Fazendo a notícia: Bombas em Boston

Chegar em casa após um cansativo dia de trabalho e relaxar na poltrona pensando no dever cumprido é o sonho de todo trabalhador. Não é diferente com os maratonistas, que após 42 quilômetros colocando pé a frente de pé, querem cruzar a linha de chegada, olhar para seus tempos e também sentir a sensação de dever cumprido.

Não foi o que ocorreu com os corredores da maratona de Boston, uma das mais tradicionais do mundo. Duas explosões aconteceram na reta de chegada, quando os anônimos terminavam a corrida.

Eu descobri através do Facebook. O sentimento de ataque terrorista é o primeiro que aparece, mas não necessariamente é o verdadeiro. Pela CNN, descobri que as explosões ocorreram em locais diferentes, o que é MUITO preocupante.

O caos estava instalado. Dois mortos, 23, 28 51 100 feridos – 06 em estado grave, pelos relatos –  e muita incerteza.

No Twitter pipocavam conjecturas. E mais sustos estariam por vir: além das 2 bombas detonadas – neste ponto noticia-se BOMBAS e não um mero botijão de gás – pelo menos outras 3 foram encontradas no trajeto dos maratonistas.

Pouco depois, descobriu-se que outra explosão havia acontecido, dessa vez na biblioteca de Boston, próximo ao memorial ao ex-presidente JFK. Entretanto, ainda não estava claro se os incidentes estavam relacionados ou não. Aliás, na biblioteca, poderia nem ser uma explosão, mas sim um incêndio (ou algo do tipo).

A coisa ficou séria. A Casa Branca foi cercada e devidamente protegida. O tráfego aéreo sobre a cidade foi interrompido. USA under attack again?

Até o começo da noite não se procuravam culpados. O fato é que em 15 de abril é comemorado o dia do “fundador” da Coréia do Norte, Kim Il-sung. Das duas uma: ou os norte coreanos ficaram malucos de vez ou alguém muito esperto aproveitou a data, uma vez que o dia “tradicional” para ataques terroristas é 11 e não 15.

(POST EM ATUALIZAÇÃO – SE OCORRER ALGO NOVO, CLARO).

Bombas em Boston

O Primeiro de Abril mais longo do Brasil

“Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus DIREITOS, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.”

O inflamado texto acima é parte do editorial de O Globo, publicado no dia 2 de abril de 1964, após um dos momentos chave da história do Brasil. O deposto João Goulart não terminaria seu mandato, assim como seu antecessor Jânio Quadros.

Mas, afinal, o Palácio do Planalto exercia mesmo a tal da ação subversiva? Os tais vermelhos haviam mesmo envolvido a mais alta esfera política do Brasil?

Os eventos que levaram à queda (ou à rasteira em?) de Jango começaram com os parafusos a menos de Jânios Quadros. O homem da caspa de mentira (?), do sanduíche de mortadela no bolso, dos cabelos desalinhados e dos bilhetinhos retos e diretos não aguentou a pressão de Brasília e pediu pra sair. O que ele REALMENTE queria fica para a galeria de mistérios que aparentemente jamais serão descobertos.

Mas o fato estava consumado em 25 de agosto de 1961. Em seu lugar assumiria o gaúcho João Goulart, eleito democraticamente vice-presidente, ainda que não comungassem das mesmas ideias. É bom lembrar que presidente e vice eram eleitos separadamente e não necessariamente eram chapas pertenciam a mesma chapa.

Já em 61 as Forças Armadas movimentaram-se para impedir que comunista (será?) Jango, naquele momento em um rolê uma visita à China (ainda sob influência de Mao Tsé Tung), vestisse a faixa presidencial.

E ATÉ QUE FAZIA SENTIDO.

Em plena Guerra Fria, quando um simples “vish, eu não deixa queito” poderia provocar uma saraivada de mísseis para todos os lados, DAR A IMPRESSÃO de aliança com russos e chineses poderia provocar uma reação nada amigável de nossos vizinhos estadunidenses, seja explosiva ou econômica.

Particularmente eu duvido que o Brasil se transformaria em um regime comunista. E duvido, também, que a melhor forma de acabar com a tal da ameaça fosse a base da força. Não faltaram eleições diretas um ou dois anos de depois?

Jango ainda se sustentou um tempo, mas os tanques dos militares foram mais potentes.

É claro (?) que não se poderia imaginar que o controle militar perduraria por tanto tempo, muito menos que a perseguição aos ditos comunistas resultaria em imagens como o suicídio (mais do que forjado) de Vladmir Herzog. Sem contar toda a parte da tortura e dos desaparecimentos inexplicados, inadmissíveis em qualquer tipo de governo.

Mas todo esse contexto histórico dos últimos parágrafos serviu para embasar uma percepção que me ocorreu nas pesquisas para esse texto: ainda há um traço, um sentimento, uma ideia (e até mesmo um saudosismo) em muita gente de que o golpe de 64, ou melhor, a Revolução de 64 não apenas foi benéfica, mas como infelizmente acabou. Veja:

“A data de 31 de março de 1964 é magna na história de nosso país, quando brasileiros patriotas tomaram armas contra os traidores da Pátria, que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba tropical. Heróis, alguns ainda vivos. É preciso retirar da História as sua lições”.

Percebem a similaridade entre o texto acima, postado por um cidadão qualquer no Youtube e o editorial de O Globo, no início do texto? O traço se mantém. Assustador? Natural? Certo ou errado?

O xeque mate dado em 31 de março resultou, na manhã seguinte, no Primeiro de Abril mais longo – e sem graça – da história do Brasil. Tão longo que, pelo visto, ainda não acabou para muita gente.

Se eu fosse você reservaria 49 minutos do seu dia para assistir a entrevista do brilhante  Geneton Moraes Neto com o General Leônidas Pires Gonçalves. É interessante demais como um mesmo fato – por exemplo a morte de Herzog – pode ser vista de ângulos tão diferentes. Tão diferentes que nem parecem o mesmo fato.

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Tenho cada vez mais certeza que, mais do que um Golpe ou Revolução Militar, o que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985 foi uma verdadeira Guerra Civil Brasileira.

Varig, da excelência à falência: o que deu errado?

“Varig, Varig, Varig”. Um dos jingles mais conhecidos e tradicionais do país gravou em milhares de brasileiros o nome de uma companhia aérea que muito fez, mas que hoje não passa de uma massa falida e de uma excelente história para contar. Afinal, o que aconteceu com a Pioneira, do ápice ao fundo do poço?

A Varig, fundada no Rio Grande do Sul da década de 60, cresceu e se destacou como uma sólida empresa nas mãos de Rubem Berta (hoje no ramo de clínicas e avenidas). Os pilares desse crescimento foram o respeito (e a fartura) para com o cliente e, com os funcionários, o intenso treinamento técnico e humano, fornecendo todos os subsídios necessário para trabalhar. A estrutura era invejável, acolhendo todos.

A comissária de bordo Claudia Vasconcellos escreveu o livro “Estrela Brasileira“. Boa parte das informações aqui contidas de lá foram tiradas.

