F1 2013: GP do Brasil

Em uma prova tensa, Vettel vence com sobras mais uma vez. Webber, Perez e Massa se despedem de suas equipes com boas corridas: o primeiro com pódio, o segundo com uma escalada fenomenal e o terceiro com uma boa prova, atrapalhada por uma punição besta, mas justa.

Climão de fim de festa. Assim Interlagos recebeu a última prova da temporada 2013. A chuva torrencial da classificação não foi convidada para o início, mas ameaçava aparecer de surpresa durante do Grande Prêmio. Não veio com força, para a tristeza de todo mundo.

Começo eletrizante! Surpresa na largada! Rosberg acelerou mais que Vettel e ultrapassou o alemão. Segurou uma volta inteira, mas sua Mercedes não foi párea para a Red Bull.  Alonso perdeu posição para Hamilton na primeira curva, recuperando na segunda volta. Massa passou alguns carros também, posicionando-se bem.

Grosjean não durou as duas voltas. O motor fumou e o Ministério do Automobilismo adverte: fumar pode causar abandono de corrida. Au revoir, monsieur!

Mais para a metade da prova, uma briga interessante: Hamilton tentava passar Massa e andou por um bom tempo atrás do brasileiro. Chegaram a travar rodas no fim da reta dos boxes, complicando a tangência para o S do Senna. Show de pilotagem.

No auge da briga, os comissários viram a Ferrari  do brasileiro cruzando uma faixa branca na entrada dos boxes, algo proibido. Ao ser avisado pelo engenheiro, Massa ficou um tanto quanto revoltado. “Incrível! Inacreditável!” bradou pelo rádio. Sim, a regra é estúpida, mas que ele passou, passou. Drive-through

punição

Não pode cruzar a faixa branca com as 4 rodas após aquele “gap” na faixa contínua. Tá bem claro, não?

Bottas tentou ultrapassar Hamilton por fora e as rodas se acertaram. Os dois pneus furaram. Pior para a Williams que parou na área de escape, com a suspensão torta. Hamilton ainda conseguiu levar a Mercedes de volta, mas a corrida ficou comprometida. Se já estava ruim, o drive through para o inglês tornou tudo ainda pior. E o cara de pau ainda pergunta o que foi que ele fez… É um brincalhão, mesmo.

Congestionamento no box da Red Bull (!). Os mecânicos engasgaram na troca de Vettel e Webber ficou esperando. E na vez dele, ficou parado mesmo. Leve indecisão sobre qual pneu usar, já que o tempo fechava cada vez mais. Em São Paulo, ficar parado é obrigação. Fontes asseguram que ele recebeu panfleto de algum empreendimento imobiliário nesse meio tempo.

E por falar nele, SEBASTIAN VETTEL! 9 vitórias consecutivas, 13 vitórias na temporada! Um mito construído nas manhãs de domingo, diante dos nossos olhos, pelos últimos 5 anos. E por quantos anos mais?

MARK WEBBER! Pódio esperto e merecido na sua despedida da F1. Andou sem luvas e capacete por uma volta, cara ao vento, após a corrida. Cena fantástica!

webber

O adeus do Canguru. Mas deixe os anéis de cebola, por favor…

FERNANDO ALONSO, o melhor entre os mortais! Sempre tirando mais do que sua Ferrari oferecia. Ano frustrantes mais pelo que poderia te sido do que pelo que foi de fato.

Destaque para a ressurreição da McLaren. Button largou em 14º e chegou na 4ª posição. Perez terminou em 6º, ganhando 13 posições. Essa é a equipe que eu conheço!

Massa dá adeus a Ferrari com um 7º lugar. Que a Williams seja uma casa confortável e faça um carro minimamente decente.

O campeonato de pilotos terminou assim: VET (397 pts), ALO (242 pts), WEB (199 pts), HAM (189 pts), RAI (183 pts), ROS (171 pts), GRO (132 pts), MAS (112 pts), BUT (73 pts), HUL (51 pts), PER (49 pts), RES (48 pts), SUT (29 pts), RIC (20 pts), VER (13 pts), GUT (6 pts), BOT (4 pts), MAL (1 pt), BIA, PIC, KOV, GAR e CHI não pontuaram.

A briga entre construtores acabou assim: Red Bull (596 pts), Mercedes (360 pts), Ferrari (354 pts), Lotus-Renault (315 pts), McLaren-Mercedes (122 pts), Force India (77 pts), STR (33 pts), Williams (5 pts), Marussia e Caterham não pontuaram.

Agora, só em março de 2014 os motores voltarão a roncar. Bastante tempo pra as escuderias colocarem  as casas em ordem.

Obrigado Fórmula 1.

vettelO casal perfeito: Vettel e seu Touro Vermelho querem mais recordes!

Copa das Confederações: Tourada canarinho no Maracanã

Com 2 gols de Fred e 1 de Neymar, Brasil atropelou a Espanha e, sem dó, piedade ou cerimônia, venceu a Copa das Confederações 2013. 

Quem viu a final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha certamente ficou maravilhado e surpreso com o quanto o selecionado nacional jogou. Todos esperavam (inclusive eu) uma partida dura e até com os toureiros dominando, bem ao seu estilo. Não ocorreu. O varal entortou a favor do verde-amarelo, num futebol moderno, intenso e eficiente, que até agora não havia aparecido. Bela hora para aparecer, hein?

Foi a melhor partida que eu vi o Brasil jogar em muito tempo. O domínio aconteceu na bola, em uma marcação incansável e muito apertada. Foi também um domínio psicológico. Parecia que, mesmo jogando 5 horas seguidas, Julio César não seria vazado.

Tudo deu certo, até quando deu errado. Fred no chão com 1:30. Gol. Uma avenida IMENSA nas costas do Daniel Alves e uma MAIOR AINDA nas do Marcelo, chute preciso de Pedro e…. David Luís aparecendo de carrinho, em cima da linha. Pênalti bizarro cometido por Marcelo e Sérgio Ramos acertou a placa de publicidade. Uma das muitas. Foi para ficar rojo de vergonha.

Se a ideia da Copa das Confederações é ser um teste da estrutura para a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira passou em sua prova particular. Enfrentou jogos para dar moral, como o Japão, de paciência como o do México, adversários de tradição e raça como Itália e Uruguai, até o derradeiro espetáculo contra a Espanha.

É claro que o time não está pronto (as laterais continuam sendo um problema), mas a luz no fim do túnel parece maior e mais palpável. Fred é o nosso 9 goleador. Luís Gustavo foi muito bem no meio campo, assim como Paulinho (hoje anularam Iniesta e Xavi). Julio César, opção a principio antiquada, foi seguro quando acionado. Até Hulk superou a desconfiança e, mostrou que merece, ao menos, estar no grupo.

Quanto a torcida brasileira, foi o 12º jogador. O hino cantado no gogó deu aquela injeção de adrenalina fundamental no começo do jogo (crucial em mais de uma partida, eu diria). Agora, bom mesmo foram os gritos de “Shakira” na expulsão de Piqué no segundo tempo. Aqui é Joelma, porra!

Mais um troféu para a coleção e a missão de cultivar o otimismo, sem deixar a empolgação ufanista mascarar o caminho até a Copa do Mundo. Com 32 seleções, o buraco é mais embaixo. E Felipão sabe disso.

David LuizGolaço de David Luis quando o jogo ainda estava 1 a 0. Decisivo.

O Primeiro de Abril mais longo do Brasil

“Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus DIREITOS, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.”

O inflamado texto acima é parte do editorial de O Globo, publicado no dia 2 de abril de 1964, após um dos momentos chave da história do Brasil. O deposto João Goulart não terminaria seu mandato, assim como seu antecessor Jânio Quadros.

Mas, afinal, o Palácio do Planalto exercia mesmo a tal da ação subversiva? Os tais vermelhos haviam mesmo envolvido a mais alta esfera política do Brasil?

