Querido ladrão…

Querido Ladrão,

Seja bem vindo, pela décima primeira vez, na minha residência. Fique a vontade. O bolo de fubá ainda está em cima da mesa, como você deixou ontem, mas o café é fresquinho, pode pegar na cafeteira.

Como você pode notar, não sobrou muita coisa. Apenas reparei que você não quis levar o vaso de flores de Holambra, lá da sala de estar. O que foi que aconteceu? Não gostou da decoração? Você está dizendo que eu não tenho bom gosto? É isso? Bom… Eu preferi ser otimista e achar que você não conseguiu carregar. Eu entendo… vídeo game, notebook, celular, jóias, roupas, sapatos, imã de geladeira, panela de pressão e a lição de casa dos meninos é muita coisa para levar só com duas mãos.

A propósito, se vier amanha também, por favor, tire os sapatos antes de entrar na cozinha. Como nos últimos dias choveu bastante, suas pegadas deixam a casa uma imundice. Eu posso ter ficado pobre com as suas visitas, mas ainda somos limpinhos, então, se toca mané e me ajuda aí.

Aproveitando a carta, é possível deixar anotado no caderno, que fica em cima da escrivaninha do segundo quarto, seu nome completo, RG e CPF? Ainda preciso terminar de preencher a Declaração do Imposto de Renda (sempre na última hora) e preciso colocá-lo como dependente. Você acha que sai barato sustentar um bandido profissional? Faça o seguinte também: já deixa anotado quanto você ganha, em média. Eu sei que nem todo roubo é tão proveitoso quanto em minha casa, mas tenho certeza que você melhora a cada dia. A prática leva á perfeição, não é esse o ditado popular?

Amanhã não estarei por aqui entre as 8 e 11 da manhã, mas vovó chega as 11:30. A nonna andou reclamando de você, então, sugiro que não esteja mais aqui nesse horário ou você corre o risco de levar uma bengalada na cabeça. Vai por mim…. a bengalada dói. E muito.

Atenciosamente,

Moradores do 315.

PS: Hoje vai passar um filme muito bom durante a sua estada. Pena que você levou a televisão em uma de suas visitas. Tá vendo só? Se lascou. Vai ter que se contentar com o rádio… Opa, pera aí. O rádio você também levou.

PS2: O vizinho pediu pra você cantar mais baixo. Quer dizer…. foi o ladrão do vizinho quem pediu. Ele disse que não consegue se concentrar no assalto com você cantando. Tá tão mau assim, galã?

PS3: Não quer levar a sogra, na próxima visita? Pago bem.

Fazendo a notícia: Bombas em Boston

Chegar em casa após um cansativo dia de trabalho e relaxar na poltrona pensando no dever cumprido é o sonho de todo trabalhador. Não é diferente com os maratonistas, que após 42 quilômetros colocando pé a frente de pé, querem cruzar a linha de chegada, olhar para seus tempos e também sentir a sensação de dever cumprido.

Não foi o que ocorreu com os corredores da maratona de Boston, uma das mais tradicionais do mundo. Duas explosões aconteceram na reta de chegada, quando os anônimos terminavam a corrida.

Eu descobri através do Facebook. O sentimento de ataque terrorista é o primeiro que aparece, mas não necessariamente é o verdadeiro. Pela CNN, descobri que as explosões ocorreram em locais diferentes, o que é MUITO preocupante.

O caos estava instalado. Dois mortos, 23, 28 51 100 feridos – 06 em estado grave, pelos relatos –  e muita incerteza.

No Twitter pipocavam conjecturas. E mais sustos estariam por vir: além das 2 bombas detonadas – neste ponto noticia-se BOMBAS e não um mero botijão de gás – pelo menos outras 3 foram encontradas no trajeto dos maratonistas.

Pouco depois, descobriu-se que outra explosão havia acontecido, dessa vez na biblioteca de Boston, próximo ao memorial ao ex-presidente JFK. Entretanto, ainda não estava claro se os incidentes estavam relacionados ou não. Aliás, na biblioteca, poderia nem ser uma explosão, mas sim um incêndio (ou algo do tipo).

A coisa ficou séria. A Casa Branca foi cercada e devidamente protegida. O tráfego aéreo sobre a cidade foi interrompido. USA under attack again?

Até o começo da noite não se procuravam culpados. O fato é que em 15 de abril é comemorado o dia do “fundador” da Coréia do Norte, Kim Il-sung. Das duas uma: ou os norte coreanos ficaram malucos de vez ou alguém muito esperto aproveitou a data, uma vez que o dia “tradicional” para ataques terroristas é 11 e não 15.

(POST EM ATUALIZAÇÃO – SE OCORRER ALGO NOVO, CLARO).

Bombas em Boston

O testamento de seu Abelardo

(Cenário: Ampla biblioteca, cercada por estantes altas por todos os lados, todas recheadas de livros de todas as épocas. No centro, uma grande mesa de madeira, com 12 cadeiras. Ao centro, um arranjo de flores. Na cabeceira, Josias utiliza seu monóculo para abrir um envelope pardo lacrado. Ao lado direito, Eulália, de véu preto sobre o rosto).

Josias: Muito bem, muito bem…. vamos proceder a leitura do testamento do seu Abelardo, que infelizmente nos deixou na semana passada, vítima de mais um gol do Mirassol sobre o Palmeiras. Que seu Abelardo descanse em paz, certamente vai fazer muita falta. Não tantas quanto os zagueiros, mas ainda assim…

Eulália: Vai, começa logo seu moço!

Josias: Calma Srta. Eulália… já vou começar!

Eulália: Acho bom!

Josias: Bem… Seu Abelardo diz o seguinte em seu testamento. Abre aspas: Após muito pensar para quem deixaria todos os meus bens mais preciosos, eu resolvi dividir a minha fortuna, conseguida após anos e anos de ladroagens, falsificações e malandragens de toda ordem. Honestamente, eu a nunca conseguiria honestamente. Para a minha querida netinha Eulália…

Eulália [interrompendo]: Sou eu! Sou eu!

Josias [ignorando a interrupção]: …deixo todas as jóias da família. Que ela faça bom uso dos colares, dos anéis, das gargantilhas e de todos os brincos que tenho guardado na escrivaninha e que, com certeza, não ficariam tão bonitas nos pescoços e orelhas das madames que antes as guardavam em suas caixinhas de jóias.

Deixo também toda a minha coleção de bijuterias, desejando que ela saiba enganar a todos, assim como eu fiz por muito tempo.

Eulália: Obrigado vovô, você não vai se decepcionar! Eu sabia que ficaria com a riqueza da família!

Josias: Para o meu querido Wagner.. ou Vagner? Nunca consegui escrever direito o nome desse abestado…

Eulália [interrompendo novamente]… meu irmão!

Josias [olhando torno] …deixo a minha coleção de bandidinhos de chumbo, de discos da Carmem Miranda e de cadeados que colecionei ao longo de toda uma vida de assaltos em residências, chiques e humildes. Que ele se inspire nesses objetos para seguir o legado da família.

Eulália [suspirando]: puxa… maninho teve muita sorte. Também ficou com a riqueza da família.

Josias: Para Terêncio, meu filho, deixo os contatos que tenho com todos os políticos mais poderosos do país, porque, afinal de contas, ladrão que se preze também deve ter os seus ídolos e mestres, para crescer, evoluir e se tornar um bandido melhor. Deixo, ainda, as indicações para cargos no Senado.

Eulália: Vovô sempre foi muito cuidadoso com a nossa educação. Acho que essa parte também é uma das riquezas da família.

Josias: Por fim, deixo para meu fiel motorista, Jarbas, meus mais sinceros votos de agradecimento pela companhia inestimável em todas as viagens que fizemos, seja para turismo, seja fugindo da polícia…

Eulália [interrompendo]: Ha ha ha.. coitado do Jarbas! Ficou na pindaíba…

Josias [irritado]: e deixo também minha plantação de tomates na minha fazendinha no interior de Goiás. Adeus.

