F1 2013: GP do Brasil

Em uma prova tensa, Vettel vence com sobras mais uma vez. Webber, Perez e Massa se despedem de suas equipes com boas corridas: o primeiro com pódio, o segundo com uma escalada fenomenal e o terceiro com uma boa prova, atrapalhada por uma punição besta, mas justa.

Climão de fim de festa. Assim Interlagos recebeu a última prova da temporada 2013. A chuva torrencial da classificação não foi convidada para o início, mas ameaçava aparecer de surpresa durante do Grande Prêmio. Não veio com força, para a tristeza de todo mundo.

Começo eletrizante! Surpresa na largada! Rosberg acelerou mais que Vettel e ultrapassou o alemão. Segurou uma volta inteira, mas sua Mercedes não foi párea para a Red Bull.  Alonso perdeu posição para Hamilton na primeira curva, recuperando na segunda volta. Massa passou alguns carros também, posicionando-se bem.

Grosjean não durou as duas voltas. O motor fumou e o Ministério do Automobilismo adverte: fumar pode causar abandono de corrida. Au revoir, monsieur!

Mais para a metade da prova, uma briga interessante: Hamilton tentava passar Massa e andou por um bom tempo atrás do brasileiro. Chegaram a travar rodas no fim da reta dos boxes, complicando a tangência para o S do Senna. Show de pilotagem.

No auge da briga, os comissários viram a Ferrari  do brasileiro cruzando uma faixa branca na entrada dos boxes, algo proibido. Ao ser avisado pelo engenheiro, Massa ficou um tanto quanto revoltado. “Incrível! Inacreditável!” bradou pelo rádio. Sim, a regra é estúpida, mas que ele passou, passou. Drive-through

punição

Não pode cruzar a faixa branca com as 4 rodas após aquele “gap” na faixa contínua. Tá bem claro, não?

Bottas tentou ultrapassar Hamilton por fora e as rodas se acertaram. Os dois pneus furaram. Pior para a Williams que parou na área de escape, com a suspensão torta. Hamilton ainda conseguiu levar a Mercedes de volta, mas a corrida ficou comprometida. Se já estava ruim, o drive through para o inglês tornou tudo ainda pior. E o cara de pau ainda pergunta o que foi que ele fez… É um brincalhão, mesmo.

Congestionamento no box da Red Bull (!). Os mecânicos engasgaram na troca de Vettel e Webber ficou esperando. E na vez dele, ficou parado mesmo. Leve indecisão sobre qual pneu usar, já que o tempo fechava cada vez mais. Em São Paulo, ficar parado é obrigação. Fontes asseguram que ele recebeu panfleto de algum empreendimento imobiliário nesse meio tempo.

E por falar nele, SEBASTIAN VETTEL! 9 vitórias consecutivas, 13 vitórias na temporada! Um mito construído nas manhãs de domingo, diante dos nossos olhos, pelos últimos 5 anos. E por quantos anos mais?

MARK WEBBER! Pódio esperto e merecido na sua despedida da F1. Andou sem luvas e capacete por uma volta, cara ao vento, após a corrida. Cena fantástica!

webber

O adeus do Canguru. Mas deixe os anéis de cebola, por favor…

FERNANDO ALONSO, o melhor entre os mortais! Sempre tirando mais do que sua Ferrari oferecia. Ano frustrantes mais pelo que poderia te sido do que pelo que foi de fato.

Destaque para a ressurreição da McLaren. Button largou em 14º e chegou na 4ª posição. Perez terminou em 6º, ganhando 13 posições. Essa é a equipe que eu conheço!

Massa dá adeus a Ferrari com um 7º lugar. Que a Williams seja uma casa confortável e faça um carro minimamente decente.

O campeonato de pilotos terminou assim: VET (397 pts), ALO (242 pts), WEB (199 pts), HAM (189 pts), RAI (183 pts), ROS (171 pts), GRO (132 pts), MAS (112 pts), BUT (73 pts), HUL (51 pts), PER (49 pts), RES (48 pts), SUT (29 pts), RIC (20 pts), VER (13 pts), GUT (6 pts), BOT (4 pts), MAL (1 pt), BIA, PIC, KOV, GAR e CHI não pontuaram.

A briga entre construtores acabou assim: Red Bull (596 pts), Mercedes (360 pts), Ferrari (354 pts), Lotus-Renault (315 pts), McLaren-Mercedes (122 pts), Force India (77 pts), STR (33 pts), Williams (5 pts), Marussia e Caterham não pontuaram.

