Entrefix: Professor Renato Brolezzi

Hoje o blog abre espaço para o Professor Renato Brolezzi. Ele leciona História da Arte na Facamp (Faculdades de Campinas) e também é professor no MASP. É, aquele prédio engraçado que serve de cenário para a São Silvestre. Você não sabia que tem aula lá? Pois é… nem eu. Veja no site mais informações sobre o serviço educativo.

Nascido em Campinas, formou-se na UNICAMP em Antropologia Social e faz pós graduação em História da Arte. Assim, o Carlos Lemes Jr conversou com ele a respeito de… cultura! O nível cultural dos brasileiros é realmente baixo? Qual é a parcela de culpa do ensino público? Há políticas estruturadas para fomentar essa área?

É o que você vai ler… agora!

IF: Além da falta de boas escolas, por que o nível cultural dos brasileiros, no geral, é baixo?
RB: O conceito de cultura é bastante complexo, mas vamos nos deter apenas na chamada educação formal : devido a muitos fatores de ordem histórica, o cidadão brasileiro (especialmente aquele que pertence às classes sociais mais baixas) possui péssima formação. Acredito que podemos apontar três grandes causas para isso, de naturezas diversas:

1. O absoluto desmantelamento do sistema educacional brasileiro, que afeta não apenas as escolas públicas (reduzidas a medíocres burocracias sem qualquer qualidade) mas também se nota nas instituições privadas (nas quais, via de regra, a educação é considerada exclusivamente do ponto de vista utilitário, e não como promotora da emancipação do pensar);

2. A péssima distribuição de renda no Brasil, que tem melhorado nos últimos anos mas ainda se encontra tímida demais, mesmo para apontarmos tendências para o futuro. Os jovens de classes sociais baixas não têm tempo disponível para permanecerem estudando, e nem dinheiro suficiente para isso, e entram muito cedo no mercado de trabalho (despreparados e o que é pior, têm seu processo de formação reflexiva abruptamente interrompido, sem possibilidade de retorno);

3. Algo que sobrevive no Brasil, embora não seja sempre perceptível: a tradição colonial das hierarquias de poder, na qual saber é poder, ou melhor, conhecimento relaciona-se a status social, já que para estudar é necessário tempo livre, o que apenas as elites podiam ter, sendo desta maneira signo de distinção social. Trabalho, nessa tradição, sempre foi associado à pobreza, escravidão e modo de vida das classes subalternas, incompatíveis com as classes dirigentes. O Brasil ainda hoje é o “país dos doutores”, escondido nos discursos e nos hábitos politicamente corretos. Permitir que a educação de qualidade fosse universalizada romperia com antigos arquétipos da formação histórica brasileira, e promoveria de fato uma democracia possível, o que permanece intolerável.

IF: O quanto a chamada “indústria cultural” influencia as pessoas?
RB: Sem nos determos sobre o conceito de indústria cultural, que nos levaria longe demais, podemos dizer que a afirmação da sociedade de massas no século XX, ao lado da hegemonia do modo de produção capitalista, trouxe consigo conseqüências lógicas inevitáveis: há uma forte tendência a que toda produção material e toda produção simbólica dessas sociedades sejam concebidas como mercadorias, portanto submetidas a um único tratamento quantitativo, massificado, descartável (sem permanência, portanto sem reflexão) e homogêneo. A cultura metamorfoseando-se em entretenimento é um dos lemas dos principais pensadores da chamada “Escola de Frankfurt”. A força dessa lógica é muito forte, e hoje mais ainda. Sugiro um agradável ensaio sobre isso, escrito por Gilles Lipovetsky, “A Felicidade Paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo”.

IF: Uma matéria como história da arte poderia ser ensinada em escolas, principalmente, nas públicas?
RB: Uma das falhas do sistema educacional brasileiro é não ensinar história da arte nas escolas de formação básica. Ao mesmo tempo em que ensinaria aos jovens outras dimensões do pensar, desmistificaria a arte e a tiraria do pedestal de luxo fútil ao qual ela foi levada, na percepção comum. Seria também uma excelente ferramenta para que várias disciplinas pudessem convergir (como matemática, física, história, português, geografia), promovendo uma integração entre diversos saberes.

