Copa das Confederações: Tourada canarinho no Maracanã

Com 2 gols de Fred e 1 de Neymar, Brasil atropelou a Espanha e, sem dó, piedade ou cerimônia, venceu a Copa das Confederações 2013. 

Quem viu a final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha certamente ficou maravilhado e surpreso com o quanto o selecionado nacional jogou. Todos esperavam (inclusive eu) uma partida dura e até com os toureiros dominando, bem ao seu estilo. Não ocorreu. O varal entortou a favor do verde-amarelo, num futebol moderno, intenso e eficiente, que até agora não havia aparecido. Bela hora para aparecer, hein?

Foi a melhor partida que eu vi o Brasil jogar em muito tempo. O domínio aconteceu na bola, em uma marcação incansável e muito apertada. Foi também um domínio psicológico. Parecia que, mesmo jogando 5 horas seguidas, Julio César não seria vazado.

Tudo deu certo, até quando deu errado. Fred no chão com 1:30. Gol. Uma avenida IMENSA nas costas do Daniel Alves e uma MAIOR AINDA nas do Marcelo, chute preciso de Pedro e…. David Luís aparecendo de carrinho, em cima da linha. Pênalti bizarro cometido por Marcelo e Sérgio Ramos acertou a placa de publicidade. Uma das muitas. Foi para ficar rojo de vergonha.

Se a ideia da Copa das Confederações é ser um teste da estrutura para a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira passou em sua prova particular. Enfrentou jogos para dar moral, como o Japão, de paciência como o do México, adversários de tradição e raça como Itália e Uruguai, até o derradeiro espetáculo contra a Espanha.

É claro que o time não está pronto (as laterais continuam sendo um problema), mas a luz no fim do túnel parece maior e mais palpável. Fred é o nosso 9 goleador. Luís Gustavo foi muito bem no meio campo, assim como Paulinho (hoje anularam Iniesta e Xavi). Julio César, opção a principio antiquada, foi seguro quando acionado. Até Hulk superou a desconfiança e, mostrou que merece, ao menos, estar no grupo.

Quanto a torcida brasileira, foi o 12º jogador. O hino cantado no gogó deu aquela injeção de adrenalina fundamental no começo do jogo (crucial em mais de uma partida, eu diria). Agora, bom mesmo foram os gritos de “Shakira” na expulsão de Piqué no segundo tempo. Aqui é Joelma, porra!

Mais um troféu para a coleção e a missão de cultivar o otimismo, sem deixar a empolgação ufanista mascarar o caminho até a Copa do Mundo. Com 32 seleções, o buraco é mais embaixo. E Felipão sabe disso.

David LuizGolaço de David Luis quando o jogo ainda estava 1 a 0. Decisivo.

O Futebol como parte da sociedade

Esse texto propõe,humildemente,  uma reflexão. Aqui, não importa se você não gosta do jogo futebol.  Quando digo “jogo”, quero dizer o 11 contra 11, as táticas, os times, a bola.

Digo isso, porque assistindo ao programa ‘Bola da Vez’ da ESPN Brasil com o técnico do Vasco, Paulo Autuori ele disse algo, em linhas gerais, que eu concordo: O futebol é mais que um esporte, é um estudo social. Em que outro lugar você vê gente de classes sociais diferentes se abraçando como se fossem velhos amigos? Em um estádio você pode ver como são os costumes de um país, mesmo que em uma pequena parcela. Cantos, ritmos e comportamentos que fazem parte do nosso dia a dia.

O desânimo de uma derrota, a alegria de uma vitória, a apreensão de um momento decisivo e até a questão da  mobilidade social entre pobres e ricos pode ser estudado, através de uma partida de futebol. Isso sem falar no racismo, na violência, no descaso político e muitas outras questões sérias e pertinentes a nossa sociedade.

Futebol é mais que um jogo, é uma maneira de enxergarmos como as coisas estão em nosso mundo.

Então, por mais que você não goste dele enquanto esporte, saiba que ele já superou as barreiras de um simples apito final em 90 minutos.

A droga da opinião alheia

Paradoxalmente – e eu sempre quis começar um texto com a palavra paradoxal – vivemos em tempos com enorme liberdade e intolerância. Temos livre opção sexual, de relacionamento amoroso com pessoas de cor de pele diferente, entre pessoas idosas e jovens. Podemos vestir calças, saias, mostras os ombros (e a até a polpa da bunda em alguns casos).

Mas as opiniões… bem.. essas é melhor deixar escondidas em uma caixinha secreta, trancadas com cadeado e arames farpados. Se alguém descobrir nossas opiniões, é certeza de intolerância.

Hoje em dia não se pode declarar que é petista, por exemplo. Logo o cidadão é taxado de corrupto, bandido, petralha vendido e sei lá quantos outros adjetivos. Se a opção é pelo PSDB, é um tucano elitizado, corrompido pela privataria tucana, aliado de exterminadores…

Isso se reflete no julgamento do Mensalão. Como escrevi no Facebook tempos atrás, o que está acontecendo no STF é um JULGAMENTO, logo, se pressupõe que o réu pode ser condenado OU absolvido. Se não houver duas opções, o julgamento por si só não existe. Os Ministros, entretanto, não tem a liberdade de defender seu voto. Se condenam fulano, é herói da nação ou se corrompeu. Se absolve, fez justiça ou… se corrompeu. O resultado é mais importante que o caminho. Poucos buscam os motivos. Preferem metralhar o resultado.

Da mesma forma se é intolerante com o futebol, a coisa mais importante dentre as menos importantes. Se um time tem um impedimento não marcado, o juiz logo é taxado como “décimo terceiro jogador”. Ele não pode, sei lá, apenas ter errado? É fato que o nível técnico da arbitragem no Brasil é uma desgraça, bem abaixo do esperado. Se há manipulação de resultados, que se denuncie formalmente, oras bolas. Botar a culpa do outro é sempre mais fácil. E o coitado que defende que foi pênalti (ou não), toma na cabeça e é escrotizado pelos demais.

O caso mais recente é com a novela. Há muita intolerância quando se fala que se gosta dos folhetins. Nem todo mundo que asiste novela é limitado intelectualmente e nem todo mundo que não assiste deve ser considerado cult. Faz parte do “social”, de ter assunto entre as conversas informais. Como bem disse a amiga Aline Fassina, não assisti a nenhum capítulo, mas mesmo assim fiquei sabendo de tudo o que aconteceu, pelos comentários nas redes sociais virtuais, nos bares, na faculdade, do trabalho.

É claro que não se deseja que a novela seja a única forma de entretenimento de uma população (estão aí os livros, o teatro e os cinemas, só para dar três exemplos). Sempre defendo que o grande problema (por assim dizer) não é o produto, a a forma que se utiliza.

E não é que o mesmo vale com a opinião? É possível ser CONTRA e A FAVOR de qualquer coisa, desde que se tenha bom senso ao emitir e, principalmente, ao escutar e interpretar essa opinião.

E assim caminhamos. Na música, na moda, nas artes… Hoje, expressar a opinião é um convite para dizerem que estamos errados. Não há debate, troca de argumentos. Há dedo na fuça, ameças, violência.

Como diabos vamos pensar e construir rum futuro crítico, se somos intolerantes com algo tão inofensivo quanto uma opinião?

Ao mestre com carinho

O dom da comunicação é para poucos, seja ele expresso no jornal, no rádio, televisão ou internet. E feliz aqueles agraciados com esse maravilhoso dom.

As rádios de interior neste país revelaram e revelam grandes nomes para os grandes centros, exemplos de Fausto Silva que saiu de Campinas para ganhar o Brasil com seu Domingão ou Osmar Santos, nascido em Marilía e que revolucionou a narração esportiva.

Existem aqueles que por circustâncias do destino ficam “esquecidos”, mas sem serem menos importantes para a comunidade onde vivem.