Eulália [furiosa]: O QUE? VOVÔ DEIXOU PRO JARBAS A FAZENDA DE TOMATE?! QUE INJUSTIÇA! ELE SIM FICOU COM A FORTUNA DA FAMÍLIA! ISSO É UM ABSURDO! UM ABSURDO! COMO ASSIM O JARBAS?!

Luzes diminuem lentamente enquanto Eulália reclama.

Fecha a cortina.

O Primeiro de Abril mais longo do Brasil

“Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus DIREITOS, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.”

O inflamado texto acima é parte do editorial de O Globo, publicado no dia 2 de abril de 1964, após um dos momentos chave da história do Brasil. O deposto João Goulart não terminaria seu mandato, assim como seu antecessor Jânio Quadros.

Mas, afinal, o Palácio do Planalto exercia mesmo a tal da ação subversiva? Os tais vermelhos haviam mesmo envolvido a mais alta esfera política do Brasil?

Os eventos que levaram à queda (ou à rasteira em?) de Jango começaram com os parafusos a menos de Jânios Quadros. O homem da caspa de mentira (?), do sanduíche de mortadela no bolso, dos cabelos desalinhados e dos bilhetinhos retos e diretos não aguentou a pressão de Brasília e pediu pra sair. O que ele REALMENTE queria fica para a galeria de mistérios que aparentemente jamais serão descobertos.

Mas o fato estava consumado em 25 de agosto de 1961. Em seu lugar assumiria o gaúcho João Goulart, eleito democraticamente vice-presidente, ainda que não comungassem das mesmas ideias. É bom lembrar que presidente e vice eram eleitos separadamente e não necessariamente eram chapas pertenciam a mesma chapa.

Já em 61 as Forças Armadas movimentaram-se para impedir que comunista (será?) Jango, naquele momento em um rolê uma visita à China (ainda sob influência de Mao Tsé Tung), vestisse a faixa presidencial.

E ATÉ QUE FAZIA SENTIDO.

Em plena Guerra Fria, quando um simples “vish, eu não deixa queito” poderia provocar uma saraivada de mísseis para todos os lados, DAR A IMPRESSÃO de aliança com russos e chineses poderia provocar uma reação nada amigável de nossos vizinhos estadunidenses, seja explosiva ou econômica.

Particularmente eu duvido que o Brasil se transformaria em um regime comunista. E duvido, também, que a melhor forma de acabar com a tal da ameaça fosse a base da força. Não faltaram eleições diretas um ou dois anos de depois?

Jango ainda se sustentou um tempo, mas os tanques dos militares foram mais potentes.

É claro (?) que não se poderia imaginar que o controle militar perduraria por tanto tempo, muito menos que a perseguição aos ditos comunistas resultaria em imagens como o suicídio (mais do que forjado) de Vladmir Herzog. Sem contar toda a parte da tortura e dos desaparecimentos inexplicados, inadmissíveis em qualquer tipo de governo.

Mas todo esse contexto histórico dos últimos parágrafos serviu para embasar uma percepção que me ocorreu nas pesquisas para esse texto: ainda há um traço, um sentimento, uma ideia (e até mesmo um saudosismo) em muita gente de que o golpe de 64, ou melhor, a Revolução de 64 não apenas foi benéfica, mas como infelizmente acabou. Veja:

“A data de 31 de março de 1964 é magna na história de nosso país, quando brasileiros patriotas tomaram armas contra os traidores da Pátria, que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba tropical. Heróis, alguns ainda vivos. É preciso retirar da História as sua lições”.

Percebem a similaridade entre o texto acima, postado por um cidadão qualquer no Youtube e o editorial de O Globo, no início do texto? O traço se mantém. Assustador? Natural? Certo ou errado?

O xeque mate dado em 31 de março resultou, na manhã seguinte, no Primeiro de Abril mais longo – e sem graça – da história do Brasil. Tão longo que, pelo visto, ainda não acabou para muita gente.

Se eu fosse você reservaria 49 minutos do seu dia para assistir a entrevista do brilhante  Geneton Moraes Neto com o General Leônidas Pires Gonçalves. É interessante demais como um mesmo fato – por exemplo a morte de Herzog – pode ser vista de ângulos tão diferentes. Tão diferentes que nem parecem o mesmo fato.

foto_mat_27219 GOLPE-ultima-hora-2-de-abril-de-1964

Tenho cada vez mais certeza que, mais do que um Golpe ou Revolução Militar, o que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985 foi uma verdadeira Guerra Civil Brasileira.

F1 2013: Sepang, Malásia

Em uma prova divertida, Vettel desobedece orientação da equipe, arrisca ultrapassagem e ganha a prova com a faca entre os dentes. Climão maneiro instala-se na Red Bull. Irão restaurar a paz em três semanas?

Se há um ditado para os início de corrida em Sepang, na Malásia, é uma pequena alteração de “chove-não-molha”. No caso dos malaios, chove, mas molha. Mas, não em todo lugar. Tal detalhe torna o jogo psicológico pré GP muito mais interessante. Pneu intermediário? Pneu para chuva intensa? O que fazer para não rodar ou deixar seu pneu esfarelado no asfalto, sem necessidade?

Ao apagar das luzes, Vettel manteve a dianteira e logo atrás dele saltou Alonso. Massa largou mal e não conseguiu segurar a posição. Ou AS posições, porque caiu pra sexto. Quem se deu bem foi o canguru, que deve ter achado uma boa ideia acelerar, pra variar um pouco, e ganhou boas posições.

Logo nas primeiras curvas Alonso tocou de leve em Vettel e entortou a asa dianteira. Show de faíscas na sua televisão! Com o carro todo desequilibrado, travou as rodas numa batalha com Webber e passou reto. Fim de prova pro espanhol. Katie, a macaca, zicou bonito…

Sem Ferrari por perto (até Button se colocou à frente do brasileiro), são as Mercedes de Hamilton e Rosberg que tem poder de ameaçar o cenário que Vettel mais gosta. Raikkonen cometeu ao menos 2 erros de traçado e perdeu muitas posições.

Já nas voltas 5 a 7 as equipes convocaram seus pilotos para a troca por macios. Vettel sambou no primeiro setor, mas manteve seu monoposto na parte asfaltada. Pequena trombada entre Vergne e Pic. O tio do pirulito liberou na hora errada. Segue o jogo.

Agora… Hamilton protagonizou o movimento mais insólito da corrida. Chamou a nova namorada pelo nome da ex esposa. Complicado, amigo. Ao entrar nos boxes, direcionou sua Mercedes para o box da McLaren! Não é aí, não! Agora é na outra, Hamilton! O Twitter da McLaren tirou um sarro: “Feel free to pop in and say “hi” any time, @LewisHamilton!“. Que situação…

Quem se deu bem nas primeiras paradas foi Webber. Ficou mais tempo com os intermediários e, ao contrario de Vettel, optou pelos pneus duros ao invés de macios. Estratégia interessante. Assumiu a liderança.

Para Massa, a situação não estava muito empolgante: na volta 14, uma McLaren e uma Sauber (!!) estavam logo a frente. Em outro tempos não seria vergonha. Menos empolgantes estavam as Lotus, com Grosjean e Raikkonen logo atrás.

Marquinhos Canguru, líder, deixou todo mundo confuso. Fábio Seixas, da Folha, explica: “essa eu não entendi. Webber parou 2 voltas depois, estava com os pneus mais duros e andando mais rápido. PAROU POR QUE, MEU FILHO???”. Bem… Não explica. Mas era essa a dúvida…

E “deu ruim” no pit do Di Resta. 1 semana para conseguirem tirar e colocar o pneu dianteiro esquerdo. A impressão é que tinha alguma coisa presa ali, impedindo a troca. Di Restou ao Di Resta desistir da prova. A zica também atingiu Sutil, que também abandonou. Eita… #WeakIndia

Só pra cumprir a cota das carroças, uma Marussia duelou com uma Caterham lá atrás. Informei.