IF: A política cultural brasileira é boa?
Simplesmente não vejo qualquer política cultural para o Brasil. Do mesmo modo, não há planejamento efetivo em qualquer área que nos aventuremos a pensar (indústria, saúde, projetos a longo prazo). Existem iniciativas pontuais, mas que se esgotam em si ou sequer são viabilizadas, devido à falta de recursos financeiros. Nossas elites partidárias não encaram a questão como prioridade nacional (independentemente da filiação ideológica).

IF: O consumismo desenfreado de hoje em dia, torna as pessoas menos reflexivas em relação aos problemas do dia a dia?
RB: Certamente, já que existe uma forte tendência a achar que o pensamento é desnecessário. A ideologia da busca da felicidade pessoal a qualquer preço pode nos levar ao desprezo pela esfera pública, o que já se nota diante da decadência da política. Um dos graves problemas que enfrentaremos neste começo de século novo será a sedução da alienação (entendida em seu sentido mais genuíno, esquecimento de quem somos).


Entrefix: Alcindo Mattiuzzo

O sol ameaçava sumir no horizonte quando cheguei ao número 117, uma simpática casa aos pés do morro do Cruzeiro. Ele estava lá, na sacada, olhando o movimento da rua. Dois lances de escada depois, apertei sua mão.

Apreciei por alguns instantes aquela bela vista da cidade e logo fui convidado a entrar, afinal, estava esfriando e ventando. Finalmente se realizava um desejo há muito guardado: entrevistar Alcindo Mattiuzzo, 78 anos. Ou, simplesmente, o Barbeiro. Sua história é uma de tantas fontes sobre a História de Itatiba. Sua barbearia fica no mesmo local há mais de 50 anos e daquelas portas de madeira já viu o desenvolvimento e os avanços de meio século de tecnologia e sociedade.

Acompanhe a transcrição dos principais trechos desse bate papo (de quase meia hora!) e conheça mais sobre a nobre e quase extinta profissão de barbeiro:

Frank Toogood: Vamos lá… qual a sua profissão?
Alcindo Mattiuzzo: Barbeiro. Meu pai sempre quis que um filho aprendesse a ser barbeiro. Os meus irmãos mais velhos tentaram, mas num… e depois eu acabei aprendendo. Trabalhei 6 anos e 10 meses na PABREU(Antiga tecelagem daqui de Itatiba)  na fábrica, de tecelão. Trabalha lá e sábado, depois do almoço eu não trabalhava, eu cortava cabelo com meu pai. Fui aprendendo com meu pai, tinha uns… vamos dizer uns 16 anos assim…

FT: Então seu pai era barbeiro?
AM: Meu pai era barbeiro também. Só que barbeiro mais simples, assim de sítio, mas enchia de gente, tinha que ver um pouco! Aí fui aprendendo, aperfeiçoando cada vez mais. Aí abri o salão no dia 20 de outubro de 1954. Tempo do… na época o Prefeito era o Erasmo Chrispim, então… ele até falou assim: “você pode fazer assim… você paga o… não precisa dar abertura no salão agora. Fica esse resto de ano e você pode ir trabalhar. No ano que vem, no começo do ano, você registra“. Parece que 5 ou 9 de janeiro, coisa assim, eu dei a abertura. Daí tinha que ter a certeira profissional, a carteira de saúde… todos os documentos certos. Daí continuei. Se eu chegar em outubro vai fazer 56 ou 57 anos…

FT: … só como barbeiro….
AM: … e só naquele ponto que eu estou.

FT: Só naquele ponto? A barbearia sempre foi ali…
AM: … e os móveis também. Naquele aparador de madeira que eu tenho ali, tem a data que eu abri.

