Um mundo dentro do shopping

contraste

Um lugar muito interessante para se observar são aqueles estabelecimentos nos shoppings que os pais deixam suas pestes para poder passear e gastar alguns bons trocados com tranqüilidade. Convenhamos, é muito melhor olhar os produtos em exposição nas vitrines sem um capeta mirim puxando suas calças e gritando “eu quero sorveeeeteeeeee!!“.

A primeira etapa começa quando a criança leva você até o local e fica, com aquela cara que só criança pidona consegue fazer, perguntando se pode ir. Aí você tem duas opções: a) Nega e aguenta e b) Aceita e paga.
Alguns pais escolhem a alternativa “b”, advertindo o bacuri que “não vai pagar uma fortuna para ele jogar computador”. A criança não está nem aí. Ela quer entrar… só isso já basta.

Uma vez lá dentro, ela pode escolher entre a área eletrônica e física. É aí que fica interessante. Essas duas áreas mais parecem mundos diferentes.
Na área eletrônica, as crianças ficam cercadas por videogames, computadores, televisores. E NENHUMA comunicação. É impressionante o silêncio nessa área. Os corpos estão presentes, mas a mente está longe, distante. Dentes rangendo, olhos fixos, pálpebras imóveis… praticamente zoombies.

Do outro lado, crianças em estado de euforia. A impressão é que deram ecztazy para cada uma. Não há um segundo de descanso. No tobogã gigante, quedas espetaculares que quebrariam um membro fácil, fácil. Os bacuris gritam, riem, suam, correm… loucura, loucura, louca, como dia um certo apresentador. O mais impressionante é que a bateria só acaba no carro, quando todos dormem. Quando saem de lá, a adrenalina ainda está altíssima, e os pais tem que aguentar as hipérboles mirabolantes, tais como “puta pai… o tobogã tinha uns 20 metros de altura… eu fui na maior velocidade lá.. zuuuuuummmm, pá… cai na piscina de bolinha.. muito louco pai… o muleque lá é mais doido do que eu… ele saiu correndo, mó rapidão, tipo uns 200 por hora… deu um pulão pai… caiu sentado e desceu lá.. muito louco!!!!”

Por falar em ir embora, nessa hora alguns encaram bem, como o exemplo acima. Já outros encarnam a música da Maísa e realmente acham que o mundo delas caiu. Pude presenciar olhos inchados e gargantes roucas de tanto chorar e espernear. A coitada da mãe tentava convencer, mas os argumentos são era muito persuasivos. Ele simplesmente não queria sair de lá, nem que a vida dependesse disso. Chega a ser patética a cena da mãe arrastando o rebento e dando broncas infrutíferas.

Enquanto isso, mais crianças entravam e reiniciavam o ciclo. E os estabelecimento faturava.

Os estabelecimentos aliás, gostam de trabalhar com algumas palavras chave: segurança, tecnologia, treinamento, diversão. Os moniotres treinados ficam na observação, caso alguma criança resolva contrariar a física e subir o tobogã em vez de descer. Outros ficam de olho na piscina de bolinas, caso algum desavisado queira se enterrar e outro, mais desavisado ainda, queria dar um pulo bomba.
As câmeras espalhadas transmitem a sensação de um Big Brother. “Uau.. meu filho está sendo constantemente sendo observado. Lá ele está seguro”. Como se a criança não fosse escapar, se quisesse.

Enfim… este é o um mundo mágico dentro do shopping. Mágico e caro. Mas para ver o sorriso de satisfação do seu rebento vale a pena.

Ou não.

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