Entrefix: Professor Renato Brolezzi

Hoje o blog abre espaço para o Professor Renato Brolezzi. Ele leciona História da Arte na Facamp (Faculdades de Campinas) e também é professor no MASP. É, aquele prédio engraçado que serve de cenário para a São Silvestre. Você não sabia que tem aula lá? Pois é… nem eu. Veja no site mais informações sobre o serviço educativo.

Nascido em Campinas, formou-se na UNICAMP em Antropologia Social e faz pós graduação em História da Arte. Assim, o Carlos Lemes Jr conversou com ele a respeito de… cultura! O nível cultural dos brasileiros é realmente baixo? Qual é a parcela de culpa do ensino público? Há políticas estruturadas para fomentar essa área?

É o que você vai ler… agora!

IF: Além da falta de boas escolas, por que o nível cultural dos brasileiros, no geral, é baixo?
RB: O conceito de cultura é bastante complexo, mas vamos nos deter apenas na chamada educação formal : devido a muitos fatores de ordem histórica, o cidadão brasileiro (especialmente aquele que pertence às classes sociais mais baixas) possui péssima formação. Acredito que podemos apontar três grandes causas para isso, de naturezas diversas:

1. O absoluto desmantelamento do sistema educacional brasileiro, que afeta não apenas as escolas públicas (reduzidas a medíocres burocracias sem qualquer qualidade) mas também se nota nas instituições privadas (nas quais, via de regra, a educação é considerada exclusivamente do ponto de vista utilitário, e não como promotora da emancipação do pensar);

2. A péssima distribuição de renda no Brasil, que tem melhorado nos últimos anos mas ainda se encontra tímida demais, mesmo para apontarmos tendências para o futuro. Os jovens de classes sociais baixas não têm tempo disponível para permanecerem estudando, e nem dinheiro suficiente para isso, e entram muito cedo no mercado de trabalho (despreparados e o que é pior, têm seu processo de formação reflexiva abruptamente interrompido, sem possibilidade de retorno);

3. Algo que sobrevive no Brasil, embora não seja sempre perceptível: a tradição colonial das hierarquias de poder, na qual saber é poder, ou melhor, conhecimento relaciona-se a status social, já que para estudar é necessário tempo livre, o que apenas as elites podiam ter, sendo desta maneira signo de distinção social. Trabalho, nessa tradição, sempre foi associado à pobreza, escravidão e modo de vida das classes subalternas, incompatíveis com as classes dirigentes. O Brasil ainda hoje é o “país dos doutores”, escondido nos discursos e nos hábitos politicamente corretos. Permitir que a educação de qualidade fosse universalizada romperia com antigos arquétipos da formação histórica brasileira, e promoveria de fato uma democracia possível, o que permanece intolerável.

IF: O quanto a chamada “indústria cultural” influencia as pessoas?
RB: Sem nos determos sobre o conceito de indústria cultural, que nos levaria longe demais, podemos dizer que a afirmação da sociedade de massas no século XX, ao lado da hegemonia do modo de produção capitalista, trouxe consigo conseqüências lógicas inevitáveis: há uma forte tendência a que toda produção material e toda produção simbólica dessas sociedades sejam concebidas como mercadorias, portanto submetidas a um único tratamento quantitativo, massificado, descartável (sem permanência, portanto sem reflexão) e homogêneo. A cultura metamorfoseando-se em entretenimento é um dos lemas dos principais pensadores da chamada “Escola de Frankfurt”. A força dessa lógica é muito forte, e hoje mais ainda. Sugiro um agradável ensaio sobre isso, escrito por Gilles Lipovetsky, “A Felicidade Paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo”.

IF: Uma matéria como história da arte poderia ser ensinada em escolas, principalmente, nas públicas?
RB: Uma das falhas do sistema educacional brasileiro é não ensinar história da arte nas escolas de formação básica. Ao mesmo tempo em que ensinaria aos jovens outras dimensões do pensar, desmistificaria a arte e a tiraria do pedestal de luxo fútil ao qual ela foi levada, na percepção comum. Seria também uma excelente ferramenta para que várias disciplinas pudessem convergir (como matemática, física, história, português, geografia), promovendo uma integração entre diversos saberes.