FT: Eu lembro de ter visto uma vez.
AM: É, eu marquei lá. Foi o rapaz, o Chico… Chico…. Chico de Castro que fez, lá, coitado…. já faleceu (…). Fez um aparador de cada lado e o espelho no meio (…).

FT: Então quem foi lá em 1960 e alguma coisa sentou na mesma cadeira!
AM: Mesma coisa! Tenho freguês ali que quando eu abri o salão, eles tão vivos hoje, porque eram novos, né? E tão vivos até hoje e corta cabelo até hoje. Tem gente que faz 50 anos que corta cabelo.

FT: E corta ele, corta o filho, corta o…
AM: Já cortei de umas 4 gerações. Então tem umas par de família que eu fiz a conta. Cortei do avô, do filho, do neto e do bisneto do avô, né? 4 gerações. (Risos)

FT: Mas assim, a barbearia continua a mesma, mas e em volta da barbaria, como é que foi modificando?
AM: Ah… em frente era um curtume. Faliu… era uns alemães que tinha, sabe? Na época que eu comprei tinha uma parte de cima, ali onde é a faculdade [Universidade São Francisco] agora, ainda tinha bastante couro. Faziam correia para as fábricas. (…) Quando a faculdade entrou ali, eles aterram tudo ali. (…) Mas quando eu vim eu tive sorte, porque era antes para eu trabalhar ali e eu não vim, por causa do mau cheiro que tinha. No fim, acabou o mau cheiro, acabou o curtume e eu vim trabalhar ali perto, bem na frente.

FT: E as ruas eram de terra?
AM: As ruas eram tudo de terra. Quando chovia ali, era um assento, formava um barro. Pessoal que passava ali atolava tudo, sujava tudo o sapato. Depois calçaram. Começaram a calçar de lá para cá. Quando eu abri ali eles estavam fazendo calçamento ali naquela farmácia, perto do meu salão. Eu abri ali em 54, então vieram com o calçamento pra cá. Depois de muito tempo, até antes de calçar, [campainha toca] a empresa do Cometa e do Expresso Brasileiro passavam por aqui que e vinham para Águas de Lindóia e tudo.

FT: Começaram a usar como via e começou a movimentar...
AM: É, começou a movimentar…

FT: E assim.. lá na barbearia [toca a campainha novamente]. Eu acho que está tocando a campainha.

Nesse instante, o seu Alcindo atende a porta e recebe um pacote. Não consegui ver direito, mas me pareceu ser uma imagem da Mãe Rainha (obrigado especial ao @hbariani, @smmrsnts e @MasonMMM pela ajuda ao identificar a imagem).

Vale o registro que seu Alcindo exerce a função de Ministro da Eucaristia na Igreja de São Bento e Nossa Senhora Rosa Mística, localizada em seu bairro. É a famosa Igreja do Cruzeiro, local de aparições misteriosas. Mereceu inclusive a visita de Cazuza. Mas isso é história para outro post.

E sim… aproveitando a pausa na entrevista, interrompo o texto e a entrevista com seu Alcindo Mattiuzzo continua na semana que vem. Não perca a segunda parte!

Entrefix: Tim Vickery

Dono de um tipíco bom humor ácido e refinado britânico. Esse é Tim Vickery. Jornalista, vive no Brasil desde 1994, onde é correspondente da BBC para futebol Sul-Americano. Em seu blog (http://www.bbc.co.uk/blogs/timvickery/)* tem a difícil tarefa de explicar todo o funcionamento do esporte mais popular do mundo e de outros esportes, abaixo da linha do Equador para os súditos da rainha. E convenhamos, fazer isso rodeado por Ricardo Teixeira e Carlos Arthur Nuzman, não é nada fácil.*2

Divulgação

 

Ideia Fix: Com o Brasil falando em ser a quinta economia do mundo a médio prazo, acredita que o país será ponto estratégico para o jornalismo estrangeiro, assim como é Londres?

