O Primeiro de Abril mais longo do Brasil

“Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus DIREITOS, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.”

O inflamado texto acima é parte do editorial de O Globo, publicado no dia 2 de abril de 1964, após um dos momentos chave da história do Brasil. O deposto João Goulart não terminaria seu mandato, assim como seu antecessor Jânio Quadros.

Mas, afinal, o Palácio do Planalto exercia mesmo a tal da ação subversiva? Os tais vermelhos haviam mesmo envolvido a mais alta esfera política do Brasil?

Os eventos que levaram à queda (ou à rasteira em?) de Jango começaram com os parafusos a menos de Jânios Quadros. O homem da caspa de mentira (?), do sanduíche de mortadela no bolso, dos cabelos desalinhados e dos bilhetinhos retos e diretos não aguentou a pressão de Brasília e pediu pra sair. O que ele REALMENTE queria fica para a galeria de mistérios que aparentemente jamais serão descobertos.

Mas o fato estava consumado em 25 de agosto de 1961. Em seu lugar assumiria o gaúcho João Goulart, eleito democraticamente vice-presidente, ainda que não comungassem das mesmas ideias. É bom lembrar que presidente e vice eram eleitos separadamente e não necessariamente eram chapas pertenciam a mesma chapa.

Já em 61 as Forças Armadas movimentaram-se para impedir que comunista (será?) Jango, naquele momento em um rolê uma visita à China (ainda sob influência de Mao Tsé Tung), vestisse a faixa presidencial.

E ATÉ QUE FAZIA SENTIDO.

Em plena Guerra Fria, quando um simples “vish, eu não deixa queito” poderia provocar uma saraivada de mísseis para todos os lados, DAR A IMPRESSÃO de aliança com russos e chineses poderia provocar uma reação nada amigável de nossos vizinhos estadunidenses, seja explosiva ou econômica.

Particularmente eu duvido que o Brasil se transformaria em um regime comunista. E duvido, também, que a melhor forma de acabar com a tal da ameaça fosse a base da força. Não faltaram eleições diretas um ou dois anos de depois?

Jango ainda se sustentou um tempo, mas os tanques dos militares foram mais potentes.

É claro (?) que não se poderia imaginar que o controle militar perduraria por tanto tempo, muito menos que a perseguição aos ditos comunistas resultaria em imagens como o suicídio (mais do que forjado) de Vladmir Herzog. Sem contar toda a parte da tortura e dos desaparecimentos inexplicados, inadmissíveis em qualquer tipo de governo.

Mas todo esse contexto histórico dos últimos parágrafos serviu para embasar uma percepção que me ocorreu nas pesquisas para esse texto: ainda há um traço, um sentimento, uma ideia (e até mesmo um saudosismo) em muita gente de que o golpe de 64, ou melhor, a Revolução de 64 não apenas foi benéfica, mas como infelizmente acabou. Veja:

“A data de 31 de março de 1964 é magna na história de nosso país, quando brasileiros patriotas tomaram armas contra os traidores da Pátria, que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba tropical. Heróis, alguns ainda vivos. É preciso retirar da História as sua lições”.

Percebem a similaridade entre o texto acima, postado por um cidadão qualquer no Youtube e o editorial de O Globo, no início do texto? O traço se mantém. Assustador? Natural? Certo ou errado?

O xeque mate dado em 31 de março resultou, na manhã seguinte, no Primeiro de Abril mais longo – e sem graça – da história do Brasil. Tão longo que, pelo visto, ainda não acabou para muita gente.

Se eu fosse você reservaria 49 minutos do seu dia para assistir a entrevista do brilhante  Geneton Moraes Neto com o General Leônidas Pires Gonçalves. É interessante demais como um mesmo fato – por exemplo a morte de Herzog – pode ser vista de ângulos tão diferentes. Tão diferentes que nem parecem o mesmo fato.

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Tenho cada vez mais certeza que, mais do que um Golpe ou Revolução Militar, o que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985 foi uma verdadeira Guerra Civil Brasileira.

A TV tentando educar

Já disse aqui neste espaço que a TV pode e deve ter a função de educar, também.

O SBT com a novela “Amor e Revolução” no ar presta um grande serviço à memória brasileira.

É claro que se deve dar um desconto para os velhos clichês de novelas como par romântico  ou algum outro tipo de licença poética.

O fato é que, a temática da história ser o período da ditadura militar é algo digno de aplausos. Em um país como o nosso cheio do politicamente correto e com escolas tão defasadas no que diz respeito à qualidade do ensino, tal iniciativa é um tapa na cara de alguns.

A TV, em certos momentos deve se preocupar em educar o telespectador, mesmo que isso seja feito de maneira superficial.

Uma obra como essa ser veiculada quando temos uma presidente que sabe o que se passou nesse período é uma oportunidade única para exorcizar velhos fantasmas.

