Copa das Confederações: Tourada canarinho no Maracanã

Com 2 gols de Fred e 1 de Neymar, Brasil atropelou a Espanha e, sem dó, piedade ou cerimônia, venceu a Copa das Confederações 2013. 

Quem viu a final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha certamente ficou maravilhado e surpreso com o quanto o selecionado nacional jogou. Todos esperavam (inclusive eu) uma partida dura e até com os toureiros dominando, bem ao seu estilo. Não ocorreu. O varal entortou a favor do verde-amarelo, num futebol moderno, intenso e eficiente, que até agora não havia aparecido. Bela hora para aparecer, hein?

Foi a melhor partida que eu vi o Brasil jogar em muito tempo. O domínio aconteceu na bola, em uma marcação incansável e muito apertada. Foi também um domínio psicológico. Parecia que, mesmo jogando 5 horas seguidas, Julio César não seria vazado.

Tudo deu certo, até quando deu errado. Fred no chão com 1:30. Gol. Uma avenida IMENSA nas costas do Daniel Alves e uma MAIOR AINDA nas do Marcelo, chute preciso de Pedro e…. David Luís aparecendo de carrinho, em cima da linha. Pênalti bizarro cometido por Marcelo e Sérgio Ramos acertou a placa de publicidade. Uma das muitas. Foi para ficar rojo de vergonha.

Se a ideia da Copa das Confederações é ser um teste da estrutura para a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira passou em sua prova particular. Enfrentou jogos para dar moral, como o Japão, de paciência como o do México, adversários de tradição e raça como Itália e Uruguai, até o derradeiro espetáculo contra a Espanha.

É claro que o time não está pronto (as laterais continuam sendo um problema), mas a luz no fim do túnel parece maior e mais palpável. Fred é o nosso 9 goleador. Luís Gustavo foi muito bem no meio campo, assim como Paulinho (hoje anularam Iniesta e Xavi). Julio César, opção a principio antiquada, foi seguro quando acionado. Até Hulk superou a desconfiança e, mostrou que merece, ao menos, estar no grupo.

Quanto a torcida brasileira, foi o 12º jogador. O hino cantado no gogó deu aquela injeção de adrenalina fundamental no começo do jogo (crucial em mais de uma partida, eu diria). Agora, bom mesmo foram os gritos de “Shakira” na expulsão de Piqué no segundo tempo. Aqui é Joelma, porra!

Mais um troféu para a coleção e a missão de cultivar o otimismo, sem deixar a empolgação ufanista mascarar o caminho até a Copa do Mundo. Com 32 seleções, o buraco é mais embaixo. E Felipão sabe disso.

David LuizGolaço de David Luis quando o jogo ainda estava 1 a 0. Decisivo.

O Futebol como parte da sociedade

Esse texto propõe,humildemente,  uma reflexão. Aqui, não importa se você não gosta do jogo futebol.  Quando digo “jogo”, quero dizer o 11 contra 11, as táticas, os times, a bola.

Digo isso, porque assistindo ao programa ‘Bola da Vez’ da ESPN Brasil com o técnico do Vasco, Paulo Autuori ele disse algo, em linhas gerais, que eu concordo: O futebol é mais que um esporte, é um estudo social. Em que outro lugar você vê gente de classes sociais diferentes se abraçando como se fossem velhos amigos? Em um estádio você pode ver como são os costumes de um país, mesmo que em uma pequena parcela. Cantos, ritmos e comportamentos que fazem parte do nosso dia a dia.

O desânimo de uma derrota, a alegria de uma vitória, a apreensão de um momento decisivo e até a questão da  mobilidade social entre pobres e ricos pode ser estudado, através de uma partida de futebol. Isso sem falar no racismo, na violência, no descaso político e muitas outras questões sérias e pertinentes a nossa sociedade.

Futebol é mais que um jogo, é uma maneira de enxergarmos como as coisas estão em nosso mundo.