Tim: Nem tanto, no médio prazo, por 2 motivos. Primeiro, porque a participação do Brasil na economia global ainda não é tão expressive – o que vem sustentando o processo é o mercado interno. E 2 – a crise em geral dos jornais (Brasil por enquanto se encontra na contra-mão) – manter correspondentes estrangeiros é caro, então a grande mídia usa as agências – um século atrás, os jornais ingleses publicaram muito mais notícias estrangeiras do que hoje em dia.

IF: Você deve ter realizado alguma pesquisa antes de viajar e se estabelecer aqui. O Brasil e a América Latina como um todo são tudo aquilo que os ingleses imaginam? Qual costume mais te impressionou em seus primeiros dias?

Tim: A realidade é muito diferente do mito, que é fascinante, porque dai surge a pergunta – de onde veio o mito? O que me supreendeu foi como o Rio é diferente da imagem que passa – especialmente em termos do mito de alegria – o meu irmão ja me visitou algumas vezes – ele mora na Ásia e já morou na África, então tem base para comparar – para ele o carioca é um tipo de ser que anda lentamente com expressão de dor!

Depois de tantos anos, cheguei a conclusão que o mito de alegria trata se de uma construção política – um ferramento usado durante o período Vargas na formação da nação, uma jogada para suavisar as diferencias sociais.

IF: A família mudou-se para cá junto com você ou veio depois? Gosta da cerveja brasileira?

Tim: Cheguei sozinho, sem emprego, sem nada. Para mim, tem que chegar sozinho numa coisa assim – ai no andamento peguei minha mulher e duas enteadas – e aprendi tantas coisas sobre Brasil com elas. Cerveja – larguei anos atrás.

IF: Agora um pouco sobre seu trabalho: Como explicar para o público inglês como funciona o futebol brasileiro, dentro e fora das quatro linhas?

Tim: Com dificuldade, porque em termos do futebol sul-Americano, o público de lá tem dois focos de interesse – as seleções, e os craques do futuro que vão para Europe – nesse abordagem, não tem espaço para o futebol doméstico. Entao, num blog como aquele da BBC, onde eu tenho a pressão para ser relevante para um público britânico, tenho que ralar um pouco. A última coluna analisa os campeonatos estaduais – ai, para colocar num contexto de relevância para a audiência, fiz uma comparação entre o futebol brasileiro e Inglaterra antes da Premier League. Ponto fundamental para qualquer escritor- para quem eu estou escrevendo?

IF: Segundo dados do Governo, nunca se investiu tanto em esporte. O orçamento do Ministério quadruplicou em 8 anos. Como os ingleses avaliam o potencial do Brasil nas Olimpíadas? É possível chegar entre os 10 primeiros no Quadro Geral?

Tim: Acho que não se desfruta as Olimpiadas assim. Deixou de ser uma festa coletiva. O Brasil vai acompanhar o desempenho dos brasileiros, na Inglaterra vai acompanhar o desempenho dos ingleses, e por ai vai. Fiquei pasmo com as primeiras Olimpiadas que vi aqui – a pista do atletismo, o centro da coisa, quase não apareceu – porque estava passando o vôlei ou coisa assim, onde o Brasil era forte.

IF: Quais conselhos você daria para quem pretende tornar-se correspondente?

Tim: Lembra sempre que o seu assunto é mais importante do que você, não aceita cegamente nenhum mito. Acima de tudo, ter sorte, porque nos tempos atuais nao é facil ganhar a vida com a palavra escrita.

1 – Com o Brasil falando em ser a quinta economia do mundo a médio prazo, acredita que o país será ponto estratégico para o jornalismo estrangeiro, assim como é Londres?

*Textos em inglês

*2 algumas imprecisões gramticais são fruto do teclado do entrevistado ou de uma simples confusão de idiomas

O Toogood quer saber

Se você é um leitor atento, provavelmente viu que na barra lateral, bem aí na direita, há uma enquete. Se você é um leitor participativo, provavelmente já votou nessa enquete. E, por fim, se você é um leitor atento, participativo e antigo, sabe que no lugar daquela pergunta já estiveram outras perguntas. Nesse texto quero falar sobre o resultado das pesquisas que fiz e qual foi minha análise sobre as respostas. Apesar de parecer chato, o assunto desse texto é extremamente curioso.

