Língua: Demasiadamente humana

UNESCO recensia 2.500 línguas em risco de extinção
Brasil é o 3° país com maior número de línguas em risco de extinção

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As línguas são vivas. Algumas morrem, outras nascem. A coisa se move” – Assim definiu Cécile Duvelle, chefe da seção de patrimônio e material da Unesco. E ela tem razão, por mais óbvio que pareça.

A língua, primeiro “farelo” de cultura que adquirimos, é também a primeira herança que ganhamos. Ela nos é transmitida através da fala e dos estímulos visuais. A grande questão volta-se para a frase da especialista: Elas são vivas. Tão vivas que morrem.

O estudo realizado em Paris “estima em 2.511 o número de línguas vivas cuja situação é vulnerável, em perigo, em sério perigo, em situação crítica ou extinta no mundo“. Será que podemos imaginar quantas história, fatos, descobertas, vidas, encontros, desencontros estão arraigados nessas línguas?

Infelizmente esse número tende a aumentar, não por causa da globalização,  mas porque a própria Duvulle declarou que nesse estudo foi feito “um melhor recenseamento”. Ora, se esses estudos sempre sofrem adaptações com o intuito de melhorá-los, é de se supor que em 2009 esse número sofra uma inflação.

No Brasil – como o título da BBC supõe – a situação é lamentável. “Segundo o levantamento, feito por 25 linguistas, 190 línguas indígenas correm risco de desaparecer, sendo que 45 delas foram classificadas na categoria de risco mais elevado.

Dois exemplos são o kaixána, falado por apenas 1 pessoa em Japurá, no Amazonas, e o mawayana, preservado por somente 10 indígenas, na fronteira com a Guiana.”

O Atlas também contabiliza 12 línguas mortas no Brasil, quase todas situadas na região da Amazônia.

A boa notícia é que essa tendência é reversível. Paraguai e México instituíram o esino bilingue (Guarani e indígena, respectivamente) e registraram aumento no número de falantes. No nosso visinho, inclusive, a língua é quase tão falada quanto o espanhol.
Já na Irlanda essa medida não teve muito efeito. O irlandês é ensinado, mas só 5% da população realmente o fala. Ou seja: o eficaz não é a imposição, mas sim a conscientização.Tanto é verdade que o responsável por comandar o estudo, Christopher Moseley, afirma que “campanhas para fazer reviver línguas perdidas ou quase são as mais importantes“.

Curioso notar que “a concentração de línguas ameaçadas é especialmente forte nas regiões do mundo que também apresentam a maior diversidade linguística: Melanésia, África subsaariana e América do Sul.”

Até agora só falamos das línguas que morrem ou tentam resurgir, tal qual Fênix. Mas e as que nascem?
Bom, na verdade elas não nascem, mas sim modificam-se, sofrem mutações. Veja o caso do “você”. Um pronome de tratamento absolutamente corriqueiro tem muita história. Começou como “Vossa Mercê“, modificou-se para “Vossmicê“, vossuncê, vassuncê, mecê, vancê, vacê e então para “você“, que foi encurtado para “ocê” e que finalmente foi reduzido para “cê”.

O Tiopês, por sua vez, é uma evolução (??) com raízes cibernéticas. Não é propriamente falada (apesar de ser possível notar resquícios), mas substancialmente escrita. Para os praticantes é um jeito “engraçado e incorreto” de escrever. Para outros, “é só mais uma forma mongol e trabalhosa de se comunicar”. O próximo parágrafo será escrito nessa linguagem, com a ajuda de um tradutor, claro.

Como voç puderam notr, é un shoqe ler algo tão diferente. Está certo qe ese tiop de linguagem sobreviav e se desenvolva, em detrimento de tants oltrs (mas de doeszerozerozero, lembram-se?) qe sunariamente são estirpads e estão caad  dia mas estão esvainod-se da Tearr? Talvez esteaj . Se o planeat está entranod em colapso com 6 biliões de nzerozerob, é bem capaz de -n consegur suportr tants dialets. Pode-se dizr qe Darwin também age na faal . Nees caso, serão ess as mas forts e melior preparads a sobrevivr?

