O Voto em Foco 2012

Depois de dois longos anos, que passaram muito rápido, desembarcamos em 2012, ano eleitoral. Dessa vez a coisa é intimista: as eleições municipais colocam eleitor e candidato cara a cara, deixando a questão muito mais pessoal. Principalmente em cidades pequenas, a probabilidade de conhecer o postulante ou mesmo ser parente dele é alta. Exatamente como em Itatiba.

O cenário:

O cenário era dos mais interessantes: João Fattori (PSDB) concorria a reeleição, tendo como adversários o ex-prefeito José Roberto Fumach (PSB) e o ex-presidente da Câmara e vereador David Bueno (PMDB).

Na campanha, o marketing foi o principal assunto: além dos tradicionais jingles e “santinhos”, os candidatos tiveram que ser criativos para colocar na televisão local, com absoluto ineditismo, programas partidários. Também chamou a atenção iniciativas diferentes como DVDs e caixinhas (simulando a de remédios) nas quais o panfleto simulava a bula.

A manhã do dia 7 de outubro amanheceu quente e ensolarada. Fui votar na Universidade São Francisco e no caminho para lá não havia um trecho que não estivesse emporcalhado. Grande parte disso se deveu as DUAS carreatas que passaram próximas ao meu bairro, quase ao mesmo tempo. O guarda de transito foi obrigado, inclusive, a impedir temporariamente a passagem de uma. Coisas de Itatiba.

Próximo a USF o lixo foi se acumulado. É inadmissível que eu pleno século XXI os candidatos ainda acreditem que isso resolve alguma coisa. É melhor jogar na rua do que entregar para reciclagem? E a vergonha não se limitou a esse local. Passei por pelo menos mais duas escolas e a situação era a mesma. Há relatos de pessoas que escorregaram no papel. Se chovesse, aquilo viraria uma cola sem esperanças de limpeza…

Dentro da Universidade, tranqüilidade total. Perto das 14 horas o fluxo de pessoas era grande, mas não notei uma só fila. No máximo 2 gatos pingados esperando na porta da seção. Altamente positivo.

A apuração:

Com 100% das urnas apuradas, foi reeleito o atual Prefeito João Gualberto Fattori (PSDB) com 59,30% dos votos válidos. Votação expressiva que, inclusive, superou aquilo que se esperava pelas pesquisas oficiais do IBOPE. Os indecisos deve ter migrado para o tucano.

O ex-prefeito José Roberto Fumach (PSB) mostrou que ainda tem força, embora tenha ficado com 23,61% dos votos. Mesmo em uma legenda fraca na cidade (comandada pelo sindicalista Chinelo, que não deu as caras na propaganda), provou que tem eleitores fiéis. Quem decepcionou foi Davi Bueno, que, apesar do partido forte, o PMDB, ficou com apenas 17,09% dos votos.

Chamou atenção, também, o numero de ausentes. Quase 17% dos eleitores não apareceram nas urnas e, veja só, quase superou a votação do Davi Bueno.

Brancos e nulos somaram 5,86%.

Vereadores:

A nova Câmara de Vereadores, agora com 17 representantes, ficou assim:

Dr. Thomaz (1.903 votos), Vitório Bando (1.718 votos), Flávio Monte (1.479 votos), Ronaldo (1.322 votos), Douglas Augusto (1.227 votos), Dr. Parisotto (1.104 votos), Ailton Fumachi (1.086), Washington Bortolosssi (1.084 votos), Roberto Penteado (994 votos), Cornélio da Farmácia (983 votos), Rui Fattori (971), Décio da Farmácia (810 votos), Edvaldo Hungaro (800 votos), Dr. Marco Camargo (776 votos), Sidney Ferreira (746 votos), Ademir Ricardo (686 votos), Celso Padeiro (495 votos).

Vê-se alguns novos nomes, em especial Dr. Thomaz – o mais votado – e Douglas Augusto – entre os vereadores que serão oposição, o mais votado. Os dois participam pela primeira vez de eleições municipais como candidatos. Fato altamente positivo. Os dois são bem jovens e representam a tão falada renovação na politica. Há, também, conhecidos figurões que tiveram votação abaixo do esperado. Por muito pouco não ficaram de fora.

Alguns números: 7 vereadores foram reeleitos. 2 vereadores voltaram para a Casa. 8 vereadores nunca haviam tido mandato. No placar Situação x Oposição, deu Situação: 11 a 6. Chama atenção, por fim, que nenhuma vereadora do sexo feminino foi eleita dessa vez. Lamentável.

Conclusão:

O atual Prefeito João Fattori teve, nas urnas, a real aprovação de seu governo. 6 em cada 10 eleitores confirmando que desejam mais quatro anos é, sim, um resultado expressivo. Espera-se, claro, que seu programa de governo, fartamente distribuído na cidade, seja cumprido. E que seja cobrado proporcionalmente.

Para isso, ele terá, na Câmara, boa maioria. 3 vereadores terão que pular a cerca para que essa vantagem seja revertida  o que, convenhamos, é bastante coisa, pelo menos para os primeiros anos.

O número de abstenções surpreendeu. A rádio local não conseguiu definir ou chegar num acordo da causa dessas abstenções (que normalmente é a chuva). Não creio que tenha sido a falta de documento com foto. Tenho para mim que está dividido entre a pura e legítima preguiça com a descrença nos candidatos locais.

Itatiba votou. Nosso trabalho, como cidadão, não termina aqui. Na verdade, está só começando. Independente se o seu candidato venceu ou perdeu, fiscalize aqueles que estão no poder. Cobre as propostas. É assim que se faz uma cidade melhor, um país melhor.

Recado do Carlão: Vamos cobrar quando for justo e necessário, mas também, vamos reconhecer os méritos, quando houver.

Operação Restart

7 horas da noite de um sábado. Chego ao Parque Luis Latorre para cobrir um show  da Festa do Caqui de Itatiba pelo Programa Voz e Vez. Várias crianças e adolescentes se acotovelavam de maneira cordial na grade de proteção que separava a galera do palco. Faixas, cartazes, colorido, purpurina. Se estivéssemos na década de 90, eu diria que se tratava do Xou da Xuxa. Mas não. Essa é a década de 2010. E no palco estaria a Banda Restart.

“O Frank é maluco, como assim, foi no show do Restart? Que merda” Calma, querido leitor. Você pode não gostar da banda, das músicas ou do jeito de vestir. Mas garanto que foi uma experiência sociológica fascinante. E eu vou contá-la pra você.

Para começar, um jovem, de não mais que 14 anos, trajava um colete (supostamente) oficial da banda e usava óculos de armação grossa. Vendia faixas de cabeça por módicos 15 reais. É business. Estratégia perfeita para arrecadar algum cascalho antes de começar o barulho.

Algum tempo depois, conseguimos acesso à área reservada à imprensa e, veja só a surpresa… acabei entrando no camarim para entrevistar a banda! Não! Não abandone o texto, pelamordedeus. Eu sei que você pode estar chocado, consternado, catatônico… mas não deixe de fazer a leitura até o fim… E não me odeie por isso, tá? Ainda sou (quase) normal.

Questionei sobre à falta de politização das letras em relação aos 80/90 e da baixa (pra não dizer ínfima) aceitação da crítica especializada e outros setores do rock. Foi a maneira educada de repassar os vários comentários que recebi no Facebook de amigos que, bem, não reúnem grande simpatia pelos garotos. As respostas podem ser resumidas como dane-se a crítica. Temos nosso público, que gosta de nossas letras e do jeito que fazemos. Estamos crescendo com eles e, se surgir uma boa oportunidade, podemos fazer. Se conquistarmos outros públicos, ótimo. Se não, ta ótimo também.

Ou seja… estão cagando e andando para vocês… Desistam.

E bom, não vou tirar a razão deles por completo. Quando sai do camarim, uma barulheira infernal quase estourou meus tímpanos. As fãs têm um baita de um pulmão e cordas vocais que nem a futura fonoaudióloga Tati Romeiro consegue explicar (ou consegue, vai saber).

Muitas choravam e se indignavam porque observavam a área reservada à imprensa ser invadida por alguns fãs… hã… “selecionados” por autoridades municipais e pela produção. Alguns privilegiados chegaram tarde de puderam aproveitar no gargalo, enquanto centenas se espremiam atrás da grade. Uma vergonha, mas, enfim…

Conversei com muitos jovens e pais de jovens que estavam decididamente dando suor pela banda. Relatos de alguns vindos de cidades vizinhas e até do Rio de Janeiro. Horários de chegada ao parque que soavam inacreditáveis eu também ouvi: 8 da manhã, duas da tarde…. eu cheguei as 7 da noite e já estava cansado!

