O Voto em Foco 2012

Depois de dois longos anos, que passaram muito rápido, desembarcamos em 2012, ano eleitoral. Dessa vez a coisa é intimista: as eleições municipais colocam eleitor e candidato cara a cara, deixando a questão muito mais pessoal. Principalmente em cidades pequenas, a probabilidade de conhecer o postulante ou mesmo ser parente dele é alta. Exatamente como em Itatiba.

O cenário:

O cenário era dos mais interessantes: João Fattori (PSDB) concorria a reeleição, tendo como adversários o ex-prefeito José Roberto Fumach (PSB) e o ex-presidente da Câmara e vereador David Bueno (PMDB).

Na campanha, o marketing foi o principal assunto: além dos tradicionais jingles e “santinhos”, os candidatos tiveram que ser criativos para colocar na televisão local, com absoluto ineditismo, programas partidários. Também chamou a atenção iniciativas diferentes como DVDs e caixinhas (simulando a de remédios) nas quais o panfleto simulava a bula.

A manhã do dia 7 de outubro amanheceu quente e ensolarada. Fui votar na Universidade São Francisco e no caminho para lá não havia um trecho que não estivesse emporcalhado. Grande parte disso se deveu as DUAS carreatas que passaram próximas ao meu bairro, quase ao mesmo tempo. O guarda de transito foi obrigado, inclusive, a impedir temporariamente a passagem de uma. Coisas de Itatiba.

Próximo a USF o lixo foi se acumulado. É inadmissível que eu pleno século XXI os candidatos ainda acreditem que isso resolve alguma coisa. É melhor jogar na rua do que entregar para reciclagem? E a vergonha não se limitou a esse local. Passei por pelo menos mais duas escolas e a situação era a mesma. Há relatos de pessoas que escorregaram no papel. Se chovesse, aquilo viraria uma cola sem esperanças de limpeza…

Dentro da Universidade, tranqüilidade total. Perto das 14 horas o fluxo de pessoas era grande, mas não notei uma só fila. No máximo 2 gatos pingados esperando na porta da seção. Altamente positivo.

A apuração:

Com 100% das urnas apuradas, foi reeleito o atual Prefeito João Gualberto Fattori (PSDB) com 59,30% dos votos válidos. Votação expressiva que, inclusive, superou aquilo que se esperava pelas pesquisas oficiais do IBOPE. Os indecisos deve ter migrado para o tucano.

O ex-prefeito José Roberto Fumach (PSB) mostrou que ainda tem força, embora tenha ficado com 23,61% dos votos. Mesmo em uma legenda fraca na cidade (comandada pelo sindicalista Chinelo, que não deu as caras na propaganda), provou que tem eleitores fiéis. Quem decepcionou foi Davi Bueno, que, apesar do partido forte, o PMDB, ficou com apenas 17,09% dos votos.

Chamou atenção, também, o numero de ausentes. Quase 17% dos eleitores não apareceram nas urnas e, veja só, quase superou a votação do Davi Bueno.

Brancos e nulos somaram 5,86%.

Vereadores:

A nova Câmara de Vereadores, agora com 17 representantes, ficou assim:

Dr. Thomaz (1.903 votos), Vitório Bando (1.718 votos), Flávio Monte (1.479 votos), Ronaldo (1.322 votos), Douglas Augusto (1.227 votos), Dr. Parisotto (1.104 votos), Ailton Fumachi (1.086), Washington Bortolosssi (1.084 votos), Roberto Penteado (994 votos), Cornélio da Farmácia (983 votos), Rui Fattori (971), Décio da Farmácia (810 votos), Edvaldo Hungaro (800 votos), Dr. Marco Camargo (776 votos), Sidney Ferreira (746 votos), Ademir Ricardo (686 votos), Celso Padeiro (495 votos).

