Couro de boi

Dias desses resolvi, na aleatoriedade, ouvir alguma rádio (não pergunte o porquê. Apenas aceite o fato e siga em frente). A estação sorteada foi a Terra FM, especializada em música sertaneja. Percebi que o programador daquela hora (tarde da noite) se esforçava para mesclar o chamado Sertanejo Universitário com as antigas modas de viola (o que é muito justo, diga-se de passagem). Numa dessas, eu ouvi uma das musicas mais tristes que já passaram pelos meus fones de ouvido.

Em itálico, a letra da música. Entre parênteses, alguns comentários meus.

Couro de boi (Sérgio Reis)

Sentindo o peso dos anos sem poder mais trabalhar
O velho, peão estradeiro, com seu filho foi morar

(Justo… os aposentados do país merecem um descanso após contribuir tantos anos para o progresso do Brasil. O filho, provavelmente com mais posses, deve ter cedido um quartinho ao pai, provavelmente viúvo).

O rapaz era casado e a mulher deu de implicar
“Você manda o velho embora, se não quiser que eu vá”

(Depois reclamam da sogra! Olha que megera essa nora! Mandou na lata um “ou ele ou eu”. Mas o que é que o velho (não) fazia? Flatulência brava? Não lavava louça? O que ela queria, afinal. Bom… espero que o filho dê um jeito nessa situação estranha).

E o rapaz, de coração duro, com seu velho foi falar

(Alá… agora… ele vai falar pro velho ficar e dar um pé na bunda da esposa)

Para o senhor se mudar, meu pai eu vim lhe pedir
Hoje aqui da minha casa, o senhor tem que sair

(O QUÊ?? Ah não… mas será o Benedito? O rapaz escolheu ficar com a esposa. Espera aí… ele disse HOJE? Assim, sem mais nem menos? Mandou ralar peito, picar a mula, passar sebo nas canelas, se pirulitar e outras expressões estranhas para um simples “ir embora”? Ele deve, pelo menos, colocar as roupas do velho em uma mala e levá-lo até a rodoviária, né? Decência e dignidade JÁ!).

Leve este couro de boi que eu acabei de curtir
Pra lhe servir de coberta aonde o senhor dormir

(Que filho da p***!!!! Não bastasse enxotar o velho, ainda o faz sem recurso algum! Esse couro de boi curtido é só de sacanagem, só pela galhofa. Que baita sacanagem! Estou indignado).

O pobre velho, calado, pegou o couro e saiu
Seu neto de oito anos que aquela cena assistiu
Correu atrás do avô, seu paletó sacudiu

(Coitado do velho… mandou, ele foi. Sozinho, pé na estrada de terra. Ainda bem que o neto correu atrás, para dar algumas palavras de incentivo, um abraço ou mesmo pedir para o velho ser forte e lutar! É o mínimo para se fazer numa situação horrível dessas).

Metade daquele couro, chorando ele pediu.

(Vai tomar Nokum! Só tem sacana nessa família? O coitado de velho saiu com uma mão na frente e outra atrás, com uma porcaria de um couro curtido, aí o moleque vai e pede METADE? Ele espera que o velho cubra só o peito ou só o pé? Vai encher o saco da vizinha e deixa o teu avô em paz, rapaz).

O velhinho, comovido, pra não ver o neto chorando
Partiu o couro no meio e pro netinho foi dando

(É né… o velho tem coração de manteiga. Não teria coragem de negar esse último presente. Além de trabalhador, paciente, resignado, o vovô tem bom coração. Esse vai pro céu).

O menino chegou em casa, seu pai foi lhe perguntando
Pra que você quer este couro que seu avô ia levando

(Só me falta o pai mandar o moleque buscar a outra metade. Como só tem traíra, eu não duvido de nada).

Disse o menino ao pai: Um dia vou me casar
O senhor vai ficar velho e comigo vai morar
Pode ser que aconteça de nós não se combinar
Essa metade do couro vou dar pro senhor levar

(Maaaaa oeeeeeeee! Olha o plot twist aí! Toma na cabeça! Chupa, que essa manga é doce!)

A TV pode salvar o nosso futebol

Não vou falar, aqui, sobre os desmandos na segurança do jogo entre Atlético Paranaense X Vasco da Gama. Mais uma vez, mostramos o quanto somos despreparados nesse sentido.

Quero falar sobre a situação da Rede Globo:

Ela decide transmitir a partida em rede nacional, nas antenas parabólicas, e aí acontece a barbárie que aconteceu. Se eu fosse diretor da Globo, que é quem paga o futebol brasileiro, faria o seguinte: diante de todo prejuízo tomado pela emissora, ao deixar de passar o Faustão e perder alguns milhões em merchandising pelo atraso forçado na programação, ligaria para o seu Marin na CBF.

Por que a omissão dessas “autoridades”, além de toda surrada questão da violência em nossos estádios, mexeu com as finanças da parceria da Confederação. Agora, a Globo tem uma situação de ouro nas mãos: ela, com todo seu poder, pode  mostrar o balancete e pressionar por melhores condições de segurança para o torcedor de futebol no PAÍS DA COPA DO MUNDO!

E AGORA? Esse é o momento de exigir mudanças. O Bom Senso FC está ai para mostrar isso. Chegou-se ao limite da omissão e se continuarmos assim, cegos, mais vidas irão se perder nas mãos de babacas sem cérebro e o produto futebol perderá seu valor, ainda mais.  A bola está com a “Vênus Platinada”.