Mas os gritos nunca deixaram de ser ouvidos. Em momento algum. Era o som ambiente. Quando eu achava que estavam no limite, uma luz se acendia no palco ou mesmo o gelo seco era acionado e o volume crescia a níveis indecentes. O timbre cada vez mais agudo me fez temer pela integridade das partes de vidro do iPhone.

A explosão máxima aconteceu quando previsto. A entrada da banda no palco fez sumir as lágrimas de desespero, que deram lugar às lágrimas de… desespero. Mas em tons diferentes.

E aí, caríssimos, eu vi um misto de devoção e juventude. Cada gesto, cada palavra, cada passo era motivo para tentar fazer a voz chegar aos ouvidos daqueles caras no palco. Não importava mais o tempo, quem estava ao lado ou atrás. Só importavam os 4 rapazes de Liverpoool pulando e fazendo, inclusive, o cláááááássico passo de Marty McFlyem De Voltapara o Futuro.

Confira as fotos no Facebook do Programa Voz e Vez. É impressionante. Trabalho fantástico, por sinal, da amiga Talita Silva.

Eu vi baquetas voarem e causarem tumulto. Eu vi garrafas de água serem disputadas como troféus valiosos. Eu, inclusive, toquei na manga de uma camisa que voou por cima da área de recuso da imprensa/fãs com QI e foi parar dentro das calças de outro rapaz.

Eu vi.

No final do show, minha cabeça zunia, minhas pernas doíam e refleti. Eu estava física e mentalmente destruído. Mas todas aquelas pessoas que se espremeram, berraram, choraram… essas pessoas vão fazer tudo de novo, no próximo show da Banda Restart.

E me dá licença que está na hora de arrancar a calça colorida. A minha, claro.

Bala na agulha, na barba do bode. Campainha da sorte.

Esse texto era pra ter saído dia 25 de dezembro, mas resolvi aguardar a virada de ano para colocá-lo nessas mal traçadas linhas.

O Natal é uma data mágica. Tão mágica que posso começar esse texto com “entrevistamos Papai Noel“. Explico.

Aqui em Itatiba, Luiz Ordine faz as vezes de bom velhinho desde 1959 e distribui balas pelas ruas da cidade. Naquele tempo, seu Ordine usava barba de bode - bode de verdade - óculos da avó e capa costurada pela mãe. Subia no coreto da praça e jogava caramelo, sem papel mesmo, para os transeuntes. Hoje ele visita escolas, que já garantem sua presença logo em fevereiro.

Seu Ordine já apareceu nesse blog em dois outros textos e, no mais recente, as renas que ele mesmo fabrica são o personagem principal. Sim, as renas perfeitas fazem parte de toda a decoração, dão um clima diferente ao evento…

Natal no interior tem dessas coisas. Quem diria que a pessoa que lida diariamente com a morte (e lucra com ela) fosse o responsável por simbolizar o Natal, que é vida? E, mais do que isso, ser ele o responsável pelas cenas mais marcantes dessa época: distribuição de balas?.

Fiquei abismado com a empolgação com que as pessoas reagem à passagem do carro do Papai Noel. Os frentistas do posto de gasolina (de onde mais seriam, né? Do açougue, por um acaso?) simplesmente abandonaram o posto (rá) de trabalho e correram para o meio fio, todos desesperados por recolher as balas que jaziam no chão. Imagine 4 ou 5 rapagões uniformizados andando de 4 e recolhendo balas?

E a cena se repete por onde passa o velho barbudo. Crianças, senhoras e senhores, lojistas, transeuntes em geral. É O acontecimento do Natal. Tanto é que até a apresentação do Programa Voz e Vez  - ao vivo –  meus colegas abandonaram só porque um caminhão lotado de doces passou pela rua!

Só um caminhão lotado de doces? Bem, vou ter que reformular. O caminhão estava, na verdade, lotado de sonhos, desejos, esperanças. A tradição do arremesso de balas (que de vez em quando resultam em cabeças doendo) é exatamente o que representa uma cidade do interior.

Da mesma forma, a passagem de ano conserva a tradição do Bom Princípio. No primeiro ano que tive contato com esse costume, fui acordado as 6 da manhã do dia 1° de janeiro por um bando de crianças que tocavam desesperadamente a campainha. “Tio, dá Bom Princípio? Bala! Bala!“.

Primeiro: tio é a aquela digníssima senhora que te pariu. Segundo: quem desejaria um bom princípio sendo acordado tão cedo logo no primeiro dia do ano? Baita vontade de xingar, viu…

No ano seguinte, a revanche: desligamos a campainha. WIN! As palmas não foram suficientes para me tirar do… hã… embalsamento em vinho e espumante barato. As crianças cansaram em foram investir seu tempo em outra freguesia.

No terceiro ano, a tréplica. Os putos apareceram 1 da manhã (!!), enquanto eu aguardava a transmissão de Times Square. Jura mesmo que as balas são tão importantes assim, que justifiquem deixar a criançada solta 1 da manhã, com um monte de bebum dirigindo enlouquecidamente?

Apesar da minha aparente revolta, eu gosto dessas tradições. Elas dão um charme todo especial para a época que encerra o ano. Espírito natalino de raiz a gente vê por aqui. Talvez seja um pouco disso que falta às cidades mais desenvolvidas, frenéticas.

Vamos refletir sobre nossas tradições, tentar resgatá-las? Ninguém perde com isso.

Ao contrário… todo mundo ganha.

Passaram a perna no Rei Roberto

Hoje é o aniversário político da cidade onde moro. Isso significa que há 154 anos Itatiba tornou-se independente politicamente, tendo sua própria Câmara de Vereadores e, consequentemente, suas próprias Leis. Também conhecido como emancipação política. Para comemorar a data, o Programa Voz e Vez (é, aquilo que eu chamo de programa de rádio) entrevistou o historiador e Secretário de Cultura, Esportes e Turismo da cidade, Luis Soares de Camargo.

A entrevista teve 40 minutos de material bruto e muita coisa interessante deixou de ir pro ar por falta de tempo. Mas eu sei que, pra vocês, não interessa muito saber como Itatiba foi fundada, nem a participação dos imigrantes no processo de desenvolvimento da terrinha. Por isso, aqui, vou transcrever as palavras do entrevistado sobre as duas visitas do Rei Roberto Carlos em Itatiba. Sim! O Rei esteve aqui e vocês não vão acreditar no que fizemos com ele.

Diz o Secretário:

“Na verdade, o Roberto Carlos quando veio nos anos 60 pela primeira vez em Itatiba, 67, mais ou menos aí, por esse período, ele se apresentou no Cinema (Cine Marajoara), que hoje é as Casas Bahia, ali na Praça da Bandeira. Ele ficou hospedado num hotel onde hoje é o Palecete [Damásio]

O Palacete que era Hotel

Mas é claro que as meninas sempre gritavam o nome de Roberto Carlos e queriam pegar no Roberto Carlos e tirar um pedaço da roupa dele… estava no auge do sucesso. E os rapazes de Itatiba se sentiram enciumados com isso. E o que houve foi que na escadaria do Palacete, existe até hoje, ele LEVOU UMA RASTEIRA e quase caiu. Na verdade foi isso que aconteceu. Daí que ele ficou muito bravo, dizem que ele fez uma música… uma música “Querem acabar comigo”, essa coisa toda e saiu muito chateado de Itatiba.

Alguns dizem que o caso foi até mais sério e que pessoas se engalfinharam com os guarda-costas do Roberto Carlos. Isso realmente aconteceu, que eu saiba, na escadaria do Palacete: um rapaz de Itatiba, família muito conhecida,  e que passou uma rasteira nele, e houve um início de briga e por isso ele ficou muito chateado. Mas foi por conta disso, ciúmes, porque as moças queriam se aproximar do Roberto e eles então – os rapazes de Itatiba – ficaram enciumados.

Escadaria do Palacete. Será que foi aqui?