Antes de mais nada, seria muito legal se você pudesse visitar um texto que fiz em 2009, no qual dei o resultado de duas enquetes. Lá você tem também as regras que instituí e que venho mantendo. E é bom lembrar que nada disso tem valor científico. É só um experimento de quem não mais nada de útil para fazer da vida….

Pergunta: O Brasil é o país…
Respostas: Na legenda
Resultado em porcentagem

Devo confessar uma leve surpresa no resultado. Era certo que “Mulher” pudesse levar uma vantagem, mas não a imaginei tão esmagadora. Mais surpreendente ainda foi “Futebol” e “Política” empatarem. Será mesmo que os brasileiros enxergam nosso país como sinônimo de política? E vou mais além… será que enxergam o país como sinônimo de que tipo de política?
A opção “Outro” foi representada como “Sacanagem”. Mais direto impossível…

Pergunta: Quem mente melhor?
Respostas: Homem ou Mulher
Resultado em dados brutos

Esta é uma enquete que causará polêmica. O gráfico mostra a preferência dos leitores em acreditar que as mulheres mentem melhor. Isso não significa, claro, que elas mentem mais. O que pode ocorrer para que esse resultado se justifique é a) elas realmente mentem melhor e, com isso, são descobertas menos vezes ou b) Os homens fingem acreditar por medo de enfrentar um conflito e, portanto, fazem com que a mentira da mulher seja mais eficaz.
É aquela velha história de emocional x racional.

Pergunta: Qual a pior tragédia?
Respostas: Terremoto no Haiti, Enchentes no Brasil e Tsunamis na Indonésia
Resultado em dados brutos

Confesso que a enquete foi um pouco tendenciosa e o resultado foi afetado por causa disso. Essa pergunta esteve no ar a partir de 17 de janeiro de 2010, bem na época do terremoto no Haiti. Entretanto, as enchentes no Brasil foram praticamente na mesma época (em Angra foi exatamente na virada do ano) e mesmo assim foi a última colocada.
Dá pra concluir que os Tsunamis na Indonésia, mesmo tendo acontecido em 2006, foram extremamente marcantes para os brasileiros, capazes até de superar outra tragédia, com cobertura recente e massacrante da imprensa. Qualquer dia desses eu refaço essa enquete, colocado também o Furacão Katrina. Esqueci dele por completo.
Vale lembrar que fiz questão de selecionar tragédias naturais. Até porque o 11 de Setembro seria hour concour

Agora eu quero saber a sua opinião sobre a opinião dos outros. A voz do povo foi a voz de Deus? Quanto mais de suco poderemos extrair dos limões acima? É com vocês agora…

Entrefix: Tim Sanders

Estava com saudades de atualizar essa parte do blog. Gosto muito de fazer entrevistas, e dessa vez não foi diferente. O dono da palavra hoje é o americano Tim Sanders. Começou de baixo, trabalhou em empregos que não o satisfaziam totalmente. Até encontrar a Broadcast.com, pioneira no seguimento de transmissões ao vivo, online. Foi através de Tim Sanders que em 1999 a Broadcast.com fechou contrato com a Victoria Secrets e fez o maior evento de moda transmitido online até então. 1 milhão de espectadores e um resultado fantástico para todos. Chegou até a vice-presidência de Soluções do Grupo Yahoo!

Agora Tim Sanders é escritor de livros e palestrante muito requisitado. Nessas palestras, ele fala sobre novas maneiras de encarar o gerenciamento de pessoas nas organizações e, entre as ferramentas utilizadas, está o amor descrito na minha resenha de “O Amor é a Melhor Estratégia”. Aliás, é melhor mesmo que você leia a resenha antes de embrenhar-se nas palavras abaixo. Será bem mais proveitoso.

