Eles são inúteis

Como pode o peixo vivo /Viver fora da água fria? A pergunta, apesar de um pouco retórica, mostra o desejos de alguns atistas de se empenhar em profissões que não lhe são natas. Esses peixes vivos do cenário social brasileiro insistem em atuar fora das suas lagoas aconchegantes. Nesse texto, veremos alguns exemplos:

1) Maguila, o cantor: Convenhamos… o negócio do Adilson é dar porrada, principalmente no tal do Well (old joke). Sei que o ex-puglista (ex-pugilista?) participou de um quadro no Raul Gil no qual ele deveria aprender a cantar. Não tenho memória suficiente pra lembrar se ele ganhou. Tenho a leve impressão que algum empresário resolveu se aproveitar disso e plantou na cabeça nada discreta do Maguila que ele poderia ser cantor sim, só pra ganhar algum trocado em cima disso. Esquece isso. É ridículo, não combina com você. Toda a divulgação que você teve foi em torno do bizarro da situação, não do seu talento. A verdade é tão dura quanto a mão do George Foreman…

Sambista nem aqui nem na China

2)Frank Aguiar, o vice-prefeito: Criticar xarás não é uma boa ideia, ainda mais no meu caso, no qual os xarás são bem raros, mas esse é um caso especial. São Bernardo do Campo-SP, elegeu o cantor de forró que disfarça seus erros nos teclados dando um tradicional gritinho (aaaaaaaaaaaaaaaau) para ser o substituto do prefeito. O que é qu ele pode acrescentar a cidade? Sua experiência na música? Seu conhecimento de cultura?
Entendo que a política é aberta a todos, entretanto, não tinha ninguem melhor pra colocar no lugar? Desconfio que ele foi usado unica e exclusivamente por sua capacidade de angariar votos – também foi deputado federal. Sai dessa Frank. Vai cantar pros coquinhos.
PS: estou curioso para descobrir quais os brilhantes projetos apresentados pelo nobre deputado

Projeto de político

3- Gianne Albertoni,  a apresentadora: Alguem pode me explicar como alguém consegue um emprego de apresentadora de um programa relativamente longo, ao vivo, mesmo não sabendo ler um tele-prompter com naturalidade e fluência? Se ela ainda fizesse comentários pertinentes, vá lá. Nem isso. Mas, enfim… precisavam de uma loira para substituir Ana Hickman, e foram de Gianne mesmo.
E o o que dizer dos famosos erros de Português? Será que ela já se decidiu se é “Eu e o Miro fez” ou ” a gente fizemos?”. Ah se não é o diretor buzinando no ouvido!
Definitivamente, como apresentadora, é uma ótima modelo.

Estar calado é fazer poesia

O amor de Próclise e Ênclise

Menina  recatada, a jovem Ênclise era o modelo de garota que todo pai sonhou em ter. Nunca era vista desacompanhanda e, nas raras vezes em que falava, só o fazia com a permissão do pai Verbo. Não é que Ênclise detestava a vida que levava, mas sentia que lhe faltava algo. De fato, essa proteção paterna as vezes a incomodava. E o que dizer da tia Locução? Andando na rua, ela obrigatoriamente tinha que se virar entre eles. Mal dava uma espiadinha para um Travessão dentro de uma loja e já tomava chapuletada na orelha. Ela prometia que um dia isso mudaria. Ah se mudaria!

Próclise era rebelde, espevitada. Muito dessa personalidade desordeira pode ser creditada a falta de uma família fixa. Hora nadava com o Tenente Não e com o General Nunca. Em outro momento, era vista na República dos Advérbios. Mal piscava o olho e já havia corrido para a compania dos Pronomes Relativos.
Talvez isso signifcasse uma personalidade independente, cheia de si. Mas Próclise também sentia falta de algo.

Um belo dia, Próclise e Ênclise se encontraram. Rolaram versos, estrofes, poemas… sonetos. A afinidade entre as duas era visível, em qualquer tipo de fonte. A oposição veio de todos os lados, principalmente da família de Ênclise, conservadora ferrenha. Choveram aspas, pontos de interrogação e outros recursos literários contra o amor das duas. Mas o ponto final nessa história já havia sido dado.

Vírgula vai, vírgula vem, Ênclise fugiu para a casa da Próclise. A convivência mostrou que, de fato, foram feitas uma para a outra. Decidiram reproduzir e perpetuar a espécie. E graças ao gene dominante da Ênclise e recessivo da Próclise (que, aliás, é uma baita ironia), nasceu a pequenina, porém genial Mesóclise.

Agrada-la-ia saber que essas três meninas-mulheres viveram felizes para sempre?

Transmissão da Record é balde de água gelada

A chama Olímpica está acesa novamente. Dessa vez em Vancouver, no Canadá. O fogo contrasta com a neve e representa o calor que os atletas investem para subir no lugar mais alto do pódio. Nós, aqui no quentíssimo verão brasileiro, acompanhamos pela televisão competições que nunca praticaremos. Se bem que há outras que o famoso jeitinho dá conta de adaptar.

Mas há algo muito sério a comentar sobre as transmissões:

É louvável o esforço e ousadia da Record em trazer para a tevê Aberta os Jogos Olímpicos de Inverno. A Globo sempre teve os direitos e nunca o fez, com medo que o brasileiro rejeitasse o Skeleton ou o Cross Country (que tem um conceito interessantíssimo, se me permitem dizer), por exemplo.