IF: A política cultural brasileira é boa?
Simplesmente não vejo qualquer política cultural para o Brasil. Do mesmo modo, não há planejamento efetivo em qualquer área que nos aventuremos a pensar (indústria, saúde, projetos a longo prazo). Existem iniciativas pontuais, mas que se esgotam em si ou sequer são viabilizadas, devido à falta de recursos financeiros. Nossas elites partidárias não encaram a questão como prioridade nacional (independentemente da filiação ideológica).

IF: O consumismo desenfreado de hoje em dia, torna as pessoas menos reflexivas em relação aos problemas do dia a dia?
RB: Certamente, já que existe uma forte tendência a achar que o pensamento é desnecessário. A ideologia da busca da felicidade pessoal a qualquer preço pode nos levar ao desprezo pela esfera pública, o que já se nota diante da decadência da política. Um dos graves problemas que enfrentaremos neste começo de século novo será a sedução da alienação (entendida em seu sentido mais genuíno, esquecimento de quem somos).


Entrefix: Alcindo Mattiuzzo

O sol ameaçava sumir no horizonte quando cheguei ao número 117, uma simpática casa aos pés do morro do Cruzeiro. Ele estava lá, na sacada, olhando o movimento da rua. Dois lances de escada depois, apertei sua mão.

Apreciei por alguns instantes aquela bela vista da cidade e logo fui convidado a entrar, afinal, estava esfriando e ventando. Finalmente se realizava um desejo há muito guardado: entrevistar Alcindo Mattiuzzo, 78 anos. Ou, simplesmente, o Barbeiro. Sua história é uma de tantas fontes sobre a História de Itatiba. Sua barbearia fica no mesmo local há mais de 50 anos e daquelas portas de madeira já viu o desenvolvimento e os avanços de meio século de tecnologia e sociedade.

Acompanhe a transcrição dos principais trechos desse bate papo (de quase meia hora!) e conheça mais sobre a nobre e quase extinta profissão de barbeiro:

Frank Toogood: Vamos lá… qual a sua profissão?
Alcindo Mattiuzzo: Barbeiro. Meu pai sempre quis que um filho aprendesse a ser barbeiro. Os meus irmãos mais velhos tentaram, mas num… e depois eu acabei aprendendo. Trabalhei 6 anos e 10 meses na PABREU(Antiga tecelagem daqui de Itatiba)  na fábrica, de tecelão. Trabalha lá e sábado, depois do almoço eu não trabalhava, eu cortava cabelo com meu pai. Fui aprendendo com meu pai, tinha uns… vamos dizer uns 16 anos assim…

FT: Então seu pai era barbeiro?
AM: Meu pai era barbeiro também. Só que barbeiro mais simples, assim de sítio, mas enchia de gente, tinha que ver um pouco! Aí fui aprendendo, aperfeiçoando cada vez mais. Aí abri o salão no dia 20 de outubro de 1954. Tempo do… na época o Prefeito era o Erasmo Chrispim, então… ele até falou assim: “você pode fazer assim… você paga o… não precisa dar abertura no salão agora. Fica esse resto de ano e você pode ir trabalhar. No ano que vem, no começo do ano, você registra“. Parece que 5 ou 9 de janeiro, coisa assim, eu dei a abertura. Daí tinha que ter a certeira profissional, a carteira de saúde… todos os documentos certos. Daí continuei. Se eu chegar em outubro vai fazer 56 ou 57 anos…

FT: … só como barbeiro….
AM: … e só naquele ponto que eu estou.

FT: Só naquele ponto? A barbearia sempre foi ali…
AM: … e os móveis também. Naquele aparador de madeira que eu tenho ali, tem a data que eu abri.