Nessa entrevista ele discorre sobre as diferenças entre Brasil e Estados Unidos, pondera sobre a carreira que construiu e a carreira de pessoas normais (como você) e, por fim, envia uma mensagem motivadora, que sempre é bem vinda.

Divirtam-se com Tim Sanders:

Idéia Fix: Você acredita que o estilo lovecat funciona em todas as partes do mundo, mesmo em países como o Brasil, cujos habitantes não tem o costume de ler e nem são encorajados quando crianças?
Tim Sanders: Desde que meu livro foi publicado em 2004, tenho recebido dezenas de testemunhos vindos de brasileiros bem sucedidos que falavam quantas vantagens eles obtiveram com a leitura adulta. Se a sua afirmação está correta e os brasileiros não lidam bem com a leitura quando adultos, isso significa que a estratégia de leitura lovecat é uma maneira de diferenciá-lo e torná-lo a mais inteligente escolha disponível.

 

IF: Quais são as principais diferenças entre o estilo americano e o estilo brasileiro de administração. Nos EUA há mais situações predatórias que justifiquem a idéia de dividir o amor nos negócios?
TS: Dividir o amor nos negócios significa crescer junto com todos aqueles que fazem parte do seu circulo de negócios, dividindo seus intangíveis – seu conhecimento, rede e compaixão. Esse sistema funciona em sociedades não éticas tão bem quanto naquelas que a possuem. O livro é muito vendido na Índia, Itália, Noruega, Brasil e USA – diferentes tipos de mercado com um elemento comum: pessoas.

Falando sobre estilos de administrar, tive a oportunidade de trabalhar com muitos no Yahoo! e a diferença é pequena – talvez os brasileiros dêem mais valor a tradição, personalização. Na verdade, creio que o Brasil se assemelha a Europa Ocidental. Colômbia, Chile e Argentina – muito diferente na medida em que há mais emoções nas decisões.

 

IF: Você disse que o estilo lovecat foi responsável por seu crescimento meteórico na Broadcast.com e no Yahoo!. Um cidadão que não trabalhe com administração, mas como mecânico, padeiro ou qualquer outra posição pode construir uma carreira tão brilhante quanto a sua somente dividindo o amor ou está limitado á carreira que escolheu?
TS: Não importa quem você é, se você ajuda pessoas suficientes, você pode se tornar tudo aquilo que desejar. Um ano antes de me tornar vendedor da Broadcast.com (atendente de telefone) era musico em uma banda local trabalhando dias como vendedor de anúncios para um programa de TV. Nada grande. Evolui porque ajudei pessoas importantes na compreensão do potencial da internet

Um excelente padeiro poderá ajudar pessoas suficientes pare ter sua própria cadeia de padarias, sua própria linha de pão nas lojas Cassino ou mesmo seu próprio programa de TV, como o melhor padeiro brasileiro. Veja Ricardo Bellino, meu amigo e autor de livros. Ele veio do nada e tornou-se sócio de Donald Trump. Ele é famoso e altamente bem sucedido. É um lovecat 100% também.

 

IF: Um lovecat está sempre de bom humor, sorrindo e dividindo o amor por onde passa. No entanto, essa mesma pessoa tem problemas financeiros e no casamento.  Qual a melhor forma de manter distantes esses dois mundos?
TS: Quando você tem problemas pessoais, você é completamente tomado por eles e deixa um pequeno espaço para as emoções de outras pessoas. Você precisa consertar isso antes de ser bem sucedido. Sério. Se você esta lidando com problemas no casamento, tente se aproximar mais dos filhos. lembre-se de se permitir um tempo pela manha numa cafeteria entre a casa e o trabalho. Lembre-se também que ajudar o pessoal te faz mais feliz e agradável. Este pode ser um bom conselho: Aprenda a amar melhor no trabalho e você poderá aprender coisas úteis em seu lar.

