nada muito forte, dava pra andar na rua sem guarda-chuva (era o que eu estava fazendo, tinha puxado o capuz da minha toca e estava feliz), mas ficar parada na chuva esperando um ônibus que eu sabia que estaria lotado de pessoas doentes não era algo muito agradável.

O ônibus chegou 7:45 minha prova começava as 8:00. Ônibus cheio, quente (porque estava chovendo e ninguém abria a janela) e atrasado. Muitas voltas depois o ônibus chegou no terminal rodoviário do HC (Hospital das Clínicas) as 8:05. Eu estava 5 minutos atrasada!! Ainda teria que caminha um pouco até o prédio onde seria a prova. Resolvi que se fosse de guarda-chuva andaria mais rápido. Quando abri o maldito guarda-chuva, ele quebrou na minha mão, e eu fui sob chuva, correndo, atrasada, até o prédio. Quando cheguei lá o primeiro passo que dei quase resultou em um tombo espetacular no chão, daqueles que da até gosto de ver. Eu não preciso dizer que escorreguei na frente de uma multidão de alunos da Medicina que estavam fazendo não sei o que lá.

Recuperada da possibilidade do tombo notei que estava tudo escuro e as meninas da minha sala (meninAs, não tem sequer um homem na Fono) e os alunos da Medicina estavam no corredor. Para o meu alivio a prova ainda não havia começado.

Esperamos, esperamos, esperamos e por volta de 9:00 (isso mesmo 1 hora de atraso) o professor resolveu um lugar para fazermos a prova. Ele nos mandou subira até o segundo andar e nos acomodarmos no corredor mesmo, sentadas no chão, para fazer a prova porque era mais claro. ISSO MESMO QUE VC ACABOU DE LER! FIZEMOS A PROVA SENTADAS NO CORREDOR!!

Prova feita, perdi o ônibus das 10:00 pra Campinas, então voltei pra casa e esperei. Nada de errado aconteceu dessa vez. Tirei um cochilo, vi o jornal local, que dizia que moradores estavam tirando peixes das ruas devido ao transbordamento de córregos, que me matou de rir e fui almoçar. Depois do almoço iria pra rodoviária. Minha passagem era para 12:45. Por volta de 12:05 fui para o ponto para pegar um ônibus até a rodoviária, não que fosse longe de casa… mas a preguiça estava prevalecendo. Parei no ponto e adivinhem.. perdi o 3º ônibus!!!

Depois disso cheguei a conclusão que a melhor opção era ir a pé até a rodoviária. Fui, sem acidentes, sem água, sem escorregões, tranqüila. Cheguei na hora da minha partida. Dormiria mais 3 horas e finalmente chegaria em casa pra poder rir de toda a minha desgraça.

(Nota invasiva do Frank: Só quero deixar claro que a Tati ganha as discussões porque eu deixo. Não fica bem um cara distinto, cavalheiro e tão humilde como eu utilizar toda a artilharia argumentativa contra a escritora desse texto.  Grato)

4 pensamentos sobre “Afundando Ribeirão

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