Chatroulette: Olá estranho aleatório

Oi, meu nome é Mariana Belinotte e fui convidada pelo Frank (perdoe a intimidade) para escrever sobre minhas sujas aventuras nesse bar virtual, ops, site.

A primeira coisa que eu pensei quando minhas amigas vieram me falar no Chatroulette foi: “Puta merda! Que antro de pedofilia, não entro nem morta“. Dois dias depois estava na casa da Clarissa conversando com um cara da Califórnia.

Foi aí que minha vida mudou.

Estávamos lá, três garotas e dois caras, procurando algo que não fosse um pênis.

Porque o esquema é esse: à cada 10 pênis vistos, você acha uma pessoa. Uma em cada três dessas pessoas está parada olhando para a câmera com cara de: “sou um perdedor, procuro namorada por aqui, olha minha pose”; outra vai dar Next assim que te ver; e a outra vai ser uma pessoa legal que vai conversar com você.

Algumas vezes você vai se divertir muito, como quando eu passei uns 20 minutos dançando músicas dos anos 80 com um cara muito legal. Em outras você vai se assustar com um japonês de sutiã na cam ou com um moleque de oito anos pedindo para ver peitos, “por favor”.

Mas, pelo menos na minha opinião (e provavelmente na opinião de todas as garotas entre 13 e 27 anos) o melhor é entrar lá para… conhecer europeus gatos. Ou francesas que dão em cima de você, mas isso eu conto daqui a pouco.

Sério, é nessa hora que você percebe que agüentar todas aquelas “surprises” (os genitais) vale à pena: sempre tem um francês ou um inglês para te consolar.

Então você passa horas numa conversa nonsense que não dá em nada, mas esse é o objetivo do site. Você canta com a pessoa, conversa sobre os seus países, fala de música. A conversa acaba, você nunca mais vê a pessoa e… fim.

Chatroulette é isso na maior parte das conversas. É claro que você pode fazer algum amigo, adicionar no MSN e tudo, mas você também pode ignorar uma conversa ruim e partir para a próxima.

Agora, aposto que você quer umas dicas: (estou enrolando para contar a minha história com a francesa :P)

—> Se você tem medo das “surprises” e dos pedófilos, entre com amigos. Ajuda pra caramba, pessoas em grupo sempre têm menos vergonha na cara.

—> Viu uma “surprise”? Ignore, ué, fazer o quê?

—> Como começar a conversa? Tem um roteiro (nada obrigatório). Mas o normal é perguntar “what’s up” ou algo parecido; perguntar idade; perguntar país. Nessa ordem.

—> Preconceito com brasileiros: sim, acontece. Se isso te incomoda, minta. Em 50% das vezes eu falo que sou italiana. (Falei isso para a francesa).

—> Idade: Sim, você pode mentir, mas lembre-se: a outra pessoa está te vendo. Eu normalmente falo que tenho 16 anos e fica tudo certo.

—> Roupas: use-as.

E agora, depois de provocar um certo suspense (era a minha intenção pelo menos) vou falar da francesa. A situação era a seguinte: sábado, quase meia noite, meus pais não tinham me deixado sair com os meus amigos, eu estava chateada e resolvi entrar no Chatroulette.

Depois de algumas conversas e “surprises”, ela apareceu. Pele clara, bem européia, cabelos pretos e lisos, cara de vocalista de banda índie. Falamos por uns dez minutos e eu já estava achando ela uma mulher muito foda. Ela devia ter uns 20 anos, não perguntei a idade.

Depois desses 10 minutos básicos ela virou para mim e falou “sou bi”. Foi na hora: “OPA, eu também!”. Pois é. Esse foi meu reflexo.

Então eu parei e pensei: “Caralho, o que foi isso? Espera, eu sou hetero. Mas… mas nada!Então eu cliquei next.

E, cara… ela era tão legal! E tão bonita! E tão cult-européia! Ta, parei. Até hoje eu tenho esperanças de revê-la. Se eu fosse ficar com alguma mulher, seria ela! Mas, acreditem vocês ou não, eu gosto de caras. Ela seria só uma “experiência”.

E tem uma outra conversa que vale a pena mencionar. Era umas duas horas da manhã, quando eu vi um cara fantasiado de Freddie Mercury. Olhei direito, e, adivinha quem era? Isso mesmo, Frank Toogood, numa pose extremamente constrangedora! Não vou colocar imagens aqui, mas se vocês quiserem é só pedir que eu mando.

Ele jura que não aconteceu, mas acho que todo mundo já sabia disso, né? É menos chocante que o Ricky Martin falar que é gay.

Isso é tudo o que eu consegui explicar dessa nova moda bizarra e divertida. Eu recomendo que vocês entrem, apesar de tudo o que estava naquelas matérias da Época e em alguns portais de noticias. Mas usem roupas, a menos que a outra pessoa peça para você tirar, por favor.

Mariana Belinotte trabalha num café e recebe seu salário em expressos. Seu sonho é conseguir fundar sua própria máfia de pagãos adoradores de yakisoba. Escreve suas ideias em seu blog, o About:Blank

Direito de resposta concedido a Frank Toogood: A quem possa interessar comunico que já me desfiz do bigode. Grato.

2 thoughts on “Chatroulette: Olá estranho aleatório

  1. Pingback: 3 anos e 621 posts depois… « Ideia Fix

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s