Top 5 livros de 2010

Estamos no raiar de um novo ano. A melhor forma de dar boas vindas ao bebê – além de um babador novinho em folha – é fazer uma análise do ano que passou, para que os erros sejam repetidos e os acertos sejam corrigidos. Ou algo do tipo. Assim como fizeram os amigos do Depokafé, do Batata Transgênica e do Rato de Biblioteca – e mais uns trocentos outros blogs, diga-se de passagem – elencarei aqui os 5 melhores livros devorados em 2010.

Percebi que, ao contrário do que imaginei, li muito pouco no ano que passou. Muito menos do que eu gostaria e menos ainda do que eu deveria. Segundo o Skoob foram apenas 22 livros, o que dá uma média de 1,83 por mês. Como já é tradição, comecei vários, abandonando-os no meio do caminho. Ou porque não eram bons para mim ou porque eu não era bom para eles, o que me parece mais provável.

A título (cof-cof) de curiosidade, a primeira reunião de páginas numa ordem que fizesse sentido e que desse dinheiro para uma editora foi a biografia do Neto. Não, não esse Neto. O que é comentarista da Bandeirantes e jogou no Corinthians. E no Palmeiras. E no São Paulo. E no Santos. E, claro, no Guarani. O último foi Roberto Carlos em Detalhes (isso… a biografia proibida do Rei), que, aliás, eu ainda não terminei. Mas vai virar resenha.

Abaixo estão os 5 melhores, em ordem decrescente, crescente:

5 – O Cabotino, de Paulo Polzonoff Jr


Se você está pensando em escrever um livro, NÃO leia esse e-book. Quer dizer, leia, mas esteja ciente que todas as suas melhores ideias poderão se transformar em fumaça ao final. Isso porque o autor faz de tudo para desestimular os aventureiros que inundam as livrarias com qualquer porcaria, apenas para inflar o próprio ego e conseguir o status de escritor. Portanto, se essa era a sua brilhante intenção, melhor abandonar o projeto.

É um livro bem estranho tanto no tema como no estilo. Não é uma conversa, não é uma bronca, não é um sermão, não é um divã de psicólogo. Tão pouco é um toque amigo. Auto-ajuda? Nem pensar. É uma mistura de nada com coisa nenhuma, mas que tem o mérito de chegar em algum lugar.

Esse foi o primeiro livro em formato digital (aqueles que só podem ser lidos na rede mundial de computadores, não é mesmo Sandra?) que li do começo ao fim. Se você quiser uma cópia gratuita, é só fazer o download a partir desse link.

4 – Minha Fama de Mau, de Erasmo Carlos


O Tremendão lançou sua biografia e muita gente reclamou que ele não abordou pontos polêmicos ou espinhosos. É verdade. Mas é verdade também que a auto-biografia se sustenta muito bem sem essas passagens. O objetivo é exatamente esse: mostrar o lado positivo, alegre, aventureiro e, de certa forma, heróico de Erasmo Carlos. Seus amores, seus trabalhos, seus amigos, suas viagens, empregos, causos… Uma coletânea de memórias. Seriam Erasmo e Roberto a versão brasileira de Paul e John?

Um regate muito próprio de uma bela época da musica brasileira. Talvez o auge criativo da nossa música.

E que uma coisa fique bem clara: eu pegaria a Wanderléia.

3 -1808, de Laurentino Gomes


O subtítulo já dá uma excelente ideia de como o assunto é tratado: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil“. A bem da verdade, se você não quiser ler as 408 páginas, já tem aí um resumo muito preciso. Entretanto, vai perder uma série de boas histórias não apenas sobre a família real e os (muitos) agregados, mas também a sociedade brasileira como um todo.

A proposta é contar a História do Brasil de uma maneira que as escolas não ensinam, ou seja, a verdadeira versão dos fatos – por mais pitorescos que sejam. Anônimos se transformam em estrelas e peças-chave de um Brasil que muitas vezes está muito distante do atual, mas que por outro lado conserva uma atualidade assustadora.