FT: Eu lembro de ter visto uma vez.
AM: É, eu marquei lá. Foi o rapaz, o Chico… Chico…. Chico de Castro que fez, lá, coitado…. já faleceu (…). Fez um aparador de cada lado e o espelho no meio (…).

FT: Então quem foi lá em 1960 e alguma coisa sentou na mesma cadeira!
AM: Mesma coisa! Tenho freguês ali que quando eu abri o salão, eles tão vivos hoje, porque eram novos, né? E tão vivos até hoje e corta cabelo até hoje. Tem gente que faz 50 anos que corta cabelo.

FT: E corta ele, corta o filho, corta o…
AM: Já cortei de umas 4 gerações. Então tem umas par de família que eu fiz a conta. Cortei do avô, do filho, do neto e do bisneto do avô, né? 4 gerações. (Risos)

FT: Mas assim, a barbearia continua a mesma, mas e em volta da barbaria, como é que foi modificando?
AM: Ah… em frente era um curtume. Faliu… era uns alemães que tinha, sabe? Na época que eu comprei tinha uma parte de cima, ali onde é a faculdade [Universidade São Francisco] agora, ainda tinha bastante couro. Faziam correia para as fábricas. (…) Quando a faculdade entrou ali, eles aterram tudo ali. (…) Mas quando eu vim eu tive sorte, porque era antes para eu trabalhar ali e eu não vim, por causa do mau cheiro que tinha. No fim, acabou o mau cheiro, acabou o curtume e eu vim trabalhar ali perto, bem na frente.

FT: E as ruas eram de terra?
AM: As ruas eram tudo de terra. Quando chovia ali, era um assento, formava um barro. Pessoal que passava ali atolava tudo, sujava tudo o sapato. Depois calçaram. Começaram a calçar de lá para cá. Quando eu abri ali eles estavam fazendo calçamento ali naquela farmácia, perto do meu salão. Eu abri ali em 54, então vieram com o calçamento pra cá. Depois de muito tempo, até antes de calçar, [campainha toca] a empresa do Cometa e do Expresso Brasileiro passavam por aqui que e vinham para Águas de Lindóia e tudo.

FT: Começaram a usar como via e começou a movimentar...
AM: É, começou a movimentar…

FT: E assim.. lá na barbearia [toca a campainha novamente]. Eu acho que está tocando a campainha.

Nesse instante, o seu Alcindo atende a porta e recebe um pacote. Não consegui ver direito, mas me pareceu ser uma imagem da Mãe Rainha (obrigado especial ao @hbariani, @smmrsnts e @MasonMMM pela ajuda ao identificar a imagem).

Vale o registro que seu Alcindo exerce a função de Ministro da Eucaristia na Igreja de São Bento e Nossa Senhora Rosa Mística, localizada em seu bairro. É a famosa Igreja do Cruzeiro, local de aparições misteriosas. Mereceu inclusive a visita de Cazuza. Mas isso é história para outro post.

E sim… aproveitando a pausa na entrevista, interrompo o texto e a entrevista com seu Alcindo Mattiuzzo continua na semana que vem. Não perca a segunda parte!

Teixera só defeca porque sabe sua estratégia

A Revista Piaui soltou o buscapé do ano (até agora). Uma longa e precisa matéria sobre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A entrevista – que você já deve ter visto por aí, ao menos os trechos mais impactantes – provocou uma onda de protestos pela queda do “poderoso chefão” como nunca se viu. Até agora nenhuma delas surtiu o efeito desejado, mas ao menos servem para refletirmos. Aqui vai o que penso sobre o assunto:

Desde que assumiu a presidência da CBF, Ricardo Teixeira manteve uma estratégia: tornar a entidade independente financeiramente e forte politicamente. Conseguiu, com louvor. Não me cabe discutir os métodos usados, mas ainda sim, não dá para negar que consegui.

