F1 2012: Montreal, Canadá

Quando as luzes se apagaram, os bravos pilotos das bigas do terceiro milênio começaram sua batalha. Vettel manteve a ponta, com Hamilton e Alonso atrás. Pairava duvida: será Hamilton capaz de usurpar a dianteira e sagrar-se o sétimo vencedor diferente nessa temporada?

Quem surpreendeu duas vezes nas primeiras voltas foi Felipe Massa, ultrapassando Rosberg de maneira muito bonita. Empolgação! Mas daí a empolgação foi demais e, tentando alcançar Webber, acabou lambendo o Wall of Champions e rodando. Bom… eu prefiro um Massa (com molho) ácido do que um passivo, só assistindo a corrida de dentro da pista, gastando gasolina.

Nos boxes, a surpresa: Alonso fez excelentes voltas e parou rápido, aparecendo na frente de todo mundo. Só que o pneu frio permitiu a passagem de Hamilton. Vettel em terceiro, na cola. Aliás, é bem curioso da diferença de velocidade das Ferraris nas retas. Pelas minhas contas, deu quase 20 km/h a menos do que a McLaren do inglês. Assim fica difícil, principalmente em Montreal, com uma reta de chegada (ou largada, depende do ponto de vista) looooonga…

Ainda sobre a Ferrari, vale lembrar que nas ultimas corridas eles vem incorporando pequenos updates no carro. Escapamento, radiador em posição levemente diferente. O mais importante, no entanto, foi o fluxo de ar atrás do carro. Ao contrário das carroças, uma escuderia importante não pára e nem desiste no meio da temporada, amigo.

Em quarto, Raikkonen insistia em não parar, ainda que metade da prova tenha passado. Além dele, só Perez tinha – inicialmente –  a mesma estratégia de apenas 1 pitstop. Eu gosto bastante quando alguém ousa e experimenta uma estratégia diferente.

Reservo esse parágrafo para informar que o mito, a lenda Kobayashi passou Schummacher na volta 42. Pô, tio! Falando em tio, a asa móvel traseira do Schummacher abriu e não queria fechar de jeito nenhum. Para as retas era  ótimo, mas nas curvas é um desastre. Os mecânicos até tentaram forçar, mas sem condições. Empacou. Fim de prova para ele.

Webber perdeu sozinho o ponto da frenagem e quase deu uma passeada na grama. Só para constar.

Senna chegou a ocupar o vergonhésimo lugar. Terminou em 17º. Ah não… pára isso aí, vai. Coitado do Frank Williams. Puta sacanagem com um senhor distinto como ele. E continuando com as vergonhas, Button terminou em 16º. Que houve? Deve estar com problema em casa, se é que me entendem…

Final da prova tendia a ser espetacular. Existia a duvida se Alonso resolveria fazer apenas um pitstop, apesar de ter feito a primeira parada cedo. Hamilton parou a segunda e pisou fundo, fazendo a melhor volta assim que saiu dos boxes e tirando de 1 a 2 segundos por volta. Vettel ali em segundo, esperando a melhor hora para parar novamente, se é que pararia. Um dos três levaria o GP pra casa.

Massa até segurou bem a quinta posição, defendendo-se dos ataques de Perez, Rosberg e Webber. Não dá pra dizer que ele não tentou. Mas é evidente a perda de rendimento nas retas. Foi pro box faltando 12 voltas e caiu lá pra trás…

Olha o Grosjean na quarta posição!

Volta 62 de 70. Hamilton abre a asa, põe de lado e passa Vettel. Tranquilidade. O alemão não arriscou, torcendo para um toque entre o espanhol e o inglês. Volta 63. Primeira tentativa. Pôs de lado, mostrou o bico no retrovisor no Alonso e avisou “tô aqui!”.

VOLTA 64. É EM CAIXA ALTA MESMO! ABRE HAMILTON, FECHA ALONSO. SAMBA HAMILTON, TRANCA ALONSO! NA CURVA, COLADOS… BELEZA DE VOLTA. NA RETA, AGORA, ABRIU A ASA, GUINOU PRA ESQUERDA, RODA A RODA…. E… PASSA LEWIS HAMILTON!!! SEEEEEENSACIONAL AMIGOS!

Na volta 66, um Alonso sem pneus não resistiu a um jovem e empolgado Grosjean. Olha o garoto francês aí! Na sequência, o mexicano Perez chegou, encostou e passou passando. Vettel foi o próximo. É como se, após a ultrapassagem do comandante Hamilton, Alonso não mais estivesse na prova. Impressionante.

E COMEMORA MCLAREN! O COMANDANTE LEWIS HAMILTON VENCE O GP DO CANADÁ. O SETIMO VENCEDOR DIFERENTE NESSA TEMPORADA! GROSJEAN VEM EM SEGUNDO, PEREZ EM TERCEIRO! QUE PÓDIO AMIGOS!

O que se pode falar, amigos? 18ª vitória do inglês. Que pódio brilhante. Que temporada!

E o campeonato ficou assim: Hamilton 88 pts; Alonso 86, pts, Vettel, 85 pts Webber 79 pts. Pouca coisa embolado e emocionante, né?