Mas, infelizmente, a transmissão deixa a desejar. Os narradores Álvaro José e Maurício Torres dão um show de incompetência. Fica claro que eles não conhecem os esportes. Apenas leram o briefing antes de entrar na cabine e tem a mão apenas aquilo que o estagiário copiou da Wikipédia. Mas não adianta falar que é ruim sem explicar porque:

Primeiro Motivo - Repetem trocentas vezes as mesmas informações inúteis: Ninguém está interessado em saber que há 3952 câmeras filmando até a bufa que os competidores soltaram. Se disser 1 vez por dia já é muito. E pior… as câmeras nem são deles!
Outra coisa que anda me irritando é o fato de, nas competições com algum tipo de trenó (inclua aí o Bobsled e o Luge) , os narradores insistirem em fazer um alerta inútil, quando a imagem com o comparativo de dois atletas sobrepostos é colocada no ar. O alerta é que NUNCA 2 trenós podem descer ao mesmo tempo. Mas não é óbvio? Se com um já é perigoso (no TREINO morreu um), imagine com dois. Desperdiçam o tempo que poderia ser usado para uma análise técnica, mostrando onde foi o erro e etc e tal. Recurso eletrônico fodão jogado no lixo.

Segundo Motivo- Emoção exagerada: Não precisa gritar toda hora. Tudo bem que a curva foi fechada, que a atleta canadense está descendo a mais de 100 km por hora no Downhill ou que a alemã fez a primeira parcial 0,09 abaixo da sueca. É do esporte. Acontece toda hora. Economiza garganta (e os meus pobres ouvidos) para quando estiver na linha de chaegada, ok?
Imagina se o Galvão Bueno começasse a gritar ASSIM: “Que lateral que o Roberto Calor cobrou! Vejam isso.. jogou a exatos 2 metros num ângulo de 45º!!! No pé! No pé do advérsário!!! INCRÍÍÍÍÍÍÍVEL!!!”

Terceiro Motivo -  Reprises inoportunas – Reconheço que o horário não ajuda muito, mas tem horas que não precisaria reprisar competições. Será que não tem NADA ao vivo, durante algumas transmissões em videotape que a Record faz? É Olimpíada pessoal! Só acontece de 4 em 4 anos e ninguém sabe se vocês terão a oportunidade de transmitir a próxima!
Como se não bastasse, quando há eventos ao vivo e eles resolvem transmitir, desrespeitam o espectador, como no caso da madrugada de domingo para segunda:

Partida de curling, Canadá X China. No meio da partida, ou melhor… no MEIO DA JOGADA, Maurício Torres encerra a transmissão, pedindo pro pessoal mudar pra Record News. E quem não tem Record News? Como fica? Desrespeito absoluto. Ah… o programa que entrou no ar logo em seguida foi o da Igreja Universal. Sério mesmo que não dava pra esperar e passar outro dia o interessantíssimo programa sobre… mercado de trabalho?

Evidente que eu não esperava uma cobertura primorosa, por vários fatores. Entre esses fatores, está a pouca popularidade dos jogos no gelo, por motivos meteorologicamente óbvios. Brasileiro conhece mais de bilhar do que de patinação em velocidade. Outro fator é a inexperiência da Record em transmissões desse porte. Depois de um monopólio da Rede Globo nesse sentido, nada mais natural do que estranhar um outro olhar sobre a competição. Ou seja, mudou-se o padrão.

MESMO ASSIM, não é muleta para isentar a emissora dos erros citados acima. Só podemos esperar que haja uma significativa melhora em Gadalajara 2011. Isso mesmo… ano que vem tem Jogos Panamericanos e espera-se uma cobertura infinitamente melhor. Se não for assim, corremos o risco de Londres-2012 ser um desastre completo.

Enquanto 2011 não chega, aprendamos um pouco mais desses esportes frios na regra, mas quente nas emoções! Isso é… se o pessoal da tevê tiver um pouco mais de consideração conosco, os espectadores (rá… tá bom que isso vai acontecer)

PS: No Hockey, a Suiça jogou demais ontemquinta feira passada. Mesmo não tendo um time tecnicamente competitivo, teve forças para empatar o jogo contra o dream team do Canadá. Pena que na hora dos Free Shoots, os suiços resolveram entrar com bola e tudo em vez de bater no puck com certa distância.

PS2: O texto da Mônica, do Crônicas Urbana, dá uma outra visão sobre o mesmo tema. Uma broxante transmissão de curling. Os caras fizeram de tudo, menos narrar. [via @lunaomi]

Opinix: Oswaldo Montenegro

Hoje volto com música neste humilde espaço. Falo de Oswaldo Montenegro.

Dono de vasta cabeleira e de uma voz macia, o cantor nascido em 15/3/1956 no Rio de Janeiro, se mudou para Minas Gerais aos 7 anos de idade. Lá escreveu sua primeira música, “Lenheiro”.

Passou sua juventude em Brasília – tema recorrente em suas letras – e na capital federal fundou o seu grupo de teatro “Os Menestréis”, que começou a rodar o país em busca de atores e cantores desconhecidos. Entre essas “descobertas” destacam-se Cassia Eller e Zélia Duncan.

No lado músical, Oswaldo tem um estilo que se parece muito com o “Clube da Esquina” (famoso movimento músical mineiro, já explorado por essa coluna) nas suas letras, principalmente.