Primeiramente há que se falar do serviço de bordo estupendo. Algumas coisas que captei durante a leitura do livro fizeram meus olhos saltarem, a boca salivar e o estômago perguntar por que eu estava deitado e não viajando Varig. Veja só que loucura:

“Servíamos canapés frios — torradinhas cobertas com pasta de roquefort, ovas de salmão com maionese, foie gras e pequenas bolinhas de caviar com uma minifatia de limão — e quentes, palitos de churrasquinho e casquinhas de siri.

(…) Passávamos um carrinho de bebidas, com garrafas de Johnnie Walker — Black e Red Label —, Chivas, Ballantine’s, Jack Daniel’s, Crown Royal, Glenfiddich, Campari, gim Tanqueray, vodka Stolichnaya, Vermouth Seco, Vermouth Doce, Dubonnet, Carpano, Cachaça Nega Fulô, rum cubano e um balde de gelo com champanhe — o gargalo envolto em guardanapo de linho. (…) cervejas de várias nacionalidades, suco de tomate, Ginger Ale, Seven Up, club soda, água tônica, Coca-Cola, guaraná, água com gás e jarras de suco (…) angostura, orange bitter, vidrinhos com cereja em calda e azeitonas e um copo com espetinhos (…), um copo grande com agitadores, copos para short e long drinks e flutes. Na parte inferior, copos para água, vinho tinto e branco”.

E você pensa que é só? Ainda tinha o carro de caviar. “Trazia, na parte superior, uma lagosta com galantine, uma concha cheia de gelo moído encimado por uma lata grande de caviar Beluga Malossol e limões cortados ao seu redor, vodka Stolichnaya envolta em gelo enluvando a garrafa (…), tigelinhas com manteiga clarificada, sour cream, limões em fatias, cebola cortada em cubinhos reduzidos ao seu tamanho mínimo, gema e clara de ovo picadas, uma forma coberta por um guardanapo com blinis aquecidos e melba toasts (…) melões com presunto de Parma.

Não, não acabou! Faltaram as sopas, as saladas, torradas e o churrasco. Churrasco? Acredite se quiser. Ah… Eu citei as nozes, os queijos, tortas, café, chás e licores digestivos? Que bom, porque faltou o café da manhã, com pães, bolos e ovos fritos na hora, pelo cozinheiro na galley.

Tantas outras coisas, gastronômicas e materiais, também eram servidas a bordo. Valeria um texto só para elas. A leitura do livro é imprescindivel. E eu, como Bacharelando em Administração, ficava me perguntando como manter essa estrutura em todos os vôos. A Varig rodava o Brasil e o mundo e tinha esse serviço de bordo impecável.

Por que faliu?

A falência, claro, tem várias explicações e uma delas é a mudança no paradigma dos serviços de bordo. Hoje nos surpreendemos com “amendoim e bolacha” a vontade. E só. O espaço entre as poltronas foi diminuído. O avião deixou de ser uma ocasião especial, um luxo, e passou a ser rotina para muita gente. Isso é ruim? De forma alguma. É apenas outro modelo de negócio, no qual tudo é mais pratico e rápido. Antes, o ápice era a viagem. Hoje, é partir e chegar. De preferência sem atrasos.

Outro motivo foi a perda de alguns privilégios nos vôos internacionais. O padrão da Varig era uma excelente propaganda para os militares (assim como a seleção de 70). Ainda: as lojas da Varig no exterior eram “embaixadas”, nas quais turistas e exilados liam jornais e revistas tupiniquins. No governo Collor isso foi por água abaixo. Concorrência faz o preço baixar e a demanda diluir. E por falar em governo, é bom lembrar a terrível década de 80, com trocentos planos econômicos e inflação a 60 mil pés. Quem se arriscaria a viajar assim?

As dividas e balanços negativos começaram a se acumular na década de 90 (muito em função, como dito, dos custos crescentes e do preço congelado de passagens) e, com isso, a decadência se tornou mais obvia: os atrasos de salário (ou pagamento em parcelas) minavam o maior patrimônio da Varig: os funcionários. Como se não bastasse, tinham que usar mais do que criatividade para suprir a carência de objetos a bordo. Até pó de café alguém traziam. Insustentável.

A Pioneira foi loteada, vendeu o que podia. Agonizou. Demitiu por telegrama. Morreu.

Hoje a Varig é uma (saudosa) lembrança na memória daqueles que acordaram pelas manhãs ouvindo o cantar dos pássaros, que aprenderam sobre a cultura do país para qual viajavam, que deram valor a sofisticação. Tudo isso nos vôos da Varig.

Varig, Varig, Varig!

Forward Obama, Forward

Eu vou, eu vou, pra casa (Branca) agora eu vou…

A caixinha de correio da Casa Branca vai continuar estampando o nome dos Obama pelos próximos 4 anos. O democrata foi reeleito com 303 delegados no colégio eleitoral, enquanto seu adversário, o republicano Mitt Romney, conquistou modestos 206.

A campanha foi bastante acirrada. A grave crise econômica e sua retomada foram argumentos tanto de um lado quanto de outro. As projeções durante os meses de debates e comícios não arriscavam um vencedor. A igualdade manteve-se nos três debates realizados. Terminaram com o placar de 1 x 1 x 1. Romney venceu esmagadoramente o primeiro. Obama retomou com classe e venceu o segundo. No terceiro, claro empate.

Romney foi um adversário competente, tanto por ele mesmo quanto pelas circunstâncias. Partiu para o ataque com sede ao pote. Cometeu algumas gafes, é verdade: apontou a Rússia (?) como grande adversária e não deu lá muita importância para fontes alternativas de energia, prometendo, inclusive, investir nos combustíveis fósseis, na contra-mão do resto do mundo. Entretanto, obteve um desempenho nas urnas melhor do que John McCain, em 2008.

Obama, por outro lado, continuou abusando da oratória mais do que conhecida e reverenciada, entretanto, contou com um aliado importantíssimo: Bill Clinton encantou as plateias com ataques ácidos às propostas e ao candidato republicano e, muitas vezes foi considerado a estrela da noite. O senso de humor do ex-presidente continua intacto.

Pesquisas realizadas ao redor do mundo eram claramente favoráveis a Barack Obama. Todo mundo gosta dele. Todavia, aonde mais interessa, ou seja, dentro dos EUA, a coisa foi é bem dividida. No voto popular, foi 50% x 48%, pouco menos de 3 milhões de votos de diferença. O novo-velho presidente vai ter que unir o país e continuar a retomada de sua economia, o estímulo a criação de postos de trabalho e olhar com mais carinho para saúde (lembre-se que lá não tem SUS. E sim, isso é um problema, por mais incrível que pareça).

Esse último ponto, aliás, ficou bem claro durante a campanha. Enquanto Obama pregava a manutenção do Medicare (um plano de saúde para idosos, por assim dizer) e um Medicaid (o mesmo, mas para famílias de baixa renda), Romney apontava que o jocoso “ObamaCare” causaria um rombo financeiro, o que de fato tem preocupado especialistas financeiros. Do UOL: “Segundo Don Berwick, ex-administrador dos centros de serviços do programa, o desafio pela frente é muito mais complicado do que simplesmente mudar a estrutura de financiamento do Medicare. Segundo ele, o sistema de saúde inteiro precisa de mudanças”.

Para cumprir o que o próprio slogan da campanha reafirmava – Forward – o tio Barack vai ter que lidar com a maioria Republicana na Câmara dos Deputados contra uma maioria apertada de Democratas no Senado (fora os 30 governadores Republicanos x 17 Democratas).