Esse foi o caso de Osmar Dalcin. Radialista por paixão, dedicava horas intermináveis do seu Programa Osmar Dalcin (líder de audiência aqui em Itatiba) a ajudar essa cidade que ele tanto amava. Muitos bairros tiveram voz através dele e muita gente importante da cidade fazia de seu programa uma verdadeira tribuna.

Eu (Carlão/Junior/Ju) tive o prazer de trocar algumas palavras com ele e de ver sua paixão em empossar um microfone e soltar a sua voz.

Já eu, Frank, tive um momento bastante interessante. O jornal da  ETEC Rosa Perrone (tantas vezes já citado nesse blog) pediu patrocínio para a CRN para que pudéssemos imprimir a tiragem do mês. Ele não nos deu dinheiro. Nos deu algo muito mais valioso: oportunidade. A oportunidade de participar, ao vivo, do programa matutino. Foi uma experiência única, que jamais será esquecida.

A cultura e o esporte itatibense também devem muito a ele, pois, através dessas ferramentas, acreditava que podia contribuir para o bem de toda uma cidade, cidade essa muitas vezes esquecida pelo seu poder público.

Apesar de opções profissionais duvidosas que acabaram por prejudicar o seu futuro político, ele sempre foi um guerreiro, mas infelizmente a morte o venceu.

Obrigado Osmar por ser uma referência de cidadão e comunicador para mim que escolhi essa carreira e para o Frank que escolheu Itatiba para viver.

E os microfones, agora, se fecham em luto e com saudades.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Carlos Lemes Jr e Frank William Toogood

Divulgação/CRN

Osmar Dalcin (à esquerda) com Beto Dias

Osmar era bugrino fanático.

Update: O velório acontece nesse momento (noite de segunda feira, 24 de janeiro) no salão nobre da Câmara dos Vereadores, Palácio 1º de Novembro. O sepultamento será realizado terça-feira, dia 25, no Cemitério da Saudade.

South Africa 2010: Brasil x Costa do Marfim

Elfenbeinküste, Ivoorkust, Côte d’Ivoire, Ivory Coast, Costa de Marfil, Costa do Marfim. Não importa de quantas maneiras diferentes você consiga chamar os africanos de uniforme style e exageradamente apertado. Os Elefantes, nossos adversários neste domingo, empataram o primeiro jogo com Portugual e vieram crentes que poderiam arrancar ao menos um pontinho da nossa seleção. Sven-Goran Eriksson (que não tem nada a ver com aquela marca de celulares (ou tem?)) é um excelente técnico e sabia exatamente como levar a cabo essa missão nem tão impossível, dado as circunstâncias do jogo contra a Coréia do Norte

Logo nos primeiros minutos Kaká e Robinho puxaram um contra-ataque. Pena que o pequeno Robson tenha sido fominha e resolvido bater pro gol, em vez de trabalhar melhor a jogada. Prenúncio de um bom jogo? Nem tanto.

A Costa do Marfim acabou por tomar conta do meio campo. Pacientemente trocava passes, esperando o momento certo de lançar a bola para Drogba ou um dos atacantes abertos pelas pontas. A marcação, como era esperado, muito rígida, não deixava o jogo brasileiro fluir. Kaká visivelmente mal e, portanto, nada de bolas pro Luis Fabiano…

Vida de comentarista não é fácil. Quando eu tinha acabado de escrever a ultima linha, Kaká recebeu, do calcanhar de Luis Fabiano, na entrada da área e se livrou da marcação. Devolveu para nosso artilheiro. Com raiva ele encheu o pé e mandou a Jabulani pro fundo do gol dos marfinenses. BRASIL 1xo COSTA DO MARFIM, aos 25′ do primeiro tempo.

Depois do gol, o controle do meio campo mudou de lugar, pra nossa sorte. Agora era o Brasil quem distribuia as bolas, tanto pra Maicon quanto pra Michel Bastos, esse último abaixo da média. Falando em abaixo da média, com 35′ eu me perguntava se Drogba tinha mesmo entrado em campo.

O primeiro tempo terminou e a sensação é de que melhoramos em relação ao jogo contra a Coréia do Norte. Não foi exatamente uma apresentação de gala, mas devemos ter em mente que nessa Copa do Mundo os jogos tem sido duros e, como vocês sabem, resultados surpreendentes tem acontecido com certa frequência. Um a Zero tá de bom tamanho.

Mas ainda não acabou.

Logo no comecinho do segundo tempo, Luis Fabiano recebeu na entrada da área, deu um chapéu com a bola passando meio que pela orelha do adversário, trombou, conseguiu um segundo chapéu, matou meio no peito, meio no braço, trombou de novo e bateu consciente, no canto esquerdo do goleiro. Uma golaço, uma obra de arte, coisa linda…. uma mistura de habilidade e força, talento e raça… Espetacular. BRASIL 2×0 COSTA DO MARFIM.

Muita gente já estava surpresa com 2 a 0. Imagina se eu disser que fizemos o terceiro gol. Pois é…. Kaká recebeu pela esquerda, procurou o espaço na linha de fundo e cruzou pra trás. A zaga da Costa do Marfim deu uma cochilada e Elano apareceu como uma flecha amarela para marcar a tripleta brazuca. BRASIL 3×0 COSTA DO MARFIM.

Assim é o jogo do Brasil. Não SUFOCA, mas é eficaz.

Numa jogada duríssima, Elano entra de carrinho (de forma imprudente, diga-se) e o marfinense deixa o pé na canela do autor do terceiro gol. Ele sai chorando e carregado pelos massagistas, substituido em seguida por Daniel Alves. Engraçado que muitos pediam – e pedem – essa substituição, entretanto, já é o segundo gol + assistência que Elano dá. Daniel Alves sim, mas sem tirar nosso meia.

Enquanto isso, Drogba, sem ritmo de jogo, corria. E Gervinho, pra nossa sorte, esquentava o banco.

Aos 23′, lançamento para o sonolento Drogba. Juan cortou parcialmente. A bola voltou até a intermediária e foi alçada na área. Ih… olha lá quem subiu sozinho pra marcar o primeiro gol da Costa do Marfim. Ele mesmo… o sonolento mas preciso Didier Drogba. Falhou a zaga brasileira, pela segunda vez nesse mundial. BRASIL 3×1 COSTA DO MARFIM.

Um detalhe importante nessa partida foi a violência empregada pelos marfinenses. A marcação dura do primero tempo transformou-se em desleal. Michel Bastos, Kaká, Luis Fabiano e mais seriamente Elano (suspeita de fratura na perna) foram atingidos por pernadas e sopapos. O BRASIL, MUITO INGENUAMENTE, REVIDOU. O resultado foi a expulsão de Kaká, após a simulação de uma cotovelada,  aos 43′.

Copa do Mundo é Copa do Mundo, como diria o Lima Duarte.

E assim terminou a segunda partida da Seleção. Dunga sai irritado com a péssima atuação do juiz, mas satisfeito por já ter garantido a vaga nas 8as de final. Agora é vencer Portugal para enfrentar ou Suiça ou Espanha, que teoricamente disputarão as primeiras colocações do grupo H. Teoricamente, pois nada é certo nessa Copa.

Notas rápidas:

Luis Fabiano desencantou e Kaká melhorou. Pena que não vai jogar dia 25.

Elano tem se mostrado outra peça chave do esquema. Tão importante quanto Maicon.

Quem entra no lugar de Kaká, dia 25 contra Portugal? Pelo jeito a briga está entre Ramires e Julio Baptista. Aposto no último, por ser brigador.

Robinho sumiu hoje. Ainda bem. Seleção boa é aquela que tem vários que podem brilhar e não apenas um.

Que fase da França. Time ruim, técnico perdido, imprensa furiosa e até juiz fazendo bobagem…

Felipe Melo ainda não fez bobagem. Que continue assim.

Quem nasce na Costa do Marfim é marfinense, costa-marfinense ou ebúrneo. No caso dos 11 em campo, também podem ser chamados de lutadores de MMA.