Uma segunda vez o Roberto veio a Itatiba, mas aí ele já não estava no auge da sua carreira. E se apresentando aqui no Ginásio Municipal de Esportes [José Boava]. Porque é difícil lotar o Ginásio de Esportes… não é fácil não. Então não é que ele foi mal recebido depois, não, ao contrário. Ele não estava com sucesso suficiente para lotar o Ginásio, então as pessoas NÃO se interessaram em ir assistir o Roberto Carlos.

Vôlei no Ginásio. Bons tempos de Olimpíada Estudantil

E houve até uma questão engraçada que as pessoas responsáveis pelo show passaram de carro na Praça da Bandeira lotando peruas Kombi e tal, DE GRAÇA, para não passaram vergonha, porque não tinha quase ninguém para assistir o Roberto Carlos no Ginásio Municipal de Esportes. Foi isso que aconteceu”.

Quem diria hein? Que baita sacanagem fizemos com o Rei. Além de passar a rasteira no coitado, ainda avacalhamos com o show, entrando todo mundo de graça…

Parabéns Itatiba! #ItatibaDay! Que orgulho da minha terra!

A vez do rádio. A voz do povo.

Uma das gratas surpresas que 2011 trouxe, logo na aurora de sua existência, foi a oportunidade de apresentar um programa de rádio, ao vivo. O Programa Voz e Vez tem até página exclusiva no Facebook, que pode ser visualizada por qualquer pessoa. Visite, a propósito!

Agora, alguns meses depois, muitas coisas já foram criadas, editadas, reclamadas, aprendidas. Minha criatividade foi exigida como nunca. As noites dormindo pouco também aumentaram consideravelmente. Não reclamo, contudo. Agradeço, na verdade.

Vale, pois, contar algumas passagens que tornaram a experiência mais marcante, intensa, memorável. Até para um registro histórico, no ano X desse blog. Se é que teremos um ano X.

A única rua que liga dois bairros – o Cruzeiro e o Novo Cruzeiro – desmoronou com as chuvas. Isso em 2010. Não passava carro algum. Os moradores do Novo Cruzeiro estavam isolados e uma saída emergencial foi criada passando por dentro de uma fazenda (!). Com o atraso nas obras, partimos a campo, para ouvir os moradores e resolver a situação.

Quando decidimos subir a ladeira e banhar nossas panturrilhas com o mais puro e saboroso ácido láctico, percebo uma movimentação diferente. Era nada mais, nada menos, do que o Prefeito de Itatiba, João Fattori e sua comitiva, composta por um segurança simpático, pelo secretário de Administração, e por mais uma pessoa que eu não conheço… Sorte? Coincidência? Destino? Forças ocultas fora de controle? Sei lá… nesse momento, na verdade, não me interessa saber.

A obrigação jornalística estava lá, clara, piscante, num combo néon + fanfarra escolar. Explicamos quem éramos (e ainda somos, né?), de onde “vinhemos” e o que tínhamos comido no almoço. Aproveitamos o ensejo gastronômico e requisitamos uma saborosa entrevista exclusiva como prato principal. Pedido feito, pedido prontamente atendido. E se eu não estiver com a visão deturpada pelo acontecimento, foi até prontamente demais.

Meses depois a rua foi completamente arrumada, ficando bem melhor do que era antes. Aparentemente não vai desabar novamente.

O programa também propiciou a esse reles blogueiro situações edificantes, como a visita ao asilo São Vicente de Paulo.  Foi uma visita com tanto sentimento, que rendeu uma reflexão sobre a forma com que tratamos nossos idosos.

Tive a oportunidade de entrevistar professores, advogados, artistas. Ouvi e editei entrevistas de políticos e médicos também. Profissionais que tinham algo específico para falar, conhecimento para passar. Agora… nada é tão legal quanto ouvir o povo e suas histórias. Desde um simples problema como a falta de placa em uma rua até ter que fazer o pré natal com o clínico geral, por não encontrar um obstetra.

Enfim… Se você quiser participar comigo dessa experiência, entre no site da Rádio da Paz (http://www.radiodapazfm.com.br). O player deverá funcionar automaticamente. O programa vai ao ar todos os sábados, as 11:30 da manhã.

Entrei para a História. Estou no Street View

Sou do tipo de pessoa que se contenta com pouco. É claro que não estamos falando de objetivos de vida (já que as minhas ambições são grandes), mas sou do tipo de pessoa que sabe dar valor às pequenas coisas, muitas vezes ignoradas. Cortar cabelo em uma barbearia de antigamente, conhecer histórias do povo (como o cara que cruzou Minas Gerais em 4 meses tocando 500 cabeças de gado), comer amoras diretamente do pé (de amora, claro).

Uma dessas coisas simples é entrar para a história. Ou melhor. Ter parte da família na história em função de uma empresa particularmente famosa. Explico:

Uma vez meu avô  falou que tinha “aparecido no computador“. Bem… isso é meio vago, né? Apesar do conhecimento em informática estar “numa crescendo” na terceira idade, ainda é maioria aqueles que ficam intimidados ao sentar em frente a um monitor, um teclado… Compreensível. Uma reflexão sobre tecnologia tem que assustar qualquer um, independente da idade.

O que ele queria dizer é que uma vizinha viu a imagem dele num site que tinha um mapa e fotos da rua. Na hora eu já captei o que ele tentava explicar a abri o Street View, do Google. E era verdade! Lá estava ele andando, de bermuda e chinelo, caminhando na calçada, com as mãos nas costas. Inacreditável…

Hoje descubro que a cidade que eu adotei como minha, aquela que ganhou meu coração, a querida Itatiba está totalmente (ou quase totalmente) fotografada com o carro dinâmico do mega conglomerado internético. Aí eu, estranhamente, fiquei feliz, orgulhoso. É uma daquelas bobas satisfações que já citei. É o mesmo sentimento que faz o jornal da cidade colocar na capa da edição de Domingo que “modelo itatibense faz figuração na novela das 8“. É dividir com o mundo o NOSSO mundo particular, nosso canto, nossa gente.

E qual é a primeira coisa besta que fazemos nessa situação? Quem pensou em procurar a própria casa, pode retirar o prêmio com a @lunaomi. Você sabe que a sua casa está lá. Se quiser vê-la, é só atravessar a rua e olhar. Mas não… você precisa ter certeza que ela também está na vitrine.

Como era previsível, vi meu lar, incrivelmente nítido. O carro estava estacionado na calçada, como de costume, e minha mãe estava na garagem. Epa! Cumé? Minha mãe estava na garagem?

DOUBLE ACHIEVEMENT UNLOCKED.

Ser fotografado pelo Street View é estar no lugar certo, na hora certa e, de preferência, fazendo alguma coisa que não te comprometa futuramente. O carro passa e você precisa estar preparado. Como se isso fosse realmente possível.

O próximo passo é procurar o local de trabalho. Ver se encontra algum colega dando bobeira no portão, comentar com o porteiro… enfim… ter assunto na manhã seguinte, na hora do café.

É nessa parte que eu solto toda a sorte de palavrões e impropérios indignos de um blog como esse, voltado para a família brasileira. Vocês já sabem o que aconteceu. O título denuncia tudo.

TRIPLE ACHIEVEMENT UNLOCKED.

Pequenos prazeres da vida. Inuteis. Tolos. Mas o que seria da vida sem eles?

Uma questão de prioridade…

Hoje a minha prioridade é falar sobre… prioridades. Sabe quando você tem que escolher entre duas ou mais situações? Qual o critério que você usa? Talvez você opte pelo mais urgente, pelo mais divertido, pelo mais fácil. Quem sabe você não veja o lado da carência, da lucratividade ou mesmo das influências e conveniências? É assim que você define a prioridade, ou seja, o que vem primeiro em seu checklist.

Vamos exemplificar: Estádio do Corinthians, o Itaquerão/Fielzão. O incentivo fiscal de 420 milhões de reais nada mais é que dinheiro público sendo aplicado numa obra particular. Os objetivos são louváveis (desenvolver a Zona Leste, movimentar o turismo para a abertura da Copa, etc), mas… mas… a prioridade não deveria ser construir hospitais, melhorar o transporte, a educação, a segurança e tudo o que envolve uma cidade do porte de São Paulo? É lamentável e revoltante aplicar dinheiro público num bem que, cá entre nós, SE reverter em lucro, o será para uma instituição privada. O Corinthians tem todo o dinheiro de construir seu segundo estádio onde bem entender, mas angariando recursos na iniciativa privada, por seus próprios méritos. Dinheiro do povo? Não.