Hulkenberg e Raikkonen saíram de seus pits colados um no outro. Muito colados. Belíssimo duelo, com vitoria da Sauber. Algumas voltas depois os dois voltaram a se tocar. O finlandês fanfarrão ficou um pouquinho bravo. Só um pouco. Que medo.

Falando em parada nos boxes, a bruxa estava a solta. A McLaren não apertou a porca direito, Button quase atropelou o mecânico da Lotus e parou no meio no caminho. Muito engraçado o pique dos mecânicos da equipe do inglês para consertar a bobagem… Show de Horrores!

Momento crucial da prova. Webber sai do box praticamente no mesmo lugar que Vettel. O alemão mergulhou babando pra cima do australiano. Uma briga linda. Quase se tocaram mais de uma vez. Webber não deu mole e fechou a porta na cara dura. Segura Webber! Abre Vettel! Passa Vettel! Tomada de curva lado a lado! Passa Webber… E Vettel dá o troco! SENSACIONAL! Que briga linda! Isso é Formula 1, meus caros! Teve chefe de equipe suando frio…

Webber x Tiao

Canguru x Tião. Amigos para sempre…

Diga-se de passagem, logo atrás Hamilton e Rosberg travavam duelo tão bonito quanto. Uma ultrapassagem melhor que a outra! Tio Ross também suou frio… Ainda na Mercedes, Rosberg pediu pelo rádio para passar Hamilton. Tio Ross negou. Deixa os meninos brincarem, tio!

É bom que se diga que depois da última parada, na qual colocou pneus macios, Massa, que fazia corrida de burocrática para ruim, animou e andou muito veloz. Passou as Lotus a sua frente, depois de voltas muito boas.

COMEMORA SEBASTIAN VETTEL! VOCÊ E SUA RED BULL VENCEM O GRANDE PRÊMIO DE SEPANG! Mark Webber vem logo atrás, frustrado. Fecha o pódio Lewis Hamilton e coladinho na asa traseira dele vem Nico Rosberg.

Prova bem divertida. A briga interna nas duas melhores equipes tem tudo para apimentar o campeonato, principalmente na Mercedes. Hamilton chegou com moral e Rosberg não quer ficar atrás. Na Ferrari, Massa não foi mal, mas pela classificação poderia ser melhor. Andou atrás boa parte da prova e recuperou no final.

Clima quente e tenso antes do pódio. Webber e Vettel nem um pouco satisfeitos um com o outro. TENSO. O projetista do alemão deu-lhe uma bela comida de toco. Webber, se falasse português, diria “Porra Vettel.! Que merda?”. Climão muito maneiro. A ordem da equipe era para Vettel NÃO arriscar a ultrapassagem, mas o alemão não quis saber. Webber regulou o motor para “econômico”, o tricampeão, não.

McLaren e Wiliams continuam vergonhosas. Button abandonou no fim e Perez parece sentir o peso do macacão que veste. Bottas foi o melhor da Williams. Hulkenberg surpreendeu com sua Sauber. Tá de parabéns…

Na entrevista pós prova, Vettel disse que se há alguma coisa para falar com Webber, o fará internamente. Deu uma arregada prudente. Já companheiro de equipe disparou: “decidimos como seria antes da corrida em time, o Vettel tomou suas próprias decisões e foi protegido como sempre“. Ratinhooooooo!

Assim… Sou a favor da disputa interna. Esporte é para ser disputado. Se não é mais fácil deixar só um por equipe e pronto. Entretanto, ninguém pode ser bobo o suficiente para não entender que, principalmente na F1, as equipes precisam se preocupar com o conjunto. Vettel foi o atacante que, em vez de passar a bola para um companheiro melhor posicionado, decidiu chutar. E fez o gol. Sorte dele. E nossa, que assistimos um momento antológico da F1.

1, 2, 3 4

“Tião é FODA: Não lavou a louça, não arrumou a cama, não levou o guarda-chuva”

Na Mercedes, Nico disse que não vai esquecer que não pôde passar Hamilton. “Vai ter troco“, teria dito. Tá certo ele. É só não bater e tirar o companheiro da pista que tá tudo bem…

Próxima prova é daqui a três semanas, em 14 de abril, na China. A paz voltara a reinar na República Democrática?

Atualização: O Flávio Gomes fez (mais um) bom texto sobre a polêmica Webber x Vettel, com um ponto de vista diferente e extremamente coerente. Vale a leitura.

Varig, da excelência à falência: o que deu errado?

“Varig, Varig, Varig”. Um dos jingles mais conhecidos e tradicionais do país gravou em milhares de brasileiros o nome de uma companhia aérea que muito fez, mas que hoje não passa de uma massa falida e de uma excelente história para contar. Afinal, o que aconteceu com a Pioneira, do ápice ao fundo do poço?

A Varig, fundada no Rio Grande do Sul da década de 60, cresceu e se destacou como uma sólida empresa nas mãos de Rubem Berta (hoje no ramo de clínicas e avenidas). Os pilares desse crescimento foram o respeito (e a fartura) para com o cliente e, com os funcionários, o intenso treinamento técnico e humano, fornecendo todos os subsídios necessário para trabalhar. A estrutura era invejável, acolhendo todos.

A comissária de bordo Claudia Vasconcellos escreveu o livro “Estrela Brasileira“. Boa parte das informações aqui contidas de lá foram tiradas.

Primeiramente há que se falar do serviço de bordo estupendo. Algumas coisas que captei durante a leitura do livro fizeram meus olhos saltarem, a boca salivar e o estômago perguntar por que eu estava deitado e não viajando Varig. Veja só que loucura:

“Servíamos canapés frios — torradinhas cobertas com pasta de roquefort, ovas de salmão com maionese, foie gras e pequenas bolinhas de caviar com uma minifatia de limão — e quentes, palitos de churrasquinho e casquinhas de siri.

(…) Passávamos um carrinho de bebidas, com garrafas de Johnnie Walker — Black e Red Label —, Chivas, Ballantine’s, Jack Daniel’s, Crown Royal, Glenfiddich, Campari, gim Tanqueray, vodka Stolichnaya, Vermouth Seco, Vermouth Doce, Dubonnet, Carpano, Cachaça Nega Fulô, rum cubano e um balde de gelo com champanhe — o gargalo envolto em guardanapo de linho. (…) cervejas de várias nacionalidades, suco de tomate, Ginger Ale, Seven Up, club soda, água tônica, Coca-Cola, guaraná, água com gás e jarras de suco (…) angostura, orange bitter, vidrinhos com cereja em calda e azeitonas e um copo com espetinhos (…), um copo grande com agitadores, copos para short e long drinks e flutes. Na parte inferior, copos para água, vinho tinto e branco”.

E você pensa que é só? Ainda tinha o carro de caviar. “Trazia, na parte superior, uma lagosta com galantine, uma concha cheia de gelo moído encimado por uma lata grande de caviar Beluga Malossol e limões cortados ao seu redor, vodka Stolichnaya envolta em gelo enluvando a garrafa (…), tigelinhas com manteiga clarificada, sour cream, limões em fatias, cebola cortada em cubinhos reduzidos ao seu tamanho mínimo, gema e clara de ovo picadas, uma forma coberta por um guardanapo com blinis aquecidos e melba toasts (…) melões com presunto de Parma.

Não, não acabou! Faltaram as sopas, as saladas, torradas e o churrasco. Churrasco? Acredite se quiser. Ah… Eu citei as nozes, os queijos, tortas, café, chás e licores digestivos? Que bom, porque faltou o café da manhã, com pães, bolos e ovos fritos na hora, pelo cozinheiro na galley.

Tantas outras coisas, gastronômicas e materiais, também eram servidas a bordo. Valeria um texto só para elas. A leitura do livro é imprescindivel. E eu, como Bacharelando em Administração, ficava me perguntando como manter essa estrutura em todos os vôos. A Varig rodava o Brasil e o mundo e tinha esse serviço de bordo impecável.