A dobradinha Obama-Biden tem mais quatro anos. Com o mundo inteiro de olho e a vigilância em casa bastante pesada, não serão dias tranquilos. Principalmente porque agora não será possível gastar a carta na manga que foi a captura de Osama bin Laden. Vão ter que achar outro trunfo.

Não há nada melhor do que terminar com as palavras do próprio reeleito, em mensagem aos apoiadores antes do discurso em Chicago. Tradução minha, portanto, peço desculpas adiantadas:

“(…) Eu quero que vocês saibam que este não era o destino, e não foi um acidente. Vocês fizeram isso acontecer. (…) Hoje é a mais clara prova, que contra todas as probabilidades, os americanos comuns podem superar os interesses dos poderosos. Há muito mais trabalho a fazer, mas, por hora, obrigado”.

The American way of speech

Lá vem o Negão, cheio de paixão…

Quando a madrugada do dia 25 de janeiro dava seus primeiros passos aqui no Brasil, o Presidente dos Estados Unidos entrava no Congresso americano para fazer um tradicional discurso, chamado lá de State of Union.

Em resumo, é a oportunidade anual e obrigatória do Presidente prestar contas do mandato (aos congressistas e a população) e revelar as perspectivas a curto, médio e longo prazo. Mais do que isso, é motivador, nacionalista e crítico. Nada é improvisado. Cada vírgula é colocada e ensaiada, numa coreografia de precisão cirúrgica.

Amigos leitores, com o perdão da expressão, Obama pôs o pau na mesa. Foda ba garai. Leia o discurso completo, em inglês, no blog do Rodrigo Lopes, bom repórter da RBSObviamente, foi impossível não abrir comparações entre o modelo estadunidense de governar e o tupiniquim nosso de cada dia.

Começa pela obrigatoriedade. Tá na sagrada Constituição deles que o cidadão que estiver jogando X-Box no Salão Oval deve comparecer ao Capitolio para trocar umas ideias com os manos engravatados. Aqui no Brasil é raro ter uma coletiva de imprensa (raríssimo). Os pronunciamentos são curtos, engessados e… gravados. Ir ao Congresso? Só no Dia da Posse…

A obrigatoriedade força uma preparação. Ir até lá pra fazer algo meia boca não rola. Então, os assuntos são selecionados a dedo, com meses de antecedência. Planejamento!

Algo que me impressionou foi a capacidade de discurso de Barack Obama. Falou durante quase uma hora, sem necessitar voltar os olhos para o papel. De fato, se o Rodrigo Lopes não tivesse alertado, eu nunca teria percebido que usou-se o teleprompter (ainda tenho minhas duvidas…). FHC e Dilma não tem a oratória prejudicada… são articulados. Lula, então, nem se fala. Por que não usar? Precaução? Não precisar sair da zona de conforto dos discursos gravados? Não tem emoção! Não é um diálogo! Chega de interrogações e exclamações!!!!

Mais legal do que a capacidade oratória, é o tamanho do culhão (balls of steel) para dizer o que foi dito por Obama. Em itálico e negrito, minha tradução livre de trechos do discurso em inglês.

Está cada vez mais caro fazer negócios em países como a China [...] Crio hoje uma comissão para investigar práticas desleais de comercio em países como a China. Eu não imagino ninguém aqui espetando um país vizinho nesses termos. E espetando com toda a razão, diga-se de passagem. Com as fábricas se transferindo para lá, aumenta o poder de controle chinês. E poder demais na mão de um só país nunca é bom.

Outro tapa com luva de boxe foi em Wall Street. Algo como não voltarei aos dias em que Wall Street criava suas próprias regras [...] Portanto, se você é um grande banco ou instituição financeira, não está mais autorizado a fazer apostas arriscadas com o dinheiro dos seus clientes. Cabongada em quem tem dinheiro não é exatamente uma das especialidades da Situação. Aliás… muito pelo contrário.

Como se não bastasse, ele sabe que produtores de leite são capazes de conter um vazamento do seu produto, sem a necessidade de agências federais fungando no cangote, mas quer ter certeza que as companhias extratoras de petróleo são capazes de evitar o que vimos no Golfo [do México] há dois anos. Seria fantástico alguém chutar a canela da Petrobrás quando esta faz alguma besteira, mas não. Ninguém tem coragem pra isso.

E, finalmente, algo que não vejo possível no Brasil mais por culpa das militâncias partidárias cheias de mimimi do que dos próprios políticos. Obama disse: Sou Democrata. Mas acredito no que o Republicano Abraham Lincoln acreditava: O Governo deve fazer aquilo que as pessoas não são capazes de fazer melhor sozinhas e nada mais do que isso.

Cada país deve ser autônomo na maneira de gerir sua política. Cada Estado tem sua cultura, seu jeito de governar, construído passo a passo, dia após dia. Entretanto, isso não nos impede de observar e aprender com práticas de nossos co-irmãos. O Discurso do Estado da União viria bem a calhar num Brasil carente de debates positivistas e construtivos.

2012 é ano eleitoral nos EUA. E esse foi o discurso que pode ter decidido a corrida à Casa Branca a favor de Barack Obama. Segundo a Globo News, esse discurso fez a popularidade do presidente Clinton, na oportunidade, subir VINTE PONTOS PERCENTUAIS.

E, sinceramente, o Negão foi bem pra caramba.

O Pateta é meu herói

A Disney, hoje, não é nem sombra do que foi há algumas décadas. É claro que a magia ainda permanece, principalmente falando de seus parques temáticos. Já as novas obras não são exatamente a última bolacha do pacote, tanto é que se aliaram (ou compraram, como queiram) a Pixar. Se olhar o canal Disney Channel e Disney Channel XD, então…  todas aquelas séries com atores mirins que viram estrelas mundiais e motivo de choro das adolescentes tem, para mim, um lugar reservado na lata do lixo. Pra quem já viu “Fantasia” e seu icônico Aprendiz de Feiticeiro, não dá pra ficar contente com o que transmitem agora. Pobres jovens.

Mas eu perdôo. Não guardo rancor. Desculpo todas as falhas que os novos tempos podem causar. Simplesmente porque temos o Pateta. O cachorro que é bípede e fala como humano – ou quase isso –  tem a MELHOR série de desenhos entre o trio de ouro (sim… é melhor que Donald e Mickey). Os manuais, tutoriais ou sei lá como chamam esse tipo de história na qual o narrador descreve as situações e nosso amado Goofy as coloca em prática, são fantásticos.

Os desenhos antigos, com qualidade no roteiro e piadas na sintonia do quanto mais simples, melhor, não vão morrer jamais. Quer dizer, ao menos enquanto existir o Youtube.

Abaixo relaciono alguns “episódios” inesquecíveis. De fato, o Pateta é meu herói.

(Esse ultimo não é da mesma série, mas eu tinha essa fita cassete quando era pequeno. Quase escorreu uma lágrima revendo as cenas que eu AINDA tinha na memória. Foi nesse que eu aprendi o grito do Pateta, como saber se uma corda está esticada e como deitar na rede com estilo

Impressionante como, mais de 16 anos depois, eu ainda sabia o que ia acontecer em cada tomada de cena. Emocionante.)


