Como fazer uma boa redação?

Na época do vestibular, um dos terrores dos postulantes a uma vaga no ensino superior é a redação. Como escrever bem? Como fazer com que os corretores apreciam as suas palavras? Como não zerar por simplesmente fugir do tema? E, principalmente, como se fazer entender, uma vez que a) você tem muitas ideias e não sabe como organizar ou b) não tem ideia nenhuma?

Sabendo dessa dificuldade, reuni as dicas das maiores sumidades (como se menores sumidades existissem) que conheço no assunto: os meus amigos blogueiros e, modéstia a parte, eu próprio.

Aproveite as dicas abaixo não apenas no vestibular, mas para qualquer tipo de redação que você vier a fazer ao longo da sua miserável, digo, existência. Acredite: mesmo se você for matemático ou engenheiro, a redação vai aparecer, mais cedo ou mais tarde.

Henderson Bariani, do Depokafé: A minha dica para escrever melhor é: escrever mais. Escrever não é um ato inspirado divinamente, obra de alguém visitado por alguma musa sobrenatural. Escrever, como qualquer atividade humana, melhora com a prática. Então escreva todos os dias, mantenha ou colabore com algum blog. 

Débora Capella, do Por Trás da Tela: Eu começo pela afirmação básica mais negligenciada de todas: quem quer escrever bem tem que ler. Ler direito, não é aquela passada de olhos malandra no jornal (ai, como sou antiga) ou nas chamadas dos portais de notícias, pra estar mal-e-mal por dentro do que acontece – porque, olha, agora tem a redação do vestibular e nela provavelmente vão verificar se você tem se atualizado, se tem poder de argumentação, além da sua capacidade de construir um texto minimamente adequado à norma culta, coeso, coerente. Mas o resto da vida você vai precisar se expressar por escrito por vários motivos e em muitos contextos. E vão te entender e te avaliar em função do que escreve e como escreve. Então leia, aproveita que é bom pra caramba: leia literatura, leia prosa e poesia, leia contos, crônicas, historietas, cordeis, leia o povo do século retrasado, leia o que é contemporâneo, leia ficção e não-ficção, leia resenhas, reportagens, blogs, diários, leia de tudo, vai fazer bem pra sua cabeça, pro corpo, faz bem pra criatividade e relaxa. Tem tanta coisa escrita, são tantos os gêneros e temas que é impossível que não haja alguma coisinha que te agrade.

A segunda dica é: escreva muito. Não só aquele formatinho de redação pra vestibular (já expliquei ali em cima por que digo isso – vestibular é um momento só, o resto da vida tá aí te esperando, lambendo os beiços e de sangue nos olhos. Não, mentira, não é assim tão dramático, né?), mas escreva diálogos, escreva pequenas narrativas, simule discussões, escreva cartas imaginárias, discursos inflamados, descrições de quadros reais ou fictícios, de cenas presenciadas. Escreveu? Leia em voz alta. Isso aí, leia em voz alta e veja se soa bem, ouça o que falou. Quando a gente escreve acaba ficando com o olhar meio “viciado”, então o texto falado pode revelar incoerências, mudanças bruscas de assunto, pausas indevidas. Outra coisa que pode ajudar é dar aquilo que foi escrito para outra pessoa ler: ela pode apontar coisas que você nem percebeu por causa do tal “olhar viciado”. Não tenha vergonha de mostrar e discutir o que escreveu. Tem coisa pra corrigir? Corrija. Consulte dicionários, gramáticas, coloque em prática aquele monte de aula que você assiste na escola ou no cursinho. Reescreva o quanto precisar. Você terá o prazer de ver a língua ganhando vida no que você escreve.

Boa sorte!

Cristine Martins, do Rato de Biblioteca: Para escrever uma boa redação é bom ter algum conhecimento sobre o tema proposto; já que estamos falando de redações de vestibular, em geral os temas são relacionados a atualidades. Portanto, é bom estar bem informado sobre o que está acontecendo no mundo, e saber distinguir alhos de bugalhos, para não escrever besteira. Visitem sites de jornais ou leiam os jornais impressos, leiam alguns artigos, tentando compreender o que estão lendo. Para praticar, façam um resumo da notícia, como se a estivessem explicando a alguém. 

Um pouco de opinião também é importante; depois de compreender o que está acontecendo, você deve saber se concorda ou não, quais serão as prováveis consequências daquilo, se o fato é bom ou ruim, o que o causou. Ao redigir a redação, use a estrutura clássica de apresentação (um parágrafo inicial que chame a atenção), explicação (onde você explica o que está acontecendo, ou o que aconteceu), análise (onde pode discorrer sobre as consequências que o fato terá) e conclusão (para fechar o texto você pode dar a sua opinião, sugerir uma solução, ou fazer uma advertência sobre o que pode acontecer por causa do fato). Ou seja: sua redação deve ter começo, meio e fim.

E é claro, ler bastante, escrever muito para praticar, consultar a nova ortografia (que é oficial a partir de janeiro) para poder apresentar um texto interessante, com conteúdo e também correto quanto às normas cultas da língua portuguesa. Bom trabalho e boa redação!

Carlos Lemes Jr, da casa: Leia bons livros. Principalmente de temas que você goste. E escreva sempre que puder, sem esquecer de um projeto de texto para a redação.

Frank Toogood, seu host: Depois de tantas boas dicas, eu só posso corroborar tudo o que foi dito. E, claro, acrescentar minha visão: gosto muito da ideia de utilizar a experiência de vida nas redações. Aquelas situações que passamos no dia-a-dia ajudam a criar a tão famosa ‘visão de mundo’. Uma redação com personalidade só vai acontecer se você colocar a sua personalidade nela, através dos casos que você viveu. Recordar, além de viver, é um excelente recurso para argumentar.

As dicas foram úteis? Tem alguma dúvida? Escreva para nossas sumidades. Juro que repasso as súplicas calorosas para eles…

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