Enquanto isso no céu…

- Ei, olha quem está vindo ali!

- Grande Chico!

- Meu caro Millôr, o que faz por aqui?

- O mesmo que você, vim descansar.

- É meu velho.. a coisa lá embaixo tá feia.. é “torcida” brigando e matando por causa de um simples jogo de futebol, senador que se fazia de ético que é igual a muitos outros..

- Ih… quem pegaram dessa vez?

- O Demóstenes!!

- Putz Grila!

- E a gente alertou tanto esse povo não é, Chico?

-Pois é… o Brasil está cada vez mais sem graça… e o salário continua ó!!!!

- É Francisco.. só nos resta esperar o Chaves do México… Você gosta de Tequila?

Uri Geller e as chaves que entortam

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Geller (à esq.) e Randi (à dir.). Fight!

Desde o final dos anos 60,  o austro-húngaro (sempre eles) mas nascido israelense Uri Geller vem assombrando milhões com seu poder místico de entortar chaves e colheres.  Esse poder parece ter vindo de uma “esfera voadora de luz”. Quase um hadouken :P
Uri, literalmente, fazia peregrinações pelos programas de televisão ingleses e americanos,  mostrando do que era capaz. Foi capa de diversas revistas. Em função disso ficou famoso nos EUA e no mundo. Veio ao Brasil em 94 e apresentou-se no Jô Soares 11 e meia, na época de SBT. Veja o gringo em ação:

Além de destruir talheres e chaves, Uri Geller também consertava relógios quebrados, adivinhava conteúdo de envelopes, materializava dinheiro (!) e mais outros truques que impressionavam a sociedade. Tinha fã clubes que mais pareciam seitas. Uri Geller era o cara.

Mas como você deve imaginar, havia uma pedra no meio do feliz, promissor e lucrativo futuro do israelense. E a pedra tinha nome: James Randi.

Randi é canadense e foi mágico profissional. Ao assistir algumas apresentações de Geller, percebeu que a paranormalidade do sujeito era muito parecida com um truque de mágica. Definitivamente, parecida até demais. Dedicou boa parte do seu tempo à desmascarar Geller e, quando foi proibído de assistir as apresentações, treinou jornalistas para servirem de testemunhas. Já mencionei que ele chegou a se disfarçar para entrar nos estúdios de televisão e ficar observando, da platéia?

Para tornar oficial, escreveu um livro intitulado “A verdade sobre Uri Geller“. O israelense até tentou processar e impedir a venda da obra de seu carrasco (assim como a veiculação dos vídeos no Youtube), mas perdeu feio (nos dois casos) e ainda teve que gastar uma boa grana com indenizações (só no primeiro caso). Em um vídeo com pouco mais de 9 minutos, Randi demonstra como usar cadeiras e a mão dos apresentadores como alavanca para entortar as chaves. Ou seja, desmascara o amigão em rede mundial.

Atualmente cada um segue sua carreira. Randi criou um instituto que promete dar 1 milhão de reais para quem consiga provar a paranormalidade. O Fantástico tentou achar algum brasileiro, mas o máximo que conseguiram foram alguns quadros que chamaram a atenção e alguns charlatõe expostos ao julgamento popular.
Randi participa de programa céticos, como os da dupla Penn & Teller e é quase um Mythbuster quando o assunto é coisas do além.

Já Uri Geller mudou de tática. Agora é “consultor psíquico” – seja lá o que isso signifique – vende kits “seja um paranormal” e tem um site oficial. Já escreveu livros e é jurado num programa de TV que escolherá seu sucessor.

Como? Jurado? Programa de TV? Isso mesmo. Estréia hoje com o nome de  “Fenômeno” e será transmitido pela A&E. Uri Geller divide os julgamentos com Criss Angel e ainda tem a ajuda de Carmem Electra para pôr à prova os aspirantes a paranormais.

Um belo duelo de intelecto, charlatanismo, mistério e mídia. Só faltou o Padre Quevedo e seu indefectível (sempre quis usar essa palavra aqui) “Iso non ecziste!”

