Não é difícil seguir a instrução. Ou é?

E aí que uma amiga comenta sobre o que costuma acontecer no emprego dela e eu acabo com a ideia para escrever esse texto. Foi mais ou menos assim:

Trabalho em uma firma de fabricação de roupas. Na porta, uma placa bem grande, colada no vidro, diz: ‘VENDEMOS APENAS PARA PESSOAS JURÍDICAS‘. E não é que vira-e-mexe aparece alguém querendo ver as roupas? Eu vejo que a pessoa lê a placa, mas mesmo assim ela fica com a cara colada no vidro“.

Eu acho que a instrução contida na placa é bem simples. Se eu tenho uma empresa, sou um potencial cliente. Se não sou, devo procurar uma loja. Certo?

Então por que raios as pessoas insistem em não seguir as instruções? No caminho de volta ao lar andei pensando (literalmente) sobre essa questão. Não fui exatamente conclusivo, mas vou levantar alguns pontos que ajudam a construir a explicação.

As pessoas não sabem interpretar texto: Isso não é nenhuma novidade. A dificuldade de se entender o que está preto-no-branco vem de uma época em que muitos eram analfabetos. A prioridade foi diminuir índices, não ensinar. Deste modo, assinar o nome já era suficiente. Mas, também, treinar aonde? Os jornais tem letras miúdas e assuntos complexos. As revistas são legais pelas fotos do artistas de roupão, tomando suco de laranja numa manhã ensolarada. E os livros? Bah… quem precisa deles?

Quem dá as instruções não tem palavra de honra: O caboclo que cria (ou tem que fazer cumprir uma regra) também não colabora. Vamos supor que a placa da loja de parafusos diz “Só atendemos no balcão”. Aí chega um cliente e diz: “Pô cara, dá uma olhadinha lá na porta do meu carro. Vê que tipo de parafuso eu preciso“. Se nosso querido atendente resolveu atender o pedido, ele está, metaforicamente, rasgando a placa. E pisando em cima dela. Deste modo, o cliente fica mal acostumado e a regra perde credibilidade. Em outro estabelecimento ele vai tentar fazer o mesmo, já que deu certo da outra vez.

“Mas… mas… sempre foi assim!”: Essa é uma das frases que mais me irritam. Não é porque algo sempre foi feito de determinado modo que deve continuar a ser feito desse modo. Lá vamos nós para mais um exemplo: Se você atrasa o pagamento, juros são cobrados, correto? Mas daí você é amigo daquele mocinho gente boa do balcão e vai pagar sua conta com UM dia de atraso. Como eu disse, ele é gente boa, então deixa pra lá a cobrança dos juros. Mas daí, no outro mês, você atrasa novamente. E NÃO é o mocinho gente boa. Ele vai cobrar o acréscimo legal, mas você não vai achar legal. E, certamente, vai usar a frase negritada desse parágrafo. Quem tem razão? Você, que sempre teve esse… hã… desconto, ou o cara que seguiu a regra de cobrar o que é devido?

Com tudo isso, eu acabo respondendo o comentário da minha amiga, lá no começo desse post (lembra?). A pessoa fica com a cara colada no vidro, na esperança de ser notada, porque…

A) Ela não sabe o que significa “Pessoa Jurídica”, logo, a fase “só vendemos para Pessoas Jurídicas” não faz o menor sentido pra ela.

B) Ela foi em outra confecção, que vendeu todas as roupas que ela quis, MESMO tendo a placa na porta. E isso já se repetiu em outros locais, de diferentes ramos.

C) Alguém, algum dia, fez o que ela quis naquele mesmo estabelecimento. Então, se já a atenderam daquele modo, por que não fariam novamente?

Eu não sei se esse é um comportamento generalizado ou realmente específico, mas é fato que tenho visto cada vez mais casos desse tipo. E eu tenho certeza que você também tem ótimas histórias para contar. Use a caxinha de comentários!

Se vocês não usaram, bem…

Um comentário sobre “Não é difícil seguir a instrução. Ou é?

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