Começou! Top 5 livros de 2011

Olha só quem chegou! Seja bem vindo 2012! Que o Vossa Mercê nos traga muitas coisas novas, alegrias, assertividade – nada desse negócio de fazer muitos planos e não concretizar nada – e, claro, boas leituras.

Falando em leitura (belo gancho, hein?), a tradição mais uma vez se faz presente e vamos iniciar com uma singela lista dos 5 melhores livros que tive o prazer de degustar nos últimos 365 dias. Mas primeiro, o relatório padrão para a posteridade.

Do dia 1 de janeiro ao dia 31 de dezembro foram 16 obras literárias de cabo a rabo (epa!), o que dá uma vexaminosa, vergonhosa, horrível e, principalmente decepcionante média de 1,33 livro por mês. Podemos entender como desculpa o fato de ter escolhido obras com um maior numero de páginas? Pôxa… Crônicas de Nárnia tem 750 páginas. A biografia do Agassi mais 500… Fica difícil…

Depois desse chororô todo, vamos ao que interessa. Os 5 melhores livros de 2011 foram:

5 – Gone: o mundo termina aqui (Michael Grant)

A baixa expectativa é um triunfo a ser usado com cuidado. No caso de Gone, do escritor Michael Grant, encaixou-se como uma luva. Eu não dava um tostão furado por esse livro. Achei que abandonaria no segundo ou terceiro capítulo. Mas não… a premissa da sobrevivência me fisgou de tal modo que até agora estou indignado de não poder ler os outros da saga.

Resumindo, é a história de uma pequena cidade que sofre um incidente misterioso: os adultos desaparecem num piscar de olhos e os adolescentes tem que se virar para sobreviver. Como organizar uma sociedade nessas condições? Quem é líder, coveiro, cozinheiro? E os bebês, quem cuida? Tudo recheado com um dose cavalar de sobrenatural.

4 – Bar Bodega – Uma crime de Imprensa (Carlos Dornelles)

Aos 45 minutos do segundo tempo, leio Bar Bodega numa tacada só. Indicação do sócio de blog, Carlos Lemes Jr, a obra do jornalista Carlos Dornelles é uma soco na boca do estômago… dos jornalistas. O “fogo amigo” é mais do que uma crítica: é um alerta para avaliar qual o tipo de sociedade que queremos e estamos construindo.

Nesse livro, ninguém é santo e todo mundo é culpado. Ao contar a história de um crime que chocou a sociedade paulistana na década de 90, Dorneles aponta uma série de equívocos cometidos pela polícia, pela imprensa e pela sociedade. Quer dizer… chamar AQUILO de equívoco é tapar o sol com a peneira. O que foi realizado foi uma atrocidade com a ética e os direitos humanos. A responsabilidade jornalística foi mandada às favas com gosto.

3 – Crônicas de Nárnia (CS Lewis)

A leitura foi lenda e gradual. Avançou a passos de tartaruga, mas, no fim, valeu muito a pena. E valeu a pena pelo conjunto da obra: enredo, estilo de escrita, preço… Belo investimento de tempo e dinheiro.

Tudo o que eu queria falar sobre Nárnia está nessa resenha publicada em agosto. Falei tudo mesmo. Inclusive, fiz duras críticas a uma parte em especial. Reproduzo um trecho aqui:

Decepcionante mesmo foi “O Peregrino da Alvorada”. Tenho a mais absoluta tranqüilidade para definir como PREGUIÇOSO. O autor conseguiu a proeza de preparar o terreno para aventuras fantásticas e não desenvolveu todo o potencial. Foi simplista, minimalista… Com o enredo armado, eu faria melhor. E que a modéstia vá para a casa do baralho.

2 – 1822 (Laurentino Gomes)

Eu já tinha escolhido 1808 como um dos melhores de 2010. A continuação não fez por menos e… matou a pau e quebrou janelas. O livro que conta a real (com trocadilho) história da Independência do Brasil derruba mitos – como o que prega que não houve guerra pela separação do Brasil do Reino de Portugal e Algarves – e descreve personagens até então relegados a um segundo plano (Imperatriz Leopoldina e José Bonifácio). Utilidade pública!

D. Pedro I acaba, claro, como personagem principal, mas mostra-se uma pessoa extremamente interessante, sob vários aspectos. Impulsivo, temperamental, explosivo, empreendedor, mulherengo… para usar um clichê dos mais batidos, viveu a vida. Caramba… o cara criou um país do nada e libertou sua pátria natal das mãos do irmão malvado, casando duas vezes e tendo uma penca de filhos. Tem que respeitar o cara que apelida o próprio bilau de “máquina triforme“.

Confesso que estou cada dia mais apaixonado pela História do Brasil.

1 – Open (André Agassi)

Esse não é somente o melhor livro de 2011. É, disparadamente, a melhor biografia que eu já li. E não foram poucas.