Você que não se interessa por futebol pode fazer um paralelo com detergentes: Na sua dispensa você encontra o detergente Coco, Pêssego, Neutro, Maçã… parece suficiente. Todo mundo vai fazer a mesma função, só tem um cheirinho diferente. Aí você, todo espertão, vai ao supermercado e gasta uma fortuna comprando o de… limão? Não era melhor comprar uma esponja decente e aposentar aquela coisa nojenta que você insiste em esfregar nos pratos?

Acho que vocês captaram o que eu quero dizer com PRIORIDADE.

Itatiba, minha cidade, tem um caso interessante e que sempre é motivo de discussão. Os shows…

A Prefeitura organiza festas no Parque da cidade. Elas são importantes por diversos motivos, entre eles: a) promover a cidade para angariar novas empresas que vão gerar impostos e empregos; b) Auxiliar as entidades beneficentes; c) divertir a população que não tem condições de bancar alguma coisa mais extravagante fora da cidade d) Fazer política (por que não? Está no direto, oras!)

Acontece que para “chamar” o público, a Prefeitura contrata shows de artistas de renome nacional. Até aí tudo bem. O grande problema é o valor investido apenas nisso. Na ultima festa (em julho) tivemos 3 desses artistas e o total gasto foi de R$ 265.000,00. Só o Padre Fábio de Melo embolsou R$ 147.000,00. Na Festa do Caqui, em abril, foram investidos R$ 422.000,00 para 6 dias.

A pergunta que fica é: precisa de tudo isso? O artista cobra o preço que quiser, claro, mas a Prefeitura – de qualquer cidade, na verdade – precisa pagar? O município – qualquer que seja – não tem outras prioridades? Saúde, segurança, educação, estrutura… não?

E o grande desafio permanece sem resposta: como fazer para os dirigentes – da cozinha ou da municipalidade – perceberem o que o cozinheiro E O MUNÍCIPE que paga seus impostos entendem como prioridade? Como fazer uma gestão pública cada vez mais participativa, colaborativa e transparente?

O Brasil como um todo tem solução, sem demagogia barata. Basta que a busca e a implantação das alternativas sejam, acima de tudo… prioridades.

4 anos e 719 posts depois…

Aqui estamos nós, mais uma vez, escrevendo o texto que marca o aniversário desse blog. Agora são 5 anos de existência, nesse cantinho brega da blogosfera.  A temporada 2010/2011 pode ser chamada de surpreendente, sob todos os aspectos. Não quero torrar a sua paciência como se fosse um pãozinho esquecido na chapa numa manhã sonolenta, mas acho importante registrar algumas coisas, uma vez que esse post será usado para futuras referências históricas. Ou não.

Escrevi MUITO menos do que eu gostaria, contudo, quantidade não é, necessariamente, sinônimo de qualidade. Revendo os arquivos desses últimos 12 meses, senti algumas pontadas, que não eram ataques cardíacos, mas de puro e simples orgulho. Orgulho de um trabalho bem feito, elogiado, com autenticidade. Enfim… sou eu, traduzido em letras, palavras, frases, idéias. E isso faz uma enorme diferença.

Serei franco em algumas avaliações: Minha produção ficcional melhorou substancialmente. Parecem mais encorpadas, criativas. Tem um começo, um meio e um fim. Isso é fundamental, mas algumas vezes não ficava claro. Falta agora criar novas situações, explorar outras áreas, ser mais técnico, específico.

Resolvi me aplicar em algumas resenhas. Achei que a do Agassi e a do Roberto Carlos ficaram muito simpáticas. Vem mais por aí, podem ter certeza. E sim… isso é uma ameaça. Quer dizer…. basta eu conseguir ler “catataus” interessantes. Espero, em breve, dar minha opinião sobre Crônicas de Nárnia. Não perdoei o autor… Fervilhante!

As apresentações no teatro da cidade também foram resenhadas. Ao menos algumas. Não é todo dia que se tem a oportunidade de assistir Carmem (em francês!) e Eudóxia de Barros… É o tipo de texto essencial para treinar a memória, já que não dá pra anotar nada durante o espetáculo, né?

O trabalho não ficcional foi absolutamente pertinente e pontual. Um dos pontos altos foi o extenso post eleitoral. O Voto em Foco deu trabalho, exigiu um dia inteiro de atenção, revisão e mudanças (falamos sobre eleições em Itatiba e no Brasil),  mas valeu muito. Registro histórico valioso.

Nessa temporada, graças ao Carlão, tivemos nosso primeiro editorial. Parecia até jornal de verdade!

Mas o principal mesmo foi o início das atividades deste blogueiro em uma rádio da cidade. Tenho um programa que vai ao ar todos os sábados, as 11 da manhã. Você pode ouvir acessando http://www.radiodapazfm.com.br. E vou culpar 100% as atividades na rádio como fator decisivo para a diminuição dos textos nesse espaço. Tenho direcionado minha criatividade na produção do Voz e Vez. É trabalhoso, é difícil, mas poucas coisas são tão gostosas como sair do estúdio com o dever cumprido. Alma lavada!

Update: Ah sim, eu ia quase esquecendo. Quer dizer, eu esqueci mesmo. O Carlão, nessa temporada, tornou-se “Formador de Opinião” e colunista do Jornal Bom Dia Itatiba (pois é… agora as Opinix tem abrangência municipal! hahahaha), além de produzir matéria para a ITV Brasil (popularmente conhecida como TV Itatiba). Parabéns, cara!

A melhor forma de terminar esse texto é colocando abaixo algumas charges em áudio (modéstia a parte, somos os pioneiros a implantar esse quadro em uma rádio na cidade. Aliás… o estilo do programa é algo totalmente inédito na cidade).
As charges funcionam assim: temos um tema principal e inventamos alguma situação absurda, diferente e, claro, ácida. As interpretações e edições (ou seja, a responsabilidade da bagaça) é toda nossa… Artesanal.

Divirtam-se. Ou não.

Alô mulher! E se o gineco não for de confiança? Cuméquifica?

Sempre quis brincar de call center! Mas, espere… é um call center invertido!

Esse Chefe deveria ser italiano. Mas tá mais para guarani. Para o quê? Paraguaio.

E que venha mais uma temporada. O ano 5 está apenas começando. Seja bem vindo!

Aberto o microfone da 105,9 FM!

Parecia uma tarde normal. O final do expediente ia chegando e esse blogueiro relapso já ia contando as moedinhas para pagar a passagem do trem fantasma, que alguns ainda insistem em chamar de ônibus Fênix. Mas aquela só parecia uma tarde normal. Uma ligação deixou não apenas o meu pacato e bucólico final de tarde de ponta cabeça, como o resto das semanas desse glorioso 2011.

O interlocutor do outro lado da linha era Douglas Augusto (@_DouglasAugusto), amigo de longa data e de tantas jornadas no querido Jornal Reação. O recado que ele tinha era simples e direto: “Neste sábado nós vamos apresentar um programa ao vivo, de meia hora, na Rádio da Paz. O programa vai acontecer todos os sábados. Topa?“.

A ficha demorou alguns segundos para cair – desconsiderando o fato da cotidiana utilização do cartão telefônico e, mais largamente difundida, da ligação a cobrar. Mas caiu. Eu tinha acabado de ganhar um programa de rádio!

Leitores e leitoras… vocês não tem a mínima noção da quantidade de pensamentos relâmpago que pululavam na minha mente naquele instante. Desde perguntas mais simples como “Qual o tema da estréia?” como também as mais complexas: “Ma-mas, como? Quer dizer… Er…. Eu? Rádio? Programa? Apresentar? Eéééééé…“. Um turbilhão.

Não tínhamos muito tempo. A ligação foi na quinta e o programa tinha que estrear sábado. A equipe composta por 3 pessoas – juntou-se a nós a também companheira de Reação, Talita Silva – reuniu-se para colocar a bagunça em ordem e fazer acontecer. Imagine, caro leitor, uma casa em construção. O que aconteceu é que nós recebemos um terreno cheio de mato. Durante esses dois dias nós limpamos, terraplanamos, fizemos as fundações, construímos a casa e ainda demos um churrasco de inauguração regado a suco de manga. Tivemos que partir do zero e criar tudo. TUDO.

