Moda Music Band

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O Brasil tem uma história musical muito rica e interessante. O Carlão já falou sobre muita gente boa nas Opinix e por isso poderia começar esse post com a Tropicália, a Jovem Guarda, enfim… movimentos que até hoje não foram esquecidos. Tanto é que o Roberto Carlos faz, esse ano, 50 anos de carreira.

Quero me concentrar, no entanto, na década de 80 para frente. Nesses anos, o rock rebelde e por vezes inconseqüente de Cazuza e Renato Russo dominavam os Hits Paredes. Dizem que todos os jovens tem sua fase Legião Urbana (teoria furada, já que eu não tive) exatamente por esse toque contestador, controverso, diferente. Muitas outros cantores fizerem sucesso nesse mesmo estilo, mas esses dois destacam-se tanto pela profundidade das letras quanto pela herança que deixaram. Falta, hoje, quem faça essa crítica através da música.

A década de 90 começou ainda com Legião Urbana, mas guinou para rumos completamente diferentes. Foi a fase do Sertanejo Romântico. O grupo dos AMIGOS (sei…) Chitãozinho e Xororópais de Sandy e JúniorLeandro e Leonardo e Zezé di Camargo e Luciano venderam mais discos que sanduíche no McDonalds. As madeixas, hoje bizarras, eram moda. Quem não se lembra dos mullets gigantes? Tirando João Paulo e Leandro, já falecidos, os outros continuam na ativa e ganhando bastante. Zezé e Luciano, por exemplo, gravaram um filme autobiográfico que tornou-se um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional.

Em meados de 90, no entanto, outra vertente surgia: Axé e Pagode. Ralar na boquinha da garrafa era sensação, segurar o tchan uma obrigação e chegar na Cohab pra curtir a galera era o programa preferidos dos domingos. O Axé sobreviveu graças ao Carnaval da Bahia e o talento de Ivete Sangalo, Asa de Águia, Chiclete com Banana e mais recentemente Claudia Leitte. Se bem que a Playboy e a Sexy devem muito ao grupo É o Tchan (Cumpadi Vampeta Washington que o diga).
O Pagode não sumiu completamente e, além de filhos, deixou o legado dos cantores: Belo, Netinho, Rodriginho, Andrezão ainda aparecem em programas de televisão, geralmente sendo presos ou cobrados por alguma pensão atrasada.

Podemos considerar o final da década 90 e começo dos anos 2000 como a primeira “febre do Funk” (eu disse funk e não Frank, ok?). O Bonde do Tigrão, Um Tapinha não Dói e o Funk da Motinho instituíram bordões até hoje usados. Podemos citar o clássico “popozuda” (e sua variante “popozão”) como exemplo. O funk colocou os morros cariocas na rota de diversão das classes média e alta, algo surpreendente até hoje.

A segunda “febre do Funk” ocorreu com Dj Malboro e Tati Quebra Barraco recentemente. Os hits impulsionaram os morros cariocas a produzir mais músicas e com isso surgiram as mulheres frutas. Tem para todos os gostos: Melancia, Maçã, Morango, Jaca (?), Melão,  Banana (que não é exatamente mulher) e variações como Caviar e Filé.

E já que estamos nos anos 2000, é bom lembrar a renovação do sertanejo e do forró. A estratégia foi acrescentar a palavra “universitário” e assim surgiram inúmeros conjuntos e duplas. Falamansa, Cesar Menotti e Maradona Fabiano, Victor e Léo e por aí vai, fazem a alegria dos rodeios e dos camelôs.

Já nos últimos dois ou três anos, mais um estilo musical despertou e fez sucesso, principalmente entre as jovens: O Emocore. Antes de falar da musica e das bandas, abordarei o esteriótipo de um “emo”: segundo a Wikipédia, eles são emotivos e tolerantes; usam trajes pretos, cabelos por vezes coloridos e franjas caídas nos olhos. Pelo que já pude observar, a parte do “emotivo” pode chegar à extremos. Os representantes da música emocore no Brasil são NXZero e Fresno.

Claro que esse é um resumo (bem resumido) e que muitos cantores de sucesso foram deixados de lado. Como não tenho a intenção de escrever um almanaque, deixei de fora  nomes como Cássia Eller, Mamonas Assassinas, Titãns, Skank, Jota Quest, etc.

A grande questão que eu gostaria de levantar e que não sou capaz de responder é: De 20 ou 30 anos para cá, podemos considerar que a música (observe os quesitos qualidade, popularidade, abrangência, tipo de público…) evoluiu ou regrediu?