Por que faliu?

A falência, claro, tem várias explicações e uma delas é a mudança no paradigma dos serviços de bordo. Hoje nos surpreendemos com “amendoim e bolacha” a vontade. E só. O espaço entre as poltronas foi diminuído. O avião deixou de ser uma ocasião especial, um luxo, e passou a ser rotina para muita gente. Isso é ruim? De forma alguma. É apenas outro modelo de negócio, no qual tudo é mais pratico e rápido. Antes, o ápice era a viagem. Hoje, é partir e chegar. De preferência sem atrasos.

Outro motivo foi a perda de alguns privilégios nos vôos internacionais. O padrão da Varig era uma excelente propaganda para os militares (assim como a seleção de 70). Ainda: as lojas da Varig no exterior eram “embaixadas”, nas quais turistas e exilados liam jornais e revistas tupiniquins. No governo Collor isso foi por água abaixo. Concorrência faz o preço baixar e a demanda diluir. E por falar em governo, é bom lembrar a terrível década de 80, com trocentos planos econômicos e inflação a 60 mil pés. Quem se arriscaria a viajar assim?

As dividas e balanços negativos começaram a se acumular na década de 90 (muito em função, como dito, dos custos crescentes e do preço congelado de passagens) e, com isso, a decadência se tornou mais obvia: os atrasos de salário (ou pagamento em parcelas) minavam o maior patrimônio da Varig: os funcionários. Como se não bastasse, tinham que usar mais do que criatividade para suprir a carência de objetos a bordo. Até pó de café alguém traziam. Insustentável.

A Pioneira foi loteada, vendeu o que podia. Agonizou. Demitiu por telegrama. Morreu.

Hoje a Varig é uma (saudosa) lembrança na memória daqueles que acordaram pelas manhãs ouvindo o cantar dos pássaros, que aprenderam sobre a cultura do país para qual viajavam, que deram valor a sofisticação. Tudo isso nos vôos da Varig.

Varig, Varig, Varig!

F1 2013: Albert Park, Austrália

Em uma corrida muito estratégica e pouco emocionante, Raikkonen vence e surpreende. Alonso aproveita tática da Ferrari e chega em segundo. E a McLaren? Foi realmente ela quem saiu dos boxes hoje? A temporada só está começando!

É bom demais iniciar mais uma temporada da F1, a quinta consecutiva com o relato e análise de todas as provas aqui no blog. Madrugadas de corrida formam caráter. Ou quase isso.

Na Austrália, o grid iniciou sem muitas novidades. Um alemão largo demais estava na pole. Seu companheiro de equipe logo ao lado. Podiam ser Schumacher e Rubinho, mas são Vettel e Webber. Em terceiro largou Hamilton, agora na Mercedes. O carro verde-prata tem um sistema diferente de suspensão (hidráulica, pelo que eu entendi) e promete bastante. Seu Keke já está esfregando as mãos. Sem alongar muito, Massa largou na frente de Alonso, que anda pensando demais em uma certa russa. Mas também… quem nunca?

Luzes vermelhas apagadas! COMEÇOU A BAGAÇA!

Nos primeiros metros Massa abriu e deixou Hamilton e Webber para trás. Com ele veio Alonso, assumindo a terceira posição. O cavalinho de Maranello fez o que quis! O australiano ficou olhando a torcida e largou muito mal. 6 carros deixaram o canguru comendo poeira.

Raikkonen largou em 7º e passou meio mundo nas primeiras voltas. Foi se posicionar em quarto colocado. As duas Mercedes se estabilizaram em 5º e 6º. Sérgio Perez, largando entre os últimos, encarou sua missão de levar a agora sua McLaren um pouco mais a frente. Passar Marussia é fácil, amigo.

Bottas, da Williams, inicia o GP como o melhor dos novatos. Ah Williams…. Assim você mata o xará. E já que esse parágrafo é para chorar as pitangas: Mito Kobayashi, você faz falta!

E depois que todo mundo parou, na volta 18, um nome se mantém a frente: Sutil. Sutil? Pois é. O moço da Force Índia, que não tem foto na transmissão oficial da FOM, aguentou muito bem com pneus médios e ignorou os campeões mundiais atrás dele. Na volta 20 tinha mais de 1″ de vantagem. Que coisa pouco… sutil.

E temos um vencedor! Pastor Maldonado roda sozinho e atola na areia verde. Palmas pra ele! Só não inaugurou a temporada de abandonos porque Hulkenberg nem largou, com problemas na gasolina.

Em mais uma dança dos boxes, Massa perdeu posições para Alonso e Sutil. A Ferrari tinha que fazer uma escolha (quem andaria por menos tempo com pneus desgastados) e apontou o dedo para o bicampeão mundial. Alguma dúvida? Eu faria o mesmo. Massa, por outro lado, está bem na corrida e pode ganhar posições. Se conseguisse passar Sutil.

McLarens andaram boa parte da corrida fora da zona de pontuação. Vai ser um looooooongo ano.

Briga boa pela segunda colocação. Volta 31 e Alonso coladinho em Hamilton. O espanhol abriu e o inglês travou e fritou pneu, ovo, coxinha e pastel para segurar a posição. Sem sucesso. É questão de honra. Alonso passa e Hamilton vai para os boxes trocar o famoso pneu quadrado. Mas já deu um gostinho de batalha de gigantes.

Rosberg abandona, com problemas eletrônicos. Pode parar de esfregar as mãos, seu Keke.

Com 13 voltas para o fim a corrida foi se definindo em uma batalha final entre Alonso e Raikkonen. O espanhol, com três paradas nas horas certas, foi mágico como habitual. O finlandês se aproveitou do equilíbrio de sua Lotus-Renault para ter a liderança da corrida com apenas duas paradas. O espanhol vem babando e espumando pela vitória. Vai dar?

Raikkonen vem segurando 7.8″ de vantagem. O malandro é gelado mesmo. Só tem Fernando Alonso com sangue nos olhos atras dele e o cidadão na boa. Nem a ameaça constante de chuva parece abalar a segurança do finlandês.

Faltando 2 voltas para o final, Alonso foi tentar passar um retardatário e por pouco não protagonizou o primeiro pancadão da temporada. Mas ia acertar no meio da traseira do cidadão e jogar no ralo uma bela corrida.

Última volta. Raikkonen passeia pela circuito, vem levando o carro pra casa…

BANDEIRA QUADRICULADA! KIMI RAIKKONEN E SUA LOTUS-RENAULT VENCEM O GRANDE PRÊMIO DA AUSTRÁLIA, contra todas as expectativas. Fernando Alonso é segundo, Sebastian Vettel completa o pódio. Massa é quarto colocado.

Para quem esperava o jovem alemão ganhando a prova com folga, uma baita surpresa. No GP da Austrália, a estratégia dos boxes falou mais alto. Quem apostou nos pneus intermediários se deu bem. Sutil já deu à Force India seus minutos de exposição da marca, liderando a corrida por várias voltas.

Massa vai ter que remar muito para ganhar respeito na equipe, mesmo tendo um bom final de semana. As Mercedes são promissoras, mas precisam ser mais testadas. Rosberguinho que o diga.

Nota negativa para a McLaren e Williams. Carros muito ruins. Carroças com grife?

Entre os estreantes na categoria, vale mencionar o mexicano Gutierrez, da Sauber, em 13º (melhor classificado na corrida) e o finalndês Bottas, da Williams (único a avançar ao P2 no treino de classificação). Um boa sorte também a Bianchi e Chilton, da Marussia e Garde, da Caterham. Se não vão pontuar, que pelo menos não se matem.

Próxima corrida é na Malásia, no horário da chuva. É a F1 flertando com o azar.

Conclavão 2013: O Vaticano tá de Chico!

