Pasmem: Fui plagiado. Mais de uma vez.

Sei que a afirmação a seguir chocará muitos de vocês. Eu mesmo demorei algum tempo para assimilar o fato e conseguir transformar meu sentimento em palavras que preenchem essas mal traçadas linhas. A questão é: EU FUI PLAGIADO. Sim… para mim também é extremamente bizarro pensar que alguém tem coragem de ler e gostar de um texto escrito por mim (não se ofenda). Mas o pior de tudo é pensar que uma mesma pessoa tem a capacidade de, também, copiá-lo e postá-lo em seu próprio blog como se fosse de sua autoria. ISSO sim é constrangedor.

Logo de começo afirmo que não sou contra utilizar textos do meu blog ou de qualquer outro em blogs alheios. Um dos princípios fundamentais da internet, além da liberdade de expressão é a liberdade de compartilhar tudo aquilo que você tenha achado digno de nota. Quando criei o blog em julho de 2007, no entanto, decidi adotar uma linha editorial (leia estilo) em que a criação de conteúdo próprio fosse não só majoritária mas também padrão. O que não significa que eu já não tenha compartilhado algumas coisas aqui (veja o texto do Moacyr Scliar, por exemplo), sempre, no entanto, colocando de onde vieram aquelas ideias organizadas em forma de texto.

Posto isso, vamos ao blog do Sr. Alan Junior de Queiróz. No dia 13 de dezembro de 2009, o referido senhor postou um texto com o título 50 coisas que aprendi com Silvio Santos. Até aí tudo bem… mas… epa… é uma cópia exata e integral do original postado em 04 de agosto desse mesmo ano aqui no Ideia Fix.
A informação mais relevante nessa história é que ele é… estudante de jornalismo. Plagiado por um estudante de jornalismo! (Agora é a hora que você faz sua cara de espanto número 31). Que espécie de jornalista vai se formar se, desde jovem, já começa a carreira plagiando?

Plágio, segundo o dicionário Aurélio, é “Assinar ou apresentar como seu (obra artística ou científica de outrem)”. A origem etimológica da palavra ilustra o conceito que ela carrega: vem do grego (através do latim) ‘plagios’, que significa ‘trapaceiro’, ‘obliquo’. (do site MicroBiologia)

Obviamente não fiquei calado ao ver aquela aberração. Escrevi um recado muito simpático para o dito que cujo e ele, claro, não aprovou. Mandei outro recado igualmente simpático antes de começar esse texto e, até o fechamento do mesmo, não havia sido aprovado. E duvido que o fará, para ser sincero.

A questão aí não é simplesmente ter um texto seu publicado em outro lugar sem fonte. Plagiar é desprezar e, pior, desconsiderar todo o trabalho intelectual e porque não braçal do autor, relegando-o a uma posição inferior a que ele realmente pertence. É ignorar que ele pensou, pesquisou, corrigiu, reescreveu, avaliou… Qual o grande problema em atribuir crédito a outra pessoa? Ninguem percebe que dar um control C Control V é passar um atestado de incompetência? Como eu disse acima, não há problema em compartilhar, desde que fiquei claro que fui eu (ou uma terceira pessoa) quem escreveu. Ainda segundo o site MicroBiologia (com o qual concordo integralmente): “portanto, podemos ter fracassados que são um sucesso e pessoas sem ética tidas como parâmetros de conduta.”. O errado vira exemplo do que é certo.

Para não dizerem que eu sou chato, egoísta e etc etc etc, deixo aqui um outro caso. Um site que disponibiliza links para download de shows utilizou parte do meu texto sobre o André Rieu para ilustrar a descrição. Não fiz questão de cornetar.
É bom lembrar que plágio é passível de punição jurídica. Não chegarei a tanto, já que pra mim internet não é tão “serius business” assim. O que eu quero com esse texto é alertar que fico incomodado quando sou desrespeitado no que diz respeito a proteger o que foi criado por mim. Seria muito fácil colocar aqui textos das pessoas que admiro. Como blogueiro e cidadão ético, prefiro recomendar que visitem o blog da Dona Batata ( Lu Naomi), o do Henderson Bariani, o da Mariana Belinotte e o da Cristine Martin pra me manter num círculo restrito de blogueiros anônimos. Se quisesse incluir os famosos, chupinharia o José Luiz Teixeira, o Torero, o Birner e tantos outros nobres escribas…

Tenho para meus textos um ciúme paternal. A diferença é que o rebento não chora pedindo leite ou por ficar com a fralda toda borrada durante a noite. Mas dá um orgulho o meninão….

6 thoughts on “Pasmem: Fui plagiado. Mais de uma vez.

  1. Realmente ficamos embasbacados quando isso acontece. Pela incompetência e cara de pau alheia e também por ver nosso texto sendo atribuído a outra pessoa.

    No mundo do artesanato infelizmente isso é muito comum. Já vi inúmeras reclamações de artesãs cujas fotos são encontradas em blogs ou lojas de outras pessoas, que “vendem’ os produtos como se fossem seus (na verdade aceitariam encomendas daquele produto da foto e entregariam ao cliente sabe-se lá o quê). E isso já aconteceu com minhas bolsas. Pedi que retirassem a foto e fui atendida.

    Quanto aos textos, o plágio vai desde trabalhos escolares copy-pasted na íntegra da Internet, copiados de colegas (the old-fashioned way), até artigos kibados sem os devidos créditos, textos publicados como se fossem do plagiador e traduções plagiadas e publicadas sob pseudônimos, esperando que nunca fossem descobertas (aff).

    Em todos esses casos a sensação é a mesma: lamentável…

    Abraços (e obrigada pela menção! ) :-)

  2. Não tem muito o que acrescentar, pois Toogood falou tudo, mas se o tal rapaz continuar com esse hábito uahaahuahu coitado !!!
    Não sei se foi o caso, mas quando se trata de plágio acadêmico da até cadeia (não no Brasil é claro rsrs).

    Mais sobre plágio veja o artigo abaixo:
    VASCONCELOS, Sonia M. R.. O plágio na comunidade científica: questões culturais e linguístcas. Cienc. Cult., São Paulo, v. 59, n. 3, Sept. 2007 .

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