Eu não tenho nada mais a falar sobre esse livro. Fiquem com um trecho da resenha publicada em abril:

E p***queopariu, que baita biografia. André e seu ghost writter – que nem é tão ghost assim – conseguem unir diversos elementos que tornam esse livro um dos melhores que eu já li. E o que mais me encantou foi a forma como ele foi montado. Não é um simples diário de lembranças. Ele realmente revive todos os momentos mais importantes, recriando o pensamento que se tinha na época. O tempo verbal mistura-se, numa salda de pretéritos, presentes e futuros. Expressões como “vou enfrentar pela primeira vez um tal de… Sampras. Pete, acho*” e após alguns capítulos (ou anos) um “Sampras tem um talento especial para chutar a minha bunda“.

E lá vamos nós torcer e trabalhar para que em 2012 eu consiga parar de ser preguiçoso e ler mais. Mais e melhor, claro.

Penetrar num livro é mudar de universo, é abrir um horizonte. (…) A obra é, ao mesmo tempo, uma fechadura e um acesso, um segredo e a chave do seu segredo. – Jean Rousset

Vamos alimentar os leões?

Assassinato: ao vivo! (ou Muder Live! no original em inglês) é um filme de 1997. Não ganhou Oscar, Globo de Ouro, Palma. Nem mesmo um Kikito ou uma mísera nota alta no IMDb. Mas ganhou meu coração. Grandes coisas.

A personagem Pia Postman (interpretada por Marg Helgenberger, que vem a ser a moça do CSI) tem um programa de televisão, ao vivo. A ideia desse programa é contar os problemas das pessoas, tendo a opinião do público, de um especialista e da própria apresentadora. O formato é bastante comum nos Estados Unidos e aqui no Brasil tem em Marcia Goldshimitd seu maior e melhor exemplo.

Vamos combinar que ter o programa da Márcia Goldshimitd como similar não é exatamente motivo de orgulho, né? Mas, enfim… segue o jogo!

Só que em determinado dia, algo dá errado. Frank (!) McGrath invade o estúdio de pistola em punho (epa!) e mantém todo mundo refém. Exige que a emissora continue ao vivo, para que todos vejam que a apresentadora é culpada pelo suicídio de sua filha. Promete executá-la ali, na frente das câmeras. Mencionei que ele tem em mãos um detonador, que vai explodir a emissora se alguém resolver tentar alguma gracinha? Pois é…

Pois bem. Essa é a parte que eu paro de contar a estória passo a datilografar (hahahaha) porque o filme é bom. Ah sim… recomendo que você veja o filme antes de ler minhas humildes palavras. Talvez eu estrague alguma coisa, mas nada que vá interferir no final da trama, uma vez que eu não vou contar que ele vira uma barata gigante e… e… bem, esquece.

Sensacionalismo na tevê. Por que as pessoas assistem?

É meio que senso comum que o ser humano gosta de se apoiar nas desgraças dos outros. Podemos estar na merda total, mas ainda sim paramos para ver alguém em situação pior. Ou você acha que o Datena dá audiência porque ele é um rostinho bonito?

Pia, a apresentadora, está fazendo o trabalho dela. Ela é paga para explorar as histórias. Frank acha que a condução do programa que sua filha participou foi a causa determinante que levou ao suicídio (e foi mesmo, diga-se de passagem). Só que, na verdade, a culpa não é só da apresentadora. A culpa também tem que ser dividida com a emissora, os patrocinadores, a platéia (o “por que você está aqui?” em determinado momento tem que ser repetido todas as vezes que estacionamos em um canal) e a própria vítima, afinal, ela aceitou participar e assumiu o risco.

O trabalho não pára

Interessante notar que mesmo com todo o forrobodó (forrobodó?) rolando no estúdio, a maquiadora não deixa de cumprir sua função. O diretor manda o câmera pegar o melhor ângulo. A platéia começa a opinar. Desse modo o show continua, o que faz com que o programa mantenha sua premissa original. É fantástico perceber a naturalidade com que isso acontece. A crise vira apenas mais um caso. A diferença é a arma carregada.

Em dado momento, Frank faz um discurso inflamado, esbraveja para todas as câmeras… Eis que a apresentadora faz uma observação, ao meu modo de ver, pertinente. Foi algo como “gostou dessa sensação de poder que a câmera passa? Pois é… você sabe que também foi contaminado, né? Esqueceu suas motivações. Faz uma hora que você não menciona o nome da sua filha“. Ouch!

Montagem: Nós também participamos.

O filme foi pensado e montado de modo que nós também viramos espectadores daquele programa de televisão. É quase um mockumentary ao vivo. Você facilmente esquece que está vendo um filme, porque há o movimento típico das câmeras, o corte de imagem para o âncora do plantão, comerciais, reportagem do lado de fora do estúdio, GCs. Tudo bem que os efeitos de estática são muito fajutos, mas isso a gente releva.

Agora… se nós estamos assistindo, por tabela TAMBÉM SOMOS culpados pelo suicídio da garota. Quer dizer, a garota é ficcional, mas milhões de constrangimentos que vemos por aí são reais. Muito reais. Um circo não existe sem platéia. Assim é a televisão.