No segundo dia do Conclavão 2013 a fumaça preta subiu três vezes antes dos cardeais realizarem a inspeção veicular na chaminé da Capela Sistina. A fumaça branca (que tinha cara de ser proveniente de uma chuleta na brasa) indicava que o a disputa papal tinha se encerrado. Parecia gol do Vaticano!

Nada de pontos corridos. Pela rapidez da decisão o regulamento previa o mata-mata. A final prometia ser entre Dom Xuxa, vestindo a batina verde e amarela e, do outro lado, Dom Scola, vestindo a batina tricolor, com a aquela pitada clássica de manjericão. Mas, apesar de toda a expectativa, deu Vaticanazzo!

O novo Papa não é brasileiro, nem italiano e muito menos húngaro, como o amigo Henderson Bariani tinha previsto em seu blog e eu ratifiquei no meu programa na Rádio da Paz FM. O cardeal é Jorge Mário (que Mário?) Bergoglio, da ARGENTINA (!!!!), e escolheu a alcunha de Francisco. Pode ter vindo de Assis, de Xavier, de Paula, de Borja. Só temos uma certeza: que não vai gerar outro filme falando sobre a vida de seus filhos. Ainda bem.

O Papa Chico tem um perfil humilde. Anda de transporte coletivo como todo mundo, faz a própria refeição como todo e ainda, quando dá tempo, entra em conflito com a Família Kirchner. Como todo mundo, diga-se de passagem.

Agora resta esperar as explicações dos derrotados. Como um Conclave na mão pôde ser perdido dessa forma? Faltou treino? O esquema tático estava furado? Será que essa seleção de cardeais ainda aguenta mais um Conclavão?

O próximo Conclavão já está marcado: vai acontecer quando Francisco virar pomba e bater asas para a eternidade ou quando jogar tudo pro alto e se reunir a Joseph Ratzinger para uma partida de tranca.

Tranca com chave.

Papa MárioO Papa é Argentino. Vaticanazzo!

Conclavão 2013: Vale muito a sua torcida!

Bem amigos da Rede Ideia Fix! Falamos ao vivo e em definitivo para mais uma transmissão de um dos maiores eventos da humanidade, atrás, claro, das Olimpíadas, da Copa do Mundo e da macarronada da nonna aos domingos. O Conclavão 2013 chegou e com ele muitas emoções, disputas e rivalidades. Quem vai levar o Império construído em mais de 2012 anos de existência?

Tem brasileiro na disputa! Dom Odilo Scherer, o famoso Dom Xuxa, está entre os favoritos para levar o segundo anel mais cobiçado do mundo. O grande concorrente é Dom Angelo Scola, arcebispo de Milão. Esse cidadão, aliás, na época que ainda era “aspira”, foi reprovado na scola escola de padres e quase não pôde ser ordenado. Mas não se enganem! Não tem mais bobo na Cúria Romana.

Se ganhar dos italianos é bom, ganhar dos italianos, na casa deles, é muito mais gostoso. É bem verdade que os padres mais conhecidos do país não foram convocados para a eleição. Padre Marcelo Rossi, Padre Antônio Maria (que anda sumido, não é?) e Padre Fábio de Melo ficaram no Brasil. Não minha opinião, os cinco cardeais que já estão trancafiados no Vaticano são bem mais técnicos e vão dar conta do recado, representando a pátria de batinas com muita competência.

No primeiro dia foram encaminhadas as formalidades. Os 115 participantes, de todas as partes do mundo, entenderam as regras e juraram solenemente, em conjunto e depois individualmente, que não vão burlar o regulamento da Conmebol contando o candidato escolhido e nem vão desenhar o jogo da velha na cédula de votação. O Brasil poderia ter cedido as urnas eletrônicas, mas queimar o equipamento depois de cada votação com menos dos dois terços e um rosário necessário daria um trabalho danado e, convenhamos, a maioria dos votantes já está bem velhinha para conseguir carregar tudo.

Fontes internas, em Arial 11 e Times 12, como manda as normas da ABNT e da PQP, vazaram a notícia que Scola acertou um carrinho em Scherer, mas o Camerlengo mandou seguir a partida. Sorte dele que a torcida foi expulsa da Capela Sistina depois de pronunciado o extra omnes, senão ele ia ouvir muitos elogios carinhosos. Esse foi o lance mais importante da partida de hoje. Se esse fosse um blog maior, o lance seria patrocinado por uma marca de tinta, mas como não é…

Quando já era noite em Roma, na chaminé mais vigiada do mundo, fumaça preta foi avistada. Não… não era o monstro de Lost. Era só a constatação que, mesmo com dispositivos móveis, internet 4G, aparelhos de televisão em alta resolução e toda a sorte de equipamentos eletrônicos, uma das decisões mais aguardadas da década seja comunicada através de sinal de fumaça.

Imagina quando descobrirem os atabaques!

Anel-PescadorQuem leva o precioso meu precioso Anel do Pescador? 

Super Bowl XLVII: Os corvos voam alto ou 49 motivos para não desistir

Mais um Super Bowl! O jogo que pára um pais e boa parte do mundo colocou dois irmãos, lado a lado. Jim e John Harbaugh são os técnicos principais de, respectivamente, San Francisco 49ers, da Conferência Nacional e Baltimore Ravens, representando a Conferencia Americana. Era o Super Harbaugh Bowl! O palco era Nova Orleans, no mítico Superdome.

O primeiro tempo foi inteiro dos Ravens. Sem nenhum first down na primeira jogada (cometendo, inclusive, uma falta que barrou uma boa jogada de ataque), bola devolvida aos corvos, que não desperdiçaram. TD pelo meio, numa bela recepção aérea de Anquan Baldin.

O FG não aliviou muito a barra do 49ers, que continuaram inseguros no ataque e desatentos na defesa. Foi um custo para os vermelhos de San Francisco conseguirem um sack. Do outro lado, Joe Flacco mostrava tranqüilidade e precisão, de dar raiva nos adversários (e torcedores). Bolas aparentemente perdidas encontravam a mão dos receptores quase que milagrosamente. Pitta, sozinho na end zone, recebeu para o segundo TD da noite. 14 a 3.

O buraco estava tão grande que o lançamento de Kaepernick, que iria direto para um TD, encontrou os braços de Crabtree, do próprio 49ers, interceptando o passe. Que fase! E como se não bastasse, o QB dos Niners sofreu um interceptação. Bola torta e com força demais. Ridículo.

Na última pá de cal, faltando pouco pro fim do primeiro tempo, Flacco lançou uma bomba para Jacoby Jones. Lançou muito longe, mais de 55 jardas. A recepção foi milagrosa e, como ninguém encostou nele, cidadão levantou, fintou 2 e correu para mais um touchdown. Inacreditável 21 a 3. Lavada. Uma das jogadas da partida, com certeza.

Jacoby

Na ultima jogada do primeiro tempo, Kaerpenick não lançou para Crabtree e o FG convertido por Akers deixou o placar em 21 a 6.

Fim do primeiro tempo. Show do Ravens, defendendo com competência e vendo seu QB brilhar. Nos Niners, faltas, turnovers e nervos a flor da pele. O Harbowl vai sendo vencido pelo irmão mais velho.

Luciana Naomi, torcedora dos Niners, comentou: “Primeiro tempo em que o Ravens sambou na cara dos Niners. Foram ajudados pelos erros dos Niners“.

O massacre não parou. No retorno do kickoff, Jones correu 108 jardas para TD. Vou repetir, CENTO E OITO JARDAS. O campo tem 110. 28 a 6. Caixão fechado?

Ravens Jones runs for a touchdown against the 49ers during the NFL Super Bowl XLVII football game in New Orleans

E a agonia franciscana demoraria mais para acabar. Acabou a luz no Superdome. Jogo paralisado no começo do terceiro quarto. 36 minutos parados. Que vergonha, hein?

Kaepernick resolveu correr com a bola. 2 first downs com as pernas. Os lançamentos para Davis e Crabtree voltaram a ter força e este último quebrou 2 tackles antes de pisar na endzone. Touchdown e placar em 28 a 13.