Agora, só em março de 2014 os motores voltarão a roncar. Bastante tempo pra as escuderias colocarem  as casas em ordem.

Obrigado Fórmula 1.

vettelO casal perfeito: Vettel e seu Touro Vermelho querem mais recordes!

Copa das Confederações: Tourada canarinho no Maracanã

Com 2 gols de Fred e 1 de Neymar, Brasil atropelou a Espanha e, sem dó, piedade ou cerimônia, venceu a Copa das Confederações 2013. 

Quem viu a final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha certamente ficou maravilhado e surpreso com o quanto o selecionado nacional jogou. Todos esperavam (inclusive eu) uma partida dura e até com os toureiros dominando, bem ao seu estilo. Não ocorreu. O varal entortou a favor do verde-amarelo, num futebol moderno, intenso e eficiente, que até agora não havia aparecido. Bela hora para aparecer, hein?

Foi a melhor partida que eu vi o Brasil jogar em muito tempo. O domínio aconteceu na bola, em uma marcação incansável e muito apertada. Foi também um domínio psicológico. Parecia que, mesmo jogando 5 horas seguidas, Julio César não seria vazado.

Tudo deu certo, até quando deu errado. Fred no chão com 1:30. Gol. Uma avenida IMENSA nas costas do Daniel Alves e uma MAIOR AINDA nas do Marcelo, chute preciso de Pedro e…. David Luís aparecendo de carrinho, em cima da linha. Pênalti bizarro cometido por Marcelo e Sérgio Ramos acertou a placa de publicidade. Uma das muitas. Foi para ficar rojo de vergonha.

Se a ideia da Copa das Confederações é ser um teste da estrutura para a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira passou em sua prova particular. Enfrentou jogos para dar moral, como o Japão, de paciência como o do México, adversários de tradição e raça como Itália e Uruguai, até o derradeiro espetáculo contra a Espanha.

É claro que o time não está pronto (as laterais continuam sendo um problema), mas a luz no fim do túnel parece maior e mais palpável. Fred é o nosso 9 goleador. Luís Gustavo foi muito bem no meio campo, assim como Paulinho (hoje anularam Iniesta e Xavi). Julio César, opção a principio antiquada, foi seguro quando acionado. Até Hulk superou a desconfiança e, mostrou que merece, ao menos, estar no grupo.

Quanto a torcida brasileira, foi o 12º jogador. O hino cantado no gogó deu aquela injeção de adrenalina fundamental no começo do jogo (crucial em mais de uma partida, eu diria). Agora, bom mesmo foram os gritos de “Shakira” na expulsão de Piqué no segundo tempo. Aqui é Joelma, porra!

Mais um troféu para a coleção e a missão de cultivar o otimismo, sem deixar a empolgação ufanista mascarar o caminho até a Copa do Mundo. Com 32 seleções, o buraco é mais embaixo. E Felipão sabe disso.

David LuizGolaço de David Luis quando o jogo ainda estava 1 a 0. Decisivo.

O Primeiro de Abril mais longo do Brasil

“Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus DIREITOS, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.”

O inflamado texto acima é parte do editorial de O Globo, publicado no dia 2 de abril de 1964, após um dos momentos chave da história do Brasil. O deposto João Goulart não terminaria seu mandato, assim como seu antecessor Jânio Quadros.

Mas, afinal, o Palácio do Planalto exercia mesmo a tal da ação subversiva? Os tais vermelhos haviam mesmo envolvido a mais alta esfera política do Brasil?

Os eventos que levaram à queda (ou à rasteira em?) de Jango começaram com os parafusos a menos de Jânios Quadros. O homem da caspa de mentira (?), do sanduíche de mortadela no bolso, dos cabelos desalinhados e dos bilhetinhos retos e diretos não aguentou a pressão de Brasília e pediu pra sair. O que ele REALMENTE queria fica para a galeria de mistérios que aparentemente jamais serão descobertos.

Mas o fato estava consumado em 25 de agosto de 1961. Em seu lugar assumiria o gaúcho João Goulart, eleito democraticamente vice-presidente, ainda que não comungassem das mesmas ideias. É bom lembrar que presidente e vice eram eleitos separadamente e não necessariamente eram chapas pertenciam a mesma chapa.

