Testemunhas de Jeová: Uma doutrina polêmica

Religião é que nem orelha: Cada um tem a sua (as vezes, mais de uma). Porém, eu acho que está na hora de falar um pouco sobre as Testemunhas de Jeová e a doutrina seguida por eles.

Tudo começou quando, numa tarde de terça feira, duas mulheres tocaram a campainha aqui de casa. Ao atendê-las, fui informado que se tratavam de Testemunhas de Jeová. Até aquele momento, eu nunca tinha ouvido falar deles. Após algumas leitura da Bíblia – que ouvi paciente – recebi um livreto e a promessa que elas voltariam.

O livreto parecia um trem fantasma. Cada virada de página era um susto que eu levava.

Nele, eu aprendi que uma TJ (sigla que será usada a partir de agora para designar as Testemunhas de Jeová), não acredita na Trindade. Segundo Marcão – uma TJ que participa dos comentários logo aí abaixo – a Trindade “é uma crença egípcia, babilônica, assíria, persa entre outras. Se infiltrou na religião “cristã” através de pseudo-teólogos (especialmente os católicos) ao longo dos séculos. Não existe essa palavra na
bíblia e nem a idéia de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são 1.
Outra coisa que aprendi é que eles acreditam que Jesus voltou em 1914.

Quando eu disse que a cada virada de página eu levava um susto, eu não estava brincando. Mais pro meio do livro, as TJ’s afirmam que apenas 144 mil vão para o céu. Mas que o caro leitor e a querida leitora não se preocupem. Os que não forem escolhidos, ou seja, os que não forem “ungidos”, ficarão na Terra e após a Batalha de Armagedom (que não tem nada a ver com o filme ou com o jogo (ou tem?)), povoarão o paraíso dos salvos.

E as surpresas chegaram ao ápice quando eu li que “Transfusões violam a santidade do sangue” e que “…as pessoas que vivem segundo a vontade de Deus não aceitam transfusões de sangue, mesmo que outros insistam que isso lhe salvaria a vida”.

Parei de ler. Fui tomar uma água e voltei no mesmo trecho. Reli. Essa passagem é algo que até hoje eu não consigo entender e, pelo andar da carruagem de fogo continuarei sem entender.

Proibir a doação (e o recebimento) de sangue é algo que transgride qualquer coisa que eu possa aceitar. Graças à doação de sangue de pessoas que eu ainda não time o prazer de conhecer – e que chamo de nobres anônimos – estou vivo para escrever este blog para vocês.
Nasci com uma patologia congênita no coração. Algo difícil de explicar e que nem eu mesmo entendo. Sei que tem algo a ver com “Transposição dos Grandes Vasos”, o que significa que meu sangue não era oxigenado de forma suficiente. Se algum médio estiver lendo esse humilde blog e entender o que eu tive, favor comunicar nos comentários..

O Dr. Miguel Barbeiro (o mesmo que fez a cirurgia de coração nesse menino japonês) foi brilhante ao encontrar a solução para o meu problema. Segundo os relatos que ouvi posteriormente, o Dr. Barbeiro passou algumas horas pensando o que faria com aquele bebê, naquela mesa de cirurgia. Seja lá o que ele tenha feito, deu certo. Meu sangue deixou de ser roxo e passou a apresentar a cor vermelha tradicional.

Mas, entre os períodos de cirurgia, eu recebia sangue. DOADO. Se eu fosse uma TJ, com certeza estaria morto, tal qual essa jovem que sofria de leucemia e se recusou a receber sangue.
A explicação para tal absurdo (a proibição de doar e receber sangue de qualquer um) é que no sangue está a vida da alma e compartilha-la impediria a total devoção a Deus.
Para variar, a questão é polêmica e pode ser lida com mais detalhes, nesse artigo do Ministério CACP

Depois dessa informação eu fechei o livreto e nunca mais o abri. Para ser sincero, nem sei onde ele foi parar.

E quanto as mulheres lá do começo do texto… essas não voltaram.
Mas assim que voltarem (já que há um Salão das Testemunhas de Jeová bem próximo à minha casa), vamos ter uma tarde muito agradável debatendo essas questões polêmicas….

Quero deixar bem claro que respeito todas as religiões, apesar de não concordar, ou melhor, discordar veementemente de certos pontos. No caso das Testemunhas de Jeová, os pontos apresentados nesse texto.

Independente de crenças e doutrinas, acredito que a doação de sangue seja um ato humanitário. Partilhar algo tão pessoal para salvar vidas é um gesto que, com certeza, adiciona muitas pedrinhas no saco das boas ações. Brincadeiras a parte, os hemocentros só podem existir se houver pessoas – como os nobres anônimos – dispostas a “””gastar””” parte do precioso tempo para salvar vidas. Imagine quantas vidas foram salvas, graças à doação de sangue. Agora imagine quantas vidas NÃO foram salvas, porque estava faltando sangue, graças, também, a pensamentos como o das Testemunhas de Jeová.

Que as Testemunhas de Jeová ouçam esse blogueiro e reflitam se o que eles pregam representa realmente o que eles acreditam.
Pensem se o senso crítico delas não foi afetado e se elas não estão ludibriadas por uma doutrina apoiada em bases tão fortes quanto a dos prédio construídos pelo Sérgio Naya.

Eu duvido que uma mãe TJ recuse a doação de sangue para a própria filha ou para o próprio filho. Se isso acontecer, já posso considerar minha mudança de planeta.

Quer saber mais sobre as Testemunhas de Jeová? Segundo o leitor Marcão – “TJ desde sempre” – o site Watch Tower é o que você precisa para saber mais sobre eles. Altamente recomendado, porém em inglês… Ah… esse é o site oficial das Testemunhas de Jeová… informação direto da fonte.

Quer saber mais sobre a doação de sangue? A sociedade agradece:

Fundação Pró Sangue do Estado de São Paulo
INCA – Orientações Gerais
Informações gerais na Wikipédia