Kickoff ridículo dos Ravens e o retorno direto para a red zone. Bola para Frank Gore e MAIS UM TOUCHDOWN. A luz voltou também para os 49ers? 28 a 20. Quem diria?

E na joga seguinte…. FUMBLE dos Ravens! Jogada recuperada. Lançamentos para endzone mal sucedidos. Akers no FG, sem sucesso! Mas tem falta nele! Mais 5 jardas e segunda tentativa. Lá dentro do Y. 28 a 23. E o Superdome assiste a passagem de mais um furacão, que dessa vez não traz mortes e sim nova vida aos Niners!

Depois do terremoto, excelente avanço dos Ravens. Bola na linha de uma jarda, mas a defesa do 49ers conseguiu segurar as 3 descidas. Tucker converte um FG fácil e certeiro. Placar em 31 a 23.

Avanço do 49ers, alternando corridas de Gore com lançamentos em media distancia. Kaepernick resolveu… resolver. O ligeirinho de SF acelerou e cruzou a linha bendita. Touchdown SF. Entretanto, falhou a tentativa de conversão para 2 pontos e assim, o placar fica em 31 a 29.

Jogada de ataque dos Ravens. Apesar das faltas do adversário, os corvos produziram apenas uma boa posição de campo para Tucker converter seu FG. 34 a 29.

Bola na mão de Kaepernick, faltando 4:19 para o fim da épica batalha. Excelente lançamento para Crabtree. Bom avanço. Jogada seguinte é na mão de Frank Gore, que correu como se não houvesse amanhã. Tackle Baltimore. E primeira para o gol na pausa do Two-Minute Warning.

NADA! Três bolas lançadas, três passes incompletos! O Baltimore Ravens está muito perto de vencer o SuperBowl 47! Ih rapaz… as zebras não viram a interferência!

Nada de avanço pros Ravens. Punt, não é? OU NÃO! Jogada genial do Ravens! Aceitaram o dois pontos contra (safety) e ganharam segundos preciosos. 4 segundos agora… Chute… corrida… escapa de um, dois tackles e mais nada!

BALTIMORE RAVENS CAMPEÃO DO SUPERBOWL XLVII!!! RAY LEWIS, O MELHOR LINEBACKER DA HISTÓRIA DÁ ADEUS AOS CAMPOS NO TOPO DO MUNDO! FLACCO PERFEITO NA PÓS TEMPORADA!

Que jogo amigos, que jogo! Mais uma vez a história foi escrita diante dos nossos olhos. Placar final: Baltimore Ravens 34 x 31 San Francisco 49ers. MVP do jogo? Joe Flacco, que agora figura entre os principais QBs em atividade. Só tem fera com ele…

E a minha segunda temporada acompanhando a NFL termina épica. Cada dia esse jogo me apaixona mais.

Flacco

Quem está com o anel do Eno?

Hoje é dia de falar de forró! Sempre busco assuntos diferentes para tratar aqui no blog e notei que nunca havia reservado linhas para falar de tão particular ritmo no cancioneiro popular brasileiro.

Tinha que ser épico. E será. Mas apesar dos grandes nomes como, Gonzaga, Genival Lacerda (que fixação por letras G, hein?) e Dominguinhos merecerem seu espaço, hoje eu quero falar da musa, da lenda, da figura carismática – tanto no pessoal quanto no profissional – de Cremilda Ferreira da Silva, a Rainha do Forró!

Nascida nas Alagoas, começou desde pequena no rádio e fez grande sucesso com shows em Sergipe. Mas se você acha que Clemilda não vale um tostão, saiba que ela era figurinha carimbada nos programas de mais alto grau de garbo e elegância da televisão brasileira, como o Clube do Bolinha e o Cassino de um tal de Abelardo Barbosa. Nesses programa ganhou seus dois discos de Ouro.

Vamos a três musicas de muito sucesso. Vejamos o que conseguimos extrair delas:

Talco no Salão

Talco no salão Talco no salão. Pro forró ficar cheiroso E ter mais animação O Zé comprou Duzentas latas de talco Pra jogar no meio da sala Na hora da suadeira De madrugada Quando o forró esquentou A moçada misturou Suor, talco e poeira. Talco no salão Talco no salão Pro forró ficar cheiroso E ter mais animação.

Nessa música claramente a cantora se refere ao grande arrasta pé nas imediações de sua morada. Como era de se esperar, o bailão estava animado e, claro, as glândulas sudoríparas exerciam sua função de manter a temperatura corporal em níveis humanos. Pena que, com ela, odores pouco agradáveis as nossas narinas também dão o ar da graça – com trocadilho.

Mas o Zé, que é um sujeito matuto, logo resolveu a pendência, adquirindo na venda do seu Arnaldo DUZENTAS latas de talco. É amigos… Não são duas latinhas mequetrefes, não. São DUZENTAS latas! É lata pra caramba! A ideia foi genial pois além de retirar a umidamente ar, fornece aquele cheirinho delicioso de bunda de nenê. Ou quase isso. Depende do estado da bunda do neném.

O coitado do Zé só não esperava que a faxineira tivesse faltado. Infelizmente o talco misturou-se com o suor e a poeira. Ainda bem que cerveja não faltou e, claro, ninguém ligou para o talco no salão.

O anel do Eno

Fui numa festa arretada seu moço/Comida, bebida, forró comendo/Derrepente a gritaria/Sumiu o anel do Eno;

Quem ficou com o anel do Eno/Quem esta com o anel do homem/Levanta logo o braço/Se agora o pau come;

Quem esta com o anel do Eno/Quem é este infeliz/Uma bicha atrevida/Bate na bunda e diz;

Eu estou com o anel do Eno/Pra que tanta confusão/Quem não esta com o anel do Eno/Por favor levante a mão.

Que situação desagradável, hein? Sujeito vai no forró e, na animação, perde o anel. Anel de casamento! O que a mulher do Eno vai dizer quando ele chegar em casa, sem o anel? Putz! Vai dar uma encrenca danada, só porque o Eno quis espairecer depois do happy hour da sexta feira.

Sério… Quero ver se tem algum macho que vai levantar a mão naquele salão e falar bem alto: ESTOU COM O ANEL DO ENO! Pode até pedir algo em troca, um resgate. Mas ficar com o anel do Eno não dá. Imagine se fosse o contrario? Imagine se o anel do Eno fosse, na verdade o seu, caro leitor. Você se sentira a vontade com o seu anel nas mão dos outros?

Bom… O que eu sei é que eu nao estou com anel do Eno. Espero que ele encontre. Boa sorte amigo.

A cantiga da doida

Kalú Honório é um cabra enganador
Namorou a Josefina e ate hoje não casou
A pobrezinha ficou desmiolada
Cantando pelas estradas
As letras do seu amor

Eu quero é KH
Eu quero é KH
Com KH eu vou me casar

Os muros da cidade estão cheios de KH
E no muro na casa dela o KH é fluorescente
Der repente ela assusta a vizinhança
Gritando desde criança que eu adoro é KH

Dizem que o amor é lindo, mas as vezes ele pode ser sua perdição. Esse tal de Kalú Honório, o famoso KH não vale o prato que come. Precisava fazer isso com a pobre Josefina?

A coitadinha espalhou o famoso KH pela cidade toda! A moça pirou de tal firma, que até pintou um KH FLUORESCENTE nos muros de casa. Imagine só um KH que brilha no escuro. Arte pura!

Cremilda vive há mais de 40 anos em Aracaju/SE e apresenta na TV Aperipê o programa “Forró no Asfalto”, revelando bandas locais. Com tanta vitalidade e energia, ninguém sequer desconfia que ela já sofreu dois derrames cerebrais. É mole?

SALVE CLEMILDA!