Dentro desses anos todos, os títulos vieram, muito em função da geração que se formou nesse período. Desde 1989 (quando começou o mandato), foram 2  Copas do Mundo na conta (além de 2 eliminações para seleções tradicionais que, coincidentemente, viriam a ser vice-campeões e 1 derrota para a Argentina), 3 Copas das Confederações, 2 mundiais sub-20 e 3 sub-17. Nem vou contar Copa América e outros títulos…

O currículo de títulos é farto, as contas ficaram melhores, o campeonato nacional ficou relativamente organizado. Trouxeram a Copa novamente pra cá. E ainda tiveram coragem para substituir o “mata-mata” pelos pontos corridos, um avanço, sem dúvida. É por isso que Teixeira está “cagado” para as denúncias contra ele. No fim das contas, sabe que fez um bom trabalho.

É claro que se há suspeitas quanto as métodos usados (como disse acima), deve-se investigar, ir até o fim, pegar os culpados. Saber se a população foi lesada, se o dinheiro público envolvido foi parar nos bolsos de quem não deveria… Trabalho de polícia mesmo!

Mas, na minha modesta opinião, o erro (e agora não estamos falando de mau caratismo) mais visível de Ricardo Teixeira foi o de não corrigir a estratégia. Depois de estável financeiramente, a CBF deveria ter voltado seus esforços para as categorias de base e para o futebol feminino. Não custa lembrar que NUNCA ganhamos a tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e as meninas (as periquitas), passam por tudo aquilo que vocês estão carecas de saber… Tenho certeza que a revolta de hoje não teria essas proporções.

Ainda dá tempo de Ricardo Teixeira limpar sua imagem e sair da CBF pela porta da frente. Basta que prove ao mundo que as tintas não são tão fortes quanto pintam. A questão é que… bem… ele está cagando pra isso.

Entrefix: Tim Sanders

Estava com saudades de atualizar essa parte do blog. Gosto muito de fazer entrevistas, e dessa vez não foi diferente. O dono da palavra hoje é o americano Tim Sanders. Começou de baixo, trabalhou em empregos que não o satisfaziam totalmente. Até encontrar a Broadcast.com, pioneira no seguimento de transmissões ao vivo, online. Foi através de Tim Sanders que em 1999 a Broadcast.com fechou contrato com a Victoria Secrets e fez o maior evento de moda transmitido online até então. 1 milhão de espectadores e um resultado fantástico para todos. Chegou até a vice-presidência de Soluções do Grupo Yahoo!

Agora Tim Sanders é escritor de livros e palestrante muito requisitado. Nessas palestras, ele fala sobre novas maneiras de encarar o gerenciamento de pessoas nas organizações e, entre as ferramentas utilizadas, está o amor descrito na minha resenha de “O Amor é a Melhor Estratégia”. Aliás, é melhor mesmo que você leia a resenha antes de embrenhar-se nas palavras abaixo. Será bem mais proveitoso.

Nessa entrevista ele discorre sobre as diferenças entre Brasil e Estados Unidos, pondera sobre a carreira que construiu e a carreira de pessoas normais (como você) e, por fim, envia uma mensagem motivadora, que sempre é bem vinda.

Divirtam-se com Tim Sanders:

Idéia Fix: Você acredita que o estilo lovecat funciona em todas as partes do mundo, mesmo em países como o Brasil, cujos habitantes não tem o costume de ler e nem são encorajados quando crianças?
Tim Sanders: Desde que meu livro foi publicado em 2004, tenho recebido dezenas de testemunhos vindos de brasileiros bem sucedidos que falavam quantas vantagens eles obtiveram com a leitura adulta. Se a sua afirmação está correta e os brasileiros não lidam bem com a leitura quando adultos, isso significa que a estratégia de leitura lovecat é uma maneira de diferenciá-lo e torná-lo a mais inteligente escolha disponível.

