Trilha e cachoeira: Ideia Fix na Serra do Japi

Quinta feira, 20 de novembro de 2008. Sete jovens itatibenses reunem-se para um trekking na Serra do Japi, em Jundiaí. Entre eles este blogueiro que vos escreve. Idéia Fix põe o pé na estrada no mato e conta a história dessa real aventura, que não tem mistério nem assassinato, mas mesmo assim foi inesquecível.

9:00 – A trilha começa sem grandes dificuldades. O frio atrapalha os primeiros metros da caminhada, mas nada que alguns minutos andando não esquentem. As primeiras fotos começam a ser tiradas, mostrando a vista e o que encararíamos. Segundo Osmar – o guia – chegaríamos a uma altura de 1.250 metros.

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O pico verde escuro era nosso destino

Osmar faz um desvio inesperado do caminho e nos embrenhamos em nossa primeira descida de mata fechada. Um descida íngreme que já faz aflorar nossos sentimentos primitivos de sobrevivência e Tarzanismo. Um barulho familiar chega aos nossos ouvidos. Sim! É água! Somos então apresentados a primeira cachoeira (essa estava mais para uma quedinha d’água). Coloco a mão na água e sinto a fria – muito fria – benção da Mãe Natureza.

A volta – ou seja, subida íngreme – fez com que nossas pernas percebessem que o dia seria longo e que elas teriam muito trabalho para aguentar o peso de nossos corpos em subidas como aquela.

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Voltamos à estrada original. Andamos por uns 15, 20 minutos até que paramos ao barranco. Osmar nos explicou que ali pegaríamos o segundo trecho de mata fechada e subida. Nos embrenhamos novamente num local onde só era possível ver árvores e plantas. A temperatura variava mais que a atuação da seleção brasileira. Uma hora enfrentávamos um calor horroroso. Três metros adiante uma rajada de vento fazia os pêlos do meu braço arrepiarem.

Subimos, subimos, subimos… subimos mais um pouco. O terreno cheio de pedras dificultava a pisada firme. Várias foram as patinadas, desequilíbrios…

Minha coordenação motora me surpreendeu, não me abandonando um minuto sequer, esforçando-se ao máximo. Tenho orgulho dela. Nossos corpos pediam água. Foram prontamente atendidos. Começaram a pipocar garrafas d’água de todas as mochilas, inclusive da minha.

Chegamos ao primeiro estágio. Pausa para o lanchinho – que, aliás, foi muito bem vindo.

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Para poupar os caros leitores desse blog, resumirei a próxima passagem (ainda tem a parte da cachoreira que merece uma atenção especial). Andamos muito. Muito mesmo. Subimos muito. Muito mesmo. Enfim – lá pelas 11h30min – chegamos ao topo dos 1.250 metros. A vista é maravilhosa. O clima perfeito. De lá é possível avistar grande parte da cidade de Jundiaí e, bem ao fundo, a Pedra Grande, em Atibaia. Mais lanchinho, fotos e tudo o que se tem direito num lugar paradisíaco desses.

Agora o destino é uma cachoeira. Se a água estivesse tão gelada quanto a primeira, teríamos problemas. E estava.

Depois de mais de 1 hora de caminhada já era possível possível ouvir o som relaxante da água batendo nas pedras. Fomos entrando cada vez mais fundo na mata, subindo, descendo, virando… e lá estava ela em todo o seu esplendor!

Era uma cachoeira pequena, é verdade, mas muito interessante. O laguinho tinha a profundidade certa. Depois das fotos habituais, chegava a hora de entrar na água. Eu, como intrépido futuro repórter aventureiro, fui o primeiro a tirar a camisa, o tênis e a meia para entrar na água. Fui seguido de perto pelos meus amigos.

Coloquei o pé na água e senti os pêlos da nuca arrepiarem. A água estava decididamente gelada. Não tinha jeito, era necessário encarar. Fui caminhando para dentro do lago e sentindo meus pés gelarem. As canelas também começavam a gelar. A medida que eu caminhava, meu corpo afundava levemente, submetendo outras partes à tortura da água gelada.

A situação melhorou muito depois que meu pé adormeceu e minha perna ficou ligeiramente amortecida. A vontade de colocar a cabeça debaixo daquela água que caia lindamente era muita, mas competia bravamente contra  frio que estava sentindo. Cheguei até a parte que meus joelhos eram cobertos pela água. Parei para avaliar minha situação. Ou eu entrava ou eu perdia a oportunidade.

Respirei fundo e contei com a ajuda dos amigos.

Entramos juntos.

Sinto que, a partir daí, transpassei um portal. Agora já não importava mais nada. Estava lá embaixo, recebendo gelo líquido na cabeça e no corpo. Me libertei de todos os fantasmas e impurezas e gritei. Um grito de liberdade, de comemoração, de relaxamento… e de frio também.

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Saí debaixo da água e senti o frio mais intenso da minha vida. Um frio cortante que vinha do topo da cabeça, passava pela espinha, peito, barriga, pernas. Não sentia meus pés.

Lavei a alma. Recarreguei as baterias.

A partir de então tornou-se mais fácil ficar na água. Uma das melhores sensações da minha vida. Uma perfeita integração homem/natureza. Depois de quase 1 hora na cachoeira, saímos e, pra variar, matamos mais um lanchinho (o kit sobrevivência não poupou comida, como vocês puderam perceber).

A parte mais dificil foi a volta. As pernas pesadas dificultavam a subida. O corpo não correspondia às mensagens que o cérebro insistia em mandar. Mas chegamos ao final da trilha (e do dia) vivos.

Vivos e extenuados.

Idéia Fix cumpriu sua missão. Agora eu posso descansar em paz.

7 pensamentos sobre “Trilha e cachoeira: Ideia Fix na Serra do Japi

  1. OOOOOOOOIIIIIIIIIIIII FRANKKKKKKK aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii q lindo foi esse dia da serra do japiiiii nehhhhh fikaram lindas as fotos q vc tiro =]]]]]]

    e vc escreve mt bem viu parabens ^^

    bjus =**

  2. Priscila! Você por aqui? Mas que beleza! Fiquei muito feliz de você ter aparecido (sem eu pedir, ainda por cima.. haha).

    Realmente o dia foi massa demais…

    Obrigado pelo elogio e volte sempre!

    Beijão

    PS: Agora só falta o lesado do Caio aparecer…

  3. Há uns dois meses passei por uma experiência parecida e, de tão frenético o meu estado – ao tentar dividir com os outros -, tornou-se indescritível como se nesse momento (imerso, com a força d’agua tentando me tomar para si) eu me tornasse parte desse entidade que é a cachoeira. “cujo silêncio a fluir às minhas costas
    no entanto escuto às vezes, imerso em trevas.”

    Parabéns por conseguir 🙂

  4. Pingback: Diário de Bordo: Cachoeira dos Preto, Joanópolis « Ideia Fix

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