Um filme para pensar e debater

Esse é o tipo de filme para você pensar. Nem de longe é complexo, mas levanta questões importantes, cada dia mais pertinentes. Apesar de não existir tantas redes sociais naquela época, tudo encaixa-se perfeitamente. Conceitos como privacidade, ética, trabalho em equipe, sensacionalismo, limites da televisão, corrupção entre outros, são muito bem discutidos.

Bem… acho que esse não é um filme só para ver em casa, num sabadão, comendo pipoca, como entretenimento. Cabe melhor em escolas, universidades e é altamente indicado para quem se interessa por comunicação.

Eu gostei. Nota 8.

Resenha: Crônicas de Nárnia

Iniciei a leitura de Crônicas de Nárnia após indicação do senhor Henderson Bariani, do Depokafé, em mas uma de suas resenhas. Sem querer competir com a experiência e, mais propriamente, com o texto do amigo, darei a minha versão dos fatos.

Ao terminar a leitura, senti que novamente fui catequizado. Isso porque Clive Staples Lewis (o famoso Counter Strike Lewis) – coincidentemente o autor do tralalau de 750 páginas (no volume único) – resolveu pregar para crianças através de parábolas. Nada que atrapalhe, mas o leitor deve estar ciente que não lerá apenas umas historinhas sem um objetivo mais profundo. Ele quer converter você.

Falemos das Crônicas propriamente ditas. Os dois primeiros livros, “O sobrinho do mago” e o mundialmente conhecido “O leão, a feiticeira e o guarda roupa” são duas histórias muito bem amarradas. Aliás, brilhantemente montadas, uma vez que se completam. Você pode até conhecer apenas a história que virou filme, mas a experiência só é plena quando você entende como foi parar em Nárnia aquele poste que as 4 crianças encontram ao saírem do guarda roupa.

A história “O Cavalo e seu Menino” não fede e nem cheira para o entendimento do todo. Se não estivesse lá não faria a menor falta. Em minha opinião, a única utilidade dessa história é a possibilidade de aumentar o hã… vocabulário narniano, por assim dizer. Tarcaína, calormanos, Arquelândia… O livro meio que tenta preencher o Universo Nárnia, recheando a fantasia. Tentativa de imitar a Terra Média, do parceiro Tolkien?

Decepcionante mesmo foi “O Peregrino da Alvorada”. Tenho a mais absoluta tranqüilidade para definir como PREGUIÇOSO. O autor conseguiu a proeza de preparar o terreno para aventuras fantásticas e não desenvolveu todo o potencial. Foi simplista, minimalista… Com o enredo armado, eu faria melhor. E que a modéstia vá para a casa do baralho.

Tenho tomado cuidado para não soltar spoilers, mas usarei os próximos parágrafos para descrever o tamanho do relaxo do sr. Lewis. Cuidado, é provável que eu estrague algumas passagens… Se você já leu, sinta-se a vontade de debater comigo as possibilidades que foram jogadas na lata do lixo:

<CUIDADOSPOLIER CUIDADOSPOILER>

Na Ilha dos Tontos, por exemplo: Lúcia utilizou o livro do mago para tornar visíveis aquelas criaturas de um pé só, também conhecidos pela alcunha de Monópodes. O tal do livro continha trocentos mil encantamentos e ela ousou experimentar apenas um além do combinado, que foi prontamente esquecido. Apamerda! Não dava pra ter decorado uns 2 ou 3 que seriam fundamentais em algum perigo mais adiante? E por que não levaram um dos monstrengos com pé grande? Montou uma criatura bem interessante – que inclusive flutuava com seu “pé de lancha” – e a abandonou deliberadamente. 

A ilha negra é outro exemplo. Um lugar sombrio que torna seus sonhos realidade tinha que ser melhor explorado. Seria fantástico se cada um fosse obrigado a lutar contra os seus sonhos, seus desejos mais profundos. A atmosfera criada era propícia e o que o sr. Lewis fez? Virou o barco e pediu ajuda divina pra sair dali… Merece outro “apamerda”.

Mais pro fim, aqueles três lordes dorminhocos, quando cutucados, falaram uma frase. Eles poderiam, muito bem, dizer um enigma que levaria ao raciocínio do fim do mundo (e do fato de ter que deixar um lá). Aí, quando descoberto, o tal do velho-barbudo-que-rejuvenece-com-a-pedra-do-sol (ou simplesmente Ramandu) apareceria para explicar os detalhes da missão. Em vez disso, cada um falou qualquer besteira e o terceiro – que deveria chamar Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo – soltou um “a mostarda, por favor”. Combo “apamerda”

Pra completar a seqüência preguiçosa, quando Lúcia observa o reino embaixo da água, vê seres aquáticos. Seria muito mais “explosão de mente” se ela observasse a própria Nárnia vista de cima! O mar poderia provocar uma viagem no tempo para reviver batalhas. Algo que reforça essa possibilidade é a parte em que Lúcia troca olhares com uma “pastora de peixes”. Não seria fantástico se ela olhasse para ela mesma? Veja o mundo de possibilidades que se abre!