IF: Deixe uma mensagem para os leitores desse humilde blog:
TS:
Não importa de onde você veio ou quanto você tem no banco hoje, o futuro pertence àqueles que são voluntariosos e eficazes. Foque seus esforços em aprender como ser solidário nos negócios com seus empregados, clientes, parceiros e ate mesmo concorrentes. As novas gerações devem observar os princípios e as recompensas que a lei da reciprocidade psicológica nos traz.

Toda idéia, do processo ao produto, deve ser examinada pela ótica do útil/prejudicial. O lema do Google esta certo: Não seja diabólico, trabalhe para o bem de todos.

Se você concorda com o que Tim Sanders disse, quer conhecer mais sobre ele e seus livros ou simplesmente se interessa pelo tema, não deixe de visitar o site oficial e, se quiser, pode segui-lo pelo Twitter. Tudo em inglês, claro.

Teleton 2009: Vídeo Entrevistas

Considerando a inflação de posts sobre o Teleton nos últimos dias, achei de bom tom esperar algum tempo para postar o vídeo abaixo. Esse vídeo conta minha pequena saga no Lounge do SBT, numa experiência de reportagem sem roteiro, equipamentos adequados ou mesmo bom senso por parte desse aprendiz de jornalista, ensinado pela Faculdade Empírica da Vida.

Aproveitei a concentração de artistas por centímetro quadrado daquele lounge para reunir a declaração de alguns deles. As perguntas não foram as mais criativas, inovadoras ou provocadoras, mas acho que o resultado final ficou aceitável. Ao menos foi divetido gravar e editar, já que dessa vez o Windows Movie Maker resolveu colaborar.

Espero que não sofram ataques epiléticos ou tenham traumas profundos ao verem reunidos no mesmo vídeo Yudi, Netinho de Paula, Zacarias Liminha, Richard, Gamberini e… Maísa. Ah, claro…. participação especial desse blogueiro Robert.

Ok… vocês estão autorizados a rirem da minha empolgação a quase roubar o lugar do demônio em forma de apresentadora infantil. E também da minha empolgação ao encontrar com o espírito (de porco) do Zacarias.

Quero criar alguma coisa em vídeo para vocês, mas como em Itatiba os famosos quase nunca aparecem, preciso pensar em algo minimamente interessante. Em breve vocês terão mais oportunidades de me ver em vídeo. Essa era uma das promessas no aniversário desse blog, lembram? Pois é… eu lembro.

É… a tortura vai continuar. Não para mm, claro.

Twittentrefix: Paulo Maluf

Um dos grandes trunfos do Twitter é a grande interação entre famosos, pseudo-famosos, famosos em comunidade específicas, os anônimos e eu. Essa interação se dá através das “mentions” que, algumas vezes, são respondidas.

Num desses dias frios e chuvosos, recebi um email notificando que um tal de Paulo Salim Maluf estava me seguindo. O nome já despertou uma curiosidade imensa em saber se o nome REALMENTE correspondia à pessoa citada. Isso porque alguns perfis no Twitter apenas levam o nome do famoso, mas não tem a essência do famoso. Pesquisei durante um tempo e achei uma notícia do Jornal Agora dizendo que o perfil de Maluf é falso. A matéria datava de junho e realmente pude constatar que há um perfil falso do político – bem mal feito por sinal.

Outra nota no site Malufistas Pro São Paulo – de agosto de 2009 – afirma que Paulo Salim Maluf aderiu ao Twitter sim. E justamente com a conta com a qual me correspondi. Os twitts parecem muito verdadeiros e contam um pouco do cotidiano do Deputado: algumas passagens pelo plenário, vídeo de campanhas, elogios à pessoas famosas… enfim… tudo o que um político de verdade faz.

Não posso resistir e sempre mando alguns replys para Paulo Maluf. E em uma dessas vezes ele me respondeu. Consegui assim uma Twittentrevista exclusiva com o ex-prefeito, ex-governador e Deputado Federal mais polêmico do Brasil. Tudo em 140 caracteres… Se esta não for uma grande entrevista, nunca mais leiam aqui.