Parece simples fazer uma vinheta. Realmente é quando você tem experiência no assunto. Nós, aventureiros, ralamos demais para deixar tudo pronto. Nome do programa, abertura, charge, roteiro, pauta, formatação, distribuição de papéis, ensaio… um trabalho heróico. Comparo essa aventura a índios curumins atirados no rio, largados  a própria sorte, para aprender a nadar.

E aprendemos. Ao contrário do que normalmente acontece com todo bom brasileiro, nada ficou para a ultima hora (quer dizer… mais do que já estava). Conseguimos cumprir tudo o que nos propomos a fazer e deixamos o programa redondinho na sexta a noite. Usamos o refrão de 3ª do plural, do Engenheiros do Havaii, para a vinheta. Já a musica tema, aquela que será a marca do programa, é Apesar de Você, de um tal de Chico Buarque.

E como não tinha mais o que adiar, entramos com os dois pés na porta. 11 horas da manhã e lá estávamos nós nos estúdios da Rádio da Paz, ansiosos e compenetrados para estrear o PROGRAMA VOZ E VEZ. O tema era o Pedágio na Rodovia Itatiba-Jundiaí. Trouxemos dois convidados que estavam imersos e inteiramente envolvidos com as manifestações, protestos e tentativa de soluções para o quiproquó.

E por mais que o dicionário conte com inúmeros vocábulos, nenhum deles, sozinhos ou interligados, conseguirão descrever o quão boa foi a sensação da estréia. O programa passou tão rápido que ficou parecendo aquele vinagrete antes do churrasco: serviu para abrir o apetite. O gostinho de quero mais ficou no paladar.

Temos portanto um encontro marcado todos os sábados, as 11 da manhã, na 105,9 FM (pelo dial do seu rádio) ou então pelo site radiodapazfm.com.br.Quero que você colabore enviando sugestões, críticas e um elogiozinho de vez enquando aqui pelo blog, pelo meu Twitter (@fwtoogood) e pelo e-mail do programa vezdoouvinte@hotmail.com. Quer participar ao vivo? Ligue pra gente! (11) 4538-1059

Esse blogueiro sortudo não abandonará esse espaço que tantas alegrias tem dado e, muito pelo contrário, vai tentar disponibiizar para download gratuito todas as edições.

Bonus Track: Quando eu pensei em criar um podcast, não imaginava um programa de rádio oficial, mas se são esses os desígnios do Altíssimo, que seja feita a vossa vontade.

Ao mestre com carinho

O dom da comunicação é para poucos, seja ele expresso no jornal, no rádio, televisão ou internet. E feliz aqueles agraciados com esse maravilhoso dom.

As rádios de interior neste país revelaram e revelam grandes nomes para os grandes centros, exemplos de Fausto Silva que saiu de Campinas para ganhar o Brasil com seu Domingão ou Osmar Santos, nascido em Marilía e que revolucionou a narração esportiva.

Existem aqueles que por circustâncias do destino ficam “esquecidos”, mas sem serem menos importantes para a comunidade onde vivem.

Esse foi o caso de Osmar Dalcin. Radialista por paixão, dedicava horas intermináveis do seu Programa Osmar Dalcin (líder de audiência aqui em Itatiba) a ajudar essa cidade que ele tanto amava. Muitos bairros tiveram voz através dele e muita gente importante da cidade fazia de seu programa uma verdadeira tribuna.

Eu (Carlão/Junior/Ju) tive o prazer de trocar algumas palavras com ele e de ver sua paixão em empossar um microfone e soltar a sua voz.

Já eu, Frank, tive um momento bastante interessante. O jornal da  ETEC Rosa Perrone (tantas vezes já citado nesse blog) pediu patrocínio para a CRN para que pudéssemos imprimir a tiragem do mês. Ele não nos deu dinheiro. Nos deu algo muito mais valioso: oportunidade. A oportunidade de participar, ao vivo, do programa matutino. Foi uma experiência única, que jamais será esquecida.

A cultura e o esporte itatibense também devem muito a ele, pois, através dessas ferramentas, acreditava que podia contribuir para o bem de toda uma cidade, cidade essa muitas vezes esquecida pelo seu poder público.

Apesar de opções profissionais duvidosas que acabaram por prejudicar o seu futuro político, ele sempre foi um guerreiro, mas infelizmente a morte o venceu.

Obrigado Osmar por ser uma referência de cidadão e comunicador para mim que escolhi essa carreira e para o Frank que escolheu Itatiba para viver.

E os microfones, agora, se fecham em luto e com saudades.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Carlos Lemes Jr e Frank William Toogood

Divulgação/CRN

Osmar Dalcin (à esquerda) com Beto Dias

Osmar era bugrino fanático.

Update: O velório acontece nesse momento (noite de segunda feira, 24 de janeiro) no salão nobre da Câmara dos Vereadores, Palácio 1º de Novembro. O sepultamento será realizado terça-feira, dia 25, no Cemitério da Saudade.

Despachos de Domingo

Isolado

Não quero transformar o começo desse texto num divã de psiquiatra, mas me sinto muito isolado trabalhando em outra cidade. A impressão que eu tenho é que eu fico blindado, protegido contra as coisas que acontecem no mundo real. É extremamente impactante chegar em casa e descobrir que a Hebe simplesmente se desligou do SBT e vai assinar com a RedeTV. Me sinto traído!

Desabou… ruiu…

Só pra lembrar: o relatório sobre o prédio comercial que veio abaixo aqui em Itatiba ainda não foi divulgado. Não ficou pronto (ou seja, atrasou) ou não querem apontar o dedo pro culpado. Por mais estranho que pareça, acho que a primeira opção é a verdadeira.

Perfeitos para o cargo

Um avião vai fazer um pouso forçado no aeroporto. Os passageiros estão em pânico e o comandante já rezou todas as orações que sua avó pacientemente ensinava aos sábados pela manhã. Mas eles não tinham com o que se preocupar. Na pista, a equipe de emergência estava a postos. OH WAIT!

It’s a Mad, Mad Mad World (1963)

Dois lados da moeda

É impressionante como o ser humano consegue chegar em dois extremos, falando na parte econômica da coisa toda. Por um lado, tem gente que vive no luxo, com ceias de Natal fartas e podendo, literalmente, usar dinheiro como combustível para lareira. Mas eu também vi seres humanos largados embaixo do Elevado Costa e Silva, perto do Largo do Arouche (alô Caco Antibes), simplesmente deixando que seu tempo aqui na Terra se esgote. Muito triste.

Falsa imagem

O próximo engraçadinho que vier me falar que funcionário público não trabalha vai levar uma dedada no olho. Estarei na Prefeitura na semana entre o Natal e o Ano Novo, trabalhando normalmente. Aproveite seu recesso por mim, ok?

Obrigado 2010?

O ano da graça de 2010 pode ser considerado como aquele em que eu mais apanhei da vida. Sabe aquela história de que para dar um passo a frente as vezes é necessário dar alguns pata trás? Então… é a mais pura verdade.

Por outro lado, vivi sensações que frase nenhuma pode descrever com a devida precisão.

Um dois mil e dez para lavar a alma.

Quem é a favor do vazamento?

O Wikileaks meio que monopolizou o noticiário tecnológico/jornalístico nas ultimas semanas. Não preciso repetir toda a história, por isso vou resumir: a organização vazou documentos secretos que colocam no foco da mídia os mais polêmicos assuntos e os mais influentes políticos.

Eu me pergunto até que ponto isso é “liberdade de imprensa“. Sinceramente, divulgar certas informações ajudam a entender como o mundo funciona. Muito válido mostrar o helicóptero Apache em fogo amigo ou que Hugo Chávez teria facilitado a fuga de três membros do ETA.

Só acho pouco relevante, para não dizer indelicado, revelar que as palavras de Hillary Clinton sobre Cristina Kirchner “Sob quais circunstâncias ela consegue melhor lidar com estresses? Como as emoções de Cristina Fernández de Kirchner afetam suas decisões, e como ela se acalma quando fica nervosa? Como o estresse afeta o comportamento dela com assessores e/ou suas decisões? O que Cristina Fernández de Kirchner ou seus assessores/cuidadores fazem para ajudá-la a lidar com o estresse? Ela está tomando alguma medicação?

Se você é a favor de TODO vazamento, libere suas Direct Messages no Twitter. Dê seu diário confidencial para sua mãe/pai ler. Vá lá e fale na cara do seu chefe o que você pensa dele. Mostre que você também sabe vazar coisas!

Pode, Cast. Pode.