Eu votei Sarney! E você deveria ter votado também..

Quando a vida te dá um limão, você faz uma limonada (ou qualquer outra receita da maravilhosa Cozinha da Ofélia). Mas e quando a vida te dá uma arroba no Twitter, uma alcunha na rede social de mensagens curtas, com um nome famoso em outro país?

Ontem, 18 de novembro, o personagem Félix, da novela Amor à Vida, confessou ter jogado a filha de sua irmã em uma caçamba de lixo, minutos após o nascimento do bebê. A atuação do ator Mateus Solano foi bastante elogiada nas redes sociais (e isso significa algo, uma vez que o padrão é, normalmente, a crítica. A qualquer coisa).

Quem não entendeu absolutamente nada foi o @felix. Morador de New York, é co-fundador de um site de “Hack Food”, que, se bem entendi, se propõe a criar um aplicativo (ou algo do gênero) para facilitar uma prática muito bizarra: deliberadamente, pedir a troca de ingredientes em fast foods para que eles se transformem em “outro prato”, custando bem menos. Literalmente hackear a comida. Esse texto Financial Post explica um pouco melhor o que diacho é isso.

No fim das contas, sabe o que isso significa? Isso, absolutamente nada. Ele não tem o podrão da esquina que tanto você gosta e que dia após dia entope suas artérias.

Ontem, após a cena com a carga dramática elevada, ATÉ ELE parece ter ficado curioso:

felix

Até o final da novela é bem possível que ele sofra um pouco mais. Ou comece a acompanhar a novela do Walcyr Carrasco, vai saber.

Mas e quando a arroba sorteada não é exatamente… popular? A @sarney que o diga!

not sarney

Moradora do Colorado, sua breve descrição no Twitter é: “Product management at Kapost ….and loose cannon! Eu não sou José Sarney! (I am not José Sarney, a lawyer, or a Brazilian lawyer). I know it’s confusing“. E sim, ele é realmente advogado, segundo o site do Planalto!

Sempre que alguma acusação contra Sarney (o nosso, não a deles) volta para os holofotes da mídia (o que provavelmente acontece de tempos em tempos), a linha temporal da moça é invadida por comentários, nem todos simpáticos. Imagina ser xingado, em outra língua, por causa de alguém que você não conhece, nem faz ideia de quem é?

Entretanto, aqueles limões no começo do texto viraram uma limonada. Sarah aproveitou sua influência (?) entre os amigos brasileiros para pedir votos. O mundo é ou não uma caixinha de surpresas?

vote sarney

O pedido, em português, foi para um projeto online do marido da moça, sobre uma plataforma de compra de aplicativos para celular. Os votos eram computados por uma espécie de “incubadoras de idéias”. Para ter a chance de ser escolhido por um painel de juízes (e ganhar uma boa grana para seu desenvolvimento), o projeto precisava ter, ao menos, 250 votos.

Pedido feito, pedido aceito, afinal, somos brasileiros e não medimos esforços para ajudar aqueles que precisam! O projeto obteve 290 votos (!) e está na briga para, em 2014, ser o agraciado pela bufunfa.

Apesar dos contratempos, a moça parece que tomou afeição pelas terras tupiniquins. Ainda no Twitter, postou uma foto do próprio filho segurando uma bola verde e amarela, na qual estava escrito Brasil. E com “S”, o que é mais surpreendente…

Sendo assim, não sinta vergonha! O Brasil ajudou Sarney em mais uma eleição. 

E você deve se orgulhar disso…

Libertem as biografias!

Sou um fã incondicional de biografias. Grande parte da minha refeição literária se dá através desse gênero, ainda que os artistas retratados não necessariamente sejam meus ídolos. Aprendi muito sobre música lendo sobre Tim Maia e Elis Regina. Sobre televisão e humor com Bussunda. Sobre cinema (e transtornos psicológicos) com Hithcock.

Hoje as biografias estão no centro de uma ampla discussão. Mais do que elas, está em debate a liberdade de biógrafo e biografado, um de publicar seu estudo histórico e o outro de proteger sua privacidade.

nelson motta

Nelson Motta, autor de “Vale Tudo (Tim Maia)

O Procure Saber é uma associação de artistas que levantou, a princípio, uma válida e importante questão sobre direitos autorais e a fiscalização do ECAD. Na pauta há, também, as biografias não autorizadas, que, em tese, fariam biógrafo e editora lucrarem utilizando a fama do artista (inclusive com direitos para o cinema), invadindo sua privacidade e a de seus familiares e amigos.

Pena que a segunda parte seja uma enorme e completa BOBAGEM.

Os biógrafos brasileiros, ao menos os mais importantes, como Paulo César de Araújo (censurado por Roberto Carlos), Regina Echeverria (autora das biografia de Gonzagão/Gonzaguinha e Elis Regina), Nelson Motta (Tim Maia) e Ruy Castro (Carmem Miranda, Garrincha e Nelson Gonçalves) realizam um incansável trabalho de RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA.

Jornais e revistas da época são vasculhados, bem como centenas de pessoas entrevistadas. Incontáveis também são as entrevistas já realizadas que são vistas e revistas. Locais importantes são visitados. Não é um trabalho de uma semana, um mês. É um trabalho que leva anos. A vida de uma pessoa pública já está, em grande parte, escrita. Decodificá-la e traduzi-la para o grande público é o segundo desafio. E talvez o grande medo dos biografados.

regina echeverria

Regina Echeverria, autora de “Furacão Elis”, “Gonzaguinha e Gonzagão” e Cazuza

Montar esse quebra-cabeças, com peças espalhadas ao longo de décadas, é imensamente diferente do que “noticiar” que Beltrano atravessou a rua com o cadarço desamarrado ou deixou molho de tomate cair em restaurante no Leblon. Privacidade por privacidade, o dia a dia é bem mais cruel.