Os eventos que levaram à queda (ou à rasteira em?) de Jango começaram com os parafusos a menos de Jânios Quadros. O homem da caspa de mentira (?), do sanduíche de mortadela no bolso, dos cabelos desalinhados e dos bilhetinhos retos e diretos não aguentou a pressão de Brasília e pediu pra sair. O que ele REALMENTE queria fica para a galeria de mistérios que aparentemente jamais serão descobertos.

Mas o fato estava consumado em 25 de agosto de 1961. Em seu lugar assumiria o gaúcho João Goulart, eleito democraticamente vice-presidente, ainda que não comungassem das mesmas ideias. É bom lembrar que presidente e vice eram eleitos separadamente e não necessariamente eram chapas pertenciam a mesma chapa.

Já em 61 as Forças Armadas movimentaram-se para impedir que comunista (será?) Jango, naquele momento em um rolê uma visita à China (ainda sob influência de Mao Tsé Tung), vestisse a faixa presidencial.

E ATÉ QUE FAZIA SENTIDO.

Em plena Guerra Fria, quando um simples “vish, eu não deixa queito” poderia provocar uma saraivada de mísseis para todos os lados, DAR A IMPRESSÃO de aliança com russos e chineses poderia provocar uma reação nada amigável de nossos vizinhos estadunidenses, seja explosiva ou econômica.

Particularmente eu duvido que o Brasil se transformaria em um regime comunista. E duvido, também, que a melhor forma de acabar com a tal da ameaça fosse a base da força. Não faltaram eleições diretas um ou dois anos de depois?

Jango ainda se sustentou um tempo, mas os tanques dos militares foram mais potentes.

É claro (?) que não se poderia imaginar que o controle militar perduraria por tanto tempo, muito menos que a perseguição aos ditos comunistas resultaria em imagens como o suicídio (mais do que forjado) de Vladmir Herzog. Sem contar toda a parte da tortura e dos desaparecimentos inexplicados, inadmissíveis em qualquer tipo de governo.

Mas todo esse contexto histórico dos últimos parágrafos serviu para embasar uma percepção que me ocorreu nas pesquisas para esse texto: ainda há um traço, um sentimento, uma ideia (e até mesmo um saudosismo) em muita gente de que o golpe de 64, ou melhor, a Revolução de 64 não apenas foi benéfica, mas como infelizmente acabou. Veja:

“A data de 31 de março de 1964 é magna na história de nosso país, quando brasileiros patriotas tomaram armas contra os traidores da Pátria, que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba tropical. Heróis, alguns ainda vivos. É preciso retirar da História as sua lições”.

Percebem a similaridade entre o texto acima, postado por um cidadão qualquer no Youtube e o editorial de O Globo, no início do texto? O traço se mantém. Assustador? Natural? Certo ou errado?

O xeque mate dado em 31 de março resultou, na manhã seguinte, no Primeiro de Abril mais longo – e sem graça – da história do Brasil. Tão longo que, pelo visto, ainda não acabou para muita gente.

Se eu fosse você reservaria 49 minutos do seu dia para assistir a entrevista do brilhante  Geneton Moraes Neto com o General Leônidas Pires Gonçalves. É interessante demais como um mesmo fato – por exemplo a morte de Herzog – pode ser vista de ângulos tão diferentes. Tão diferentes que nem parecem o mesmo fato.

foto_mat_27219 GOLPE-ultima-hora-2-de-abril-de-1964

Tenho cada vez mais certeza que, mais do que um Golpe ou Revolução Militar, o que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985 foi uma verdadeira Guerra Civil Brasileira.

A Comissão da Verdade

No último mês de Maio, a Presidenta Dilma Roussef anunciou a criação da Comissão da Verdade. Esse orgão, que não terá poder punitivo e sim de indiciar, vai julgar os crimes cometidos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Ela terá um papel importante ao avaliar os dois lados da questão, tanto dos militares quanto dos “comunistas”.

E já não é sem tempo que o Brasil instala a sua comissão, pois, paises vizinhos como Argentina (que vive uma outra ditadura) e o Uruguai, já tem as suas, que inclusive, já ajudaram a punir seus generais.

Só espero que aqui ela consiga se livrar da influência de muitos militares conservadores demais, velhos de pensamento e de certas correntes políticas que infestam o país, infelizmente.

Termino esse texto com uma frase na qual eu acredito muito: Um país que não conhece o seu passado, não é capaz de trabalhar o seu presente e pensar o seu futuro.

Da esquerda para direita: Os exs-presidentes Collor (Jesus!!), Sarney (Mamãe, me acuda), Lula (que se perdeu no tempo), Dilma, e FHC, que antes de tudo, é um dos maiores sociólogos desse país, além de ex-presidente.

Hiroshima, Arigatô, Nagasaki…. Sayonara

Meu primeiro contato com a cultura japonesa foi através das artes marciais. Quem vê a cara e o tipo físico desse blogueiro não imagina que fui queijo faixa azul em judô e estava apto a receber a amarela. É sério, pare de rir… Ainda tenho meu kimono!

Pois bem. No judô, aprendi que o “inventor”, Sansei Jigoro Kano (já mandei parar de rir) derrubava os adversários, mas colocava a mão na nuca do sujeito, para evitar o choque da cabeça contra o tatami. Ao menos era o que o mestre lá contava. Começo o texto desse modo para demonstrar o que eu acredito que bem define o modo de vida dos japoneses: respeito.

Você percebe esse respeito nas mais simples atitudes, como tirar o sapato ao chegar em casa. Em teoria, o calçado é a parte do vestuário que mais contém as impurezas das ruas (justamente por estar em contato direto com o solo) e, ao tirá-lo, você mantém sua casa mais asseada. Respeito ao lar doce lar. Ou vai dizer que você nunca chegou com aquela goma de mascar ou mesmo aquele “totozinho” preso nas ranhuras do seu pisante?

(Sugira uma imagem para inserir nesse espaço)

Há também inúmeros exemplos de respeito ao ser humano: enquanto no Rio de Janeiro (ou Brasília, São Paulo, BH…) após uma tragédia natural, a água era vendida pelo triplo do preço normal – nada diferente do que se espera de um capitalismo selvagem – no Japão, após uma tragédia natural, os comerciantes DOAVAM a água do próprio estoque para aqueles que precisavam. Isso sem contar os mais velhos abrindo passagem para os mais novos se evadirem de eventuais tsunamis. Será que houve um pensamento coletivo do tipo: “já sou idoso, assim, darei preferência a quem tem mais chances de viver por mais tempo“?

A disciplina oriental é admirável. Não é por mero acaso que há a célebre piada da preocupação no vestibular, não pelo número de alunos por vaga, mas sim pelo número de japoneses por vaga. No estudo fica mais evidente, o que não significa que não se estenda às outras áreas.

Para nós, ocidentais, é difícil entender porque o suicídio é uma opção seriamente cogitada para aqueles que fracassam e não passam no vestibular. Oras… é só fazer um ano de cursinho e tentar novamente, pensa um ou outro. Acredito que vá mais além do que ter ou não ter a vaga na faculdade. Pega fundo na questão da honra, da competência, da dedicação. É inadmissível fracassar.

Por falar em ocidentais, já parou pra pensar o quanto sabemos da cultura japonesa? Malemal brincamos com palavras do título desse post e repetimos inúmeras vezes aquela saudação de curvar o tronco, com as palmas das mãos encostadas uma na outra. Ah sim… tem também a aversão,  (ou nojinho, como queira) a peixe cru e arroz quase sem tempero. E só.

Cadê a globalização nessas horas? Não serve só para descobrir as taras bizarras por tentáculos, colegiais e desenhos (não necessariamente nessa ordem e, principalmente, separados), ou aquele museu dedicado ao pênis. É… isso existe.

Felizes seremos no dia em que incorporarmos o que a cultura japonesa tem de melhor. Enquanto isso não acontece, a gente samba.