Enquanto existem emissoras que tratam os deficientes fisícos como seres humanos que podem sair andando como num passe de mágica, a TV do “vô Silvio” está de parabéns.

As histórias de seu Ivalte

Ruas lotadas de gente apressada. Rostos suados, tensos, preocupados. Rostos que não denunciam nomes, personalidades ou marca de absorvente preferido. Rostos que escondem uma história. Como seria desenterrar o passado de um anônimo que caminha calmamente por uma praça cheia de pombos e fontes de água de qualidade bastante duvidosa? Foi exatamente essa experiência que eu vivi.

Seu Ivalte já não tem tantos cabelos na cabeça quanto possuía algumas décadas atrás. Mas as ideias parecem estar no lugar. Quer dizer… pelo menos a memória ele conserva orgulhoso, triunfante. Só precisava de um ouvido amigo. Foi então que eu apareci.

Ele me disse que foi um estudante bastante agitado. O trabalho em tirar notas aceitáveis era só um detalhe naqueles tempos efervescentes (?) de ditadura. O importante mesmo era expor as idéias, por mais perigoso que fosse.

Tanto é que um dia seu Ivalte falava à seus colegas de classe e foi delicadamente cutucado na costela. Quer dizer… não foi exatamente delicado, mas o suficiente para fazê-lo parar e procurar seu agressor. Era um simpático policial cujo superior não estava botando fé no discurso de seu Ivalte. Graças às suas doces palavras foi levado á delegacia, onde recebeu carinho, afagos e uns hematomas de brinde. Depois disso foi jogado numa ilha, a fim de passar um tempo isolado da sociedade, pensando na vida. Pessoal gente fina, não é mesmo?

Mas seu Ivalte não desistiu. Conseguiu escapar. Nadou bastante, chegou em terra firme e queixou-se a outro supervisor. Por sorte esse supervisor ficou compadecido com a situação. De fato, não era justo dar uns petelecos em alguém só porque esse alguém resolveu falar algumas verdades sobre o governo. O policial, que chamaremos de Justino – nome meramente fictício, mas que define bem o cidadão – pediu sinceras desculpas e ainda o convidou para um jantar familiar, no qual estariam presentes esposa e filho. Das duas umas: ou seu Ivalte era realmente fodão ou seu Justino estava precisando de amigos.

Policial Justino contou que antes de iniciar a carreira militar fora jogador de futebol. Mas os tempos eram outros e a profissão de boleiro era vista com desprezo pela sociedade em geral, assim como a de pro-blogger hoje em dia. Diz-se por aí que uma Miss Brasil foi proibida pela família de dar uns malhos (rá) num profissional da bola só porque ele era um… profissional da bola. Contou também tinha um filho em fase universitária. Entendia perfeitamente os hormônios à flor da pele sendo extravasados na política. Compartilhava com as ideias, contudo, estava preso à sua posição. Nada podia fazer. Ou melhor… podia convidar seu Ivalte pra jantar.

Seu Ivalte, com um circo de pulgas atrás da orelha, compareceu ao endereço fornecido no dia e na hora marcados. E realmente a mesa estava posta, a esposa do Justino arrumada. Era um jantar de verdade. Inacreditável.

Comeu bem, bebeu bem, conversaram sobre política, deram risada. Já era, por assim dizer, “da casa”. Quando o filho do Justino chegou,  não perdeu tempo e já o bombardeou perguntando sobre a faculdade. As respostas combinavam com o que Justino tinha dito. Era mesmo um policial honesto.

Seu Ivalte me contou tudo isso numa tarde primavera na Praça da Bandeira. É claro que eu documentei, tudo isso, num arquivo de áudio. É claro, também, que em vez de clicar no botão “salvar” cliquei no botão “apagar”. E é claro também que esse blogueiro jumento já se puniu o suficiente por ter perdido os detalhes dessa história bastante exótica.

Opinix: Wilson Simonal

A OPINIX músical está de volta e com um cantor “rei da malandregem” – o polêmico, Wilson Simonal.

Nascido em 26 de Fevereiro de 1939, no Rio de Janeiro, Simonal foi talvez o primeiro cantor negro a fazer grande sucesso no cenário musical brasileiro.

Ele começou a cantar em bailes e em 1963 lança seu primeiro disco  “Tem algo mais”.

O seu jeito cheio de swing e uma voz potente logo o levaram para as “paradas de sucesso” nas décadas de 60 e 70. Foi na década de 70 que ficou amigo da seleção brasileira tricampeã do mundo de futebol, no México na copa de 70, e assim, acabou ficando companheiro dos jogadores, do rei Pelé, principalmente.

Em 1972, a sua brilhante carreira iria sofrer um duro golpe. O cantor foi denunciado ao DOPS-orgão de repressão da ditadura militar como um suposto informante dos militares.