Quem será o oitavo vencedor? Nós vamos descobrir dia 24 de junho, no GP da Europa, circuito de Valência.

F1 2011: Melbourne, Austrália

Bem amigos do Ideia Fix. Agora são 2h59 da manhã do dia 27 de março 2011. Isso significa que, muito além do sono, estaremos juntos em mais uma temporada da Fórmula 1. Começa emoção sobre rodas que vem desde lá da antiguidade, quando os homens corriam sobre bigas e sacaneavam uns aos outros acertando as rodas primitivas – mas ainda circulares – com as pontas afiadas de suas lanças de estimação.

O belo circuito do Albert Park foi o primeiro a receber os bons pilotos e os pilotos endinheirados para daqui a alguns meses descobrirmos quem faz mais pontos. Nesse ano algumas coisas mudaram. A principal delas é a marca dos pneus e, consequentemente, sua qualidade. Ao que tudo indica, as Borrachas Mercur duram mais. Outra novidade (nem tão novidade) é o KERS, dispositivo que injeta potência. O famoso cogumelo do Mário Kart. As asas móveis prometem dar outra emoção nas retas, mas é bem relativo, viu.

As luzes vermelhas se apagam. Vettel dispara na frente acabando com a graça no começo da prova. Massa arrumou cantinhos estratégicos – atalhos –  e ganhou algumas posições, mas ficou com o bico de Jason Button fungando no retrovisor (?). Praticamente uma encoxada automobilística. Enquanto isso, lá atrás, a pista escapa de Barrichello, e não o contrário. Corrida de recuperação para ele. Alonso tentou um traçado aberto, sem sucesso. Fecharam a porta na cara dele sem nenhuma cerimônia. Ainda bem.

Até a oitava volta Petrov estava em quarto. Em determinada época, chegou a ficar em segundo. Essa vodka é da boa!

Na décima segunda volta a pressão do Lord Inglês deu resultado. Ficou roda a roda com Massa, fazendo o brasileiro espalhar um pouco. Há que diga que Button cortou caminho. Como saiu do traçado, o brasileiro perdeu potência e aerodinâmica, deixando tudo pronto e arrumadinho para El Fodon ultrapassar também. Algumas voltas depois, o “há quem diga” da linha acima personificou-se em punição. Uma passadinha pelo box.

Na parte de trás, uma disputa muito grande. 4 Lotus brigam para ver quem é a menos pior na pista e quem pode usar o nome de tanta história através dos tribunais. Ouso dizer que não importa o vencedor: em todas as opções a tradicional e verdadeira Lotus sai prejudicada.

Michael Schummacher começa a temporada muito bem. Abandonou antes da metade. Pode ter tocado em Alguersuari. Keke Rosberg – pai de Nico –  deve estar rolando de rir.

Barrichello News: Quem viu o brasileiro ultrapassar Koba Mito e Button na mesma curva, passando no meio dos dois (!!), levantou e aplaudiu. Só que algumas voltas depois acabou retardando demais a freada e delicadamente expulsou Nico Rosberg da corrida. Pode parar de rir Mr. Keke. E você que aplaudiu pode sentar no sofá porque Barrica também tomou um drive-thru sem fritas.

Mesmo fazendo suas paradas necessárias, Vettel é MUITO superior. Estava tão adiantado que arisco dizer que já tinha dado começado a correr o GP da Malásia, próximo da temporada.

Na volta 41, Sérgio Pérez, o mexicano estreante, fez a melhor volta da corrida. Estava em 8º com sua Sauber. Vai fazer dueto com Petrov: um com a vodka e o outro com a pimenta. Na volta 50, aproximou perigosamente de Massa. Coincidentemente, o brasileiro preferiu entrar nos boxes. Será que arregou?

Webber corria em casa e, portanto, tinha que fazer alguma coisa mais emocionante do que ficar dando voltas sem objetivo. Após se distrair com algum parente na platéia e sair do traçado, encostou em Alonso. O australiano tinha pneus mais aderentes após a parada do espanhol e mesmo abrindo a asa,  não conseguiu a ultrapassagem sobre El Fodon, que se defendia com o KERS. Patético.

E as 4h33 chegamos aos final da jornada. E tudo começa como havia terminado na temporada passada:

Webber, mesmo com um carro excelente, fez menos do que poderia;

Petrov foi herói e segurou Alonso. Cheers!

E Vettel provou minha teoria mais uma vez : é gênio quando corre sozinho – o que geralmente acontece. Portanto…

PODE ESTOURAR O MUMM E LEVANTAR O TROFÉU! SEBASTIAN VETTEL E SUA RED BULL VENCEM O GP DA AUSTRÁLIA!

Prêmio Bandeira Quadriculada: Sergio Perez, o apimentado. Se sua Sauber continuar firme, terá um bom ano.
Prêmio “Vai pro Box“: Michael Schummacher. Não começou a temporada. Nem sei se vai começar.

Os caras vem aí

 

Imagem: UOL Esporte

 

UPDATE: Os dois carros da Sauber foram desclassificados pela asa traseira estar fora de medida regulamentar. By Carlão