South Africa 2010: Brasil x Holanda

Pela primeira vez nessa Copa do Mundo, o Brasil pisou no gramado castigado do Nelson Mandela Bay vestindo o manto azul. Na fila ao lado, a imponente camisa laranja invocava duas excelentes lembranças recentes: as decisões de 94 e 98. A caminhada do vestiário ao gramado, ao lado daqueles que em pouco mais de 90 minutos seriam os responsável pelo suor derramado, os gritos dados, as palmas batidas e o sangue nos zóios foi um duelo psicológico.

O jogo começa e a sensação que não acabará com 22 marmanjos correndo atrás da pelota logo se estabelece. 90% das faltas cometidas era duras ou duríssimas. O árbitro japonês parece ter esquecido os cartões no vestiário, já que qualquer pernada, poscotapa, dedo no olho, coice no saco e reclamações ríspidas, de ambos os lados, era punidas apenas com a marcação de uma simples falta. Ah sim… e dá-lhe prosopopéia flácida para acalentar bovino.

E logo aos 10 minutos, que é para tirar a tensão do jogo, Felipe Melo resolveu encarnar o garçom e fez um lançamento magistral, do meio campo, no buraco que se formou na defesa holandesa. Robinho saiu da esquerda e se infiltrou no buraco, pegando de primeira e mandando pras redes. GOOOOOOOOOLLLLL DO BRASIL!!! Brasil 1 x 0 Holanda


A Holanda veio com uma proposta de ataque e não a abandonou, mesmo depois de ter sido vazada. Mas o Brasil neutralizava bem as jogas de Robben e Sneijder, chegando firme e sempre com mais de um jogador. Estavam completamente anulados.

Aos 31 ‘ Robinho fez jogada genial pela direita. Pedalou, cortou, driblou… apavorou a zaga holandesa. Mesmo caído conseguiu tocar para Luis Fabiano que esperto rolou de calcanhar para Kaká. O camisa 10 recebeu do jeito que gosta, de frente, levou a bola para a direita e bateu com efeito, no ângulo do goleiro. Mas então uma mão voadora apareceu no meio do caminho e jogou a bola para escanteio. Defesaça! Quase sai o segundo gol Brasil…

Júlio César mantinha-se firme no gol. Todas as bolas que chegavam, seja pelo alto ou por baixo, eram prontamente afastadas pelo nosso camisa 1. Isso quando chegava no homem de verde. Lúcio e Juan também faziam boa partida. Juan, aliás, perdeu excelente chance de ampliar, no cruzamento de Daniel Alves. A bola chegou pererecando e o toque do zagueiro Brasil fez a Jabulani subir demais.

E aos 46′ o juiz termina o primeiro tempo, que poderia ter sido perfeito, se a rede do gol holandês tivesse balançado mais vezes. Segurança, talento, domínio.

E começa a partida no Nelson Mandela Bay. Vamos aos primeiros 45′ de Brasil x Holanda. O quê? Como assim aos primeiros 45’? Pois é… foi o que pareceu vendo o segundo tempo. O jogo foi completamente diferente do primeiro tempo.

Aos 8′, bola cruzada por Sneijder na área do Brasil. Júlio César se atrapalha com Felipe Melo, que desvia levemente, o suficiente para colocar a bola no fundo do gol do Brasil. Caprichosamente, Felipe Melo vai do céu ao inferno. GOOOOOOOOLLLLLL DA HOLANDA! Brasil 1×1 Holanda

E o Brasil, nitidamente, sentiu o peso do gol.

As jogadas simplesmente não saiam, passes errados de forma bizonha, os chutes passavam muito longe. Daniel Alves não foi nem sombra do que costumava ser, Kaká tentava sozinho, a bola fugia dos pés de Robinho.

E se o desastre já parecia rondar a seleção de Dunga, confirmou-se no escanteio. A bola viajou, foi desviada por Kuyt e encontrou a cabeça careca de Sneijder, sozinho, para balançar novamente as redes canarinho. GOOOOOOOOOOOOL DA HOLANDA! Brasil 1×2 Holanda.


O que estava ruim não poderia piorar. Quer dizer… poderia. Se o desespero já era notável depois do empate, agora com a virada foi potencializado. Eram um bando de peladeiros correndo atrás da pelota de capotão num campinho de terra batida. Não me surpreenderia se os holandeses tirassem a camisa pra fazer o clásico time dos camisas x time dos sem camisa.

Felipe Melo ainda fez o favor de pisar desnecessariamente em Robben e foi pro chuveiro mais cedo. EXPULSO!  As orelhas devem ter esquentado, já que milhões de tweets o xingavam, assim como nos bares, nas padarias, nos restaurantes, nas praças, nas praias…. Todos contra Felipe Melo. Ah sim… foi o mesmo Felipe Melo que deu aquele passe magistral no primeiro tempo.

Falando português claro, fodeu de vez. Os contra ataques holandeses só não se converteram em gols porque os atacantes não quiseram. Foram pelo menos 3 vezes cara a cara com Júlio César. Aliás, num lance besta, desentendeu-se com Juan. Aconteceu aquele famoso deixa-que-eu-deixo. Os dois ameaçaram dominar a bola e ninguém o fez. Só por isso percebia-se o descontrole. Logo a zaga, tão justamente elogiada, dava piripaque.

Os ataques do Brasil eram inúteis. Bolas alçadas na área sem direção, lançamentos para o vazio. O ponto futuro era decididamente futuro.

E foi assim que aos 48′ o juiz (que foi omisso, frouxo e mal tecnicamente, bem como a própria Seleção) determinou a volta para casa de Dunga, Jorginho e cia. O Brasil chora.

Devemos rever nossos erros. Quando na convocação, eu disse que a seleção não era a melhor, mas a mais bem preparada. Só não contava com a parte psicológica, que simplesmente virou fumaça após o empate. Eu acreditava que o espírito guerreiro da final da Copa das Confederações estaria presente, mas na única vez que estivemos em desvantagem no placar, sucumbimos às nossas próprias fraquezas.

Vão falar que o Dunga deveria ter convocado Ganso e Neymar. Continuo discordando. Faltavam opções criativas? Sim, Faltavam. Mas não esses dois nomes. Se Felipe Melo, que já joga no futebol europeu, tem mais idade e experiência, descontrolou-se, imagina dois jovem que malemal jogaram campeonato brasileiro? Certamente sumiram.

Agora Dunga se despede do comando da Seleção contabilizando alguns objetivos muito bem cumpridos e duas decepções: Olimpíadas e Copa do Mundo. Só isso.

Não adianta crucificar o Dunga, o Felipe Melo, o Kaká, o Robinho… Como bem disse Milton Leite: “A melhor defesa do mundo falhou. O melhor goleiro do mundo falhou. Juan que vinha jogando muito falhou. Tudo isso no único jogo difícil.” Erramos quando não podíamos errar.

Pra finalizar, é bom lembrar que cumprimos exatamente o mesmo trajeto de 2006. Vitória de 3 a 0 contra uma seleção mais fraca e derrota nas quartas para uma seleção européia equivalente.

Nos vemos em 2014.

Rapidinhas

Holanda e Brasil tem times equivalentes. Mas os laranja foram mais time.

Dunga foi bem ao tirar Michel Bastos e colocar Gilberto. FAtalmete seria expulso também.

Faltou cérebro em campo. O de Kaká estava meia bomba, o de Robinho brilhava esporadicamente, o de Elano desligou na entrada violenta do marfinense. E no banco? Faltou cérebro lá também.

Dunga vai se despedir do comando da seleção. Isso era certo com ou sem taça. Quem assume? Eu apostei em Paulo Autuori.

Dava para ganhar esse jogo. Mas quando a bola teima em não entrar, não tem o que fazer.

