Eles são inúteis

Como pode o peixo vivo /Viver fora da água fria? A pergunta, apesar de um pouco retórica, mostra o desejos de alguns atistas de se empenhar em profissões que não lhe são natas. Esses peixes vivos do cenário social brasileiro insistem em atuar fora das suas lagoas aconchegantes. Nesse texto, veremos alguns exemplos:

1) Maguila, o cantor: Convenhamos… o negócio do Adilson é dar porrada, principalmente no tal do Well (old joke). Sei que o ex-puglista (ex-pugilista?) participou de um quadro no Raul Gil no qual ele deveria aprender a cantar. Não tenho memória suficiente pra lembrar se ele ganhou. Tenho a leve impressão que algum empresário resolveu se aproveitar disso e plantou na cabeça nada discreta do Maguila que ele poderia ser cantor sim, só pra ganhar algum trocado em cima disso. Esquece isso. É ridículo, não combina com você. Toda a divulgação que você teve foi em torno do bizarro da situação, não do seu talento. A verdade é tão dura quanto a mão do George Foreman…

Sambista nem aqui nem na China

2)Frank Aguiar, o vice-prefeito: Criticar xarás não é uma boa ideia, ainda mais no meu caso, no qual os xarás são bem raros, mas esse é um caso especial. São Bernardo do Campo-SP, elegeu o cantor de forró que disfarça seus erros nos teclados dando um tradicional gritinho (aaaaaaaaaaaaaaaau) para ser o substituto do prefeito. O que é qu ele pode acrescentar a cidade? Sua experiência na música? Seu conhecimento de cultura?
Entendo que a política é aberta a todos, entretanto, não tinha ninguem melhor pra colocar no lugar? Desconfio que ele foi usado unica e exclusivamente por sua capacidade de angariar votos – também foi deputado federal. Sai dessa Frank. Vai cantar pros coquinhos.
PS: estou curioso para descobrir quais os brilhantes projetos apresentados pelo nobre deputado

Projeto de político

3- Gianne Albertoni,  a apresentadora: Alguem pode me explicar como alguém consegue um emprego de apresentadora de um programa relativamente longo, ao vivo, mesmo não sabendo ler um tele-prompter com naturalidade e fluência? Se ela ainda fizesse comentários pertinentes, vá lá. Nem isso. Mas, enfim… precisavam de uma loira para substituir Ana Hickman, e foram de Gianne mesmo.
E o o que dizer dos famosos erros de Português? Será que ela já se decidiu se é “Eu e o Miro fez” ou ” a gente fizemos?”. Ah se não é o diretor buzinando no ouvido!
Definitivamente, como apresentadora, é uma ótima modelo.

Estar calado é fazer poesia

O amor de Próclise e Ênclise

Menina  recatada, a jovem Ênclise era o modelo de garota que todo pai sonhou em ter. Nunca era vista desacompanhanda e, nas raras vezes em que falava, só o fazia com a permissão do pai Verbo. Não é que Ênclise detestava a vida que levava, mas sentia que lhe faltava algo. De fato, essa proteção paterna as vezes a incomodava. E o que dizer da tia Locução? Andando na rua, ela obrigatoriamente tinha que se virar entre eles. Mal dava uma espiadinha para um Travessão dentro de uma loja e já tomava chapuletada na orelha. Ela prometia que um dia isso mudaria. Ah se mudaria!

Próclise era rebelde, espevitada. Muito dessa personalidade desordeira pode ser creditada a falta de uma família fixa. Hora nadava com o Tenente Não e com o General Nunca. Em outro momento, era vista na República dos Advérbios. Mal piscava o olho e já havia corrido para a compania dos Pronomes Relativos.
Talvez isso signifcasse uma personalidade independente, cheia de si. Mas Próclise também sentia falta de algo.

Um belo dia, Próclise e Ênclise se encontraram. Rolaram versos, estrofes, poemas… sonetos. A afinidade entre as duas era visível, em qualquer tipo de fonte. A oposição veio de todos os lados, principalmente da família de Ênclise, conservadora ferrenha. Choveram aspas, pontos de interrogação e outros recursos literários contra o amor das duas. Mas o ponto final nessa história já havia sido dado.