Futebor da Bicharada

Vô contá uma história pru cêis. Quem mi contô foi um cumpadi meu, lá das banda do Mato Drento, o Inhô Tinoco. Ele diz que é verdade verdadeira, mai eu num credito não. Si vossuncê quisé acreditá, é por sua conta e risco. Começa assim:

Era uma veiz um lugarzinho escondido de tudo, chamado Arraiá  das Curuja. Lá é onde a bicharada ganha vida e tudo eles se parece com humano. Lá no tar de Arraiá si formaro dois cumbinado. O time do quebra-dedo, e o time do pé-rapado. A bichara si reuniu e formô seus quadro. E eu, que num sô bobo nem nada, fui é bisoiá esse jogo, muito falado nas vizinhança.

Ô cumpadi. Pro cê tê uma idéia, a bicharada pediu pro jogo ser irradiado, na estação du lugá, PRJ-Bichadu. O ispriqui -que é o cara que fala do jogo e todas jogadas – era o jumento, rapaizinho apreparadu. O jogo foi começado as quinze hora da tarde, com sor a pino. Mas vamô falá dos time: O time do quebra-dedo tinha fama de campeão.Sapo jogava no gol, béqui de espera o leão,Cavalo o béqui de avanço, o arco esquerdo preá,veado de center-arco, arco direito o gambá. A linha tava um perigo, na meia jogava o rato, no centro jogava o tigre, na otra meia o macaco, na esquerda jogava o bode, direita jogava o gato.

E o juiz? Ah…pra essa função dos diachos, o lagarto foi cunvidado. Sabe pruquê? É qui o seu Lagarto era o único qui num tinha mãe, pra mode não ser xingado. Diz que ele chegou e foi logo dizendo: “Boa tarde senhoras e senhores. Ai que bicharada gorda, barbaridade…”.

O tigre deu a saída, coelho, rápido como ele só, foi pra tirá. O tigre passô pru bode, mais quando ele foi chutá, puxaro a barba do bode, o bode foi recramá. Farta feia! Na capitar, chamam isso de antidisportivo. Juiz falô que num viu, de certo tava de zoio nas mosca que ficava dançando pra lá e pra cá, só zumbeteando. Cachorro já quis brigá. Latia latia latia, mas mordê qui é bom nadicas. Já dizia o ditado: Cão que ladra num mordi.

A cabra muié do bode, xingô o juiz de ladrão. Imagine, deixá que uma coisa daquelas, uma covardia, acontecesse com o chifre mais bunito daquelas banda? Torcida do quebra-dedo fizéro recramação. A capivara e a cotia, dois bicho sem noção, chegaro a xingá o leão, veja só.

Já a preguiça dava risada, de vê o sapo de carção. Rapaiz… num é qui tava engraçado mesmo?

Largato que era o juiz, na hora dele apitá, desatrado como ele só, tinha engulido o apito,  e sem apito num pôde o jogo pará. Quem é qui ia ouvi os grito do seu lagarto? Ninguem! I aí descambô. A torcida entrô no campo, de pau, de faca e punhá. O pau cumeu direitinho, mataro trêis no lugá. Um banho de sangue no gramado do Arraiá.

No fim da briga é qui deu pra ver os resurtado. O bode ficô ferido, di certo sem a barba. Mataro o béqui leão, cortaram tudo as tripas coitado. Rasgaro a saia da cobra, cavalo quebrô a mão.

O sapo saiu correndo, jogou-se no riberão por que na hora da briga ele ficô sem carção.

O jogo, craro, num terminô, pur isso ficô empatado. Zero pro quebra-dedo e zero pro pé-rapado. Agora nóis vai falá, do center-arco veado. Nervoso ele dizia, entre suspiros e ais:

“Ai meu Deus do céu qui jogo bruto, meu Deus, que estupidez. Assim num jogo, num jogo, num jogo mais…”

E essa foi a história que cumpadi Inhô Tinoco me contô. Eu já disse que num credito. Imagine só… sapo de carção! Pra ler a letra da música qui fizero só pra esse jogo, dá um crique aqui. É do cumpadi Rolando Boldrin.

Em defesa da mala branca

Mala Preta: Expressão boleira para definir o ato de dar dinheiro para que uma equipe faça o necessário para perder um jogo. O exemplo mais clásico é a mala preta dada pela Argentina para que a equipe do Peru, na Copa de 78, perdesse o jogo contra…. a Argentina! Resultado? Hermanos, classificados, 5X1 Peruanose brasileiros, eliminados invictos.
Mala Branca:
Expressão boleira para definir o ato de investir dinheiro para que uma equipe ganhe um jogo. Um exemplo recente foi o dos jogadors do Grêmio Barueri que afirmaram ter recebido um inentivo em reais para ganhar do Flamengo.

Após as considerações acima, começarei esse texto fazendo uma afirmação que pode não agradar aos leitores desse blog. Procurarei explicar ao longo dessas mal traçadas linhas o meu raciocínio. Não vejo problema algum em times pagarem mala branca para seus adversários. Para mim, é um recurso limpo, que não prejudica a honestidade do resultado da partida, ao contrário da mala preta.

Pensemos a nível executivo. Uma empresa – chamaremos de empresa A – depende dos resultados de outra empresa a qual chamaremos de empresa B – para obter sucesso e ter seus investimentos revertidos em lucro. Porém, a empresa B não teve um ano muito bom, alguns de seus funcionários mais importantes transferiram-se para outras empresas, alguns sofreram acidentes de trabalho e outros não tiveram o rendimento esperado. Enfim… a Empresa B vai falhar.

O diretor da Empresa A, que está com as contas em ordem, sabe dessa situação e resolve interferir, dando um incentivo para que os funcionários da Empresa B atinjam as metas traçadas. Com o objetivo atingido, todos ficam felizes, exceto o conglomerado Empresa C, que perdeu a concorrência para a Empresa A e agora chora o leite que derramou e sujou o chão limpinho que Dona Ludilene acbou de deixar nos trinques.

Entenderam o exemplo? Se a empresa B não cumpre o objetivo, o incentivo dado pela Empresa A seria completamente inútil. No fim das contas, eles só ganharam a bufunfa extra porque mereceram. Sim.. as vozes do além já gritam desesperadas na minha orelha: “Mas eles são pagos pra isso!”. Sim… eles são pagos para isso. A grana é só a materialização da torcida. Nada mais que isso.

Transportando para o mundo da bola, temos a mesmíssima situação. Os clubes interagem entre si de diversas formas: Emprestando seu centro de treinamento para equipes que vem de cidades distantes ( para enfrentar o adversário rival, claro), provocando nas entrevistas coletivas, combinando o preço dos ingressos e a respectiva divisão da renda e, no caso da mala branca, garantindo um Natal mais gordo para um goleiro, um atacante…

Agora vamos ao outro lado. Quem é contra a mala branca também argumenta. Selecionei as plavras de Vitor Birner, jornalista muito sensato (e que nunca havia sido citado nesse blog, veja só).

Não há espécie alguma de armação, entrega de jogo, manipulação de resultados…Tal qual me disse um personagem do futebol: “é como se fosse o bicho, mas pago por outro interessado”. Sou contra a “mala branca”. Contudo discordo de quem vê um crime na oferta ou aceitação dela. Acho imoral, antiético aceitá-la. O atleta não deveria pegar a grana. Não é certo correr mais em troca dela. O profissional chegou no acordo com seu patrão, acertou salário, e isso basta para que ele faça das tripas coração pelos bons resultados.

Até concordo com o Birner. O cidadão aceitou ganhar um salário X e é por X que ele tem que suar. Mas ele vai ter que entrar em campo de qualquer jeito, vai receber porrada na canela de qualquer jeito, via ouvir xingamento na orelha, dedada bem no meio do… ah, bem, vocês sabem (é.. isso ocorre naquele pagode na grande área).Se vai ser assim, ganhar um algo a mais depois só faz bem. Se a equipe perder o jogo, nada acontece.