Hora de pensar não na Copa do Mundo de 2014, mas sim nas Olimpíadas de 2012. É o mais importante agora

 

Pitaco do Carlão- sim Frank, todos erraram CBF, Dunga, Felipe Melo, mas discordo de você quanto aos meninos do Santos. Veja a Alemanha, se você levantar a ficha deles, a maioria tem a mesma faixa etária do Ganso e do Neymar.. e olha como estão jogando. Não custava pelo menos, tentar.

 

ADEUS DUNGA!! ADEUS FELIPE MELO!!

E VEM AI A OPINIX DA COPA. AGUARDEM!  

South Africa 2010: Brasil x Chile

Para muita gente a Copa começa hoje, dia 28 de junho. Os três jogos anteriores contra Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal foram apenas testes sérios, para aprimorar o time para a disputa do que realmente interessa: o mata-mata. Nesses três jogos pudemos tirar a ansiedade do início de competição, testar as mandingas e trabalhos de todos os pais de santo do bairro, xingar o Dunga, aquecer a garganta gritando gol algumas vezes, além de verificar se a geladeira está deixando a cerveja gelada o suficiente.

Mas agora é pra valer. Qualquer erro pode custar a classificação para as oitavas de final. E para nossa sorte o adversário é o eterno freguês Chile.

Chile que começou assustando, dando 4 minutos de pressão absoluta. A equipe canarinho não conseguia dar dois passes de maneira decente. Mas isso só ocorreu até o primeiro contra ataque, que Luis Fabiano desperdiçou, chutando de maneira bizonha. Pronto. Estava estabelecido o respeito. Isso não significa, claro, que o Chile tenha abdicado da condição de ataque. Loco Bielsa respeita, mas não é covarde.

Michel Bastos e Gilberto Silva arriscaram de longe. Com precisão, mas sem sucesso. Definitivamente um jogo melhor de acompanhar…

Com 23 minutos de jogo também era possível perceber que os jogadores tentavam reproduzir jogadas rápidas que treinaram. Toques rápidos, de primeira, ultrapassagens pelas duas laterais. Até então todas as tentativas tinham sido barradas por pernas, pés, joelhos e até golpes de vista do chinelos chilenos. Promissor. O Brasil permanecia melhor, mas o Linguiça da América ainda levava algum perigo…

Aos 34′, uma jogada que muito se falava, mas pouco se via de forma eficiente. Escanteio cobrado e Juan subindo livre, pra meter a cabeça na bola e vazar o goleiro Bravo pela primeira vez. GOOOOLLLLLL DO BRASIL! Brasil 1 x 0 Chile. É bom falar que nessa jogada, Gilberto Silva serviu de apoio e ponto de referência para Juan. Trabalho de equipe. Deve-se também falar que Lúcio fui puxado de maneira absurda. Se fosse gol, seria penalti.

Na jogada seguinte, Luis Fabiano recebeu no bico da área e tentou o passe de calcanhar para Kaká. A bola bizonhamente bateu no outro pé e sobrou pro chileno. No Twitter, eu comentei o seguinte: “Jogada do Luis Fabiano. Patrocínio: Rock Gol, totalmente excelente“. É claro que ele não leu, mas os deuses do futebol adoram enfiar na tarraqueta dos comentaristas. Foi só o comentário chegar aos ouvidos das entidades divinas para Kaká tocar para Luis Fabiano, que em posição legal, driblou o goleiro (ou o juiz, nas palavras do Galvão Bueno) e tocou a Jabulani pro gol vazio. GOOOOOOOOOOOOOL DO BRASIL! Brasil 2×0 Chile


Nada mais interessante aconteceu. E nem precisava. Fim de primeiro tempo.

O segundo tempo foi bastante burocrático. Na verdade, com dois a zero no placar, nem precisávamos fazer nada. Era só tocar bola de forma segura e deixar o tempo passar.

O Chile até tentou uma reação, mas sem sucesso. A zaga brasileira estava bem postada e inspirada. Juan não deixava passar nada e Lúcio, além de preciso nos cortes, puxava de forma veloz o contra ataque e deixava meia Copacabana com a vuvuzela na mão. Em verdade, o Chile é valente, mas não tem qualidade técnica para encarar um Brasil. Mostrou exatamente isso contra a Espanha.

Aos 14 minutos, quem puxou o contra ataque foi Ramires. Para alegria daqueles que, assim como eu, querem ver o Felipe Melo sentadinho no banco, foi o melhor que podia ter acontecido. O ex-jogador do Cruzeiro correu em diagonal, deixou adversário comendo grama, não foi fominha e entregou açucarada pra Robinho. Nem precisou ajeitar… bateu firme… GOOOOOOOOLLLLLL DO BRASIL!!! Brasil 3×0 Chile


Aos 32′ , pra confirmar a boa fase, Robinho recebeu de novo e driblou o goleiro. Estava tão livre, mas tão livre, que só podia estar em impedimento. E estava. Taí a confirmação do que eu disse no jogo contra a Costa do Marfim. Robinho não precisa estar inspirado sempre. Basta algum lampejo para fazer a diferença.

Vitória consolidada. Mas coisas importantes ainda aconteceriam. A primeira delas foi o cartão amarelo do próprio Ramires. Com isso, ele está fora da próxima partida. Felipe Melo deve ter respirado aliviado. Visando o próximo jogo, Dunga sacou Kaká (que está pendurado) e o próprio Robinho, para as estréias de Kleberson e Gilberto. Pra colocar os dois em campo, é porque o jogo estava muito fácil.

E é justamente aí que reside o perigo. Em 2006, o Brasil também ganhou de 3 a 0, de um time mais fraco (no caso, Gana) nas oitavas de final. E aí todo mundo sabe o que aconteceu, quando pegou um time europeu, mais preparado tecnicamente. A seleça venceu e convenceu, mas não podemos nos contentar com o que vimos.

Despachamos um freguês. Que venha o próximo cliente, a laranja Holanda:

Rapidinhas

Dessa vez deixaram o Michel Bastos participar da partida. Ainda não é o jogador ideal pra lateral, mas ao menos é esforçado.

Todo mundo elogiando o Lúcio. Inclusive eu. Partidaço. Mas espero que ele se atenha a marcar contra a Holanda. Puxar contra ataque com Robben, Kuyt, Van Persie, e cia pode ser mortal.

E saiu o gol de jogada aérea! Aleluia!

Ficou claro que o caminho à final, para o Brasil é tranquilo. Resta saber se isso é bom o ruim.

O Zamorano, craque chileno, disse que o problema do Brasil era a zaga formada por Lúcio e Juan. Entende pra caramba esse Zamorano, hein?

Crédito das fotos: UOL Esporte e R7.com

Quem matou Euclydes da Cunha?

Estamos em 1906. Imagine, caro leitor, que você regresse de uma temporada no Acre nesse mesmo ano e descubra que sua esposa está grávida. Mas, bem… o filho não é seu. Sua honra foi manchada, o chapéu de corno assentou muito bem na sua cabeça, dando-lhe um ar austero e selvagem. O estrago estava feito. Pelo menos você tem a sorte a seu lado: o bebê, fruto da sacanagem da sua mulher, nasceu morto. Mas você é um cidadão bondoso (a-hã), releva a situação e mantém seu casamento, apesar das brigas constantes. Tem filhos morenos como o pai e como a mãe. Mas então, em 1908, “nasce uma espiga de milho (de olhos azuis) no meio do seu cafezal“. Sua honra foi manchada de novo e o chapéu de corno agora cria raízes muito sólidas. A sede de sangue ativa suas papilas gustativas e você saliva, na ânsia de limpar seu nome.

