Entrefix: Orlando Duarte

Após Aurélio Araújo, Juca Kfouri e Mauro Beting, o Idéia Fix tem a honra de publicar uma histórica entrevista concedida ao Grupo Esportivo (GE), comandado pelo Carlão (o colunista da Opinix) e por Orlando Duarte Neto.
Leiam, apreciem e absorvam um pouco do conhecimento inacabável de um dos maiores jornalistas esportivos desse país, Orlando Duarte

Hoje, certamente, é um dos momentos mais felizes desse humilde blog.

Orlando Duarte, nascido em Rancharia (SP), em 18 de fevereiro de 1932, é um dos jornalistas brasileiros mais conceituados no meio esportivo. Com mais de 50 anos de profissão, cobriu todas as Copas do Mundo desde 1950 (foram 14) e 10 jogos olímpicos.
Duarte trabalhou nas TVs Globo, SBT , Jovem Pan UHF, Bandeirantes, Gazeta e Cultura. Na rádio Jovem Pan ficou por 22 anos, e na Trianon, por 6. Além disso, teve passagens pelos jornais Gazeta Esportiva, A Gazeta, Mundo Esportivo, O Tempo, Última Hora e o Diário da Noite e publicou mais de 25 livros.
Em seu último livro, “Na Mesma Sintonia”, Duarte fala sobre sua trajetória no rádio.
Atualmente, Orlando Duarte mantém o Blog da Cultura Esportiva na internet, administrado por seu filho, onde responde questões ligadas ao esporte, e escreve a coluna “O Informal”, publicada em dezenas de jornais brasileiros.

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Nesta entrevista, Duarte relembra sua trajetória como jornalista esportivo e comenta as mudanças ocorridas na profissão.

G.E – O que levou o senhor a atuar no meio jornalístico?
O.D.
– Cidade pequena, poucas coisas para um garoto fazer. Naquela época nem havia chegado a televisão ao Brasil. Estudar, praticar esporte e ter criatividade para superar os momentos de nada por fazer. Precisávamos encher o tempo. Trabalhar no serviço de auto-falante e escrever para o Jornal da Terra fazia parte de minha atividade. Escrevia sobre esporte, sempre gostei. Falava sobre esporte, e foi aí que tudo começou.

G.E.Como foi e como é sua relação diante as tendências de modernização dos meios jornalísticos, primeiro do rádio para a TV, e mais recentemente, da TV para internet?
O.D.
– Tudo evolui. No rádio o que importa é a capacidade de cada um de transmitir a notícia, o comentário, e o entretenimento. Com o transistor, o que era apenas um rádio em cada casa, passou a ser milhões, nos quartos, cozinhas, e por todo o lado de um lar.

Na televisão, a cada instante, há uma inovação tecnológica. Vivemos agora a era digital e de alta-definição, e não há limites para a evolução da TV, que também é nova em termos de Brasil, tendo começado precariamente na década de 1950..

O jornal escrito sofreu e sofre concorrência, mas também evoluiu em qualidade e rapidez. Chegamos à internet, que como dizem todos é a comunicação do futuro, mas ela não invalida o rádio, o jornal e a TV. São veículos que podem viver independentemente e sempre, graças à mais importante das peças, que é justamente o homem.

G.E.E como você particularmente se adaptou a essas mudanças?
O.D.
– Tirante a internet, com a qual não tenho nenhuma intimidade, nem sei ligar um micro, os demais veículos fazem parte de minha corrente sanguínea. Admiro quem tem o domínio sobre as maravilhas do computador. Tudo, é claro, ficou mais rápido depois dele; o mundo é um só!

G.E. – O senhor poderia falar sobre como mudaram as coberturas de Copa do Mundo de 1950 para cá?
O.D.
– Basicamente, fomos de zero a 100%, e isto graças ao satélite, ao celular, ao computador, em suma, ao progresso tecnológico dos meios de comunicação. Também, ficou acelerada a concorrência, entre rádio, TV e jornal. E quem ganha é o público, que pode escolher qual o melhor veículo para acompanhar o mundial, os jogos olímpicos e qualquer outra notícia do mundo!

G.E. – Em sua opinião quais foram a melhor e a pior copa do mundo? Por quê?
O.D.
– Pior, foi perder em 1950, em casa, mas tivemos outras que pecaram pela falta de organização como a 1966 na Inglaterra. A melhor foi a de 1958, quando tivemos pelo menos quatro gênios no futebol em ação: Nilton Santos, Didi, Pelé e Garrincha. Na mesma equipe, tínhamos ainda Djalma Santos, Gilmar, Zito, Vavá, Bellini, Dino Sani, e Dida. A copa foi na Suécia. Pela primeira vez o Brasil, ganhou uma Copa, fora do continente no campo do adversário, a finalista Suécia. INESQUECÍVEL!

G.E. – O que você acha das transformações ocorridas no futebol em relação às negociações de jogadores com clubes estrangeiros e a influência de seus empresários?
O.D.
– No mundo capitalista, há sempre o domínio do potencial econômico em qualquer coisa. Não é diferente no futebol. Haja vista que os melhores craques da Holanda, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, estão sempre no meio de negócios realizados pelos clubes, com empresários ou não. O futebol brasileiro é fraco economicamente, e por esta razão mesma, por ser um grande produtor de jogadores, passa a ser alvo da cobiça de todos e principalmente de empresários, alguns muito bons e outros fracos. Isto só será evitado com a melhoria da economia brasileira e naturalmente da situação de nossos clubes.

G.E. E sobre o estilo de jogo?
O.D.
– O jogador sempre leva consigo o seu estilo que é a sua técnica e sua marca. Dentro das táticas, consegue provocar alterações nos resultados dos jogos. Além disso, ele provoca, por imitação, o surgimento de jogadores de centros menos adiantados, com boa técnica. É o que acontece, quando você exporta jogadores para onde não há muita tradição e técnicos estrangeiros; o rendimento de nossos atletas melhora muito.

O Idéia Fix não tem palavras pra agradecer a gentileza de Carlão e Orlando (os dois) ao autorizar a publicação dessa entrevista. Não vamos parar por aqui, reforçando a nossa intrépida missão de levar à você querido leitor, estimada leitora, textos e entrevistas com conteúdo e originalidade.

Vem muito mais por aí. Aguardem!

2 pensamentos sobre “Entrefix: Orlando Duarte

  1. Pingback: Links da semana | Haznos - Do Jeito que o Diabo gosta

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