Seus grandes Sucessos são: “Lua e Flor” (tema da novela “Salvador da Patria”) “Bandolins” e “A lista”

Discografia

  • (2011) De Passagem
  • (2008) Intimidade • Som Livre
  • (2005) Léo e Bia 1973 • Jam Music
  • (2004) Aldeia dos ventos • Jam Music
  • (2004) Ao vivo – 25 anos • Warner
  • (2003) Letras brasileiras II • Albatroz
  • (2002) Estrada nova • Jam Music
  • (2001) Entre uma balada e um blues • Ouver Records
  • (2001) A lista • Jam Music
  • (2000) Tela. Só para colecionadores • Independente
  • (1999) A Dança dos Signos 15 anos • Independente
  • (1999) Letras Brasileiras ao vivo • Albatroz
  • (1999) A lista • Independente
  • (1999) A lista. Trilha sonora do musical • Independente
  • (1999) A lista • Independente • single
  • (1999) Letras brasileiras ao vivo • Albatroz
  • (1999) Escondido no tempo • Panela Music
  • (1998) Léo e Bia • Albatroz
  • (1998) Aldeia dos Ventos. Arte em construção • Albatroz
  • (1997) O Vale Encantado • Albatroz
  • (1997) Noturno • Independente
  • (1997) Letras Brasileiras • Albatroz
  • (1995) Aos filhos dos hippies • Albatroz
  • (1992) Mulungo • Som Livre
  • (1992) Seu Francisco • PolyGram
  • (1991) Vida de Artista • Som Livre • LP, CD
  • (1990) Oswaldo Montenegro • Som Livre
  • (1989) Oswaldo Montenegro ao vivo • Som Livre • LP, CD
  • (1987) Aldeia dos Ventos • Independente
  • (1986) Os Menestréis • Independente
  • (1985) Drops de Hortelã. Oswaldo Montenegro e Glória Pires • PolyGram
  • (1984) Brincando em cima daquilo
  • (1983) A Dança dos Signos • Philips
  • (1983) Cristal. Trilha sonora da peça • PolyGram
  • (1981) Asa de Luz • WEA
  • (1980) Oswaldo Montenegro • WEA • LP, CD
  • (1979) Poeta maldito… Moleque vadio • WEA • LP, CD
  • (1977) Trilhas • Independente
  • (1975) Sem Mandamentos • Som Livre

Site Oficial: http://www.oswaldomontenegro.com.br/

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Diário de Bordo: Monte Sião

Se você está procurando roupas feitas a partir de tricot ou crochet, você está intimado a conhecer Monte Sião, cidadezinha mineira, bem na fronteira com São Paulo. Lá você vai encontrar blusas, casacos, batas, gorros ou sei lá o quê. É muita coisa.

Vários aspectos chamam atenção. O primeiro deles é a quantidade de lojas. Há várias galerias e ruas inteiras dedicadas a arte de fazer roupa através de fios de lã. A mulherada fica enlouquecida, correndo de uma loja a outra, experimentando, pechinchando. Você, maridão e filhão, tenham paciência. Não dá pra visitar tudo num dia só.

Mas Monte Sião não é só isso. A preocupação com o paisagismo das praças é incrível. Como vocês verão nas fotos a seguir, tudo é muito bem limpo e podado. Alguém realmente pensou, planejou e executou uma verdadeira obra de arte, que não se resume apenas no formato ornamental das árvores, mas nos detalhes como fontes de água, orelhões em formato irreverente (que muito me lembraram aqueles sorvetes que se fazem a partir de suco colocado em forminhas de gelo), caminhos sinuosos e bem calçados. Até a Zona Azul compensa: só 1 real/hora.

Sinceramente? Fico com vergonha das praças de Itatiba. Todas largadas à própria sorte. Mas não vale a pena falar disso. Voltemos a Monte Sião.

O povo, pelo menos com quem conversei, me pareceu simpático e solícito. Pessoal de bom humor (até porque é uma cidade que depende desse tipo de propaganda que estou fazendo). O dialeto local é uma mistura do gracioso “minerês”, afinal estamos em território de Aécio Neves, mas com um pé no do Zé Serra: algumas puxadas de “erre” são tipicamente do caipirês, ao qual sou fluente e tenho diploma de “dotô’. A título de curiosidade, quem nasce em Monte Sião é chamado de montessionense. Belo gentilício.

Como não podia deixar de ser, entre o calor das roupas de lã e o frescos das fontes d’água da praça, há as excelentes e tradicionais lojinhas de queijos e compotas. Que perdição aquele sem número de doces de todas as frutas e todos os açúcares! Se me desse uma colher e a liberdade para abrir o que quisesse, sairia de lá passando mal, gordo, e bêbado, já que há prateleiras inteiras dedicadas à caninha mineira. Mas fique tranquilo. Há também os doces diet – praticamente como deglutir um Big Taste com batata grande, mas pedir Coca Light, pra não engordar.

Um lugar que você PRECISA visitar é a Rodoviária. O intrigado leitor me pergunta se é por causa da estonteante arquiterura. Não, não é. A curiosa leitora já tem certeza que é porque há muitas lojinhas de artigos ótimos para colocar em 3 vezes sem juros no cartão. Não. Também não é por isso.
Na verdade, o normal é que Rodoviárias tenham um bar. Em Monte Sião, O BAR TEM UMA RODOVIÁRIA.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Em Monte Sião há uma espécie de museu, no qual estão reunidos inúmeros objetos de devotos de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Entre as prateleiras, consigo lembrar de maços de cigarro, chaves de carro, toalinhas, chaveiros, chapéus, calças (?) e fotos. Muitas fotos. Em igual (ou superior) número, cartas, bilhetes e até quadros com mensagens de agradecimento. O que me deixou curioso foram os moldes de mãos, pé, rim e um outro órgão que eu não consegui identificar. É bastante curioso, vale a pena visitar.

Além disso, há a história chamada de ‘O milagre da Chuva”:

Em 1937, o bispo local ordenou que a imagem de Nossa Senhora fosse retirada da capela e mandada para a zona rural. O motivo é que a imagem era hã… bem… era sensual demais. Com todo respeito, a imagem tinha peitchoquinhas (sic) e cinturinha de pilão. Eu mesmo vi e vocês podem fazer o mesmo clicando nesse link.

Ordem do bispo obedecida. A partir de então, não caiu uma só gota de água no município. Entretanto, nos municípios vizinhos, a vazão pluviométrica continuava na mais absoluta normalidade. Plantações estavam secando, o gado estava morrendo e o povo, pra variar, padecendo. A associação foi clara: enquanto a santa não voltasse, nada de irrigação celeste. Os moradores clamaram ao Bispo, que cedeu.