Birner continua, dizendo que a mala branca é um doping financeiro. Discordo nesse ponto. O jogador pode até entrar em campo mais esperto, mas isso não traz nenhuma garantia ou vantagem para que o atleta seja superior aos outros. Prefiro chamar de placebo financeiro.

O texto completo sobre mala branca no futebol vocês encontram no Blog do Birner. Mais do que recomendado por esse blogueiro fã do jornalismo responsável. E de alguns irresponsável também, não é Kajuru?

A questão chave é discutir a ética envolvida nessas transações. Que os leitores não se assustem, mas, ao contrário do Birner e de muitos jornalistas e torcedores, não considero antiético receber o mimo. Antietico, talvez, seja negar que recebe. Já que é pra fazer, vamos mudar a atitude, ter mais coragem e admitir que pagamos e recebemos o incentivo, que, vale repetir, não é ilegal. Val Baiano está de parabéns. Postura corretíssima a meu ver. Mas, é claro, aqueles que defendem esconder a atitude para baixo do tapete preferem punir o jogador.

Veja o diálogo entre o referido atacante do Barueri e os repórteres maldosos e insensíveis (rá), durante entrevista. Val Baiano se enrola e se contradiz, mas passa um recado bem claro:

Val Baiano: Depois disso tudo, o jeito é não aceitar, falar que não quero. Pois se você aceita algo bom para fazer o seu trabalho, dizem que você é desonesto. Nunca vi isso! Se vier de qualquer equipe, claro que vamos aceitar.

Repórter: Afinal, Val Baiano, você aceitará ou não novas premiações?

Val Baiano: Aceitamos, sim! Não estamos recebendo nada para perder. Agora, independentemente de qualquer gratificação, vamos entrar em campo sempre para ganhar.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva , na parte que cabe à Corrupção, Concusão ou Prevaricação (?) diz o seguinte:

Art. 237. Dar ou prometer vantagem indevida a quem exerça cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou Órgão da Justiça Desportiva, para que pratique, omita ou retarde ato de ofício ou, ainda, para que o faça contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e eliminação na reincidência.

Art. 238. Receber ou solicitar, para si ou para outrem, vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou Órgão da Justiça Desportiva, para praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para faze-lo contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e eliminação na reincidência.

Para variar, a regra não é clara. Nesse caso, qual é o ato de ofício? Jogar bola? Mandar a pelota balançar o capim no fundo do gol? Se for isso, o jogador não pratica nenhum ato indevido. O jogador que recebe a mala branca também não pratica o ludopédio contra disposição expressa da norma desportiva. Muito pelo contrário.

Espero ter deixado bem clara a minha posição sobre o assunto. Debates são muito bem vindos. Prometo que responderei a todos da melhor maneira possível. Um dos meus grandes defeitos é não perceber quando estou errado, defendendo meu ponto de vista até que alguem me convença, as vezes tardiamente, que estou soltando abobrinhas pela guela.

SOU SIM A FAVOR DA MALA BRANCA. E você?

Passional? Não! É só a emoção do esporte…

Carlo Zampa é um narrador esportivo um tanto quanto peculiar. Se no futebol de hoje falta emoção e os gols são sempre narrados da mesma forma, esse romano, nascido em 1959, prova que ainda há espaço para a parcialidade.carlo_zampa

Não é preciso perguntar para qual time ele torce. Suas narrações são tão passionais, que já houve episódios de gargalhadas e choro… no ar. Carlo Zampa é romanista. Ponto. Não há como negar.

O vídeo abaixo mostra a narração “nada tendenciona” de Zampa no jogo mais importante do ano para os torcedores da AS Roma, da Itália. O derby (clássico regional) entre Roma X Lázio pode ser comparado somente com Gremio X Internacional (e olhe lá). Em várias listas, é sempre eleito entre os 5 maiores clássicos do mundo.
Esse, da temporada 2001-2002, foi especial para os giallorossi (como são chamados os torcedores da Roma). A equipe derrotou as galinhas os laziales por 5 a 1, e Zampa simplesmente detonou na narração. Peço uma atenção especial no quinto gol. Veja:

Garanto que esse vídeo não é fake nem hoax. Carlo Zampa narra assim mesmo os jogos da Roma. Procure no Youtube e você verá que há mais narrações exacerbadas.

O que os romanistas pensam disso? Obviamente, Zampa é mito. Suas narrações são sempre procuradas e, quando possível, ouvidas ao vivo por rádios via internet. As vezes não entendemos uma palavra do que ele diz (no meu caso, sempre), mas só a emoção com que ele narra os lances já vale a pena.
Ele também não faz a mínima cerimônia na hora de xingar o juiz, tal qual um torcedor que se preze.

Pena que uma coisa dessas não daria certo no Brasil. No mínimo, o profissonal que ousasse “puxar a sardinha para a brasa” de algum time seria esculhambado por torcedores do rival.

A única unanimidade seria Galvão Bueno, esculhambado por todas as torcidas…

Indo além de ser o primeiro

Esse texto deveria ser uma análise racional da queda, calvário e redenção do Sport Club Corinthians Paulista na Série B – de Brasil. Entretanto, considerem o fato do lado absolutamente passional desse blogueiro manifestar-se ao longo das linhas que vão traduzir minha visão sobre mais um momento histórico no futebol.

O natal do ano passado foi recheado de piadinhas vindas de Palmeirenses, Santistas, São Paulinos. Com toda a razão. A mistura de péssima administração, quadrilha mal intencionada, jogadores esforçados e ruins tecnicamente, fizeram com que o quase centenário clube paulista fosse o 17° colocado na série A.
Choro, tristeza, desespero, revolta. Emoções de uma nação que sentiu-se traída pelos próprios administradores. Nação que viu a razão de sua existência ser rebaixada para um outro patamar. O Estádio Olímpico foi palco um dia inesquecível e dolorido para os alvinegros.

O ano virou e com ele velhas oligarquias foram extintas. O clã das aves de rapina finalmente foi abatido do comando e em seu lugar, uma ave que diz ter se arrependido do passado com a corja assumiu. Já que a alta casta foi renovada, o plantel também deveria sofrer modificações. A sucata foi excluída e um novo time surgiu. Nomes que, no começo, causavam desconfiança. Quem eram Chicão, William (reserva no Grêmio), André Santos, Herrera? Alguns nomes estavam desacreditados, como os garotos Lulinha e Dentinho. Por outro lado, a chegada de Mano Menezes para comandar a equipe deu a primeira brisa de esperança.
Posteriormente algumas peças chegaram, deixando a equipe mais forte, consistente.

A perda da Copa do Brasil foi um golpe fundo, mas nada que abatesse definitivamente um time que ia bem na missão de voltar à elite. O Corinthians foi líder de ponta a ponta, não deixando dúvidas sobre quem deveria voltar para a série A.
A torcida, por sua vez, demonstrou e provou por A + B porque é chamada de FIEL. Para o coração alvinegro não há distinção entre uma terça-feira a noite, chuvosa, ou um sábado a tarde. A animação era a mesma, a paixão também; o estímulo, a garra, a garganta e o coração trabalhavam em uníssono, empurrando 11 atletas que tinham nas costas a responsabilidade de não desapontar milhões.

Por fim, hoje, dia 25 de outubro de 2008, Felipe, Alessandro, Chicão, William, André Santos, Cristian, Elias, Morais, Douglas Herrera e Dentinho entraram para a história. Entraram para a história não apenas por ser o time titular do jogo da subida. O registro vale, principalmente, porque jogaram sério, respeitando uma divisão teoricamente inferior e disputando cada jogo como se valesse o título.

A FIEL novamente experimentou o gosto da redenção e mais uma vez descobriu porque, segundo a letra de Toquinho, “ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro“.

