Baila, baila, baila

Desafios foram feitos para serem encarados. Essa máxima me guiou neste sábado, dia 31 de janeiro (calma… sei que você está lendo isso em fevereiro, não estou ficando maluco).

Para que você entenda como foi esta tarde, preciso voltar pouco mais de um mês, quando prometi a uma amiga, a Anna Clara, que faria uma aula experimental de dança de salão. Quem leu o texto sobre o hashi (não leu? Agora vai ler)  sabe que minha coordenação motora está regularmente offline, pra dizer o mínimo, portanto, fica difícil de imaginar como alguém como eu consiga efetuar corretamente uma sequência de passos que necessite de tal ferramenta mental.

Pois bem, promessa é dívida e lá fui eu cumprir com a minha palavra. Cheguei no Studio Wellness, em Jundiaí (o jabá justifica-se pelo excelente tratamento que recebi) pontualmente as 15:30. Não tinha ideia do que me esperava: seria uma aula de tango? Bolero? Flamenco, talvez? Nada disso. Começamos pelo bom e velho samba tipicamente brasileiro.

A primeira informação que eu tive que captar e transformar em verdade foi a de que os movimentos iniciam-se pela esquerda. Incrível como é muito mais fácil começar pela direita!

Segunda informação: Tudo é feito a partir do passo base. No caso do samba, resume-se a dar uma marchadinha (não confunda com machadinha) e um passo a frente. Fácil né? Duas pisadas e um passo a frente. Duas pisadas e um passo atrás. Tente aí na sua casa! Não tenha vergonha e solte a franga!

Após a quinta marchadinha, o cérebro já envia uma mensagem: “Quer parar com isso?”. Aí é a hora que você dá 3 marchadinhas, pisa com o pé errado, arranca a unha da parceira, chuta a canela… uma beleza.

Terceira informação: o braço direito é o apoio para o braço da parceira, portanto deve ficar mais acima. Seria uma ordem interessante, mas há algo chamado ácido lático que impede que o músculo fique na posição correta por muito tempo. Coisa de iniciante. O braço esquerdo, por sua vez, é só enfeite. Ainda bem.

A quarta informação foi a mais estranha: No quesito condução, o homem tem que dar uma dedada – foi isso mesmo que você leu, uma dedada – nas costas da mulher, para indicar mudança de movimento.

Agora junte tudo isso e imagine o tico e o teco aqui em cima correndo desesperadamente. Os 5 primeiros minutos foram de uma profunda conversa interior: “Você vai fazer né?“, dizia uma parte. A outra retrucava: “Mas nem que os argentinos resolvam ser humildes!“. Mas como eu disse lá em cima, desafios foram feitos para serem encarados e eu resolvi levar este a sério.
Para uma primeira aula, até que eu consegui fazer razoavelmente bem os passos básicos, arriscando até uma condução mais agressiva para a esquerda. Segundo a professora e a própria Anna Clara, é surpreendente que eu tenha conseguido com apenas 1 hora de aula. Imagine pra mim o quanto foi surpreendente.

Depois daquela aguinha milagrosa (que passarinho bebe sim, antes que alguém resolva colocar em dúvida a sobriedade dos meus movimentos) voltamos para a sala. “Agora vamos para a aula de forró“. Caramba! Logo agora que eu estava pegando a manha!

O passo básico mudou, mas, obviamente, não na minha cabeça. Comecei direto da marchadinha – quase causando a quebra da coluna vertebral da Anna, já que ela foi para o lado e eu para frente. Nada que uma duas os três respiradas profundas não mudassem.

Passo básico (dois pra lá, dois pra cá) entendido. Chegava a hora de dificultar. Fui informado que era possível fazer essa sequência: Mulher gira, homem gira, mulher gira de novo.Ma che!” pensei eu.
É… mas contra todas as expectativas eu girei e fiz girar. Coisa de louco isso, mas aconteceu. Os passos acabaram saindo com uma naturalidade maior do que eu previa. Vai ver minha coordenação resolveu sair do ostracismo, abraçou a ideia e resolveu provar que estava lá, firme e forte. Só não aparece com mais frequencia porque não quer.
Só pra constar na arquivo do meu ego: fui elogiado… de novo.

Resumo da ópera: Pulso doendo, pernas pesadas e a sensação do dever bem cumprido. Encarei o desafio e creio que o realizei das melhor forma que pude. Uma experiência muito rica que levarei daqui pra frente. Já não sou mais um perigo para a sociedade no que se refere a dança. Pelo menos nesses dois ritmos.

Alguém arrisca dançar comigo?

PS: Texto dedicado aos amigos que afinaram/medraram/arregaram/ desistiram e não compareceram ao local.

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4 pensamentos sobre “Baila, baila, baila

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