Vírgula vai, vírgula vem, Ênclise fugiu para a casa da Próclise. A convivência mostrou que, de fato, foram feitas uma para a outra. Decidiram reproduzir e perpetuar a espécie. E graças ao gene dominante da Ênclise e recessivo da Próclise (que, aliás, é uma baita ironia), nasceu a pequenina, porém genial Mesóclise.

Agrada-la-ia saber que essas três meninas-mulheres viveram felizes para sempre?

Transmissão da Record é balde de água gelada

A chama Olímpica está acesa novamente. Dessa vez em Vancouver, no Canadá. O fogo contrasta com a neve e representa o calor que os atletas investem para subir no lugar mais alto do pódio. Nós, aqui no quentíssimo verão brasileiro, acompanhamos pela televisão competições que nunca praticaremos. Se bem que há outras que o famoso jeitinho dá conta de adaptar.

Mas há algo muito sério a comentar sobre as transmissões:

É louvável o esforço e ousadia da Record em trazer para a tevê Aberta os Jogos Olímpicos de Inverno. A Globo sempre teve os direitos e nunca o fez, com medo que o brasileiro rejeitasse o Skeleton ou o Cross Country (que tem um conceito interessantíssimo, se me permitem dizer), por exemplo.

Mas, infelizmente, a transmissão deixa a desejar. Os narradores Álvaro José e Maurício Torres dão um show de incompetência. Fica claro que eles não conhecem os esportes. Apenas leram o briefing antes de entrar na cabine e tem a mão apenas aquilo que o estagiário copiou da Wikipédia. Mas não adianta falar que é ruim sem explicar porque:

Primeiro Motivo - Repetem trocentas vezes as mesmas informações inúteis: Ninguém está interessado em saber que há 3952 câmeras filmando até a bufa que os competidores soltaram. Se disser 1 vez por dia já é muito. E pior… as câmeras nem são deles!
Outra coisa que anda me irritando é o fato de, nas competições com algum tipo de trenó (inclua aí o Bobsled e o Luge) , os narradores insistirem em fazer um alerta inútil, quando a imagem com o comparativo de dois atletas sobrepostos é colocada no ar. O alerta é que NUNCA 2 trenós podem descer ao mesmo tempo. Mas não é óbvio? Se com um já é perigoso (no TREINO morreu um), imagine com dois. Desperdiçam o tempo que poderia ser usado para uma análise técnica, mostrando onde foi o erro e etc e tal. Recurso eletrônico fodão jogado no lixo.

Segundo Motivo- Emoção exagerada: Não precisa gritar toda hora. Tudo bem que a curva foi fechada, que a atleta canadense está descendo a mais de 100 km por hora no Downhill ou que a alemã fez a primeira parcial 0,09 abaixo da sueca. É do esporte. Acontece toda hora. Economiza garganta (e os meus pobres ouvidos) para quando estiver na linha de chaegada, ok?
Imagina se o Galvão Bueno começasse a gritar ASSIM: “Que lateral que o Roberto Calor cobrou! Vejam isso.. jogou a exatos 2 metros num ângulo de 45º!!! No pé! No pé do advérsário!!! INCRÍÍÍÍÍÍÍVEL!!!”

Terceiro Motivo –  Reprises inoportunas – Reconheço que o horário não ajuda muito, mas tem horas que não precisaria reprisar competições. Será que não tem NADA ao vivo, durante algumas transmissões em videotape que a Record faz? É Olimpíada pessoal! Só acontece de 4 em 4 anos e ninguém sabe se vocês terão a oportunidade de transmitir a próxima!
Como se não bastasse, quando há eventos ao vivo e eles resolvem transmitir, desrespeitam o espectador, como no caso da madrugada de domingo para segunda:

Partida de curling, Canadá X China. No meio da partida, ou melhor… no MEIO DA JOGADA, Maurício Torres encerra a transmissão, pedindo pro pessoal mudar pra Record News. E quem não tem Record News? Como fica? Desrespeito absoluto. Ah… o programa que entrou no ar logo em seguida foi o da Igreja Universal. Sério mesmo que não dava pra esperar e passar outro dia o interessantíssimo programa sobre… mercado de trabalho?

Evidente que eu não esperava uma cobertura primorosa, por vários fatores. Entre esses fatores, está a pouca popularidade dos jogos no gelo, por motivos meteorologicamente óbvios. Brasileiro conhece mais de bilhar do que de patinação em velocidade. Outro fator é a inexperiência da Record em transmissões desse porte. Depois de um monopólio da Rede Globo nesse sentido, nada mais natural do que estranhar um outro olhar sobre a competição. Ou seja, mudou-se o padrão.