OBRIGADO CORINTHIANS! Estamos de volta!

Agora só falta o estádio… ah.. deixa pra lá.

Um vovô chamado FIFA 94

Desde que eu me entendo por gente, mexo em computadores. Lembro que naquela época usava o MS-DOS sem problemas. Obviamente meu pai nunca mencionou um comando chamado “format C:“, mas mesmo assim eu conseguia acessar o que me interessava. Era “dir” pra cá, “.exe” para lá.

Foi nessa época também que meu pai trouxe, em disquetes, um jogo da EA Sports chamado de FIFA 94. Um mundo novo abriu-se na tela do computador. Agora era possível jogar futebol na tela do computador.

14 anos depois eu consegui reinstalar aquele jogo que tanto marcou minha infância. Foi como viajar no tempo sem sair da frente do monitor. Para quem nunca ouviu falar do FIFA 94, essa é uma ótima oportunidade de entender como os jogos evoluíram e tornaram-se praticamente realidade.

Comecemos pela jogabilidade, que é péssima: Os bonequinhos escorregam, correm de uma forma muito esquisita e as vezes não conseguem chutar a bola. E é aí que está a graça do jogo. É difícil acostumar-se aos comandos duros e isso torna o jogo mais emocionante. O gramado nem sempre ajuda.

Quanto às partidas, essas tem características únicas na história dos jogos. Quem nunca ficou plantado na frente do goleiro, que atire a 1ª pedra. Nessa versão era possível estacionar em frente ao arqueiro, quanto este ia repor a bola. A pelota batia no atacante e sobrava limpinha para ser chutada para o fundo do gol. Era a forma mais eficiente de se marcar – principalmente quando o placar era adverso.

Outra coisa que os amantes do FIFA 94 hão de se lembrar era quando cometíamos faltas. O juiz corria para dar o cartão e surpresa! Corríamos pelo gramado, literalmente fugindo do juiz. O pobre árbitro passava sebo nas canelas e corria atrás do jogador faltoso e indisciplinado. Era possível fugir do juiz – e do cartão – durante horas, mas acabava cansando. Sempre que eu vou tomar um cartão, faço questão de dar a volta olímpica. É hilário ver o delírio do torcida, que, por incrível que pareça, é muito mais bem feita que a do FIFA 2000.

E o que falar dos astros? Janco Tianno, Rico Salamar e Ricardo Santana (o goleiro) eram os ídolos da equipe brasileira. Isso acontecia porque naquela época a EASports não tinha o direito de usar os nomes reais dos jogadores. Conseqüentemente, a criatividade dos editores era posta a prova. Como dar nome para tantos jogadores? Foi aí que surgiu certas pérolas. Aqui vai a escalação do Brasil de 94 que comprova o que eu disse:
Ricado Santana; Enrico Moeser, Luis Silva, Marco Pitzos, Julios Barretto, Tomas Gabriel; Manoel Fernando, Tito Mancuso, Peter Mueller; Janco Tianno e Rico Salamar

Quando, na história desse país, tivemos um brasileiro chamado Enrico Moeser? E olha que eu não mencionei os jogadores de outras equipes como Roberto Favaro e Joe Della-Savia, atacantes da Itália

Obviamente, alguns bugs aconteciam. Por exemplo: Quando jogo com o time EA All Stars, consigo escalar três jogadores que atuam com a camisa 8. É pra botar narradores amadores doidinhos!

Outro bug é na hora da substituição. O jogador se move para a lateral, pisa na linha e volta, entretanto, o jogador que foi não é o mesmo que voltou.Explica essa Mister M.

Ao final do jogo, todos os bonecos se alinham na lateral e ficam correndo em falso. Uma cena bizarra.

A festa do título também é algo a ser lembrada. Três jogadores aparecem num pódio improvisado e repetem a comemoração que fazem ao final vitória (o que inclui um soco no ar, um abraço no companheiro e uma vibração alá Dunga). O ambiente é completado por balões que enchem a tela. Coisa de americano.

Se você nunca jogou FIFA 94, recomendo que baixe um emulador de Mega Drive e depois a respectiva ROM. Entre para o grupo de pessoas que jogaram a primeira versão do jogo de futebol mais famoso do mundo. Se bem que hoje compete com o Winning Eleven.

Por falar nisso, qual é melhor? FIFA ou W.E.?

(lembrando que é ilegal ficar mais de 24 horas com uma ROM da qual você não possui o jogo original). Segundo dizem, é claro.

A mancha de um campeão quase irretocável

O FC Zenit Petersburg, um time russo patrocinado pela Gazprom – maior empresa gasística da Rússia e que tem como conselheiro o presidente do país Dmitriy Medvedev (torcedor assumido do Zenit) – venceu hoje a Copa da UEFA, que é uma espécie de Copa Sul Americana com muito mais importância.

A campanha foi brilhante e começou lá no longínquo ano de 2007, nos dias 16 e 30 de agosto, quando, na oportunidade, venceu o Zlatè Moravc por 2 e 3 a 0, respectivamente.
Depois, a vítima foi o Standard. Vitória em casa e empate fora.

Classificado para o grupo A, disputou vaga com Larissa, AZ, Nürember e o inglês Everton. Classificou-se em 3°, atingindo 5 pontos em 4 jogos.

Tinha chegado a hora da onça beber água… Agora veríamos quem estava preparado para seguir em frente e conquistar o 2° título inter-clubes mais importante da Europa.

Logo de cara, o Zenit enfrentou o Villareal – que já chegou a uma semifinal de UCL – e fez o mínimo para passar: vitória (1X0) em casa e derrota fora (2X1). “Gols fora de casa” é critério de desempate.
A Europa pensou estar vendo uma zebra nascer. Só não esperava que ela fosse crescer…

Nas oitavas-de-final, enfrentou o Oympique de Marselhe, tradicional equipe francesa.
Novamente foi salvo pelo critério dos gols fora de casa. A derrota fora (3X1) e a vitória (2X0) em casa garantiram os russos na impressionante fase das quartas de final. A partir daí, poderemos chamar de fase “papa alemão” da competição.

A primeira vítima foi o Leverkusen. E dessa vez não precisou ser salvo pelo critério que tanto os ajudou. Um sonoro 4 a 1 fora de casa foi o suficiente para os críticos perceberam que a zebra que nascera na Espanha, crescera e fora se reproduzir na Alemanha.
Nem a derrota por 1 a 0, em casa, esfriou os ânimos do gelado time russo.

Nas semi-finais aconteceu o ápice de toda e qualquer surpresa que o futebol poderia nos proporcionar. Quem ainda duvidava que o esporte bretão era uma caixinha de pandora, os jogos contra o todo poderoso Bayern de Munique foram banhos de água fria. ou melhor… gelada.

Tudo parecia ir bem para o time germânico de Podolski, Kahn, Zé Roberto, Luca Toni, Ribery, Lúcio e cia limitada. Até chegaram a abrir 1 a 0, no Allianz Arena.
Entretanto, a zebra russa resolveu encarnar o exército vermelho de Trótski e empatou o jogo. Assombro geral.
Isso porque ninguém esperava pelo jogo de volta. Um retumbante 4 a 0 (!!!!!) pôs mais um time russo na final da UEFA Cup. Cheguei a comentar com um amigo que seria uma vergonha se o Bayern, com o time ignorante que possuia, não ganhasse tudo o que disputasse. Quando eu iria imaginar que um time russo, sem tradição no futebol europeu, fosse escrever na história o capítulo que alguns alemães não gostaram de ler?

Daí para o título era quase uma certeza. Os 2 a 0 de hoje – contra o Power Rangers – liquidaram a fatura.

Com todo esse texto aí em cima, espero ter justificado o porquê do “campeão irretocável”. Agora, eu me sinto na obrigação em justificar a parte do “A mancha“.