Vê-se alguns novos nomes, em especial Dr. Thomaz – o mais votado – e Douglas Augusto – entre os vereadores que serão oposição, o mais votado. Os dois participam pela primeira vez de eleições municipais como candidatos. Fato altamente positivo. Os dois são bem jovens e representam a tão falada renovação na politica. Há, também, conhecidos figurões que tiveram votação abaixo do esperado. Por muito pouco não ficaram de fora.

Alguns números: 7 vereadores foram reeleitos. 2 vereadores voltaram para a Casa. 8 vereadores nunca haviam tido mandato. No placar Situação x Oposição, deu Situação: 11 a 6. Chama atenção, por fim, que nenhuma vereadora do sexo feminino foi eleita dessa vez. Lamentável.

Conclusão:

O atual Prefeito João Fattori teve, nas urnas, a real aprovação de seu governo. 6 em cada 10 eleitores confirmando que desejam mais quatro anos é, sim, um resultado expressivo. Espera-se, claro, que seu programa de governo, fartamente distribuído na cidade, seja cumprido. E que seja cobrado proporcionalmente.

Para isso, ele terá, na Câmara, boa maioria. 3 vereadores terão que pular a cerca para que essa vantagem seja revertida  o que, convenhamos, é bastante coisa, pelo menos para os primeiros anos.

O número de abstenções surpreendeu. A rádio local não conseguiu definir ou chegar num acordo da causa dessas abstenções (que normalmente é a chuva). Não creio que tenha sido a falta de documento com foto. Tenho para mim que está dividido entre a pura e legítima preguiça com a descrença nos candidatos locais.

Itatiba votou. Nosso trabalho, como cidadão, não termina aqui. Na verdade, está só começando. Independente se o seu candidato venceu ou perdeu, fiscalize aqueles que estão no poder. Cobre as propostas. É assim que se faz uma cidade melhor, um país melhor.

Recado do Carlão: Vamos cobrar quando for justo e necessário, mas também, vamos reconhecer os méritos, quando houver.

Operação Restart

7 horas da noite de um sábado. Chego ao Parque Luis Latorre para cobrir um show  da Festa do Caqui de Itatiba pelo Programa Voz e Vez. Várias crianças e adolescentes se acotovelavam de maneira cordial na grade de proteção que separava a galera do palco. Faixas, cartazes, colorido, purpurina. Se estivéssemos na década de 90, eu diria que se tratava do Xou da Xuxa. Mas não. Essa é a década de 2010. E no palco estaria a Banda Restart.

“O Frank é maluco, como assim, foi no show do Restart? Que merda” Calma, querido leitor. Você pode não gostar da banda, das músicas ou do jeito de vestir. Mas garanto que foi uma experiência sociológica fascinante. E eu vou contá-la pra você.

Para começar, um jovem, de não mais que 14 anos, trajava um colete (supostamente) oficial da banda e usava óculos de armação grossa. Vendia faixas de cabeça por módicos 15 reais. É business. Estratégia perfeita para arrecadar algum cascalho antes de começar o barulho.

Algum tempo depois, conseguimos acesso à área reservada à imprensa e, veja só a surpresa… acabei entrando no camarim para entrevistar a banda! Não! Não abandone o texto, pelamordedeus. Eu sei que você pode estar chocado, consternado, catatônico… mas não deixe de fazer a leitura até o fim… E não me odeie por isso, tá? Ainda sou (quase) normal.

Questionei sobre à falta de politização das letras em relação aos 80/90 e da baixa (pra não dizer ínfima) aceitação da crítica especializada e outros setores do rock. Foi a maneira educada de repassar os vários comentários que recebi no Facebook de amigos que, bem, não reúnem grande simpatia pelos garotos. As respostas podem ser resumidas como dane-se a crítica. Temos nosso público, que gosta de nossas letras e do jeito que fazemos. Estamos crescendo com eles e, se surgir uma boa oportunidade, podemos fazer. Se conquistarmos outros públicos, ótimo. Se não, ta ótimo também.

Ou seja… estão cagando e andando para vocês… Desistam.

