Uma arquibancada de diferenças

Há um abismo muito grande entre Europeus e Sul-Americanos. Essa afirmação pode ser de certo modo racista, mas antes que vocês comecem a jogar as pedras da ignorãncia sobre as costas deste blogueiro, peço atenção ao raciocínio que quero desenvolver nas próximas linhas.

Talvez a antropologia ou mesmo a filosofia consigam explicar porque esses dois povos são tão diferentes. Em alguns prismas, vergonhosamente diferentes. Uma questão histórica pode elucidar a frieza européia e a passionalidade sul americana. Sim… brasileiros, argentinos, chilenos, bolivianos são muito emotivos. Por outro lado, a frieza européia asusta.

Os estádios são o melhor exemplo desse oceano que separa os dos modos de viver. Veja, aqui no Brasil os estádios contam com a) alambrados, b) fossos relativamente profundos c) força policial reforçada + cães de guarda e mesmo assim vemos cenas como esta:

Do outro lado, os europeus. Lá não há alambrado. A torcida fica praticamente ao lado do técnico. Nos arremeços laterais e nos escanteios, se há meio metro de distância é muita coisa. As invasões de campos são poucas e geralmente pacíficas – protagonizadas por tios mamados que resolvem aparecer pelados para as câmeras. Nos intervalos dos jogos, ainda podemos ver isso:

Repare que 99% dos presentes – de diferentes países – aderem ao movimento  balançando suas bandeiras brancas, INDEPENDENTE DA TORCIDA. O que isso significa? Que os Europeus são melhores que nós, Sul Americanos? Não… significa que, em geral, eles entenderam o que futebol não é esporte, mas um evento.

O cidadão que se dispõe a sair de sua casa para ir ao estádio sabe que não vai apenas para assistir 22 marmanjos correrem atrás de uma bola. Ele se preapara para almoçar no local, em algum restaurante bem conceituado. Ele aproveita para fazer a compra daquela caneca licenciada do seu clube de coração. Ele torce para que os craques façam por merecer o salário pago. Ele assiste o show do André Rieu durante o intervalo. Ele volta para casa com a sensação que TEM que voltar na semana seguinte. E na seguinte. E na seguinte. E na.. ah, ok, vocês já entenderam.

Eu sei que os exemplos de vídeos que dei logo acima são extremos. Não é todo jogo que tem violência e nem todo jogo conta com música clássica no intervalo. Mas podem ter certeza que o contrário (música no Brasil e pancadaria na Europa) é MUITO raro. Mais que uma exceção.

Há muito mais diferenças entre Sul-Americanos e Europeus. Eles são sim mais avançados, mais políticos, talvez sejam mais educados. Motoristas param antes da faixa de pedestre para que o transeunte possa passar. Que fique claro que esse não é um post com o intuito de rasgar seda para o velho continente. É, sim, para alertar que nós Sul-Americanos vivemos errado. Bem errado.

Nelson Rodrigues fala da síndrome de vira-latas. Sim… se o mundo é um petshop, estamos bem afastados da área do Pedigree. Comemoramos quando Brasil é escrito com S, quando #chupa  e #mussumday aparecem no Trending Topics do Twitter. Migalhas. Ainda usando o exemplo do futebol, insistimos que temos a melhor seleção e que os europeus tem que nos reverenciar. Então a Copa do Mundo acaba, levamos a taça para nossos barracos e eles voltam para suas piscinas cobertas.

Isso tudo que escrevi não é demagogia barata. São os fatos. Nos acostumamos a viver assim e quem tem o poder de reverter essa situação também está acomodado. O sofá está fofo. A cerveja está gelada. O amendoin está à mão. Para que mudar?

No fim a culpa é nossa. Sempre é nossa.