As inverdades e calúnias tão temidas acontecem todos os dias em portais e colunas em jornais. Dificilmente várias pessoas confirmarão a passagem “mentirosa”. O próprio autor tem senso crítico suficiente para avisar, durante o trecho, que tal afirmação não tem a mesma base sólida que as demais. Ou mesmo nem é inserida.

Na questão da grana, os artistas tem se mostrado mesquinhos. Ou, pelo menos, sem visão de futuro. Uma boa biografia revive bons momentos e coloca sob a luz dos holofotes antigos sucessos que podem estar adormecidos. É inevitável ouvir mais musicas de determinado artista após ler sobre sua vida.

Os autores, por sua vez, tem que ser remunerados pelo seu trabalho, assim como as editoras que empregam conhecimento técnico e know-how literário nas obras. Simples assim.

Já os biografados tem que seguir sua vida, sem esperar nada em troca. Podem (e deveriam) participar do processo de elaboração do livro, rebatendo, NA OBRA, trechos que por ventura não concordem ou tenham uma visão diferente. Fulano falou que faltei a um show no Circo Voador porque bebi demais? Bem, não é bem assim… e pimba! Tenho absoluta certeza que os autores citados adorariam ter esse respaldo.

Cabe ressaltar, aqui, que as auto-biografias são tão importantes quanto as escritas por terceiros. Há passagens e memórias que só o próprio astro pode descrever o que viu, pensou, sentiu. Os livros escritos por André Agassi e Erasmo Carlos são dois bons exemplos disso.

A verdade é que cada biografia escrita ajuda a construir um pedaço da cultura e da história do Brasil. Quem dera mais corajosos ousem escrever sobre políticos, cantores, atores, esportistas. Grandes histórias seriam reveladas e períodos obscuros seriam melhor entendidos.

Wilson Simonal que o diga. Ninguém sabe o duro que ele deu. Além, claro, do biógrafo e seus leitores.

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Ruy Castro, autor de O Anjo Pornográfico (Nelson Rodrigues), Estrela Solitária (Garricha) e Carmen (Carmen Miranda).

Aproveite e leia os textos desse blog sobre as biografias de Roberto Carlos, Gonzaguinha e Gonzagão, Marighella, André Agassi e Boni

ENEM 2013: você está ELIMINADO!

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O que falar sobre essa anta?

Os dias de prova do ENEM são uma excelente oportunidade de analisar a quantas anda o futuro do Brasil. A massa de candidatos é formada por jovens (ainda no Ensino Médio ou já fora dele) que sonham com uma vaga confortável nas melhores (ou nem tanto assim) universidades do país.

A análise é menos teórica do que prática. O número de questões certas ou erradas é praticamente irrelevante quando a análise se dá no simples ato de cumprir as regras. E eu nem falo da minoria que postou fotos em redes sociais. Essa, mesmo sem querer passar ou receber informações de fora, garoteou de forma imperdoável, querendo aparecer ou sei lá o que… Sabe que não pode, mas vai lá e faz.

Pior mesmo é o número de candidatos que certamente apareceu sem o mínimo exigido para fazer a prova: RG e caneta preta. Parece algo banal, mas faz muita diferença.

Ah, mas eu só trouxe azul, não pode?“. Não, cara. A regra é caneta preta. “Mas por que não pode azul, é a mesma coisa!“. Não interessa porque não não pode azul. A regra fala em caneta PRETA, logo, caneta preta é o que você deveria trazer. “Ah, mas eu não trouxe caneta preta, o que eu faço agora?” Se vira e pede emprestado para alguém, oras!

Tenho absoluta certeza que vários e vários candidatos passaram pelo diálogo acima. Seja por um detalhe técnico (a tinta preta é melhor lida pelo equipamento que fará a correção eletrônica) ou burocrático mesmo, não é difícil ler em DEZ MIL, QUINHENTOS E OITENTA E NOVE lugares que a prova deveria ser feita com tinta preta (e fabricada em material transparente).

A questão do RG (ou documento oficial com foto) é ainda pior. Como é que as pessoas saem de casa sem um documento de identificação? E outra… ninguém faz a prova do ENEM (ou qualquer outro concurso público) de surpresa. Indivíduo, em tese, sai de casa SÓ para isso. E vai sem documento!

E o que falar do cidadão eliminado porque saiu antes do tempo mínimo previsto? “Estava muito fácil“, disse ao repórter, enquanto posava, sorridente, com o relógio indicando 14h15. Eu realmente gostaria de saber quantas esse cara acertou.

Por fim, a clássica sequência de fotos e vídeos de pessoas chorando porque atrasaram 1 minutinho. Olha… dado que os portões abrem as 12 horas (de Brasília) e fecham as 13h, o atraso, na verdade, foi de 61 minutos, não?

Imprevistos certamente acontecem, mas como explicar por que cerca de 30% (em torno de 2 milhões de candidatos) não apareceram? Quantos ficaram doentes? Quantos realmente não puderam ir? Quantos saíram cedo de suas casas e culparam o trânsito? O índice de abstenção pode estar caindo ano a ano, mas o número bruto ainda é bastante grande, considerando que é uma prova que pode te levar ao seleto grupo dos matriculados em um curso superior.