MESMO ASSIM, não é muleta para isentar a emissora dos erros citados acima. Só podemos esperar que haja uma significativa melhora em Gadalajara 2011. Isso mesmo… ano que vem tem Jogos Panamericanos e espera-se uma cobertura infinitamente melhor. Se não for assim, corremos o risco de Londres-2012 ser um desastre completo.

Enquanto 2011 não chega, aprendamos um pouco mais desses esportes frios na regra, mas quente nas emoções! Isso é… se o pessoal da tevê tiver um pouco mais de consideração conosco, os espectadores (rá… tá bom que isso vai acontecer)

PS: No Hockey, a Suiça jogou demais ontemquinta feira passada. Mesmo não tendo um time tecnicamente competitivo, teve forças para empatar o jogo contra o dream team do Canadá. Pena que na hora dos Free Shoots, os suiços resolveram entrar com bola e tudo em vez de bater no puck com certa distância.

PS2: O texto da Mônica, do Crônicas Urbana, dá uma outra visão sobre o mesmo tema. Uma broxante transmissão de curling. Os caras fizeram de tudo, menos narrar. [via @lunaomi]

Opinix: Oswaldo Montenegro

Hoje volto com música neste humilde espaço. Falo de Oswaldo Montenegro.

Dono de vasta cabeleira e de uma voz macia, o cantor nascido em 15/3/1956 no Rio de Janeiro, se mudou para Minas Gerais aos 7 anos de idade. Lá escreveu sua primeira música, “Lenheiro”.

Passou sua juventude em Brasília – tema recorrente em suas letras – e na capital federal fundou o seu grupo de teatro “Os Menestréis”, que começou a rodar o país em busca de atores e cantores desconhecidos. Entre essas “descobertas” destacam-se Cassia Eller e Zélia Duncan.

No lado músical, Oswaldo tem um estilo que se parece muito com o “Clube da Esquina” (famoso movimento músical mineiro, já explorado por essa coluna) nas suas letras, principalmente.

Seus grandes Sucessos são: “Lua e Flor” (tema da novela “Salvador da Patria”) “Bandolins” e “A lista”

Discografia

  • (2011) De Passagem
  • (2008) Intimidade • Som Livre
  • (2005) Léo e Bia 1973 • Jam Music
  • (2004) Aldeia dos ventos • Jam Music
  • (2004) Ao vivo – 25 anos • Warner
  • (2003) Letras brasileiras II • Albatroz
  • (2002) Estrada nova • Jam Music
  • (2001) Entre uma balada e um blues • Ouver Records
  • (2001) A lista • Jam Music
  • (2000) Tela. Só para colecionadores • Independente
  • (1999) A Dança dos Signos 15 anos • Independente
  • (1999) Letras Brasileiras ao vivo • Albatroz
  • (1999) A lista • Independente
  • (1999) A lista. Trilha sonora do musical • Independente
  • (1999) A lista • Independente • single
  • (1999) Letras brasileiras ao vivo • Albatroz
  • (1999) Escondido no tempo • Panela Music
  • (1998) Léo e Bia • Albatroz
  • (1998) Aldeia dos Ventos. Arte em construção • Albatroz
  • (1997) O Vale Encantado • Albatroz
  • (1997) Noturno • Independente
  • (1997) Letras Brasileiras • Albatroz
  • (1995) Aos filhos dos hippies • Albatroz
  • (1992) Mulungo • Som Livre
  • (1992) Seu Francisco • PolyGram
  • (1991) Vida de Artista • Som Livre • LP, CD
  • (1990) Oswaldo Montenegro • Som Livre
  • (1989) Oswaldo Montenegro ao vivo • Som Livre • LP, CD
  • (1987) Aldeia dos Ventos • Independente
  • (1986) Os Menestréis • Independente
  • (1985) Drops de Hortelã. Oswaldo Montenegro e Glória Pires • PolyGram
  • (1984) Brincando em cima daquilo
  • (1983) A Dança dos Signos • Philips
  • (1983) Cristal. Trilha sonora da peça • PolyGram
  • (1981) Asa de Luz • WEA
  • (1980) Oswaldo Montenegro • WEA • LP, CD
  • (1979) Poeta maldito… Moleque vadio • WEA • LP, CD
  • (1977) Trilhas • Independente
  • (1975) Sem Mandamentos • Som Livre

Site Oficial: http://www.oswaldomontenegro.com.br/

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Diário de Bordo: Monte Sião

Se você está procurando roupas feitas a partir de tricot ou crochet, você está intimado a conhecer Monte Sião, cidadezinha mineira, bem na fronteira com São Paulo. Lá você vai encontrar blusas, casacos, batas, gorros ou sei lá o quê. É muita coisa.