A procissão para a chegada da santa mobilizou toda a cidade. Seguiam em romaria pela avenida principal, sob um sol de rachar coco. Quando o andor se aproximava da Matriz, o tempo fechou. Não… não houve briga. Foi  a tão esperada chuva que veio com pompa e circunstância. Nunca mais faltou água pra Monte Sião e as plantações e criações prosperaram.

Eis o mistério da fé.

Morra Odete Roitman, sua vagabunda!!!

Tenho um certo asco, para não dizer um desprezo absoluto, de quem usa a internet para defecar seus produções mentais envoltas em uma diarréia monumental. Em outras palavras, fico revoltado quando alguem despeja em blogs, Orkuts e Twitter, toda a ignorância ostentada como troféu. Em março de 2008 (nossa… faz tempo hein?) dissequei um texto do blog da Gyselle, mais uma ex-BBB que ninguém lembra (nem a RedeTV).

Agora, em 2010, vejo que a situação, claro, não mudou nem um pouco. A maior prova disso foi o link oferecido pela @dehcapella no Twitter. A ideia era criar um diário virtual da personagem de Alinne Moraes, na novela Viver a Vida. Uma ideia, no meu ponto de vista, simpática. O futuro das novelas é cada vez mais aproximar ficcção e realidade, atráves da internet e verossimilhança de tempo e datas. Um dia chegaremos ao ponto de uma novela em tempo real, aos moldes de 24 horas.

A parte tocante é, sem dúvidas, a área de comentários. Será que a Vida acreditou na Arte?

Clique para ampliar

O que leva uma pessoa a acreditar que o texto tenha sido escrito pela personagem? Ok… posso estar sendo MUITO ingênuo e não entendi que todo mundo lá pegou o espírito da coisa e resolveu participar da brincadeira. Se esse for o caso, nunca mais leia esse blog #PauloMalufFeelings

No caso do comentário acima, a moça deu aquele conselho de pia de banheiro feminino, fazendo questão de não revelar o segredo. Manja aquela provocada irônica, pra deixar o interlocutar pensando? Foi o que ela fez… para a personagem. Ficcional.

Parte disso pode ser explicado pelo fato de que o autor faz com que a personagem – muito sabiamente, diga-se de passagem – leia alguns comentários durante uma cena, dando mais veracidade e credibilidade pro blog. Portanto, há um certo desespero para ter o nome lido na novela mais assistida no momento, fazer parte da trama…

Mas por outro lado, entra em cena (com trocadilho) a ignorância já citada no primeiro parágrafo. Dessa vez ela se manifesta na interpretação do conceito. Veja mais um exemplo:

Neste comentário, a leitora faz uma análise da personalidade em mutação da personagem. Filosoficamente tocante.

Vendo esses exemplos, não é difícil perceber porque os atores e atrizes que interpretam vilões adoram falar no TV Fama (ou mesmo no Faustão) que são hostilizados e até correm risco de apanhar dos populares insandecidos. Eu achava que isso era puro marketing, um exagero sem tamanho. Mas pensando bem, é perfeitamente possível. O povo acredita em tudo.

E falando em acreditar em tudo, taí a explicação para Collor e outros políticos envolvidos en escândalos voltarem triunfalmente para seus púlpitos. Um exemplo bastante atual é o Governador Arruda. Ele esteve envolvido no escândalo da violação do painel do Senado, confessou publicamente, pediu nova chance e foi atendido. Além de Deputado, agora é Governador.

Se para um político, que não é ator profissional, não ganha a vida atuando funcionário da Globo é fácil enganar o povo, imagina um programa em que toda a atmosfera volta-se para ludibirar o espectador a acreditar que aquilo é real? O Vídeo-Show faz exatamente a mesma coisa que esses leitores do blog, mas em escala empresarial e menos estúpida.

Talvez seja o espírito de Carnaval afetando minha imparcialidade, mas quer saber… sejam felizes. Nessa tribo em que vivemos, nem todo mundo pode ser cacique. Os índios, por outro lado, adoram escutar uma história de terror e pensam duas vezes antes de entrar na mata desacompanhados…

Caraca… como essa tendência a acreditar na ficção é antiga!

Arrudeira

Num condomínio de classe média alta, os moradores viviam bem. Era um condomínio planejado, com piscina, árvores… nem o nome de carro velho atrapalhava a harmonia. Os condôminos se regozijavam de serem considerados o centro do bairro. Todo mundo ficava de olho no que acotecia naquele lugar.

Um belo dia, os moradores decidiram colocar um vaso de arruda no saguão de entrada, para representar o local. Todos os prédios dos arredores tinham alguma coisa simbolizando. Por exemplo: um vizinho mais o sul (que tem um interior considerado muito moderno) ostentava um pote de Requeijão. Outro, bem na divisa com outro bairro, tinha uma Cruz. Para terminar os exemplos, o prédio mais rico da região tinha na fachada uma Serra.
Pois bem, na reunião, mais de 50% votaram pelo sim. Nem foi preciso um segundo turno. Era um vaso muito bonito, realmente, apesar da fama. Vocês sabem… arruda tem uma fama…

Ceraca de 2 anos depois, notava-se que a arrudeira permaneceria ali até secar. Não foi bem assim. O zelador percebeu, através de uma câmera de segurança, que a planta estava sujando o chão. E não pravava por aí. Outros vasos que até então ninguém lembrava que ali estavam, começaram a fazer imundices. O saguão estava ficando bastante feio de se ver.