O curioso caso Geisy Arruda

A nobre leitora não precisa ficar intrigada. O atento leitor, por sua vez, não precisa coça os ralos cabelos que ainda restam na altura das têmporas. E, por mais que a maioria de votos diga que sim, ainda não estou completamente maluco.  Eu vou mesmo falar sobre Geisy Arruda nesse texto.

O caso Arruda (não confundir com o político do DF) é muito mais interessante do que parece. Acho que, mais do que uma análise, vale uma reflexão.

Começamos pelo começo.

Dia 22 de outubro de 2009. Manhã. Quem era Geisy Arruda? Até aquele momento, uma estudante como tantas outras. Fazia parte da minoria (ainda somos minoria? Odeio usar esses chavões sem ter certeza) que tem acesso ao Ensino Superior. Estudava turismo. Mais uma na multidão, sem destaque, brilho ou atenção.

Dia 22 de outubro de 2009, noite. Pequenas decisões alteram definitivamente nosso futuro. Quantas roupas existem em um guarda-roupa de mulher? Quantas opções de vestuário poderiam ser utilizadas naquela noite? Muitas, sem dúvida. Entretanto, o escolhido foi o vestido rosa, curto (?). O vestido dos ovos de ouro, sem duplo sentido.

Numa história até hoje mal explicada, alguns alunos (sempre são poucos que comprometem muitos) revoltaram-se com o tamanho diminuto do vestido e promoveram uma baderna generalizada. Alguns afirmam que foi Geisy quem provocou os baderneiros… hã… sensualizando um pouco demais.

Resumindo a ladainha, a polícia foi chamada e a imprensa também. Geisy deu entrevistas, foi a programas matinais, abandonou a Universidade. Processou. Normalmente o caso acabaria aí, com os 15 minutos de fama. Contudo, algo diferente aconteceu. Dessa vez a pequena janela da oportunidade foi agarrada com força, escancarada. Geisy mergulhou no rabo do foguete. Novamente sem duplo sentido.

O parágrafo de um texto do R7 é emblemátivo: “Um ano depois, Geisy se tornou uma celebridade – estudou teatro, abriu uma grife de vestidos, escolheu um namorado no programa de Rodrigo Faro, foi convidada para estrelar videoclipes, posou nua para uma revista masculina e participou do reality show A Fazenda (Record), do qual foi a segunda eliminada“.

Atualmente Geisy Arruda tem um papel cômico (pelo menos a intenção é essa) na Escolinha do Gugu. Ganha seus cachês/salários e vai construindo sua carreira, seu patrimônio. Até fã clube tem.

Por mais estranho que possa parecer, Geisy é um exemplo para mim e para você. Podemos questionar seu talento, as reais intenções do tal do vestido, se a qualidade dos projetos dois quais ela participa é boa ou ruim. Você pode questionar se teria coragem, senso do ridículo, enfim…  vontade de encarar a mesma coisa. Justo. Justo como o vestido.

Entretanto, não dá para ignorar o que ela conseguiu. Está estabelecida numa grande rede de televisão. Tem um networking respeitável. Fez sua conta bancária crescer. Viveu em 2 anos o que muitos não conseguem em 30. Se o momento é de exaltar os empreendedores, aqueles que transformam o nada em alguma coisa, há de se entender o caso Geisy como uma história de sucesso. De alguém que tinha um problema nas mãos, mas viu uma oportunidade.

E tudo por causa de um vestido.

Um vestido.

Passaram a perna no Rei Roberto

Hoje é o aniversário político da cidade onde moro. Isso significa que há 154 anos Itatiba tornou-se independente politicamente, tendo sua própria Câmara de Vereadores e, consequentemente, suas próprias Leis. Também conhecido como emancipação política. Para comemorar a data, o Programa Voz e Vez (é, aquilo que eu chamo de programa de rádio) entrevistou o historiador e Secretário de Cultura, Esportes e Turismo da cidade, Luis Soares de Camargo.

A entrevista teve 40 minutos de material bruto e muita coisa interessante deixou de ir pro ar por falta de tempo. Mas eu sei que, pra vocês, não interessa muito saber como Itatiba foi fundada, nem a participação dos imigrantes no processo de desenvolvimento da terrinha. Por isso, aqui, vou transcrever as palavras do entrevistado sobre as duas visitas do Rei Roberto Carlos em Itatiba. Sim! O Rei esteve aqui e vocês não vão acreditar no que fizemos com ele.

Diz o Secretário:

“Na verdade, o Roberto Carlos quando veio nos anos 60 pela primeira vez em Itatiba, 67, mais ou menos aí, por esse período, ele se apresentou no Cinema (Cine Marajoara), que hoje é as Casas Bahia, ali na Praça da Bandeira. Ele ficou hospedado num hotel onde hoje é o Palecete [Damásio]

O Palacete que era Hotel

Mas é claro que as meninas sempre gritavam o nome de Roberto Carlos e queriam pegar no Roberto Carlos e tirar um pedaço da roupa dele… estava no auge do sucesso. E os rapazes de Itatiba se sentiram enciumados com isso. E o que houve foi que na escadaria do Palacete, existe até hoje, ele LEVOU UMA RASTEIRA e quase caiu. Na verdade foi isso que aconteceu. Daí que ele ficou muito bravo, dizem que ele fez uma música… uma música “Querem acabar comigo”, essa coisa toda e saiu muito chateado de Itatiba.

Alguns dizem que o caso foi até mais sério e que pessoas se engalfinharam com os guarda-costas do Roberto Carlos. Isso realmente aconteceu, que eu saiba, na escadaria do Palacete: um rapaz de Itatiba, família muito conhecida,  e que passou uma rasteira nele, e houve um início de briga e por isso ele ficou muito chateado. Mas foi por conta disso, ciúmes, porque as moças queriam se aproximar do Roberto e eles então – os rapazes de Itatiba – ficaram enciumados.

Escadaria do Palacete. Será que foi aqui?

Uma segunda vez o Roberto veio a Itatiba, mas aí ele já não estava no auge da sua carreira. E se apresentando aqui no Ginásio Municipal de Esportes [José Boava]. Porque é difícil lotar o Ginásio de Esportes… não é fácil não. Então não é que ele foi mal recebido depois, não, ao contrário. Ele não estava com sucesso suficiente para lotar o Ginásio, então as pessoas NÃO se interessaram em ir assistir o Roberto Carlos.

Vôlei no Ginásio. Bons tempos de Olimpíada Estudantil

E houve até uma questão engraçada que as pessoas responsáveis pelo show passaram de carro na Praça da Bandeira lotando peruas Kombi e tal, DE GRAÇA, para não passaram vergonha, porque não tinha quase ninguém para assistir o Roberto Carlos no Ginásio Municipal de Esportes. Foi isso que aconteceu”.

Quem diria hein? Que baita sacanagem fizemos com o Rei. Além de passar a rasteira no coitado, ainda avacalhamos com o show, entrando todo mundo de graça…

Parabéns Itatiba! #ItatibaDay! Que orgulho da minha terra!

O charmoso Grito do Ipiranga

Naquele longínquo ano de 1822, era D. Pedro o responsável por cuidar da quitanda chamada Brasil. Seu pai, o gorducho D. João, tinha raspado os cofres da Corte e voltado de mala e cuia para Portugal, após um período de paz e tranqüilidade nos trópicos. Ah, as férias!