E bom, não vou tirar a razão deles por completo. Quando sai do camarim, uma barulheira infernal quase estourou meus tímpanos. As fãs têm um baita de um pulmão e cordas vocais que nem a futura fonoaudióloga Tati Romeiro consegue explicar (ou consegue, vai saber).

Muitas choravam e se indignavam porque observavam a área reservada à imprensa ser invadida por alguns fãs… hã… “selecionados” por autoridades municipais e pela produção. Alguns privilegiados chegaram tarde de puderam aproveitar no gargalo, enquanto centenas se espremiam atrás da grade. Uma vergonha, mas, enfim…

Conversei com muitos jovens e pais de jovens que estavam decididamente dando suor pela banda. Relatos de alguns vindos de cidades vizinhas e até do Rio de Janeiro. Horários de chegada ao parque que soavam inacreditáveis eu também ouvi: 8 da manhã, duas da tarde…. eu cheguei as 7 da noite e já estava cansado!

Mas os gritos nunca deixaram de ser ouvidos. Em momento algum. Era o som ambiente. Quando eu achava que estavam no limite, uma luz se acendia no palco ou mesmo o gelo seco era acionado e o volume crescia a níveis indecentes. O timbre cada vez mais agudo me fez temer pela integridade das partes de vidro do iPhone.

A explosão máxima aconteceu quando previsto. A entrada da banda no palco fez sumir as lágrimas de desespero, que deram lugar às lágrimas de… desespero. Mas em tons diferentes.

E aí, caríssimos, eu vi um misto de devoção e juventude. Cada gesto, cada palavra, cada passo era motivo para tentar fazer a voz chegar aos ouvidos daqueles caras no palco. Não importava mais o tempo, quem estava ao lado ou atrás. Só importavam os 4 rapazes de Liverpoool pulando e fazendo, inclusive, o cláááááássico passo de Marty McFlyem De Voltapara o Futuro.

Confira as fotos no Facebook do Programa Voz e Vez. É impressionante. Trabalho fantástico, por sinal, da amiga Talita Silva.

Eu vi baquetas voarem e causarem tumulto. Eu vi garrafas de água serem disputadas como troféus valiosos. Eu, inclusive, toquei na manga de uma camisa que voou por cima da área de recuso da imprensa/fãs com QI e foi parar dentro das calças de outro rapaz.

Eu vi.

No final do show, minha cabeça zunia, minhas pernas doíam e refleti. Eu estava física e mentalmente destruído. Mas todas aquelas pessoas que se espremeram, berraram, choraram… essas pessoas vão fazer tudo de novo, no próximo show da Banda Restart.

E me dá licença que está na hora de arrancar a calça colorida. A minha, claro.

Bala na agulha, na barba do bode. Campainha da sorte.

Esse texto era pra ter saído dia 25 de dezembro, mas resolvi aguardar a virada de ano para colocá-lo nessas mal traçadas linhas.

O Natal é uma data mágica. Tão mágica que posso começar esse texto com “entrevistamos Papai Noel“. Explico.

Aqui em Itatiba, Luiz Ordine faz as vezes de bom velhinho desde 1959 e distribui balas pelas ruas da cidade. Naquele tempo, seu Ordine usava barba de bode – bode de verdade – óculos da avó e capa costurada pela mãe. Subia no coreto da praça e jogava caramelo, sem papel mesmo, para os transeuntes. Hoje ele visita escolas, que já garantem sua presença logo em fevereiro.

Seu Ordine já apareceu nesse blog em dois outros textos e, no mais recente, as renas que ele mesmo fabrica são o personagem principal. Sim, as renas perfeitas fazem parte de toda a decoração, dão um clima diferente ao evento…

Natal no interior tem dessas coisas. Quem diria que a pessoa que lida diariamente com a morte (e lucra com ela) fosse o responsável por simbolizar o Natal, que é vida? E, mais do que isso, ser ele o responsável pelas cenas mais marcantes dessa época: distribuição de balas?.