Não posso dar 100% de certeza que é Paulo Maluf. Mas ao que tudo indica, consegui mais um furo de reportagem. Acompanhe agora as palavras do Deputado Federal Paulo Salim Maluf.

Ideia Fix: Seu jingle na campanha para prefeito de 2008 foi “São Paulo é a cara de Maluf“. Era para ser motivacional?
Maluf: Não era não. Só queríamos mudar um pouco o jingle que usei em 92, “São Paulo é Paulo“.

Ideia Fix: Depois de passar alguns dias comendo quentinha na cadeia, você tem alguma proposta para resolver a crise penintenciária na cidade/estado?
Maluf: Os salários são baixos,os presos mandam nos presídios e com uma política de valorização dos agentes,vamos melhorar isso.

Ideia Fix: E o Leve Leite? Por que há acusações de que o produto não tinha qualidade? Kassab alega que trocou a marca e dá leite melhor.
Maluf: Na nossa gestão o leite era de excelente qualidade, era mais concentrado e rendia; 2Kg que rendiam 15lts e nunca atrasou a entrega.

Ideia Fix: Quem foi seu maior adversário político? Aquele mais respeitável, que dava gosto debater e ganhar, claro….
Maluf: Veja, não há um adversário em especial, sou adepto da frase  “A vida é um combate, que aos fracos abate, aos bravos e aos fortes só pode exaltar”.

paulo

Mini Biografia
Paulo Salim Maluf é engenheiro, empresário e nas horas vagas político. Já foi prefeito de São Paulo 2 vezes, Governador 1 vez, Deputado Federal 1 vez e atualmente é dono (com licitação pública) da cadeira de Deputado Federal por São Paulo. Já apoiou a ARENA, partido da ditadura Militar e foi Secretário da Fazenda.

Suas administrações foram marcadas por 2 aspectos: O primeiro são as obras grandiosas, que podem ser chamadas de aspecto positivo, como a Rodoviária do Tietê, 78 pontes e viadutos (só no primeiro mandato!), a maior parte das duas Marginais (Tietê e Pinheiros), e mais inúmeras ruas, avenidas, túneis… tudo foi o Maluf que fez.

O segundo aspecto foram as denuncias de improbidade administrativa e superfaturamento das obras. O principal alvo das denúncias é a Avenida Aguas Espraiadas (?), que agora é chamada de Roberto Marinho. Foi acusado também de desviar o dinheiro dos precatórios (dívidas em dinheiro que a Prefeitura tem com os cidadãos). Já foi preso, mas nunca condenado. Ah… e apadrinhou Celso Pitta na campanha para Prefeito.

Frases Famosas
Se o Pitta não for um grande Prefeito, nunca mais votem em mim”.

“Estupra mas não mata”.

“Ninguém anda 1 quilômetro nessa cidade sem passar por uma obra do Maluf”.

“Sabe aquela ponte? Foi o Maluf que fez!

“Estupra mas não mata”
Em relação a frase “estupra mas não mata” o próprio Dep. Paulo Maluf me pediu para que eu acrescentasse o contexto na qual ela foi dita. Segundo ele: “O contexto que foi retirada, foi em uma defesa minha da prisão perpétua. Dizia que o sujeito que comete dois delitos hediondos deve pagar mais“.
Na Sabatina da Estado de SP, na ocasição das eleições municipais, a ponderação foi a seguinte: “Aquela frase foi dita num contexto, numa conferência em Belo Horizonte, onde eu disse que o estupro era um crime hediondo, e que o estupro seguido de morte merece prisão perpétua. Em Nova York, esse crime merece cadeira elétrica“.

O vídeo abaixo pode detalhar melhor:

Agradeço ao Dep. Paulo Maluf por responder todas as minhas indagações, desejando que sempre saiba dicernir quais as melhores atitudes a serem tomadas visando o bem da população.

As entrevistas vão continuar. Aguarde novos personagens!