Entrefix: Mauro Beting

Gosto muito de fazer entrevistas. E a entrevista da vez é com Mauro Beting, jornalista esportivo da TV e Rádio Bandeiraintes. E de mais uns trocentos mil veículos, para falar a verdade.

Depois da curta entrevista do Juca Kfouri eu não tinha lá muitas esperanças que o Mauro fosse fazer algo muito diferente. Mas fez. Aliás… fez MUITO DIFERENTE…. Modéstia à parte, a entrevista ficou absolutamente sensacional.


A entrevista completa você lê agora. Aproveite cada palavra…

Ideia Fix: Por que você escolheu a carreira de jornalista, especializando-se em esportes já que, segundo o que dizem em CTs, você é bom de bola? Nunca pensou em tentar seguir a carreira esportiva, dentro das 4 linhas, ou mesmo “adevogar”, que é sua formação acadêmica?
Mauro:
Primeiramente, muito grato pelo espaço e atenção. Segundamente, como diria Andrés Sanchez, sou jornalista de útero. Neto, filho, sobrinho, primo, irmão, marido – só espero não ser pai –de jornalistas. Não tem jeito. E nunca levei jeito pro futebol. Sou um bom goleiro de pelada – e ainda bem que adoro catar no gol, já que trato a bola como os meus cabelos me tratam…

Advogar, não passou do trote. Foi ótimo fazer o Largo São Francisco, as velhas Arcadas, as belas acadêmicas, mas ponto. Fiz o Direito mais torto. Apenas para embasar minha escolha pelo Jornalismo, vocação e adoração. Fiz Jornalismo para ter o diploma, enganei 4 anos dando aula, e, agora, estou no Jornalismo por esporte.

Ideia Fix: Como era ser um jornalista esportivo, na época em que não havia organização no calendário, as competições não tinham data para começar e muito menos para terminar, ou ainda, mais antigamente, quando as equipes eram obrigadas a jogar no exterior para poder completar a renda mínima para se manter o clube?
Mauro:
Cara, estou tão velho que, de fato, vivenciei tudo isso… Estou no esporte há 17 anos. Tempo para sacar que tudo pode voltar se não tivermos um pingo de seriedade e respeito. O que ainda não temos. Costumo ser otimista, mas, no futebol, fora de campo, os cartolas sempre se superam.

Ideia Fix: Em oposição à pergunta anterior, como é ser jornalista esportivo nos dias atuais, no qual as informações são repassadas de forma praticamente instantânea, sem o cuidado necessário de apurá-la e torná-la confiável?
Mauro:
É o outro lado da moeda. Ou todos os lados dela. Tempo é dinheiro. Logo, dane-se o cuidado, a checagem, a pluralidade, o outro lado, a tentativa de ser isento, imparcial e objetivo. Importante não é dar primeiro a informação. É dar melhor. Ou nem dar, em alguns casos. Sem trocadilhos.

Ideia Fix: Qual a sua opinião sobre o marketing em programas esportivos?
Mauro:
Merchandising? Eu não faço. Jornalista não é mastro para empunhar bandeiras e nem marechal para fazer campanhas. Mas não é crime fazê-lo. Cada um que arque com as circunstâncias. E com seus cachês.

Ideia Fix: Qual é o trabalho de preparação que um jornalista esportivo deve fazer quando é escalado para cobrir eventos importantes como Copas do Mundo, Olimpíadas?
Mauro:
O mesmo que um atleta, um treinador, um dirigente. Estudar e trabalhar tudo. Você tem de imaginar que qualquer Suazilândia x Vanuatu é um Brasil x Argentina. Tentar ser o melhor, e jamais se sentir o melhor.

Ideia Fix: Quais serão as dificuldades que o futuro jornalista esportivo enfrentará?
Mauro:
Falta de um salário melhor. Mas de muito mais trabalho e empregos. São cada vez mais TVs, rádios, jornais, revistas, sites, portais, assessorias. Repito: sou otimista. E, pela internet, temos um CV online. Já puxei pra trabalhar muitos colegas que descobri na rede e até no Orkut.