Já em 61 as Forças Armadas movimentaram-se para impedir que comunista (será?) Jango, naquele momento em um rolê uma visita à China (ainda sob influência de Mao Tsé Tung), vestisse a faixa presidencial.

E ATÉ QUE FAZIA SENTIDO.

Em plena Guerra Fria, quando um simples “vish, eu não deixa queito” poderia provocar uma saraivada de mísseis para todos os lados, DAR A IMPRESSÃO de aliança com russos e chineses poderia provocar uma reação nada amigável de nossos vizinhos estadunidenses, seja explosiva ou econômica.

Particularmente eu duvido que o Brasil se transformaria em um regime comunista. E duvido, também, que a melhor forma de acabar com a tal da ameaça fosse a base da força. Não faltaram eleições diretas um ou dois anos de depois?

Jango ainda se sustentou um tempo, mas os tanques dos militares foram mais potentes.

É claro (?) que não se poderia imaginar que o controle militar perduraria por tanto tempo, muito menos que a perseguição aos ditos comunistas resultaria em imagens como o suicídio (mais do que forjado) de Vladmir Herzog. Sem contar toda a parte da tortura e dos desaparecimentos inexplicados, inadmissíveis em qualquer tipo de governo.

Mas todo esse contexto histórico dos últimos parágrafos serviu para embasar uma percepção que me ocorreu nas pesquisas para esse texto: ainda há um traço, um sentimento, uma ideia (e até mesmo um saudosismo) em muita gente de que o golpe de 64, ou melhor, a Revolução de 64 não apenas foi benéfica, mas como infelizmente acabou. Veja:

“A data de 31 de março de 1964 é magna na história de nosso país, quando brasileiros patriotas tomaram armas contra os traidores da Pátria, que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba tropical. Heróis, alguns ainda vivos. É preciso retirar da História as sua lições”.

Percebem a similaridade entre o texto acima, postado por um cidadão qualquer no Youtube e o editorial de O Globo, no início do texto? O traço se mantém. Assustador? Natural? Certo ou errado?

O xeque mate dado em 31 de março resultou, na manhã seguinte, no Primeiro de Abril mais longo – e sem graça – da história do Brasil. Tão longo que, pelo visto, ainda não acabou para muita gente.

Se eu fosse você reservaria 49 minutos do seu dia para assistir a entrevista do brilhante  Geneton Moraes Neto com o General Leônidas Pires Gonçalves. É interessante demais como um mesmo fato – por exemplo a morte de Herzog – pode ser vista de ângulos tão diferentes. Tão diferentes que nem parecem o mesmo fato.

foto_mat_27219 GOLPE-ultima-hora-2-de-abril-de-1964

Tenho cada vez mais certeza que, mais do que um Golpe ou Revolução Militar, o que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985 foi uma verdadeira Guerra Civil Brasileira.

A Comissão da Verdade

No último mês de Maio, a Presidenta Dilma Roussef anunciou a criação da Comissão da Verdade. Esse orgão, que não terá poder punitivo e sim de indiciar, vai julgar os crimes cometidos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Ela terá um papel importante ao avaliar os dois lados da questão, tanto dos militares quanto dos “comunistas”.

E já não é sem tempo que o Brasil instala a sua comissão, pois, paises vizinhos como Argentina (que vive uma outra ditadura) e o Uruguai, já tem as suas, que inclusive, já ajudaram a punir seus generais.

Só espero que aqui ela consiga se livrar da influência de muitos militares conservadores demais, velhos de pensamento e de certas correntes políticas que infestam o país, infelizmente.

Termino esse texto com uma frase na qual eu acredito muito: Um país que não conhece o seu passado, não é capaz de trabalhar o seu presente e pensar o seu futuro.

Da esquerda para direita: Os exs-presidentes Collor (Jesus!!), Sarney (Mamãe, me acuda), Lula (que se perdeu no tempo), Dilma, e FHC, que antes de tudo, é um dos maiores sociólogos desse país, além de ex-presidente.

Hiroshima, Arigatô, Nagasaki…. Sayonara

Meu primeiro contato com a cultura japonesa foi através das artes marciais. Quem vê a cara e o tipo físico desse blogueiro não imagina que fui queijo faixa azul em judô e estava apto a receber a amarela. É sério, pare de rir… Ainda tenho meu kimono!

