Conhecendo o Sogrão – 3a parte

Essa é a parte final da epopéia do Gustavo. Nas duas primeiras partes (que você pode ler clicando aqui para a 1ª e aqui para a 2ª) ele passou por poucas e boas para poder chegar até a casa da namorada e conhecer o sogrão. Mas a noite é silenciosa e reserva surpresas. O que será que vai acontecer na “toca do lobo”?

Você vai descobrir agora:

“Chegamos lá. Fazendão, bonito, grande, com uma parte novinha (toda moderninha) e a outra, com as características originais, daqueles com janelão, tábua corrida que range (informação importantíssima, continue lendo).
Como a história foi contada para toda a platéia, eis que imediatamente passei a ser chamado de laranjinha (melhor que “merdinha” ou que “catinguentinho”) por todos. Acho que até mesmo o cachorro  riu da história.
Aquele foi o melhor momento que minha namorada arrumou para cochichar no meu ouvido: “Gu, na hora de dormir… (meu amiguinho ficou inquieto dentro da cueca), teremos que dormir em quartos separados, pois meus pais não são nada liberais” (meu amiguinho olhou para mim e disse: E U T E O D E I O. Dito isto, caiu até a altura do tornozelo).

Uma coisa que aprendi nas minhas aventuras foi: TUDO SEMPRE PODE PIORAR! E piorou!. Além de dormir em quartos separados, minha companheira de dormitório foi a avó dela (cambada de hipócritas… para defender a honra da filha dão logo um jeito. Mas e a preocupação com a honra de pobre coitada da velhinha? Nada… provavelmente eles pensaram que se eu fosse agarrar a coitada, ia ser até bom.)

Confesso que tirando o cheirinho de naftalina e a surdez, a velhinha era até simpática. Tarde da noite, eu morrendo de sono e já de saco cheio de ouvir: “vai laranjinha, conta de novo a história do ônibus“. Comuniquei: “Pessoal, o papo está bom (falsidade), mas vou dormir.” Arrumei uma toalha, tomei outro banho (e a porra do cheiro da laranja continuava em mim. Depois percebi que o culpado foi o catinguento, pois se ele não tivesse tomado coragem de comprar a coxinha, a mulher também não teria comprado a laranja).
Deitei-me. De repente dei um pulo e já ia socorrer a vovó, dado o ruído de sufocamento que a própria estava fazendo. Somente quando cheguei perto, percebi que aquele era o resultado de um ronco muito alto, com catarro na garganta. Para tentar explicar para vocês, onomatopeiticamente falando, imaginem alguém roncando dentro d’água, ou alguém fazendo gargarejo enquanto ronca.
Ri nos primeiros minutos. Me cansei nos seguintes. Nas horas que se passaram, fiquei imaginando se o IML conseguiria perceber que a causa morte foi por sufocamento com o travesseiro, ou se deduziriam que morreu por idade avançada. Desisti da idéia, pois a família dela poderia achar que matei a velha com um ataque cardíaco durante um sarro. Três horas da manhã, entendi o significado: “Vandenogel está com o pobrema de sistema nervoso.” Pobre Vandenogel. Era feliz e não sabia.

Piorando um pouco a história, ouvi prrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. Não, não era possível. A velha só pode estar de sacanagem. Tem que atacar meu sentido de audição e agora o do olfato também? Levantei-me para ir ao banheiro. Saí, fui ao banheiro, bebi água e o diabinho disse: ” Por que não procura o quarto que ela está dormindo e dá uma olhada para ver se Carol está coberta?”

Comecei a odisséia. A cada passo as tábuas rangiam (falei que era importante) de tal forma que meu coração parecia que ia saltar pela boca, tamanho era o medo de ser flagrado. Após subir todos os degraus, celebrei silenciosamente a vitória. Dei o primeiro passo no corredor e a tábua estalou de tal forma que o catinguento deve ter ouvido, onde quer que estivesse. Gelei. Seria flagrado. Correr seria burrice. Com o poder lógico de raciocínio de um jabuti septuagenário, abria a primeira porta que vi pela frente, implorando: “Deus, por favor, sei que eu errei. Mas não me sacaneie mais. Dê um desconto.”

Ele não ouviu minhas preces. Talvez se eu tivesse ficado em silêncio, ele não teria percebido e feito com que eu não entrasse no quarto de meu sogrão.
Ele , por sua vez, já estava de pé (creio que para checar o barulho no corredor). Pensando no fato de que NENHUMA MULHER acorda quando há algum barulho de madrugada, e constatando o grau de atividade e agitação da minha sogra, acho que quem quase deu o flagrante fui eu. Será que eles já ouviram falar em chave e fechadura?

Desta vez, meu raciocínio agiu feito um coelho cruzando: “oi, desculpem. Pensei que aqui fosse algum banheiro, procurei no lá de baixo algum comprimido para dor de cabeça, mas não encontrei“. Daí, tive certeza que quase peguei meu sogro com a bunda para o alto: NENHUMA MULHER, permaneceria deitada na cama, deixando o marido cuidar de uma dor de cabeça do namorado da filha, a não ser que estivesse peladona debaixo daquela cobertor.

Vou resumir: voltei para meu quarto, e fiquei ouvindo roncos e cheirando peidos, até que o sono foi chegando e passei a sentir os roncos e enxergar os peidos e adormecer.”

Essa foi a epopéia do Gustavo. Ele jura que tudo isso é a mais pura verdade e que ainda falta contar as aventuras do Sábado e do Domingo.
Mas isso fica para uma próxima série.

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Adoro os Comentários – O Retorno

7 pensamentos sobre “Conhecendo o Sogrão – 3a parte

  1. Pingback: Conhecendo o Sogrão - 3a parte : deus

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

    Gu, vou pedir para meus pais entrarem aqui! Eu não sabia desta parte da história da minha avó e do quase flagrante! Sabe que meu pai vai te matar, né?

    Frank e Carlão, parabéns pela qualidade do blog.

    Como não vejo o calamitoso Gu há muito tempo, fazia muito tempo que não ria tanto.
    Porém percebi que ele convenientemene omitiu o restante do fim de samana. A tentativa de afogamento sem água, o raly (é assim?) com o fusca, o bife pela janela. Ah Gu! Conta tudo vai!

    Acreditem, o parque aquático tem tudo a ver com ele. Afinal, como diria Raquel – “Tudo acontece com o Gustavinho!”

    Deus o iluminou com o dom de se envolver nas maiores enrascadas só para torná-las divertidas. Quer saber a resistência de um objeto? Basta deixar nas mãos dele por 5 minutos.
    Estabanado e cínico, conheci esta criatura no cursinho, enquanto ele ensinava história (ou geografia). Levamos quase 1h até perceber que ele era aluno e que estava tirando sarro conosco.

    Um doce de pessoa, escritor nato. Ele escreve muita coisa. Depois, peçam a ele a crônica sobre “pegadinhas que as mulheres pregam”.

    Gu, saudades e carinho. Vê se aparece.

    Beijos

    • Olá Carol! Primeiramente, obrigado pelos elogios… Segundamente… O Gustavo contou tudo sim, até a história do bife, do fusca, da piscina…. eu estou editando para fazer uma sequência de posts, como esses daqui..

      Aguarde e verá!

      PS: Bacana que, no meio disso tudo, ainda surgiram algumas revelações! hahaha

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