O emocionante mundo dos Debates

Na época eleitoral do ano passado, cheguei a escrever um texto no qual me dizia fã do horário político. Está certo. Sou realmente fã daqueles 20 minutos nos quais os candidatos tornam-se perfeitos e afirmam que, dessa vez, vão trabalhar.
Contudo, não tive o insigh de escrever especificamente sobre os Debates. Essa, sem dúvida, é a melhor parte da longa caminhada que o eleitor e o candidato são obrigados a fazer, a cada 2 anos. Antes tarde do que nunca, quero me redimir dessa falha.

Antigamente os debates podiam ser comparados com os espetáculos do Coliseu. Não raro eram dedos em riste, acusações pesadas, gritos… um verdadeiro circo. Veja alguns cizânias eleitorais:

Paulo Maluf X Leonel Brizola (participação especial de Gabi)
Esse embate diante das câmeras aconteceu no 1° turno das eleições para presidente em 1989, portanto, a primeira com participação popular após a ditadura. Em cena Maluf e Brizola tem seu momento de troca de farpas. Transcrevo o trecho mais exaltado:

M: Quem é desequilibrado não pode ser Presidente da República (risos da platéia).
B: Dá licença senhor deputado
M: Não lhe dou a palavra. NÃO LHE DOU A PALAVRA!
B: (Algo inteligível, aos risos).
M: (Com o dedo em riste) NÃO LHE DOU A PARTE! NÃO DOU!
B: Um filhote da ditadura!
M: DESEQUILIBRADO! DESEQUILIBRADO!
B: Um filhote da ditadura!
M: DESEQUILIBRADO. Passou 15 anos no estrangeiro e não aprendeu nada! (risos da platéia) E o pior… não esqueceu nada! (risos e aplausos (?) da platéia) Continua o mesmo de quando foi…
B: (rindo) Ele está é de Malufismo nesse debate. MALUFISTA! (aplausos da catita platéia) MALUFISTA!

Então segue-se uma discussão que não deixa ninguém entender lhufas. Ao fundo, a voz de Marília Gabriela chamando o intervalo comercial.

Na volta, um pequeno editorial pedindo para a platéia parar de se manifestar. Era melhor que a platéia obedecesse, caso contrário… bom, veja você mesmo:


Evacuar… a platéia!

Franco Montoro X Jânio Quadros
Como não lembrar do embate entre Franco Montoro e Jânio Quadros? Nesse debate, um dos primeiros realizados na televisão, Montoro faz uma citação sobre o Jânio, que pergunta “mas onde está escrita essa informação?” e o Montoro: “está aqui o livro” e, num passe de mágica, tira-o debaixo da bancada.

Jânio pergunta quem é o autor do livro. Montoro pára, olha e diz: “Depoimentos de Carlos Lacerda” (leia-se inimigo ferrenho de Quadros). “Ahhhhhhhhhhh sim, mas está dispensado da citação! Refere-se a Asmodeu ou Satanás”, responde o suado velhinho. E a platéia cai na gargalhada, aplaudindo. O próprio Montoro não aguenta e ri também..

É quase como se alguem começasse a atacar o Juca Kfouri e dissesse que a fonte das acusações é o Milton Neves. Ou vice-versa.

O vídeo abaixo traz a compilação de vários bons momentos em debates. Vale a pena ver:

História brasileira… SEMPRE vale a péna relembrar.