Dedo de prosa: STF na corda bamba

O Superior Tribunal Federal volta e meia está no centro das atenções da mídia e é motivo de conversa nas redes sociais virtuais e nas de verdade – bares, butecos e botequins.

Ser juiz do STF é difícil demais, coitados. As matérias apreciadas são de uma… hã… delicadeza que assusta. E olha que eles usam umas capas estilosas e sentam em cadeiras muito confortáveis. Eu já ficaria feliz se a minha não fosse bamba ou mordiscasse a banda da bunda.

Um exemplo de matéria difícil: O Estado do Mato Grosso doou terras públicas para particulares. A área doada era maior que a permitida pela Constituição da época… 50 anos atrás. Olha o tamanho do pepino. Como declarar inconstitucional algo que hoje tem hospitais, casas, comércios… um cotidiano dinâmico? Por outro lado, como jogar a Carta Magna no lixo, ignorando o que ela dizia? Melhor era fazer avião de papel.

Dessa vez a polêmica é sobre o aborto de fetos que se desenvolvem sem cérebro. A tarefa é muito mais simples: é só decidir quando a vida começa e quando é legalmente possível interrompê-la. Tranqüilo.

Tenho até medo das outras matérias que eles possam vir a julgar. Será que o aumento das fronteiras do país causaria mais polêmica? Ou a pena de morte e prisão perpétua? Eu acho que comoção mesmo, o STF vai causar o dia que decidir julgar a diminuição da carga horária dos trabalhadores. Vai ter fuzarca na frente da estátua, que, tenho certeza, vai agradecer por estar vendada.

Dedo de prosa é a tentativa desse blog não morrer por inanição. Temas atuais debatidos de maneiras simples e direta, quando eles estiverem acontecendo. Ou não.   

Editorial

Discutir o aborto não é função do presidente da República

Neste segundo turno das eleições presidenciais, o tema do aborto tem sido vivamente debatido entre os candidatos José Serra e Dilma Rousseff.

Nesta discussão há algumas ponderações a se fazer. Pelo que é sabido tanto Dilma quanto Serra, por mais que ele tenha sido ministro da saúde, não são médicos.

Acreditamos que no Brasil tenha gente muito mais gabaritada para falar sobre o assunto, inclusive para defender a legalidade ou ilegalidade do aborto. Isso não é função de presidente da República, mas se é para discutir especificamente tal assunto, que os dois candidatos, partissem então, para uma discussão mais técnica e não ficassem nessa gritaria.

Usar essa questão para simplesmente ganhar votos é de baixo nível, o que só reforça a impressão de que, como muito bem disse a candidata Marina Silva, estamos diante de um “vale-tudo” eleitoral que não contribui em nada para o cambaleante processo democrático brasileiro. Esta tática eleitoreira foi usada por ambos os candidatos.   

Outro ponto a se ressaltar é que quando se mistura religião com qualquer outro assunto é como você querer apagar o fogo com gasolina, é fazer os ânimos se exaltarem e a discussão começar a descambar para a irracionalidade dos fanáticos religiosos.

Poderíamos fazer debates muito melhores com questões realmente centrais como educação, segurança, infra-estrutura e saúde (nesta área o tema aborto poderia ser para fazer uma analogia com o corpo humano, um apêndice).

Uma discussão sobre políticas públicas para estas áreas poderia ser muito mais proveitosa para os eleitores que se encontram indecisos, por exemplo, poderem decidir em quem votar.

Perdeu-se muito tempo discutindo essa questão em debates televisivos que não acrescentaram nada aos eleitores, muito longe disso, só fizeram aumentar o nosso descrédito em nossa classe política.