Então, por mais que você não goste dele enquanto esporte, saiba que ele já superou as barreiras de um simples apito final em 90 minutos.

A droga da opinião alheia

Paradoxalmente – e eu sempre quis começar um texto com a palavra paradoxal – vivemos em tempos com enorme liberdade e intolerância. Temos livre opção sexual, de relacionamento amoroso com pessoas de cor de pele diferente, entre pessoas idosas e jovens. Podemos vestir calças, saias, mostras os ombros (e a até a polpa da bunda em alguns casos).

Mas as opiniões… bem.. essas é melhor deixar escondidas em uma caixinha secreta, trancadas com cadeado e arames farpados. Se alguém descobrir nossas opiniões, é certeza de intolerância.

Hoje em dia não se pode declarar que é petista, por exemplo. Logo o cidadão é taxado de corrupto, bandido, petralha vendido e sei lá quantos outros adjetivos. Se a opção é pelo PSDB, é um tucano elitizado, corrompido pela privataria tucana, aliado de exterminadores…

Isso se reflete no julgamento do Mensalão. Como escrevi no Facebook tempos atrás, o que está acontecendo no STF é um JULGAMENTO, logo, se pressupõe que o réu pode ser condenado OU absolvido. Se não houver duas opções, o julgamento por si só não existe. Os Ministros, entretanto, não tem a liberdade de defender seu voto. Se condenam fulano, é herói da nação ou se corrompeu. Se absolve, fez justiça ou… se corrompeu. O resultado é mais importante que o caminho. Poucos buscam os motivos. Preferem metralhar o resultado.

Da mesma forma se é intolerante com o futebol, a coisa mais importante dentre as menos importantes. Se um time tem um impedimento não marcado, o juiz logo é taxado como “décimo terceiro jogador”. Ele não pode, sei lá, apenas ter errado? É fato que o nível técnico da arbitragem no Brasil é uma desgraça, bem abaixo do esperado. Se há manipulação de resultados, que se denuncie formalmente, oras bolas. Botar a culpa do outro é sempre mais fácil. E o coitado que defende que foi pênalti (ou não), toma na cabeça e é escrotizado pelos demais.

O caso mais recente é com a novela. Há muita intolerância quando se fala que se gosta dos folhetins. Nem todo mundo que asiste novela é limitado intelectualmente e nem todo mundo que não assiste deve ser considerado cult. Faz parte do “social”, de ter assunto entre as conversas informais. Como bem disse a amiga Aline Fassina, não assisti a nenhum capítulo, mas mesmo assim fiquei sabendo de tudo o que aconteceu, pelos comentários nas redes sociais virtuais, nos bares, na faculdade, do trabalho.

É claro que não se deseja que a novela seja a única forma de entretenimento de uma população (estão aí os livros, o teatro e os cinemas, só para dar três exemplos). Sempre defendo que o grande problema (por assim dizer) não é o produto, a a forma que se utiliza.

E não é que o mesmo vale com a opinião? É possível ser CONTRA e A FAVOR de qualquer coisa, desde que se tenha bom senso ao emitir e, principalmente, ao escutar e interpretar essa opinião.

E assim caminhamos. Na música, na moda, nas artes… Hoje, expressar a opinião é um convite para dizerem que estamos errados. Não há debate, troca de argumentos. Há dedo na fuça, ameças, violência.

Como diabos vamos pensar e construir rum futuro crítico, se somos intolerantes com algo tão inofensivo quanto uma opinião?

Ao mestre com carinho

O dom da comunicação é para poucos, seja ele expresso no jornal, no rádio, televisão ou internet. E feliz aqueles agraciados com esse maravilhoso dom.

As rádios de interior neste país revelaram e revelam grandes nomes para os grandes centros, exemplos de Fausto Silva que saiu de Campinas para ganhar o Brasil com seu Domingão ou Osmar Santos, nascido em Marilía e que revolucionou a narração esportiva.

