Já fui bixo… no Ensino Médio.

Eu já relatei aqui o dia do meu trote na Faculdade. Mas faltou contar como foi o dia do trote no Ensino Médio. Sim…. para você, incrédulo leitor, vale uma informação: estudei numa das escolas do Centro Paula Souza, que, aqui em Itatiba, chama-se Rosa Perrone Scavone. Para matricular-se na escola, é necessário ser aprovado num vestibulinho. Não serei hipócrita. A relação candidato vaga dificilmente ultrapassa 3 para um, ou seja, 3 candidatos para cada vaga. É pouco. MUITO pouco.

O fato é que passei e cheguei disposto ao meu primeiro dia de aula. O problema de entrar num colégio no qual você não conhece ninguem é justamente não conhecer ninguem, portanto, nenhuma boa alma fez o favor de avisar que os veteranos costumavam aplicar o famigerado trote em nós, bixos. Estava me aproximando do portão de entrada quando ouvi um ” Olha o bixooooooo!!!!” e em seguida, 3 ou 4 caras correndo na minha direção.

Acho que um espírito Jack Bauer se apossou da minha pessoa e, sem pensar muito, desviei cinematograficamente (!) de todos eles, até dar uma cabeçada na barriga da coordenadora Maria Antonieta e um tapa no joelho do diretor, o Toninho. Ironicamente, A profª Maria Antonieta viria se tornar um dos pilares mais gratificantes de se estudar no Rosa, não só na minha opinião, mas na da maioria absoluta dos estudantes.

Uma vez na sala de aula, respirei aliviado. Meu novos companheiros de luta acadêmica não tiveram a mesma sorte. Muitos deles já estavam devidamente zoados, tal qual um bixo deve ser. Lembro de uma loira com o nariz pintado de prata, sentada atras de mim. Era até meio constragendor ser o único limpo ali no meio.
Depois da sessão de discursos intermináveis, fomos convidados a ir até a quadra esportiva.  ** Aqui vale uma observação: A quadra não é das maiores. É toda cercada por alambrados de mais de 6 metros. Uma rede cobre a parte de cima do alambrado. Só há 2 portões e um deles fica invariavelmente trancado **. Depois dessas observações necessárias, voltamos ao texto:

Chegamos na quadra. Solzinho morno gostosamente pairava sobre nossas cabeças. E então o tempo fechou. Não foi o sol que sumiu, mas sim os arredores da quadra que foram tomados por uma horda de veteranos loucos por bixos para pintar. A foto abaixo ilustra mais ou menos como foi a sensação:

Veteranos. Corrão!!!

Naquela gaiola onde estávamos, não tínhamos para onde correr. Nos sentimos bois e vacas enviados ao matadouro. Os veteranos foram entrando e acuando todos para o fundo da quadra. Inevitável dizer que não houve uma alma que saísse limpa daquela quadra. Depois da primeira mão de tintas,  o que viesse era lucro.

Lembro que naquele dia matamos formiga a grito, nos esprememos em folhas de jornais que sumiam a cada rodada, tantávamos abocanhar a maçã na bacia com farinha. Humilhação total. Ao menos não nos obrigaram a pagar a cervejada e nem cortaram nossos cabelos. Ao final daquela manhã, eu estava absolutamente emporcalhado. E, pior para mim, NÃO terminava ali. Ainda precisava voltar para casa. DE ÔNIBUS.

Fiquei sentado no ponto de ônibus, naquele estado lastimável. Ok… já vi bixos MUITO piores do que eu (comprando com o que vemos em faculdades, eu tinha acabado de tomar banho), mas andar sujo pelas ruas daquele jeito nunca tinha acontecido comigo. Eu assustei criancinhas (de propósito, rs), fui benzido por sinais da cruz de senhoras muito religiosas. Até um cidadão muito metido a engraçadinho perguntou “onde era a matinê“. Eu respondi que “o ponto de encontro era na casa daquela senhora simpática que estava lavando roupas no tanque“. É uma pena que ele não ouviu.

Enfim cheguei em casa. E registrei minha escalafobética situação. Não repare na cara de menino moço. Ainda era 2005. Aliás… não tinho ideia se fiquei mais bonito ou mais feio, daquela época para cá. Aliás… eu tenho até medo de saber a resposta.

E sim… não serei mala ao ponto de privar meus fiéis leitores – que nem dízimo pagam, ingratos – de ter argumentos para esculhambar esse pobre blogueiro.
Só pra registar, os braços também estavam manchados, tal qual o outro lado da face. Tinha esmalte no pescoço e mais pasta de dente dentro do ouvido. Ah sim… o cabelo era uma mistura de gel, esmalte e tinta. Pegajoso.


Antes de tirar a foto eu, estupidamente, limpei a pasta de dente da sobrancelha e a tinta da testa

8 thoughts on “Já fui bixo… no Ensino Médio.

  1. Ah Frank..
    Hj foi meu primeiro dia de aula lá…
    bom.. la éé quase perfeito só q é apertada e quente
    nao qro nem imagina faze Ed Fisica naquela quadra descoberta..
    Mas a escola é tao boa q compensa td
    Bom, Graças a Deus nao teve o famoso TROTE… e o diretor (nao me lembro o nome dele) disse q isso já é proibido e q os alunos e lá já sabem a consequencia q terão se fazer alguma coisa..
    Mas, fala serio.. teve uma hora q vc riu de si mesmo neah
    Deve ter um lado legal.. haushuashuahs
    Bjoo

    • Corrão é uma gíria bastante utilizada na internet… Se você pesquisar, verá em vários textos.

      Mas obrigado pelo aviso, anônimo. Uma crítica vindo de alguem que não tem coragem de mostrar a cara vale bastante. Dá próxima vez, vem escoltado na barra da saia da mamãe… não vou te atacar, garanto.

      Covardes… pfffff

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