Saiba mais no Portal do Governo de Sergipe e, claro, na infalível Wikipedia

Consegui! Top 5 livros de 2012

2012, o ano que acaba de entrar na área de cobertura do Estatuto do Idoso (e, portanto, com direito a vaga preferencial, gratuidade no ônibus e empréstimo consignado ao INSS), foi PÍFIO no que se refere a leitura. Em quantidade, pelo menos, é coisa de chorar e se esconder embaixo da cama, não necessariamente nessa ordem. Mas necessariamente ao mesmo tempo.

Ao todo foram 7. Vou repetir… SETE. Mas eu peço que não parem por aqui. Superamos a marca necessária para construir um top 5. Não vou achar desculpas: é necessário tomar vergonha na cara e aprender com os erros.

Dessa forma, serei direto e reto:

5 – O Hobbit (J.R.R. Tolkien)

Nunca havia lido nada de Tolkien. Calma, não precisa segurar seu mouse tentando acertar esse pobre blogueiro. Eu apenas prefiro a realidade à fantasia, o que se nota pelas listas dos últimos anos. Como a primeira parte do filme baseado na obra se avizinhava, achei oportuno começar, principalmente porque dizem que este é de leitura mais fácil e é reconhecidamente mais infantil (tanto é que o Um Anel apenas deixa o usuário invisível, sem deturpar-lhe a mente).

Bom livro. Quem sabe eu não me animo para ler outros de tão aclamado autor?

4- Boni (José Bonifácio Oliveira Sobrinho)

A História se divide entre a minha versão, a sua versão e a verdadeira. José Bonifácio Oliveira Sobrinho, o Boni, conta a dele. Mesmo “revelando” um ou outro pecadinho, é evidente que talvez as coisas não tenham acontecido do jeito que ele conta. Não é uma biografia (como ele mesmo faz questão de ressaltar), mas um apanhado de histórias vividas (ou seja… uma biografia).

O livro se destaca, no entanto, por ser extremamente familiar. Nomes, locais, programas, emissoras de televisão, de rádios… tudo é muito próximo. Gente como a gente, que fala a nossa língua. Eu sou jovem e não vi muita coisa que ele conta, logo, acredito que os mais vividos terão uma sensação de proximidade ainda maior. Lembrarão onde estavam em cada um daqueles eventos, quando viram certa propaganda, os incêndios… uma viagem por mais de 50 anos na história do Brasil, na ótima da mídia de massa.

E é inegável que a história da comunicação do Brasil não passa apenas pelas mãos do seu Chatô. A conclusão é que TUDO TEM UM DEDO DO BONI.

3 – Mistério do Trem Azul (Agatha Christie)

Estava com saudades de ler alguma coisa da minha amiga Agatha. Sim… considero a velhinha, dona da mente mais cruelmente genial da historia da literatura, uma amiga querida. Muito do meu gosto por leitura veio dos clássicos livros dela.

Em mais um romance ambientado (se não em grande parte, mas nas cruciais) em um trem, Poirot prova não sua maestria em resolver crimes, mas seu tato com as damas. Uma aula de como cativar uma mulher, sem ter interesses sexuais envolvidos.

Mais uma vez descobri a pessoa responsável pelo assassinato, sem, contudo ter certeza de como, quando e porque.

2 – The Walking Dead (HQ de Robert Kirkman e Tony Moore)

A série sobre um mundo pós apocalíptico infestado por gente que está morta, mas estranhamente levanta, sai andando e deglutindo os outros está na lista por ser um estilo diferente de contar uma história: em quadrinhos. São 104 edições lidas em 2012, entretanto, para ser justo, contei tudo como um livro só. São mais fáceis de ler, são menores… não é justo contá-la individualmente.

E nessas 104 edições muita coisa aconteceu. É fantástico ver personagens crescendo, evoluindo, modificando gradativamente suas personalidades. Alguns fazem coisas que você julgaria impossível no início, mas a sequencia de acontecimentos os deixou aptos para tal.

A série tem viradas sensacionais e momentos de fazer cabeças rolarem ou explodirem. Literalmente. E fica a lição: o problema não são os mortos, afinal. Se preocupe com os vivos!

1 – No Teto do Mundo (Rodrigo Raineri e Diogo Schelp)

Uma boas história para contar. As vezes, tudo o que queremos de um livro é um bom  roteiro. O livro de Rodrigo Raineri faz um relato bastante pessoal de escaladas ao topo (mas para onde escalar, se não visando o cume, hein?) da montanha mais alta do planeta: Everest.

Perrengue é pouco. Subir a montanha é MUITO difícil, principalmente nas condições que os alpinistas definiram. Entretanto, é para isso que servem os desafios: para serem superados. Chegar ao topo é um detalhe. A subida é o que interessa. Isso não te lembra alguma coisa? Sei lá… a vida, talvez.

Após ler No Teto do Mundo, fiquei com vontade de visitar A Montanha. Não é necessário chegar ao cume. Nem mesmo nos acampamentos intermediários. Basta estar lá e contemplar tudo aquilo. Você vai entender.

Até porque… nunca se esqueça da volta.

2013 está aí e a meta traçada é um livro por mês. Quero chegar em 1º de janeiro de 2014 dizendo que li 12 livros. Já está bom. É preciso retomar aos poucos.

Um 2012 como nunca tivemos

Quando os Maias formataram o calendário no computador, decidiram que 2012 seria o último ano da existência terrestre. Já tinha dado muito trabalho pensar em tantos acontecimentos, tantas pessoas, tantos lugares… os bons nomes estavam rareando. Como encontrar alcunhas tão agradáveis como Sodoma e Gomorra, ou ainda criar ídolos aos moldes de Churchill, Irmãos Lumière e o Dr. Robert Rey?

Entretanto, os Maias reservaram o melhor para o final. Sim… o grand finale do mundo deveria ser surpreendente. Inesquecível. Coisa para contar aos netos. Se bem que.. ah, deixa pra lá.

Os sinais estavam claros. A literatura nos ensina que um comandante nunca abandona seu navio. Eh, bien… Ecoou, no Costa Concórdia, o brado retumbante e absolutamente sincero: Vada A Bordo, Cazzo!

Como pouca gente percebeu, os sinais se tornaram claros e límpidos… libertadores. O Corinthians realizou o que muitos, inclusive membros da própria torcida, julgavam impossível: matou uma piada. Levantou uma taça furreca (ou devo dizer fuleca?) e fez a noite de São Paulo parecer revellion. Ali a associação, óbvia, tomou força. Mas ainda faltavam algumas coisas.

O mundo ainda estaria nos eixos enquanto o pião girasse. E o nosso pião giratório, que não era o da casa própria, estava personificado em algumas celebridades que pareciam imortais.

Em setembro, Hebe Camargo foi sentar no sofá do Céu. Sinônimo de vitalidade, mesmo com mais de oito décadas de vida. Em dezembro, Oscar Niemeyer. O arquiteto que suavizou o concreto, morreu aos 104 anos, mas também… fumava! Queria o quê?

Não parece ser possível escapar de nosso destino. A season finale do mundo continua animada. A série, chamada “Planeta Terra: uma história de involução”, parece não ter sido renovada pelos produtores executivos. A coisa tá tão feia, que tem até político sendo julgado… E CONDENADO! No Brasil. NO BRASIL!!!

Acho que, para fechar o caixão e beijar a viúva, só falta o keynote da Apple anunciando a nova versão. Que, claro, só chegará ao Brasil meses mais tarde e custando o dobro do preço.

Eça-de-Queiros-retrato

Eça foi muito boa!

F1 2012: GP do Texas, EUA

O forasteiro Hamilton laça a taça no Texas e joga decisão do campeonato para o Brasil. Vettel tem boa vantagem, mas Alonso e seu cavalho empinado ainda estão no páreo. Excelente estréia do circuito de Austin!

O clima texano dos cowboys era perfeito para o embate final entre Vettel e Alonso. Sim, eu sei que ainda tem a corrida do Brasil, mas com o alemão saindo na pole, com o Canguru Boy na escolta e o espanhol lá para trás, a expectativa era, claro, de fim da festa. Expectativa mesmo era o Vettel ganhar essa corrida até de ré, mas tudo bem. Expectativas…

A largada de Vettel foi clássica: na dianteira e para a dianteira. Webber que saiu em terceiro, no lado bom da pista, passou Hamilton. Não por muito tempo, mas chegou a passar.