Certo dia, Francisco Gomes da Silva, o Chalaça – o melhor amigo que um homem poderia ter, afinal, não é todo mundo que pode contar com alguém especializado em marcar festas e, principalmente, arrumar mulheres dispostas a… divertir o patrão – disse a Perdão:

Pô Pedrão… lá em Santos tem um menino da base surgindo. O moleque é bom de bola e tem grande potencial midiático. Bora lá? Você aproveita e inspeciona as nossas defesas marítimas, assim ninguém enche o saco“.

Excelente ideia, Chalaça. Arrume a tropa. Tô precisando de uma praia diferente, mesmo“.

E partiram no lombo da mula para Santos, em direção a Vila Belmiro. Bem… o jogo não foi lá aquelas coisas (dizem as fontes históricas que o menino caia demais) e as fortificações não estavam lá aquelas coisas, mas passaram na revista.

No dia anterior a volta, uma belo almoço foi organizado em honra de D. Pedro. A ideia, claro, foi do Chalaça. E dá-lhe feijoada, cerveja, torresminho frito, vinagrete, farofa. Foi um almoço digno de chamar um guindaste para mover os participantes.

Na manhã do dia 7 de setembro, bem cedo, a viagem de volta começou. A subida, que já era lenta devido a íngrime subida, ficou ainda mais comprometida com a digestão do dia anterior. Pedrão suava, sentia a barriga borbulhar. Nem chazinho de folha de goiabeira resolvia o problema. Não foram poucas as vezes que o matagal foi mais amigo que o próprio Chalaça. Folia no matagal.

A subida da serra tinha sido cansativa, mas nada se comparava às 8 horas de caminhada pelo planalto. E como desgraça pouca não vem sozinha, ao final da caminhada ela veio a galope. A trupe vinda do Rio de Janeiro, que fazia as vezes de carteiro (que estavam, pra variar, em greve), trouxe 3 cartas. D. Pedro leu, mas estava morrendo de vontade de usar como substituto das folhas que até então era sua salvação.

A primeira, do Zé Bonifácio, dizia: “Ó Pedrão, se liga na parada. Vi no Twitter do Capitão um check in no Foursquare lá no porto de Lisboa com outros 7.100. Parece que os homi tão vindo pra cá. Na boa… ou você declara “saporra”  - com todo o respeito, majestade – independente ou vai virar rapariga dançarina do vira nas cadeias de Portugal”. Pedrão terminou a leitura e deu um sorriso de canto de boca.

A segunda, de D. Leopoldina, terminava com: “Deixa de ser bunda mole e faça o que tem que fazer“. D. Pedro ergueu levemente a sobrancelha esquerda.

A terceira era da chefe das cozinheiras do palácio imperial. Dizia: “Tudo o que você puder carregar de farinha, café, ovos e frutas. Traz da banca do seu Joaquim, é a melhor que tem no Mercadão“. Pedrão pensou no sanduíche de mortadela, mas sua barriga rugiu, demonstrando o mais profundo desespero.

Pedrão respirou fundo. Olhou para lado e viu um soldado de sua guarda de honra limpado o salão com o dedo indicador. Olhou para outro e viu parte de sua tropa chutando pedrinhas no chão. Olhou para o padre Belchior e perguntou o que deveria fazer. O padre Belchior respondeu: “Você é um rapaz latino americano, com parentes importantes. Faça a sua história“.

Pedrão então bateu o martelo: “Seguinte pessoal. A coisa tá feia e o bicho tá pegando. Todo mundo acha que eu sou um moleque, ninguém me respeita. Então tá na hora daquele povo de Portugal ver quanto vale esse moleque. Aqui… pode espalhar pra todo mundo que somos livres. Essa porra é nossa e ninguém vai botar banca nas minhas quebradas. Papai e todos os outros lá em Portugal vão ter que me engolir!”.

Fez-se um silêncio sepulcral.

Porra… ninguém vai me apoiar? Tá todo mundo se cagando de medo? E eu achando que o cagão da expedição aqui era eu!

É que… majestade… você está esquecendo de alguma coisa. Falta aquela frase lá“.

Frase? Que frase? Pera aí, deixa eu consultar o roteiro. Bla-bla fica com vontade de evacuar… humm… recebe a carta… tá…humm.. er.. ah, aqui! Gri-ta in-de-pen-dên-cia ou mor-te”.  Era isso? Só isso? Então tá…

As mãos dos soldados lentamente se dirigiram as bainhas

Declaro o Brasil livre de Portugal. INDEPENDÊNCIA OU MORTE!

Documentário gravado ao vivo

INDEPENDÊNCIA OU MORTE!” gritaram todos, brandindo suas espadas no ar. Nesse instante o Pedro Américo tira uma foto.

Pedrão, ainda um pouco inseguro, cochichou ao pé do ouvido do Chalaça: “Tá, beleza, o que faremos agora?

Eis que o Chalaça responde, encerrando esse capítulo: “Isso, Majestade, é outra história“.

Fonte: Os dados verdadeiros foram retirados do livro “1822″, de Laurentino Gomes.

Rock in Rio de sofá

O Rock in Rio tem uma premissa das mais bacanudas: reunir 100 mil pessoas (ou mais) para prestigiar as melhores bandas do mundo, em grandes shows. Você pode ter a oportunidade de assistir seus artistas favoritos, um atrás do outro (com ou sem sacanagem, sei lá), pagando apenas 1 real ingresso.

Já eu tenho o privilégio de acompanhar tudo isso do conforto do meu sofá velho, jogando amendoim pra cima e tentando acertar goela abaixo. E, como você bem sabe, não sou lá grande admirador de música. Deste modo, imagino que vejo o Rock in Rio da mesma forma que uma pessoa que não gosta de futebol assiste a Copa do Mundo: no caso do ludopédio, perguntam quem é aquele senhor com o uniforme diferente dos outros e com um apito na boca. Seria o mestre de bateria? Não… é simplesmente o Pierluigi Collina.

No caso do Rock in Rio, eu não sei a importância do Metallica para a história da música, não sei dizer se o Guns N’ Roses atual é melhor ou pior do que o de anos passados e, principalmente, não sei dizer o que a Claudia Leite fazia lá. Se alguém souber, me avisa.

Entretanto, gostaria de comentar algumas impressões que tive durante esse primeiro final de semana. Depois vocês vão me dizer se estou errado, muito errado ou se eu devo ir lá no cantinho me afogar no próprio vômito.

Não pude passar o final de semana todo acompanhando as apresentações, por isso, vou falar de apenas 4, as quais pude prestar mais atenção e formular algumas breves linhas.

Katy Perry: A moça é, obviamente, muito simpática e bonita – principalmente se você considerar o olhar. Acontece que fiz um esforço e consegui me concentrar (também) em outros aspectos. Algo que me impressionou foi perceber que ela compõe as músicas que canta. Acho muito positivo o artista participar também da criação e não apenas da execução. Nada contra os intérpretes (ou crooners), mas acho muito mais legal botar a mão na massa do que somente vender o pão.

