Publicado por: Toogood | Terça-feira, 31 Março 2009

Resenha: O Crime do Padre Amaro

Meu critério para classificar quão bom foi um livro  é lembrar quantas vezes eu soltei algum tipo de exclamação enquanto o lia. Se eu fiquei mudo, significa que esse é um livro tipicamente classificável como fast food. É ler pra nunca mais lembrar (mais sobre classificação de livros no blog da Simone Campos).
A situação oposta acontece quanto eu xingo, dou risada, volto páginas para rever alguma informação dizendo “mas não é possível“, fico indignado, enfim… demonstro emoções, sempre de forma involuntária e absolutamente espontânea.

Pensando nisso, resolvi abrir mais um espaço de prestação de serviços aqui no blog. Vou resenhar alguns livros que eu realmente tenha gostado de ler, aqueles que me fizeram falar. Comecemos, pois, por um clássico da literatura portuguesa: O Crime do Padre Amaro.

Em seu romance de estreia, Eça de Queiros explora um tema altamente polêmica, mesmo nos dias de hoje: Clero X Sociedade X Política. É importante salientar que o livro foi escrito em 1875, portanto, apesar de algumas mudanças comportamentais, ainda é possível fazer um paralelo entre o século XIX e o XXI.

Amaro Vieira, o personagem principal, ordena-se padre  para obedecer ao testamento deixado pela patroa de sua mãe – A Marquesa de Alegros – que fora desde sempre sua protetora. Ele, na verdade, não teve uma infância que permitisse outra escolha, já que, como órfão, esteve sempre ligado às questões eclesiásticas. Viva na igreja e entre beatas.
Após o período de clausura, é mandado para uma cidadezinha muito pobre, calma até demais. As condições meteorológicas eram péssimas. Neve…. muita neve. Amaro não aguenta e pede pra sair. Com a ajuda de sua tia rica, consegue transferência para Leiria, e lá as tramas desenrolam-se.

Padre Amaro é mentalmente fraco, não suporta pressões. Quando conhece Amélia, essa condição fica cada vez mais explícita e difícil de administrar. Sua posição de “homem da Igreja” não permite paixões mundanas, contudo, dá livre acesso à casa de São-Joaneira – que é o recanto das beatas – e com isso, a influência que beira a manipulação entre as senhoras. Esses dois lados (homem X padre) entram em conflito e Pe. Amaro demonstra não ter escrúpulos, culpa ou remorso. Deixa-se levar pela situação.

Alguns pontos positivos: A trama é muito bem amarrada, permitindo surpresas na hora exata, sem grandes cortes abruptos. A descrição do ambiente não é exagerada, a ponto de tornar-se monótona. A construção psicológica e da história de vida dos personagens é perfeita, a ponto de realmente envolver o leitor nos dramas de Amaro, Amélia, João Eduardo…
É possível perceber uma clara mudança de posição da Igreja quanto à figura de Deus. Enquanto no século XIX, a figura d’O Criador é pintada com as cores do medo, do castigo, da punição, hoje, em pleno século XXI, já é possível acompanhar missas pela televisão, acender velas virtuais, frequentar a RCC.

Pontos negativos: Eça é português e como tal utiliza-se de palavras e expressões da terra de Cabral. As notas de rodapé, nesse sentido, poderiam ser mais completas, permitindo um melhor entendimento da trama. A tradução de algumas palavras também poderia acontecer, sem que a identidade visual do romance fosse alterada. Um exemplo disso é o uso da palavra “dous” ao invés de “dois“. O espaço-tempo também poderia ser melhor explorado, possibilitando ao leitor localizar-se melhor ao decorrer da trama, já que ninguém é obrigado a decorar o mapa de político de Portugal.

Atente também à posição social da mulher. Mostrar os tornozelos já era motivo de discussão familiar. O simples roçar de joelhos já era um passo deveras avançado para o que se considerava namoro. Sair sozinha, então, provocava “burburinhos” (adoro essa palavra) entre os vizinhos.

Por fim, a discussão entre o Abade Ferrão e o Dr. Gouveia é emblemática no conflito Religião X Política. A defesa de ambas as posições não deixa explícita a opinião do autor, apesar da alta conotação anti-clerical durante o livro. De fato, a história é uma grande crítica à posição da igreja na época e a grande pergunta que se faz é se pode-se transferir alguns questionamentos para os dias atuais. O ícone desses questionamentos é a manutenção de celibato clerical.

Mas afinal de contas: Qual é o crime? Para descobrir, não deixe de ler “O Crime do Padre Amaro”.
Não esqueça: esse livro tem o selo Ciro Bottini de qualidade:


Respostas

  1. seu bosta!!!!

    • Pelo menos eu sirvo de adubo, não é?

  2. q q é isso?????????????????????????volte a comentar sobre as tjs q vc tava s saindo melhor. e n falei isto não.


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