Operação Restart

7 horas da noite de um sábado. Chego ao Parque Luis Latorre para cobrir um show  da Festa do Caqui de Itatiba pelo Programa Voz e Vez. Várias crianças e adolescentes se acotovelavam de maneira cordial na grade de proteção que separava a galera do palco. Faixas, cartazes, colorido, purpurina. Se estivéssemos na década de 90, eu diria que se tratava do Xou da Xuxa. Mas não. Essa é a década de 2010. E no palco estaria a Banda Restart.

“O Frank é maluco, como assim, foi no show do Restart? Que merda” Calma, querido leitor. Você pode não gostar da banda, das músicas ou do jeito de vestir. Mas garanto que foi uma experiência sociológica fascinante. E eu vou contá-la pra você.

Para começar, um jovem, de não mais que 14 anos, trajava um colete (supostamente) oficial da banda e usava óculos de armação grossa. Vendia faixas de cabeça por módicos 15 reais. É business. Estratégia perfeita para arrecadar algum cascalho antes de começar o barulho.

Algum tempo depois, conseguimos acesso à área reservada à imprensa e, veja só a surpresa… acabei entrando no camarim para entrevistar a banda! Não! Não abandone o texto, pelamordedeus. Eu sei que você pode estar chocado, consternado, catatônico… mas não deixe de fazer a leitura até o fim… E não me odeie por isso, tá? Ainda sou (quase) normal.

Questionei sobre à falta de politização das letras em relação aos 80/90 e da baixa (pra não dizer ínfima) aceitação da crítica especializada e outros setores do rock. Foi a maneira educada de repassar os vários comentários que recebi no Facebook de amigos que, bem, não reúnem grande simpatia pelos garotos. As respostas podem ser resumidas como dane-se a crítica. Temos nosso público, que gosta de nossas letras e do jeito que fazemos. Estamos crescendo com eles e, se surgir uma boa oportunidade, podemos fazer. Se conquistarmos outros públicos, ótimo. Se não, ta ótimo também.

Ou seja… estão cagando e andando para vocês… Desistam.

E bom, não vou tirar a razão deles por completo. Quando sai do camarim, uma barulheira infernal quase estourou meus tímpanos. As fãs têm um baita de um pulmão e cordas vocais que nem a futura fonoaudióloga Tati Romeiro consegue explicar (ou consegue, vai saber).

Muitas choravam e se indignavam porque observavam a área reservada à imprensa ser invadida por alguns fãs… hã… “selecionados” por autoridades municipais e pela produção. Alguns privilegiados chegaram tarde de puderam aproveitar no gargalo, enquanto centenas se espremiam atrás da grade. Uma vergonha, mas, enfim…

Conversei com muitos jovens e pais de jovens que estavam decididamente dando suor pela banda. Relatos de alguns vindos de cidades vizinhas e até do Rio de Janeiro. Horários de chegada ao parque que soavam inacreditáveis eu também ouvi: 8 da manhã, duas da tarde…. eu cheguei as 7 da noite e já estava cansado!

Mas os gritos nunca deixaram de ser ouvidos. Em momento algum. Era o som ambiente. Quando eu achava que estavam no limite, uma luz se acendia no palco ou mesmo o gelo seco era acionado e o volume crescia a níveis indecentes. O timbre cada vez mais agudo me fez temer pela integridade das partes de vidro do iPhone.

A explosão máxima aconteceu quando previsto. A entrada da banda no palco fez sumir as lágrimas de desespero, que deram lugar às lágrimas de… desespero. Mas em tons diferentes.

E aí, caríssimos, eu vi um misto de devoção e juventude. Cada gesto, cada palavra, cada passo era motivo para tentar fazer a voz chegar aos ouvidos daqueles caras no palco. Não importava mais o tempo, quem estava ao lado ou atrás. Só importavam os 4 rapazes de Liverpoool pulando e fazendo, inclusive, o cláááááássico passo de Marty McFlyem De Voltapara o Futuro.

Confira as fotos no Facebook do Programa Voz e Vez. É impressionante. Trabalho fantástico, por sinal, da amiga Talita Silva.

Eu vi baquetas voarem e causarem tumulto. Eu vi garrafas de água serem disputadas como troféus valiosos. Eu, inclusive, toquei na manga de uma camisa que voou por cima da área de recuso da imprensa/fãs com QI e foi parar dentro das calças de outro rapaz.

Eu vi.

No final do show, minha cabeça zunia, minhas pernas doíam e refleti. Eu estava física e mentalmente destruído. Mas todas aquelas pessoas que se espremeram, berraram, choraram… essas pessoas vão fazer tudo de novo, no próximo show da Banda Restart.

E me dá licença que está na hora de arrancar a calça colorida. A minha, claro.