Para saber mais:

Sociedade da Terra Redonda (site muito estranho. O Google dá alerta de página suspeita, mas comigo não aconteceu nada. Ainda.)
Sobre Uri Geller
Página Oficial da Fundação James Randi
James Randi MySpace (!)
Página Oficial do Uri Geller
Uri Geller na Wikipédia

Seu Madruga casa-se com Dona Clotilde!

O título não podia ser mais autoexplicativo. Depois do texto sobre a América, volto a falar de Chaves, mas em caráter explosivo. Nitroglicerina pura.

Quem conhece o seriado sabe que a Dona Clotilde insinua-se constantemente ao seu Madruga (e isso não tem nada a ver com a repetição de episódios). Mandando colônias, bolos, tortas e frangos assados, espera ganhar o coração de Don Ramón, pescando-o pelo estômago. Aqui no Brasil as tentativas são totalmente frustadas, mas no México não foi bem assim.

O vídeo abaixo é espetacular. Uma raridade encontrada somente com São Youtube. A cena que todos um dia já se perguntaram se podia acontecer foi gravada e exibida. O Casamento de Seu Madruga com Dona Clotilde!

Vamos explicar essa história direito:

Esse episódio é um dos ditos “Episódios Perdidos”. Creio que apenas o México pôde assisti-lo, já que no Brasil, no Panamá, Chile, Bolívia e em muitos lugares não há registro de exibição.
Tudo não passa de um sonho do Chaves. Na versão completa (que pode ser vista aqui), uma confusão se estabelece quando a Pops deseja que  Don Ramón case-se com Clotilde. Todo mundo leva a sério, inclusive a Bruxa do Setenta e Um. Aí o pobre órfão tem mais uma de suas alucinações.

Confesso que ri alto quando o NhoNho apareceu de coroinha. Confesso também que não consegui identificar o que Dona Florinda levava nas maõs… parece um terço. Também não consegui entender porque há um convidado vestindo a camisa do Palmeiras…

É interessante notar a mudança na qualidade da imagem, da vila e na caracterização dos personagens. Repare também que o Quico não aparece, mostrando ser um episódio recente (ou o que se pode chamar de recente em termos de Chaves).

E o primeiro episódio? Não consegui encontrar a cena na qual o menino entra na vila com roupas largas, mas o de baixo é, certamente, da primeira fornada. A camiseta amarelo-gema e a localização da casa são o charme dos episódios dessa época.

Mas e o último? Para muitos, o último episódio foi o de Acapulco, quando Quico despediu-se da série. Para outros foi o quadro exibido em 1992, no programa Chesperito (Roberto Bolaños tem muitos outros personagens) Mais uma escolinha e com com um Professor de Cabelos Brancos.

E chega de vídeos por hoje. Isso, isso, isso!

Chaves: Uma analogia da América

Um dos personagens mais populares da televisão brasileira (fora da Globo, claro) é, ironicamente, um mexicano. Roberto Gomes Bolaños criou um imortal que, cá entre nós, é a salvação do SBT. Estou falando do menino órfão Chaves (do original, Chavo Del 8), que vive em uma vila, cercado de vizinhos pitorescos.

Assistindo a um dos episódios (pela enésima vez, diga-se) percebi que é possível fazer uma analogia entre os personagens do seriado e os países da América. Não fica perfeito, mas é muito curioso. Duvida? Veja só:

Dona Clotilde: A popular “Bruxa do 71” é a Colômbia. Por mais que se esforcem, os moradores da vila acabam precisando da velha, seja para fazer companhia nas noites sóbrias, ou como mera cozinheira, que oferece frangos e bolos.
Vive assustando todo mundo e, apesar de não ser amada, faz falta quando não aparece.

Seu Barriga: O dono da vila é os Estados Unidos. No seriado, é ele quem controla todo o capital e ainda por cima cobra aluguel pessoalmente. Entretanto, é constantemente driblado por seu Madruga, que lhe deve sempre 14 meses de aluguel.
Toda vez que chega à vila é recebido por uma pancada, desferida pelo pobre Chaves.