 

IF: Quais são as principais diferenças entre o estilo americano e o estilo brasileiro de administração. Nos EUA há mais situações predatórias que justifiquem a idéia de dividir o amor nos negócios?
TS: Dividir o amor nos negócios significa crescer junto com todos aqueles que fazem parte do seu circulo de negócios, dividindo seus intangíveis – seu conhecimento, rede e compaixão. Esse sistema funciona em sociedades não éticas tão bem quanto naquelas que a possuem. O livro é muito vendido na Índia, Itália, Noruega, Brasil e USA – diferentes tipos de mercado com um elemento comum: pessoas.

Falando sobre estilos de administrar, tive a oportunidade de trabalhar com muitos no Yahoo! e a diferença é pequena – talvez os brasileiros dêem mais valor a tradição, personalização. Na verdade, creio que o Brasil se assemelha a Europa Ocidental. Colômbia, Chile e Argentina – muito diferente na medida em que há mais emoções nas decisões.

 

IF: Você disse que o estilo lovecat foi responsável por seu crescimento meteórico na Broadcast.com e no Yahoo!. Um cidadão que não trabalhe com administração, mas como mecânico, padeiro ou qualquer outra posição pode construir uma carreira tão brilhante quanto a sua somente dividindo o amor ou está limitado á carreira que escolheu?
TS: Não importa quem você é, se você ajuda pessoas suficientes, você pode se tornar tudo aquilo que desejar. Um ano antes de me tornar vendedor da Broadcast.com (atendente de telefone) era musico em uma banda local trabalhando dias como vendedor de anúncios para um programa de TV. Nada grande. Evolui porque ajudei pessoas importantes na compreensão do potencial da internet

Um excelente padeiro poderá ajudar pessoas suficientes pare ter sua própria cadeia de padarias, sua própria linha de pão nas lojas Cassino ou mesmo seu próprio programa de TV, como o melhor padeiro brasileiro. Veja Ricardo Bellino, meu amigo e autor de livros. Ele veio do nada e tornou-se sócio de Donald Trump. Ele é famoso e altamente bem sucedido. É um lovecat 100% também.

 

IF: Um lovecat está sempre de bom humor, sorrindo e dividindo o amor por onde passa. No entanto, essa mesma pessoa tem problemas financeiros e no casamento.  Qual a melhor forma de manter distantes esses dois mundos?
TS: Quando você tem problemas pessoais, você é completamente tomado por eles e deixa um pequeno espaço para as emoções de outras pessoas. Você precisa consertar isso antes de ser bem sucedido. Sério. Se você esta lidando com problemas no casamento, tente se aproximar mais dos filhos. lembre-se de se permitir um tempo pela manha numa cafeteria entre a casa e o trabalho. Lembre-se também que ajudar o pessoal te faz mais feliz e agradável. Este pode ser um bom conselho: Aprenda a amar melhor no trabalho e você poderá aprender coisas úteis em seu lar.

IF: Deixe uma mensagem para os leitores desse humilde blog:
TS:
Não importa de onde você veio ou quanto você tem no banco hoje, o futuro pertence àqueles que são voluntariosos e eficazes. Foque seus esforços em aprender como ser solidário nos negócios com seus empregados, clientes, parceiros e ate mesmo concorrentes. As novas gerações devem observar os princípios e as recompensas que a lei da reciprocidade psicológica nos traz.

Toda idéia, do processo ao produto, deve ser examinada pela ótica do útil/prejudicial. O lema do Google esta certo: Não seja diabólico, trabalhe para o bem de todos.

Se você concorda com o que Tim Sanders disse, quer conhecer mais sobre ele e seus livros ou simplesmente se interessa pelo tema, não deixe de visitar o site oficial e, se quiser, pode segui-lo pelo Twitter. Tudo em inglês, claro.