<FIMDOSPOLIER FIMDOSPOILER>

Mas não… CS Lewis foi preguiçoso, covarde e desleixado. Paciência… Ou eu que não fui merecedor de entender toda a densidade do trabalho.

Os últimos 2 livros acabam compensando. A Cadeira de Prata começa muito bem, explora um outro lado de Nárnia, novas opções de interpretação e reflexão muito profunda sobre o que, afinal de contas, é o Leão. Uma crônica que completa com muita honestidade as anteriores.

E, é claro, não poderia deixar de falar de “A Última Batalha”, uma das mais aclamadas partes. A crônica começa com aquela sensação de “isso vai dar M três pontinhos. Não tem como não dar M…”. E vai ficando cada vez pior. Até que na última página… bem, vocês vaõ ter que chegar até lá, porque eu não vou contar que eles encontram os malabaristas do Cirque du Soleil, montam um espetáculo e criam o número do domador de leão. Juro que não vou contar.

O mais interessante é que a maioria das obras daria um excelentes filme, tanto é que já gravaram 3.  Não sei se CS Lewis imaginava tal complemento, mas que é um belo enredo para uma película, isso não tenhamos dúvidas.

Minha avaliação é que você tem que ler esse livro. Mesmo que não goste de fantasia ou fique com um pé atrás quanto a questão da religião, ainda sim é ele é muito bem escrito, linguagem simples e com vários trechos cômicos. Diria que cumpre com excelência a sua missão aqui na Terra.

Por fim, a “capivara” da obra:

Título: As Crônicas de Nárnia – Volume Único (The complete Chronicles of Narnia)
Autor: CS Lewis (tradução: Paulo Mendes Campos e Silêda Steuernagel)
Editora: Martins Fontes
Ano: 2009
Páginas: 750
Preço: Se tiver paciência, dá para comprar por R$ 20,00.

Por Aslam!

Resenha: Open

Imagine ser reconhecido pelo seu talento. Imagine ganhar milhões para fazer aquilo que você faz de melhor. Parece uma perspectiva de vida perfeita. Entretanto, para André Kirk Agassi, as coisas não funcionam exatamente assim.

Vamos trocar algumas bolas nessa quadra de saibro blogueira:

Eu saco dizendo que André Agassi detesta tênis. Você me devolve dizendo que ele jogou profissionalmente por 21 anos. Eu devolvo dizendo que ele sabotava algumas partidas quando criança. Você rebate uma curtinha, alegando que ele casou e teve filhos com uma tenista, uma das maiores da história.  Eu corro e consigo acertar uma cruzada só por mostrar que ele chegou a se dopar em meio a conturbada relação com o esporte. E aí você manda um lobby vencedor, mostrando os números:

  • 8 Grand Slans
  • 1 Master Cup
  • 1 ouro Olímpico
  • 18 ATP Master Series
  • 33 ATP Tour

Game, leitor.

A vida de Agassi é pautada por essas contradições descritas em nosso breve joguinho acima. O próprio tenistas mostra diversas provas disso ao longo de anos de decisões felizes e infelizes.

E p***queopariu, que baita biografia. André e seu ghost writter – que nem é tão ghost assim – conseguem unir diversos elementos que tornam esse livro um dos melhores que eu já li. E o que mais me encantou foi a forma como ele foi montado. Não é um simples diário de lembranças. Ele realmente revive todos os momentos mais importantes, recriando o pensamento que se tinha na época. O tempo verbal mistura-se, numa salda de pretéritos, presentes e futuros. Expressões como “vou enfrentar pela primeira vez um tal de… Sampras. Pete, acho*” e após alguns capítulos (ou anos) um “Sampras tem um talento especial para chutar a minha bunda*“.

Replay

Fiquei impressionado com a facilidade e o senso crítico de Agassi para avaliar outros tenistas. Sobre Roger Federer ele diz: “A maioria das pessoas tem suas fraquezas. Federer não tem nenhuma“. Sobre Ivo Karlovic: “Sua ficha diz que ele tem 2,05 metros, mas acho que ele estava afundado numa vala quando o mediram. O cara tem a altura de um totem (…)”. Para Rafael Nadal, suas palavras são simplesmente: “Não consigo derrotá-lo. Não consigo decifrá-lo. Nunca vi ninguém se movimentar assim numa quadra de tênis.”

A personalidade de Agassi é algo constantemente abordado. Sua infância – como é tradicional – explica os modelitos pouco usuais utilizados em quadra durante a juventude. Quer dizer… não é nada muito garboso jogar de mullets e shorts jeans, ainda mais tênis que, se não fosse a mobilidade e o suor, seria praticado de terno e gravata. As passagens de rebeldia na escola são hilárias, bem como a displicência e respeito pelos árbitros.

