Vernáculo, pobre vernáculo…

Não sei porque, mas gosto de usar a metalingugem nesse blog. Há alguns meses falei do empobrecimento da Língua na internet e do culto à burrice, mostrando, como exemplo, o blog da agora ex-BBB Gisele.
Ainda nessa linha de raciocínio gostaria de entender porque o vocabulário dos brasileiros é tão limitado (o fato óbvio da aversão à leitura não conta).

Que palavras caem em desuso (botica, quitanda, gumex…) eu até entendo. Contudo, ouvi-las não deveria causar nenhum tipo de choque ou consternação. É tão feio assim falar que assistiu o ludopédio na televisão? Ou ainda que o glutão atafundou o bandulo com acepipes em demasia? Quer coisa mais bonita que ver um navio soçobrar no arrebol? Num mundo utópico deveria ser normal e até admirado. Hoje, o intelectual e o erudito são discriminados.

Se você não entendeu o significado das palavras em negrito, eu explico. Ludopédio é o famoso futebol (a.k.a pelada, bate bola, quebra canela…). Glutão é o comilão (a.k.a draga). Atafundar o bandulo significa encher a pança; acepipes são petiscos…
No caso de soçobrar e arrebol, eles significam, respectivamente, afundar e pôr (nascer) do sol. Sabe aquela cor alaranjada/avermelhada no céu? Este é o arrebol.

Viram? Não é tão difícil assim.  Agora que você avançou – com a ajuda desse alfarrábio digital – e distanciou-se da imagem de um mentecapto, pode embasbacar seus amigos com essas palavras de nosso vernáculo.
Não me responsabilizo se algum de vocês apanhar….

4 pensamentos sobre “Vernáculo, pobre vernáculo…

  1. Alfarrábio(!)(parece o seu Crêisson falando). Acho que foi pela pronúncia que caiu em desuso…(pelo menos foi a primeira vez que eu vi essa palavra)

    alfarrábio (segundo o Michaelis)
    al.far.rá.bio
    sm (ár Al-Farabi, np+io) 1 Livro antigo, de leitura enfadonha. 2 Obra muito extensa, sem correspondente importância.

  2. Desculpe, mas a prática da simplificação da língua é histórica e nunca precisou de brasileiros. O primeiro português – última flor do lácio – já foi uma simplificação do latim. E sabe-se bem que, para poder usar palavras de raro naipe, é necessário ter tempo de sobra para escarafunchar dicionários, auletes, lewisandshorts e quetais – coisa que neste planeta já não são consideradas interessantes. E como país fundador do mercantilismo com suas caravelas – é verdade, depois passou à posição de lacaio da Inglaterra e da França, assim, sucessivamente – Portugal devia saber bem que é DELE a responsabilidade pelo início do processo de decadência da língua ocidental. Ah, Camões, que tristeza que me já dás.

    • Faz sentido, mas só se pensarmos que esse país, ou qualquer outro, é formado por uma sociedade NÃO leitora. Ler é fundamental para adquirir esse tipo de palavra e não necessariamente dicionários… literatura brasileira, e lusitana é suficiente para isso. Pena que ninguém se interessa por Eça (cacofonia detected).

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