Alguns moradores começaram a protestar, pedindo que o zelador as retirasse dalí, principalmente porque os vizinhos religiosos já tinham precebido e estavam comentando. As folhas jogadas no chão davam uma péssima impressão, como se o edifício fosse sempre assim, mal cuidado.
Entretanto, uma parcela dos condôminos pedia a permanência da planta. Para eles, não havia necessidade de uma postura tão radical. Pra resolver o quiproquó, bastava limpar em volta dos vasos. Até varrer pra baixo do tapete valia.

Só se ouvia, nos corredores, elevadores e andares, discussões, bate-bocas e, se não fosse o pobre porteiro, muitos já teriam chegado as vias de fato. O caos havia se instalado naquela outrora pacata morada. Alguma coisa necessariamete seria feita. E assim foi.

O zelador colocou o vaso de arruda na casa de máquinas. Argumentou que as imagens eram suficientes para que ele tomasse tal atitude. O grupo dos moradores que pedia a aniquilação da planta comemorou distribuindo panetones. O grupo dos que apoiavam a permanência da planta recorreu ao síndico. O administrador, por sua vez, confirmou a decisão do zelador, alegando que se as crianças não podem correr no hall e os adultos não podem fazer bacanal na garagem, a planta também não poderia sujar o chão.

Todavia, a arruda – como dito anteriormente – foi colocada na casa de máquinas. Ora… lá é ventilado, iluminado e, portanto, a planta poderia continuar na sua eterna missão de realizar fotossíntese. Isso desagradou a oposição. Eles queriam não só o afastamento, mas também que ela fosse tancafiada no almoxarifado escuro e tenebroso. Esse pedido não atendido. A planta havia custado caro, afinal de contas.

A planta permanecerá lá até que seja esquecida. Alguem, fatalmente, vai retirá-la de lá assim que a poeira baixar. A vida vai seguir nesse condomínio. Quem sabe, daqui a alguns anos, não resolvem colocar uma planta melhor no lugar? Mas quem vai garantir que essa planta é realmente melhor?

Despachos de Domingo

—> Em Serra Negra também há problemas de ordem política.

O pessoal do transporte público não recebe salários desde OUTUBRO (incluindo o 13º). Paciência eles tiveram né?

Mas como tudo na vida, a paciência também acaba. Já avisaram, com uma semana de antecedência, que vão entrar em greve. Mas eu gostei mesmo foi do tiozinho do carro de som. Eu não sabia se era protesto ou convite para alguma festa de rodeio.

Ou pagam o que devem ou dê lugar a quem quer fazer a administração pública com seriedade“. Ouch!

—> Jornal japonês: Você ainda vai ler um. Nem que seja só pra ver as fotos

—>Agora eu sou um feliz propietário de uma camiseta da Véia/Véio da Quacker. Regozijem-se

—> Por falar nisso, já tentou falar regozijar mais de 4 vezes seguidas? :S

—> God bless the Brazilian Bikini. Depois gringo fica maluco e ninguem sabe porque. Lá nos estrengeiros não tem essa moleza não. Lá é tudo fraldão.

—> Alguem aí vai assistir as Olimpíadas de Inverno? Quero ver todo mundo torcendo pro Ganês Kwame Nkrumah-Acheampong (saúde!) faturar o ouro no Downhill.

Pra quem era guia de savana, é um feito e tanto. Graças a perseverança e uma mudança estratégica de país (de Gana para a Inglaterra).

Se a Record fizer a transmissão de forma decente, vale a pena prestigiar. Parece um evento menor do que as de verão, mas o bicho pega abaixo de zero.

—> Não entendi essa frescura da Radio Jovem Pan de ficar fazendo camapnha contra a proibição de repórteres em campo no Campeonato Paulista, vulgo Paulixão

Teriam razão em reclamar se a proibição fosse total, ou seja, nem fora de campo. Isso aí é protocolo da Fifa… tem mais é que ser seguido.

A única virgula é que, pelo que eu entendi, essa proibição foi “”””sugerida””” pela Rede Globo, para inibir anunciantes que nnão pagaram para a televisão.

Podia ter sido iniciativa da FPF.

—> Muito bem. Agora saia do computador e vá aproveitar seu Domingo cara pálida

[EDIT] Lembram do que escrevi no Despachos de Domingo de 22 de novembro? Aqui vai o quot: “Cá entre nós, o currículo do André Segatti é invejável. Além de ex-Turma do Didi, dentro em breve será ex-Fazenda

E não é que ele está quase lá? Só que não vai ganhar. Essa edição já é da Karina Bachi. No méximo chega em seundo…

Já fui bixo… no Ensino Médio.

Eu já relatei aqui o dia do meu trote na Faculdade. Mas faltou contar como foi o dia do trote no Ensino Médio. Sim…. para você, incrédulo leitor, vale uma informação: estudei numa das escolas do Centro Paula Souza, que, aqui em Itatiba, chama-se Rosa Perrone Scavone. Para matricular-se na escola, é necessário ser aprovado num vestibulinho. Não serei hipócrita. A relação candidato vaga dificilmente ultrapassa 3 para um, ou seja, 3 candidatos para cada vaga. É pouco. MUITO pouco.

O fato é que passei e cheguei disposto ao meu primeiro dia de aula. O problema de entrar num colégio no qual você não conhece ninguem é justamente não conhecer ninguem, portanto, nenhuma boa alma fez o favor de avisar que os veteranos costumavam aplicar o famigerado trote em nós, bixos. Estava me aproximando do portão de entrada quando ouvi um ” Olha o bixooooooo!!!!” e em seguida, 3 ou 4 caras correndo na minha direção.

Acho que um espírito Jack Bauer se apossou da minha pessoa e, sem pensar muito, desviei cinematograficamente (!) de todos eles, até dar uma cabeçada na barriga da coordenadora Maria Antonieta e um tapa no joelho do diretor, o Toninho. Ironicamente, A profª Maria Antonieta viria se tornar um dos pilares mais gratificantes de se estudar no Rosa, não só na minha opinião, mas na da maioria absoluta dos estudantes.