Putz Grill! Stand up em Itatiba

Nesse domingo, dia 8 de fevereiro, assisti o espetáculo de stand up comedy do Oscar Filho (para quem ainda não ligou o nome a pessoa, é o repórter nanico do CQC).
Stand up, para quem ainda não conhece, é uma modalidade de show na qual o humorista tem à mão apenas um microfone e um banquinho, não podendo usar de artifícios sonoros, visuais ou caracterizações. A ferramenta é o próprio corpo e a criatividade.

Primeiramente, é bom salientar que esse foi uma oportunidade rara, já que, geralmente, Itatiba é contemplada com shows de pagode, forró, festas com cunho altamente político e… só. Trazer comédia, digna de grandes teatros da capital, é um avanço e tanto para essa cidade do interior, tão carente de algo decente.

Dito isso, vamos ao Putz Grill. Posso dizer que ri do começo ao fim. Oscar subiu ao palco do Itatiba Esporte Clube pouco depois das 7:15 da noite e manteve por 1 hora um quase monólogo. O humorista levou o que se tem de mais tradicional nesse tipo de espetáculo: situações cotidianas. Falou do trânsito, das baladas, Olimpíadas, namoro e saúde, comportamento.

Não poderia faltar o toque regional. Oscar surpreendeu o público ao fazer essa citação: “…o cara comparou o trânsito a uma garrafa… engarrafamento! Só pode ser um bêbado que fez uma coisa dessa. Coisa do Bernadete”.
Nesse instante o salão prendeu a respiração e soltou exclamações diferentes do habitual. Não foi risada. Foi um misto de surpresa e confusão. Oscar percebeu e completou: “Ué.. o que foi? Eu conheço o Bernadete!. E imitou a figura . O público foi ao delírio.
Bernadete é um personagem folclórico em Itatiba. Já falei sobre ele nesse texto. Em resumo, é um pudim de cachaça revoltado, que fica mais revoltado cada vez que alguém o chama de Bernadete.

Um dos esquetes (disponível no Youtube) apresentou o poder das expressões faciais. Não só de tiradas inteligentes e sacadas inéditas vive a comédia. A pura troca de expressão já faz rir. E o show teve vários desses momentos. A morte do chinês foi outro exemplo.

Apesar do preço salgado para os padrões itatibenses (50 reais a inteira), o espetáculo valeu a pena. Lavei, rindo, a alma. Se você tiver a chance de ir à um espetáculo desse tipo, vá. É um tempo – e uma grana – muito bem investidos.Você não vai se arrepender.
É importante salientar que você não deve ter preconceito com piadas com palavrões ou de cunho sexual. Elas são comuns durante todo o espetáculo, portanto, se você for freira, puritano ou sente-se ofendido com esse tipo de coisa, alugue um filme. Infantil, de preferência.

Eu sei que não adiantar muito, mas não custa tentar, não é mesmo? VOCÊ, ITATIBENSE que está lendo esse blog – tem algum itatibense lendo esse blog? – está intimado a colocar aí nos comentários as suas impressões do show.

Eu juro que tirei fotos, mas a luz estava péssima para isso. Só com flash, que eu não tinha, diga-se de passagem. Mas as fotos do ClickItatiba (!) vão ilustrar melhor esse texto:

Ah sim. Ainda teve a gata no cio.
E não. A gata no cio NÃO era Hebe Camargo.

UPDATE: Em breve, Marco Luque!

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Leia Também:
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Quem tem razão: Yahoo ou IG?

IG Música, 28 de setembro de 2008, as 2:29 pm: Justice faz show decepcionante no Skol Beats 2008

Yahoo! Notícias, 28 de setembro de 2008, 12:49 am: Justice é o ponto alto do Skol Beats 2008

Opa! E agora José? Quem está com a razão? Lendo as duas matérias, tenho a impressão que os críticos viram shows completamente distintos. Enquanto um “desce a lenha” na atração internacional, criticando repertório, sonorização, iluminação, o outro diz que foi uma apresentação inesquecível, “uma performace impecável”.

Para mostrar melhor a discrepância de opinião, vou colar alguns trechos das duas matérias:

IG Música diz:Um bom exemplo foi quando o duo tocou seu maior sucesso, “We Are Your Friends”. A música tinha tudo para ser um momento apoteótico, daqueles em que todo mundo dança, pula e canta junto. E isso teria acontecido, se o Justice não tivesse sabotado a canção.

E o Yahoo! Notícias retruca:O ápice do show foi quando eles levaram a galera ao delírio ao tocar seu primeiro sucesso, “We Are Your Friends” remix para o Simian. Enquanto a cruz piscava no palco, a dupla segurou o público só com sua à capela, que era cantada ao todo pulmão por todos os presentes. Sem dúvida, um show imperdível para todos os que estiveram pulando e dançando no palco Skol Live nessa fria madrugada de domingo.

Gostaria de saber a opinião de quem foi ao show, já que os dois “críticos” – Carlos Augusto Gomes pelo IG e Marcos Brolia pelo Yahoo! – não chegaram a um acordo.
No final das contas, fiquei sem saber se o show foi um desastre ou se foi impecável….