Consegui encontrar, no máximo, dois pontos negativos, que nem são tão graves. O primeiro deles é o número insuficiente de fotos. As diversas fases da carreira de Agassi poderiam ser melhor ilustradas, até porque se fala muito de aparência, interior e exterior. Outro ponto negativo é em relação ao título na versão brasileira. Merece até um parágrafo próprio:

Absolutamente desnecessário extirpar o perfeito OPEN da versão original. É o nome ideal para essa biografia, pois mistura o nome popular dos torneiros de tênis – os chamados Abertos – com o verbo que melhor define tudo o que está escrito nas mais de 500 págnas. Está tudo lá, aberto para o leitor. Mesmo que o futuro comprador veja a cara gigante de Mr. Kirk e não reconheça, o subtítulo da versão americana diz quem é, logo, foi um desperdício. Uma pena.

No mais, você tem que respeitar um cara que foi casado com Brook Shields e fundou um enorme centro educacional que já angariou 150 milhões de dólares em prol do futuro de milhares de crianças.

Se você gosta de biografia, está intimado a ler. Se você não gosta, talvez seja melhor não ler, afinal, nem todas são tão boas assim.

*Passagens transcritas apenas com a ajuda da minha memória. Foi assim, mas talvez não tenha sido exatamente assim.

Foto: Montagem do blog do André Barcinski, que também tem uma resenha do livro

Resenha: RC em Detalhes

Em todo final de ano a tradição se repete: farta ceia natalina, panetones de marcas desconhecidas que simplesmente surgem na sua mesa, espumantes de qualidade duvidosa naquela cesta da firma. Na televisão, um especial da Xuxa, outro do Didi e olha só… não pode faltar o show do Rei Roberto Carlos.

Mas afinal, quem é Roberto Carlos e quem o coroou Rei?

A biografia escrita e organizada por Paulo César de Araújo tenta revelar e desmistificar um dos maiores astros da música brasileira. E consegue muito satisfatoriamente cumprir seu objetivo, não só porque fala da carreira de Roberto Carlos, como também de sua vida pessoal – revelando uma namorada que poucos conheciam. É pródiga também na parte que mais me fascina: a reconstrução histórica da época.

Antes de mais nada é bom salientar que o autor muitas vezes foge do papel de mero escriba e acaba se colocando na pele de um fã sem muita crítica. Algo que torna essa condição evidente é o veneno e as palavras ríspidas dirigidas a Ronaldo Bôscoli e a turma da Bossa Nova (segundo o autor, por terem censurado e barrado RC em sua incursão pela bossa nova). O que Paulo César esquece de criticar, no entanto, é que o próprio Roberto tentou barrar a mudança de nome de Erasmo Esteves, alegando que haveria um excesso de “Carlos” no meio artístico. RC pode. Bôscoli não.

Logo na introdução já se percebe uma certa obsessão fora dos padrões de um biógrafo. Talvez esse seja um dos motivos para que Robertão tenha entrado na Justiça impedindo uma nova reimpressão da obra, além de tirar de circulação aquelas já impressas – em estoque ou vendidas às livrarias. RC afirma também que lá há inverdades e “ofensas a pessoas queridas”, sem citar quais. Já o autor rebate e afirma que despendeu 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas.

No tocante ao livro em si, achei bem estruturado. Conta em blocos quase cronológicos como Roberto saiu do anonimato em Cachoeiro do Itapemirim e partiu para o estrelato mundial. E a grande vitória é contar essa trajetória mostrando que RC também teve que enfrentar muitas portas na cara, mas, por outro lado, pode-se considerar sortudo por muitas vezes estar na hora certa, no momento certo e, principalmente, com as pessoas certas. Nomes como Evandro Ribeiro, Edy Silva, Carlito Maia, Magaldi e Prosperi são os tijolinhos na construção do astro.

Fato curioso é que o autor não se prende a figura Roberto Carlos. De fato, não é raro passar duas ou três páginas sem citar o nome, direita ou indiretamente, do cantor. Se você não estiver 100% focado no livro pode momentaneamente esquecer que está lendo uma biografia e achar que é um livro sobre a história da música. Isso é ruim? Não sei. Depende da sua expectativa.

Algumas coisas parecem exageradas – como o episódio da volta do festival de San Remo, na Itália. Outras acabam ficando sem uma base mais sólida, como as letras das múicas no meio do texto. Quem conhece as canções realiza o objetivo do escritor. Quem não conhece apenas lê as estrofes e não compreende a musicalidade envolvida, que, aliás, é o meu caso. Tive que pesquisar muitas delas no Youtube para entender o que se queria dizer… Se bem que esse ponto é comum a biografias de pessoas relacioandas a música.

O grande defeito do livro é trazer declarações de Robertos Carlos (e de outras pessoas) sem que a fonte seja citada. Araújo diz que fez entrevistas e uma profunda pesquisa para reunir o material. Entretanto, na hora de passar para o papel, não dá pra saber se tal frase foi retirada de revistas, jornais, coletivas de impresa, reprodução de conversa com amigos ou mesmo se foi alguma recriação ficcional para melhor ilustrar o tema. Sem citar a fonte, as declarações perdem um pouco a credibilidade, o que não é nada bom para uma biografia.

Depois de todas essas seríssimas análises, a pergunta persiste: Por que insistem em chamar Roberto Carlos de Rei?