Uma vez na sala de aula, respirei aliviado. Meu novos companheiros de luta acadêmica não tiveram a mesma sorte. Muitos deles já estavam devidamente zoados, tal qual um bixo deve ser. Lembro de uma loira com o nariz pintado de prata, sentada atras de mim. Era até meio constragendor ser o único limpo ali no meio.
Depois da sessão de discursos intermináveis, fomos convidados a ir até a quadra esportiva.  ** Aqui vale uma observação: A quadra não é das maiores. É toda cercada por alambrados de mais de 6 metros. Uma rede cobre a parte de cima do alambrado. Só há 2 portões e um deles fica invariavelmente trancado **. Depois dessas observações necessárias, voltamos ao texto:

Chegamos na quadra. Solzinho morno gostosamente pairava sobre nossas cabeças. E então o tempo fechou. Não foi o sol que sumiu, mas sim os arredores da quadra que foram tomados por uma horda de veteranos loucos por bixos para pintar. A foto abaixo ilustra mais ou menos como foi a sensação:

Veteranos. Corrão!!!

Naquela gaiola onde estávamos, não tínhamos para onde correr. Nos sentimos bois e vacas enviados ao matadouro. Os veteranos foram entrando e acuando todos para o fundo da quadra. Inevitável dizer que não houve uma alma que saísse limpa daquela quadra. Depois da primeira mão de tintas,  o que viesse era lucro.

Lembro que naquele dia matamos formiga a grito, nos esprememos em folhas de jornais que sumiam a cada rodada, tantávamos abocanhar a maçã na bacia com farinha. Humilhação total. Ao menos não nos obrigaram a pagar a cervejada e nem cortaram nossos cabelos. Ao final daquela manhã, eu estava absolutamente emporcalhado. E, pior para mim, NÃO terminava ali. Ainda precisava voltar para casa. DE ÔNIBUS.

Fiquei sentado no ponto de ônibus, naquele estado lastimável. Ok… já vi bixos MUITO piores do que eu (comprando com o que vemos em faculdades, eu tinha acabado de tomar banho), mas andar sujo pelas ruas daquele jeito nunca tinha acontecido comigo. Eu assustei criancinhas (de propósito, rs), fui benzido por sinais da cruz de senhoras muito religiosas. Até um cidadão muito metido a engraçadinho perguntou “onde era a matinê“. Eu respondi que “o ponto de encontro era na casa daquela senhora simpática que estava lavando roupas no tanque“. É uma pena que ele não ouviu.

Enfim cheguei em casa. E registrei minha escalafobética situação. Não repare na cara de menino moço. Ainda era 2005. Aliás… não tinho ideia se fiquei mais bonito ou mais feio, daquela época para cá. Aliás… eu tenho até medo de saber a resposta.

E sim… não serei mala ao ponto de privar meus fiéis leitores – que nem dízimo pagam, ingratos – de ter argumentos para esculhambar esse pobre blogueiro.
Só pra registar, os braços também estavam manchados, tal qual o outro lado da face. Tinha esmalte no pescoço e mais pasta de dente dentro do ouvido. Ah sim… o cabelo era uma mistura de gel, esmalte e tinta. Pegajoso.


Antes de tirar a foto eu, estupidamente, limpei a pasta de dente da sobrancelha e a tinta da testa

Vice-Camepão!

Não sei se essa característica é própria do brasileiro ou se é uma tendência mundial, mas é muito raro a valorização de qualquer colocação barra qualificação que não seja o primeiro lugar. Pior do que chegar em terceiro lugar, muitas vezes é ser vice-campeão. O Agora Esportes, da Paraíba, descreve o sentimento de ser o 2º colocado: “Ser vice e ultimo colocado no Brasil tem pesos idênticos embora que na prática a realidade para quem se sagrasse vice-campeão é bem mais digna do que tornar-se último colocado na tabela.

Mas por que essa dignidade é simplesmente ignorada por grande parcela da população, para não dizer toda ela? Qual é o grande desmérito em ser prata, não ganhar o ouro e tantos outros adjetivos impostos a quem é segundo? É o que vou tentar descobrir ao longo desse texto.

A talvez mais valorizada vice-campeã é Martha Rocha. Agora nome de doce, a soteropolitana, sétima (!) filha do casal Álvaro e Hansa, foi Miss Brasil no longínquo ano de 1954. Como parte do prêmio, a chance de disputar, dentre tantas outras beldades (de deixar seu Madruga, Kiko, Chaves e Professor Girafales embasbacados), o título de mais bela mulher do planeta naquele ano. De fato, a boca de urna considerava a brasileira campeã, mas no fim acabou sendo eleita a dona da casa, a americana Miriam Stevenson.
Mesmo terminando em segundo lugar, Martha Rocha sempre é lembrada, tanto é que criou-se uma lenda em torno dos motivos da derrota: as famosas 2 polegadas.

Segundo sua biografia, tudo não passou de uma invenção da revista O Cruzeiro, para hã… justificar a derrota. A própria Martha Rocha autorizou a publicação da história, mas, cá entre nós… que mané duas polegadas que nada!

Mesma sorte não teveram o Capitão-Aviador Paulo Sérgio Porto, do CCA-SJ, o Capitão-Aviador Eduardo Utzig Silva, da AFA, o Tenente-Aviador  Bruno da Silva Xavier, do 1º/3º GAV, o Tenente-Aviador André Rossi Kuroswiski, do 1º/3º GAV e Cadete-Aviador Frederico de Brito Machado, da AFA. Esses ilustres anônimos foram vice-campeões MUNDIAIS de Pentatlo Militar, num torneio realizado entre 16 e 20 de agosto de 2009, na Finlândia.

