Enquanto isso, na funerária…

Apesar de apenas 18 anos, eu já passei por algumas situações estranhas. Você pode ler algumas delas se clicar na categoria “Causos reais” aí no menu ao lado. Hoje vou contar mais um.

No meu tempo de Ensino Médio (ou ginásio, para os mais tradicionais), eu fazia parte do Jornal Reação, que era um jornal estudantil editado por alguns alunos. Para imprimi-los, era necessário conseguir uns 400 reais de patrocínio do comércio da cidade.

Foi numa dessas empreitadas que o causo ocorreu. Num sábado de manhã, já tínhamos conseguido uns 60 reais (muito para um sábado) e tivemos a brilhante idéia de convencer o dono de uma funerária a colaborar, afinal, funerária também é negócio.

Entramos, e o cenário era pitoresco: 3 caixões (vazios) “enfeitavam” as paraedes. Um gato preto dormia no sofá rasgado. A secretária, uma senhora idosa (demais) atendia.funeraria_ordine

“Bom dia…. o responsável pelo local se encontra?” – perguntei eu.
Ele está um pouco ocupado no momento, você quer esperar?”
“Eu espero sim, obrigado”
Silêncio…
“Sabe o que é? – continuou ela – O seu Luiz tá terminando de arrumar um corpo, mas já vem. Tudo bem?”

Eu não tenho medo dessas coisas (fã inveterado de CSI), mas por algum motivo, essa era a última coisa que eu esperava que ele estivesse fazendo. Gaguejei um pouco e respondi que não tinha problema. Cá entre nós, nada mais natural que o cara estar arrumando um corpo na funerária!

Meus colegas não se aguentaram de rir e saíram do estabelecimento. Sobrei eu, sentado no sofá empoeirado do gato. Uns 15 minutos se passaram e ele apareceu.

“Frank? Tudo bom?” – Sorridente, seu Luiz limpou as mãos na calça e estendeu a direita para mim. Por puro reflexo, cumprimentei polidamente o homem, dando um aperto de mão firme. Fiz o que tinha que fazer.

Sinceramente, eu não sei se ele estava usando luvas. A sensação foi estranha. Não é algo comum você imaginar que tem um cara morto à alguns metros de você, mesmo sabendo que isso é algo natural. Mas também, que idéia de jerico ir pedir patrocínio na funerária!

Voltei na mesma funerária alguns meses depois e mais um caso bizonho aconteceu… mas amanhã eu conto, porque esse post está ficando gigante…

PS: Sim, eu lavei as mãos assim que achei uma oportunidade… Vai saber por onde passou aquelas mãos…. As do cara, não as do morto.
PS2: Sim… eu consegui o patrocínio, no final das contas.

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