Fiquei abismado com a empolgação com que as pessoas reagem à passagem do carro do Papai Noel. Os frentistas do posto de gasolina (de onde mais seriam, né? Do açougue, por um acaso?) simplesmente abandonaram o posto (rá) de trabalho e correram para o meio fio, todos desesperados por recolher as balas que jaziam no chão. Imagine 4 ou 5 rapagões uniformizados andando de 4 e recolhendo balas?

E a cena se repete por onde passa o velho barbudo. Crianças, senhoras e senhores, lojistas, transeuntes em geral. É O acontecimento do Natal. Tanto é que até a apresentação do Programa Voz e Vez  – ao vivo –  meus colegas abandonaram só porque um caminhão lotado de doces passou pela rua!

Só um caminhão lotado de doces? Bem, vou ter que reformular. O caminhão estava, na verdade, lotado de sonhos, desejos, esperanças. A tradição do arremesso de balas (que de vez em quando resultam em cabeças doendo) é exatamente o que representa uma cidade do interior.

Da mesma forma, a passagem de ano conserva a tradição do Bom Princípio. No primeiro ano que tive contato com esse costume, fui acordado as 6 da manhã do dia 1° de janeiro por um bando de crianças que tocavam desesperadamente a campainha. “Tio, dá Bom Princípio? Bala! Bala!“.

Primeiro: tio é a aquela digníssima senhora que te pariu. Segundo: quem desejaria um bom princípio sendo acordado tão cedo logo no primeiro dia do ano? Baita vontade de xingar, viu…

No ano seguinte, a revanche: desligamos a campainha. WIN! As palmas não foram suficientes para me tirar do… hã… embalsamento em vinho e espumante barato. As crianças cansaram em foram investir seu tempo em outra freguesia.

No terceiro ano, a tréplica. Os putos apareceram 1 da manhã (!!), enquanto eu aguardava a transmissão de Times Square. Jura mesmo que as balas são tão importantes assim, que justifiquem deixar a criançada solta 1 da manhã, com um monte de bebum dirigindo enlouquecidamente?

Apesar da minha aparente revolta, eu gosto dessas tradições. Elas dão um charme todo especial para a época que encerra o ano. Espírito natalino de raiz a gente vê por aqui. Talvez seja um pouco disso que falta às cidades mais desenvolvidas, frenéticas.

Vamos refletir sobre nossas tradições, tentar resgatá-las? Ninguém perde com isso.

Ao contrário… todo mundo ganha.

Passaram a perna no Rei Roberto

Hoje é o aniversário político da cidade onde moro. Isso significa que há 154 anos Itatiba tornou-se independente politicamente, tendo sua própria Câmara de Vereadores e, consequentemente, suas próprias Leis. Também conhecido como emancipação política. Para comemorar a data, o Programa Voz e Vez (é, aquilo que eu chamo de programa de rádio) entrevistou o historiador e Secretário de Cultura, Esportes e Turismo da cidade, Luis Soares de Camargo.

A entrevista teve 40 minutos de material bruto e muita coisa interessante deixou de ir pro ar por falta de tempo. Mas eu sei que, pra vocês, não interessa muito saber como Itatiba foi fundada, nem a participação dos imigrantes no processo de desenvolvimento da terrinha. Por isso, aqui, vou transcrever as palavras do entrevistado sobre as duas visitas do Rei Roberto Carlos em Itatiba. Sim! O Rei esteve aqui e vocês não vão acreditar no que fizemos com ele.

Diz o Secretário:

“Na verdade, o Roberto Carlos quando veio nos anos 60 pela primeira vez em Itatiba, 67, mais ou menos aí, por esse período, ele se apresentou no Cinema (Cine Marajoara), que hoje é as Casas Bahia, ali na Praça da Bandeira. Ele ficou hospedado num hotel onde hoje é o Palecete [Damásio]

O Palacete que era Hotel

Mas é claro que as meninas sempre gritavam o nome de Roberto Carlos e queriam pegar no Roberto Carlos e tirar um pedaço da roupa dele… estava no auge do sucesso. E os rapazes de Itatiba se sentiram enciumados com isso. E o que houve foi que na escadaria do Palacete, existe até hoje, ele LEVOU UMA RASTEIRA e quase caiu. Na verdade foi isso que aconteceu. Daí que ele ficou muito bravo, dizem que ele fez uma música… uma música “Querem acabar comigo”, essa coisa toda e saiu muito chateado de Itatiba.