Euclides da Cunha, autor de Os Sertões (que você com certeza só leu o resumo porque foi obrigado a fazer a prova na escola), passou por essa situação. Recebeu uma carta anônima (claro… nessas horas ninguém é homem suficiente para assumir que está oficializando o chifre em outrem) que avisava que um certo Dilermando de Assis estava, hã… batendo cartão no relógio de ponto de sua mulher. E, pior, Dilermando – além do nomezinho que Deus me livre – tinha por volta de 20 anos. Trocado por um garotão…

O próprio Dilermando descreve que “Euclydes travava (…), a meu respeito, terríveis discussões com sua esposa, a ponto de (…) romper-lhe as roupas (…)”. Apesar de ser um fetiche comum, as brigas nada tinham a ver com a vida sexual do casal. O pau comia direitinho, ainda mais depois do nascimento daquele peste loirinha, totalmente diferente do padrão moreno da família.

A História conta que Dilermando e Anna, esposa de Euclides, tinham interesses em comum, principalmente relacionados a literatura, música e artes plásticas. Os dois se entendiam. Como o próprio Ricardão conta: “Insultando [dona Anna], vexando-a diante dos estranhos, afugentando-a de si, esquecendo-a  em troca de suas predileções literárias, abandonando-a longamente. foi (…) [Euclides da Cunha] quem, desgraçadamente para si, a largou na desventura e fomentou a sua infelicidade“. Situação que acabou por resultar em separação. Anna fugiu para casa de Dilermando, com o consentimento de Sólon, filho mais velho de Euclides. Não tencionava mudar-se para lá, era apenas uma fuga que logo seria engolida pelo pelotão. Mas o pelotão veio armado.

Na manhã de 15 de agosto de 1909 – portanto, 3 anos após a primeira prova de que Anna procurava nos braços de Dilermando o que não encontrava nos de Euclides da Cunha – o desfecho dessa história aconteceu. O escritor foi até a casa do militar, por volta das 10 da manhã, bradando um revólver perigosamente carregado. Veja que essa história nunca poderia terminar bem: corno armado + casa do Ricardão + Ricardão = tragédia

Vim pra matar ou morrer! – anunciou o chifrudo, deixando bem clara a sua intenção. O primeiro tiro acertou a virilha direita de Dilermando. Um descontrolado Euclides gritava: Bandido! Desgraçado! Mato-os!. Obviamente eram os copos de álcool fazendo efeito. O segundo tiro deveria ser fatal, mas não foi. Acertou o peito, numa área não letal. Dilermando cambaleou  e caiu no quarto. A sede de sangue de Euclides não terminava no Ricardão. Sua ira acabou direcionada para o irmão de Dilermando, chamado de Dinorah (mais alguém além de mim achou o nome extremamente feminino?). A bala foi na nuca.

Dilermando então pegou seu revólver e antes que pudesse dar um fim na situação, tomou um terceiro tiro (!), dessa vez em uma das costelas à direita. Mesmo após tanto chumbo, foi capaz de ser eficaz e matou o repórter, escritor, sociólogo, historiador, geógrafo, poeta, engenheiro e, porque não, corno brabo Euclydes Rodrigues da Cunha.

Presunto literário: foi defender a honra e acabou no necrotério

O delegado Joaquim Pedro de Oliveira Alcântara já não concorda com a versão de auto-defesa descrita no parágrafo acima. Transcrevo trechos do inquérito: “Tive a evidência de que dona Anna, Dilermando, Dinorah e Sólon estavam na intimidade das relações adulterinas entre Dilermando e dona Anna, e formavam em torno do esposo ultrajado, um cordão vigilante e protetor que o (…) impedisse de defender sua honra.
(…) As duas testemunhas de vista narram que o Dr. Euclydes fugia pelo jardim, mal ferido, quando Dilermando, com propósito homicida caracterizado, chegou a porta, injuriou-o – “espera cachorro!” – e alvejou-o com um tiro que lhe levou a morte.

A pergunta que persiste por mais de um século é: Quem matou Euclides da Cunha?

a) Ele mesmo, ao invadir a casa de Dilermando, estando armado.
b) Anna, pois pulou a cerca por 3 anos, tendo DOIS filho com o Ricardão
c) Dilermando, que além de atirar, não foi homem suficiente para procurar sua própria mulher, arrebatando a dos outros.

Decidam!

Fonte: Revista Nosso Século, nº 2, Editora Abril

South Africa 2010: Os grupos

Tão emocionante quanto as eleições presidenciais, a Copa do Mundo da África do Sul será histórica, e por vários. Se a Copa de 2002 foi a primeira sediada na Ásia e por dois países ao mesmo tempo, em 2010 será a desvirginização do continente africano. A cerimônia de sorteio dos grupos realizada na última sexta-feira deixou claro que essa não será uma competição da África do Sul, mas sim de todos os povos que compõe o continente chamado África.

A cobertura do Ideia Fix começa hoje, com a análise dos grupos da primeira fase. Vamos ver quais foram os sortudos e os azarados da vez, os grandes jogos e algumas curiosidades:

Assim fica fácil classificar
O grupo mais fácil é, sem dúvidas, o da H, da Espanha. A Fúria terá como adversários Honduras, Chile e Suiça. É obrigação da atual campeã européia terminar essa primeira fase no topo da classificação, invicta e com um saldo de gols considerável. Vai ser também muito curioso acompanhar o grande clássico internacional Chile X Honduras. Pode convocar o Zamorano que ele dá conta sozinho.
Como bem disse Zé Cabala: “Garanto que deste grupo passa um país de língua espanhola. Pode me cobrar depois!”
Jogo imperdível: Chile X Honduras

Igualmente tranquilo é o grupo F, da Itália. Vai ganhar do Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia com relativa facilidade. Apesar da tradicional retranca dos italianos, não deve ser problema para Totti (que tem tudo para fazer da Copa seu retorno à azzurra), Quagliarella, Pirlo e cia liquidar os jogos e também classificar em primeiro. O único cisco no olho dos italianos será a Suiça, que saiu invicta da ultima Copa do Mundo. isto é… não tomou muitos gols, mas também não os marcou.
Jogo imperdível: Nova Zelândia X Eslováquia

Já a Holanda, no grupo E, terá a vida um pouco mais complicada, mas vai passar em primeiro. Enfrentará uma organizada seleção da Dinamarca, uma ascendente seleção do Japão e uma motivada seleção de Camarões. Não será um grupo técnico, mas me parece o grupo com mais raça. Camarões tem Eto’o e é minha aposta para segundo colocado no grupo, apesar da lógica prever a Dinamarca.
Jogo imperdível: Holanda X Dinamarca

A seleção da Inglaterra terá apenas um jogo emocionante no grupo C. Contra os Estados Unidos, colonizador e colono farão um bom jogo de abertura de grupo. Já contra Eslovênia e Argélia não deverão ter problemas.  É um pouco arriscado palpitar assim porque os ingleses vem de um fracasso histórico, que é a não classificação para a Eurocopa. Capelo, no entanto, parece que colocou ordem na casa e o material humano é de excelente qualidade. Só pra citar, Rooney, Joe Cole, Backhan, Frank Lampard…
Jogo Imperdível: Argélia X Eslovênia

Pedreira, páreo duro, osso… chame do que quiser. Fácil não é.
E chega de grupo fácil. Vamos aos mais emocionantes, começando pelos Bafa-Bafana. Parreira deu um azar tremendo, do tamanho das expectativas dos sul-africanos. Enfrentar França, México e Uruguai não será fácil, principalmente para uma equipe com sérias dificuldades de fazer gols. Os franceses devem garantir um primeiro lugar suado. Não aposto no segundo classificado.