Vários aspectos chamam atenção. O primeiro deles é a quantidade de lojas. Há várias galerias e ruas inteiras dedicadas a arte de fazer roupa através de fios de lã. A mulherada fica enlouquecida, correndo de uma loja a outra, experimentando, pechinchando. Você, maridão e filhão, tenham paciência. Não dá pra visitar tudo num dia só.

Mas Monte Sião não é só isso. A preocupação com o paisagismo das praças é incrível. Como vocês verão nas fotos a seguir, tudo é muito bem limpo e podado. Alguém realmente pensou, planejou e executou uma verdadeira obra de arte, que não se resume apenas no formato ornamental das árvores, mas nos detalhes como fontes de água, orelhões em formato irreverente (que muito me lembraram aqueles sorvetes que se fazem a partir de suco colocado em forminhas de gelo), caminhos sinuosos e bem calçados. Até a Zona Azul compensa: só 1 real/hora.

Sinceramente? Fico com vergonha das praças de Itatiba. Todas largadas à própria sorte. Mas não vale a pena falar disso. Voltemos a Monte Sião.

O povo, pelo menos com quem conversei, me pareceu simpático e solícito. Pessoal de bom humor (até porque é uma cidade que depende desse tipo de propaganda que estou fazendo). O dialeto local é uma mistura do gracioso “minerês”, afinal estamos em território de Aécio Neves, mas com um pé no do Zé Serra: algumas puxadas de “erre” são tipicamente do caipirês, ao qual sou fluente e tenho diploma de “dotô’. A título de curiosidade, quem nasce em Monte Sião é chamado de montessionense. Belo gentilício.

Como não podia deixar de ser, entre o calor das roupas de lã e o frescos das fontes d’água da praça, há as excelentes e tradicionais lojinhas de queijos e compotas. Que perdição aquele sem número de doces de todas as frutas e todos os açúcares! Se me desse uma colher e a liberdade para abrir o que quisesse, sairia de lá passando mal, gordo, e bêbado, já que há prateleiras inteiras dedicadas à caninha mineira. Mas fique tranquilo. Há também os doces diet – praticamente como deglutir um Big Taste com batata grande, mas pedir Coca Light, pra não engordar.

Um lugar que você PRECISA visitar é a Rodoviária. O intrigado leitor me pergunta se é por causa da estonteante arquiterura. Não, não é. A curiosa leitora já tem certeza que é porque há muitas lojinhas de artigos ótimos para colocar em 3 vezes sem juros no cartão. Não. Também não é por isso.
Na verdade, o normal é que Rodoviárias tenham um bar. Em Monte Sião, O BAR TEM UMA RODOVIÁRIA.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Em Monte Sião há uma espécie de museu, no qual estão reunidos inúmeros objetos de devotos de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Entre as prateleiras, consigo lembrar de maços de cigarro, chaves de carro, toalinhas, chaveiros, chapéus, calças (?) e fotos. Muitas fotos. Em igual (ou superior) número, cartas, bilhetes e até quadros com mensagens de agradecimento. O que me deixou curioso foram os moldes de mãos, pé, rim e um outro órgão que eu não consegui identificar. É bastante curioso, vale a pena visitar.

Além disso, há a história chamada de ‘O milagre da Chuva”:

Em 1937, o bispo local ordenou que a imagem de Nossa Senhora fosse retirada da capela e mandada para a zona rural. O motivo é que a imagem era hã… bem… era sensual demais. Com todo respeito, a imagem tinha peitchoquinhas (sic) e cinturinha de pilão. Eu mesmo vi e vocês podem fazer o mesmo clicando nesse link.

Ordem do bispo obedecida. A partir de então, não caiu uma só gota de água no município. Entretanto, nos municípios vizinhos, a vazão pluviométrica continuava na mais absoluta normalidade. Plantações estavam secando, o gado estava morrendo e o povo, pra variar, padecendo. A associação foi clara: enquanto a santa não voltasse, nada de irrigação celeste. Os moradores clamaram ao Bispo, que cedeu.