Alguns dizem que o caso foi até mais sério e que pessoas se engalfinharam com os guarda-costas do Roberto Carlos. Isso realmente aconteceu, que eu saiba, na escadaria do Palacete: um rapaz de Itatiba, família muito conhecida,  e que passou uma rasteira nele, e houve um início de briga e por isso ele ficou muito chateado. Mas foi por conta disso, ciúmes, porque as moças queriam se aproximar do Roberto e eles então – os rapazes de Itatiba – ficaram enciumados.

Escadaria do Palacete. Será que foi aqui?

Uma segunda vez o Roberto veio a Itatiba, mas aí ele já não estava no auge da sua carreira. E se apresentando aqui no Ginásio Municipal de Esportes [José Boava]. Porque é difícil lotar o Ginásio de Esportes… não é fácil não. Então não é que ele foi mal recebido depois, não, ao contrário. Ele não estava com sucesso suficiente para lotar o Ginásio, então as pessoas NÃO se interessaram em ir assistir o Roberto Carlos.

Vôlei no Ginásio. Bons tempos de Olimpíada Estudantil

E houve até uma questão engraçada que as pessoas responsáveis pelo show passaram de carro na Praça da Bandeira lotando peruas Kombi e tal, DE GRAÇA, para não passaram vergonha, porque não tinha quase ninguém para assistir o Roberto Carlos no Ginásio Municipal de Esportes. Foi isso que aconteceu”.

Quem diria hein? Que baita sacanagem fizemos com o Rei. Além de passar a rasteira no coitado, ainda avacalhamos com o show, entrando todo mundo de graça…

Parabéns Itatiba! #ItatibaDay! Que orgulho da minha terra!

A vez do rádio. A voz do povo.

Uma das gratas surpresas que 2011 trouxe, logo na aurora de sua existência, foi a oportunidade de apresentar um programa de rádio, ao vivo. O Programa Voz e Vez tem até página exclusiva no Facebook, que pode ser visualizada por qualquer pessoa. Visite, a propósito!

Agora, alguns meses depois, muitas coisas já foram criadas, editadas, reclamadas, aprendidas. Minha criatividade foi exigida como nunca. As noites dormindo pouco também aumentaram consideravelmente. Não reclamo, contudo. Agradeço, na verdade.

Vale, pois, contar algumas passagens que tornaram a experiência mais marcante, intensa, memorável. Até para um registro histórico, no ano X desse blog. Se é que teremos um ano X.

A única rua que liga dois bairros – o Cruzeiro e o Novo Cruzeiro – desmoronou com as chuvas. Isso em 2010. Não passava carro algum. Os moradores do Novo Cruzeiro estavam isolados e uma saída emergencial foi criada passando por dentro de uma fazenda (!). Com o atraso nas obras, partimos a campo, para ouvir os moradores e resolver a situação.

Quando decidimos subir a ladeira e banhar nossas panturrilhas com o mais puro e saboroso ácido láctico, percebo uma movimentação diferente. Era nada mais, nada menos, do que o Prefeito de Itatiba, João Fattori e sua comitiva, composta por um segurança simpático, pelo secretário de Administração, e por mais uma pessoa que eu não conheço… Sorte? Coincidência? Destino? Forças ocultas fora de controle? Sei lá… nesse momento, na verdade, não me interessa saber.