Na partida contra o Olympique de Marselha, torcedores russos ofenderam 3 jogadores negros do time frânces. Esse incidente trouxe à tona um concreto e explícito racismo arraigado no âmago da parte mais radical da torcida do Zenit. Questionado sobre o assunto, o técnico fez uma declaração que surpreendeu muitos daqueles que achavam que já tinham visto tudo no futebol: ““Eu gostaria de contratar qualquer um, mas os torcedores não gostam de negros. Honestamente, não entendo por que eles prestam tanta atenção na cor da pele. No nosso time, é impossível ter um jogador negro”, admitiu Advocaat ao site Scotsman.com.

Foi isso mesmo que você leu. O técnico admite que a TORCIDA (e que fique bem claro que é torcida) não aceitaria um jogador negro na equipe. A que ponto chegamos? Agora, só porque o jogador é negro, não é recebido de braços abertos pelos tifosi?

Essa torcida tem que aprender que o talento não escolhe o jogador pela cor, condição social, idade, credo, local de nascimento. Basta ver esses diferentes jogadores: Nakamura, Kaká, Drogba, Bojan, Romário.
Nakamura é japonês. O melhor japonês que vi jogar. Kaká é branco e nasceu com uma condição social e econômica altamente favorável. Drogba é costa-marfinense e negro. Bojan é jovem. Romário já está “””aposentado”””. Sem sombra de dúvidas, eu contrataria TODOS esses jogadores para a minha equipe.

É triste ver que um campeão quase irretocável, teve um campeonato perfeito manchado por sua própria torcida. Torcida que justamente deveria apoiar a equipe incondicionalmente, não importando quem sejam os jogadores.

Um mancha, sem dúvida. Mas uma mancha sem cor. Ou com a cor da vergonha…

PS: Texto longo, eu sei. Mas necessário.

Entrefix: Mauro Beting

Gosto muito de fazer entrevistas. E a entrevista da vez é com Mauro Beting, jornalista esportivo da TV e Rádio Bandeiraintes. E de mais uns trocentos mil veículos, para falar a verdade.

Depois da curta entrevista do Juca Kfouri eu não tinha lá muitas esperanças que o Mauro fosse fazer algo muito diferente. Mas fez. Aliás… fez MUITO DIFERENTE…. Modéstia à parte, a entrevista ficou absolutamente sensacional.


A entrevista completa você lê agora. Aproveite cada palavra…

Ideia Fix: Por que você escolheu a carreira de jornalista, especializando-se em esportes já que, segundo o que dizem em CTs, você é bom de bola? Nunca pensou em tentar seguir a carreira esportiva, dentro das 4 linhas, ou mesmo “adevogar”, que é sua formação acadêmica?
Mauro:
Primeiramente, muito grato pelo espaço e atenção. Segundamente, como diria Andrés Sanchez, sou jornalista de útero. Neto, filho, sobrinho, primo, irmão, marido – só espero não ser pai –de jornalistas. Não tem jeito. E nunca levei jeito pro futebol. Sou um bom goleiro de pelada – e ainda bem que adoro catar no gol, já que trato a bola como os meus cabelos me tratam…

Advogar, não passou do trote. Foi ótimo fazer o Largo São Francisco, as velhas Arcadas, as belas acadêmicas, mas ponto. Fiz o Direito mais torto. Apenas para embasar minha escolha pelo Jornalismo, vocação e adoração. Fiz Jornalismo para ter o diploma, enganei 4 anos dando aula, e, agora, estou no Jornalismo por esporte.

Ideia Fix: Como era ser um jornalista esportivo, na época em que não havia organização no calendário, as competições não tinham data para começar e muito menos para terminar, ou ainda, mais antigamente, quando as equipes eram obrigadas a jogar no exterior para poder completar a renda mínima para se manter o clube?
Mauro:
Cara, estou tão velho que, de fato, vivenciei tudo isso… Estou no esporte há 17 anos. Tempo para sacar que tudo pode voltar se não tivermos um pingo de seriedade e respeito. O que ainda não temos. Costumo ser otimista, mas, no futebol, fora de campo, os cartolas sempre se superam.

Ideia Fix: Em oposição à pergunta anterior, como é ser jornalista esportivo nos dias atuais, no qual as informações são repassadas de forma praticamente instantânea, sem o cuidado necessário de apurá-la e torná-la confiável?
Mauro:
É o outro lado da moeda. Ou todos os lados dela. Tempo é dinheiro. Logo, dane-se o cuidado, a checagem, a pluralidade, o outro lado, a tentativa de ser isento, imparcial e objetivo. Importante não é dar primeiro a informação. É dar melhor. Ou nem dar, em alguns casos. Sem trocadilhos.

Ideia Fix: Qual a sua opinião sobre o marketing em programas esportivos?
Mauro:
Merchandising? Eu não faço. Jornalista não é mastro para empunhar bandeiras e nem marechal para fazer campanhas. Mas não é crime fazê-lo. Cada um que arque com as circunstâncias. E com seus cachês.

Ideia Fix: Qual é o trabalho de preparação que um jornalista esportivo deve fazer quando é escalado para cobrir eventos importantes como Copas do Mundo, Olimpíadas?
Mauro:
O mesmo que um atleta, um treinador, um dirigente. Estudar e trabalhar tudo. Você tem de imaginar que qualquer Suazilândia x Vanuatu é um Brasil x Argentina. Tentar ser o melhor, e jamais se sentir o melhor.

Ideia Fix: Quais serão as dificuldades que o futuro jornalista esportivo enfrentará?
Mauro:
Falta de um salário melhor. Mas de muito mais trabalho e empregos. São cada vez mais TVs, rádios, jornais, revistas, sites, portais, assessorias. Repito: sou otimista. E, pela internet, temos um CV online. Já puxei pra trabalhar muitos colegas que descobri na rede e até no Orkut.

Ideia Fix: Como é sabido por todo o público, você é palmeirense. O Juca Kfouri é corintiano e o Milton Neves, atleticano (ele diz que é santista, mas eu não acredito muito…).
Mauro:
*Risos*

Ideia Fix: Para você, é possível um jornalista esportivo declarar publicamente o amor por um clube e continuar sendo imparcial? A credibilidade junto aos torcedores de outros clubes não é afetada?
Mauro:
Jornalista futebolístico nasceu torcendo por um time e não pode morrer distorcendo por ele. O verdadeiro torcedor morre amando esse time. Se desistiu, o público tem de desistir do jornalista. Tenho o direito de ser palmeirense e o dever de não distorcer pelo meu amor. Não é difícil. Até porque não são 11 flamenguistas que jogam pelo time. Mas, também, não preciso ser porta-berro da arquibancada. Por isso costumo ser muito mais cobrado pelos palmeirenses. E, graças a Deus, não tenho grandes problemas com torcidas de outros clubes. Só este ano, por conta do jogo 5000 do Corinthians, e do centenário do Atlético Mineiro, recebi belíssimas homenagens dos clubes e das torcidas por textos que fiz enaltecendo os dois clubes.

Imparcialidade? É uma meta, um objetivo. Que independe do nosso trabalho. E é julgada, quase sempre, por quem é parcial.