Entrevista para o Diário da Manhã

Em 28 de novembro de 2008, fui convidado a dar uma entrevista para o Jornal da Tarde, de São Paulo. Como escrevi no texto que vocês podem ler clicando no link acima, tudo não passou de um sádico engano, já que a jornalista procurava alguém que fosse Freegan. Coisas da vida…

Muitos Alguns meses passaram e eu novamente fui abordado para concender uma entrevista para um jornal. Aceitei a participação e respondia as perguntas enviadas. Para a minha alegria, ontem, dia 11 de outubro, foi publicada uma matéria na qual havia trechos de uma entrevista comigo para o Diário da Manhã de Goiânia, de autoria da jornalista Mayara Jordana. O tema foi aquele manual de como mentir, que publiquei aqui dia 17 de agosto de 2008. Ficou bem bacana. O desenvolvimento do texto está culturalmente rico, com referências à literatura e a palavras de profissionais do ramo. Refiro-me à psicólogos, naturalmente. A matéria -  de página inteira – pode ser lida clicando na imagem abaixo. Eu apareço na segunda coluna, mas recomendo a leitura completa do artigo.

capaDM

Que fique registrado aqui meu agradecimento à jornalista Mayara Jordana pela gentleza e fidelidade com que minhas palavras foram colocadas na matéria. É muito bom ter um reconhecimento desse porte aos textos que escrevo há mais de 2 anos. O box com os 7 passos ficou show! Meu ego, devidamente massageado, agradece também.

Aproveitando a ocasião, publico, logo abaixo, a entrevista completa.

1) Quem você acha que mente melhor o homem ou a mulher? Por quê?
Essa questão é interessante, pois a habilidade de mentir pode ser desenvolvida em ambos os sexos. Depende bastante de quem ouve a mentira. Homem tende a acreditar e aceitar as desculpas dadas por mulheres para evitar conflitos, principalmente se eles são domésticos. Mas não vou ficar em cima do muro: Homem mente melhor, pelo fato de, estatisticamente, as mulheres serem mais passionais, portanto, levadas pela emoção. Homem costuma ser mais racional, o que claro, não significa que não possa haver variações.

2) Como você criou o Manual do Mentiroso. Foi a partir de observação dos outros ou você mesmo coloca em prática os sete passos?
O manual foi criado a partir de observações do comportamento das pessoas, mais precisamente dos erros que essas pessoas cometem ao tentar mentir. É incrível a quantidade de rastros que as pessoas deixam, sem perceber, quando tentar enganar as outras pessoas. Passos razoalvelmente fáceis de evitar.

Não vai adiantar muito eu dizer que não uso as minhas próprias dicas, já que ninguem vai acreditar e vão me chamar de mentiroso (risos). Mas fico tranquilo quanto a isso. Quem me conhecem sabe que sou íntegro.

3) Qual foi a finalidade ao criar o Manual?
Eu queria compartilhar com meus leitores essas minhas observações. Tenho certeza que muitos já se depararam com situações em que precisavam mentir, mas não conseguiram. Claro que eu não espero que as pessoas que sigam o manual consigam escapar de julgamentos ou coisas mais sérias. Mas para conseguir um tempo a mais para entregar um trabalho escolar, ou escapar da mãe que mandou lavar a louça e a criatura não obedeçeu, acho válido.


4) Para você, a mentira é necessária quando?

A mentira é necessária para se livrar de situações que só dizem respeito a quem mente. Ou seja, a partir do momento que a sua mentira prejudicar outras pessoas, ela deixa de ser válida e passa a ser considerada desvio de caráter. Alguns exemplos: Conseguir tempo para realizar trabalhos escolares, justificar faltas, adiar compromissos, escpar de broncas dos pais, da namorada (namorado)…


5) Você considera que há mentirosos profissionais por aí? Ou isso, já beira a doença, tipo, a psicopatia?

Sim, com certeza há mentirosos profissionais. O caso do Marcelo Rocha é bastante didático nessa questão. Para você ter uma idéia, ele se passou por filho do dono de uma compania aérea (a Gol), dando entrevistas para artistas consagrados. Além disso, encarnou os papéis de fiscal da receita, fazendeiro, repórter da MTV, olheiro da seleção brasileira e guitarrista da banda Engenheiros do Havaí. Sempre com sucesso. A psicopatia acontece quando essa linha é ultrapassada, ou seja, quando a brincadeira perde a graça.

