O comentário, o sobrinho e o bife – parte 2

Semana passada (ou há 1 minuto, se veio pelo link direto), você leu a primeira parte do que aconteceu com o Gustavo – nosso destemido azarado – enquanto estava visitando a família da namorada. Paramos no ponto em que ele pegava goiabas para o xará de 8 anos… Sem mais delongas, vamos ao causo:

“Estava lá, distraído derrubando as goiabas que o moleque pedia. Em dado momento, o embate com uma goiaba estava ferrenho (3 a 0 para ela), o moleque começou: “Tio!” “Péraí!” “Tio!” “Péraí!” “Tio!!Ai ai ai ai ai!” “Péraí! Ai ai ai ai!”

Imaginem a seguinte cena: Você olha para suas pernas, quadril, braço, barriga e para o molequinho e constata que todas as formigas existentes naquele município estão em cima de vocês. Você pensa: “me belisquem para eu saber que é mentira.” E elas lêem seus pensamentos e o atendem.

(Pensa rápido! Pensa rápido! Mais rápido!) A PISCINA! O pensamento flui natural e espontaneamente em sua mente,e este pobre ateu mais uma vez começa a se perguntar se o criador realmente não existe. Imediatamente, inicio uma corrida desesperada para lá, enquanto dou tapa nas formigas e em mim mesmo. Na metade do caminho, quando já me vejo livre, novamente me vem a mente – o moleque ficou lá! Faço a anotação mental: “lerdeza deve ser mal do nome. Meu filho jamais se chamará Gustavo.“. Paro, volto, pego o moleque no colo e reinicio minha corrida até a piscina. Ao saltar, começo com as instruções: “Prenda a respiração e CARAL…”

Clamei rimbombantemente o palavrão, no momento em que não pude deixar de perceber que a piscina deveria estar com no máximo, 4 dedos d’água. Pensei: “definitivamente, se ELE existir, sua função é me sacanear!” Mentalmente calculei: “Moleque de 25 kg por baixo de mim, com 75 kg (a época), igual a contração de dois Gustavos, com objetivo de permanecer apenas um. E, posteriormente, o restante seria queimado em uma fogueira em homenagem aos asnos.

Os gatos se acham os maiorais? Quero vê-los, com uma criança no colo, se contorcerem em pleno ar e suavemente aterrisarem de costas, cheios de formigas e com o impacto de 25 kg no peito. Enquanto o cérebro ainda não processara a dor, rolei o moleque na água e nos livrei das formigas. A dor veio. Uns 10 minutos após, consegui começar a me mexer e respirar sem sentir dor. Tirei-o da piscina, saí e lá fomos nós. Rumo ao abatedouro.Tentei entrar discretamente na casa.

O QUE ACONTECEU COM VOCÊS?!?!?!!?” Suavemente BERROU minha namorada. Juro que até o miserável do cachorro olhou para a gente.
É que fomos pegar goiabas e pisam…
“Ele me colocou em cima do formigueiro e depois me jogou dentro da piscina vazia!” – respondeu chorando o moleque (confesso que nem eu sabia que meu conhecimento de palavrões era tão vasto. Obviamente, nenhum exteriorizado, todos mentalizados.)

Surgiu a balbúrdia. Me impressionei, com a impressão que consegui causar. E tudo isto, antes do almoço.

Hora do almoço. Sentamos todos à mesa. A julgar pelos olhares gentis e cordiais que recebi, tive receio de comer qualquer coisa (veneno me passava a mente). Por ser fazenda e o pessoal estar acostumado com almoço estilo rancho, chegou meu prato pronto: Arroz, feijão, legumes, verduras e… FÍGADO?

Reflexão: Vamos todos, sentados relaxada e confortavelmente, fechar os olhos e mentalizar: Imaginem, um dia lindo, de sol, é primavera, a suave brisa lá fora, arrasta o delicioso aroma das flores, da grama verdinha. Aquele clima tranquilo e de descontração. Todo mundo feliz.  Daí, sua única filha – sua pimpolha, seu mimo – fará 18 aninhos, ganhará um carrinho e de quebra, apresentará o namoradinho dela para toda a família…
PORRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Se isto está acontecendo na sua vida, POR QUE é que você tem a idéia de merda de servir BIFE DE FÍGADO?

Retornemos agora, ao roteiro original. Lá estava eu. Olhava para o bife e o bife me olhava de volta. Assim permanecemos por alguns momentos, até que alguém comenta: “foi dona Nonô quem fez. Está fresquinho. É do novilho que será assado amanhã”. (Dona Nonô = avó do Gustavinho = ódio mortal por Gustavão = não posso fazer desfeita.)

Já estava amargando o desgosto de atacá-lo, quando chega um pessoal que estava nadando no açude, fazendo uma enorme algazarra e, consequentemente, atraindo TODA a atenção para o outro lado. Quando uma oportunidade surge na nossa vida, devemos abarcá-la de imediato. Tinha pouco tempo. A algazarra já estava reduzida e dando sinais de sua cessação. Cravei o garfo no bife, olhei pela janela, analisei o cenário novamente, instintivamente imaginei que o cachorro haveria de encontrar a tão apetitosa iguaria. Preparei-me e… PLAFT! SQUIIIIIIIIIIIIIII! PLAFT (novamente)*

* Apertando a tecla SAP desta onomatopéia: PLAFT = bife de fígado encontrando o vidro da janela que estava fechada. SQUIIIIIIIIIIIIII = ele escorregando pela janela. PLAFT (novamente) = ele caindo sobre o batente da janela.

Mais uma vez, todos os seres viventes do recinto, estavam com sua atenção voltada para mim. A única coisa que veio a minha cabeça: “Como é que pode? Como UM ÚNICO ser HUMANO, consegue fazer TANTA merda? Não é possível… não cabe tanto assim em uma só pessoa…”

Confesso que nunca em toda a minha vida, a espontaneidade me salvou como desta vez. Saiu sem pensar: “Caramba, NUNCA tinha visto uma janela TÂO BEM LIMPA quanto esta. Meus parabéns à quem a limpou!
Isto fez com que todos no local irrompessem em gargalhadas. Pronto, minha barra estava limpa.
Daí meu sogro diz: “Puxa meu amor… Bife de fígado também é fod…
Induzido pela emoção do momento, embriagado pela fama, bradei:

Desculpa aí, mas é que sou vegetariano!” (Nããããoooooooo!!!!! Seu animal!!! Como diz isto, na frente de todos, com um puta churrasco no dia seguinte?!?)

Quer saber o que aconteceu no churrasco? Aguarde… nós, aqui do departamento de edição de textos do Ideia Fix já estamos trabalhando para trazer mais um dia repleto de “agadas” do Gustavo…

2 pensamentos sobre “O comentário, o sobrinho e o bife – parte 2

  1. HASUSAHUHSUHAUSHAUSAHUASHUHAU. Muuito bom, muito bom 😀

    Gustavo, “Como é que pode? Como UM ÚNICO ser HUMANO, consegue fazer TANTA merda? Não é possível… não cabe tanto assim em uma só pessoa…”

    Parece história de filme, já pensou em criar um ? (um não né, váários, com tanta história)

  2. Vanessa,

    Sim, não só já pensei, como já escrevi um filme, doze peças de teatro e quatro livros. Porém, estão todos arquivados em algum disquete (isto mesmo, disquete). Lembro-me mais ou menos dos enredos.
    Porém, por mais incrível que pareça, nunca havia me passado pela cabeça, escrever sobre meus “Murffismos”.

    Abraços,

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