Ideia Fix: Ainda há “bairrismo” entre as redações de jornais fluminenses e paulistas? A mídia dá mais preferência para clubes de São Paulo (em especial o Corinthians) em detrimento de outros estados, como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que também têm bons clubes e campeonatos?
Mauro:
Infelizmente, ainda existe. Mas bem menos que no passado. Birra que contaminava jogadores, treinadores, cartolas, gandulas… Um horror. Mas as TVs abertas continuam pisando na bola não dando pelota ao futebol de Minas, RS, e outros Estados. Para não dizer que só falam de quem dá ibope. Isto é, de Corinthians e de Flamengo. Ou ainda pior: quando só falam de Corintxá, Parmêra e os times de São Paulo, belo…

Ideia Fix: Uma experiência pouco comum na televisão é apresentar um programa junto com o pai (no seu caso, o jornalista Joelmir Betting). Como é trabalhar com um ente tão próximo, no programa da BandSports, o Betting & Betting?
Mauro:
Não resta dúvida que é  o programa mais nepotista da história!!! O legal que não é idéia nossa. É da direção do canal. Nós, claro, adoramos. Até porque, muitas vezes, é o único jeito de a gente se encontrar. Foi a primeira vez que trabalhamos juntos. E ainda tem gente que acha que o velho JB me arruma tudo… claro: trabalho na Rádio Bandeirantes, na Band, no Bandsports, no LANCE!, no LANCENET!, na revista “Trivela”, na TV Esporte Interativo, e em mais três sites só por ser filho dele…

Sei que vão continuar achando isso a minha vida toda. Mas fazer o quê? Tiro de letra. Até porque nunca serei tão bom como ele. E sei de minhas limitações.

IF: Por que você escolheu a carreira de jornalista, especializando-se em esportes já que, segundo o que dizem em CTs, você é bom de bola? Nunca pensou em tentar seguir a carreira esportiva, dentro das 4 linhas, ou mesmo “adevogar”, que é sua formação acadêmica?

Mauro: Primeiramente, muito grato pelo espaço e atenção. Segundamente, como diria Andrés Sanchez, sou jornalista de útero. Neto, filho, sobrinho, primo, irmão, marido – só espero não ser pai –de jornalistas. Não tem jeito. E nunca levei jeito pro futebol. Sou um bom goleiro de pelada – e ainda bem que adoro catar no gol, já que trato a bola como os meus cabelos me tratam…

Advogar, não passou do trote. Foi ótimo fazer o Largo São Francisco, as velhas Arcadas, as belas acadêmicas, mas ponto. Fiz o Direito mais torto. Apenas para embasar minha escolha pelo Jornalismo, vocação e adoração. Fiz Jornalismo para ter o diploma, enganei 4 anos dando aula, e, agora, estou no Jornalismo por esporte.

IF: Como era ser um jornalista esportivo, na época em que não havia organização no calendário, as competições não tinham data para começar e muito menos para terminar, ou ainda, mais antigamente, quando as equipes eram obrigadas a jogar no exterior para poder completar a renda mínima para se manter o clube?

Mauro: Cara, estou tão velho que, de fato, vivenciei tudo isso… Estou no esporte há 17 anos. Tempo para sacar que tudo pode voltar se não tivermos um pingo de seriedade e respeito. O que ainda não temos. Costumo ser otimista, mas, no futebol, fora de campo, os cartolas sempre se superam.

IF: Em oposição à pergunta anterior, como é ser jornalista esportivo nos dias atuais, no qual as informações são repassadas de forma praticamente instantânea, sem o cuidado necessário de apurá-la e torná-la confiável?

Mauro: É o outro lado da moeda. Ou todos os lados dela. Tempo é dinheiro. Logo, dane-se o cuidado, a checagem, a pluralidade, o outro lado, a tentativa de ser isento, imparcial e objetivo. Importante não é dar primeiro a informação. É dar melhor. Ou nem dar, em alguns casos. Sem trocadilhos.

IF: Qual a sua opinião sobre o marketing em programas esportivos?
Mauro: Merchandising? Eu não faço. Jornalista não é mastro para empunhar bandeiras e nem marechal para fazer campanhas. Mas não é crime fazê-lo. Cada um que arque com as circunstâncias. E com seus cachês.

IF: Qual é o trabalho de preparação que um jornalista esportivo deve fazer quando é escalado para cobrir eventos importantes como Copas do Mundo, Olimpíadas?
Mauro: O mesmo que um atleta, um treinador, um dirigente. Estudar e trabalhar tudo. Você tem de imaginar que qualquer Suazilândia x Vanuatu é um Brasil x Argentina. Tentar ser o melhor, e jamais se sentir o melhor.

IF: Quais serão as dificuldades que o futuro jornalista esportivo enfrentará?
Mauro: Falta de um salário melhor. Mas de muito mais trabalho e empregos. São cada vez mais TVs, rádios, jornais, revistas, sites, portais, assessorias. Repito: sou otimista. E, pela internet, temos um CV online. Já puxei pra trabalhar muitos colegas que descobri na rede e até no Orkut.

IF: Como é sabido por todo o público, você é palmeirense. O Juca Kfouri é corintiano e o Milton Neves, atleticano (ele diz que é santista, mas eu não acredito muito…).

Mauro: *Risos*

IF: Para você, é possível um jornalista esportivo declarar publicamente o amor por um clube e continuar sendo imparcial? A credibilidade junto aos torcedores de outros clubes não é afetada?

Mauro: Jornalista futebolístico nasceu torcendo por um time e não pode morrer distorcendo por ele. O verdadeiro torcedor morre amando esse time. Se desistiu, o público tem de desistir do jornalista. Tenho o direito de ser palmeirense e o dever de não distorcer pelo meu amor. Não é difícil. Até porque não são 11 flamenguistas que jogam pelo time. Mas, também, não preciso ser porta-berro da arquibancada. Por isso costumo ser muito mais cobrado pelos palmeirenses. E, graças a Deus, não tenho grandes problemas com torcidas de outros clubes. Só este ano, por conta do jogo 5000 do Corinthians, e do centenário do Atlético Mineiro, recebi belíssimas homenagens dos clubes e das torcidas por textos que fiz enaltecendo os dois clubes.

Imparcialidade? É uma meta, um objetivo. Que independe do nosso trabalho. E é julgada, quase sempre, por quem é parcial.

IF: Ainda há “bairrismo” entre as redações de jornais fluminenses e paulistas? A mídia dá mais preferência para clubes de São Paulo (em especial o Corinthians) em detrimento de outros estados, como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que também têm bons clubes e campeonatos?

Mauro: Infelizmente, ainda existe. Mas bem menos que no passado. Birra que contaminava jogadores, treinadores, cartolas, gandulas… Um horror. Mas as TVs abertas continuam pisando na bola não dando pelota ao futebol de Minas, RS, e outros Estados. Para não dizer que só falam de quem dá ibope. Isto é, de Corinthians e de Flamengo. Ou ainda pior: quando só falam de Corintxá, Parmêra e os times de São Paulo, belo…

IF: Uma experiência pouco comum na televisão é apresentar um programa junto com o pai (no seu caso, o jornalista Joelmir Betting). Como é trabalhar com um ente tão próximo, no programa da BandSports, o Betting & Betting?

Mauro: Não resta dúvida que é  o programa mais nepotista da história!!! O legal que não é idéia nossa. É da direção do canal. Nós, claro, adoramos. Até porque, muitas vezes, é o único jeito de a gente se encontrar. Foi a primeira vez que trabalhamos juntos. E ainda tem gente que acha que o velho JB me arruma tudo… claro: trabalho na Rádio Bandeirantes, na Band, no Bandsports, no LANCE!, no LANCENET!, na revista “Trivela”, na TV Esporte Interativo, e em mais três sites só por ser filho dele…

Sei que vão continuar achando isso a minha vida toda. Mas fazer o quê? Tiro de letra. Até porque nunca serei tão bom como ele. E sei de minhas limitações.

Vicente Amar profetizava: “Tudo perna de pau!”

A música abaixo faz parte do folclore do futebol brasileiro. Foi escrita já há algum tempo, mas mantém-se atual, de um jeito assustador…

O que mais me chama a atenção é que é possível sentir o povo falando. Sentir o clamor popular por um futebol melhor, mais bem jogado, sem tantos pernas de pau e melhor organizado. A realidade descrita nua e crua, mas com uma pitada de bom humor que Vicente Amar colocou na letra e que os Demônios da Garoa imortalizaram.
Fiz questão de manter a letra como é cantada, para dar mais veracidade.

Bônus Track: Antes da música começar, pelo menos na versão que tenho, há um pequeno diálogo que fiz questão de reproduzir…. Vamo à ele e logo depois à música em si:
Obsvervação: As falas em itálico são ditas pelo cantor da música.