Será que eu perco muito se apostar que a maioria não compareceu porque a) esqueceu b) ficou com preguiça c) foi mal no primeiro dia e desistiu do segundo?

A lojinha do Obama fechou. Volte mais tarde.

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A oposição a um governo é uma coisa séria. Sem ela, ninguém contesta os atos do governo, nem o avalia de uma forma (mais) crítica. Será que decisão X é tão boa assim? Por que não pode ser feito de outra forma? E assim adiante. No entanto, a oposição nos Estados Unidos vai até o limite. Ou passa dele, depende de qual partido você faz parte.

Em novembro do ano passado, quando Obama foi reeleito para ocupar o trono a cadeira maior na Casa Branca, eu escrevi isso:

“A dobradinha Obama-Biden tem mais quatro anos. Com o mundo inteiro de olho e a vigilância em casa bastante pesada, não serão dias tranquilos. Principalmente porque agora não será possível gastar a carta na manga que foi a captura de Osama bin Laden. Vão ter que achar outro trunfo.”

Bem, odeio estar certo (mentira, essa é a melhor parte), mas o tal trunfo necessário não veio. O Obamacare (simplificando, um SUS, que em teoria funciona bem) ainda é alvo de disputa entre os Congressistas, uns pela aprovação e outros pela não inclusão. Mas não foi uma disputa comum, como vemos no Brasil. Afetou o orçamento federal, como não acontecia há 17 anos, na administração Clinton (mesmo partido de Obama, curiosamente).

Assim como cá, o orçamento do país tem que ser aprovado antes do ano fiscal terminar. Lá, termina em 30 de setembro e… oh wait. Dealine. Até a meia noite, nada havia sido decidido e, portanto, TODAS as repartições federais não essenciais não poderiam gerar novos gastos a partir de outubro, afinal… eles não estão previstos. Por volta de 800.000 funcionários públicos em férias não remuneradas até segunda ordem.

E o que isso significa, na prática? Sabe a Estátua Liberdade, com seu braço erguido, iluminando Nova York? Então… not today. Fechada. NASA? Fechada. Apenas o centro de controle funciona, já que temos algumas pessoas na Estação Espacial Internacional que não podem ficar desamparadas. Parques federais e museus também estão entre os locais que “baixaram as portas”.

O Governo Democrata se defende, dizendo que a proposta de orçamento está lá há meses. Os Republicanos dizem que o aprovam, DESDE QUE a implantação do Obamacare seja adiada em pelo menos um ano e que o imposto federal para financiar a cobertura de pessoas sem planos de saúde não seja criado.

No Twitter, a equipe Obama escreveu: “They actually did it. A group of Republicans in the House just forced a government shutdown over Obamacare instead of passing a real budget.“. E completou: “Despite the shutdown, the new health insurance marketplace opens for business as planned on October 1″.

O fechamento das repartições federais não tem data definida para acabar. Dura até que o Congresso entre em acordo e aprove o orçamento, com ou sem Obamacare e novo imposto. Sim, eu previ os tempos difíceis lá em cima (que podem se repetir anualmente). Pressão política, econômica, social. Não tá fácil pra ninguém.

Até lá, se você vai viajar para a terra do Tio Obama, fique atento: você pode esbarrar com Tio Sam perdido pelas ruas, sem emprego.

1984 às avessas: sobre a segunda tela e a vitória sobre a inércia

A noite de quinta feira, 13 de junho de 2013, não pode ser esquecida em uma ou duas semanas. Os protestos nas ruas do Rio de Janeiro e principalmente em São Paulo assustaram aqueles que assistiram tudo pela televisão. Bombas de efeito moral, balas de borrachas, faísca e fumaça foram apenas uma parte, a visível, do realmente aconteceu.

A primeira grande constatação que encontro: a sociedade saiu às ruas. Reuniu-se, de maneira organizada, para protestar contra aquilo que não considera justo. Não interessa se são 20 centavos. Não é esse o foco mais amplo. Há interesses partidários? Com certeza. Arruaceiros, baderneiros? Também… Mas nada disso diminui o fato de que, finalmente, a inércia foi vencida.

O El Pais, da Espanha, escreve: “Quizás Brasil, a partir de ahora tendrá que acostumbrarse a esas manifestaciones callejeras tan conocidas ya en otros países“. Houve uma acomodação preguiçosa após a queda do Collor? A zona de conforto está tão confortável assim? O brasileiro não sabe mais protestar com seriedade?

Sabe… Sabe sim.

O que me leva ao segundo ponto: depois de tudo o que vi e li, sentado na minha confortável posição no interior do estado, tudo o que aconteceu hoje supera, e muito, o que a televisão mostrou. As redes sociais são exatamente o oposto da engenhoca chamada de teletela (telescreen, no original), do livro 1984, de George Orwell: enquanto lá o governo da Oceania mostrava o que queria, quando queria e como queria, o Twitter, Facebook e Youtube (para ser mais especifico), serviram de plataforma, de porto seguro.

Cá, a visão de quem estava no confronto teve espaço. Relatos de gente agredida em bares, estacionamentos, pontos de ônibus, teoricamente não envolvidas com a manifestação, mas no lugar errado, na hora errada (será?). Outros que a depredação partiu do lado fardado. A reportagem fotográfica, por sua vez, produziu imagens de conteúdo jornalístico mais do que relevante e, porque não, artisticamente belas. A beleza no caos.