Acredito que cada um tenha uma interpretação, já que cada página do livro é uma peça para montar o quebra-cabeças do ie-ie-ie romântico. Logo abaixo estão alguns pitacos sobre o que eu entendi. Se você não quiser ser influenciado pela minha interpretação, que pode tanto ajudar como atrapalhar, o texto termina aqui. Obrigado por ter lido, hein? Não deixe de procurar o livro em “pdf”, ok? Boa leitura! Tchau!

Se você decidiu continuar, digo primeiramente que Roberto Carlos começou preenchendo uma lacuna deixada por Sérgio Mallandro Murilo. Os jovens brasileiros precisavam de um outro ídolo e Roberto estava no lugar certo, cantando a coisa certa. O rock de Robertão era algo novo, inusitado, que foi suficiente para fazer Sergio Murilo ser esquecido e ainda extrapolou qualquer expectativa do público. Além de tudo, era fácil de repetir em casa, o que contribuiu para a fixação e repetição ad eternum.

Erasmo Carlos tem papel fundamental na coroação. As letras eram muito boas, inéditas e a produção contínua. Nunca faltava um sucesso novo para Roberto gravar. A dupla funciona em sintonia e, por isso, não deixa que nenhum aspecto da música fiquei devendo. Com isso, era possível lançar um LP por ano e, assim, manter o público cativo e angariar novos fãs.

Outro fator que garantiu o sucesso de Roberto foi a mescla de uma carreira pautada pela segurança e pelo pionerismo. Segurança porque cuidava-se muito bem da imagem pública de RC. Escândalos eram mínimos e logo abafados. Roberto sempre defende o que é maioria absoluta, evitando qualquer polêmica. Maysa, Elis e outros astros da época não tiveram a mesma sorte ou cuidado.

Só que Roberto também foi pioneiro: nas músicas que cantava, nas roupas que usava, nos programas que apresentava, nos festivais que participava. A marca maior (e nem dá pra contar a Jovem Guarda) foi a temporada de estréia no Canecão. Nenhum cantor até então tinha se arriscado naquele ponto.

Por fim, preciso mencionar a afinação, senso melódico e a simpatia de Roberto?

Se Roberto Carlos não é o seu Rei, pode ter certeza que todas as demonstrações de carinho que você vê na televisão – antes, durante e depois daqueles especiais – não são em vão. Após ler essa biografia, você não sairá, necessariamente, cantando “Eu sou terrível“, “Parei na contra-mão” e “É proibido fumar“, mas, assim como eu, vai respeitar muito mais o que fez e faz o cantor mais ouvido da História do rádio brasileiro.

Moedinha número 1

Top 5 livros de 2010

Estamos no raiar de um novo ano. A melhor forma de dar boas vindas ao bebê – além de um babador novinho em folha – é fazer uma análise do ano que passou, para que os erros sejam repetidos e os acertos sejam corrigidos. Ou algo do tipo. Assim como fizeram os amigos do Depokafé, do Batata Transgênica e do Rato de Biblioteca – e mais uns trocentos outros blogs, diga-se de passagem – elencarei aqui os 5 melhores livros devorados em 2010.

Percebi que, ao contrário do que imaginei, li muito pouco no ano que passou. Muito menos do que eu gostaria e menos ainda do que eu deveria. Segundo o Skoob foram apenas 22 livros, o que dá uma média de 1,83 por mês. Como já é tradição, comecei vários, abandonando-os no meio do caminho. Ou porque não eram bons para mim ou porque eu não era bom para eles, o que me parece mais provável.

A título (cof-cof) de curiosidade, a primeira reunião de páginas numa ordem que fizesse sentido e que desse dinheiro para uma editora foi a biografia do Neto. Não, não esse Neto. O que é comentarista da Bandeirantes e jogou no Corinthians. E no Palmeiras. E no São Paulo. E no Santos. E, claro, no Guarani. O último foi Roberto Carlos em Detalhes (isso… a biografia proibida do Rei), que, aliás, eu ainda não terminei. Mas vai virar resenha.

Abaixo estão os 5 melhores, em ordem decrescente, crescente:

5 – O Cabotino, de Paulo Polzonoff Jr


Se você está pensando em escrever um livro, NÃO leia esse e-book. Quer dizer, leia, mas esteja ciente que todas as suas melhores ideias poderão se transformar em fumaça ao final. Isso porque o autor faz de tudo para desestimular os aventureiros que inundam as livrarias com qualquer porcaria, apenas para inflar o próprio ego e conseguir o status de escritor. Portanto, se essa era a sua brilhante intenção, melhor abandonar o projeto.

É um livro bem estranho tanto no tema como no estilo. Não é uma conversa, não é uma bronca, não é um sermão, não é um divã de psicólogo. Tão pouco é um toque amigo. Auto-ajuda? Nem pensar. É uma mistura de nada com coisa nenhuma, mas que tem o mérito de chegar em algum lugar.