A procissão para a chegada da santa mobilizou toda a cidade. Seguiam em romaria pela avenida principal, sob um sol de rachar coco. Quando o andor se aproximava da Matriz, o tempo fechou. Não… não houve briga. Foi  a tão esperada chuva que veio com pompa e circunstância. Nunca mais faltou água pra Monte Sião e as plantações e criações prosperaram.

Eis o mistério da fé.

Morra Odete Roitman, sua vagabunda!!!

Tenho um certo asco, para não dizer um desprezo absoluto, de quem usa a internet para defecar seus produções mentais envoltas em uma diarréia monumental. Em outras palavras, fico revoltado quando alguem despeja em blogs, Orkuts e Twitter, toda a ignorância ostentada como troféu. Em março de 2008 (nossa… faz tempo hein?) dissequei um texto do blog da Gyselle, mais uma ex-BBB que ninguém lembra (nem a RedeTV).

Agora, em 2010, vejo que a situação, claro, não mudou nem um pouco. A maior prova disso foi o link oferecido pela @dehcapella no Twitter. A ideia era criar um diário virtual da personagem de Alinne Moraes, na novela Viver a Vida. Uma ideia, no meu ponto de vista, simpática. O futuro das novelas é cada vez mais aproximar ficcção e realidade, atráves da internet e verossimilhança de tempo e datas. Um dia chegaremos ao ponto de uma novela em tempo real, aos moldes de 24 horas.

A parte tocante é, sem dúvidas, a área de comentários. Será que a Vida acreditou na Arte?

Clique para ampliar

O que leva uma pessoa a acreditar que o texto tenha sido escrito pela personagem? Ok… posso estar sendo MUITO ingênuo e não entendi que todo mundo lá pegou o espírito da coisa e resolveu participar da brincadeira. Se esse for o caso, nunca mais leia esse blog #PauloMalufFeelings

No caso do comentário acima, a moça deu aquele conselho de pia de banheiro feminino, fazendo questão de não revelar o segredo. Manja aquela provocada irônica, pra deixar o interlocutar pensando? Foi o que ela fez… para a personagem. Ficcional.

Parte disso pode ser explicado pelo fato de que o autor faz com que a personagem – muito sabiamente, diga-se de passagem – leia alguns comentários durante uma cena, dando mais veracidade e credibilidade pro blog. Portanto, há um certo desespero para ter o nome lido na novela mais assistida no momento, fazer parte da trama…

Mas por outro lado, entra em cena (com trocadilho) a ignorância já citada no primeiro parágrafo. Dessa vez ela se manifesta na interpretação do conceito. Veja mais um exemplo:

Neste comentário, a leitora faz uma análise da personalidade em mutação da personagem. Filosoficamente tocante.

Vendo esses exemplos, não é difícil perceber porque os atores e atrizes que interpretam vilões adoram falar no TV Fama (ou mesmo no Faustão) que são hostilizados e até correm risco de apanhar dos populares insandecidos. Eu achava que isso era puro marketing, um exagero sem tamanho. Mas pensando bem, é perfeitamente possível. O povo acredita em tudo.

E falando em acreditar em tudo, taí a explicação para Collor e outros políticos envolvidos en escândalos voltarem triunfalmente para seus púlpitos. Um exemplo bastante atual é o Governador Arruda. Ele esteve envolvido no escândalo da violação do painel do Senado, confessou publicamente, pediu nova chance e foi atendido. Além de Deputado, agora é Governador.

Se para um político, que não é ator profissional, não ganha a vida atuando funcionário da Globo é fácil enganar o povo, imagina um programa em que toda a atmosfera volta-se para ludibirar o espectador a acreditar que aquilo é real? O Vídeo-Show faz exatamente a mesma coisa que esses leitores do blog, mas em escala empresarial e menos estúpida.

Talvez seja o espírito de Carnaval afetando minha imparcialidade, mas quer saber… sejam felizes. Nessa tribo em que vivemos, nem todo mundo pode ser cacique. Os índios, por outro lado, adoram escutar uma história de terror e pensam duas vezes antes de entrar na mata desacompanhados…

Caraca… como essa tendência a acreditar na ficção é antiga!