Pois bem. No judô, aprendi que o “inventor”, Sansei Jigoro Kano (já mandei parar de rir) derrubava os adversários, mas colocava a mão na nuca do sujeito, para evitar o choque da cabeça contra o tatami. Ao menos era o que o mestre lá contava. Começo o texto desse modo para demonstrar o que eu acredito que bem define o modo de vida dos japoneses: respeito.

Você percebe esse respeito nas mais simples atitudes, como tirar o sapato ao chegar em casa. Em teoria, o calçado é a parte do vestuário que mais contém as impurezas das ruas (justamente por estar em contato direto com o solo) e, ao tirá-lo, você mantém sua casa mais asseada. Respeito ao lar doce lar. Ou vai dizer que você nunca chegou com aquela goma de mascar ou mesmo aquele “totozinho” preso nas ranhuras do seu pisante?

(Sugira uma imagem para inserir nesse espaço)

Há também inúmeros exemplos de respeito ao ser humano: enquanto no Rio de Janeiro (ou Brasília, São Paulo, BH…) após uma tragédia natural, a água era vendida pelo triplo do preço normal – nada diferente do que se espera de um capitalismo selvagem – no Japão, após uma tragédia natural, os comerciantes DOAVAM a água do próprio estoque para aqueles que precisavam. Isso sem contar os mais velhos abrindo passagem para os mais novos se evadirem de eventuais tsunamis. Será que houve um pensamento coletivo do tipo: “já sou idoso, assim, darei preferência a quem tem mais chances de viver por mais tempo“?

A disciplina oriental é admirável. Não é por mero acaso que há a célebre piada da preocupação no vestibular, não pelo número de alunos por vaga, mas sim pelo número de japoneses por vaga. No estudo fica mais evidente, o que não significa que não se estenda às outras áreas.

Para nós, ocidentais, é difícil entender porque o suicídio é uma opção seriamente cogitada para aqueles que fracassam e não passam no vestibular. Oras… é só fazer um ano de cursinho e tentar novamente, pensa um ou outro. Acredito que vá mais além do que ter ou não ter a vaga na faculdade. Pega fundo na questão da honra, da competência, da dedicação. É inadmissível fracassar.

Por falar em ocidentais, já parou pra pensar o quanto sabemos da cultura japonesa? Malemal brincamos com palavras do título desse post e repetimos inúmeras vezes aquela saudação de curvar o tronco, com as palmas das mãos encostadas uma na outra. Ah sim… tem também a aversão,  (ou nojinho, como queira) a peixe cru e arroz quase sem tempero. E só.

Cadê a globalização nessas horas? Não serve só para descobrir as taras bizarras por tentáculos, colegiais e desenhos (não necessariamente nessa ordem e, principalmente, separados), ou aquele museu dedicado ao pênis. É… isso existe.

Felizes seremos no dia em que incorporarmos o que a cultura japonesa tem de melhor. Enquanto isso não acontece, a gente samba.

South Africa 2010: Brasil x Holanda

Pela primeira vez nessa Copa do Mundo, o Brasil pisou no gramado castigado do Nelson Mandela Bay vestindo o manto azul. Na fila ao lado, a imponente camisa laranja invocava duas excelentes lembranças recentes: as decisões de 94 e 98. A caminhada do vestiário ao gramado, ao lado daqueles que em pouco mais de 90 minutos seriam os responsável pelo suor derramado, os gritos dados, as palmas batidas e o sangue nos zóios foi um duelo psicológico.

O jogo começa e a sensação que não acabará com 22 marmanjos correndo atrás da pelota logo se estabelece. 90% das faltas cometidas era duras ou duríssimas. O árbitro japonês parece ter esquecido os cartões no vestiário, já que qualquer pernada, poscotapa, dedo no olho, coice no saco e reclamações ríspidas, de ambos os lados, era punidas apenas com a marcação de uma simples falta. Ah sim… e dá-lhe prosopopéia flácida para acalentar bovino.

E logo aos 10 minutos, que é para tirar a tensão do jogo, Felipe Melo resolveu encarnar o garçom e fez um lançamento magistral, do meio campo, no buraco que se formou na defesa holandesa. Robinho saiu da esquerda e se infiltrou no buraco, pegando de primeira e mandando pras redes. GOOOOOOOOOLLLLL DO BRASIL!!! Brasil 1 x 0 Holanda


A Holanda veio com uma proposta de ataque e não a abandonou, mesmo depois de ter sido vazada. Mas o Brasil neutralizava bem as jogas de Robben e Sneijder, chegando firme e sempre com mais de um jogador. Estavam completamente anulados.

