Um ídolo abandonado – Morria Garrincha há 25 anos

Garrincha foi uma daquelas pessoas que nunca mais veremos outra igual. Uma daquelas pessoas que fico triste em não ter visto jogar. Alguém que fez tanto pelo futebol, ainda que inconscientemente, não poderia ficar esquecido assim. Mas assim são os brasileiros. Memória curta e a facilidade em idolatrar o que não deve ser idolatrado.

Há 25 anos morria Garrincha. Vítima do próprio meio que nasceu, sucumbiu ao alcoolismo depois de muita luta. Sucumbiu, mas não deixou de ser Garrincha.

O anjo das pernas tortas é alguém fácil e difícil de ser explicado. Era ingênuo a ponto de assinar um contrato em branco e foi criança até a morte. Jogava uma Copa do Mundo, do mesmo jeito que jogava uma pelada com os amigos. Para ele, o gol era realmente mero detalhe. Driblou todos os adversários. Só não conseguiu driblar ele mesmo, por mais que tentasse.

Agora, passados 25 anos de sua morte, o país não chora. O país não cuida nem do túmulo onde está Garrincha. O Botafogo não reverencia. A CBF o ignora.

Mas em vez de falar da parte trágica, deveria estar exaltando as qualidades de Garrincha. Dizia ele que a Copa do Mundo “é um campeonatozinho mixuruco. Nem segundo turno tem!”. Driblava seus adversários pelo prazer de driblar, de ter a bola nos pés, tratar com carinho aquela que foi sua maior  e melhor companheira, desde a infância.

E se Garrincha era feliz jogando bola, não importanto se estava no Maracanã, em Gadalajara ou num campinho de terra batida, o povo se alegrava com Garrincha. Esquecia a fome, a abstinência, a miséria, porque quem estava em campo era ele, o gênio.

Quem dera se pudesse ter visto Garrincha jogar…  E nas palavras de Drummond, Garrincha era assim:

“Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.”

Descanse em paz Garrincha…

Um pensamento sobre “Um ídolo abandonado – Morria Garrincha há 25 anos

  1. Parabéns pelo comentário,confesso e lhe peço perdão,mas tenho uma enorme inveja de quem viu esse (não tenho adjetivos) garrincha jogar,por favor,queria lhe aconselhar a fazermos uma campanha para respeitarem o fenomêno garrincha,mande e-mail para falarmos dessa alma tão tenra e nobre

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