Seu Madruga: O homem do bigode é o Brasil. Pobre, um pouco ignorante, mas de bom coração, Madruga não tem emprego fixo. Já foi sapateiro, pedreiro, caixeiro, vendedor de balões e artigos para festa, carpinteiro, fotógrafo, boxeador, enfim… faz de tudo para se virar na vida
Sempre apanha injustamente de dona Florinda, sem nunca reagir. Acaba descontando em Chaves que geralmente é o culpado.

Quico: É a própria Argentina! Chato, acha que possui mais do que realmente tem. Adora exibir-se para os amigos, mas, no fim, sempre acaba chorando sozinho na parede. Também não é muito esperto, ficando para recuperação várias vezes. Fora a incrível capacidade de dizer e fazer besteiras. Entretanto, o seriado não teria graça sem ele.

Chiquinha: Essa se parece mais com a Venezuela. Acha-se independente e, por isso, arruma confusão com todo mundo. Com seus planos mirabolantes – e poucas vezes eficientes – tenta se dar bem, abusando da boa fé dos amigos.
Apesar disso, sempre acaba pedindo dinheiro para seu Madruga e não raro, para seu Barriga. Nesse último, aliás, adora colocar apelidos ou simplesmente tirar do sério.

Dona Florinda: Definitivamente, é o Paraguai. Viúva, desconta no seu Madruga a frustrações da vida. Os bobs na cabeça tentam disfarçar a péssima aparência, que, todos sabem, não tem conserto.
Apesar de bater em seu Madruga, requisita os serviços do pobre homem quando precisa de alguém para vender churros ou fazer uma placa a ser afixada na porta da vila.

Chaves: Por fim, o personagem final da história não poderia ser, ninguém mais, ninguém menos que o próprio México. É pobre, mas nem por isso deixa de se divertir. Arruma uns bicos aqui, outros acolá para conseguir comprar o tão sonhado sanduíche de presunto. É amigo de todo mundo, porém, nunca deixa de acertar alguma porrada no seu Barriga. Tudo, claro, sem querer querendo…

Esses foram os personagens principais… Mas ainda podemos completar essa incrível analogia com os personagens secundários…

Nhonho: É o Canadá. Filho do seu Barriga, portanto, rico. O pessoal da vila já passou uma temporada em sua casa (a dele, não a sua). Para o enredo não faz a menor diferença, mas, quando aparece, arranca gostosas gargalhadas.

Paty: Com o perdão da licença poética, é o Hawaii. Não aparece muito, mas é sempre lembrada como a mais bela personagem. É disputada por Quico e Chaves. Este último acaba levando vantagem, para desespero de Chiquinha.

Jaiminho: Carteiro. Tangamandápio. Poucas palavras. Evitar fadiga.

Prof° Girafales: Este pode ser comparado ao Chile. Esguio e fino, o prof° Lingüiça (ainda com trema!) ostenta um alto grau de inteligência, chegando a dizer sinônimos da palavra causa (ou motivo, ou razão, ou circunstância… você escolhe). Apesar disso, não consegue engatar um romance mais sério com dona Florinda. Vivem colados.

Pops: É a isolada da turma, portanto, Cuba. Vive em seu próprio mundo e realmente acha que a boneca é sua filha (dela, não sua…). Apesar de esquisita, consegue um diálogo com o pessoal da vila, mantendo uma certa distância do seu Barriga.

Essas surpreendentes comparações são apenas uma das curiosidades que envolvem o seriado. Os mistérios nunca serão totalmente esclarecidos. Já encontraram até uma suástica grafada no muro do terreno baldio. Ninguem ainda conseguiu explicar satisfatoriamente como é que o desenho foi parar lá. Acho difícil quem ninguém tenha notado antes, durante ou depois das gravações.

Mas um fato que jamais será explicado é o enorme sucesso. Por que um seriado com mais de 20 anos de existência e já reprisado inúmeras vezes, ainda alavanca a audiência, chegando a empatar com a Globo? Talvez a pesquisa que diz que as crianças gostam de ver desenhos repetidos porque sentem-se seguras sabendo o final dê algumas dicas, entretanto, Chavo Del 8 já entrou pra história da televisão como uma das produções mais baratas (vide mesas de isopor…) e rentáveis.

Além de ser cult…