Ouço alguns Podcasts da CBN. Na verdade, são boletins transmitidos durante a programação, mas que eu acabo escutando em sequência, graças aos sistema de podcasts. Uma breve análise de três deles, caso você se interesse.

Mauro Halfeld: Economista pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Responde e-mais com dúvidas sobre os melhores investimentos. Ultimamente tem falado bastante sobre imóveis e fundos de renda fixa. Utilíssimo para quem tem muita grana ou está indo a passos largos à bancarrota. Ouça, mas não deixe de aproveitar seu final de semana.

Max Gehringer: Você pode conhecê-los dos quadros do Fantástico, mas já ouço Mr. Gehringer ha muito tempo. Acho que não há outro lugar no qual você encontrará dicas mais valiosas sobre o Mundo Coorporativo. Mesmo sendo um assunto extenso, consegue abordar os mais variados temas, com uma pitada de humor sempre que possível.

Bonus Track: José Simão: Podcast da BandNews FM. O colunista da Folha é mais chato que o @hbariani, mas mesmo assim  forma uma boa dupla com Ricardo Boechat. As séries “O brasileiro é cordial“, “Os Predestinados” e “Os conformados” são impagáveis.

E é Gervásio para Presidente do Brasil! Conto com todos.

Despachos de Sábado

Depois de um período hibernando, voltei com mais uma edição dos Despachos de Sábado. E tenho certeza que escolhi uma boa semana, já que assunto, definitivamente, não vai faltar. Tem o tal do Segredo do Gerson, a chegada do Natal e alguns pitacos, como de costume, sobre Itatiba. Vamos começar?

Festa de Papel

No espaço de 1 semana os dois jornais da cidade comemoraram seus aniversário. O Bom Dia Itatiba completou 1 ano de denúncias, colunas importantes e uma certa simpatia exagerada pelo ex-prefeito (ele ou a esposa precisam aparecer em 70% das fotos da coluna social?). No outro corner o Jornal de Itatiba completou 37 anos de informação, omissão e um quase monopólio.

Os dois jornais prestam um serviço bastante satisfatório. Definitivamente não é fácil achar assunto para imprimir um jornal diário numa cidade que recentemente ultrapassou 100 mil habitantes. Felizmente, os dois jornais adotam a mesma linha editorial: não apoiam partidos políticos, apenas cuidam de seus próprios interesses.

Ou você, itatibense, nunca se perguntou porque NENHUM assalto ou acidente com ônibus da TCI é noticiado? E para não ser injusto, até hoje o Bom Dia não informou que a construtora responsável pela obra ao lado do prédio que desabou a quase um mês é de propriedade do irmão do ex-prefeito, que, curiosamente, é acionista do jornal.

Falando em desabamento…

Faz quase 1 mês que  um prédio no coração da cidade veio abaixo. A Defesa Civil alardeou que o laudo sobre as causas e responsabilidades sobre o acidente seria divulgado, justamente, em 30 dias. Pelas minhas contas isso deve acontecer na semana que vem. Será que alguém vai lembrar de cobrar?

PS: Não sei vocês, mas eu aposto que vão culpar todo mundo, MENOS a Construtora Nova Forma, que fazia uma obra ao lado.

Muito peido pra pouca bosta

Parei de acompanhar novelas desde a gloriosa época de Kubanacan. Obviamente vejo um capítulo ou outro porque os episódio são montados para isso mesmo: você passa meses sem acompanhar o folhetim, mas em poucos blocos fica sabendo tudo o que aconteceu. Entretanto, acabei acompanhando, de longe, os assassinatos em Passione, bem como o tal do segredo do Gerson.

Quanto ao primeiro assunto, creio fortemente que se Silvio de Abreu for leitor de romances policiais, vai, com certeza, revelar uma assassina. Tudo o que tem acontecido (envenenamento e facadas) apontam justamente que a morte usa saias.

Já o segredo foi revelado (foi revelado?) nessa semana. Era algo tão banal, tão babaca, que revoltou até Rita Lee. Gerson gosta de séquisso sujo. Seria ele o Cascão da vida real? O pinto no lixo? Como diria José Simão, ele gosta é de pum de véia.

Da próxima vez que alguém for fazer um mistério, faça direito. Expectativa demais gera frustração demais. Né mesmo, NASA?

O podcast vem aí…

Estou com um roteiro de podcast prontinho para ser gravado. Não é uma ameaça. Mas é que, ouvindo podcasts alheios, cheguei a conclusão de que, na verdade, o que eu tenho em mãos está mais para um…. audiopost. Não tem problema. Será gravado, de forma experimental, mesmo assim.

Quem não ficar surdo nesse meio tempo, ouvirá.

Quero ver você não chorar, não olhar pra trás…

A chegada do Natal sempre causa uma reação de espanto. Já? Pois é… as ruas estão ficando enfeitadas, as casas já estão piscando loucamente, árvores gigantes e absolutamente inúteis estão sendo erigidas nas principais cidades do país. Mulheres se descabelam com a ceia de Natal, os homens já começam a comparar o preço da cerveja e as crianças tomam fôlego para buzinar TODAS as propagandas de brinquedos maneiros no ouvido dos felizardos papais…

Natal é tempo de usar também o cérebro. Na verdade, melhor usar o tico e o teco:

Acidentes

Nessa semana eu bati a cabeça na porta do armário, acertei o dedinho na quina da mesa, cortei meu dedo com papel. Pretendo terminar 2010 com todos os membros do meu corpo intactos, mas quem disse que desafios tem que ser fáceis?

Já Mário Monicelli não termnou 2010 inteiro. Achou melhor não morrer de câncer. É… virar panqueca pulando da janela do hopsital é bem mais digno. Ao estilo Brancaleone.

Ei, Costelinha!

Infelizmente não é um Despacho sobre feijoada. É uma dica de vídeo @vitorpenteado. Lembra do Doug? Aquele mesmo que morava em Bluffington, tinha um amigo azul, um inimigo verde e era apaixonado por uma menina com sobrenome Maionese. Fizeram uma homenagem e criaram o trailer de um suposto filme com personagens de carne e osso.

A maquiagem pode não ser digna de Oscar. Os atores podem não ser exatamente sósias do desenho. Contudo, eu gostei. Ficou, no mínimo, excêntrico. Eu pagaria ingresso pra ver a película completa:

Justas Injustiças?

A Câmara dos Vereadores de Itatiba aprovou um projeto chamado REFIS. Em linhas gerais ele permite que o cidadão endividado tenha alguns… incentivos para ficar com o nome limpo junto aos setores competentes da municipalidade. Esses incentivos vão de abatimentos parciais ou totais nos juros e multas até uma remissão total dos débitos. Isso mesmo, você não leu errado: seu IPTU pode sair na faixa.

Por um lado é uma atitude inteligente. Muita gente aproveita o combo juros zero + 13º salário para botar a casa em ordem. Quem ganha são os cofres da Prefeitura que recebem um dinheiro que, se cobrado na literalidade da Lei, poderiam nunca chegar. É melhor arrecadar um pouco menos desses devedores do que não arrecadar necas de pitibiriba. Fora que há economiza nas despesas referentes a cobrança judicial. Fica tudo entre “amigos”. Considere ainda que o governo tem que se enquadrar na Lei de Responsabilidade Fiscal e não pode fazer renúncia indevida de receitas. O REFIS é um modo de avisar o Tribunal de Contas: “Ó…. a gente aqui está dando desconto, mas é pra não renunciar indevidamente todos esses impostos, tá Tio do Tribunal?

Por outro lado é uma baita injustiça com quem paga o IPTU/ISS regularmente. Quer dizer…. eu pago tudo em dia e não tenho desconto. O “forgado” que enrolou o ano todo e usou o dinheiro para comprar futilidades vem agora todo pimpão e paga tudo sem juros? Ou pior… nem paga! Suponhamos que você receba todo dia 20, mas o IPTU vence todo dia 10. Os juros e multas que você paga durante o ano, se somados, podem atingir o valor de uma ou mais parcelas. Você acaba pagando 13, 14 meses em vez de 12. Para quem não tem um holerite generoso, faz muita diferença.

Esse é um dos muitos exemplos de justas injustiças. Os dois lados são perfeitamente compreensíveis. Fica até difícil defender radicalmente o lado “a” ou o lado “b” (acho que retrocedi na época do vinil, mas vocês vão fingir que não perceberam, ok?). Vejamos outro exempl: Metrô

O Metrô, excluindo o horário de pico, é o meio de transporte mais eficaz para  levar o cidadão a todos os lugares importantes. Vou usar a cidade de São Paulo porque lá estão as linhas que eu conheço melhor.