Não se esqueça: A língua é humana. Demasiadamente humana.

Em tempo: “A Índia lidera o ranking, com 196 línguas ameaçadas, seguida pelos Estados Unidos, Brasil, Indonésia, México e China.”
Ainda em tempo: Será que eu consigo a versão em papel, a ser lançada mês que vem?

6 pensamentos sobre “Língua: Demasiadamente humana

  1. É, de fato existem idiomas sendo extintos mais do que línguas sendo caladas. Existem verdadeiros espíritos humanos sendo podados e jogados em um abismo sem significância.

    Quando a casa do vizinho está pegando fogo, a minha casa está em perigo. (Horácio)

    Para o tiopês, se me fosse proposta uma escolha de me comunicar através de um jeito engraçado e incorreto OU uma forma mongol e trabalhosa, certamente estaria confirmando minha loucura se aceitasse tal proposta. Que tal uma redução à raíz? Todos aprendem a raíz da sua língua e conversam com os outros desta forma. Por exemplo: todos os que têm origem latina na sua língua, falariam latim. Todos os que possuem origens gregas, falariam grego. E assim por diante.

  2. Frank,

    Perdôe a minha franqueza, mas EU creio na comunicação. Não na língua.
    “kaixána, falado por apenas 1 pessoa em Japurá, no Amazonas” Se este cara só fala este idioma, SIFU.
    O que realmente condeno, é que o Tiopês (nome dado a uma forma de comunicação, por um oportunista que queria aparecer), é sim, um retrocesso. pois nas formas de comunicação, há a padronização de gestos, símbolos, palavras e etc… Já o tiopês, nos leva a extremos para tentar entendê-lo, dado o fato de total ausência de padrão. Daí, uma palavra pode ser (assassinada) grafada, de 300 mil jeitos. E as pessoas são obrigadas a tentar se entender e se comunicar desta forma.
    Se eu estivesse no PC de minha casa, colaria uma … tentativa de comunicação do meu irmão(preto). Era algo composto por 5 linhas, umas 15 palavras (tentativas) por linha, NENHUMA grafada corretamente, algumas até mesmo ininteligiveis, sem um único ponto. (assista ao filme marte ataca e veja os ets se comunicando – Dai dadai dai dai… foi assim que me senti quando li.0

    Quando temos o Tiopês, aí sim, acabam se perdendo preciosas informações históricas, dentre outras coisas.

    Mas, como disse, esta é a MINHA opinião. Não é certa ou errada, é apenas a minha.

    • Mas, Gustavo. Se, pra você, o que vale é a comunicação, então você deveria aceitar o Tiopês. A padronização de símbolos É a língua.
      Uma pergunta simples deve elucidar a questão: O que é menos grave alguem escrever:

      a) O senário (sic) foi construido com papeu (sic) ressicráveu (sic)
      b) O papel foi reciclável com cenário construído.

  3. O problema, é que o Tiopês, não segue um padrão, e muitas vezes, dada a variedade de (incompreensíveis) palavras para descrever o mesmo termo, a falta de coesao e coerencia textual, evitam que haja a COMUNICAÇÃO.

    Çaquou?

  4. Respondendo:

    Já leu um texto “feito” em uma máquina de datilografia, onde faltavam algumas teclas?

    Por associação, conseguimos ler o texto todo.
    Ou até mesmo em inglês. Aqueles que dominam parcialmente o idioma, conseguem ler e entender o sentido, mesmo sem ter um vasto vocabulario.

    Porém, isto só é possível, se já fomos inseridos no código fonte do idioma.

    Já um indivíduo sem acesso ao código fonte do idioma, não conseguiria ler, tanto com palavras corretamente grafadas, quanto com as incorretamente.

    É o que ocorre com o tiopês. Está se tornando um idioma à parte, porém sem definição alguma. Tanto eu o considero um “idioma” com várias derivações de dialetos (como há em algumas culturas orientais).

    Portanto meu caro e estimado Frank, Ambas as formas alencadas, são inteligíveis.

    Abraços,

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