A partir dai, sua carreira marcada de sucessos como “País tropical”- música de Jorge Ben Jor, “Meu limão, Meu limoeiro” e “Sá Marina”- canção que depois foi regravada por Ivete Sangalo, nunca mais foi a mesma.

Wilson Simonal nunca conseguiu se livrar da fama de “dedo duro ” em vida e morreu esquecido pela mídia em 25 de Junho de 2000, no Rio.

Em 2003, concluído o processo, o cantor foi moralmente reabilitado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em 2009, foi lançado “Ninguém sabe o duro que dei”, documentário sobre a vida do cantor co-dirigido por Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal.

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OBS:ele é pai dos competentes musicos Simoninha e Max de Castro

Fonte: Dicionário MPB

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Opinix: Desabafo

Eu não iria escrever sobre esse assunto, mas diante de tanta indignação que encontrei e como estudante de jornalismo, resolvi escrever.

Apesar, de achar que com a decisão do STF- Supremo Tribunal Federal – de tirar a obrigatoriedade do diploma para ser jornalista não vai mudar em nada o cenário já que para ser Jornalista continuará sendo necessário saber certas técnicas específicas, levanto a indignação:

Jornalismo não é uma profissão digna como ser médico, engraxate etc..?

Os ministros do Supremo acham que para ser jornalista é só escrever e ler?

Se os MILITARES, na época ditadura, reconheceram a importância da profissão, tanto que a regulamentaram, por que os ministros de um Estado democrático pensam diferente??

Ah.. e tem outra questão.. Meu pai gasta uma alta quantia com a faculdade a toa então?? Coitado do meu pai.

Ah, quer saber ministro Gilmar Mendes?? Vá ficar com seus capangas lá no Mato Grosso.

Nostradamus – Farsa ou Profeta?

Não creio que haja alguém minimamente informado que não conheça Nostradamus. O dono deste simpático nome é tido como um grande profeta por uns, mas por outros, apenas um louco que só fez previsões furadas. (Quem não se lembra do famoso 9/9/99?)

Nostradamus foi mesmo uma farsa?

Leia os versos abaixo:

Do mais profundo do Ocidente da Europa
De gente pobre um jovem menino nascerá
Que com sua língua seduzirá uma grande tropa
Seu terror ao reino do Oriente muito crescerá”

Esta quadra lembra alguém. Isso mesmo! Adolf Hitler. Adolfinho ou Dodô para os íntimos, realmente nasceu de pais pobres (o patricarca era um modesto empregado da alfândega) e, como a história mesmo conta, seduziu multidões com discursos parodiados até por Chaplin. (Uau! Quantos links num mesmo parágrafo!)

Voltando então à afirmação anterior: Nostradamus foi mesmo uma farsa?

Lendo aqueles versos, fico na dúvida. Claro que houveram previsões furadas, mas, se Nostradamus realmente escreveu aquilo, é algo para se pensar.

Para mostrar que não foi apenas sorte de principiante, segue outro exemplo:

“Súbita virá e o terror será grande
Os principais do problema estarão clandestinos
E a República Brasileira não estará mais à vista
E pouco a pouco serão os grandes hostilizados”

Essa não precisa de grandes explicações. Repito: se realmente foi Nostradamus que escreveu isso (pois a internet ainda carece de credibilidade), há muito o que se estudar sobre o profeta. Prever o golpe militar de 64 não é para qualquer Robério ou Mãe Dinah.

Minha opinião pessoal, vinda da minha pessoa (!) diz que coisas inexplicáveis acontecem a todo momento (é, pode reparar). Se há pessoas que conseguem enxergar o futuro e escrever alguns versos não tão simpáticos sobre isso, pulgas devem surgir na orelha e aquela velha e surrada frase, tantas vezes repetida, se faz verdade outra vez: “Há mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

Nostradamus pode até ser uma farsa e seus versos apenas enganarem quem se arrisca a pesquisar sobre o assunto (assim como eu), porém, só a perspectiva que esse tipo de coisa possa ter sido escrita por uma pessoa, fascina. Prever o futuro é um dom que muitas pessoas gostariam de ter (por que não, hein?). Serão os cientistas capazes de decifrar esse enigma? Por enquanto eles só podem prever supor.

E você? O que acha? Nostradamus realmente foi profeta, era uma farsa, ou essas quadras, na verdade, foram escritas posteriormente aos fatos ocorridos e atribuídos à Nostradamus para que pessoas como eu escrevam textos falando sobre isso? Deixe sua opinião na caixa de comentários (ou clique no link correspondente), que terei prazer em responder!

Como é de praxe aqui no Idéia Fix, veja mais sobre Nostradamus e tire suas próprias conclusões:

Quem foi Nostradamus?
Outras profecias