Manifestação

Das imagens estáticas para o vídeos: policial estilhaçando vidro da própria viatura, balas de borrachas e bombas de efeito moral (vencidas?) na direção de jornalistas no exercício da profissão. O que a televisão não pôde ou não quis mostrar, a rede mundial de computadores, celulares e idéias fez questão de não esconder.

Por fim, é chover no molhado, ainda que necessário, falar que os excessos ocorreram dos dois lados. A fala do Prefeito Fernando Haddad me parece bastante bastante lúcida: “Na terça feira, eu penso que a imagem que ficou foi a da violência dos manifestantes e, infelizmente, hoje não resta dúvida de que a imagem que ficou foi a da violência policial“. Felizmente ninguém perdeu a vida. E uma nova manifestação parece estar sendo organizada.

Novos tempos. Bem vindos, finalmente!

Fazendo a notícia: Bombas em Boston

Chegar em casa após um cansativo dia de trabalho e relaxar na poltrona pensando no dever cumprido é o sonho de todo trabalhador. Não é diferente com os maratonistas, que após 42 quilômetros colocando pé a frente de pé, querem cruzar a linha de chegada, olhar para seus tempos e também sentir a sensação de dever cumprido.

Não foi o que ocorreu com os corredores da maratona de Boston, uma das mais tradicionais do mundo. Duas explosões aconteceram na reta de chegada, quando os anônimos terminavam a corrida.

Eu descobri através do Facebook. O sentimento de ataque terrorista é o primeiro que aparece, mas não necessariamente é o verdadeiro. Pela CNN, descobri que as explosões ocorreram em locais diferentes, o que é MUITO preocupante.

O caos estava instalado. Dois mortos, 23, 28 51 100 feridos – 06 em estado grave, pelos relatos –  e muita incerteza.

No Twitter pipocavam conjecturas. E mais sustos estariam por vir: além das 2 bombas detonadas – neste ponto noticia-se BOMBAS e não um mero botijão de gás – pelo menos outras 3 foram encontradas no trajeto dos maratonistas.

Pouco depois, descobriu-se que outra explosão havia acontecido, dessa vez na biblioteca de Boston, próximo ao memorial ao ex-presidente JFK. Entretanto, ainda não estava claro se os incidentes estavam relacionados ou não. Aliás, na biblioteca, poderia nem ser uma explosão, mas sim um incêndio (ou algo do tipo).

A coisa ficou séria. A Casa Branca foi cercada e devidamente protegida. O tráfego aéreo sobre a cidade foi interrompido. USA under attack again?

Até o começo da noite não se procuravam culpados. O fato é que em 15 de abril é comemorado o dia do “fundador” da Coréia do Norte, Kim Il-sung. Das duas uma: ou os norte coreanos ficaram malucos de vez ou alguém muito esperto aproveitou a data, uma vez que o dia “tradicional” para ataques terroristas é 11 e não 15.

(POST EM ATUALIZAÇÃO – SE OCORRER ALGO NOVO, CLARO).

Bombas em Boston

F1 2013: GP da China

Clima estremecido na Red Bull, tão estremecido que Webber ficou sem pneu. O dito cujo saiu rolando e foi fim de prova para o canguru boy. Pneus que realmente deram a tônica da corrida. Quem soube poupá-los, se deu bem. Caso de Raikkonen, que terminou em segundo com sua Lotus. Olho no Finlandês! que come (ou bebe) belas beiradas.

Já Felipe Massa, apesar de agressivo na prova, teve o pneu em frangalhos. A partir dai, não conseguiu fazer muita coisa. Terminou em 6º.

Enquanto isso, o Alonso foi o… Alonso! Tirou muito mais do que a Ferrari poderia oferecer. Resultado? Venceu a prova.

A Mercedes, pelo menos com o Hamilton, foi bem. O inglês fez outra corrida consistente e terminou em 3º. Ainda falta um ‘tchan’ para chegar na vitória.

O Rosberg, que abandonou, e o Vettel, apesar do 4º lugar, foram, de certa maneira, apagados. Medo de outro puxão de orelhas?

E a Mclaren? Ressurgiu, podemos dizer. Button voltou a ser um relógio na hora de conservar o equipamento. Chegou em 5º. E Sérgio Perez, apesar de algumas besteiras, foi bem. Terminou em 7º.

O fato é que o equilíbrio é grande neste começo de campeonato. Lotus, Red Bull e Ferrari, já venceram. No Bahrein, será a vez da Mercedes?

O campeonato

Vettel 52 pts

Raikkonen 49 pts

Alonso 43 pts

    Hamilton 40 pts

Massa 30 pts

Imagem

Massa não foi bem. Assim como Webber

Conclavão 2013: O Vaticano tá de Chico!

No segundo dia do Conclavão 2013 a fumaça preta subiu três vezes antes dos cardeais realizarem a inspeção veicular na chaminé da Capela Sistina. A fumaça branca (que tinha cara de ser proveniente de uma chuleta na brasa) indicava que o a disputa papal tinha se encerrado. Parecia gol do Vaticano!

Nada de pontos corridos. Pela rapidez da decisão o regulamento previa o mata-mata. A final prometia ser entre Dom Xuxa, vestindo a batina verde e amarela e, do outro lado, Dom Scola, vestindo a batina tricolor, com a aquela pitada clássica de manjericão. Mas, apesar de toda a expectativa, deu Vaticanazzo!