Ideia Fix: Como é sabido por todo o público, você é palmeirense. O Juca Kfouri é corintiano e o Milton Neves, atleticano (ele diz que é santista, mas eu não acredito muito…).
Mauro:
*Risos*

Ideia Fix: Para você, é possível um jornalista esportivo declarar publicamente o amor por um clube e continuar sendo imparcial? A credibilidade junto aos torcedores de outros clubes não é afetada?
Mauro:
Jornalista futebolístico nasceu torcendo por um time e não pode morrer distorcendo por ele. O verdadeiro torcedor morre amando esse time. Se desistiu, o público tem de desistir do jornalista. Tenho o direito de ser palmeirense e o dever de não distorcer pelo meu amor. Não é difícil. Até porque não são 11 flamenguistas que jogam pelo time. Mas, também, não preciso ser porta-berro da arquibancada. Por isso costumo ser muito mais cobrado pelos palmeirenses. E, graças a Deus, não tenho grandes problemas com torcidas de outros clubes. Só este ano, por conta do jogo 5000 do Corinthians, e do centenário do Atlético Mineiro, recebi belíssimas homenagens dos clubes e das torcidas por textos que fiz enaltecendo os dois clubes.

Imparcialidade? É uma meta, um objetivo. Que independe do nosso trabalho. E é julgada, quase sempre, por quem é parcial.

Ideia Fix: Ainda há “bairrismo” entre as redações de jornais fluminenses e paulistas? A mídia dá mais preferência para clubes de São Paulo (em especial o Corinthians) em detrimento de outros estados, como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que também têm bons clubes e campeonatos?
Mauro:
Infelizmente, ainda existe. Mas bem menos que no passado. Birra que contaminava jogadores, treinadores, cartolas, gandulas… Um horror. Mas as TVs abertas continuam pisando na bola não dando pelota ao futebol de Minas, RS, e outros Estados. Para não dizer que só falam de quem dá ibope. Isto é, de Corinthians e de Flamengo. Ou ainda pior: quando só falam de Corintxá, Parmêra e os times de São Paulo, belo…

Ideia Fix: Uma experiência pouco comum na televisão é apresentar um programa junto com o pai (no seu caso, o jornalista Joelmir Betting). Como é trabalhar com um ente tão próximo, no programa da BandSports, o Betting & Betting?
Mauro:
Não resta dúvida que é  o programa mais nepotista da história!!! O legal que não é idéia nossa. É da direção do canal. Nós, claro, adoramos. Até porque, muitas vezes, é o único jeito de a gente se encontrar. Foi a primeira vez que trabalhamos juntos. E ainda tem gente que acha que o velho JB me arruma tudo… claro: trabalho na Rádio Bandeirantes, na Band, no Bandsports, no LANCE!, no LANCENET!, na revista “Trivela”, na TV Esporte Interativo, e em mais três sites só por ser filho dele…

Sei que vão continuar achando isso a minha vida toda. Mas fazer o quê? Tiro de letra. Até porque nunca serei tão bom como ele. E sei de minhas limitações.

IF: Por que você escolheu a carreira de jornalista, especializando-se em esportes já que, segundo o que dizem em CTs, você é bom de bola? Nunca pensou em tentar seguir a carreira esportiva, dentro das 4 linhas, ou mesmo “adevogar”, que é sua formação acadêmica?

Mauro: Primeiramente, muito grato pelo espaço e atenção. Segundamente, como diria Andrés Sanchez, sou jornalista de útero. Neto, filho, sobrinho, primo, irmão, marido – só espero não ser pai –de jornalistas. Não tem jeito. E nunca levei jeito pro futebol. Sou um bom goleiro de pelada – e ainda bem que adoro catar no gol, já que trato a bola como os meus cabelos me tratam…

Advogar, não passou do trote. Foi ótimo fazer o Largo São Francisco, as velhas Arcadas, as belas acadêmicas, mas ponto. Fiz o Direito mais torto. Apenas para embasar minha escolha pelo Jornalismo, vocação e adoração. Fiz Jornalismo para ter o diploma, enganei 4 anos dando aula, e, agora, estou no Jornalismo por esporte.

IF: Como era ser um jornalista esportivo, na época em que não havia organização no calendário, as competições não tinham data para começar e muito menos para terminar, ou ainda, mais antigamente, quando as equipes eram obrigadas a jogar no exterior para poder completar a renda mínima para se manter o clube?

Mauro: Cara, estou tão velho que, de fato, vivenciei tudo isso… Estou no esporte há 17 anos. Tempo para sacar que tudo pode voltar se não tivermos um pingo de seriedade e respeito. O que ainda não temos. Costumo ser otimista, mas, no futebol, fora de campo, os cartolas sempre se superam.

IF: Em oposição à pergunta anterior, como é ser jornalista esportivo nos dias atuais, no qual as informações são repassadas de forma praticamente instantânea, sem o cuidado necessário de apurá-la e torná-la confiável?