A Argentina novamente não terá uma primeira fase tranquila. Logo de cara vão enfrentara Nigéria e pode ter certeza que, na preleção, vai rolar a famosa capa do Olé com os dizeres “Que venham os macaquitos“. Os nigerianos vão vir babando para ganhar esse jogo. Depois, confronto com os Sul Coreanos (teoricamente os mais fracos) e por fim os organizados gregos. Maradona que se cuide.
Jogo Imperdível: Argentina X Nigéria

De igual dificuldade, está o grupo do Brasil. Jogo de abertura tranquilo contra a Coréia do Norte. Jogo decisivo contra Costa do Marfim (de Merdba, digo, Drogba) e por fim, aquele que teoricamente vai decidir a primeira colocação, contra Portugal (olha aí o confronto colonizado versus colonizador novamente!). Particularmente, gostei desse grupo. Um grupo muito fácil (como foram os de 2002 e 2006) mascara a real condição técnica da equipe. Um grupo da morte, por outro lado, desgastaria desnecessariamente a equipe.
Jogo Imperdível: Brasil X Coréia do Norte

É realmente importante classificar em primeiro, já que o 2º colocado desse grupo pegará o 1º colocado do H (com quase toda a certeza, Espanha). Por outro lado, classificando no topo, a passagem para as Quartas de Finais parece garantida, já que enfrentaremos Chile, Honduras ou Suiça.

Ainda sobre esse grupo, os coitados dos norte-coreanos não vão ver a Copa. Tudo porque o babaca do ditador proibiu que os jogos passem ao vivo. Só vai permitir um compacto dos jogos que a Coréia do Norte ganhar, ou seja, nenhum.

Por fim temos o grupo D, da Alemanha. Esse é um grupo curioso. Gana e Sérvia vão dar trabalho para os germânico e não se surpreendam se a Alemanha terminar em segundo. Klose já está com 31 anos e não é mais aquele garoto das duas úçtimas Copas. Mário Gomes, apesar de bom jogador, pode sentir o peso de um campeonato mundial. Atenção também no golero, Tim Wiese.
Jogo Imperdível: Gana X Sérvia

A cerimônia
Quem acompanhou a cerimônia pela televisão viu belos vídeos, principalmente um que colocava animais africanos famosos jogando bola. Viu ta,bém um enorme fail por parte da FIFA. A festa foi toda conduzida por uma simpática apresentadora negra. Ela anunciou as danças típicas (sensacioanis, por sinal), os discuros de Mandela e dos presidentes Blá-Blá-Blater e Jacob Zuma. Quando chegou a hora de sortear as bolinhas, ou seja, a principal parte, ela foi substituida pela loirinha branquela Charlize Theron. Sim, a atriz nasceu na África do Sul, é uma estrela internacional  e mimimi mas… e daí? Já que carregaram no simbolismo, que elas dividissem desde o começo a condução. Seria uma cena antológica e muito bem vinda.

Vuvuzela, Bafa-Bafana, Jabulani
Prepare-se para a invasão de termos sul-africanos no ano que vem. Durante alguns meses, nosso vocabulário e ouvidos serão castigados com palavras totalmente diferentes e de fácil pronúncia, o que tornará as narrações do Galvão Bueno ainda mais insuportáveis. Isso sem contar aquele amigo do escritório metido a inteligente que vai falar que sabe tudo sobre os Bafana-Bafana e que já comprou sua vuvuzela paa os jogos do Brasil. Não ligue. Jabulani e bola para frente.

PS: A Globo é que tá feliz. Vai poder dizer, por pelo menos 1 ano, que o Brasil é G1 na Copa do Mundo. E não vão estar errados! Muito pelo contrário!

Míticos e polêmicos. Quem são Collor e Sarney?

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Há muito quero escrever sobre esses dois personagens desse romance moderno, ao estilo Macunaíma, que é o Brasil. Se o país fosse um álbum de figurinhas, Fernando Collor e José Sarney seriam as premiadas. Dois políticos, duas histórias e uma certeza: O Brasil jamais vai esquecê-los.

José Sarney
Nunca na história desse país um político mudou de lado ideológico tantas vezes como o atual presidente do Senado. Sua carreira política começou em 1955, quando assumiu o posto de Deputado Federal pelo Maranhão, seu estado natal.
Tal qual jogo de tênis, já integrou a UDN, que fazia oposição ao ditador (eis a ironia) Getúlio Vargas. Posteriormente, presidiu a ARENA, partido da… ditadura militar (!) e agora integra o PMDB, aliado do governo, cujo partido notoriamente lutou… contra a ditadura (!!!). Tudo isso, fora o fato de ter sido o primeiro presidente civil pós 64. Não é fantástico?

O jogo político de Sarney continuou. Seu estado natal é o Maranhão, como já foi dito anteriormente. Elegeu-se Senador por esse estado e quando a reelição já não era mais possível, mudou seu domicilio eleitoral, concorreu e ganhou nova cadeira, mas como representante do… Amapá (?).

Enfrenta denúncias de corrupção dsde que o mundo é mundo. Em contrapartida, é membro da Academia Brasileira de Letras, por possuir uma vasta obra literária, na qual encontram-se os best-sellers “Saraminda” e “A duquesa vale uma missa”.

Lembre-se. Uma vez fiscal do Sarney, sempre fiscal do Sarney.

Fernando Collor
A carreira política de Fernando Collor é mais sinuosa que uma montanha russa. partidário da ARENA, foi escolhido (é, escolhido, não eleito) prefeito de Maceió em 1979. Em 82 foi eleito (aí sim) Deputado Federal. Foi a favor das Diretas Já, mas curiosamente votou em Maluf para presidente, em 1985.

Caçador de Marajás era sua alcunha, por limar do poder funcionários que recebiam altos salários. Sepre fiel a José Sarney, cadidatou-se á presidente, levando o estiga de caçador de marajás com ele. Foi eleito e alguns anos depois, caçado.  A História (com agá maiúsculo) do impeachment é algo qeu sede ver tratado com muita cautela, já que Collor não foi vítima, mas também não foi o único responsável. PC Farias pagou a vida e Collor com 8 anos fora da vida política.

Mas quem achava que ele estava morto, enganou-se. Mesmo relegado ao ostracismo por 8 curtos anos, voltou para o Senado nos braços do povo alagoano. Hoje é Presidente da Comissão de Infra-Estrutura do Senado e, infelizmente abandonou a caça aos marajás. Ele ia achar tantos no Senado!

Collor é uma figura pitoresca. A maneira de falar, as expressões faciais e a entonação fazem qualquer adversário que tenha “aquilo” roxo engolir as palavras. Infelizmente, o povo brasileiro teve que engolir um furto descarado de poupança. Pelo menos, Collor botamos, Collor tiramos.

Repito: O Brasil jamais vai esquecê-los.

Diário de Bordo: Paraty

A primeira vista, Paraty se parece com qualquer outra cidade praiana. Ruas um tanto quanto esburacadas, lotadas de carros e bicicletas, sempre com seres marombados tomando sua cervejinha e mulheres fofocando com suas amigas sobre a canga fora de moda daquela moça ao lado do carrinho de hot-dog.

Entretanto, quando se olha para o ínicio do centro historio, preservado, fica-se com a impressão de estar entrando em outra cidade, ultrapassando um portal do tempo e penetrando em outra realidade. De fato, entramos numa cidade cenográfica, de ruas calçadas com “pé de moleque” e casinha coloridas (posteriormente, claro) que remetem aos tempos dos escravos.

Essas ruas, aliás, não foram feitas pra madame andar de salto alto. Uma torsão é bem possível, se você se distrair demais com os sinos, janelões e varandas coloniais. Ainda falando das ruas,temos que dar graças pelo fato de poder andar nelas sem morrer intoxicado pela falta de oxigênio . Isso porque, 200 anos antes, eram escoadouros de merlin. Fazia-se as necessidades biológicas naturais (a.k.a cortar o rabo do macaco) e jogava-se pela janela. Saneamento? O que é isso?
Mas, tio Frank, as ruas ficavam cheias de bosta? Sim. Pelo menos na época de maré baixa. Quando as águas subiam, lavavam tudo e ainda deixavam um salzinho pra desinfetar.