Existem aqueles que por circustâncias do destino ficam “esquecidos”, mas sem serem menos importantes para a comunidade onde vivem.

Esse foi o caso de Osmar Dalcin. Radialista por paixão, dedicava horas intermináveis do seu Programa Osmar Dalcin (líder de audiência aqui em Itatiba) a ajudar essa cidade que ele tanto amava. Muitos bairros tiveram voz através dele e muita gente importante da cidade fazia de seu programa uma verdadeira tribuna.

Eu (Carlão/Junior/Ju) tive o prazer de trocar algumas palavras com ele e de ver sua paixão em empossar um microfone e soltar a sua voz.

Já eu, Frank, tive um momento bastante interessante. O jornal da  ETEC Rosa Perrone (tantas vezes já citado nesse blog) pediu patrocínio para a CRN para que pudéssemos imprimir a tiragem do mês. Ele não nos deu dinheiro. Nos deu algo muito mais valioso: oportunidade. A oportunidade de participar, ao vivo, do programa matutino. Foi uma experiência única, que jamais será esquecida.

A cultura e o esporte itatibense também devem muito a ele, pois, através dessas ferramentas, acreditava que podia contribuir para o bem de toda uma cidade, cidade essa muitas vezes esquecida pelo seu poder público.

Apesar de opções profissionais duvidosas que acabaram por prejudicar o seu futuro político, ele sempre foi um guerreiro, mas infelizmente a morte o venceu.

Obrigado Osmar por ser uma referência de cidadão e comunicador para mim que escolhi essa carreira e para o Frank que escolheu Itatiba para viver.

E os microfones, agora, se fecham em luto e com saudades.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Carlos Lemes Jr e Frank William Toogood

Divulgação/CRN

Osmar Dalcin (à esquerda) com Beto Dias

Osmar era bugrino fanático.

Update: O velório acontece nesse momento (noite de segunda feira, 24 de janeiro) no salão nobre da Câmara dos Vereadores, Palácio 1º de Novembro. O sepultamento será realizado terça-feira, dia 25, no Cemitério da Saudade.

South Africa 2010: Brasil x Costa do Marfim

Elfenbeinküste, Ivoorkust, Côte d’Ivoire, Ivory Coast, Costa de Marfil, Costa do Marfim. Não importa de quantas maneiras diferentes você consiga chamar os africanos de uniforme style e exageradamente apertado. Os Elefantes, nossos adversários neste domingo, empataram o primeiro jogo com Portugual e vieram crentes que poderiam arrancar ao menos um pontinho da nossa seleção. Sven-Goran Eriksson (que não tem nada a ver com aquela marca de celulares (ou tem?)) é um excelente técnico e sabia exatamente como levar a cabo essa missão nem tão impossível, dado as circunstâncias do jogo contra a Coréia do Norte

Logo nos primeiros minutos Kaká e Robinho puxaram um contra-ataque. Pena que o pequeno Robson tenha sido fominha e resolvido bater pro gol, em vez de trabalhar melhor a jogada. Prenúncio de um bom jogo? Nem tanto.

A Costa do Marfim acabou por tomar conta do meio campo. Pacientemente trocava passes, esperando o momento certo de lançar a bola para Drogba ou um dos atacantes abertos pelas pontas. A marcação, como era esperado, muito rígida, não deixava o jogo brasileiro fluir. Kaká visivelmente mal e, portanto, nada de bolas pro Luis Fabiano…

Vida de comentarista não é fácil. Quando eu tinha acabado de escrever a ultima linha, Kaká recebeu, do calcanhar de Luis Fabiano, na entrada da área e se livrou da marcação. Devolveu para nosso artilheiro. Com raiva ele encheu o pé e mandou a Jabulani pro fundo do gol dos marfinenses. BRASIL 1xo COSTA DO MARFIM, aos 25′ do primeiro tempo.