Aos 31 ‘ Robinho fez jogada genial pela direita. Pedalou, cortou, driblou… apavorou a zaga holandesa. Mesmo caído conseguiu tocar para Luis Fabiano que esperto rolou de calcanhar para Kaká. O camisa 10 recebeu do jeito que gosta, de frente, levou a bola para a direita e bateu com efeito, no ângulo do goleiro. Mas então uma mão voadora apareceu no meio do caminho e jogou a bola para escanteio. Defesaça! Quase sai o segundo gol Brasil…

Júlio César mantinha-se firme no gol. Todas as bolas que chegavam, seja pelo alto ou por baixo, eram prontamente afastadas pelo nosso camisa 1. Isso quando chegava no homem de verde. Lúcio e Juan também faziam boa partida. Juan, aliás, perdeu excelente chance de ampliar, no cruzamento de Daniel Alves. A bola chegou pererecando e o toque do zagueiro Brasil fez a Jabulani subir demais.

E aos 46′ o juiz termina o primeiro tempo, que poderia ter sido perfeito, se a rede do gol holandês tivesse balançado mais vezes. Segurança, talento, domínio.

E começa a partida no Nelson Mandela Bay. Vamos aos primeiros 45′ de Brasil x Holanda. O quê? Como assim aos primeiros 45’? Pois é… foi o que pareceu vendo o segundo tempo. O jogo foi completamente diferente do primeiro tempo.

Aos 8′, bola cruzada por Sneijder na área do Brasil. Júlio César se atrapalha com Felipe Melo, que desvia levemente, o suficiente para colocar a bola no fundo do gol do Brasil. Caprichosamente, Felipe Melo vai do céu ao inferno. GOOOOOOOOLLLLLL DA HOLANDA! Brasil 1×1 Holanda

E o Brasil, nitidamente, sentiu o peso do gol.

As jogadas simplesmente não saiam, passes errados de forma bizonha, os chutes passavam muito longe. Daniel Alves não foi nem sombra do que costumava ser, Kaká tentava sozinho, a bola fugia dos pés de Robinho.

E se o desastre já parecia rondar a seleção de Dunga, confirmou-se no escanteio. A bola viajou, foi desviada por Kuyt e encontrou a cabeça careca de Sneijder, sozinho, para balançar novamente as redes canarinho. GOOOOOOOOOOOOL DA HOLANDA! Brasil 1×2 Holanda.


O que estava ruim não poderia piorar. Quer dizer… poderia. Se o desespero já era notável depois do empate, agora com a virada foi potencializado. Eram um bando de peladeiros correndo atrás da pelota de capotão num campinho de terra batida. Não me surpreenderia se os holandeses tirassem a camisa pra fazer o clásico time dos camisas x time dos sem camisa.

Felipe Melo ainda fez o favor de pisar desnecessariamente em Robben e foi pro chuveiro mais cedo. EXPULSO!  As orelhas devem ter esquentado, já que milhões de tweets o xingavam, assim como nos bares, nas padarias, nos restaurantes, nas praças, nas praias…. Todos contra Felipe Melo. Ah sim… foi o mesmo Felipe Melo que deu aquele passe magistral no primeiro tempo.

Falando português claro, fodeu de vez. Os contra ataques holandeses só não se converteram em gols porque os atacantes não quiseram. Foram pelo menos 3 vezes cara a cara com Júlio César. Aliás, num lance besta, desentendeu-se com Juan. Aconteceu aquele famoso deixa-que-eu-deixo. Os dois ameaçaram dominar a bola e ninguém o fez. Só por isso percebia-se o descontrole. Logo a zaga, tão justamente elogiada, dava piripaque.

Os ataques do Brasil eram inúteis. Bolas alçadas na área sem direção, lançamentos para o vazio. O ponto futuro era decididamente futuro.

E foi assim que aos 48′ o juiz (que foi omisso, frouxo e mal tecnicamente, bem como a própria Seleção) determinou a volta para casa de Dunga, Jorginho e cia. O Brasil chora.