6) Queria que deixasse um recado para o leitor da matéria: compensa ficar buscando o tempo todo quem está mentindo e, desse mesmo modo, vale a pena inventar estratégias mirabolantes para mentir bem?
Ao leitor dessa matéria: Só mintam em caso realmente necessário. Não vale a pena ficar tentando descobrir se a pessoa está mentindo, já que, teoricamente, ela tem um bom motivo para isso. O melhor mesmo é tomar cuidado em quem se confia. Medidas profiláticas são a melhor saída. Quanto a inventar estratégias mirabolantes, acho válido. Cada um pode desenvolver sua técnica, respeitando os limites do bom senso. E lembre-se: a mentira não é a primeira nem a melhor solução… Ela só é a mais divertida e arriscada, portanto, cuidado.

Valeu Diário da Manhã!

PS: E vem uma bomba por aí. Algo inacreditável está para acontecer. Aguarde.

Twittentrefix: Paulo Maluf

Um dos grandes trunfos do Twitter é a grande interação entre famosos, pseudo-famosos, famosos em comunidade específicas, os anônimos e eu. Essa interação se dá através das “mentions” que, algumas vezes, são respondidas.

Num desses dias frios e chuvosos, recebi um email notificando que um tal de Paulo Salim Maluf estava me seguindo. O nome já despertou uma curiosidade imensa em saber se o nome REALMENTE correspondia à pessoa citada. Isso porque alguns perfis no Twitter apenas levam o nome do famoso, mas não tem a essência do famoso. Pesquisei durante um tempo e achei uma notícia do Jornal Agora dizendo que o perfil de Maluf é falso. A matéria datava de junho e realmente pude constatar que há um perfil falso do político – bem mal feito por sinal.

Outra nota no site Malufistas Pro São Paulo – de agosto de 2009 – afirma que Paulo Salim Maluf aderiu ao Twitter sim. E justamente com a conta com a qual me correspondi. Os twitts parecem muito verdadeiros e contam um pouco do cotidiano do Deputado: algumas passagens pelo plenário, vídeo de campanhas, elogios à pessoas famosas… enfim… tudo o que um político de verdade faz.

Não posso resistir e sempre mando alguns replys para Paulo Maluf. E em uma dessas vezes ele me respondeu. Consegui assim uma Twittentrevista exclusiva com o ex-prefeito, ex-governador e Deputado Federal mais polêmico do Brasil. Tudo em 140 caracteres… Se esta não for uma grande entrevista, nunca mais leiam aqui.

Não posso dar 100% de certeza que é Paulo Maluf. Mas ao que tudo indica, consegui mais um furo de reportagem. Acompanhe agora as palavras do Deputado Federal Paulo Salim Maluf.

Ideia Fix: Seu jingle na campanha para prefeito de 2008 foi “São Paulo é a cara de Maluf“. Era para ser motivacional?
Maluf: Não era não. Só queríamos mudar um pouco o jingle que usei em 92, “São Paulo é Paulo“.

Ideia Fix: Depois de passar alguns dias comendo quentinha na cadeia, você tem alguma proposta para resolver a crise penintenciária na cidade/estado?
Maluf: Os salários são baixos,os presos mandam nos presídios e com uma política de valorização dos agentes,vamos melhorar isso.

Ideia Fix: E o Leve Leite? Por que há acusações de que o produto não tinha qualidade? Kassab alega que trocou a marca e dá leite melhor.
Maluf: Na nossa gestão o leite era de excelente qualidade, era mais concentrado e rendia; 2Kg que rendiam 15lts e nunca atrasou a entrega.

