Corinthians X Palmeiras. Um legítimo jogo de Masters

Domingo de sol na cidade de Itatiba. Cerca de 5.000 pessoas saíram de suas casas e rumaram para o Estádio Luiz Scavone, casa do Operários FC, para assistir um clássico do futebol mundial. De um lado os alvinegros de Parque São Jorge. De outro, os alvi-verdes de Parque Antártica. E um detalhe: Jogadores tecnicamente aposentados, mas que ainda tem muito gás e talento para gastar. Um legítimo jogo de Masters.

Rolaram o melão com uma hora de atraso, mas valeu a pena. A galera paciente soltou o grito, acompanhados da Gaviões da Fiel de Itatiba. E quem foi assistir Edu Bala, Wladimir, Biro-Biro, Wagner Basílio, Gino, Márcio Bittencourt e Dinei (!!), acabou vendo Gilmar Fubá dar show e marcar dois gols: um de cabeça – e que cabeçada, por sinal – e outro roubando a paçoca da zaga palmeirense. Ofuscou, inclusive, o cidadão mais xingado e idolatrado do certame: O xodó da Fiel, Neto.

Neto, aliás, merece um parágrafo próprio. A primeira impressão é que ele estava absurdamente pançudo. De fato, muitas vezes ele caminhava com as costas vergadas para trás, buscando o equilíbrio. Apesar do peso extra, jogou muita bola e, principalmente, fez juz à fama de marrento. Pra começar, um chapéu de costas, ainda no campo de defesa. O passe quase originou o primeiro gol da partida, mas a bola caprichosamente tocou a trave. Depois, uma cobrança de falta de letra.
Falta contra o Corinthians? Dá-le Neto buzinando na orelha do árbitro. Falta a favor do Corinthians não marcada? Olha lá o Neto mandando o árbitro tomar caju… Sobrou até pra um palmeirense desavisado que o xingava do alambrado. Ouviu uma bela seleção de palavrões… *risos*

Quando o primeiro tempo acabou, achei que era hora de tirar a fantasia de torcedor e vestir a de intrépido blogueiro. Corri até a parte de trás do banco de reservas do Corinthians, subi no alambrado como um autêntico maloqueiro e de lá pude tirar algumas fotos. Fotos ruins, claro. Uma só saiu a cabeleira do Biro-Biro. Outra só a gravidez do Neto. Enfim… só consegui sujar a camisa. Ao menos pude observar a persistência da galera pedindo autógrafo e a paciência dos jogadores em dá-los. Bacana isso…
Ah sim… e teve o Dinei jogando uma banana (a própria fruta) para uma torcedora e ela (a torcedora) pedindo para que o Dinei autografasse… a banana!!! Sensacional…

O jogo estava 2 a 0 – dois do craque Gilmar Fubá. A torcida gritava “Olé” enquanto o Corinthians colocava o Palmeiras na roda. Algum jogador do Corinthians recebeu a bola na lateral, no campo de defesa, e fez ao menos umas 7 embaixadinhas. Os jogadores alvi-verdes apertaram a marcação, sem deslealdade. Mas não adiantou. Um bate boca danado começou e junto com ele veio o tradicional empurra-empurra, até que a turma do deixa-disso entrasse em campo para acalmar os ânimos. Quase sai porrada! Entretanto, fiquei na duvida se aquilo foi real ou uma encenação, pra tornar o show um pouco mais divertido. E quem não lembrou da fuzarca na final do Paulista de 99 não é torcedor de verdade.

Pouco antes do apito final o Corinthians fez o terceiro gol – em mais uma falha bizonha da zaga – fechou o caixão e beijou a viúva. 3 tentos a zero, fora o baile. Hora de tirar a fantasia de torcedor e vestir novamente a de blogueiro intrépido. Corri até a boca do túnel. Quer dizer… “boca do túnel” é maneira de falar, já que na verdade era um portão pelo qual os jogadores saiam. Consegui boas imagens, que coloco abaixo.

Os jogadores, mesmo sem o preparo físico adequado (afinal, eles são aposentados, ora pois) mostraram que talento não se esquece. Muito jogador em atividade não faz virada de jogo de trivela, toque de calcanhar, chapéu e ainda corre pra dar carrinho.

Manhã diferente, 5 mil pacotes de leite em pó arrecadados para entidades beneficentes, políticos querendo tirar sua lasquinha, 3 gols, paixão, rivalidade. Tudo isso aconteceu nesse 30 de maio de 2010. As torcidas estão de parabéns pela festa. Os jogadores também. E esse blogueiro intrépido mais uma fez sente-se privilegiado por poder cobrir e mostrar a vocês mais um evento.