Nos lados do cavalinho empinado, horas antes da corrida, encontraram um “problema” na caixa de cambio do Massa, sabe, na rebimboca da parafuseta e, olha só, curiosamente, o lacre foi violado e Alonso ganhou posição para largar no lado mais limpo também. Deu certo, porque saltou para quarto colocado. A favor da Ferrari, diga-se, foram honestos ao afirmar que a ideia era maximizar a largada de Fernando Alonso. Ok. Espero que tenham pensado no campeonato por equipes também.

Senna largou bem e faz boas ultrapassagens em Grosjean (Romã Grojã, na perfeita dicção do narrador) e Schummacher colando em Perez, nas primeiras 10 voltas. Um carro melhorzinho na próxima temporada e a zona dos pontos vai se tornar rotina.  Schummacher, aliás, resolveu que nãoo ia ceder a posição para Button, fechou a porta e obrigou o inglês a trafegar na linha da saída dos boxes, quase indo pra grama. Cuidado aí vovô!

Volta 16 e imagem inédita: Vettel na ponta sendo pressionando por Hamilton. Diferença flutuando na casa do 1s.  Enquanto o inglês volta e meia colocava o bico do carro às vistas do retrovisor da Red Bull, algumas dezenas de metros atrás Webber abandonava, vítima de problemas mecânicos com o KERS. O tal do alternador. Eu acho que foi culpa do olhar maligno do Alonso, mas é só uma teoria.

A pressão de Lewis durou apenas até a entrada nos boxes. O que não faz um desgastes nos pneus, hein?

Na parada do Alonso, o mecânico cochilou, esqueceu de tirar o pneu traseiro (?!?!?!) e complicou o espanhol. Fogo amigo! Falando em fogo, Kimi também teve problemas com seu mecânico da roda traseira e, na volta, quase atravessou pelo meio a Ferrari de Alonso, na curva pós boxe. Quase.

E olha as rodas da McLaren do Button dando uma bitola nas rodas da Williams do Senna! O inglês acertou um sempre muito polido e educado sai pra lá e partiu pra cima de Alonso. E passou. Esse é o lord eu conheço!

Quando os novos pneus esquentaram, Hamilton recomeçou a caça ao líder. Quase meio segundo por volta, escapando dos retardatários. Volta mais rápida atrás de volta mais rápida. Alonso é todo Hamilton nesse instante!

Enquanto isso, Raikkonen fazendo a tomada de curva numa boa e, do nada, surge um carro vermelho do lado. Se não fosse o homens de gelo guiando, arriscaria dizer que o piloto tinha tomado um baita susto. Massa passou bem, limpo.

E passou! Depois de flertar com a ultrapassagem durante MUITAS voltas, Hamilton passou usando assa, posicionou o carro e defendeu bem na freada. Certinho! Por debaixo do capacete, Alonso sorri e vê a diferença diminuir. Hola Brasil.

O que foi que tomou o Button? Mitopassol? O inglês dividiu milimetricamente a curva com Raikkonen. Dois campeões mundiais dividindo curva, sem chance de título? Coisa linda!

VEM GAROTO! VEM LEWIS HAMILTON, TRAZ A MCLAREN PRA CASA EVENCE O GP DOS ESTADOS UNIDOS!

Vettel cruza em segundo, Alonso em terceiro, Massa em quarto. Tudo vai se decidir em São Paulo, contra as expectativas!

Próxima corrida é no Patropi. Sebastian Vettel lidera com 273 pts contra 260 de Fernando Alonso. Não basta o príncipe das Astúrias chegar na frente. Precisa tirar 14 pontos de vantagem.

Falo logo! Torço pelo Alonso. Vai ser a prova definitiva da supremacia de um piloto sobre seu carro. Soube tirar da carroça vermelha muito mais do que ela daria a princípio.

Uma pena um campeonato tão bom ter que terminar.

Se bem que 2013 ta aí…

Taça no laço! Bang!

Forward Obama, Forward

Eu vou, eu vou, pra casa (Branca) agora eu vou…

A caixinha de correio da Casa Branca vai continuar estampando o nome dos Obama pelos próximos 4 anos. O democrata foi reeleito com 303 delegados no colégio eleitoral, enquanto seu adversário, o republicano Mitt Romney, conquistou modestos 206.

A campanha foi bastante acirrada. A grave crise econômica e sua retomada foram argumentos tanto de um lado quanto de outro. As projeções durante os meses de debates e comícios não arriscavam um vencedor. A igualdade manteve-se nos três debates realizados. Terminaram com o placar de 1 x 1 x 1. Romney venceu esmagadoramente o primeiro. Obama retomou com classe e venceu o segundo. No terceiro, claro empate.

Romney foi um adversário competente, tanto por ele mesmo quanto pelas circunstâncias. Partiu para o ataque com sede ao pote. Cometeu algumas gafes, é verdade: apontou a Rússia (?) como grande adversária e não deu lá muita importância para fontes alternativas de energia, prometendo, inclusive, investir nos combustíveis fósseis, na contra-mão do resto do mundo. Entretanto, obteve um desempenho nas urnas melhor do que John McCain, em 2008.

Obama, por outro lado, continuou abusando da oratória mais do que conhecida e reverenciada, entretanto, contou com um aliado importantíssimo: Bill Clinton encantou as plateias com ataques ácidos às propostas e ao candidato republicano e, muitas vezes foi considerado a estrela da noite. O senso de humor do ex-presidente continua intacto.

Pesquisas realizadas ao redor do mundo eram claramente favoráveis a Barack Obama. Todo mundo gosta dele. Todavia, aonde mais interessa, ou seja, dentro dos EUA, a coisa foi é bem dividida. No voto popular, foi 50% x 48%, pouco menos de 3 milhões de votos de diferença. O novo-velho presidente vai ter que unir o país e continuar a retomada de sua economia, o estímulo a criação de postos de trabalho e olhar com mais carinho para saúde (lembre-se que lá não tem SUS. E sim, isso é um problema, por mais incrível que pareça).

Esse último ponto, aliás, ficou bem claro durante a campanha. Enquanto Obama pregava a manutenção do Medicare (um plano de saúde para idosos, por assim dizer) e um Medicaid (o mesmo, mas para famílias de baixa renda), Romney apontava que o jocoso “ObamaCare” causaria um rombo financeiro, o que de fato tem preocupado especialistas financeiros. Do UOL: “Segundo Don Berwick, ex-administrador dos centros de serviços do programa, o desafio pela frente é muito mais complicado do que simplesmente mudar a estrutura de financiamento do Medicare. Segundo ele, o sistema de saúde inteiro precisa de mudanças”.

Para cumprir o que o próprio slogan da campanha reafirmava – Forward – o tio Barack vai ter que lidar com a maioria Republicana na Câmara dos Deputados contra uma maioria apertada de Democratas no Senado (fora os 30 governadores Republicanos x 17 Democratas).

A dobradinha Obama-Biden tem mais quatro anos. Com o mundo inteiro de olho e a vigilância em casa bastante pesada, não serão dias tranquilos. Principalmente porque agora não será possível gastar a carta na manga que foi a captura de Osama bin Laden. Vão ter que achar outro trunfo.

Não há nada melhor do que terminar com as palavras do próprio reeleito, em mensagem aos apoiadores antes do discurso em Chicago. Tradução minha, portanto, peço desculpas adiantadas:

“(…) Eu quero que vocês saibam que este não era o destino, e não foi um acidente. Vocês fizeram isso acontecer. (…) Hoje é a mais clara prova, que contra todas as probabilidades, os americanos comuns podem superar os interesses dos poderosos. Há muito mais trabalho a fazer, mas, por hora, obrigado”.