A obrigação jornalística estava lá, clara, piscante, num combo néon + fanfarra escolar. Explicamos quem éramos (e ainda somos, né?), de onde “vinhemos” e o que tínhamos comido no almoço. Aproveitamos o ensejo gastronômico e requisitamos uma saborosa entrevista exclusiva como prato principal. Pedido feito, pedido prontamente atendido. E se eu não estiver com a visão deturpada pelo acontecimento, foi até prontamente demais.

Meses depois a rua foi completamente arrumada, ficando bem melhor do que era antes. Aparentemente não vai desabar novamente.

O programa também propiciou a esse reles blogueiro situações edificantes, como a visita ao asilo São Vicente de Paulo.  Foi uma visita com tanto sentimento, que rendeu uma reflexão sobre a forma com que tratamos nossos idosos.

Tive a oportunidade de entrevistar professores, advogados, artistas. Ouvi e editei entrevistas de políticos e médicos também. Profissionais que tinham algo específico para falar, conhecimento para passar. Agora… nada é tão legal quanto ouvir o povo e suas histórias. Desde um simples problema como a falta de placa em uma rua até ter que fazer o pré natal com o clínico geral, por não encontrar um obstetra.

Enfim… Se você quiser participar comigo dessa experiência, entre no site da Rádio da Paz (http://www.radiodapazfm.com.br). O player deverá funcionar automaticamente. O programa vai ao ar todos os sábados, as 11:30 da manhã.

Entrei para a História. Estou no Street View

Sou do tipo de pessoa que se contenta com pouco. É claro que não estamos falando de objetivos de vida (já que as minhas ambições são grandes), mas sou do tipo de pessoa que sabe dar valor às pequenas coisas, muitas vezes ignoradas. Cortar cabelo em uma barbearia de antigamente, conhecer histórias do povo (como o cara que cruzou Minas Gerais em 4 meses tocando 500 cabeças de gado), comer amoras diretamente do pé (de amora, claro).

Uma dessas coisas simples é entrar para a história. Ou melhor. Ter parte da família na história em função de uma empresa particularmente famosa. Explico:

Uma vez meu avô  falou que tinha “aparecido no computador“. Bem… isso é meio vago, né? Apesar do conhecimento em informática estar “numa crescendo” na terceira idade, ainda é maioria aqueles que ficam intimidados ao sentar em frente a um monitor, um teclado… Compreensível. Uma reflexão sobre tecnologia tem que assustar qualquer um, independente da idade.

O que ele queria dizer é que uma vizinha viu a imagem dele num site que tinha um mapa e fotos da rua. Na hora eu já captei o que ele tentava explicar a abri o Street View, do Google. E era verdade! Lá estava ele andando, de bermuda e chinelo, caminhando na calçada, com as mãos nas costas. Inacreditável…

Hoje descubro que a cidade que eu adotei como minha, aquela que ganhou meu coração, a querida Itatiba está totalmente (ou quase totalmente) fotografada com o carro dinâmico do mega conglomerado internético. Aí eu, estranhamente, fiquei feliz, orgulhoso. É uma daquelas bobas satisfações que já citei. É o mesmo sentimento que faz o jornal da cidade colocar na capa da edição de Domingo que “modelo itatibense faz figuração na novela das 8“. É dividir com o mundo o NOSSO mundo particular, nosso canto, nossa gente.

E qual é a primeira coisa besta que fazemos nessa situação? Quem pensou em procurar a própria casa, pode retirar o prêmio com a @lunaomi. Você sabe que a sua casa está lá. Se quiser vê-la, é só atravessar a rua e olhar. Mas não… você precisa ter certeza que ela também está na vitrine.

Como era previsível, vi meu lar, incrivelmente nítido. O carro estava estacionado na calçada, como de costume, e minha mãe estava na garagem. Epa! Cumé? Minha mãe estava na garagem?

DOUBLE ACHIEVEMENT UNLOCKED.

Ser fotografado pelo Street View é estar no lugar certo, na hora certa e, de preferência, fazendo alguma coisa que não te comprometa futuramente. O carro passa e você precisa estar preparado. Como se isso fosse realmente possível.

