Publicado por: Toogood | Sexta-Feira, 1 Maio 2009

As palavras de Getúlio Vargas

Nas últimas década, o dia 1° de maio só tem uma utilidade: ser mais um feriado na grade do ócio no Brasil. Os estudantes agradecem, os empresários reclamam. Um cabo de guerra sem fim. No governo Vargas, no entanto, o Dia do Trabalho sempre guardava alguma surpresa. O discurso de Vargas era aguardado, já que parecia um Kinder  Ovo: Chocolate por fora, leite por dentro e uma surpresa que encarece o produto.

O trabalho era o assunto preferido do presidente-ditador. E o povo consumia as palavras como se fossem feitas de mel. O discurso de Getúlio realmente surtia efeitos. Veja um trecho do Primeiro de Maio de 1938:

Como sabeis, em nosso país, o trabalhador, principalmente o trabalhador rural, vive abandonado, percebendo uma remuneração inferior às suas necessidades.

No momento em que se providencia para que todos os trabalhadores brasileiros tenham casa barata, isentados dos impostos de transmissão, torna-se necessário, ao mesmo tempo, que, pelo trabalho, se lhes garanta a casa, a subsistência, o vestuário, a educação dos filhos.

Outra prova de que o discurso realmente cativava é a lotação do estádio (geralmente São Januário, já que o Maracanã ainda não existia). O povo ia à loucura quando Vargas adentrava a pista do estádio com seu conversível, acenando para os espectadores. Se cobrassem ingresso, teriam renda superior à muitos clássico por esse Brasil afora.

Em 1940, um golpe de misericórdia para popularizar mais ainda o Pai dos Pobres: “Na continuação desse programa renovador, que encontrou no atual ministro do Trabalho um eficiente e devotado orientador, assinamos, hoje, um ato de incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para todo o país. Trata-se de antiga aspiração popular, promessa do movimento revolucionário de 1930.” Exatamente. Vargas foi hábil o suficiente para proclamar o salário mínimo no dia do trabalhador. E como se sabe, 5 anos depois ele saia da vida para entrar para a história.

O que mais assusta nisso tudo é perceber que a oratória é um dos recursos mais poderosos que um ser humano pode ter. Talvez até o mais poderoso. Lula, Vargas, Fidel, Hitler… veja quantos líderes fizeram uso das palavra para unir multidão. Vargas usou para o bem. Para o próprio bem. Hitler usou para o mal. Para o mal dos judeus.

Voltando para o 1° de maio: Um outro aspecto que chama a atenção à análise dos discursos é a insistente referência à Revolução de 30. Mesmo 10 anos depois, ele fez questão de remoer o tema para não deixá-lo cair no esquecimento. O mesmo poderia ser feito para que lembremos sempre dos candidatos por nós escolhidos. A mídia não martela a questão como deveria, o povo não se interessa em lembrar e os PraLamentares menos ainda. Vargas pode não ter sido o mais perfeito dos Presidentes, mas nos deixou uma lição implícita, até hoje não assimilada.

Quer ouvir Vargas? O vídeo abaixo é uma amostra da lábia do baixinho de terno de linho branco:

Os discursos de Vargas podem ser lidos nos links abaixo:
>> Discurso de 1938
>> Discurso de 1939
>> Discurso de 1940


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