Depois do gol, o controle do meio campo mudou de lugar, pra nossa sorte. Agora era o Brasil quem distribuia as bolas, tanto pra Maicon quanto pra Michel Bastos, esse último abaixo da média. Falando em abaixo da média, com 35′ eu me perguntava se Drogba tinha mesmo entrado em campo.

O primeiro tempo terminou e a sensação é de que melhoramos em relação ao jogo contra a Coréia do Norte. Não foi exatamente uma apresentação de gala, mas devemos ter em mente que nessa Copa do Mundo os jogos tem sido duros e, como vocês sabem, resultados surpreendentes tem acontecido com certa frequência. Um a Zero tá de bom tamanho.

Mas ainda não acabou.

Logo no comecinho do segundo tempo, Luis Fabiano recebeu na entrada da área, deu um chapéu com a bola passando meio que pela orelha do adversário, trombou, conseguiu um segundo chapéu, matou meio no peito, meio no braço, trombou de novo e bateu consciente, no canto esquerdo do goleiro. Uma golaço, uma obra de arte, coisa linda…. uma mistura de habilidade e força, talento e raça… Espetacular. BRASIL 2×0 COSTA DO MARFIM.

Muita gente já estava surpresa com 2 a 0. Imagina se eu disser que fizemos o terceiro gol. Pois é…. Kaká recebeu pela esquerda, procurou o espaço na linha de fundo e cruzou pra trás. A zaga da Costa do Marfim deu uma cochilada e Elano apareceu como uma flecha amarela para marcar a tripleta brazuca. BRASIL 3×0 COSTA DO MARFIM.

Assim é o jogo do Brasil. Não SUFOCA, mas é eficaz.

Numa jogada duríssima, Elano entra de carrinho (de forma imprudente, diga-se) e o marfinense deixa o pé na canela do autor do terceiro gol. Ele sai chorando e carregado pelos massagistas, substituido em seguida por Daniel Alves. Engraçado que muitos pediam – e pedem – essa substituição, entretanto, já é o segundo gol + assistência que Elano dá. Daniel Alves sim, mas sem tirar nosso meia.

Enquanto isso, Drogba, sem ritmo de jogo, corria. E Gervinho, pra nossa sorte, esquentava o banco.

Aos 23′, lançamento para o sonolento Drogba. Juan cortou parcialmente. A bola voltou até a intermediária e foi alçada na área. Ih… olha lá quem subiu sozinho pra marcar o primeiro gol da Costa do Marfim. Ele mesmo… o sonolento mas preciso Didier Drogba. Falhou a zaga brasileira, pela segunda vez nesse mundial. BRASIL 3×1 COSTA DO MARFIM.

Um detalhe importante nessa partida foi a violência empregada pelos marfinenses. A marcação dura do primero tempo transformou-se em desleal. Michel Bastos, Kaká, Luis Fabiano e mais seriamente Elano (suspeita de fratura na perna) foram atingidos por pernadas e sopapos. O BRASIL, MUITO INGENUAMENTE, REVIDOU. O resultado foi a expulsão de Kaká, após a simulação de uma cotovelada,  aos 43′.

Copa do Mundo é Copa do Mundo, como diria o Lima Duarte.

E assim terminou a segunda partida da Seleção. Dunga sai irritado com a péssima atuação do juiz, mas satisfeito por já ter garantido a vaga nas 8as de final. Agora é vencer Portugal para enfrentar ou Suiça ou Espanha, que teoricamente disputarão as primeiras colocações do grupo H. Teoricamente, pois nada é certo nessa Copa.

Notas rápidas:

Luis Fabiano desencantou e Kaká melhorou. Pena que não vai jogar dia 25.

Elano tem se mostrado outra peça chave do esquema. Tão importante quanto Maicon.