O novo Papa não é brasileiro, nem italiano e muito menos húngaro, como o amigo Henderson Bariani tinha previsto em seu blog e eu ratifiquei no meu programa na Rádio da Paz FM. O cardeal é Jorge Mário (que Mário?) Bergoglio, da ARGENTINA (!!!!), e escolheu a alcunha de Francisco. Pode ter vindo de Assis, de Xavier, de Paula, de Borja. Só temos uma certeza: que não vai gerar outro filme falando sobre a vida de seus filhos. Ainda bem.

O Papa Chico tem um perfil humilde. Anda de transporte coletivo como todo mundo, faz a própria refeição como todo e ainda, quando dá tempo, entra em conflito com a Família Kirchner. Como todo mundo, diga-se de passagem.

Agora resta esperar as explicações dos derrotados. Como um Conclave na mão pôde ser perdido dessa forma? Faltou treino? O esquema tático estava furado? Será que essa seleção de cardeais ainda aguenta mais um Conclavão?

O próximo Conclavão já está marcado: vai acontecer quando Francisco virar pomba e bater asas para a eternidade ou quando jogar tudo pro alto e se reunir a Joseph Ratzinger para uma partida de tranca.

Tranca com chave.

Papa MárioO Papa é Argentino. Vaticanazzo!

Conclavão 2013: Vale muito a sua torcida!

Bem amigos da Rede Ideia Fix! Falamos ao vivo e em definitivo para mais uma transmissão de um dos maiores eventos da humanidade, atrás, claro, das Olimpíadas, da Copa do Mundo e da macarronada da nonna aos domingos. O Conclavão 2013 chegou e com ele muitas emoções, disputas e rivalidades. Quem vai levar o Império construído em mais de 2012 anos de existência?

Tem brasileiro na disputa! Dom Odilo Scherer, o famoso Dom Xuxa, está entre os favoritos para levar o segundo anel mais cobiçado do mundo. O grande concorrente é Dom Angelo Scola, arcebispo de Milão. Esse cidadão, aliás, na época que ainda era “aspira”, foi reprovado na scola escola de padres e quase não pôde ser ordenado. Mas não se enganem! Não tem mais bobo na Cúria Romana.

Se ganhar dos italianos é bom, ganhar dos italianos, na casa deles, é muito mais gostoso. É bem verdade que os padres mais conhecidos do país não foram convocados para a eleição. Padre Marcelo Rossi, Padre Antônio Maria (que anda sumido, não é?) e Padre Fábio de Melo ficaram no Brasil. Não minha opinião, os cinco cardeais que já estão trancafiados no Vaticano são bem mais técnicos e vão dar conta do recado, representando a pátria de batinas com muita competência.

No primeiro dia foram encaminhadas as formalidades. Os 115 participantes, de todas as partes do mundo, entenderam as regras e juraram solenemente, em conjunto e depois individualmente, que não vão burlar o regulamento da Conmebol contando o candidato escolhido e nem vão desenhar o jogo da velha na cédula de votação. O Brasil poderia ter cedido as urnas eletrônicas, mas queimar o equipamento depois de cada votação com menos dos dois terços e um rosário necessário daria um trabalho danado e, convenhamos, a maioria dos votantes já está bem velhinha para conseguir carregar tudo.

Fontes internas, em Arial 11 e Times 12, como manda as normas da ABNT e da PQP, vazaram a notícia que Scola acertou um carrinho em Scherer, mas o Camerlengo mandou seguir a partida. Sorte dele que a torcida foi expulsa da Capela Sistina depois de pronunciado o extra omnes, senão ele ia ouvir muitos elogios carinhosos. Esse foi o lance mais importante da partida de hoje. Se esse fosse um blog maior, o lance seria patrocinado por uma marca de tinta, mas como não é…

Quando já era noite em Roma, na chaminé mais vigiada do mundo, fumaça preta foi avistada. Não… não era o monstro de Lost. Era só a constatação que, mesmo com dispositivos móveis, internet 4G, aparelhos de televisão em alta resolução e toda a sorte de equipamentos eletrônicos, uma das decisões mais aguardadas da década seja comunicada através de sinal de fumaça.

Imagina quando descobrirem os atabaques!

Anel-PescadorQuem leva o precioso meu precioso Anel do Pescador? 

Super Bowl XLVII: Os corvos voam alto ou 49 motivos para não desistir

Mais um Super Bowl! O jogo que pára um pais e boa parte do mundo colocou dois irmãos, lado a lado. Jim e John Harbaugh são os técnicos principais de, respectivamente, San Francisco 49ers, da Conferência Nacional e Baltimore Ravens, representando a Conferencia Americana. Era o Super Harbaugh Bowl! O palco era Nova Orleans, no mítico Superdome.

O primeiro tempo foi inteiro dos Ravens. Sem nenhum first down na primeira jogada (cometendo, inclusive, uma falta que barrou uma boa jogada de ataque), bola devolvida aos corvos, que não desperdiçaram. TD pelo meio, numa bela recepção aérea de Anquan Baldin.

O FG não aliviou muito a barra do 49ers, que continuaram inseguros no ataque e desatentos na defesa. Foi um custo para os vermelhos de San Francisco conseguirem um sack. Do outro lado, Joe Flacco mostrava tranqüilidade e precisão, de dar raiva nos adversários (e torcedores). Bolas aparentemente perdidas encontravam a mão dos receptores quase que milagrosamente. Pitta, sozinho na end zone, recebeu para o segundo TD da noite. 14 a 3.