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A essência turística de Paraty aflora até nos mais desinteressados. A todo canto que se olha, há sempre uma indicação de que, mais cedo ou mais tarde, você vai encontrar com um gringo, seja ele americano ou francês. A esmagadora maioria das lojinhas de artesanato e cachaça tem letreiros nas duas línguas (se bem que mesmo os brasileiros menos abastados financeiramente podem ler facilmente as plaquetas. Após algumas doses de caninha, claro). Outro fator que mostra a vocação turística é a cobrança de ingresso (2 reais) para entrar em uma igreja (a qual dizem ser patrimônio da humanidade). Percebe-se que os lojista não são necessariamente da cidade, mas sim de outras partes do Rio de Janeiro. Ainda falando de comércio, existe uma aassociação dos carrinhos de doces, legalizada e organizada pela Prefeitura. É uma tentação ambulante.

Achei bastante interessante uma das praças centrais. Foi montado uma exposição de bonecos representando histórias infantis. Um prato de pedreiro para os visitantes ávidos por locais propícios para guardar uma lembrança fotográfica. Perdi a conta de quantas pessoas eu vi imitando os bonecos. Tinha até umas casinhas de barro e tapume muito bem feitas. Pouco práticas, claro, mas bem feitas.

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A praia que visitei não era lá muito bonita, mas tinha uma quantidade considerável de conchas. A água também não era transparente, mas também não se pode considerá-la turva. A parte que mais me chamou atenção foi uma pedra relativamente grande, toda incrustada com conchas (que o bobo alegre aqui eu tentei, e consegui, escalar) e as raízes roxas de um coqueiro (?). A música ambiente era péssima, diga-se de passagem. Ok, dou um desconto. Isso não tem nada a ver com a cidade.
Detalhe: para quem é de São Paulo, Paraty é um ideal para perceber a influência do Flamengo no resto Brasil. Tudo bem que estamos no estado do Rio de Janeiro, mas a quantidade de bandeiras, camisas e badulaques do clube da Gávea impressiona qualquer paulista.

Paraty é um excelente lugar para se conhecer. Respira-se História, a caminhada é agradabilíssima, e todos com quem conversei foram extremamente receptivos. Paraty mostra que é possível desenvolver o turismo de tal forma que cada vez mais locais se transformem em ilhas e cidades cenográficas. O Brasil agradece.

E viva Paraty!

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Nossa homenagem ao campeão

Aqui vai, mais uma vez, a homenagem do Ideia Fix ao nosso eterno campeão AYRTON SENNA. Lindas palavras de Roberto Vieira

O País de Ayrton Senna

1986. Fernando Brandt sorri.

Milton Nascimento dedilhava no violão:

“É Fernando, a gente errou…”

Já não havia Pelés, nem Garrinchas, nem Romários.

O Brasil era um país feio e triste durante a semana.

Restava apenas uma alegria para o povo brasileiro:

Alguns domingos. Domingos que já não eram domingos de futebol.

O Brasil era o país da Fórmula 1.

No coração desse país. Ao longo das avenidas.

Escutava-se apenas o ronco dos motores.

A vida ficava lá fora.

A corrupção. A Nova República. As utopias irrealizáveis. A inflação.

Maradona era o novo Pelé. Talvez.

Mas Senna era melhor que Fangio.

E na opinião do povo brasileiro, Senna era melhor que Pelé.

O Brasil havia perdido na decisão por pênaltis para a França.

Brasil vazio na tarde de domingo.

Brasil que assiste Ayrton Senna vencendo o GP de Detroit.

De repente, a Lotus estaciona.

O piloto brasileiro pede alguma coisa à torcida.

O que será?

Surge pequenina. Gentil. Uma improvável bandeirinha brasileira.

Frágil ante o sonho impávido, colosso.

O herdeiro de Landi, Fittipaldi e Piquet lembra daquela terra esquecida.

Abandonada. Estorquida. A pátria amada.

E durante os anos, Collors, Sarneys, Zélias e Caniggias tinham um remédio.

O moço de olhar distante que simbolizava o drible da nação ajoelhada em berço esplêndido.

Diversão era ver o Prost virar João.

Há 15 anos, a nação ajoelhada viu seu filho amado partindo.

Então o destino nos levava até mesmo o nosso menino?

Não haveria mais bandeiras quadriculadas?

Não haveria mais podiuns?

Só haveria o último lugar no grid da história?

Milton cantarola para Brandt:

“Quero falar de uma coisa, adivinha onde ela anda…”

O Brasil pára para dizer adeus.

Um adeus silencioso como um imenso Maracanã, vazio.

Sem gols. Sem ronco de motores.

Apenas a cruel sensação de morte. Do nunca.

Perdemos algo bem maior que um título mundial.

Um bem mais precioso que uma taça.

Ou quem sabe, não perdemos nada?

Pois nunca se perde o que vai no lado esquerdo do peito.

Entrementes.

A trágica morte de Ayrton Senna mostrou a solução do dilema.

O Brasil continuava sendo o país do futebol.

O Brasil vazio nas manhãs de domingo.

Não era vazio por causa do ronco dos motores.

Ninguém dá a mínima para um pit stop.

Na verdade.

Aqui era o país de Ayrton Senna.

 

SENNA VIVE!

Bonecas: Não são para brincar

As bonecas são brinquedos criados para exercitar o instinto. Não há uma pequena menina que não goste de levar sua filha postiça para passar, dar papinha, ninar ao som de cantigas MUITO antigas e em casos mais recentes, ensinar como usar louça sanitária. Depois de crescidas, as meninas já gostam de transpor sua realidade para as bonecas. Barbie, Susie e suas amigas fazem festas, andam de carro, namoram o Ken e o Falcon e só não reproduzem por motivos estéticos-biológicos. Se bem que essa reproduz.

Em outros países, as bonecas tem significados, formas e cores totalmente diferentes. Elas fazem parte da cultura tradicional e são mais que meros brinquedos. Vejamos algumas delas:

Matrioshka (Rússia):
As Matrioshka são bonecas muito legais. São a inspiração para aqueles presentes de amigo secreto, no qual você dá uma caixa bem grande, com caixas menores dentro, até o destinatário ficar com cara de paspalhão ao descobrir um io-io. Ou um cupom de vale-presente do Extra. Voltando às bonecas… as Matrioshka geralmente são feitas de madeira e pintadas à mão. Retratam mulheres camponesas, personagem de contos de fadas e, como não podia deixar de ser, líderes políticos (inclusive os da URSS).

Na Rússia elas significam fertilidade. Eram dadas as mulheres em idade de casamento como incentivo à maternidade e aquele desejo camarada de saúde e beleza. Também acredita-se que as bonecas trazem sorte.
Segundo o site Matrioshka-Matrioshka, curiosamente as bonecas são originárias do Japão e há pouco mais de cem anos integraram o folclore russo. Ainda segundo o site “em 1890 um protótipo do brinquedo, representando um sábio budista, foi trazido do Japão e presenteado à legendária família de comerciantes Mamôntov, grandes patrocinadores das artes no virar do século. Usando a boneca japonesa como modelo, o artesão Vassily Zvyôzdotchkin e o pintor Serguei Malútin criaram então a primeira Matryoshka russa, batizando-a apropriadamente com uma variação do nome russo Matryona, que deriva de mat’ (mãe)”.

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Além das tradicionais, existem versões alternativas como essa sequência inacreditável com temática Mario World e essa, bem mais alternativa: uma Matrioshka de carne. Vai encarar?

Kokeshi (Japão):
O Japão é pródigo no quesito bonecas. Decidi mostrar apenas as Kokeshis por motivos de espaço, mas você ainda pode saber mais sobre os outros tipos no site da Aliança Cultural Brasil-Japão.

As Kokeshis são cilíndricas e tem uma grande cabeça com feições infantis (pra variar. Que fixação Michael-Jacksiana, caramba!). Não tem braços nem pernas e medem uns 15 centímetros. Por incrível que pareça, os pervertidos japoneses desvirtuaram o sentido original da boneca, só por causa do chapéu formato. Lá, Kokeshi também é sinônimo de vibrador. Kokeshi também nomeia uma série de filmes eróticos de sucesso. Só falta os tentáculos.

