Sobre carecas, dinheiro e audiência

A audiência é o bem intangível mais valioso da televisão. Você não consegue ver, não consegue tocar, não consegue cheirar a audiência (ainda bem). Mas consegue medir. Quanto mais alto o índice é, mais grana tende a entrar na caixa registradora da emissora.

Quanto vale alguns pontos a mais no medidor? Para o programa Pânico na Band, valeu a vasta cabeleira loira da Panicat Babi Rossi. Confesso que tomei um susto quando o cabeleireiro contratado pelo programa passou a máquina no meio da cabeça da mulher, sem aviso ou anestesia. Deixou um belo aeroporto no meio da Amazônia dourada. Ai foi obrigado a terminar o serviço.

Várias reflexões podem surgir desse ato insano. A primeira e mais óbvia: apelação. Não é de hoje que a televisão como um todo apela para os dramas humanos, seja um cabelo ou voltar para a terra natal. É baixo, é imoral e muitas vezes chega a ser nojento. Mas funciona. E por N razões que não me cabe discutir nesse texto.

Por outro lado, o Pânico tem se mostrado mais que um programa de televisão. É uma experiência social, para quem participa e para quem assiste. Esse não é um conceito meu, a propósito. Já li a Rosana Hermann escrevendoalgo parecido em algum lugar.

Desse modo, é, certamente, uma ousadia ter uma pessoa careca como símbalo sequichual (a menina não ficou feia não, viu?). É pensar MUITO fora da caixa. É possível também dar uma aliviada nas críticas realizando algum trabalho com mulheres com câncer. Abriram campos para trabalho. Pisaram em novos terrenos. Cercado de ovos, claro.

Outro ponto que não pode ser esquecido é que me parece claro que Babi não se expôs dessa forma por meros 500 reais por semana (valor dito como cachê das moçoilas). Pouco provável que não deva ter pigado uma grana bacana na conta. Tem gente por aí que faria o mesmo por aquela notinha azul do peixe. Aquela que nunca sai quando vou no caixa automático.

Carecas, dinheiro, audiência, personagem (ou ser Panicat não é vestir, em trajes mínimos, um personagem?). Ingredientes do caldeirão da televisão. Onde isso vai parar eu não sei. Dá até medo de descobrir. Nem Chico Assis Chateaubriand seria capaz de imaginar.

*Solo no piano Laços de Família*

Dedo de prosa é a coluna diária que não se apega a periodismos. Noticias fresquinhas, saindo do forno. Sua dose de reflexão no vazio da internet.