Outra coisa que chamou minha atenção foi a leve sacaneada nos argentinos em determinado momento. Das duas, uma: ou ela estudou direitinho público que teria ou tem uma produção competente. Ponto para ela.

Rihanna: Não gostei e explico: começou o show com um enorme atraso. Se não havia nenhum problema técnico aparente, é, no mínimo, falta de responsabilidade. 100 mil pessoas em pé, outras milhões pela televisão, transmissão ao vivo, patrocinadores… Assim fica difícil. Outra coisa que me incomodou foram os insistentes movimentos com a mão na.. no.. bem… na pelve. Não julguei sensual (que deveria ser a intenção). Estava mais para partes íntimas mal lavadas e coçando. Blegh.

Motorhead: Não entendi nada. O vocalista parecia uma mistura dos caras do American Chopper com cantores de country music americana. Se eles entrassem cantando “I Walk the Line” do Johnny Cash eu não estranharia. Outra coisa a ser comentada: não senti lá muita diferença entre uma musica e outra. Parecia que estavam cantando sempre a mesma coisa. Destaque para a entrevista pós-show. Alguém perguntou qual a inspiração para a música “Going to Brazil”. O cidadão não teve dúvidas e mandou na lata: “Going to Brasil”. Xeque-mate.

Slipknot: Entendi menos ainda. Além de repetir o artifício de cantar sempre a mesma música, mas colocar nomes diferentes em cada trecho, os caras usavam máscaras nada… convidativas. Como é tradição, incitaram o público a uma “violência organizada e respeitosa”, se é que isso existe. Ao menos acredito que tenham se divertido, já que até o famoso mosh fizeram algumas vezes (literalmente, nos braços do povo). Se o meu inglês ainda presta para alguma coisa, deu para sacar que eles tentavam mostrar ao público que todos ali fariam parte de algo inesquecível, que entraria para a história da música. Entãtá. Ah sim… impressão minha ou eles se emocionaram no final? Metaleiro tem coração?

Semana que vem tem mais. Não dá para imaginar quais as surpresas que estão reservadas para o palco Sunset e para palco Mundo, mas de uma coisa eu sei: estarei com meu pijama surrado, brindando à saúde dos corajosos que estarão espremidos no meio do povo, pelo simples prazer de ver miniaturas de cantores desfilando seu talento.

Reerguendo São Luiz do Paraitinga

Começo de 2010. O peru ainda não havia sido totalmente digerido, a farofa ainda estava na geladeira e a ressaca do reveillon ainda não tinha passado totalmente quando começou a chover. E a chuva foi forte. MUITO FORTE. O rio transbordou, mas não como das outras vezes. São Luiz do Paraitinga, cidade histórica, de Oswaldo Cruz e Elpídio dos Santos, estava submersa. E, infelizmente, não é força de expressão.

Quase uma centena de casarões tombados foram completamente subjugados pela força das águas. A Igreja Matriz, o símbolo maior da cidade, estava completamente no chão.

Em amarelo você vê o que é a Praça Oswaldo Cruz. Mais acima, em vermelho, a Igreja Matriz. Do outro, em verde, o Mercado Municipal.

Mas o tempo passa. Para mim, para você e para São Luiz do Paraitinga. Tive a oportunidade de visitar o local nessa semana, e vou contar o que vi 1 ano e 9 meses após a tragédia. Impressões gerais de quem sentiu o clima e viu de perto as consequências da força da enchente.

Três estágios: danificado, restaurado e em reforma

Primeira constatação importante ao chegar no centro de tudo: não há mais escombros pelas ruas. Um detalhe bobo, mas que significa o começo da reconstrução. Ao andar pelas ruas da cidade fica visível que a maioria das casas recebeu telhas novas e, principalmente, pintura. A cidade é colorida! O comércio é o principal beneficiado pelas mãos de tinta, mas as casas não ficam fora.

Isso não significa, no entanto, que os traços da enchente tenham desaparecido. Muito pelo contrário. Andar pela área central é ser lembrado constantemente que muita coisa foi destruída. A marca d’água em várias casas ainda é bastante forte, sem contar as fachadas com muita lama, provavelmente de gente que abandonou o local. A mesma rua intercala o restaurado com o danificado. Abaixo algumas imagens dessas duas pontas.

O ponto mais emocionante é, sem dúvida, a Matriz. Ela é apenas um esqueleto do que outrora foi. É assustador ver o tamanho daquela igreja e imaginar que aquilo desabou pela força da água. Nas laterais, os tijolos antigos, encontrados nas escavações e na limpeza (que eu acho que ainda não terminou) são separados e empilhados, esperando para serem usados na reconstrução. Talvez sejam também restaurados, uma vez que podem não estar 100% confiáveis.

No local da porta da igreja, o sino. Dei sorte de presenciar um momento simbólico. Um rapaz fez o sino badalar manualmente. Vi aquele sino grande, pesado, sendo acionado pelas mãos do homem. Pode ter sido apenas impressão, mas senti o silêncio na praça toda. Os carros parecem ter desligado os motores, as conversas esmoreceram, as pessoas pararam de respirar. O sino repicava solene. PAM… PAM… PAM… Quase em câmera lenta.

O sino pára de retumbar e a vida volta ao normal. O comércio vende seus artesanatos, os bares suas bebidas, as pessoas conversam nas praças. É domingo… é isso que se faz em cidades do interior.

Saí de lá com a impressão de que é inevitável olhar para o céu nublado de São Luiz do Paraitinga e não lembrar daquele começo de 2010. A chuva caiu, a Igreja ruiu. Mas nem tudo foi pelo ralo. Muito trabalho há de ser feito. E o será.

Quem reconstrói tudo aquilo que eu vi, certamente será capaz de terminar. E a inauguração da nova Matriz será o desfecho desse pesadelo. Espero ansioso, pois São Luiz do Paraitinga não pode parar. É história demais para ser lavada de uma hora para outra.

Não deixe de ler a magnífica história da Capsula do Tempo, enterrada por Romildo Guimarães em 1927. Absolutamente sensacional…

50 coisas que aprendi com o Castelo Rá-Tim-Bum

O Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, é o programa infantil mais completo que eu conheço. Posso estar enganado, mas acredito que Cão Cao Hamburger e Flávio de Sousa (diretor e dramaturgo, respectivamente) tenham abordado todas as áreas de conhecimento humano. De Literatura a Astronomia. De Matemática ao folclore. Jornais, rádios, televisão e preconceito. Podemos fazer o teste nos comentários: você indica um tema e eu pesquiso um episódio relacionado.

Atemporal, o “Castelo” é um marco na produção infantil brasileira, tanto pelo roteiro, quanto pelas atuações. Virou clássico, cult. Depois dele, não consigo lembrar nenhuma outro projeto que tenha dado tão certo, nem mesmo o filme e a “Ilha” que vieram de carona. As vezes um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Conheço uma pessoa que se interessaria muito pela lista de 50 coisas que aprendi com o Castelo Ra-Tim-Bum. Uma não. Duas.

