Memórias de um menino inglês

A memória é um dos bens mais preciosos do homem. Creio que muitos dos problemas que temos hoje poderiam ser, pelo menos menores, se respeitássemos nossas tradições, nosso passado e conseguíssemos agregar o conhecimento que nossos pais, avós e quiçá bisavós nos passaram.

A foto abaixo é uma raridade. Um verdadeiro pedaço do passado que felizmente foi preservado e pôde chegar intacto até os dias de hoje.

Como vocês podem notar, se trata de um retrato tirado num pátio escolar. A turma que passou o ano todo junta (?) agora se reúne para gravar o momento. O professor, ao centro, mostra como deveria ser a pedagogia daquela época. Eu que não seria louco de esquecer de fazer qualquer coisa que seja e arriscar tomar uma varada (no bom sentido?) de marmelo na mão (eu disse na mão).

Aos pés dele (no sentido literal da palavra) está um garoto que, provavelmente, esqueceu de fazer várias coisas durante o ano. Os garotos à direita dele (ou à esquerda de quem olha a foto) não parecem muito animados a tirar a foto. Um nem se quer olha para a câmera e o que está em pé não tomou café da manhã.
À esquerda do professor (ou seja, à direita de quem olha), em pé, está um garoto desconfiado que a câmera possa morder todo mundo.

O último que sobrou nessa descrição foi o menino orelhudo, sentado à esquerda do professor. O nome desse garoto é Frank Craymer Toogood, meu digníssimo bisavô.
Não faço a menor idéia de como essa foto veio parar aqui. Coisas do meu tio. Mas o fato é que essa foto data de, aproximadamente, 1895 (!!!) e foi tirada na Inglaterra.
Frank Craymer é o segundo Frank na escala hereditária. Eu sou o quinto. A criatividade para nomes é o forte da família, como vocês puderam notar.

Fico pensando: por onde essa foto passou? Em que casas ficou guardada? Como veio parar nas mãos da pessoa que a digitalizou? Quem são as outras crianças?
São perguntas que nem o tempo responderão…

Você caro leitor, querida leitora: Já procurou se informar sobre as raízes da sua família, procurou saber de onde vieram, como viviam, com quem casaram? Como e quando vieram ao Brasil? Garanto que é uma experiência fascinante e pode gerar surpresas agradabilíssimas, como essa foto.

Com o perdão do trocadilho – Esse post ficará para a posteriadade…

Ah sim… assim que eu conseguir digitalizar, tenho mais uma foto histórica para vocês… Mas dessa vez não tem relação nenhuma com minha família.

Em tempo: Em breve, no Domínio de Bola, mais um Entrefix!
Dessa vez, o entrevistado foi um jornalista palmeirense…. Mas o importante é ter saúde, não?

4 pensamentos sobre “Memórias de um menino inglês

  1. E há quem ache que tesouros fabulosos são pedaços de metais e tiras de papel. Pra mim, tesouro é aquele que traz à tona um sentimento aconchegante que vêm da alma toda vez que olhamos para ele. É algo que tem um significado único.
    Devo dizer que ter lido esse post me fez muito bem. Sabe aquele sentimento de nostalgia que não se explica? Deixar-se levar em divagações é realmente gostoso!

    Em tempo: Esbanjando alegria (XD), a simpática foto àcima ainda é mais feliz que as da minha família, pode crer. Japoneses não têm muita expressão facial, sabe, parecem todos iguais, e eu vivo perdendo meu avô nas fotos em grupo… *chora*

  2. Caraca.. esse 1o parágrafo foi de quebrar as pernas de muitos poetas.. parabéns….

    Quanto ao 2°… Pô… em vez de mandar a família dizer um simples “Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisssssss”, porque você não experimenta pedir pros seus familiares repetir “TAQUIBAQUIGRAFO” 3 vezes….
    Vamos ver se o pessoal não solta essa risada!

  3. Eu parei de pesquisar isto há muito tempo!!

    Meu avô me pediu para organizar alguns papéis do pai dele ( meu avô é um brotinho de 84 aninhos de idade).

    Encontrei papéis do avô de meu avô, datando de 1803 (uma escritura pública de compra de terras).

    Porém, o que importa, é o livro caixa do pai do meu avô. Ele havia brigado com o seu pai (não o seu pai, pobre leitor, mas sim o pai dele, que seria o avô do meu avô, por sua vez, meu tataravô).

    Foi embora e ajudou n fundação de uma cidadezinha bem pequenininha em MG (ela continua bem pequenininha).

    Ele foi Prefeito, vereador, vice-prefeito, delegado, juiz de paz, (mulherengo), empresário e agiota (pasmem, mas creio que ele tenha sido!!)

    Folheando o livro de caixa dele (escrito com uma caligrafia impecável, destas de envergonhar até as mulheres que estudam conosco, de uma vendinha que ele teve), não pude deixar de perceber o seguinte:

    Nome Data Valor OBS
    João da Silva 01/12/1897 3 contos de reis 4%
    Hebe Camargo 03/12/1897 8 contos de reis 3%
    Pedro de Lara 03/12/1987 2 contos de reis 7% (imposto sobre feiura)

    (atenção, alguns nomes foram trocados por nomes fictícios. Afinal, João da Silva não era nascido na época)

    O que será que quer dizer o campo OBS?

    Já que estamos falando de velharias, “tirei um sarro com a cara” do meu avô! Fiquei dizendo: “Vô, teu pai era agiota… por que você não herdou os negócios?”

    Imagine, como seria uma foto do meu tataravô:

    “Ele com aquele terninho branco a lá Mazaropi, montado em um burrico, enquanto dois capiaus, com as calças até a altura dos mamilos, aqueles chapeuzinhos de palha, sentados em cima de um cara deitado de bruços, torcendo-lhe o braço, puxando os cabelos, enquanto um terceiro saía de fininho, com um porquinho debaixo do braço e um sorriso maroto na cara.” (no final, o coitado do porquinho é que pagava o pato!)

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