“Vai sair aí da frente rapaiz?! Cê num tá vendo que tá perturbando a passagem dos outros aí? Os outros também tem diiiiireeeeeeiiiiito, né? Chega aqui devagarinho. Molhe aí a pimenta! Vamo entrá agora?”
“Olha aí pititico…. Eu tô aqui só pra fazê uma fofocas. Num vô entra não!
“Como Nããão?!”
“Tá loco? Esses caras são muito grosso de bola!
“Hoje nóis ganha?”
“Num ganha.”
Gaaaaaanha!”
Já rasguei a carteira do clube, eu não vô entrá não. A gente chega aqui, pede uma entrada de numerada e os caboclo lá de dentro do buraquinho do guichê, chega de dá “tique” pra gente. Se quisé só no gaio. Ou no gaio ou lá no morrinho. E a gente gasta todo o salário da gente em fuguetório, fica rouco, rouco, rouco e esses caras num fazem nem gol…”

Time perna-de-pau

Assim nosso time de futebor vai mal.
Nosso jogadores são tudo, são tudos perna-de-pau.
Só contratemos quem não sabe nem chutá.
Parecemos muié de malandro, só sabemo é apanhá.
Mas os curpados são os nossos diretô
Que não dão ao jogadô
Assistência, morá nem materiá
Se nóis tirá em úrtimo lugá
A culpa é do “ténico” que não sabe orientá

Bola vai, bola vem
Nosso time entra bem
Não se sarva ninguém, da derrota
Será possíve?
Como é que pode, desse jeito eu morro!
Nóis grita, grita, grita e nossos jogadô
Não fazem nenhum gol

“Aí meu cumpadi… desse jeito num dá não”

Profético, não?

Creio que esse devia ser um dos coros entoados nos estádios, em vez do popular “Burro! Burro!” ou ainda do “Ô, Ô, Ô, queremos jogadô”…

Em tempo: Achei a música no Youtube. Apesar do site estar em chinês/corano/japonês (e o caro leitor e a querida leitora vão me fazer o favor de não perguntar por que raios está em chinês/coreano/japonês) é a música original.
Quem é anti-corintiano com certeza gostará das imagens do vídeo. Isso prova mais uma vez que esse é um blog isento e imparcial e que com certeza vai encher de porrada a pessoa que editou as imagens.

O link é esse aqui: http://hk.youtube.com/watch?v=VjXjoRxJcLM

Post dedicado às torcidas que sofrem com seus pernas de pau (não é mesmo Perdigão?)

Entrefix: Juca Kfouri

Uma entrevista é um momento no qual temos a oportunidade de aprender com alguem mais sábio. Se o mundo só é o que é em função de algum dia um ser ter se perguntado por que não fazer diferente, as entrevitas são o momento de potencializar essa virtude. O Idéia Fix, ciente dessa importância, vem trazendo nomes que tem algo a dividir. A bola da vez é Juca Kfouri

Apesar de um pouco atarefado, Juca foi firme nas respostas e expôs sua opinião sobre assuntos relacionados à Copa de 2014, no Brasil

Antes das perguntas e respostas, vamos à um rápido profile de Juca Kfouri, só para corroborar a credibilidade e experiência do nosso ilustre entrevistado: O polêmico jornalista, nascido em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais pela USP. Foi diretor das revistas Placar e Playboy, comentarista de futebol no SBT, Globo, RedeTV! e “Cartão Verde” (TV Cultura) além de escrever para “O Globo”. Atualmente escreve para a Folha de São Paulo, comanda o “CBN Esporte Clube” (CBN) e o “Juca Entrevista” (ESPN) além de membro integrante do “Linha de Passe: Mesa Redonda”, da ESPN Brasil

Sem mais delongas, vamos à entrevista:

IF: Quem ganhará com a Copa de 2014: empresários ou o povo brasileiro?
Juca:
Empreiteiros, publicitários e cartolas brasileiros. O povo povo mesmo verá pela TV, como quando é na Europa…

IF: A crise política na China ameaça o brilho olímpico. Países já declararam que podem boicotar a abertura dos Jogos. Aqui no Brasil, a violência urbana e doenças como a dengue, têm peso suficiente para provocar uma reação semelhante?
Juca:
Acho que não, são problemas diferentes e, sejamos otimistas, esperamos já resolvidos daqui a sete anos…

IF:Existe muita corrupção, infelizmente. Já aconteceu de a CBF não aceitar uma proposta nossa (da Pelé Sports & Marketing) melhor do que a que acabou aceitando por causa de conchavos com outros grupos. Propostas menores acabam sendo aceitas, só para não tirar outros grupos” – Pelé, à revista Playboy, sobre a tentativa de compra dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. A “politicagem” nua e crua, presente no esporte brasileiro, coloca em risco a credibilidade dos contratos que serão firmados entre CBF e empresas?
Juca:
É claro que sim, como também a do próprio Pelé, que esqueceu tudo que já disse.

IF: O Brasil corre o risco do vermelho que dá cor ao 4 (de 2014) significar o estado das contas públicas no fim da Copa?
Juca:
Corre o risco, não! Tem a certeza do vermelho.

IF: Quais candidatas à cidades-cede serão escolhidas, ou pelo menos, tem mais chance de ser? Haverá uma preferência pelo eixo Sul/Sudeste?
Juca:
Honestamente não sei, embora me pareça possível e uma tremenda (preferência) se o nordeste não for bem contemplado.

IF: O projeto original da Copa de 2014 no Brasil prevê investimentos públicos em infra-estrutura e privados, na questão dos estádios. Este projeto te agrada ou há considerações a fazer?
Juca:
Só uma: duvido que não entre dinheiro público nos estádios na hora “H”, quando tudo começar a atrasar, a exemplo do que deu no Pan.

IF: Finalmente um pouco de futebol: Olhando para as atuais categorias de base das seleções mais tradicionais, é possível perceber alguma que se destaque? Poderá esta categoria de base desenvolver-se e tornar-se a seleção principal (ou pelo menos a base dela?)?
Juca:
Daqui a sete anos, certamente, teremos muitos jogadores que são meninos hoje.

IF: Em suma, qual a sua opinião sobre o Brasil sediar a Copa de 2014?
Juca:
O Brasil pode, mas não com essa gente que aí está.

Aragão marcou e validou: Gol de juiz!

José de Assis Aragão apitava um Santos X Palmeiras no Morumbi, pelo campeonato Paulista de 83. O Santos vencia por 2 a 1, até os (sem exagero) 47 do segundo tempo. Vencia mas era pressionado. O Palmeiras martelava a zaga santista incansavelmente.Escanteio para a equipe do Palmeiras. Pelo tempo, seria a última jogada. A bola cruza toda a extensão da grande área… cabeceada para o meio da área… bate rebate, confusão… jogadores se atirando ao chão em busca da pelota… a bola pipoca dentro da grande área, chegando muito próxima à pequena área… a zaga afasta mal e Jorginho, do Palmeiras, chuta cruzado. A bola ia para fora. IA. Um pé aparece no meio do trajeto, empurrando a bola para dentro da meta santista. O juiz corre para o meio campo e valida…

Mas HEY! Os jogadores santistas saem indignados, esbravejando para todos os lados, porque o pé que desviou a bola para o gol era DO PRÓPRIO JUIZ!

Final de Jogo: Palmeiras 2 X 2 Santos

O árbitro Aragão tenta se explicar: “Foi muito azar! Acontece uma coisas dessas logo comigo!” Porém, além de azar, o gol é válido. A regra diz que se a bola toca no juiz ou em algum dos assistentes, continua em jogo. O mesmo vale para a bandeirinha de córner.

Pois é.. o futebol tem dessas coisas…

Duvida? Veja o vídeo abaixo:

Texto originalmente postado por Frank Toogood no Domínio de Bola