1 – Nem tudo na vida se resolve com magia;
2 – Para se fazer uma limonada, é preciso espremer os limões;
3 – A coroa, o manto e o cetro são coisas de Rainha;
4 – Uma criança pode ter 300 anos e nunca ter ido a escola;
5 – O mundo seria muito diferente se as cobras pudessem ter pernas, pés, braços e mãos;
6 – Jiló é o pior sabor de pizza que existe;
7 – Zula é uma forma muito mais bonita de Avatar;
8- Para apreciar com segurança um eclipse solar, é necessário utilizar um pedaço de filme fotográfico;
9 – É moleza fazer um castelo parar no fundo do mar;
10 – O Capitão Baleia é mais foda que James Bond;
11 – Lareiras são excelentes escolas de idioma. E ligeiramente mais baratas;
12 – Inu é cachorro em japonês, certo @marcelotas?
13 – Mostarda, maionese e chantili NÃO são adubos para planta;
14 – Nomes secretos são formados por “nome da pessoa + sufixo valdo“;
15 – Prédio com 100 andares são MUITO altos;
16 – Pessoas com nome de legume são malvadas;
17 – Gargalhadas podem ser fatais;

Figurinos originais!

18 – O pior castigo que existe é ser transformado num sapo gordo, roxo, com bolinhas vermelhas, olhos esbugalhados e a língua azul;
19 – Antes de comer, beber, lamber e pegar na mamadeira, lave uma mão. E a outra;
20 – Crianças usam cartolas;
21 – Monalisa é, na verdade, uma bruxa com 6 mil anos. Digo, quaaaaase 6 mil anos;
22 – O Lobo Mau mora no zoológico;
23 – Não é necessário utilizar trajes especiais para brincar na Lua. Os astronautas são frescos, mesmo;
24 – Chuvas de brigadeiros não acontecem apenas na imaginação;
25 – Um boné com hélice é o suficiente para fazer um adulto voar;
26 – Armários embaixo da escada são legais. Harry Potter é que não sabe decorar devidamente;
27 – A pior imitação de Sílvio Santos inclui uma Roda da Fortuna nas costas e um terno laranja;
28 – Chá murcha a barriga. Instantaneamente;
29 -  Uma orquestra formada por animais falantes lota o Teatro Municipal;
30 – Por mais felpuda e rosa que seja a roupa do corpo (além da fala fina), ainda é possível dar uns pegas numa repórter gostosa;
31 – Tatatossauro é uma espécie terrível. Tão terrível que é alimentada por um aspirador de pó;
32 – É normal tomar banho de roupa;

Mibalas, mibalas, agart a arevamirp arap mim

33 – Pássaros são músicos polivalentes. De quebra, dançam!
34 – Paradoxalmente, não é um bom sinal quando o Mau fica realmente mau;
35 – Há um Dia Anual da Faxina. E só isso é suficiente;
36 – Se você ouvir barulhos nos encanamentos de casa, fique tranquilo;
37 – A máquina de lavar pratos nunca termina seu serviço;
38 – Coleções de pedra devem ser levadas para o Japão;
39 – Um marinheiro sempre deve ter as mãos livres;
40 – Mesmo com uma árvore imensa, o chão nunca fica cheio de folhas;
41 – Inventores ganham muito dinheiro, mas esquecem de pagar os impostos;
42 – Adultos em miniatura vivem dançando dentro de uma caixa;
43 – Tem dia que nada dá certo: é surrebrifru que some, é quebra cabeça destruído…
44 – Um porteiro de lata só dificulta a entrada de conhecidos;
45 – É moralmente aceitável ter uma paixão avassaladora pela própria prima;
46 – Os verdadeiros heróis usam capa e espada;
47 – Tirar o gorro do Saci é o suficiente para vencê-lo. E ainda o deixa com cara de bobo;
48 – Na fazenda, os rapazes trabalhadores sempre tem nome duplo;
49 – Eu PRECISO visitar a Ilha Bora-Bora;
50 – Já deu 50? Então tchau… quer dizer… até amanhã.

Bonus track: Aproveitando que o @marcelotas gostou do texto e o reproduziu em seu blog, gostaria de acrescentar uma boa ideia, a número 51:

51 – Porque sim NÃO é resposta.

Bonus track 2: O leitor Yuri “Arara” Oliveira Petnys lembrou de mais uma coisa, essencial:

52 – Se eu te dou vinte mil cruzados pra pagar três e trezentos, o troco correto é dezessete dezesseis e setecentos!

Bonus track 3: E as contribuições chegam! A Natália Pereira (@nattycp) sugeriu e eu completo

53 – Basta assoviar para aparecer um ser folclórico (e comilão) na sua frente!

Bonus track 4: Recomendo que você dê uma olhada nos comentários. O Patrick fez uma baita lista, com sugestões muito bacanas. Parabéns!

Leia também:

50 coisas que aprendi com Silvio Santos

A TV tentando educar

Já disse aqui neste espaço que a TV pode e deve ter a função de educar, também.

O SBT com a novela “Amor e Revolução” no ar presta um grande serviço à memória brasileira.

É claro que se deve dar um desconto para os velhos clichês de novelas como par romântico  ou algum outro tipo de licença poética.

O fato é que, a temática da história ser o período da ditadura militar é algo digno de aplausos. Em um país como o nosso cheio do politicamente correto e com escolas tão defasadas no que diz respeito à qualidade do ensino, tal iniciativa é um tapa na cara de alguns.

A TV, em certos momentos deve se preocupar em educar o telespectador, mesmo que isso seja feito de maneira superficial.

Uma obra como essa ser veiculada quando temos uma presidente que sabe o que se passou nesse período é uma oportunidade única para exorcizar velhos fantasmas.

Enquanto existem emissoras que tratam os deficientes fisícos como seres humanos que podem sair andando como num passe de mágica, a TV do “vô Silvio” está de parabéns.

Fazendo a Notícia: Morre Osama bin Laden

Tudo parecia tranquilo, no monótono final de Domingo, dia 01 de maio de 2011. Monótono como todo final de Domingo deveria ser. Mas esse Domingo será lembrado como o fim do dia mais longo da história dos Estados Unidos. Um dia que começou na manhã de 11 de setembro de 2001, quando as Torres do World Trade Center, parte do Pentágono e um avião lotado vieram abaixo. Desde aquele dia, o mundo procurava um homem. E ele foi encontrado.

Por volta das 23h39, alguém na minha timeline no Twitter (acho que o @braitnermoreira) retuitou algo de explodir mentes. Procurei a origem da informação e minha reação foi simples e direta:

COMASSIM? ACHARAM O BIN LADEN? PUTAQUEOPARIU!!!!

É nessa hora que você sente uma corrente de adrenalina percorrendo o seu corpo, pois sabe, ainda que inconscientemente, que vai ver a História sendo escrita diante dos seus olhos, mais uma vez.

Agora era hora de buscar mais informações. Os portais e as televisões brasileiras não davam uma nota sobre o assunto. Compreensível. Estava tudo muito confuso. Poderia ser mais um daqueles inúmeros boatos que o Twitter propaga. Até o Lima Duarte já mataram.

Mais um RT e outra fonte dava a mesma informação, dessa vez citando o The New York Times. E agora era um olho no gato e olho na sardinha. O controle remoto zapeava entre a Globo News e a Globo – na última, esperando o tradicional e inevitável Plantão.

23h53. Globo News entra ao vivo, noticiando o que já era o assunto do momento no Twitter: Osama Bin Laden, depois de quase 10 anos de caça, estaria morto. E dá-lhe link da CNN, com ibagens da Casa Branca. O link tinha um propósito: Barack Obama faria um pronunciamento a nação (e ao mundo), confirmando que estavam com o barbudo. Já dá pra imaginar que acabou toda a minha vontade de dormir.