Quem entra no lugar de Kaká, dia 25 contra Portugal? Pelo jeito a briga está entre Ramires e Julio Baptista. Aposto no último, por ser brigador.

Robinho sumiu hoje. Ainda bem. Seleção boa é aquela que tem vários que podem brilhar e não apenas um.

Que fase da França. Time ruim, técnico perdido, imprensa furiosa e até juiz fazendo bobagem…

Felipe Melo ainda não fez bobagem. Que continue assim.

Quem nasce na Costa do Marfim é marfinense, costa-marfinense ou ebúrneo. No caso dos 11 em campo, também podem ser chamados de lutadores de MMA.

Futebor da Bicharada

Vô contá uma história pru cêis. Quem mi contô foi um cumpadi meu, lá das banda do Mato Drento, o Inhô Tinoco. Ele diz que é verdade verdadeira, mai eu num credito não. Si vossuncê quisé acreditá, é por sua conta e risco. Começa assim:

Era uma veiz um lugarzinho escondido de tudo, chamado Arraiá  das Curuja. Lá é onde a bicharada ganha vida e tudo eles se parece com humano. Lá no tar de Arraiá si formaro dois cumbinado. O time do quebra-dedo, e o time do pé-rapado. A bichara si reuniu e formô seus quadro. E eu, que num sô bobo nem nada, fui é bisoiá esse jogo, muito falado nas vizinhança.

Ô cumpadi. Pro cê tê uma idéia, a bicharada pediu pro jogo ser irradiado, na estação du lugá, PRJ-Bichadu. O ispriqui -que é o cara que fala do jogo e todas jogadas – era o jumento, rapaizinho apreparadu. O jogo foi começado as quinze hora da tarde, com sor a pino. Mas vamô falá dos time: O time do quebra-dedo tinha fama de campeão.Sapo jogava no gol, béqui de espera o leão,Cavalo o béqui de avanço, o arco esquerdo preá,veado de center-arco, arco direito o gambá. A linha tava um perigo, na meia jogava o rato, no centro jogava o tigre, na otra meia o macaco, na esquerda jogava o bode, direita jogava o gato.

E o juiz? Ah…pra essa função dos diachos, o lagarto foi cunvidado. Sabe pruquê? É qui o seu Lagarto era o único qui num tinha mãe, pra mode não ser xingado. Diz que ele chegou e foi logo dizendo: “Boa tarde senhoras e senhores. Ai que bicharada gorda, barbaridade…”.

O tigre deu a saída, coelho, rápido como ele só, foi pra tirá. O tigre passô pru bode, mais quando ele foi chutá, puxaro a barba do bode, o bode foi recramá. Farta feia! Na capitar, chamam isso de antidisportivo. Juiz falô que num viu, de certo tava de zoio nas mosca que ficava dançando pra lá e pra cá, só zumbeteando. Cachorro já quis brigá. Latia latia latia, mas mordê qui é bom nadicas. Já dizia o ditado: Cão que ladra num mordi.

A cabra muié do bode, xingô o juiz de ladrão. Imagine, deixá que uma coisa daquelas, uma covardia, acontecesse com o chifre mais bunito daquelas banda? Torcida do quebra-dedo fizéro recramação. A capivara e a cotia, dois bicho sem noção, chegaro a xingá o leão, veja só.

Já a preguiça dava risada, de vê o sapo de carção. Rapaiz… num é qui tava engraçado mesmo?

Largato que era o juiz, na hora dele apitá, desatrado como ele só, tinha engulido o apito,  e sem apito num pôde o jogo pará. Quem é qui ia ouvi os grito do seu lagarto? Ninguem! I aí descambô. A torcida entrô no campo, de pau, de faca e punhá. O pau cumeu direitinho, mataro trêis no lugá. Um banho de sangue no gramado do Arraiá.

No fim da briga é qui deu pra ver os resurtado. O bode ficô ferido, di certo sem a barba. Mataro o béqui leão, cortaram tudo as tripas coitado. Rasgaro a saia da cobra, cavalo quebrô a mão.