O capítulo que eu mais gostei fala sobre Carlota Joaquina. Um paradoxo em pessoa, que colocava os vassalos do reino em situações constrangedoras. O que você faria? Contrairia coito carnal com a bizonha Alteza e colocaria um chifre real em Sua Majestade ou desobedeceria sumariamente uma ordem dada pela Rainha do Reino do Brasil, Portugal e Algarves?

2 – Querido e Devotado Dexter, de Jeff Lindsay


Antigamente, quando se fala em Dexter, a imagem que me vinha à mente era a do menino baixinho e cabeçudo, que tinha o laboratório mais moderno do mundo dentro de casa. Hoje Dexter é sinônimo de serial killer que, paradoxalmente, trabalha na polícia. A série de televisão popularizou o monstro e trouxe a discussão pertinente: existe justificativa para matar?

Os livros são bem diferentes da série e agradeço por ter lido antes de assistir. O Dexter de papel é bem diferente do Dexter teatral. “Querido e Devotado” foi o primeiro que eu li, apesar de ser o segundo da série. E foi o melhor. O crime central é muito… grotesco. A construção psicológica de Dexter também é trabalhada com esmero. Humor fino, inteligente, sagaz… rápido no gatilho. Uma obra prima do romance policial.

1 – Terra Papagallis, de José Roberto Torero e Marcus Aurélio Pimenta


O melhor livro do ano, não por acaso. O descobrimento do Brasil contado de uma maneira inédita. Ele está em primeiro no ranking não porque é engraçadinho, inteligente ou porque a capa tem um desenho legal. Ele ocupa a honrosa liderança porque seu enredo não nos deixa saber o que de fato é ficção (se é que há alguma) ou realidade (se é que há alguma). E consegue essa proeza sem se perder pelo caminho, o que por si só já é um fato notável.

O desenvolvimento do Brasil nos seus primeiros anos é algo saboroso de acompanhar. O encontro de brancos peludos e índios pelados é só o segundo sexto da aventura de Cosme Fernandes – o azarado Bacharel de Cananéia – que só deu certo porque teve a proteção do infalível Santo Ernulfo.

O que já começa bem no agradecimento, segue firme até o último parágrafo da orelha (a orelha do outro lado), pode ser resumido com o 10º mandamento para bem viver na Terra dos papagaios:

E o resumo de meu entendimento é que naquela terra de fomes tantas e lei tão pouca, quem não come é comido.

E na seção “Vale-a-pena-citar-mesmo-sem-estar-no-ranking”:

A Lua é um balão, David Niven

Como era Hollywood nos anos 30, 40, 50? A biografia do ator inglês mostra de maneira muito peculiar como funcionavam os estúdios e os contratos da época. Mas tem muito mais que isso. A vida de David Niven foi recheada de passagens estranhas – como o tempo em colégios internos – e outras trágicas – como a morte acidental da primeira esposa. E mesmo assim consegue ser engraçada, pois Niven não abandona nem por um minuto o tão famoso humor inglês.

Quem poderia imaginar que um ator, cujo primeiro papel importante foi um bêbado, interpretado estando bêbado, poderia fazer sucesso? Mas não se engane. Niven conta sua vida de um modo que você acredita que tudo aconteceu por acaso, por sorte ou simplesmente por destino. Pura humildade.

Adoraria que todos se lembrassem de mim como um homem que espremeu pelo menos 85% do suco existente na laranja da vida. Digo sempre: jamais se arrependa do que fez. O epitáfio que desejo é: ‘Ele tentou tudo!’ Militar, ator, escritor, empresário… As traquinagens do eterno Phileas Fogg num livro que flutua como a Lua, que, afinal de contas, nada mais é que um grande balão.

2 pensamentos sobre “Top 5 livros de 2010

  1. Pingback: Retrospectiva Literária 2010, Top 5, Bottom 3 « Pensamentos de Uma Batata Transgênica

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