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Olhando para o significado sério, as bonecas são bem místicas. Os japoneses da região de Okinawa acreditam que a alma de crianças com até 12 anos, que viram sashimi partem dessa para melhor, acabam incorporadas nas bonecas. Os japoneses, então, as mantém nos cemitérios ou em suas próprias casas. Adotar uma Kokeshi com alma é sinônimo de boa sorte. Uma pequena oferenda de doces é colocada aos pés dessa boneca no dia do aniversário da criança falecida para trazer prosperidade e afastar o azar e mau agouro. Bem ao estilo Cosme e Damião.

Maia (Algarve-Portugal)
As Maias e os Maias – além de uma série da Globo –  são bonecos confeccionados a partir de palha de centeio, farelos e trapos, vestidas com traje branco, cercadas de flores. A tradição da confecção dos bonecos foi esquecida com o passar do tempo, já que os mais novos não se interessavam em aprender a técnica (mais ou menos como aconteceu com a profissão de barbeiro e sapateiro). Mas ainda não foi extinta.
Originalmente, a festa com as Maias visava celebrar a Primavera. A celebração da Flora fica evidente nos materiais que compões os bonecos. Posteriormente eles são ornamentados com jóias, roupas e até uma maquiagem…

maios20Linda, não?

Entrementes, eram (e ainda são) entoados cantos humorísticos e com críticas ácidas à sociedade que promete e não cumpre. Aposto que você lembrou daquelas promessas feitas no dia 31 de dezembro. No blog A Defesa do Faro você encontra mais informações.

Bonecas Brasileiras
Quando pesquisei com São Google sobre as bonecas brasileiras, o maior site de buscas do mundo me forneceu vários sites com um tipo hã… diferente de boneca. Bonecas Kinder Ovo, para ser mais exato. Isso… aquelas que vem com surpresa no pacote.
Mas para não passar em branco, gostaria de citar os bonecos gigantes de Olinda (toca o frevo aí DJ), a Calunga do Maracatu, Bonecas de barro de Pernambuco, a própria Emília e a boneca de Piche. São tantas bonecas tradicionais que reclamam um post só para elas.

São tantas bonecas que não servem propriamente para brincar que até fico em dúvida se fabricadas pela Estrela, Mattel e companhia não são a exceção. Como eu disse no começo do post, elas nada mais fazem do que atiçar, treinar o instinto materno. E paterno, por que não?

E você? Já levou sei instinto para passear hoje?

Olhar Histórico: Copa de 50

Rio de Janeiro, 15 de julho de 1950:

1 dia! Falta só 1 dia pro Brasil ser campeão mundial! Mal posso esperar para entrar – pela primeira vez, diga-se – no recém inaugurado Mário Filho e assistir a seleção brasileira levar a Taça Jules Rimet das mãos do próprio Jules Rimet.
Os jornais dizem que esse estádio é o maior do mundo. Eu não acredito… acho que na França ou na Inglaterra deve ter uns maiores. Isso se os nazistas não enviaram suas bombas lá.

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Mas vamos voltar pro jogo: O Uruguai, que é nosso adversário e freguês histórico (apesar da derrota no último jogo, antes da Copa), não será páreo para os gols do Ademir, do Vasco. Pelas barbas do Getúlio! Ele já marcou 9 gols nesse campeonato… quase não dá saudades do Leônidas, na Copa anterior…

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Meu palpite pro jogo de amanhã é Brasil na cabeça. Por quê? Além do que eu já falei acima, é possível não acreditar no time que meteu 7 a 1 na Suécia e, no jogo anterior, 6 a 1 na Espanha? Deu para ouvir, pelo radinho, a torcida gritando “Olé” e cantando Touradas de Madrid. Lindo!

Vou até chutar o placar do jogo. Me cobrem amanhã. Brasil 3 x 0 Uruguai. Os três gols do Ademir. Se bem que até com o empate seremos campeões…

Ah! Hoje eu comprei o jornal “O Mundo“. A capa está pendurada na parede do meu quarto. É uma sensação tão boa entrar lá e ler a manchete, em letras garrafais: ESTES SÃO OS CAMPEÕES DO MUNDO”. Já reservei com o Vicente lá da banca várias edições do dia 16, terça feira. Certeza que O Correio vai trazer a análise completa e o Jornal dos Sports vai vir com poster… Vou encomendar também a Folha da Manhã, lá de São Paulo.

Quase fui em São Januário pegar um autógrafo dos heróis, mas me disseram que está muita bagunça por lá. Repórteres, familiares e torcedores histéricos não saem da porta da concentração. A única coisa que não entendo é por que raios mudaram a concentração para lá. Enfim…

Vai Flávio Costa! Vai Feola! Vai Ademir! Tragam a taça pra gente!

Sobre a reforma ortográfica

Já se passou quase um mês que a reforma ortográfica que visa unificar a escrita dos países lusófonos (palavra em moda hoje em dia…) entrou em vigor. Até agora grandes portais e jornais aderiram à nova escrita, alguns colunistas ainda não e muita gente, seja conhecida ou ilustre anônima, é contra. Já este humilde blog tenta se adaptar, ainda mesclando as duas formas…

Algumas perguntas são feitas e vagam sem uma resposta precisa. Quanto tempo levará para que todos de adaptem? Segundo pesquisas, a última grande reforma ortográfica teve que esperar 1 década para ser incorporada pela sociedade em geral, dos mais cultos até o povão. A pesquisa foi feita em lápides de cemitério (de onde mais seriam, ó pá?) e é leitura mais que recomendada.

Outra pergunta que muito se faz é se a queda do trema, a subtração (ou adição) de hífens e acentos  é realmente necessária. Como toda reforma, dá trabalho, o pedreiro faz uma baita sujeira e no final você nunca tem certeza se (ele) fez a coisa certa. Considere que Portugal perderá letras (acção, por exemplo, perderá o primeiro “cê”) e veja se tem alguém realmente feliz.

O que, na verdade, me faz refletir é que Estados Unidos e Inglaterra têm muitas diferenças no idioma, mas mesmo assim são grandes sócios (é.. sócios mesmo…). Podem ser diferenças pequenas como uma letra – color e colour, respectivamente – ou grandes, no caso de apartment e flat.

Por enquanto sou contra a apenas 1 ponto dessa reforma: o acento diferencial. Apesar do nome auto explicativo, inexplicavelmente ele foi arrancado do quadro ortográfico. Nem sempre se pode ter absoluta certeza do sentido da frase sem esse item. Veja:

“Para o mundo, ele quer descer.”

Claro que há todo um contexto, mas o acento facilitava o entendimento e a interpretação, tantas vezes prejudicada pela péssima educação brasileira. Exemplos de que ela inexiste em certas pessoas pode se ver ao montes nos comentários desse blog, especialmente no texto sobre o RBD.
Ainda estou em dúvida quanto aos outros pontos. Creio que será necessário esperar e ver como o barquinho irá e a tardinha cairá, mas me parece meio estranho engatar um hífen em microondas.

No final das contas, o trema caiu para os poucos que ainda o usavam (como eu) e muitas dúvidas em relação à utilização das regras ainda pairam. Se até Monteiro Lobato fez questão de ignorar a reforma que lhe impuseram goela abaixo e escreveu alguns de seus livros e artigos usando um antigo sistema, não será assim tão fácil a aceitação do novo.

Ah sim… o Brasil, por enquanto, é o único dos lusófonos (olha ela aí de novo) que adotou, na prática, as mudanças. Portugal, Moçambique e companhia bela ainda estão procrastinando.

Pra terminar esse texto mais expositivo do que opinativo, vai aqui uma pitada de humor, na primeira charge de 2009:

PS: Quem mais caiu em 2008, que poderia estar nessa charge?

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