O buraco estava tão grande que o lançamento de Kaepernick, que iria direto para um TD, encontrou os braços de Crabtree, do próprio 49ers, interceptando o passe. Que fase! E como se não bastasse, o QB dos Niners sofreu um interceptação. Bola torta e com força demais. Ridículo.

Na última pá de cal, faltando pouco pro fim do primeiro tempo, Flacco lançou uma bomba para Jacoby Jones. Lançou muito longe, mais de 55 jardas. A recepção foi milagrosa e, como ninguém encostou nele, cidadão levantou, fintou 2 e correu para mais um touchdown. Inacreditável 21 a 3. Lavada. Uma das jogadas da partida, com certeza.

Jacoby

Na ultima jogada do primeiro tempo, Kaerpenick não lançou para Crabtree e o FG convertido por Akers deixou o placar em 21 a 6.

Fim do primeiro tempo. Show do Ravens, defendendo com competência e vendo seu QB brilhar. Nos Niners, faltas, turnovers e nervos a flor da pele. O Harbowl vai sendo vencido pelo irmão mais velho.

Luciana Naomi, torcedora dos Niners, comentou: “Primeiro tempo em que o Ravens sambou na cara dos Niners. Foram ajudados pelos erros dos Niners“.

O massacre não parou. No retorno do kickoff, Jones correu 108 jardas para TD. Vou repetir, CENTO E OITO JARDAS. O campo tem 110. 28 a 6. Caixão fechado?

Ravens Jones runs for a touchdown against the 49ers during the NFL Super Bowl XLVII football game in New Orleans

E a agonia franciscana demoraria mais para acabar. Acabou a luz no Superdome. Jogo paralisado no começo do terceiro quarto. 36 minutos parados. Que vergonha, hein?

Kaepernick resolveu correr com a bola. 2 first downs com as pernas. Os lançamentos para Davis e Crabtree voltaram a ter força e este último quebrou 2 tackles antes de pisar na endzone. Touchdown e placar em 28 a 13.

Kickoff ridículo dos Ravens e o retorno direto para a red zone. Bola para Frank Gore e MAIS UM TOUCHDOWN. A luz voltou também para os 49ers? 28 a 20. Quem diria?

E na joga seguinte…. FUMBLE dos Ravens! Jogada recuperada. Lançamentos para endzone mal sucedidos. Akers no FG, sem sucesso! Mas tem falta nele! Mais 5 jardas e segunda tentativa. Lá dentro do Y. 28 a 23. E o Superdome assiste a passagem de mais um furacão, que dessa vez não traz mortes e sim nova vida aos Niners!

Depois do terremoto, excelente avanço dos Ravens. Bola na linha de uma jarda, mas a defesa do 49ers conseguiu segurar as 3 descidas. Tucker converte um FG fácil e certeiro. Placar em 31 a 23.

Avanço do 49ers, alternando corridas de Gore com lançamentos em media distancia. Kaepernick resolveu… resolver. O ligeirinho de SF acelerou e cruzou a linha bendita. Touchdown SF. Entretanto, falhou a tentativa de conversão para 2 pontos e assim, o placar fica em 31 a 29.

Jogada de ataque dos Ravens. Apesar das faltas do adversário, os corvos produziram apenas uma boa posição de campo para Tucker converter seu FG. 34 a 29.

Bola na mão de Kaepernick, faltando 4:19 para o fim da épica batalha. Excelente lançamento para Crabtree. Bom avanço. Jogada seguinte é na mão de Frank Gore, que correu como se não houvesse amanhã. Tackle Baltimore. E primeira para o gol na pausa do Two-Minute Warning.

NADA! Três bolas lançadas, três passes incompletos! O Baltimore Ravens está muito perto de vencer o SuperBowl 47! Ih rapaz… as zebras não viram a interferência!

Nada de avanço pros Ravens. Punt, não é? OU NÃO! Jogada genial do Ravens! Aceitaram o dois pontos contra (safety) e ganharam segundos preciosos. 4 segundos agora… Chute… corrida… escapa de um, dois tackles e mais nada!

BALTIMORE RAVENS CAMPEÃO DO SUPERBOWL XLVII!!! RAY LEWIS, O MELHOR LINEBACKER DA HISTÓRIA DÁ ADEUS AOS CAMPOS NO TOPO DO MUNDO! FLACCO PERFEITO NA PÓS TEMPORADA!

Que jogo amigos, que jogo! Mais uma vez a história foi escrita diante dos nossos olhos. Placar final: Baltimore Ravens 34 x 31 San Francisco 49ers. MVP do jogo? Joe Flacco, que agora figura entre os principais QBs em atividade. Só tem fera com ele…

E a minha segunda temporada acompanhando a NFL termina épica. Cada dia esse jogo me apaixona mais.

Flacco

Resenha: Marighella

Um homem que acreditou em suas convicções até o fim da vida. É disso que trata Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo. Escrito no ano passado pelo jornalista Mário Magalhães, a biografia de Carlos Marighella não foi escrita por alguém apaixonado pelo personagem. Por isso, ela é sóbria.

A obra também é fruto de um extenso trabalho jornalístico que ‘joga’ o leitor para o passado e presente sem perder o ritmo narrativo. Destaca-se também que muitas vezes,durante a leitura, a vida do líder guerrilheiro é apenas um pano de fundo para o autor contar passagens de quem viveu os horrores da ditadura militar (1964-85).

