Indo além de ser o primeiro

Esse texto deveria ser uma análise racional da queda, calvário e redenção do Sport Club Corinthians Paulista na Série B – de Brasil. Entretanto, considerem o fato do lado absolutamente passional desse blogueiro manifestar-se ao longo das linhas que vão traduzir minha visão sobre mais um momento histórico no futebol.

O natal do ano passado foi recheado de piadinhas vindas de Palmeirenses, Santistas, São Paulinos. Com toda a razão. A mistura de péssima administração, quadrilha mal intencionada, jogadores esforçados e ruins tecnicamente, fizeram com que o quase centenário clube paulista fosse o 17° colocado na série A.
Choro, tristeza, desespero, revolta. Emoções de uma nação que sentiu-se traída pelos próprios administradores. Nação que viu a razão de sua existência ser rebaixada para um outro patamar. O Estádio Olímpico foi palco um dia inesquecível e dolorido para os alvinegros.

O ano virou e com ele velhas oligarquias foram extintas. O clã das aves de rapina finalmente foi abatido do comando e em seu lugar, uma ave que diz ter se arrependido do passado com a corja assumiu. Já que a alta casta foi renovada, o plantel também deveria sofrer modificações. A sucata foi excluída e um novo time surgiu. Nomes que, no começo, causavam desconfiança. Quem eram Chicão, William (reserva no Grêmio), André Santos, Herrera? Alguns nomes estavam desacreditados, como os garotos Lulinha e Dentinho. Por outro lado, a chegada de Mano Menezes para comandar a equipe deu a primeira brisa de esperança.
Posteriormente algumas peças chegaram, deixando a equipe mais forte, consistente.

A perda da Copa do Brasil foi um golpe fundo, mas nada que abatesse definitivamente um time que ia bem na missão de voltar à elite. O Corinthians foi líder de ponta a ponta, não deixando dúvidas sobre quem deveria voltar para a série A.
A torcida, por sua vez, demonstrou e provou por A + B porque é chamada de FIEL. Para o coração alvinegro não há distinção entre uma terça-feira a noite, chuvosa, ou um sábado a tarde. A animação era a mesma, a paixão também; o estímulo, a garra, a garganta e o coração trabalhavam em uníssono, empurrando 11 atletas que tinham nas costas a responsabilidade de não desapontar milhões.

Por fim, hoje, dia 25 de outubro de 2008, Felipe, Alessandro, Chicão, William, André Santos, Cristian, Elias, Morais, Douglas Herrera e Dentinho entraram para a história. Entraram para a história não apenas por ser o time titular do jogo da subida. O registro vale, principalmente, porque jogaram sério, respeitando uma divisão teoricamente inferior e disputando cada jogo como se valesse o título.

A FIEL novamente experimentou o gosto da redenção e mais uma vez descobriu porque, segundo a letra de Toquinho, “ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro“.

OBRIGADO CORINTHIANS! Estamos de volta!

Agora só falta o estádio… ah.. deixa pra lá.