A peteca está com você leitor…

Imagem: Angatuba-Legionaire Flickr

9 pensamentos sobre “Moda Music Band

  1. Estive pensando sobre essa questão, e comecei a enxergá-la de outro ângulo.
    Sempre achei que a música, hoje, regrediu muito, principalmente por causa do funk e do axé. Só que, se formos mais fundo, veremos que nas décadas de 70 e 80 existiam músicas tão ruins ou piores.
    Também achava que as músicas de hoje são feitas para atingir os jovens, que são mais fáceis de manipular (nem todos, é claro!). Porém, as músicas que hoje chamamos de “música de velho” (do tempo dos nossos pais e avós), eram criadas com a mesma finalidade, afinal nossos pais não nasceram com a idade que têm hoje.
    A dupla Sandy e Jr de hoje, eram os Carpenters do tempo dos nossos velhos.
    A questão é que poucos conseguem sobreviver, como Roberto Carlos, Caetano, Roupa Nova (e olha que existem muitos jovens entre seus fãs hoje) etc. Hoje em dia, se o cara ou a banda durar dez anos já está no lucro.
    Só um exemplo: Alguém sabe dizer onde está Felipe Dylon? Luka?
    Pior vocês não sabem, outro dia estava vendo um comercial de uma banda na tv chamada Rosa de Saron, e achei que era uma banda nova, logo o locutor disse que era o dvd comemorativo dos 20 anos (!) de carreira dos caras. depois descobri que é uma banda religiosa (deveria ter percebido por causa do nome) de raízes católicas. Sou Cristã, mas do lado protestante (evangélica), do catolicismo só conheço os padres Marcelo e Fábio (Jr) de Mello.
    Aí entra a questão do tipo de público que a música se destina.
    No geral, acho que a música regrediu em termos de qualidade e criatividade, principalmente nas letras. Das poucas composições novas, muitas são um fiasco, água com açúcar (na minha opinião). No resto, tudo se copia. Sem falar no excesso de regravações.

    • Taí uma bela análise. Ando me perguntando se as músicas de hoje atingem um público mais abrangente, isto é, não apenas jovens, mas neo-adultos, adultos, balzaquianos, etc…

      A Xuxa, dez anos atrás, tentava nos convencer que tinha 5 anos. Hoje ela tenta convencer que tem 15 e é super maneira, sacou? Mesmo assim, ela atinge um público maior. O mesmo acontece com bandas Pop, que antes só eram apreciadas por menininhas histéricas.

      Sei lá… isso daria tese de mestrado.

  2. eu acho o seguinte…. em um contexto geral a música regrediu e muito, mas existe gente tentando fazer algo novo.
    Por exemplo, o pe. fabio de mello, já citado. Ele tem canções que não buscam “converter” as pessoas, e sim, passar mensagens para reflexão.

    Ouçam a música “contrários”, por exemplo para entender o que estou dizendo.

  3. Carlão, o grupo Catedral também tem músicas mais para reflexão que para tentar converter as pessoas, o grupo Novo Som também tem músicas assim (até românticas, inclusive). Claro que estou citando estes pois, como já disse, estou mais familiarizada com o contexto evangélico, mas é assim mesmo. Roberto Carlos tem músicas sobre Maria (mãe de Jesus), sobre o próprio Jesus e isso não faz dele um “convertedor”, nem o encaixa entre os cantores religiosos.

    Frank,
    Particularmente, eu prefiro as músicas que meus pais ouviam lá na década de 70 ou 80 do que as de hoje em dia (salvo raras excessões). E acho a Xuxa bem melhor tentando convencer que tem 15 que quando tentava convencer que tinha 5. Mesmo assim, acho que o tempo dela já acabou.

  4. Eu posso ser das gerações mais novas, que escutam NX Zero e Fresno, porém particularmente acho que a música regrediu muito. Não há mais sentido nas letras, é muito mais importante fazer algo que possa vender o mais rápido possível para que esse ‘ hit ‘ não seja derrubado pela próxima modinha. Ninguém mais canta como Elis Regina, Djavan, Engenheiros do Hawai … Ou até mesmo Cássia Eller, Titãs e Legião Urbana. É por isso que não escuto Fresno e NX Zero, acho que as músicas são mais valorizadas pela rapidez em que alcançam as pessoas do que pelo o as faz sentir.

  5. A Música só vem piorando a cada dia que passo lembro com grande aperto no coraçao que tivemos grandes e boas bandas no cenário nacional, hoje em dia o que voce ve é uma pirralha que mal sabe cantar em ingles e um monte de emos querendo ser os rockstar do momento!

  6. O que está claro é que a musica tem caminhado para a individualidade, reduzindo drasticamente a popularidade das bandas… Com varios estilos existentes hoje temos publico pra tudo! E cada vez irá surgir algo novo e um novo tipo de publico e a personalizaçao aumentando!

    • Rasecseven, Everton e Tainá: O que vocês disseram faz sentido sim. Talvez seja um ciclo vicioso e cada parte dele foi dito por um de vocês.

      As letras não tem profundidade, como disse a Tainá. Se o importante hoje é fazer algo que venda rápido, é de se esperar que o sucesso suma tão rápido quanto veio. Some isso às bandas que mal sabem cantar em inglês, formados por pirralhos e que não montam um hit imbatível por mais uma modinha, como disse o Everton, e temos o cenário perfeito para a individualidade que reduz drasticamente a popularidade das bandas. Com isso, há a necessidade de criar músicas que vendam rápido e aí o ciclo continua…

  7. Quando eu era pequeno, a gente pulava e cantava as músicas do Balão Mágico, etc…. hoje em dia, menina (e meninos também) desde cedo já decoram esses lixos de Créu e coisas do tipo “Eu quero mais é beijar na boca”….. Claro, a música evoluiu e os estilos também… mas criança sempre foi criança.

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