Para quem não conhece, o Pentatlo Moderno é uma competição que reune cinco (dã) modalidades distintas e, porque não, destintas: Corrida, Natação, Hipismo, Esgrima e Tiro. Não é coincidência que essas habilidades fossem fundamentais para militares antigos, daqueles que ainda brigavam corpo a corpo. A título de curiosidade, a competição foi “inventada” pelo Barão de Coubertin (pra você que não sabe pronunciar, é Cobertã, numa tradução bem rudimentar).

Mas porque raios ninguem ficou sabendo disso? Nenhum deles foi no Globo Esporte, nem deu entrevista ao Regis Rösing no Esporte Espetacular e muito menos participou do Band Esporte Clube ou do Esporte Fantástico. Era uma excelente oportunidade para se falar um pouco desses esportes, principalmente agora que teremos pan-Americano e Olimpíadas (inclusive de Inverno). Será que se fossem campeões haveria alguma diferença? Nunca saberemos.

Parte da culpa por isso deve-se ao famoso complexo de Vira-Lata (RIP Nelson Rodrigues). Ou seja, nas palavras do próprio, “por ‘complexo de vira-lata’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Portanto, conclui-se que, ou você é campeão, mostrando que é melhor que todo mundo, ou não é nada, independente de quantos ou de quem participa.

A outra parte da culpa é o sedentarismo que NÃO move a sociedade a mudar esse quadro, do mesmo modo que NÃO move na hora de homenagear os ídolos, ainda em vida. Felizmente esse segundo quadro está mudando, graças a calçada da fama no Maracanã, ao Museu do Futebol no Pacaembu e ao… epa.. espera aí… só temos exemplos no futebol? Se for explorar esse filão, entraremos numa longa discussão (rima involuntária, sorry). O texto do Juca Kfouri sobre a poliesportividade dá uma arremate nesse aspecto.

É… assim fica difícil valorizar quem chega em segundo… Malemal valorizamos quem chega em primeiro!

0300 ajude aí

A não ser que você não seja um feliz proprietário de uma linha telefônica, dificilmente deixou de receber uma ligação de uma simpática moça, com uma história comovente (a-hã) fazendo qualquer pedido dramático, geralmente para angariar dinheiro para alguma instituição de caridade ou pessoa necessitada. Vou contar como foi a última ligação que recebi:

A ligação
No meio da tarde toca o telefone. Uma alegre moça começa seu discurso dizendo que uma mulher – cujo nome eu não lembro – tinha parido um gracioso rebento – cujo nome eu também não lembro. Mas, coitada, ela tinha a Síndrome da Imonodeficiência Adquirida, também conhecida como AIDS. Isso implica em mais um recém nascido também com AIDS. Pelo menos a moça me garantiu que aquele não era o problema. Além de AIDS, o bebê tinha intolerância à lactose. Mas esse também NÃO era o problema. Eles tinham conseguido com a Prefeitura de Jundiaí um convênio para garantir o leite especial.

O X da questão
O pulo do gato estava na útima parte do discurso. O convênio infelizmente só valeria a partir de março, ou seja, fevereiro estava a perigo. Só um mutirão de doações poderia dar o leite especial (que, se não me falha a mamemória, custava 60 reais o Litro) para aquele bebezinho lindo. A moça ainda me afirmou que eu estava com sorte, já que eles tinham conseguido um bom número de doações e só faltava TRINTA reais para completar a vaquinha. Respondi dizendo que não estava trabalhando – o que é verdade – e infelizmente não poderia ajudar. A reação da mulher foi curiosa: “Não, não meu bem…. você não está entendendo. Não é pra dar 30 reais. Você pode ajudar com qualquer quantia! Inclusive, se você quiser, um voluntário vai até sua casa receber a contribuição ou você vem até nossa sede (em Jundiaí)”.

Veja bem… só a gasolina a gastar nesse traslado já inviabilizaria a doação. Inclua nessa conta as ligações interurbanas para conseguir esses 30 reais. Posso estar comentendo alguma injustiça, mas se fosse sério, será que não conseguiriam essa (pouca) grana por lá mesmo?

O lado sério
Isso me faz pensar nas instituições sérias, que realmente precisam de ajuda. O poder público, por mais competente e perfeito que seja, não teria condições de arcar com todas as despesas de todos os que precisam de um tratamento especial, para ser bem generelista. O trabalho das ONGs se faz cada dia mais necessário e fundamental para bairros, regiões, cidades. Se a União faz o açúcar, esse açúcar polvilha a vida e faz o sorriso abrir em jovens e idosos.

Inviabilizando a amostragem
Depois dessa visão romântica, vou voltar meu arsenal para os pulhas e bandidos que se aproveitam da boa vontade e solidariedade do povo. Acho muito triste que todo o joio – e provavelmente esse é o caso do mentor por tras da pessoa que me ligou – tenha consciência do ato que está praticando. Além de desviar dinheiro que teoricamente poderia ser usado para ajudar quem realmente precisa, ainda contribui para desacreditar as instituições sérias que recorrem ao telemarketing. Talvez a moça ao telefone nem saiba para onde vai o dinheiro. Ela faz aquilo que os chefes mandam. Na pior das hipóteses, foi ela quem arquitetou aquilo tudo.

Essas gangues também agem via e-mail. “Se fosse sua filha você também repassaria”. O modus operandi é semelhante. Uma história triste, carregada de desgraças, fotos chocantes de necroses corporais e uma conta bancária. Será mesmo que é verdade? O benefício da dúvida dessa vez joga contra. São tantos spams no mesmo modelo, que acabamos lembrando do Pedro e o Lobo.