Devemos rever nossos erros. Quando na convocação, eu disse que a seleção não era a melhor, mas a mais bem preparada. Só não contava com a parte psicológica, que simplesmente virou fumaça após o empate. Eu acreditava que o espírito guerreiro da final da Copa das Confederações estaria presente, mas na única vez que estivemos em desvantagem no placar, sucumbimos às nossas próprias fraquezas.

Vão falar que o Dunga deveria ter convocado Ganso e Neymar. Continuo discordando. Faltavam opções criativas? Sim, Faltavam. Mas não esses dois nomes. Se Felipe Melo, que já joga no futebol europeu, tem mais idade e experiência, descontrolou-se, imagina dois jovem que malemal jogaram campeonato brasileiro? Certamente sumiram.

Agora Dunga se despede do comando da Seleção contabilizando alguns objetivos muito bem cumpridos e duas decepções: Olimpíadas e Copa do Mundo. Só isso.

Não adianta crucificar o Dunga, o Felipe Melo, o Kaká, o Robinho… Como bem disse Milton Leite: “A melhor defesa do mundo falhou. O melhor goleiro do mundo falhou. Juan que vinha jogando muito falhou. Tudo isso no único jogo difícil.” Erramos quando não podíamos errar.

Pra finalizar, é bom lembrar que cumprimos exatamente o mesmo trajeto de 2006. Vitória de 3 a 0 contra uma seleção mais fraca e derrota nas quartas para uma seleção européia equivalente.

Nos vemos em 2014.

Rapidinhas

Holanda e Brasil tem times equivalentes. Mas os laranja foram mais time.

Dunga foi bem ao tirar Michel Bastos e colocar Gilberto. FAtalmete seria expulso também.

Faltou cérebro em campo. O de Kaká estava meia bomba, o de Robinho brilhava esporadicamente, o de Elano desligou na entrada violenta do marfinense. E no banco? Faltou cérebro lá também.

Dunga vai se despedir do comando da seleção. Isso era certo com ou sem taça. Quem assume? Eu apostei em Paulo Autuori.

Dava para ganhar esse jogo. Mas quando a bola teima em não entrar, não tem o que fazer.

Hora de pensar não na Copa do Mundo de 2014, mas sim nas Olimpíadas de 2012. É o mais importante agora

 

Pitaco do Carlão- sim Frank, todos erraram CBF, Dunga, Felipe Melo, mas discordo de você quanto aos meninos do Santos. Veja a Alemanha, se você levantar a ficha deles, a maioria tem a mesma faixa etária do Ganso e do Neymar.. e olha como estão jogando. Não custava pelo menos, tentar.

 

ADEUS DUNGA!! ADEUS FELIPE MELO!!

E VEM AI A OPINIX DA COPA. AGUARDEM!  

South Africa 2010: Brasil x Chile

Para muita gente a Copa começa hoje, dia 28 de junho. Os três jogos anteriores contra Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal foram apenas testes sérios, para aprimorar o time para a disputa do que realmente interessa: o mata-mata. Nesses três jogos pudemos tirar a ansiedade do início de competição, testar as mandingas e trabalhos de todos os pais de santo do bairro, xingar o Dunga, aquecer a garganta gritando gol algumas vezes, além de verificar se a geladeira está deixando a cerveja gelada o suficiente.

Mas agora é pra valer. Qualquer erro pode custar a classificação para as oitavas de final. E para nossa sorte o adversário é o eterno freguês Chile.

Chile que começou assustando, dando 4 minutos de pressão absoluta. A equipe canarinho não conseguia dar dois passes de maneira decente. Mas isso só ocorreu até o primeiro contra ataque, que Luis Fabiano desperdiçou, chutando de maneira bizonha. Pronto. Estava estabelecido o respeito. Isso não significa, claro, que o Chile tenha abdicado da condição de ataque. Loco Bielsa respeita, mas não é covarde.

Michel Bastos e Gilberto Silva arriscaram de longe. Com precisão, mas sem sucesso. Definitivamente um jogo melhor de acompanhar…

Com 23 minutos de jogo também era possível perceber que os jogadores tentavam reproduzir jogadas rápidas que treinaram. Toques rápidos, de primeira, ultrapassagens pelas duas laterais. Até então todas as tentativas tinham sido barradas por pernas, pés, joelhos e até golpes de vista do chinelos chilenos. Promissor. O Brasil permanecia melhor, mas o Linguiça da América ainda levava algum perigo…

Aos 34′, uma jogada que muito se falava, mas pouco se via de forma eficiente. Escanteio cobrado e Juan subindo livre, pra meter a cabeça na bola e vazar o goleiro Bravo pela primeira vez. GOOOOLLLLLL DO BRASIL! Brasil 1 x 0 Chile. É bom falar que nessa jogada, Gilberto Silva serviu de apoio e ponto de referência para Juan. Trabalho de equipe. Deve-se também falar que Lúcio fui puxado de maneira absurda. Se fosse gol, seria penalti.