Ideia Fix: Quem foi seu maior adversário político? Aquele mais respeitável, que dava gosto debater e ganhar, claro….
Maluf: Veja, não há um adversário em especial, sou adepto da frase  “A vida é um combate, que aos fracos abate, aos bravos e aos fortes só pode exaltar”.

paulo

Mini Biografia
Paulo Salim Maluf é engenheiro, empresário e nas horas vagas político. Já foi prefeito de São Paulo 2 vezes, Governador 1 vez, Deputado Federal 1 vez e atualmente é dono (com licitação pública) da cadeira de Deputado Federal por São Paulo. Já apoiou a ARENA, partido da ditadura Militar e foi Secretário da Fazenda.

Suas administrações foram marcadas por 2 aspectos: O primeiro são as obras grandiosas, que podem ser chamadas de aspecto positivo, como a Rodoviária do Tietê, 78 pontes e viadutos (só no primeiro mandato!), a maior parte das duas Marginais (Tietê e Pinheiros), e mais inúmeras ruas, avenidas, túneis… tudo foi o Maluf que fez.

O segundo aspecto foram as denuncias de improbidade administrativa e superfaturamento das obras. O principal alvo das denúncias é a Avenida Aguas Espraiadas (?), que agora é chamada de Roberto Marinho. Foi acusado também de desviar o dinheiro dos precatórios (dívidas em dinheiro que a Prefeitura tem com os cidadãos). Já foi preso, mas nunca condenado. Ah… e apadrinhou Celso Pitta na campanha para Prefeito.

Frases Famosas
Se o Pitta não for um grande Prefeito, nunca mais votem em mim”.

“Estupra mas não mata”.

“Ninguém anda 1 quilômetro nessa cidade sem passar por uma obra do Maluf”.

“Sabe aquela ponte? Foi o Maluf que fez!

“Estupra mas não mata”
Em relação a frase “estupra mas não mata” o próprio Dep. Paulo Maluf me pediu para que eu acrescentasse o contexto na qual ela foi dita. Segundo ele: “O contexto que foi retirada, foi em uma defesa minha da prisão perpétua. Dizia que o sujeito que comete dois delitos hediondos deve pagar mais“.
Na Sabatina da Estado de SP, na ocasição das eleições municipais, a ponderação foi a seguinte: “Aquela frase foi dita num contexto, numa conferência em Belo Horizonte, onde eu disse que o estupro era um crime hediondo, e que o estupro seguido de morte merece prisão perpétua. Em Nova York, esse crime merece cadeira elétrica“.

O vídeo abaixo pode detalhar melhor:

Agradeço ao Dep. Paulo Maluf por responder todas as minhas indagações, desejando que sempre saiba dicernir quais as melhores atitudes a serem tomadas visando o bem da população.

As entrevistas vão continuar. Aguarde novos personagens!

Opinix: Botando o Jarbas de molho

Olá! Estou de volta para comentar uma entrevista que deu o que falar.

A entrevista em questão é a do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) vinculada na revista ”Veja” em suas páginas amarelas.
O senador afirmou que: ‘‘Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.‘”

Até ai nenhuma novidade, mas o que me chamou atenção foi a coragem e a clareza do ex-governador e atual senador nas suas respostas. A entrevista gerou (claro!) um desconforto enorme no partido.

Veja mais alguns trechos:

Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.

(..) não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.

De minha parte e acho que desse pequeno blog, gostaria de dar os parabéns ao senador pela fuga do lugar comum das declarações comedidas desta política “cheia de ratos” cujas ”idéias não correspondem aos fatos”, como diria o grande poeta Cazuza.

Quer ler a entrevista? A Veja disponibiliza a versão online aqui

(Nota tradicional do Frank: Veja, será super interessante se essa revista marcar época. Não que não estejamos acostumados a esse mundo estranho que é a política nacional, isto é, o dia a dia na Esplanada dos Ministérios, do Palácio do Planalto… Bravos sejam aqueles que tenham coragem para imitá-lo. Mas que tenham, também, coragem de continuar, senão o placar sempre será o mesmo. Capice?)