Esse foi o primeiro livro em formato digital (aqueles que só podem ser lidos na rede mundial de computadores, não é mesmo Sandra?) que li do começo ao fim. Se você quiser uma cópia gratuita, é só fazer o download a partir desse link.

4 – Minha Fama de Mau, de Erasmo Carlos


O Tremendão lançou sua biografia e muita gente reclamou que ele não abordou pontos polêmicos ou espinhosos. É verdade. Mas é verdade também que a auto-biografia se sustenta muito bem sem essas passagens. O objetivo é exatamente esse: mostrar o lado positivo, alegre, aventureiro e, de certa forma, heróico de Erasmo Carlos. Seus amores, seus trabalhos, seus amigos, suas viagens, empregos, causos… Uma coletânea de memórias. Seriam Erasmo e Roberto a versão brasileira de Paul e John?

Um regate muito próprio de uma bela época da musica brasileira. Talvez o auge criativo da nossa música.

E que uma coisa fique bem clara: eu pegaria a Wanderléia.

3 -1808, de Laurentino Gomes


O subtítulo já dá uma excelente ideia de como o assunto é tratado: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil“. A bem da verdade, se você não quiser ler as 408 páginas, já tem aí um resumo muito preciso. Entretanto, vai perder uma série de boas histórias não apenas sobre a família real e os (muitos) agregados, mas também a sociedade brasileira como um todo.

A proposta é contar a História do Brasil de uma maneira que as escolas não ensinam, ou seja, a verdadeira versão dos fatos – por mais pitorescos que sejam. Anônimos se transformam em estrelas e peças-chave de um Brasil que muitas vezes está muito distante do atual, mas que por outro lado conserva uma atualidade assustadora.

O capítulo que eu mais gostei fala sobre Carlota Joaquina. Um paradoxo em pessoa, que colocava os vassalos do reino em situações constrangedoras. O que você faria? Contrairia coito carnal com a bizonha Alteza e colocaria um chifre real em Sua Majestade ou desobedeceria sumariamente uma ordem dada pela Rainha do Reino do Brasil, Portugal e Algarves?

2 – Querido e Devotado Dexter, de Jeff Lindsay


Antigamente, quando se fala em Dexter, a imagem que me vinha à mente era a do menino baixinho e cabeçudo, que tinha o laboratório mais moderno do mundo dentro de casa. Hoje Dexter é sinônimo de serial killer que, paradoxalmente, trabalha na polícia. A série de televisão popularizou o monstro e trouxe a discussão pertinente: existe justificativa para matar?

Os livros são bem diferentes da série e agradeço por ter lido antes de assistir. O Dexter de papel é bem diferente do Dexter teatral. “Querido e Devotado” foi o primeiro que eu li, apesar de ser o segundo da série. E foi o melhor. O crime central é muito… grotesco. A construção psicológica de Dexter também é trabalhada com esmero. Humor fino, inteligente, sagaz… rápido no gatilho. Uma obra prima do romance policial.

1 – Terra Papagallis, de José Roberto Torero e Marcus Aurélio Pimenta


O melhor livro do ano, não por acaso. O descobrimento do Brasil contado de uma maneira inédita. Ele está em primeiro no ranking não porque é engraçadinho, inteligente ou porque a capa tem um desenho legal. Ele ocupa a honrosa liderança porque seu enredo não nos deixa saber o que de fato é ficção (se é que há alguma) ou realidade (se é que há alguma). E consegue essa proeza sem se perder pelo caminho, o que por si só já é um fato notável.

O desenvolvimento do Brasil nos seus primeiros anos é algo saboroso de acompanhar. O encontro de brancos peludos e índios pelados é só o segundo sexto da aventura de Cosme Fernandes – o azarado Bacharel de Cananéia – que só deu certo porque teve a proteção do infalível Santo Ernulfo.

O que já começa bem no agradecimento, segue firme até o último parágrafo da orelha (a orelha do outro lado), pode ser resumido com o 10º mandamento para bem viver na Terra dos papagaios:

E o resumo de meu entendimento é que naquela terra de fomes tantas e lei tão pouca, quem não come é comido.

E na seção “Vale-a-pena-citar-mesmo-sem-estar-no-ranking”:

A Lua é um balão, David Niven

Como era Hollywood nos anos 30, 40, 50? A biografia do ator inglês mostra de maneira muito peculiar como funcionavam os estúdios e os contratos da época. Mas tem muito mais que isso. A vida de David Niven foi recheada de passagens estranhas – como o tempo em colégios internos – e outras trágicas – como a morte acidental da primeira esposa. E mesmo assim consegue ser engraçada, pois Niven não abandona nem por um minuto o tão famoso humor inglês.

Quem poderia imaginar que um ator, cujo primeiro papel importante foi um bêbado, interpretado estando bêbado, poderia fazer sucesso? Mas não se engane. Niven conta sua vida de um modo que você acredita que tudo aconteceu por acaso, por sorte ou simplesmente por destino. Pura humildade.