Qual será minha próxima missão?

Post Scriptum: Se eu fosse você, assistiria também a matéria sobre o jogo editada pela ITV-Brasil. Boa parte dos lances que eu descrevi eles captaram. Inclusive a cobrança de falta de letra do Neto.

Isso é Corinthians

Faz tempo que não causo uma certa polêmica nesse blog. Estou com saudades de ler gente me xingando de todos os nomes possível e imagináveis. Como o blog é meu e não tenho obrigação nenhuma de ser imparcial, vou falar sobre o Corinthians. Creio que quem é corintiano dará seu parecer ao final do texto. Quem não é também dará. Aposto.

O Corinthians é um time exagerado. A intensidade dos momentos bons é diretamente proporcional a dos momentos ruins. Glórias e fracassos vivem lado a lado, separados por uma tênue linha.
Não há momentos de estabilidade no Corinthians. Ou time e torcida estão em plena sintonia ou estão brigando mais que marido e mulher 25 anos depois de casados. Para piorar a situação, todo momento de glória vem seguido por um fracasso. E vice e versa. Uma montanha russa apaixonante.

Por exemplo: Dezembro. Campeonato Brasileiro de 2005. Corinthians tetracampeão. Euforia, festa… Dezembro de 2007. Corinthians rebaixado. Choro. Desespero. 3 anos, do céu ao inferno.

Outro exemplo: Campeonato Paulista de 74. 20 anos sem um título, qualquer que seja ele. A final foi contra o arquirrival Palmeiras. O gol do título palmeirense, ao 24 do segundo tempo, acabou com a esperança corintiana. O time, naquela época, era apelidado de “faz-me-rir”.
Contudo, em 76, A Fiel lotou o Maracanã, espremendo a torcida do Fluminense, num episódio conhecido como a Invasão Corintiana. Apesar do insucesso na final – e mais um ano sem título – a torcida pôde gritar, em 77, o tão sonhado “É Campeão!”, num jogo contra a Ponte Preta.

A torcida, aliás, é a mais exigente. Não que a torcida do São Paulo (que já jogou pipocas no Kaká) ou a do Fluminense (que já jogou galinhas no Romário) não sejam, mas a cobrança da Gaviões, e dos mais de 35 milhões de alvinegros, assemelha-se à cobrança de um técnico de seleção. A Nação Corinthians segue seu caminho há 98 anos. Sem Libertadores. Sem estádio que possa abrigar jogos.

Sim! O Corinthians tem estádio, sim senhor! O Alfredo Schürig – mais conhecido como A Fazendinha – tem capacidade para 18.000 torcedores. O grande problema é que o estádio não tem condições de segurança para abrigar um jogo do time principal, além da localização (às margens do Rio Tietê) ser considerada ruim, para os padrões de trânsito de São Paulo.

Mas o que me levou, de fato, a escreve esse texto foi o derby de hoje, 8 de março. Ronaldo entrou as 19 minutos do segundo tempo. Nessa hora eu estava sentado no chão de um supermercado, na parte dedicada aos eletro-eletrônicos, cercado por umas 60 pessoas, 90% alvinegros. Um mini estádio, por assim dizer.
Ronaldo acerta um tirambaço. Na trave! A torcida grita “Uhuuuuuuuu”.

47 do segundo tempo. A torcida no supermercado estava apreensiva. Ninguém desgrudava o olho das 30 televisões ligadas. Douglas cobra o escanteio na cabeça de Ronaldo, que manda um “boa tarde” e acerta a rede alviverde. Era gol. Gol do Fenômeno. Gol de Ronaldo. Gol do Corinthians.

O Supermercado veio abaixo. A torcida explodiu num grito uníssono de gol. O Wall Mart parou para ver 45, 55 marmanjos, jovens e adultos, mulheres e crianças gritando gol. Eu fiquei rouco de tanto comemorar. Estava contido até então, mas a vibração da torcida não me permitiu ficar calado. O empate alla Corinthians tinha saído, no último minuto.

Qual time consegue esse tipo de comoção? Não vi uma alma viva assistindo o jogo do São Paulo, nos mesmos 30 televisores. É o poder do Corinthians. Que agrega e destroi. Não é um time perfeito, obviamente. Erros e mais erros podem ser contabilizados. Erros vergonhosos. Torcida que por vezes faz por merecer os apelidos e esteriotipos a ela relacionados.

Mas isso é Corinthians. Muito além de ser o primeiro.