“(…) Monitorado tanto pela CIA quanto pelo KGB, Marighella manteve-se ativo por quase quarenta anos de militância, da década de 1930 à de 1960. Viveu clandestino, articulou greves e conspirou por revoluções(…)” (Contracapa)

De ponto negativo, talvez, destaca-se para quem viveu a época In Loco a falta de emoção do autor ao contar a história.

Mariguella, o guerrilheiro que incendiou o mundo, é uma “explosão” que nos prende até a última página.

Autor: Mário Magalhães, 582 páginas.

Editora: Companhia das Letras, 2012.

   

Quem está com o anel do Eno?

Hoje é dia de falar de forró! Sempre busco assuntos diferentes para tratar aqui no blog e notei que nunca havia reservado linhas para falar de tão particular ritmo no cancioneiro popular brasileiro.

Tinha que ser épico. E será. Mas apesar dos grandes nomes como, Gonzaga, Genival Lacerda (que fixação por letras G, hein?) e Dominguinhos merecerem seu espaço, hoje eu quero falar da musa, da lenda, da figura carismática – tanto no pessoal quanto no profissional – de Cremilda Ferreira da Silva, a Rainha do Forró!

Nascida nas Alagoas, começou desde pequena no rádio e fez grande sucesso com shows em Sergipe. Mas se você acha que Clemilda não vale um tostão, saiba que ela era figurinha carimbada nos programas de mais alto grau de garbo e elegância da televisão brasileira, como o Clube do Bolinha e o Cassino de um tal de Abelardo Barbosa. Nesses programa ganhou seus dois discos de Ouro.

Vamos a três musicas de muito sucesso. Vejamos o que conseguimos extrair delas:

Talco no Salão

Talco no salão Talco no salão. Pro forró ficar cheiroso E ter mais animação O Zé comprou Duzentas latas de talco Pra jogar no meio da sala Na hora da suadeira De madrugada Quando o forró esquentou A moçada misturou Suor, talco e poeira. Talco no salão Talco no salão Pro forró ficar cheiroso E ter mais animação.

Nessa música claramente a cantora se refere ao grande arrasta pé nas imediações de sua morada. Como era de se esperar, o bailão estava animado e, claro, as glândulas sudoríparas exerciam sua função de manter a temperatura corporal em níveis humanos. Pena que, com ela, odores pouco agradáveis as nossas narinas também dão o ar da graça – com trocadilho.

Mas o Zé, que é um sujeito matuto, logo resolveu a pendência, adquirindo na venda do seu Arnaldo DUZENTAS latas de talco. É amigos… Não são duas latinhas mequetrefes, não. São DUZENTAS latas! É lata pra caramba! A ideia foi genial pois além de retirar a umidamente ar, fornece aquele cheirinho delicioso de bunda de nenê. Ou quase isso. Depende do estado da bunda do neném.

O coitado do Zé só não esperava que a faxineira tivesse faltado. Infelizmente o talco misturou-se com o suor e a poeira. Ainda bem que cerveja não faltou e, claro, ninguém ligou para o talco no salão.

O anel do Eno

Fui numa festa arretada seu moço/Comida, bebida, forró comendo/Derrepente a gritaria/Sumiu o anel do Eno;

Quem ficou com o anel do Eno/Quem esta com o anel do homem/Levanta logo o braço/Se agora o pau come;

Quem esta com o anel do Eno/Quem é este infeliz/Uma bicha atrevida/Bate na bunda e diz;

Eu estou com o anel do Eno/Pra que tanta confusão/Quem não esta com o anel do Eno/Por favor levante a mão.

Que situação desagradável, hein? Sujeito vai no forró e, na animação, perde o anel. Anel de casamento! O que a mulher do Eno vai dizer quando ele chegar em casa, sem o anel? Putz! Vai dar uma encrenca danada, só porque o Eno quis espairecer depois do happy hour da sexta feira.

Sério… Quero ver se tem algum macho que vai levantar a mão naquele salão e falar bem alto: ESTOU COM O ANEL DO ENO! Pode até pedir algo em troca, um resgate. Mas ficar com o anel do Eno não dá. Imagine se fosse o contrario? Imagine se o anel do Eno fosse, na verdade o seu, caro leitor. Você se sentira a vontade com o seu anel nas mão dos outros?

Bom… O que eu sei é que eu nao estou com anel do Eno. Espero que ele encontre. Boa sorte amigo.

A cantiga da doida

Kalú Honório é um cabra enganador
Namorou a Josefina e ate hoje não casou
A pobrezinha ficou desmiolada
Cantando pelas estradas
As letras do seu amor

Eu quero é KH
Eu quero é KH
Com KH eu vou me casar

Os muros da cidade estão cheios de KH
E no muro na casa dela o KH é fluorescente
Der repente ela assusta a vizinhança
Gritando desde criança que eu adoro é KH

Dizem que o amor é lindo, mas as vezes ele pode ser sua perdição. Esse tal de Kalú Honório, o famoso KH não vale o prato que come. Precisava fazer isso com a pobre Josefina?

A coitadinha espalhou o famoso KH pela cidade toda! A moça pirou de tal firma, que até pintou um KH FLUORESCENTE nos muros de casa. Imagine só um KH que brilha no escuro. Arte pura!

Cremilda vive há mais de 40 anos em Aracaju/SE e apresenta na TV Aperipê o programa “Forró no Asfalto”, revelando bandas locais. Com tanta vitalidade e energia, ninguém sequer desconfia que ela já sofreu dois derrames cerebrais. É mole?

SALVE CLEMILDA!

Saiba mais no Portal do Governo de Sergipe e, claro, na infalível Wikipedia