Veja quem doa
Cristiane Martins, do Rato de Biblioteca, é uma das cidadãs que recebem essas ligações, geralmente de creches e pacientes com câncer. Mas garante (minha nossa, que expressão mais “jornal de interior”!) que são sérias, e explica porque: “recibos com endereço, telefone, CNPJ; e a impressão que fica ao falar sempre com as mesmas pessoas (educadas) ao telefone” afirma a blogueira (esse “afirma”…. ô clichezinho de redação mais furreca…). Mas conclui (blegh… conclui): “Espero não ser ingênua demais, mas confio neles

O que dá para concluir de tudo isso é que quando o pedido é feito em nome de instituições, o índice de confiança sobe bastante, pelo simples (e até óbvio) fato de que você vê para onde vai sua doação. Credibilidade. AACD, Graac, Centro Boldrini e tantas outras – se bobear perto do seu luxuoso e confortável bagalô – trabalham duro para ajudar aqueles que não tem condições financeiras para bancar o tratamento.

Quanto àqueles que recorrem aos pedidos para pessoas físicas, meus pêsames. Sua intenção pode ser a mais correta possível, mas infelizmente não será levado em conta como deveria.

Gostaria de saber é como é que se pune aqueles que desviam, não só o dinheiro alheio, mas também o caráter. O que, cá entre nós, é muito pior.

Até Tio Patinhas compraria

Vender é parte do ser humano. Talvez a mais difícil das profissões. Todos nós somos obrigados a vender alguma coisa, desde cedo: alguns vendem simpatia, para que aquela tia compre aquela barra de chocolate deliciosa. Outros vendem uma dor de cabeça alucinante, que impede de ir na escola, mas não de jogar videogame. Acho que vocês já pegaram o espírito da coisa.

Contudo, um cidadão da Praia do Futuro, em Fortaleza, faz do ato de vender um simples picolé uma arte. Ele consegue ser mais engraçado que muitos stand ups por aí. Mais que Zorra Total com certeza. Se bem que até EU sou mais engraçado que o programa globífero.

Mas ele tem um defeito: As falas são ditas rápido demais. Tudo bem, é uma característica geo-social do lugar, mas mesmo assim tem horas que fica difícil de entender. Quem assite o vídeo só uma vez perde metade da graça desse simpático vendedor. Por isso, fiz um exaustivo trabalho de tradução e legenda, que vocês podem acompanhar abaixo.

Peço desculpas desde já, mas alguns trechos são simplesmente impossíveis de entender. Se você for ninja o bastante, coloque aí nos comentários que eu completo. [EDIT] O leitor Juliano Magalhães, que é de Fortaleza, fez o favor de traduzir. Como ele é nativo, ficou facinho! Menção honrosa ao leitor Daniel, que deu uma primeira melhorada na tradução, antes da versão definitiva do Juliano. Obrigado! [/EDIT]

Vendedor: Gente tenham calma que eu vou já atender vocês. “Perainda”! Pra que esses vexames? Eu vou atender primeiro quem tá chamando, os clientes especiais.

Cliente Masculino: Diga aí meu irmão. Tem de que aí meu velho?

Vendedor: Ó, o de “QUE” infelizmente eu não tenho mais. Mas por enquanto, eu estou com a promoção: “Quem compra um tem direito a comprar outro”. Não querendo a promoção, tem a liquidação 1 é 1, 2 são 2. Não querendo a promoção, nem a liquidação, achando que só eu levo vantagem, tem as formas de pagamento em 30, 60, 90 segundos. Quem escolhe é você. Pra vocês ficarem mais à vontade, faço até 120 sem entrada e sem juros. E caso vocês não queiram as 3 opções, eu trabalho com: cartão, vale-transporte, faço troca pra agradar clientes especiais iguais a vocês.

Vendedor: Querendo, como eu falei que o de “QUE” não tinha, mas eu tinha ainda os sabores de castanha, coco, morango, biscoito, cajá, chocolate, leite “condenado”, milho verde, tangerina, tamarindo, acerola, “coco.com” coalhada, jaca, uva, limão, abacate, ameixa, flocos e brigadeiro. E é bom aproveitar que estão acabando! Só falta vender os que tem. Agora, na realidade, estão acabando não é o picolé, é a força e a coragem. Picolé dá quase mesmo pro Gabriel, pra Isabele, pra você da sociedade, pro Gustavo da ostra já ajuda.
E vocês estão numa vantagem que esse picolé quanto mais vende mais abaixa. Eu trouxe 100, vendi 2, só tem 98. Já não gasta mais com os 100, e a qualidade é especial: você confunde com a concorrência.

Cliente Feminina: (Risos)

Vendedor: Você lê Pardal quando vai degustar, diz: “Humm… que bom!” Até eu que sou vendedor da Pardal fico confuso se é Pardal ou se é Kibon. E também, gente, ainda tem mais. É bom também aproveitar que está secando. Mas não é o carrinho. São minhas pernas, de tanto andar.

Cliente: (Risos estridentes)

Vendedor: Ainda tem mais também! É bom aproveitar porque eu só passo aqui agora quando eu vier outra vez. Mas é bom agora, talvez outra vez eu não tenha mais. E vocês estejam a degustar e eu perco a venda. E ainda tem mais também! É bom aproveitar porque eu vou lá onde eu vou e eu só volto quando eu vier. Agora é bom também lembrar que você, se vocês chamarem eu volto se eu vier.

Cliente Feminina: (Mais risos estridentes que cobrem a piada do vendedor… humpf)

Cliente Masculino: Traga um de morango pra mim. A-GO-RA

Vendedor: Ó, caso alguém peça algum que eu não tenha, eu peço desculpas, como eu falei, o de morango eu não tenho mais. Agora eu só tenho goiaba, castanha, brigadeiro, flocos, tapioca, biscoito…