Adoraria que todos se lembrassem de mim como um homem que espremeu pelo menos 85% do suco existente na laranja da vida. Digo sempre: jamais se arrependa do que fez. O epitáfio que desejo é: ‘Ele tentou tudo!’ Militar, ator, escritor, empresário… As traquinagens do eterno Phileas Fogg num livro que flutua como a Lua, que, afinal de contas, nada mais é que um grande balão.

Não tenha medo da rã

Estou com quase três anos de blog e até hoje não escrevi nenhuma resenha gastronômica. Shame on me. A ideia para inaugurar esse tipo de texto era resenhar sobre um churrasquinho – que (in)felizmente não é grego – que faz muito sucesso aqui perto de casa. O cidadão monta a churrasquiera na calçada e vende seus espetinhos – “filés minhaus” – faça chuva ou faça sol. Obviamente não queria me suicidar fazer isso sozinho, mas meus amigos não tiveram senso aventureiro necessário (ou um senso auto-defensivo apurado, como queriam) e não abraçaram a ideia.

Restou-me comer rã.

Quando se fala em comer rã, logo lhe vem a cabeça aqueles animaizinhos bonitinhos e gosmentos, que ficam pulando para cá e para lá na beira de lagoas. Seu coaxar – o som emitido por elas – muitas vezes impede que nossos pobres esqueletos descansem horizontamental durante uma noite enluarada. As meninas podem considerar extremamente nojento e os rapaz certamente farão alguma piadinha relacionada a comer perereca. Ok, eu confesso: eu também fiz essas piadinhas.

Entretando, resolvi encarar a perereca, digo, encarar o desafio. Para isso, foi até o Ponto do Peixe em Tuiuti/SP que, apesar do que o nome sugere, NÃO é gerenciado pelo Romário (aliás, esse restaurante merecia um post próprio, já que fica localizado no meio do nada, mas mesmo assim vive lotado. Marketing de Guerrilha elevado ao cubo).

A Ciência – com C maiúsculo – comprova que utilizamos mais de um sentido básico para comer. É um pouco mais complexo do que somente abrir a boca, colocar a comida dentro e mastigar. O aroma e o aspecto (tanto do prato quanto do ambiente) influem na  sensibilidade com que você recebe a iguaria. A primeira impressão que tive do prato quando a garçonete o trouxe à mesa é que eu tinha ligado para a Vivenda do Camarão e pedido por delivery um espetinho. A aparência era a de um espetinho, já que a fina crosta empanada impedia uma melhor visualização da carne. Não que isso fosse um problema, claro.

Chegada a hora da degustação final. Há sempre uma expectativa quando se vai comer algo novo. Não há parâmetros para fazer qualquer tipo de comparação e, portanto, não há uma sintonia entre sinapse e papilas gustativas. Dá até uma certa ansiedade…

Ao morder, percebi que a carne de rã é bastante macia e lembra, tanto em aspecto quanto em sabor, a carne do frango. Na verdade, a carne de rã é bem mais suave que a dos galináceos e também com muito menos gordura, fato que explica porque ela parece mais seca. Isso é um detalhe que não chega a atrapalhar, ou seja, você não precisa, necessariamente, beber alguma coisa par ajudar o chamado bolo alimentar descer goela abaixo.

(Abre parênteses) Pense comigo meu caro leitor. Se o segundo e o último pedaço, olhando da esquerda para a direita na foto, e só a pata do bicho, imagine o resto do corpo! Olha o tamanho do naco que retiraram do gigante batráquio! Eu imaginava que as patas de rã fosse BEM menores. Será que injetaram hormônio? (Fecha parênteses)

No lugar do osso está uma haste de cartilagem. Essa talvez seja a parte menos comum, pra dizer o minimo. Ok, para as mulheres, é sem dúvida a segunda parte mais nojenta (vocês já vão entender porque). Quando cutuca-se com o garfo, a sensação não é estar cutucando algo mole, nem tão pouco algo duro. É uma consistência intermediária, difícil de definir. É algo assim como uma… cartilagem.

O único ponto negativo desse prato são pequenos fiapos, se assim podemos chamar, com um aspecto pouco convidativo. Eles tem uma cor preta-esverdeada (lembra bastente a cor das algas), contudo, não são como fiapos de abacaxi que ficam presos no meio dos dentes, com os quais travamos uma intensa batalha, utilizando a língua. Manja, né?
Esses fiapos são um pouco grudentos, elásticos. Borrachento não seria a palavra adequada, apesar de esse ser o aspecto. Não consegui fotografar para mostrar. Eu, sinceramente, não senti gosto de nada, ou pelo menos nada que eu pudesse comparar. Na verdade, não faz menor diferença para o sabor, se você desconsiderar o aspecto, assim como eu fiz.

Em suma, carne de rã é absolutamente normal, não há o que temer. Se você tiver a oortunidade de comer, não se faça de rogado e frescurento (ou, mais especificamente, frescurentA). Não há nada de excepcional e você ainda poderá gabar-se com os amigos. Se você tem dó por serem pobres pererecas indefesas, lembre-se dos cachorros na Coréia.

Aliás, se eu tiver a portunidade, taí uma excelente resenha para fazer…