Curiosidade mórbida. Normal?

É natural do ser humano ser humano curioso. A todo momento essa curiosidade é aguçada em propagandas, produtos, no convívio em sociedade e, inclusive, em emails suspeitos que enviam links mais suspeitos ainda (ou você nunca recebeu algo do tipo “Alexandre Nardoni é quase espancado na cadeia! Confira o vídeo clicando aqui”, ou ainda os da “Resseita Federal”?)

Existem vários tipos de curiosidades – a por experimentar um novo produto, saber alguma fofoca da filha hã.. “generosa” da vizinha são só alguns exemplos – mas as que mais me intrigam são as publicitárias (o Pink Elephant que o diga) e a do assunto principal desse texto: a curiosidade mórbida

O assunto surgiu na minha cabeça quando ouvi acidentalmente – acreditem ou não – dentro de um ônibus. Duas senhoras conversavam sobre um obituário exposto na porta do supermercado (em cidades do interior, anunciar a morte na rádio e em obituários espalhados pelo comércio é mais comum do que você imagina):
Aíiii.. quem será aquela moça lá – apontava a da janela
Olha, eu não sei.. mas foi tão novinha… coitada” – responde a outra, se debruçando para ver
Como eu queria saber quem é! Pena que eu não posso descer agora, tenho roupa pra lavar.”

É impressionante como a morte atrai as pessoas. Pode reparar: SEMPRE que há um acidente, atropelamento ou qualquer coisa que no mínimo envolva a possibilidade (veja bem, eu disse possibilidade) da vítima ir desta para melhor, há curiosos em volta, só observando. NINGUÉM ajuda. O povo fica parado, assistindo o espetáculo que não cobra ingresso.

Pior do que isso são as pessoas que vão à velórios sem conhecer o presunto defunto. Sim, essas pessoas existem! Já houve casos desse tipo de pessoa ir carregando o esquife até o cemitério. Se fez o discurso ou não, fica por conta da imaginação do leitor…
Qual é a graça de visitar um velório? Quando você conhece o morto já não é agradável… imagina quando você não conhece…

Uma das explicações psicológicas para o fato é nos interessarmos por esses temas justamente porque transferimos nossa própria agressividade e violência para estes conteúdo. Eu não concordo muito. Acho que o buraco é mais embaixo.
Creio que seja algo relacionado com a atração que sentimos pela morte. Coisa de polo positivo com negativo.
O paradigma do desconhecido leva milhares de pessoas a dar o último adeus (como se isso fosse fazer alguma diferença) ao ídolo, ou simplesmente entram em comunidades como a Profiles de Gente Morta – carinhosamente apelidada de PGM – que angarim quase 48 mil pessoas!
Tanto é verdade que até há um canal de televisão na Alemanha – A Eos TV – especializado em assuntos fúnebres…. patrocinado por empresas funerárias, o canal tem transmissão 24 horas. Duvida? O Depokafé fez uma análise desse canal neste post

Uma coisa é certa (além da morte, claro): Nenhum de nós consegue escapar da curiosidade mórbida. Inclusive, eu descobri uma coisa e compratilho com vocês:

Foi exatamente isso que você leu. Nada mais, nada menos que 146,260 pessoas morreram no dia do meu nascimento.

E você? Quantos vestiram o paletó de madeira, bateram as botas, foram comer grama pela raiz, viraram presunto, foram governar com O Lá de Cima, pegaram o elevador pro paraíso, foram na viagem sem volta morar na terra dos pés juntos, fecharam os olhos, deram o último sono, em fim…(ufa!) foram pro saco?
Veja no One Plus You (nome sugestivo, não?)

E não se esqueça: I see dead people

10 pensamentos sobre “Curiosidade mórbida. Normal?

  1. Grande Frank! 😉

    Achei esse blog pocurando por fotos de “fim do mundo”..
    e achei bem interessante sua visão das coisas.

    [ coisas de quem não tem nada para fazer na internet ]
    UHAuhaUHAuhauHA

    [ Eu tbm não! ^^” ]

    enfim, estarei diariamente companhando seu blog, muito bom!
    ah, morreram 140, 234 mil quando nasci! ( grande merda! )

    e essas das velinhas do interior, uHAuhauHA, puts cara, é a pura verdade, morei durante, ops, SOBREVIVI, durante 7 anos, em uma cidade com menos de 10 mil habitantes no inteiror do estado de sampa, e lá todo mundo visita os funeral dos outros (msm que não conheçam). eu até hoje fiquei sem intender dessa “cultura hereditaria peculiar”…

  2. HAHAHA… adorei o comentário Cássio…

    “coisas de quem não tem nada para fazer na internet “… O problema não é o que NÃO se tem pra fazer na net e sim o que se TEM pra fazer fora dela e que eu fico empurrando com a barriga.. haha

    Cidade do interior tem essas coisas.. tenho histórias com velhinhos fanhos, bêbados, crianças pentelhas… uma beleza…
    E você tem razão.. ninguém vive no interior…. SOBREVIVE, quando muito…

    Abraço

  3. Heey!

    É.. Itatiba é um lugar estranho.
    Acho que a coisa que o itatibense mais gosta de fazer (depois de cuidar da vida dos outros) é saber quem morreu, o que não deixa de ser uma maneira diferenciada de meter o bedelho aonde não é chamado..

    talvez eles gostem de saber que 147,584 pessoas morreram no dia em que eu nasci..

    essa revelação não deve ser tão boa quanto ir à padaria e voltar com notícias quentinhas direto da funerária mais próxima, mas a gente tenta, né?

    e mais uma coisa:
    see you on friday!

    beeeijo

  4. Muito legal a sua visão das coisas… eu moro em cidade do interior de sp, e aqui tem ateh gente que é especialista em ir em funeral: elas acordam de manhã e já vão em busca de um velório pra passar o dia… mórbido…
    abraços

  5. Êta curiosidade…não aguentei e fui conferir: aproximadamente 139,844 morreram no ano que eu nasci (seria interessante saber quantas nasceram, pra poder compensar).
    É um assunto sinistro, mas é verdade. Aqui onde moro eles passam com um carro de som anunciando quem morreu. Acho que as pessoas pensam que isso é um convite para ir ao velório…

  6. Pingback: AglioEoliO Homepage | Distração… » Sublime - the best fucking band ever…

  7. A galinha foi morta aqui, hehehe: “Uma das explicações psicológicas para o fato é nos interessarmos por esses temas justamente porque transferimos nossa própria agressividade e violência para estes conteúdo.”

    Eu não tenho dúvidas disso. As pessoas transferem suas maldades, mazelas e frustrações pessoais na desgraça dos outros, e quando há um ajuntamento de pessoas com a mesma disposição mental, a coisa tende a ficar pior. Claro, há várias “classificações” de curiosidade mórbida, mas existem aquelas que extrapolam o nível da “normalidade”, como pessoas que sentem prazer em ver pessoas sofrendo até a morte, ou aquelas que tem orgasmos quando se deparam com situações de sofrimento inumano, pessoas que gostam de assistir a vídeos bizarros, onde a morte e o sofrimento é o chamativo principal. Não tô nem aí para o que vão pensar, mas acho que esse é o tipo de alegria que alimenta o inferno todos os dias…

  8. Olá,
    moro numa cidade de interior, e minha sogra tem prazer em ver pessoas mortas em velorio, ela é capaz de ir a pedra do hospital e abrir o fecho do saco pra ver a cara do defunto. isso é uma doença? se for tem nome?

    tenho uma baita curiosidadeem saber.

    obrigada,

    Luana

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