Na jogada seguinte, Luis Fabiano recebeu no bico da área e tentou o passe de calcanhar para Kaká. A bola bizonhamente bateu no outro pé e sobrou pro chileno. No Twitter, eu comentei o seguinte: “Jogada do Luis Fabiano. Patrocínio: Rock Gol, totalmente excelente“. É claro que ele não leu, mas os deuses do futebol adoram enfiar na tarraqueta dos comentaristas. Foi só o comentário chegar aos ouvidos das entidades divinas para Kaká tocar para Luis Fabiano, que em posição legal, driblou o goleiro (ou o juiz, nas palavras do Galvão Bueno) e tocou a Jabulani pro gol vazio. GOOOOOOOOOOOOOL DO BRASIL! Brasil 2×0 Chile


Nada mais interessante aconteceu. E nem precisava. Fim de primeiro tempo.

O segundo tempo foi bastante burocrático. Na verdade, com dois a zero no placar, nem precisávamos fazer nada. Era só tocar bola de forma segura e deixar o tempo passar.

O Chile até tentou uma reação, mas sem sucesso. A zaga brasileira estava bem postada e inspirada. Juan não deixava passar nada e Lúcio, além de preciso nos cortes, puxava de forma veloz o contra ataque e deixava meia Copacabana com a vuvuzela na mão. Em verdade, o Chile é valente, mas não tem qualidade técnica para encarar um Brasil. Mostrou exatamente isso contra a Espanha.

Aos 14 minutos, quem puxou o contra ataque foi Ramires. Para alegria daqueles que, assim como eu, querem ver o Felipe Melo sentadinho no banco, foi o melhor que podia ter acontecido. O ex-jogador do Cruzeiro correu em diagonal, deixou adversário comendo grama, não foi fominha e entregou açucarada pra Robinho. Nem precisou ajeitar… bateu firme… GOOOOOOOOLLLLLL DO BRASIL!!! Brasil 3×0 Chile


Aos 32′ , pra confirmar a boa fase, Robinho recebeu de novo e driblou o goleiro. Estava tão livre, mas tão livre, que só podia estar em impedimento. E estava. Taí a confirmação do que eu disse no jogo contra a Costa do Marfim. Robinho não precisa estar inspirado sempre. Basta algum lampejo para fazer a diferença.

Vitória consolidada. Mas coisas importantes ainda aconteceriam. A primeira delas foi o cartão amarelo do próprio Ramires. Com isso, ele está fora da próxima partida. Felipe Melo deve ter respirado aliviado. Visando o próximo jogo, Dunga sacou Kaká (que está pendurado) e o próprio Robinho, para as estréias de Kleberson e Gilberto. Pra colocar os dois em campo, é porque o jogo estava muito fácil.

E é justamente aí que reside o perigo. Em 2006, o Brasil também ganhou de 3 a 0, de um time mais fraco (no caso, Gana) nas oitavas de final. E aí todo mundo sabe o que aconteceu, quando pegou um time europeu, mais preparado tecnicamente. A seleça venceu e convenceu, mas não podemos nos contentar com o que vimos.

Despachamos um freguês. Que venha o próximo cliente, a laranja Holanda:

Rapidinhas

Dessa vez deixaram o Michel Bastos participar da partida. Ainda não é o jogador ideal pra lateral, mas ao menos é esforçado.

Todo mundo elogiando o Lúcio. Inclusive eu. Partidaço. Mas espero que ele se atenha a marcar contra a Holanda. Puxar contra ataque com Robben, Kuyt, Van Persie, e cia pode ser mortal.

E saiu o gol de jogada aérea! Aleluia!

Ficou claro que o caminho à final, para o Brasil é tranquilo. Resta saber se isso é bom o ruim.

O Zamorano, craque chileno, disse que o problema do Brasil era a zaga formada por Lúcio e Juan. Entende pra caramba esse Zamorano, hein?

Crédito das fotos: UOL Esporte e R7.com