“Minha mãe mandou eu escolher esse daqui…”

Para ir da estação Saúde até a estação Santa Cruz, na qual há um shopping integrado (primeiro mundo, hein?), eu gasto R$ 2,65. Os vagões não demoram nem 10 minutos para fazer o trajeto. São duas trocas de estação: Saúde > Praça da Árvore e Praça da Árvore > Santa Cruz. É possível percorrer essa distância a pé? Sim, é possível. Mas é cansativo. MUITO cansativo. Em especial a subidona da Praça da Árvore. Tem que estar disposto a fazer jus a tão falada Geração Saúde, sem trocadilhos com a estação.

Por outro lado, o cidadão que vai da Vila Madalena até Itaquera – por qualquer motivo que não nos interessa no momento -  tem que utilizar a Linha Verde. Após 7 estações, fazer baldeação na estação Paraíso (ou Ana Rosa), percorre 4 estações na linha Azul, seguindo até a Sé onde fará nova baldeação, para daí sim seguir por mais 11 estações na Linha Vermelha até chegar em seu destino. Não tenho noção de quanto tempo leva, mas tenho certeza que rápido não é. A pé é absolutamente inviável, a menos que você esteja treinando para a São Silvestre. Sabe quanto a pessoa gastará se utilizar o Metrô? Os mesmos R$ 2,65 que eu.

O cara que faz o primeiro trajeto descrito quase não utiliza os recursos do Metrô. Dependendo da idade da criatura, nem banco precisa ocupar. É justo que ele pague o mesmo preço que o cara que fez um verdadeiro labirinto, passando por 3 linhas diferentes?

Entretanto, como fixar um preço por metro percorrido, de modo que o usuário que precise atravessar a cidade  não pague um absurdo que comprometa e corroa seu orçamento e, por outro lado, o usuário que utilize pouco pague uma miséria que saia mais caro cobrar do que deixá-lo andar de graça?

Confesso minha ignorância. Não sei responder.

Talvez seja por isso que essas justas injustiças continuem acontecendo, porque não há, precisamente, uma solução para elas. O mecanismo, nesses casos, é a escolha. Os governantes escolhem o que melhor cunvinher (sic). Se querem tomar uma atitude populista, privilegiando os menos abastados, recorrem ao REFIS. Caso queriam ser mais conservadores, nem levantam a lebre da remissão de impostos. Simples assim. No caso do Metrô a coisa é mais difícil. Um sistema inteiro deveria ser mudado. Haveria gritos, choro e ranger de dentes, para um ganho ínfimo.

Justas injustiças. Convivamos com elas.

Um embate histórico. Nunca na história dessa comunidade uma votação para Entrevista atingiu um resultado dessa magnitude. Quando as escolhas foram contabilizadas, chegou-se a um resultado de triplo empate Gustavo, Gigi Marzullo e Sernagiotto – 7 votos
Gui – 3
Guidoai – 3
Marco – 3
Maicon – 0

Após novo turno, o resultado continuou apertado, entretanto um vencedor declarado. O nome dele é Gigi Marzullo

Gigi Marzullo – 4 votos
Sernagiotto – 3 votos
Gustavo – 3 votos

Preparem as pautas e calibrem os canhões. Gigi estará, em breve, em nossa mira.

Eudóxia

Mais uma noite histórica reuniu a nata da sociedade itatibense e esse aspirante a escriba de talento no Teatro Ralino Zambotto. No palco, um piano de cauda Fritz Dobbert prenunciava o que veríamos. Recital. Apesar de parecer tão difícil quanto o pote de ouro no fim do arco-íris, é muito mais simples. Principalmente quando o espetáculo é comandado por Eudóxia de Barros, uma das mais prodigiosas pianistas do Brasil.

Eudóxia entrou no palco com um vestido longo e verde. Noite de gala. Explicou um pouco sobre a primeira valsa e seu respectivo compositor – Debussy em La plus que lente (mais que lenta) -  e disparou a primeira da noite: “Vou pedir para desligar completamente o ar condicionado. Já é a segunda vez que eu peço. É muito ruim começar com as mãos frias. E desliga o microfone também“. Pôxa pessoal da técnica… custava desligar o ar na primeira vez? Olha a vergonha!

E assim foi caminhando o concerto. Faurè e Chopin completaram a primeira parte. E aí a coisa degringolou um pouco.

Eudóxia tem um jeitinho todo didático de lidar com o público. Ela falava sobre a técnica, compasso, dissonância das notas e outras coisas que 80% da platéia (inclusive eu), não entendeu. Ela até se enrolou um pouco em determinada parte, quando disse que o compasso 6 por 8 era tocado em 4 tempos, mas que havia acentos entre o 1º e o 3º tempo, onde pulava-se o segundo e o quarto. Ou algo assim. Ela ainda tentou um “deixa eu explicar melhor” que quase me fez dar risada. Alto. Explicar melhor? Puxa! Agora sim vai dar pra entender…

Acho que a platéia normal de Eudóxia é formada por gente que tem o piano na veia. Ou, pelo menos, que entende como funciona na teoria. É como você participar de uma aula de sueco avançado. Vai ficar boiando na conversa, sem que isso te impeça de rir quando todo mundo der risada. Ela não soube adaptar seu brilho para uma platéia leiga. Tínhamos o Sol, mas só conseguimos enxergar parte dos raios que dela emanavam.

Mas não pense erudito leitor que o show de Eudóxia não foi bom. Ao contrário, foi lindo de ver. A mão da pianista deslizava suavemente pelo piano, flutuava entre as teclas graves e agudas, acertando cada uma delas com precisão. O teatro pulsava nas tocatas, estudos, valsas e tangos. Mesmo sem entender, todo mundo sentia a música invadir a circulação, a respiração e outras funções vitais. Era relaxante. Era estimulante. Tudo ao mesmo tempo.

O ponto alto foi o bis programado (já que ninguém pediu, mas agradecemos por ter vindo) e que acabou resumindo o que eu disse nesse texto: a fantástica “Grande Fantasia Triunphal sobre o Hino Nacional Brasileiro” de Gottschalk, me fez arregalar os olhos diante do milagre da multiplicação dos dedos. Cada mão de Eudóxia parecia ter 10 exemplares constituídos de 3 falanges. A velocidade levou minha coordenação motora à nocout. Foi frenético. Delicioso. Encantou. Entretanto, não foi o suficiente para que se percebesse a genialidade da mulher. Veja:

Seres humanos tem duas mãos: a direta e a esquerda. Tá, ok, isso é óbvio. No piano, a mão esquerda toca a base (ou seja, uma repetição de notas que ficam ao fundo) e a direita toca o solo (aquela parte mais alta e que geralmente é a mais lembrada). Eudóxia intercalava as mãos e muitas vezes tocava a base com a direita e o solo com a esquerda, nas notas mais graves. Observe você mesmo aos (4:47 – 4:49). Isso é muito difícil  de fazer porque vai na contra-mão do comum. Não é todo mundo que consegue inverter base-solo sem perder o ritmo ou errar a nota.

Será que alguém percebeu?

Pra completar, o programa do Recital anunciou uma música de Camargo Guarnieri chamada “Dansa Brasileira“. Pois é meu caro… o programa do recital escreveu dança assim mesmo, com “S”.

E sabe da melhor? Eles ACERTARAM. Nesse caso, realmente é Dansa. São os mistérios do mundo erudito, de onde estivemos tão próximos e absorvemos tão pouco.

Um concerto técnico, experiente e variado. Um público um pouco perdido e que não encontrou o apoio necessário. Um choque de dois mundos. Assim foi Eudóxia de Barros em Itatiba.

A propósito: Durou apenas 1 hora e 45 minutos. Gostaria de vê-la tocar outras músicas, principalmente de Chiquinha Gonzaga, da qual é reconhecidamente especialista.

O Voto em Foco

Mais uma vez as eleições no Brasil podem ser consideradas um sucesso. Podemos ficar revoltados com a vitória desse ou daquele candidato, devemos nos orgulhar do processo como um todo. Muitos podem discordar da obrigatoriedade do voto. Eu particularmente apoio. Acho que se o voto fosse facultativo a compra de votos (ou mesmo o voto irresponsável) seria maior, já que ninguém teria nada a perder. Principalmente nos lugares mais afastados.