Mauro: É o outro lado da moeda. Ou todos os lados dela. Tempo é dinheiro. Logo, dane-se o cuidado, a checagem, a pluralidade, o outro lado, a tentativa de ser isento, imparcial e objetivo. Importante não é dar primeiro a informação. É dar melhor. Ou nem dar, em alguns casos. Sem trocadilhos.

IF: Qual a sua opinião sobre o marketing em programas esportivos?
Mauro: Merchandising? Eu não faço. Jornalista não é mastro para empunhar bandeiras e nem marechal para fazer campanhas. Mas não é crime fazê-lo. Cada um que arque com as circunstâncias. E com seus cachês.

IF: Qual é o trabalho de preparação que um jornalista esportivo deve fazer quando é escalado para cobrir eventos importantes como Copas do Mundo, Olimpíadas?
Mauro: O mesmo que um atleta, um treinador, um dirigente. Estudar e trabalhar tudo. Você tem de imaginar que qualquer Suazilândia x Vanuatu é um Brasil x Argentina. Tentar ser o melhor, e jamais se sentir o melhor.

IF: Quais serão as dificuldades que o futuro jornalista esportivo enfrentará?
Mauro: Falta de um salário melhor. Mas de muito mais trabalho e empregos. São cada vez mais TVs, rádios, jornais, revistas, sites, portais, assessorias. Repito: sou otimista. E, pela internet, temos um CV online. Já puxei pra trabalhar muitos colegas que descobri na rede e até no Orkut.

IF: Como é sabido por todo o público, você é palmeirense. O Juca Kfouri é corintiano e o Milton Neves, atleticano (ele diz que é santista, mas eu não acredito muito…).

Mauro: *Risos*

IF: Para você, é possível um jornalista esportivo declarar publicamente o amor por um clube e continuar sendo imparcial? A credibilidade junto aos torcedores de outros clubes não é afetada?

Mauro: Jornalista futebolístico nasceu torcendo por um time e não pode morrer distorcendo por ele. O verdadeiro torcedor morre amando esse time. Se desistiu, o público tem de desistir do jornalista. Tenho o direito de ser palmeirense e o dever de não distorcer pelo meu amor. Não é difícil. Até porque não são 11 flamenguistas que jogam pelo time. Mas, também, não preciso ser porta-berro da arquibancada. Por isso costumo ser muito mais cobrado pelos palmeirenses. E, graças a Deus, não tenho grandes problemas com torcidas de outros clubes. Só este ano, por conta do jogo 5000 do Corinthians, e do centenário do Atlético Mineiro, recebi belíssimas homenagens dos clubes e das torcidas por textos que fiz enaltecendo os dois clubes.

Imparcialidade? É uma meta, um objetivo. Que independe do nosso trabalho. E é julgada, quase sempre, por quem é parcial.

IF: Ainda há “bairrismo” entre as redações de jornais fluminenses e paulistas? A mídia dá mais preferência para clubes de São Paulo (em especial o Corinthians) em detrimento de outros estados, como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que também têm bons clubes e campeonatos?

Mauro: Infelizmente, ainda existe. Mas bem menos que no passado. Birra que contaminava jogadores, treinadores, cartolas, gandulas… Um horror. Mas as TVs abertas continuam pisando na bola não dando pelota ao futebol de Minas, RS, e outros Estados. Para não dizer que só falam de quem dá ibope. Isto é, de Corinthians e de Flamengo. Ou ainda pior: quando só falam de Corintxá, Parmêra e os times de São Paulo, belo…

IF: Uma experiência pouco comum na televisão é apresentar um programa junto com o pai (no seu caso, o jornalista Joelmir Betting). Como é trabalhar com um ente tão próximo, no programa da BandSports, o Betting & Betting?

Mauro: Não resta dúvida que é  o programa mais nepotista da história!!! O legal que não é idéia nossa. É da direção do canal. Nós, claro, adoramos. Até porque, muitas vezes, é o único jeito de a gente se encontrar. Foi a primeira vez que trabalhamos juntos. E ainda tem gente que acha que o velho JB me arruma tudo… claro: trabalho na Rádio Bandeirantes, na Band, no Bandsports, no LANCE!, no LANCENET!, na revista “Trivela”, na TV Esporte Interativo, e em mais três sites só por ser filho dele…

Sei que vão continuar achando isso a minha vida toda. Mas fazer o quê? Tiro de letra. Até porque nunca serei tão bom como ele. E sei de minhas limitações.

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