O próximo passo é procurar o local de trabalho. Ver se encontra algum colega dando bobeira no portão, comentar com o porteiro… enfim… ter assunto na manhã seguinte, na hora do café.

É nessa parte que eu solto toda a sorte de palavrões e impropérios indignos de um blog como esse, voltado para a família brasileira. Vocês já sabem o que aconteceu. O título denuncia tudo.

TRIPLE ACHIEVEMENT UNLOCKED.

Pequenos prazeres da vida. Inuteis. Tolos. Mas o que seria da vida sem eles?

Uma questão de prioridade…

Hoje a minha prioridade é falar sobre… prioridades. Sabe quando você tem que escolher entre duas ou mais situações? Qual o critério que você usa? Talvez você opte pelo mais urgente, pelo mais divertido, pelo mais fácil. Quem sabe você não veja o lado da carência, da lucratividade ou mesmo das influências e conveniências? É assim que você define a prioridade, ou seja, o que vem primeiro em seu checklist.

Vamos exemplificar: Estádio do Corinthians, o Itaquerão/Fielzão. O incentivo fiscal de 420 milhões de reais nada mais é que dinheiro público sendo aplicado numa obra particular. Os objetivos são louváveis (desenvolver a Zona Leste, movimentar o turismo para a abertura da Copa, etc), mas… mas… a prioridade não deveria ser construir hospitais, melhorar o transporte, a educação, a segurança e tudo o que envolve uma cidade do porte de São Paulo? É lamentável e revoltante aplicar dinheiro público num bem que, cá entre nós, SE reverter em lucro, o será para uma instituição privada. O Corinthians tem todo o dinheiro de construir seu segundo estádio onde bem entender, mas angariando recursos na iniciativa privada, por seus próprios méritos. Dinheiro do povo? Não.

Você que não se interessa por futebol pode fazer um paralelo com detergentes: Na sua dispensa você encontra o detergente Coco, Pêssego, Neutro, Maçã… parece suficiente. Todo mundo vai fazer a mesma função, só tem um cheirinho diferente. Aí você, todo espertão, vai ao supermercado e gasta uma fortuna comprando o de… limão? Não era melhor comprar uma esponja decente e aposentar aquela coisa nojenta que você insiste em esfregar nos pratos?

Acho que vocês captaram o que eu quero dizer com PRIORIDADE.

Itatiba, minha cidade, tem um caso interessante e que sempre é motivo de discussão. Os shows…

A Prefeitura organiza festas no Parque da cidade. Elas são importantes por diversos motivos, entre eles: a) promover a cidade para angariar novas empresas que vão gerar impostos e empregos; b) Auxiliar as entidades beneficentes; c) divertir a população que não tem condições de bancar alguma coisa mais extravagante fora da cidade d) Fazer política (por que não? Está no direto, oras!)

Acontece que para “chamar” o público, a Prefeitura contrata shows de artistas de renome nacional. Até aí tudo bem. O grande problema é o valor investido apenas nisso. Na ultima festa (em julho) tivemos 3 desses artistas e o total gasto foi de R$ 265.000,00. Só o Padre Fábio de Melo embolsou R$ 147.000,00. Na Festa do Caqui, em abril, foram investidos R$ 422.000,00 para 6 dias.

A pergunta que fica é: precisa de tudo isso? O artista cobra o preço que quiser, claro, mas a Prefeitura – de qualquer cidade, na verdade – precisa pagar? O município – qualquer que seja – não tem outras prioridades? Saúde, segurança, educação, estrutura… não?

E o grande desafio permanece sem resposta: como fazer para os dirigentes – da cozinha ou da municipalidade – perceberem o que o cozinheiro E O MUNÍCIPE que paga seus impostos entendem como prioridade? Como fazer uma gestão pública cada vez mais participativa, colaborativa e transparente?

O Brasil como um todo tem solução, sem demagogia barata. Basta que a busca e a implantação das alternativas sejam, acima de tudo… prioridades.