O sapo saiu correndo, jogou-se no riberão por que na hora da briga ele ficô sem carção.

O jogo, craro, num terminô, pur isso ficô empatado. Zero pro quebra-dedo e zero pro pé-rapado. Agora nóis vai falá, do center-arco veado. Nervoso ele dizia, entre suspiros e ais:

“Ai meu Deus do céu qui jogo bruto, meu Deus, que estupidez. Assim num jogo, num jogo, num jogo mais…”

E essa foi a história que cumpadi Inhô Tinoco me contô. Eu já disse que num credito. Imagine só… sapo de carção! Pra ler a letra da música qui fizero só pra esse jogo, dá um crique aqui. É do cumpadi Rolando Boldrin.

Em defesa da mala branca

Mala Preta: Expressão boleira para definir o ato de dar dinheiro para que uma equipe faça o necessário para perder um jogo. O exemplo mais clásico é a mala preta dada pela Argentina para que a equipe do Peru, na Copa de 78, perdesse o jogo contra…. a Argentina! Resultado? Hermanos, classificados, 5X1 Peruanose brasileiros, eliminados invictos.
Mala Branca:
Expressão boleira para definir o ato de investir dinheiro para que uma equipe ganhe um jogo. Um exemplo recente foi o dos jogadors do Grêmio Barueri que afirmaram ter recebido um inentivo em reais para ganhar do Flamengo.

Após as considerações acima, começarei esse texto fazendo uma afirmação que pode não agradar aos leitores desse blog. Procurarei explicar ao longo dessas mal traçadas linhas o meu raciocínio. Não vejo problema algum em times pagarem mala branca para seus adversários. Para mim, é um recurso limpo, que não prejudica a honestidade do resultado da partida, ao contrário da mala preta.

Pensemos a nível executivo. Uma empresa – chamaremos de empresa A – depende dos resultados de outra empresa a qual chamaremos de empresa B – para obter sucesso e ter seus investimentos revertidos em lucro. Porém, a empresa B não teve um ano muito bom, alguns de seus funcionários mais importantes transferiram-se para outras empresas, alguns sofreram acidentes de trabalho e outros não tiveram o rendimento esperado. Enfim… a Empresa B vai falhar.

O diretor da Empresa A, que está com as contas em ordem, sabe dessa situação e resolve interferir, dando um incentivo para que os funcionários da Empresa B atinjam as metas traçadas. Com o objetivo atingido, todos ficam felizes, exceto o conglomerado Empresa C, que perdeu a concorrência para a Empresa A e agora chora o leite que derramou e sujou o chão limpinho que Dona Ludilene acbou de deixar nos trinques.

Entenderam o exemplo? Se a empresa B não cumpre o objetivo, o incentivo dado pela Empresa A seria completamente inútil. No fim das contas, eles só ganharam a bufunfa extra porque mereceram. Sim.. as vozes do além já gritam desesperadas na minha orelha: “Mas eles são pagos pra isso!”. Sim… eles são pagos para isso. A grana é só a materialização da torcida. Nada mais que isso.

Transportando para o mundo da bola, temos a mesmíssima situação. Os clubes interagem entre si de diversas formas: Emprestando seu centro de treinamento para equipes que vem de cidades distantes ( para enfrentar o adversário rival, claro), provocando nas entrevistas coletivas, combinando o preço dos ingressos e a respectiva divisão da renda e, no caso da mala branca, garantindo um Natal mais gordo para um goleiro, um atacante…

Agora vamos ao outro lado. Quem é contra a mala branca também argumenta. Selecionei as plavras de Vitor Birner, jornalista muito sensato (e que nunca havia sido citado nesse blog, veja só).