Mas voltando ao assunto, devemos nos orgulhar porque temos Eleições com credibilidade e o resultado é respeitado. Os candidatos assumem a derrota e congratulam seus opositores vencedores. Não é todo país que pode dizer que isso acontece em todo pleito, independente do cargo. Sem sacanagem, a Festa da Democracia tem seus penetras, mas em geral oferece bolos e refrigerantes em quantidade muito satisfatória. Se é que vocês me entendem.

Corrida ao Planalto

Torci por um segundo turno e ele vai acontecer. Com toda a sinceridade que me caracteriza, para mim era indiferente quem lá estaria: Dilma, Marina ou Serra. Acredito com convicção que o processo eleitoral no Brasil só pode ser completo com um segundo turno. Mais tempo, mais confrontos diretos, mais debate. Se a decisão popular for Dilma Rousseff, vou apoiá-la, não importando se ela ganhou por causa do Presidente Lula ou dos votos vindo do Nordeste e Bolsa Família.

Serra foi confuso durante toda a campanha, mas foi extremamente feliz na parte oeste do país (rima involuntária, sorry). O medo que muitos tem do PT e seus correligionário, bem como o fato de ser sua segunda corrida presidencial e já ter sido eleito Prefeito de São Paulo e Governador do Estado (além de Ministro e Senador) contribuíram para que o barco não afundasse. Superou, inclusive, a escolha de um péssimo vice-presidente. Se ele for a escolha, também terá meu apoio.

Marina foi a surpresa das Eleições. Nasceu no Acre, mas comeu quieta como uma mineira. Os votos que conseguiu a mais do que se esperava consolidou o segundo turno. De quebra ainda foi a mais votada no Distrito Federal. Em seu estado de origem ficou em terceiro. Vai entender, né?

Institutos de Pesquisa

Os institutos de pesquisa começaram o pleito dando vitória de José Serra, quando ainda todos eram pré-candidatos. Aos poucos Dilma foi galgando porcentagem em cima de porcentagem e empatou. Meses depois, estava disparadamente na frente.

Estoura um escândalo aqui, outro ali e pimba. Queda na intenção de voto. Ainda sim todos apostavam em dia de sol com possibilidade de chuva, isto é, 50% dos votos, com margem de erro variando 2 pontos para mais ou para menos. Não dava para saber se teríamos ou não nova rodada de votações.

Pro Senado em São Paulo, todos apontavam Marta e Netinho, nessa ordem. Com a desistência de Quércia e o calvário de Tuma no hospital, Young e Aloysio puderam vislumbrar a luz no fim do túnel.

E quando chega o 03 de outubro, capote geral do IBOPE, Vox Populi e Data Folha. Dilma fica abaixo da margem de erro o tempo todo e Aloysio Nunes, que lutava para manter o terceiro lugar, acaba em primeiro.

Hora de rever os métodos e a abrangência da pesquisa?

O voto em Itatiba

Através da tag #VotaItatiba fiz a melhor cobertura das eleições na cidade, pelo Twitter. Ok, confesso que não vi outra para fazer uma comparação – nem o ITV Jornal, que teoricamente teria essa responsabilidade, se arriscou.  Procurem pela tag e veja tudo o que foi dito. Deu orgulho da minha cobertura modesta e imparcial.

Fui votar pouco depois do almoço e primeiro visitei a Universidade São Francisco, que acredito que seja o maior colégio eleitoral da cidade. Tudo muito organizado. Apesar da intensa movimentação, não vi filas. No máximo 3 ou 4 pessoas, pra não dizer que não tinha espera. Tristemente a novela dos panfletos teve mais um capítulo. Todas as ruas perto dos locais de votação imundas. Na USF, então, nem se fala.

Já no Colégio Objetivo, que deve ser o segundo maior colégio eleitoral, situação inversa. Tinha, sim, lixo, mas em quantidade menor. Entretanto as filas eram extremamente incoerentes para uma cidade como Itatiba. Fiquei 15 minutos na fila da 165. Fora o calor, já que o corredor era estreito e abafado.

Os candidatos da cidadeDep. Estadual (100% dos dados apurados)

David Bueno é presidente da Câmara dos Vereadores da cidade. Sua missão era – além de ser eleito – superar a votação de Marina Bredariol nas eleições de 2006. Na época a candidata do PPS obteve 19.925. O candidato do PSB obteve 18.532 votos. Chegou perto, mas não o suficiente. Nas eleições seguintes Marina foi candidata a prefeita e quase levou. Será esse o destino de Bueno?

Célia Leão, apesar de ser mais ligada à Campinas, teve apoio do Prefeito João Fattori e contou com 93.318. Foi eleita e fica aqui o apelo para que ela não esqueça da terrinha. E que o Prefeito também tenha moral para cobrá-la com relação as verbas destinadas à Princesa da Colina.

Dra. Adriana é esposa do Prefeito de Valinhos e também prometeu trabalhar pela cidade. 26.853 eleitores depositaram sua confiança nela. Não foi o suficiente para ser eleita, nem com o famoso quociente partidário. A candidata do PMDB foi apoiada pelo ex-Prefeito José Roberto Fumach e, ao que tudo indica, começa nesse ano a caminhada no mundo eleitoral. Olho nela.

Adilson Rossi nasceu em Itatiba e foi candidato pelo PHS. Eu sinceramente não lembro de ver propaganda dele, mas não é a primeira vez que se candidata. Dessa vez conseguiu consideráveis 64.646 votos, o que nos dá esperança de ter um Deputado não apenas nascido aqui, mas também comprometido com a cidade, que é o mais importante.

Eliel Soares e Eduardo Bettin conseguiram 239 e  1.125 votos, respectivamente.

Os candidatos da cidade – Dep. Federal ( 100% dos dados apurados )

José Avelino Pereira é metalúrgico sindicalista e atende pela alcunha de Chinelo. Apesar do apelido bizarro e do slogan meio violento (é Chinelo na cabeça), faz questão de dizer que é da cidade. Não nasceu aqui, mas tem casa. Se esse é o critério, está valendo. Em 2006 obteve 21.927. Em 2010 conseguiu angariar 20.284. Quase lá.

Chico Santa Rita é o oposto de Chinelo: jornalista e marqueteiro político. Grande aposta do Bom Dia Itatiba, obteve a contagem de 9.873 votos. Abaixo do que o esperado? Talvez. O Jornal dizia que ele tinha “grandes chances” de ser eleito. Acho que o instituto de pesquisa do referido jornal também falhou. E feio.

Rodrigo Garcia é outro candidato que fez muita propaganda em Itatiba. Não o vi por aqui e não ouvi sua voz durante todo o período eleitoral, mas foi eleito com 226.073 votos. Mais um que espero, de todo o coração, que olhe para cá nos próximos 4 anos e traga verbas. Encher a cidade de palcas, carros de som, cartazes e santinhos é fácil e pode ter funcionado. Quero ver trabalhar por nós.

Carlos Sampaio foi o candidato do Fattori para Câmara dos Deputados. Também foi eleito com a expressiva soma de 145.585, o que significa que, em tese, temos a quem recorrer lá. Novamente fica o apelo para que o Prefeito o tenha apoiado por um bom motivo, ou seja, o tenha apoiado porque ele já acertou verbas pra cá. Não podemos engolir promessas eleitoreiras…

Sandro Vieira obteve a impressionante quantidade auferida de ZERO VOTOS. Viva! Será que nem ele e a família tiveram coragem de digitar seus números na urna ou a candidatura foi impugnada? A conferir….

Sandro Vieira obteve, na verdade, 167 votos. Sua candidatura, no estanto, está indeferida, mas ainda aguarda o julgamento do recurso. Creio que não vai fazer muita diferença, mas ao menos não ficou zerado, como antes eu imaginava

Os Eleitos da Região

Governador – Geraldo Alckimin
Senadores: Aloysio Nunes e Marta Suplicy
Deputados Federais – Carlos Sampaio, Jonas Donizete, Guilherme Campos
Deputados Estaduais – Célia Leão, Adilson Rossi, Davi Zaia

Essa parte do post será atualizada após as 19 horas, quando tudo estiver decidido e perfeitamente consolidados. Os dados acima citados também serão corrigidos quando 100% das urnas forem apuradas.