O velho humor nunca morre. Salve José Vasconcellos!

A vida de um jornalista as vezes depende única e exclusivamente da sorte. É estar no lugar certo, na hora certa e com uma câmera na mão. Foi o que aconteceu comigo nessa sexta-feira, dia 14 de agosto de 2009.

Após assistir um filme no cinema local, meus amigos e eu resolvemos comer algo na super galeria que os itatibenses insistem em chamar de shopping, por algum motivo ainda não explicado. A média de idade que lá estava se equiparava à do auditório da Inezita Barroso. Por um momento pensei que estava acontecendo alguma espécie de bingo – beneficente, claro. O evento era mais espetacular que isso. Diria excêntrico. Aquilo era a festa de lançamento do livro-biografia de um cantor popular da cidade, chamado Alan Duarte. Alan é uma espécie de Ovelha cover, mas é cult entre a high society.

Entre padres, empresários, mulheres em seus melhores vestidos e cabelos cobertos do mais puro laquê, estava um senhor bem vestido. Sentado, calmo e sorrindo, José Vasconcellos. Infelizmente não havia ninguém da minha idade interessado nele ou em descobrir quem ele é. Compreensível. José Vasconcellos é humorista das antigas. MUITO das antigas.

Nasceu no Acre (!), em 1926. Sua carreira teve início no rádio com simples, porém perfeitas imitações de artistas da própria rádio. Fazendo uma comparação, é como se José Vasconcellos fosse a única pessoa que conseguisse imitar Sílvio Santos com perfeição.  As piadas com gagos (e não SOBRE gagos) aumentaram a sua popularidade. Nos mais recentes trabalhos para televisão (Escolinhas do Raimundo e do Barulho) ele incorporava Rui Barbosa Sa-Silva, o gago.

Ouça a mais que famosa narração de um jogo de futebol.

O humor de Vasconcelos não se faz apenas com as palavras. O olhar é impressionante. Pude sentir isso de perto, enquanto tirava uma foto com ele. É, não resisti. Fiz questão de ir até ele pedir uma foto. “Oh… mas é claro meu jovem!“. O sorriso que ele abriu enquanto me posicionava para aparecer ao seu lado foi algo que dificilmente vou esquecer. Não foi preciso palavras. Eu sabia o que se passava em sua cabeça e fico orgulhoso disso. Uma das fotos mais importantes da minha vida, se não a mais.

jose_de_vasconcelos

José de Vasconcelos não é um humorista atual. Suas piadas não são atuais e para muita gente não tem a menor graça. Os comentários no Youtube mostram essa tendência. Natural, absolutamente natural.
O nobre leitor talvez não entenda o porque da importância dessa foto para mim. Dizer que José Vasconcellos vendeu mais de 100 mil cópias de um disco de humor, em tempos de Roberto Carlos, pode não ser suficiente. Dizer que esse LP, aliás, tinha 55 minutos, o mais longo do gênero, também considerando a época, também não.

Uma vez, almoçando num restaurante, um fã percebeu que ele estava sentado do outro lado do mesma mesa. Ele cutucava seu amigo e dizia, baixinho, quem estava lá. Zé, que não é bobo nem nada, percebeu. Discretamente fazia  caras, bocas e caretas que só alguém do seu garbo conseguiria fazer. Segundo relatos, o fã caiu no chão de tanto rir. No meio do restaurante. O humor simples, infantil, limpo, natural agiu de forma eficaz. E isso não é nada fácil de conseguir.

Por isso ele é o gênio que é.

Salve José Vasconcellos!