Não há espécie alguma de armação, entrega de jogo, manipulação de resultados…Tal qual me disse um personagem do futebol: “é como se fosse o bicho, mas pago por outro interessado”. Sou contra a “mala branca”. Contudo discordo de quem vê um crime na oferta ou aceitação dela. Acho imoral, antiético aceitá-la. O atleta não deveria pegar a grana. Não é certo correr mais em troca dela. O profissional chegou no acordo com seu patrão, acertou salário, e isso basta para que ele faça das tripas coração pelos bons resultados.

Até concordo com o Birner. O cidadão aceitou ganhar um salário X e é por X que ele tem que suar. Mas ele vai ter que entrar em campo de qualquer jeito, vai receber porrada na canela de qualquer jeito, via ouvir xingamento na orelha, dedada bem no meio do… ah, bem, vocês sabem (é.. isso ocorre naquele pagode na grande área).Se vai ser assim, ganhar um algo a mais depois só faz bem. Se a equipe perder o jogo, nada acontece.

Birner continua, dizendo que a mala branca é um doping financeiro. Discordo nesse ponto. O jogador pode até entrar em campo mais esperto, mas isso não traz nenhuma garantia ou vantagem para que o atleta seja superior aos outros. Prefiro chamar de placebo financeiro.

O texto completo sobre mala branca no futebol vocês encontram no Blog do Birner. Mais do que recomendado por esse blogueiro fã do jornalismo responsável. E de alguns irresponsável também, não é Kajuru?

A questão chave é discutir a ética envolvida nessas transações. Que os leitores não se assustem, mas, ao contrário do Birner e de muitos jornalistas e torcedores, não considero antiético receber o mimo. Antietico, talvez, seja negar que recebe. Já que é pra fazer, vamos mudar a atitude, ter mais coragem e admitir que pagamos e recebemos o incentivo, que, vale repetir, não é ilegal. Val Baiano está de parabéns. Postura corretíssima a meu ver. Mas, é claro, aqueles que defendem esconder a atitude para baixo do tapete preferem punir o jogador.

Veja o diálogo entre o referido atacante do Barueri e os repórteres maldosos e insensíveis (rá), durante entrevista. Val Baiano se enrola e se contradiz, mas passa um recado bem claro:

Val Baiano: Depois disso tudo, o jeito é não aceitar, falar que não quero. Pois se você aceita algo bom para fazer o seu trabalho, dizem que você é desonesto. Nunca vi isso! Se vier de qualquer equipe, claro que vamos aceitar.

Repórter: Afinal, Val Baiano, você aceitará ou não novas premiações?

Val Baiano: Aceitamos, sim! Não estamos recebendo nada para perder. Agora, independentemente de qualquer gratificação, vamos entrar em campo sempre para ganhar.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva , na parte que cabe à Corrupção, Concusão ou Prevaricação (?) diz o seguinte:

Art. 237. Dar ou prometer vantagem indevida a quem exerça cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou Órgão da Justiça Desportiva, para que pratique, omita ou retarde ato de ofício ou, ainda, para que o faça contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e eliminação na reincidência.

Art. 238. Receber ou solicitar, para si ou para outrem, vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou Órgão da Justiça Desportiva, para praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para faze-lo contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e eliminação na reincidência.

Para variar, a regra não é clara. Nesse caso, qual é o ato de ofício? Jogar bola? Mandar a pelota balançar o capim no fundo do gol? Se for isso, o jogador não pratica nenhum ato indevido. O jogador que recebe a mala branca também não pratica o ludopédio contra disposição expressa da norma desportiva. Muito pelo contrário.

Espero ter deixado bem clara a minha posição sobre o assunto. Debates são muito bem vindos. Prometo que responderei a todos da melhor maneira possível. Um dos meus grandes defeitos é não perceber quando estou errado, defendendo meu ponto de vista até que alguem me convença, as vezes tardiamente, que estou soltando abobrinhas pela guela.

SOU SIM A FAVOR DA MALA BRANCA. E você?