A partir daí foi só enrolação. Ou o tempo de fazer piadas, como queiram. Elas foram pipocando as borbotões, umas ruins, outras péssimas e, para não dizer que sou rabugento, umas duas ou três aceitáveis. Também era tempo de conjecturar como teria sido a operação (tomaram o esconderijo de assalto ou bombardearam o local?), onde estaria o corpo nesse momento, qual seria a reação dos terroristas em todo o mundo, se a operação teria garantido a reeleição de Barack Obama e o principal:

A televisão mostrava populares em volta da Casa Branca, comemorando aos gritos de U-S-A! U-S-A! Do jeito que são patrióticos, não iria demorar para o Marco Zero ficar tomado por gente comemorando o feito. O que acabou acontecendo mais tarde.

E finalmente, as 12h28, A Globo põe a musiquinha do Plantão para funcionar e as carinhas de sono de Zeca Camargo e Patrícia Poeta surgem no vídeo para dar a notícia a quem estava vendo o filme. Coisa rápida, acho que não deu 3 minutos. Pra fazer isso, era melhor ter soltado um Plantão apenas sonoro muito mais cedo (se isso aconteceu e eu não vi, grite aí nos comentários). Vale lembrar que nenhuma outra emissora entrou com Plantão nesse meio tempo. Vi a Band falando alguma coisa depois desse horário, mas acabei concentrando a atenção na Globo News.

Enquanto isso nada de Obama e seu pronunciamento. Na certa, estava dialogando com todas as bases ao redor do mundo, pedindo atenção e alerta máximos. Ou fazendo pirocoptero pelos corredores. Estava ficando tarde, eu precisava dormir. Mas e quem disse que DAVA pra dormir sem acompanhar o ponto chave da noite?

Alguns minutos depois, Barack Obama começa seu pronunciamento. Transcrevi ipsis literis dois trechos:

Boa noite. Hoje à noite, eu posso relatar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda, e um terrorista que é responsável pelo assassinato de milhares de homens inocentes, mulheres e crianças.

(…)

Hoje, na minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação contra esse complexo em Abbottabad, Paquistão. Um pequeno grupo de norte-americanos realizou a operação com uma coragem extraordinária e capacidade. Nenhum americano foi prejudicado. Eles tomaram cuidado para evitar vítimas civis. Após um tiroteio, mataram Osama bin Laden e tomaram a custódia de seu corpo.

Os desdobramentos, obviamente, não parariam naquele pronunciamento, mas o principal já tinha acontecido. Restava esperar pelas fotos e vídeos da operação que, até a hora em que esse post está sendo parido escrito, NÃO apareceram. Mais um furacão domado.

É bom salientar que muita gente ainda duvida que o fato tenha realmente acontecido. O principal argumento é que é impossível que o maior troféu dos Estados Unidos, o corpo do Procurado #1, não tenha sido exibido com pompa. E, o pior, já tenha sido sepultado no oceano. Ou como diriam alguns redatores mais apressados: “Osama foi enterrado em alto mar”.

Esse foi o final de noite do dia 1º de maio de 2011. A noite em que o povo americano pôde, enfim, exclamar: A justiça foi feita.

Em 1905 seu bisavô também era barbeiro

O trânsito das cidades está cada dia mais alucinado. Mesmo em cidades do interior, como Itatiba, engarrafamentos acontecem até fora do horário de pico e indivíduos sem um pingo de respeito fazem questão de mostrar para todo mundo que a sua buzina é mais potente que a buzina do vizinho. Uma corrida alucinada por algo que nunca vamos atingir. Todos querem chegar 5 minutos mais cedo para poder ter mais 5 minutos sem ter o que fazer.

Se você pensa, no entanto, que essa é uma característica exclusiva da modernidade, quebrou a cara. Há mais de cem anos, quando as bostas de eqüinos superavam as bostas de cães em qualquer avenida movimentada, você já encontrava barbeiros de todos os tipos, de todos os tamanhos. E a barbeiragem não ficava restrita as charretes ou Fords Bigode (?) com direção do lado direito. Os pedestres  – como eu, você, o Obama e o tratador de elefantes do zoológico – contribuíam para os absurdos pulularem diante dos olhos de qualquer um.

Dito isso, vamos ao que interessa. O vídeo abaixo é muito famoso. Tão famoso que eu nunca tinha visto. Mas você, que é um leitor atento e perspicaz, com certeza já assistiu. Ou não. Ele se passa em San Francisco, na Califórnia americana. O cameraman não era exatamente “a man“, mas sim um bonde. A ideia era justamente essa: instalar a filmadora 35mm na frente de um bonde e gravar mais um dia comum na vida daquela parte do mundo. Sem maquiagem, sem montagem, sem efeitos em três dimensões. Como diria Nelson Rodrigues: a vida como ela é.

Algumas coisas que você deve reparar enquanto assiste: Não há postes com dezenas de quilômetros de fios poluindo o ambiente; as pessoas ainda saíam às ruas de terno, gravata e chapéu, ou seja, ir à padaria era um evento muito importante. Já  as roupas das mulheres tinham panos sobrando, na minha opinião. O policial usa aquela clássica roupa de filmes…

E o principal: O trânsito era tão bagunçado quanto hoje, mesmo com um número absurdamente menor de veículos. Os carros faziam manobras perigosas (um, inclusive, anda na contramão até quase provocar um acidente. Outro tira uma fina dos bondes e quase bate de frente com um).
Os pedestres também não tinham noção alguma da realidade. Eles atravessavam em frente aos bondes, andavam em ziguezague, faziam questão de assustar os motoristas e ainda tinham o péssimo hábito de ficar meio aéreos em frente das lentes de uma câmera. O moleque do jornal? Esse aí tem a pachorra de parar na frente do bonde!

Regras? Quem precisa delas?

O vídeo se torna ainda mais impressionante e historicamente rico quando se sabe que, alguns meses depois, houve o chamado Grande Terremoto de San Francisco. Ele não tem esse nome só porque um cientista achou que devia ser assim. Com magnitude estimada média de 8.0 na Escala de Richter, cerca de 225.000 pessoas ficaram sem teto. Considere que aquela área tinha 400.000 pessoas e você tem aí um índice bem alto de desabrigados. O número de mortos não foi estimado, o que significa muita gente. MUITA gente mesmo. Ah sim… o que sobrou em pé acabou queimado pelo Grande Incêndio de San Francisco que ocorreu depois….

O vídeo é, portanto, um retrato fiel de como estava a cidade antes das catástrofes. Com certeza todas as pessoas e animais que aparecem nas imagens já morreram e 90% dos prédios e casas sumiram ou se transformaram em outras coisas. Se você gosta de refletir sobre questões existenciais e a fragilidade da vida, tem aí um ótimo material. Se você não gosta… bem… aproveite a viagem na máquina do tempo.

Será legal, daqui a 100 anos, poder assistir um vídeo gravado direto da câmera de um celular, mostrando a viagem num trem bala japonês, num ônibus de dois andares inglês e num trio elétrico baiano em pleno circuito Barra-Ondina…