Vim, vi e venci – A América é do Corinthians!

George Mallory, alpinista, certa vez respondeu quando o questionaram sobre porque querer escalar o Monte Everest. Ele simplismente respondeu: “Porque está lá”.

Eu vi o Corinthians ser rebaixado para a série B do campeonato brasileiro, após envolver-se numa parceria muito suspeita, para dizer o mínimo. Vi um time sem organização, talento, força… Trapos em campo.

Vivi o calvário da Segunda Divisão. Vi a humildade na montagem de um time com nomes, se não desconhecidos, sem destaque nacional. Quem era Willian? Chicão? Alessandro? Jucilei? Herrera? Mas sobrevivemos.

Eu vi o Corinthians chegar a uma decisão de Copa do Brasil e ser derrotado pelo Sport. Passou-se um ano e vi Ronaldo, o maior artilheiro das Copas, três vezes melhor do mundo, derrubar um alambrado por causa de um gol… de empate. Eu vi a taça da Copa do Brasil ser erguida em pleno estádio do Internacional.

Vi também aquela bola do Chicão procurar o ângulo direito do goleiro Bruno, do Flamengo, no ultimo minuto da partida. Vivi mais uma eliminação. Ouvi que Libertadores só no Playstation. Mas não vi cabeças baixas.

Em vi 2011. Vi o time com Ronaldo e Roberto Carlos ser eliminado pelo desconhecido Tolima. Vi a feijoada salgando de uma maneira que não se podia acreditar. Mas eu, novamente, não vi a cabeça baixando. Eu vi, na verdade, um time seguindo seu – por vezes contestado – líder rumo a um objetivo.

Eu vi Dr. Sócrates morrer. Vi jogadores e torcedores erguendo o braço direito lembrando do jogador que jogou pela democracia no Brasil. No mesmo dia eu vi o Corinthians ser campeão Brasileiro pela quinta vez.

Eu vi Ralf empatando o jogo contra o Deportivo Táchira no último minuto. Eu vi o sofrimento pela Libertadores recomeçar, a tensão, o medo, a pressão.

Eu vi Diego Souza correr meio campo sozinho. Ficar de frente com Cássio. Vi pontas de luvas tocando na bola. Vi a redonda caprichosamente tirar tinta da trave. Vi Paulinho pulando no octagésimo nono andar e cabeceando pro fundo das redes. Eu vi Tite comemorando no meio da galera.

Eu também vi Neymar e Ganso sendo encaixotados pela sistema defensivo do Corinthians. Vi Danilo ter uma frieza ímpar para empatar um jogo sofrido. Minha visão não me enganou e eu vi o Boca Junior marcar um gol na final. Mas, quase não creio, vi um Romarinho (?) surgir do nada, entrar na Bombonera ensandecida e, com seu primeiro toque na bola, empatar a partida.

Eu vivi uma semana tensa esperando o Pacaembu. Sofri. Mas vi Danilo lembrar Sócrates e usar seu calcanhar para deixar Emerson Sheik na fuça do goleiro. Vi o Pacaembu explodir como nunca antes, apenas porque uma bola balançou as redes.

Eu vi o mesmo Emerson ter fôlego para correr meio campo e decretar o fim de uma longa espera.

Eu vi o Corinthians escalar a montanha. Apenas porque ela lá estava.

Eu vi o Corinthians campeão da Libertadores da América.

Final Popular

Itaquera e La Boca se misturam, pois ali, vive gente humilde, mas, trabalhadora e feliz. Pacaembu e La Bombonera. Dois caldeirões que mexem com o brio dos donos da casa e faz os visitantes pensarem duas vezes, antes de pisar ali. Duas “nações” onde o Dez azul e amarelo reverência o Dez alvinegro. Mesmo, o primeiro sendo Dom Diego e o segundo não tendo conquistado título nenhum perante a sua massa Fiel. Por que ele é o rival? Não, ele é o Rivellino. Irmãos “gigantes” por natureza, que como todo “irmão”, a partir de amanhã, brigarão. Brigarão pela América do Sul.